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do El País
Fremdschämen, a constrangedora ‘aula’ sobre nazismo dos brasileiros aos alemães
O termo alemão para “vergonha alheia” resume o que foi a enxurrada de críticas de internautas brasileiros a um vídeo da Embaixada alemã afirmando que nazismo é de direita
por Marina Rossi e Regiane Oliveira
São Paulo / Recife
Uma palavra sintetiza a aula sobre nazismo que um grupo de brasileiros tentou dar aos próprios alemães na Internet: fremdschämen (vergonha alheia). O que era para ser um vídeo sobre como se ensina a história do nazismo, publicado no Facebook pela Embaixada da Alemanha em Brasília e pelo Consulado Geral em Recife, se tornou um campo de guerra nas redes sociais.
No vídeo institucional, a Alemanha explica que desde cedo as crianças são ensinadas confrontar os horrores do holocausto, como parte do pensamento de conhecer e preservar a história para não repeti-la. No país é crime negar o holocausto, exibir símbolos nazistas, fazer a saudação “Heil Hitler“. O vídeo deixa claro que o nazismo é uma ideologia da extrema direita. “Devemos nos opor aos extremistas de direita, não devemos ignorar, temos que mostrar nossa cara contra neonazistas e antissemitas“, afirma no vídeo Heiko Mass, ministro das Relações Exteriores.
Muitos internautas contestaram o ministro: “Extremistas de direita? O partido de Hitler não se chamava Partido dos Trabalhadores Socialistas? Onde tem extrema direita?”, perguntou um internauta, em relação ao Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei), que ficou ativo no país entre 1920 e 1945. O partido de Hitler misturava uma cultura paramilitar racista, populista, antissemita e anti-marxista, algo como “contra tudo o que está aí” e ” ou pelos verdadeiros alemães “de bem”.
Houve quem tentasse explicar onde estava o erro da embaixada: “Não é só pelo nome do partido. É uma concentração de poder no Estado. A esquerda (comunismo/socialismo) acredita em poder centralizado no governo para a construção de uma sociedade melhor. A direita acredita na descentralização desse poder, por isso advoga um poder maior ao indivíduo e não ao coletivo (…)”. Isto é, como Hitler centralizava o poder, logo, ele não poderia ser de direita, segundo esse internauta.
Enquanto alguns tentavam ver o lado positivo da iniciativa e marcavam amigos para tentar provar que o nazismo é, sim, de direita – “(…) se o Consulado alemão explicando que o nazismo é de extrema direita não te convencer, não sei o que mais poderá”, escreveu um internauta. Outros até ameaçaram a embaixada: “[Vocês] perderam uma enorme chance de ficar de boca fechada. Mas não se preocupem. Estou compartilhando este post na Alemanha. Vamos ver o que irão dizer!”
Damaris Jenner, responsável para assuntos de imprensa na embaixada, explica que a ideia era falar sobre como se ensina história na Alemanha. “Na semana em que pensamos em fazer esse vídeo, aconteceram as manifestações em Chemnitze vários jornais brasileiros noticiaram”, diz ela. Os protestos foram realizados por militantes da extrema direita desde o final de agosto contra a morte de um alemão, supostamente esfaqueado por dois imigrantes, e que terminaram em atos de violência.
“Achamos que seria interessante ligar esses dois assuntos para mostrar essa discussão na Alemanha”, afirma Jenner. Mas a reação dos internautas surpreendeu. “Não imaginávamos que repercutiria dessa forma”, diz. “Nosso vídeos costumam ser bem assistidos, mas esse foi excepcional”. Até o fechamento desta reportagem, o vídeo tinha mais de 630.000 visualizações na página da embaixada. Jenner diz que, além da audiência alta, fez diferença o engajamento dos usuários. “Geralmente tem menos debate”, diz. Ela afirma que alguns comentários foram respondidos “de forma cordial” pela própria embaixada ou pelos consulados que replicaram o vídeo, mas que em muitos casos os próprios usuários responderam uns aos outros.

Na escola, os alemães começam a aprender sobre o nazismo quando têm entre 13 anos e 15 anos. E no Brasil também. “Os alunos da rede pública estudam este tema em História em dois momentos do ciclo básico: no nono ano do ciclo fundamental e no terceiro ano do ensino médio”, afirma o professor de história da rede pública de São Paulo Danilo Oliveira. A diferença é que, enquanto na Alemanha a história do Terceiro Reich está nas ruas, no turismo e nas memórias das famílias, no Brasil, as lembranças do passado de influência nazista vão sendo apagadas pelo desinteresse sobre o tema.
É o que aconteceu com a Fazenda Cruzeiro do Sul, em Paranapanema, interior do Estado, onde funcionou na década de 1930 uma colônia nazista. A história da fazenda ganhou destaque a partir do trabalho do historiador Sydney Aguilar que descobriu como 50 meninos órfãos do Rio de Janeiro foram escravizados por dez anos a ponto de terem sido privados até mesmo de seu nome, eles só ganhavam números. Essa história foi contada no filme Menino 23, lançado em 2016. O prédio da sede, construído com tijolos com o desenho da suástica, já não existe mais. O proprietário começou a demolir a estrutura em 2012, e terminou em 2016. E só restou à Procuradoria Geral do Estado processar o dono.
