
Rodrigo Campos lança CD após resgatar processo musical interrompido há 13 anos
por Augusto Diniz
“9 sambas” (YB Music). Com esse título, o cantor e compositor Rodrigo Campos lança seu quarto trabalho solo. Um show de lançamento acontece nesta segunda-feira (1/10) no bar Ó do Borogodó, em São Paulo (SP), dentro do projeto “Ó do avesso” – mais detalhes da apresentação aqui.
Rodrigo Campos é um dos grandes compositores surgidos nos anos 2000 ligados ao samba, que vivia um ciclo de alta. Ele conta que em 2005 tentou fazer seu primeiro CD solo, mas não deu certo, segundo ele pela “falta de experiência”. Daí ele abandonou a ideia, para retomá-la três anos depois, gravando o ótimo “São Mateus não é um lugar assim tão longe”.
Mas o músico ficou na cabeça com aquele fatídico trabalho interrompido em 2005, quando entrou no estúdio para gravar as bases sozinho com violão, cavaco e percussão e, já no primeiro dia, percebeu que não teria sucesso.
“Usei em ‘9 sambas’ o processo daquele disco abandonado, gravando as bases sozinho, e dessa vez gostei do resultado”, diz. “O que muda de lá para cá, é que tem toda trajetória gravando discos meus e participando de discos de colegas. Acho que ganhei experiência e confiança para retomar aquele processo”.
Ele lembra que as músicas do disco que não saiu foram todas engavetadas – Rodrigo gravou apenas duas no primeiro trabalho solo “São Mateus não é um lugar assim tão longe”.
O músico considera que o CD “9 Sambas” o ajuda a entender um pedaço de sua vida artística: “Consigo ver o caminho que percorri para poder assumir esse lado sambista, que naquela época era eu todo, e agora não”.
Nesse novo disco, a direção e produção musical é do próprio Rodrigo Campos – com auxílio na produção da música “Clareza” de Beto Villares, “Na sacola” de Gui Amabis e “Casa Velha” de Marcelo Cabral.
O CD conta com nove composições (letra e melodia) de Rodrigo Campos, sendo apenas uma não inédita – trata-se da composição “Clareza”, gravada por Elza Soares.
As faixas do disco, na sequência, são “Chorei comprido” (com participação na voz de Romulo Fróes), “Joguei o jogo”, “Cecília e a razão”, “Clareza” (essa três com participação na voz de Juçara Marçal; “Clareza” tem participação também de Kiko Dinucci), “Na sacola”, “Bloco das três da tarde”, “Bandeira”, “Batida espiral” (também com participação de Juçara Marçal na voz) e “Casa Velha” (com Cesar Lacerda na voz).
O time que participou da gravação do CD é excelente: Wellington “Pimpa” Moreira (bateria e agogô), Marcelo Cabral (baixo acústico), Thiago França (sax alto e tenor), Dustan Gallas (piano), Beto Villares (violão de aço, synth e samplers), Gui Amabis (samplers e teclado), Jaziel Gomes (trombone baixo), Maria Beraldo (clarinete), Aramís Rocha (violino), Robson Rocha (violino), Daniel Pires (viola), Deni Rocha (violoncelo) e Cuca Ferreira (flauta). A música “Bloco das três da tarde” contou com um coro, com a presença de alguns músicos já citados mais Paulo Neto e Verônica Ferriani.
Depois de “São Mateus não é um lugar assim tão longe” (2009), Rodrigo lançou “Bahia Fantástica” (2012) e “Conversas com Toshiro” (2015). Em 2003 ele já havia apresentado um disco com um grupo que integrava chamado “Urbanda”. Ano passado, com Juçara Marçal e Gui Amabis, lançou o registro fonográfico “Sambas do absurdo”, já tratado nesta coluna aqui.
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