4 de junho de 2026

O populismo de esquerda versus o fascismo liberal.

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Conforme o vídeo de uma palestra Vladimir Safatle, faz uma fácil avaliação de um possível e altamente provável de golpe fascista neoliberal, que por ser liberal contraria o falso discurso revolucionário do fascismo tradicional nacionalista, anticapitalista, tradicionalmente antiliberal e antissistema , porém nesta mesma palestra ele dá de forma não proposital, argumentos que poderão facilitar em muito a resistência da esquerda contra um golpe militar autoritário, fascista e antidemocrático, ou seja, mostra que há restrições ao próprio cenário de sustentação a um golpe militar.

Na primeira parte de sua fala ele fala do aspecto tardio que os governos de compromisso do PT conseguiram retardar no discurso fascista. Ele deixa claro que devido ao adiamento conseguido com as políticas de compromisso do PT com as oligarquias, o Estado Liberal, que foi implantado na Argentina, Inglaterra, Grécia e parcialmente na França e outros países, foi retardado pelos governos de esquerda reformista, ainda com um leve aprofundamento do Estado Social.

Safatle reconhece que em países com implantação do liberalismo precoce, como a Inglaterra, começa a sofrer um forte refluxo através de programas bem mais radicais de partidos como o trabalhista inglês. Ele também ignora a vitalidade de movimentos populistas de esquerda, como a La France Insoumise de Jean Luc Mélenchon, que conseguem barrar o populismo de direita ou mesmo eliminá-lo como o caso do UKIP na Inglatera que não conseguiu eleger um só membro no parlamento inglês depois de ter chegado a 12% nas eleições um ano antes. Ele ignora que a própria ascensão de um muito provável golpe militar de características neoliberais defasado das vitórias dos liberais no resto do mundo, entrarão de forma tardia defasado do ciclo liberal que parece ter atingido o seu máximo há poucos tempo.

Ou seja, enquanto a Inglaterra, o ciclo liberal parece sofrer um forte recuo e em outros países como a França a uma mais radical do que o Partido Socialista Francês, começa a tomar força (ou mesmo na Holanda, segundo Safatle), um golpe militar a direita no Brasil com políticas econômicas liberais, entrará atrasado nesta onda, e a tendência dele se isolar em relação ao resto do mundo vai conspirar a favor da resistência ao mesmo.

O próprio movimento antifascista, que parece não ter sido recuperado pela direita fascista do PSDB atual, forma uma espécie de colchão amortecedor de pretensões do agravamento do fascismo no Brasil.

Por outro lado, se olharmos o que os teóricos do populismo de esquerda, Chantal Mouffe e o seu falecido esposo, o argentino Ernesto Laclau, preconizam como método de ação e não como uma nova ideologia, um dos caminhos viáveis da esquerda é a formação do chamado populismo de esquerda. A vantagem é a incorporação de setores proletários atualmente dispersos, reagrupar forças a esquerda contra a direita liberal internacional, através da criação de um ente sociológico, chamado povo, que por identificação entre dois grupos, eles, os oligarcas, e nós, o povo, que tem por uma mola propulsora desta formulação a identificação por afetos e paixões, que talvez o que mais Lula representa atualmente.

Ou seja, em resumo, um governo militar de direita liberal, não terá sustentação econômica, devido embarcar no liberalismo em plena crise do mesmo, nem também na falta de identificação com este ente sociológico, o povo, criado pelos afetos e posições existentes na esquerda, simbolizadas por Lula. Logo estes governos por mais esforço que façam serão identificados com as oligarquias.

Ou seja, talvez a batalha da direita oligárquica contra a esquerda proletária simplesmente fique reduzida a uma batalha de nós, o povo, versus eles, a oligarquia.

 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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