Profissão de fé, por Izaías Almada
Confesso meu orgulho por ter pertencido, aqui no Brasil, à geração de 1968. Com meus 26 anos de idade feitos em abril daquele ano e passagens pela Escola de Arte Dramática (EAD) e o curso de Ciências Sociais na Faculdade de Filosofia da Rua Maria Antonia, ambos não concluídos por reais motivos de ansiedade, disponibilidade e opção ideológica. Como?
Ao iniciar o meu terceiro ano de Ciências Sociais, mais precisamente no dia 06 março de 1969, fui feito prisioneiro da pela ditadura civil/militar que tomara o poder em 1964. Ao lado de centenas e centenas de companheiras e companheiros que pelo Brasil se constituíram em organizações decididas à luta armada.
Levado ao Departamento de Ordem Política e Social na Praça General Osório iniciei um novo ciclo da minha vida.
Caro leitor, peço-lhe aqui, gentilmente, ler o parágrafo abaixo uma ou mesmo duas vezes com atenção. Após a leitura feche os olhos e imagine-se vivendo a situação descrita. Vamos lá:
“A sala, de 25/30 metros quadrados, em cuja porta de entrada estava um soldado da PE (Polícia do Exército) com um fuzil fazendo a segurança do espaço. Dentro da sala via-se apenas um cano de ferro sustentado por dois cavaletes de madeira, vulgarmente conhecido como “pau de arara”. O prisioneiro entra na sala acompanhado por três policiais torturadores e é obrigado a tirar toda a roupa e, tendo suas mãos amarradas por fortes cordas e, dependurado no cano de ferro por três horas ou mais, recebe cacetadas, socos e choques elétricos por todo o corpo, sobretudo nos órgãos genitais”.
Conseguiram sentir o horror?
Por qual razão lembrar-me daquele momento acontecido há 57 anos? Por uma simples e delicada questão eleitoral a se encerrar no próximo dia 25, dia do segundo turno da eleição presidencial: o candidato de nome Flávio Bolsonaro é filho do ex-presidente Jair Messias, grande admirador da tortura e que declarou publicamente que o governo ditatorial de 1964/1985 deveria ter matado pelo menos 30 mil brasileiros que lutaram contra o golpe civil/militar…
Flávio tem o DNA do pai e disso não tenham dúvida.
O que o chamado bolsonarismo quer fazer do Brasil se, por acaso, vencer as eleições?
Querem mudar a Constituição? Com qual objetivo?
Querem entregar o país a Trump e seus sociopatas?
Querem tirar os benefícios sociais dos pobres?
Querem diminuir os orçamentos de saúde e cultura?
Afinal, querem alguma coisa que preste?
Fico aqui pensando nas novas gerações, em nossos filhos e netos.
Como? O que foi que eu ouvi? Que isso é conversa fiada? Lugar comum?
OK! Pois afirmo com segurança e a experiência de viver numa ditadura: OU DAMOS A VITÓRIA A LULA, QUE A MERECE, OU ENTÃO AJUDAMOS A JOGAR O PAÍS NA LATA DO LIXO.
Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.
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