
Observações esparsas sobre os números do Datafolha
por Luis Felipe Miguel
(1) O ligeiro crescimento do Jair Bozo pode ser atribuído, com razoável grau de segurança, à onda de simpatia causada pelo agravamento de seu quadro clínico e à exposição na mídia com a segunda cirurgia. Mas essa não é uma, digamos assim, “estratégia de campanha” viável. No país que já viveu o episódio de Tancredo Neves, o eleitorado resistiria a votar em um candidato muito debilitado, com chances incertas de plena recuperação.
(2) A situação de Geraldo Alckmin é desesperadora. Está ficando claro que os votos de Ciro, Haddad e Marina se movimentam entre eles, nunca deles para o tucano. Indecisos e eleitores decididos a votar branco/nulo são ou lulistas ainda perdidos ou pessoas com inclinação anti-establishment, quer dizer, é muito difícil que o tucano cisque nesse campo. As investidas contra o Bozo não deram certo. Sua esperança é atrair votos hoje dados aos pequenos candidatos da direita, mas aí ele também encontra obstáculos. O eleitor de Amoêdo é mais ideológico, o de Meirelles é mais tecnocrático, o de Álvaro Dias é seduzido pelo discurso anticorrupção (que o PSDB não tem como abraçar), o de Daciolo é mais delirante e o de Eymael não existe.
(3) Fernando Haddad está numa situação relativamente confortável. Para chegar ao segundo turno, basta reafirmar o fato de que é o candidato de Lula. Certamente a transferência de votos está longe de ter se concluído. Será o alvo preferencial de seus adversários, diante da compreensão generalizada de que uma vaga já é do Bozo, mas o lulismo tem resiliência suficiente para atravessar isso. Mesmo a campanha cada vez mais feroz da mídia, a chantagem já em curso do “mercado” e as delações cuidadosamente calendarizadas dos próximos dias não devem afetar isso. O principal adversário é o Poder Judiciário, que já deu provas suficientes de seu alinhamento político. Acho improvável que cheguem ao ponto de acatar a anunciada ação do amoedismo para impugnar a candidatura de Haddad, mas será feito tudo o que puder atrapalhar a comunicação do candidato.
(4) Ciro Gomes está numa posição eticamente desafiadora. A lógica do jogo eleitoral incita que ele bata forte em Haddad, seu adversário na disputa pela vaga no segundo turno – sem reciprocidade, já que Haddad precisa se concentrar em marcar sua relação com Lula, não em bater em Ciro. Porém, diante da gravidade da situação (o golpe, o assanhamento militar, a candidatura do Bozo), não é possível correr o risco de favorecer a direita ou de gerar fraturas insuperáveis no campo democrático.
(5) Marina Silva deve pensar duas vezes antes de se candidatar novamente em 2022.
Marcos Carvalho
15 de setembro de 2018 3:30 pmFalando em Bozo…
[video:https://www.youtube.com/watch?v=HH-wNWoXG_E&feature=youtu.be%5D
Henrique Nunes
15 de setembro de 2018 3:48 pmEspontânea é 13
Uma coisa que ñ vi ninguém comentar: na espontânea, votos dados a Lula devem contar como a Haddad. Afinal, embora ñ seja o ideal, as regras do jogo são essas: 13 é Haddad, mesmo que seu eleitor, em enorme potencial, ainda ñ saiba disso.
jose antonio santos
15 de setembro de 2018 6:56 pmbom post.
Concordo plenamente.
Se me permiirem um pitaco, aconselharia o Hadad não bater no Ciro, até porque se vencer pode convida-lo para um cargo no governo. O PT e PCdB não tem tantos quadros preparados assim!
Absurdo? Não, Ciro tem qualidades como administrador e pode contribuir e muito. Pode servir até como “para- choque” de futuros ataques da oposição e midia.
Hadad, se vencer, vai precisar alguém que faça esse papel.Inevitável! Vai ser uma guerra! Não nos iludamos. Farão de tudo para “tutelar” o governo!
Nelson Pinto Neto
16 de setembro de 2018 12:42 amProblema ético para Haddad
Me desculpem, mas pouco a pouco vai se configurando um problema ético para Haddad, não para Ciro. Haddad perde para todos no segundo turno, até para Bolsonaro. No sentido contrário, Ciro ganha de todos no segundo turno, e é o que vence com mais folga Bolsonaro. Portanto, pode estar se configurando o quadro de Haddad tirar Ciro do segundo turno e entregar de bandeja o poder para a direita. Abram o olho!
Nelson Pinto Neto
16 de setembro de 2018 2:14 amProblema ético para Haddad
Ao contrário do que é dito neste texto, está se configurando um problema ético para Haddad, não para Ciro. Haddad perde para todos no segundo turno, até para Bolsonaro, já Ciro ganha todos no segundo turno, e é o que vence com mais folga Bolsonaro. Portanto, pode estar se configurando o quadro de Haddad tirar Ciro do segundo turno e entregar de bandeja o poder para a direita. Abram o olho!
Nelson Pinto Neto
16 de setembro de 2018 2:14 amProblema ético para Haddad
Ao contrário do que é dito neste texto, está se configurando um problema ético para Haddad, não para Ciro. Haddad perde para todos no segundo turno, até para Bolsonaro, já Ciro ganha todos no segundo turno, e é o que vence com mais folga Bolsonaro. Portanto, pode estar se configurando o quadro de Haddad tirar Ciro do segundo turno e entregar de bandeja o poder para a direita. Abram o olho!
Rui Ribeiro
16 de setembro de 2018 2:59 pmNo 2 turno entre Haddad e Bolsonaro, quem Ciro apoiara?
Num eventual segundo turno entre Haddad e Bolsonaro, o Ciro certamente nao vai quere entregar de bandeja o poder psra a direita. Em sendo sssim, ele apoiara Haddad, o qual, com o apoio do Ciro e com a elevada rejeicao do Bolsonaro, ganhara facilmente a eleicao.
Rui Ribeiro
16 de setembro de 2018 10:08 amO Decrescente Crescimento do Bolsonaro
O crescimento do Bolsonaro trm um acentuado decrescimento. Antes ele tinha 20% de intencao de voto e passou pra 22%, crescendo, portanto, 10%; depois foi de 22% para 24%, crescendo, portanto, 9%. Agora foi de 24% para 26%, crescendo, portanto, 8%.
Acho que na proxoma pesquisa o crescimenyo dele nao serah mais decrescente, mas crescente.
A conferir