O professor Oliveira admite que o nível de informação dos brasileiros sobre grandes temas da humanidade, como o nazismo, pode piorar nos próximos anos. Isso porque a diferença entre as ideologias de direita e esquerda são mais aprofundadas nas disciplinas de história e sociologia no ensino médio, que deixarão de ser obrigatórias se a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para esta etapa de estudos for aprovada. Por enquanto, como disse um internauta, “brasileiros questionando a embaixada alemã sobre nazismo é 8 a 1 para Alemanha”. Mas pelo andar das coisas, esse placar ainda tem potencial para crescer muito.
Albasgodel
17 de setembro de 2018 12:59 pmÉ até cômico.
O país mais miscigenado do mundo, uma colcha de retalhos em misturas raciais com a maioria negra e milhões de mestiços com sangue índigena, quer ensinar a Alemanha sobre o holocausto. Por incrível que pareça, muitos dos nossos admiradores de nazistas são descendentes de judeus fugidos da fúria Hitlerista. (antes ou depois da guerra) Também fugiram para cá milhares de nazistas que até hoje admiram o seu herói assassino. Em tempos anteriores, houve fuga em massa de cristãos novos para o Brasil, perseguidos pela inquisição. E muitos descendentes desses sofredores hoje tornaram-se defensores ferrenhos de sistemas totalitários como foi a alemanha de Hitler. Querer ensinar ou contestar os alemães quanto aos horrores do nazismo, será entendido mundo afora como extrema ignorância da parte de brasileiros.
Jorge Luis
17 de setembro de 2018 1:13 pmComplementando Einstein:
Complementando Einstein:
Tanto o universo quando a ignorância humana são infinitos porque ambos estão em constante expansão.
Flavio Martins e Nascimento
17 de setembro de 2018 1:16 pmPra ficar na frase de um
Pra ficar numa frase de um alemão, mais ou menos famoso, mais ou menos lúcido, que, coitado, fugiu dos extremistas de esquerda, mas tinha certeza que eram de direita, nos anos 1930:
“Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, em relação ao universo, ainda não tenho certeza absoluta”.
peregrino
17 de setembro de 2018 1:41 pmAlbert Camus…
” a estupidez insiste sempre “
Somebody
17 de setembro de 2018 1:41 pmA ralé que acredita ser a
A ralé que acredita ser a “elite” brasileira, querendo ensinar sobre nazismo para os alemães?
Zé Silva
17 de setembro de 2018 2:03 pmPara os da Extrema-Direita,
Para os da Extrema-Direita, uma certeza delirante: A Embaixada Alemã é de Esquerda e pouco liga para a sua verdadeira história. Delascar!
Humberto Pereira - Democracia Radical
17 de setembro de 2018 3:26 pmhá um filme alemão
(esqueço nome). Uma menina, uma moça começa a vasculhar bibliotecas, etc e descobre que todo o mundo na cidadezinha dela participou do naziismo (fora os que foram assassionados: alemães, judeus, minorias, etc) seja por ilusões, seja por medo, seja pela massiva propaganda da máquina nazista.
sergio ferreira
17 de setembro de 2018 5:57 pm“Uma cidade sem
“Uma cidade sem passado”
http://www.mnemocine.com.br/index.php/cinema-categoria/20-critica/42-historia-memoria-e-silencio-no-filme-uma-cidade-sem-passado
Humberto Pereira - Democracia Radical
17 de setembro de 2018 9:23 pmIsso, mesmo, Sérgio-dica dos riscos de sites gratuitos de filmes
como “Visitante” (ex-cadastrado) não sei qndo alguém posta algo sob minha postagem,só qndo eventualmente venho ver.E demora até que a Moderação do GGN aprove ou libere(o horário q sai publicado é o horário do envio).Sobre links de cinema gratuitos,cuidado (todos tenhamos cuidado)nada é gratuito,têm diversos tipos de malwares(pragas),vírus, alguns meio inofensivos,outros imperceptíveis e q roubam senhas.Sugiro Firefox(q tem o nome de Firefox Quantum,configurando contra fraude,32 ou 64 bits,depende de seu sistema).E antes passar o link em VIRUSTOTAL e Norton Safe Web.Em 1 minuto 67 antivírus são vasculhados nos seus bancos de dados.Se apenas 1 deles detectar algo,é melhor fugir dessa probabilidade.
peregrino
17 de setembro de 2018 5:35 pmmuito vivo por aqui ainda…
mas não o defeito, o DNA……………………………………………………empresarial
ilegalidade que atrai muito$ simpatizante$, no entender da justiça brasileira não é ilegalidade
peregrino
17 de setembro de 2018 5:44 pmem tempo…
clandestinos que mandam mais do que qualquer partido reconhecido como tal pelas leis brasileiras
ditadura aconteceu por aí…………………………………..e quer voltar igualzinha
motivo de ter gerado preocupação global
PauloBR
17 de setembro de 2018 6:31 pmTalvez, só talvez…
Talvez, só talvez, por essas e por outras, um dos mais conhecidos palíndromos (*) em alemão seja:
Ein esel lese nie.
