17 de outubro de 2026

Trump suspende sanções à Rússia e enfrenta críticas nos EUA

Presidente invoca interesse nacional para adiar medidas contra Moscou; parlamentares dos dois partidos dizem que decisão enfraquece pressão sobre Putin
d/esq. p/dir: Vladimir Putin, presidente da Rússia, e Donald Trump, presidente dos EUA. Foto: X - @WhiteHouse

Donald Trump suspendeu novas sanções contra a Rússia, alegando interesse nacional, conforme ordem executiva de 16 de outubro.
Decisão adia sanções da lei Lindsey O. Graham, que prevê restrições econômicas e punições a países que negociam com Moscou.
Críticas bipartidárias acusam Trump de enfraquecer Ucrânia e contrariar o Congresso; parlamentares planejam reverter medidas.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu suspender a aplicação de novas sanções contra a Rússia, alegando que a medida atende aos “interesses nacionais” do país.

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A decisão, formalizada em uma ordem executiva publicada na noite de sexta-feira (16), provocou críticas de parlamentares republicanos e democratas, que cobram a implementação das restrições aprovadas pelo Congresso em setembro.

A medida adia a aplicação de sanções previstas na lei Lindsey O. Graham Sanctioning Russia and Iran Act, assinada por Trump no mês passado, que estabelece restrições econômicas abrangentes contra a Rússia e prevê sanções a países que negociam com Moscou, incluindo compradores de petróleo russo.

Segundo a Axios, a legislação permite ao presidente dispensar a aplicação de determinadas sanções e restrições. Na ordem executiva, Trump afirmou ter enviado ao Congresso uma certificação de que conceder a isenção naquele momento seria do interesse nacional dos Estados Unidos.

A Casa Branca justificou a decisão com o argumento de que a aplicação imediata das medidas poderia prejudicar as negociações por um acordo de paz duradouro entre Rússia e Ucrânia. Segundo a porta-voz Taylor Rogers, o presidente mantém a possibilidade de recorrer às sanções caso considere que isso contribuirá para os interesses nacionais.

O recuo ocorre uma semana depois de Trump permitir que a Rússia comercialize diesel internacionalmente, iniciativa que também provocou críticas de parlamentares dos dois partidos. Em conjunto, as decisões sinalizam uma redução da pressão econômica de Washington sobre Moscou, apesar das cobranças para que o governo adote medidas mais duras contra o presidente russo, Vladimir Putin.

De acordo com a Axios, a suspensão das sanções provocou uma reação incomum pela convergência entre integrantes dos dois partidos. Parlamentares democratas acusaram Trump de enfraquecer a posição da Ucrânia e contrariar a intenção do Congresso ao aprovar a legislação, enquanto republicanos consideram a decisão irresponsável.

As críticas podem ganhar peso quando o Congresso retomar os trabalhos, nas próximas semanas. Parlamentares já articulam uma iniciativa bipartidária para tentar reverter o acordo que permitiu a comercialização internacional de diesel russo. A suspensão das sanções amplia a frente de divergência entre o presidente e integrantes de seu próprio partido.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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