16 de outubro de 2026

FMI alerta para riscos à economia global e prevê crescimento de 3,1% em 2026

Inflação, guerra no Oriente Médio e tensões comerciais pressionam as perspectivas; investimentos em IA sustentam parte da atividade econômica
Foto: Reprodução

FMI projeta crescimento global de 3,1% em 2026 e 3,4% em 2027, com inflação de 4,7% em 2026, caindo para 4,1% em 2027.
Crescimento desigual: países com tecnologia e energia resistem, enquanto importadores enfrentam custos e pressões cambiais.
FMI recomenda reconstruir reservas fiscais, medidas temporárias para vulneráveis e fortalecer segurança energética e IA.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A economia mundial deve crescer 3,1% em 2026 e 3,4% em 2027, mas a aparente estabilidade das projeções esconde diferenças cada vez maiores entre os países. Em relatório, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta que a resiliência da atividade econômica enfrenta limites diante dos conflitos geopolíticos, das tensões comerciais e dos riscos associados à concentração dos investimentos em inteligência artificial (IA).

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Intitulado Resiliência sob pressão, escolhas urgentes, o documento destaca que a economia global resistiu melhor do que o esperado aos impactos da guerra no Oriente Médio e às disputas comerciais no primeiro semestre de 2026.

O desempenho, porém, foi sustentado por fatores que beneficiam os países de maneira desigual, especialmente a expansão dos investimentos em tecnologia e as condições favoráveis para exportadores de energia fora das zonas de conflito.

O FMI projeta que a inflação global chegue a 4,7% em 2026, antes de recuar para 4,1% em 2027. A alta temporária é atribuída principalmente aos preços de energia e alimentos, pressionados pelos efeitos da guerra e pelas interrupções no abastecimento.

O Fundo manteve a projeção de crescimento para 2026 em relação às estimativas de abril e elevou moderadamente a previsão para 2027. A instituição, contudo, considera que os riscos estão concentrados no sentido negativo: uma escalada do conflito no Oriente Médio, novos choques de oferta ou uma mudança abrupta nas condições financeiras podem comprometer o desempenho da economia mundial.

Crescimento desigual amplia vulnerabilidades

O relatório identifica uma divisão crescente entre as economias. Países com forte participação nas cadeias produtivas de tecnologia e aqueles que exportam energia sem exposição direta aos conflitos conseguem amortecer parte dos choques.

Já as economias dependentes da importação de energia e pouco integradas ao setor tecnológico enfrentam uma combinação mais desfavorável: custos externos maiores, pressão cambial, perda de renda real e menor capacidade fiscal para responder às dificuldades.

O cenário é particularmente preocupante para países de baixa renda e economias vulneráveis, que dispõem de menos instrumentos para enfrentar a elevação dos preços e a desaceleração da demanda. Segundo o FMI, os choques recentes podem ampliar as desigualdades tanto entre países quanto dentro de cada economia.

O comércio mundial também deve perder força. O volume de trocas internacionais tende a desacelerar em 2026 e se estabilizar em 2027, refletindo o impacto das tarifas, as mudanças nas cadeias de produção e a continuidade do dinamismo do comércio associado à tecnologia.

As perspectivas de médio prazo permanecem modestas em comparação com padrões históricos. O Fundo relaciona esse desempenho, entre outros fatores, às diferenças na preparação dos países para incorporar a inteligência artificial e à robustez de suas matrizes energéticas.

Boom da inteligência artificial traz riscos

Os investimentos em inteligência artificial aparecem como um dos principais motores de sustentação da atividade econômica. A expansão tecnológica impulsiona a demanda, o investimento e o comércio em setores específicos, ajudando a compensar parte dos efeitos negativos da crise energética e das tensões geopolíticas.

Essa contribuição, entretanto, também cria vulnerabilidades. Uma reavaliação das expectativas de rentabilidade e dos ganhos de produtividade associados à IA poderia reduzir investimentos, provocar correções nos mercados acionários e restringir as condições de financiamento. Os efeitos se espalhariam para países e empresas integrados às cadeias tecnológicas ou expostos aos mercados de ações do setor.

O FMI também alerta que a concentração das cadeias de fornecimento de tecnologia em poucos países, setores e empresas pode criar pontos de estrangulamento. Além disso, uma crise prolongada no Oriente Médio pode manter os preços de energia e alimentos elevados, reavivar pressões inflacionárias e prejudicar o crescimento.

Entre os riscos adicionais estão ataques cibernéticos, eventos climáticos extremos e preocupações com a sustentabilidade das contas públicas. O relatório ressalta que interrupções físicas no fornecimento de commodities tendem a produzir efeitos macroeconômicos mais persistentes do que aumentos de preços associados apenas à percepção de risco geopolítico.

FMI defende reconstrução do espaço fiscal

Diante das incertezas, o Fundo recomenda que os governos reconstruam suas reservas fiscais e adotem planos críveis para estabilizar as contas públicas. A orientação inclui ampliar receitas, racionalizar despesas e melhorar a gestão das finanças públicas, diante do endividamento elevado e do aumento dos custos de financiamento.

Para enfrentar o custo de vida, o organismo defende que eventuais medidas de apoio sejam temporárias e direcionadas às populações mais vulneráveis, sem comprometer a sustentabilidade fiscal. A política monetária, por sua vez, deve considerar as condições específicas de cada país, incluindo as pressões inflacionárias existentes antes dos choques recentes e o grau de exposição à crise energética e ao ciclo de investimentos em tecnologia.

O relatório também recomenda fortalecer a segurança energética, ampliar a capacidade de adoção da inteligência artificial e preservar canais abertos de comércio e cooperação internacional.

A avaliação do FMI é que a economia mundial conseguiu absorver sucessivos choques graças à adaptação das empresas, à reorganização das rotas de comércio, ao uso de estoques e às medidas de apoio econômico.

Essas margens de ajuste, contudo, não são ilimitadas. A manutenção do crescimento dependerá da capacidade de enfrentar os riscos sem agravar as fragilidades fiscais, inflacionárias e sociais que já dividem o desempenho entre as economias.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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