(*) Palíndromo é a palavra, frase ou sequência de caracteres que pode ser lida tanto da esquerda para a direita quanto da direita para a esquerda, sem modificação do sentido.
Pedro ABBM
17 de setembro de 2018 8:05 pmNazismo é de direita, mas…
Nazismo é de direita (é óbvio) mas o filo fascista pertence à mesma categoria do comunista. Ambos são primos, surgiram na mesma época, disputando o mesmo público de trabalhadores desempregados, intelectuais descontentes e inconformistas em geral. São arqui-inimigos justamente porque disputam o mesmo público. O verdadeiro oposto do comunismo não é o fascismo, mas o liberalismo – este sempre foi a ideologia das camadas médias, dos que estão de acordo com o establishment e os acomodados em geral.
Essa noção de que fascismo e socialismo são assemelhados não é uma invenção de brasileiros ignorantes, todos os estudiosos que vão além do senso comum sabem disto. Não foi por acaso que o partido nazista tinha o nome de nacional-socialista. Mas por aqui o termo fascismo foi banalizado, e reduzido a sinônimo de conservador. Nunca foram a mesma coisa.
Luthio Pereira
17 de setembro de 2018 8:31 pmNazistas
Ein esel lese nie.
Muito boa
Kkkkkkkkk
Ruy Acquaviva
17 de setembro de 2018 10:03 pmUm dos frágeis argumentos dos
Um dos frágeis argumentos dos reaças brasileiros colocado no texto é que a direita seria contra a concentração de poder no Estado, o que é uma grossa mentira. Mentira essa que é propagada ad nauseam pela ideologia neoliberal e pelos bonecos de ventriloquo que a reverberam.
A direita defende sim a concentração do poder no Estado, ao mesmo tempo que defende o Estado a serviço do dinheiro, ou seja, da elite que detém o poder econômico.
Não se trata de Estado mínimo, como os títeres do neoliberalismo repetem sem questionar, pois o Estado é gigantesco e com um poder desmedido nos países centrais do imperialismo, a começar pelos EUA, que tem um Estado gigantesco, muito maior mesmo em termos proporcionais do que o Estado brasileiro ou de outros países acusados de terem um Estado “inchado”.
Só que o Estado americano não está a serviço da população e sim de suas elites. O gigantismo das forças armadas americanas, que sugam uma parte enorme daquilo que os americanos chamam de “dinheiro do contribuinte” é um reflexo da concentração do poder estatal americano. A presença da repressão policial, gerando a maior população carcerária do mundo, onde a ampla maioria é de negros, hispânicos e pobres em geral é outra faceta dessa situação.
Não é o fato de não ter estatais clássicas que deixa o Estado americano minimizado. As compras estatais de empresas particulares mas que se mantém com polpudos lucros a custas das vendas para o “Tio Sam” (o gigantesco Estado americano) não criam uma situação de minimização do Estado, muito antes pelo contrário.
Outras mentiras propaladas pelos direitistas seriam de que a direita respeita o direito de propiredade e a liberdade individual.
O direito à propriedade só existe para quem tem muito. Os pobres são frequentemente privados do pouco que tem com uma violência inaudita exercida pelo Estado a serviço do capital, não do ser humano.
Também a liberdade individual é medida pela quantidade de dinheiro que o indivíduo tem. Quem não está alinhado com os interesses do poder econômico perde sua liberdade com a maior facilidade, como atesta o uso descarado do poder judiciário, instrumentalizado pelo poder econômico, contra as lideranças populares e os pobres em geral.
O que me deixa mais angustiado é ver algumas pessoas que não são direitistas nem reacionários caírem na esparrela dessas mentiras…
Pedro ABBM
18 de setembro de 2018 6:43 pmExato
Exato. O fascismo prerroga o agigantamento do Estado, e a subordinação da burguesia aos interesses do Estado (contrariando o liberalismo, onde é o estado que se submete aos ditames da burguesia). Mussolini definiu muito bem:
Se liberalismo significa indivíduo, fascismo significa Estado
Nada fora do Estado
Nada contra o Estado
Tudo no Estado
Tudo para o Estado
A principal fonte de equívocos ao se conceituar o fascismo é o fato deste termo haver perdido o sentido original: entre nós, fascismo passou a significar tudo o que se opõe ao socialismo. Mas em suas origens, o fascismo não foi um um regime conservador comandado por elites, e sim um regime revolucionário de massas, que empolgava sobretudo os jovens, disputando o mesmo público que os comunistas. Fascismo e comunismo são primos porque são produto do mesmo contexto histórico: a revolução industrial, o surgimento do proletariado, o nacionalismo e o surgimento das potências colonialistas.