4 de junho de 2026

Parlamento francês pede intervenção de Macron para garantir Lula nas eleições do Brasil

“O povo brasileiro se lembrará de um apoio da França que ajudaria a restaurar a possibilidade de exercer sua soberania e colocar a história brasileira na direção do progresso”, clamam os congressistas
 
 
Jornal GGN – Parlamentares de diversos partidos franceses pedem a “intervenção” do presidente do país, Emmanuel Macron, “em favor de eleições justas e legais no Brasil”. O documento foi encaminhado ao presidente da França ainda hoje e destaca a situação política no Brasil “marcada pela proliferação de encarceramentos de figuras políticas de destaque e pelo surgimento de um discurso e, às vezes, atos de ódio antidemocráticos”. 
 
“A eleição presidencial a ser realizada em poucas semanas é de considerável importância para a democracia brasileira e, além disso, para toda a América Latina. A este respeito, nos preocupa as condições em que está agora a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, favorito nas intenções de votos, e nos leva a buscar a sua intervenção em favor de eleições justas e legais Brasil”, diz a carta.
 
A Assembleia Nacional Francesa elencam o apoio à garantia de Lula disputar as eleições presidenciais, que inclui “seis ex-chefes de estado franceses, italianos, espanhóis e belgas, 29 parlamentares dos Estados Unidos, o ex-presidente do Parlamento Europeu e muitos especialistas jurídicos internacionais”.
 
A correspondência dos congressistas a Macron relembra a determinação do Comitê de Direitos Humanos da ONU, de pediu que o Brasil tome “todas as medidas necessárias para garantir que Lula exerça seus direitos políticos, de dentro da prisão, como candidato à eleição presidencial”. “Sob o direito internacional, a decisão de impedir Lula da eleição é ilegal”, concluem.
 
Os membros da Assembleia Nacional francesa também ressaltaram que a Constituição brasileira garante que o ex-presidente participe da disputa até que todos os seus recursos sejam julgados pela Justiça do Brasil. “Isso é ainda mais importante porque ainda há muitas incertezas sobre a legalidade do julgamento [contra Lula, que o prendeu], o que pode colocar em questão a legalidade das próprias eleições e impactar irrevogavelmente o resultado”, atentam.
 
Citam a injustiça de o candidato da extrema direita e defensor da ditadura militar, Jair Bolsonaro (PSL), de ter sido denunciado de racismo e mesmo assim pode participar da campanha eleitoral sem restrições e “poderá ser o grande beneficiário da eliminação ilegal de Lula das eleições”.
 
Os parlamentares não deixam de manifestar preocupação sobre a possibilidade de o Brasil ser governado por Bolsonaro: “Em vista da instabilidade política que o Brasil vem experimentando há mais de dois anos, a possibilidade de um extremista liderar o quinto país do mundo pelo seu tamanho e a sexta pela sua população, além disso, no marco de uma eleição ilegal, é particularmente preocupante”.
 
“O tempo está se esgotando. Restam apenas alguns dias para garantir que a eleição presidencial brasileira seja legal e legítima. É por isso que pedimos que você implemente com urgência todos os meios pacíficos à sua disposição para que Lula possa ser um candidato. Não haveria interferência em um estado soberano. Pelo contrário, é para garantir a legalidade das eleições sob a lei internacional e a possibilidade de o povo brasileiro exercer plenamente a sua soberania. Esse ato corajoso que o convidamos a tomar estaria de acordo com a fraternidade que liga a França e o Brasil, que compartilham mais do que uma fronteira comum. O povo brasileiro se lembrará de um apoio da França que ajudaria a restaurar a possibilidade de exercer sua soberania e colocar a história brasileira na direção do progresso”, clamam os congressitas.
 
Assinam a carta os parlamentares:
 
Clementine Autain Huguette BELLO, Ugo BERNALICIS, Moetai Brotherson, Bruneel Alain, Marie-George Buffet, Luke CARVOUNAS Andre Chassaigne, Jean-Michel Clement, Paul-André Colombani Eric Coquerel Alexis Corbiere Pierre DHARRÉVILLE John Paul DUFRÈGNE, Elsa FAUCILLON Caroline FIAT Regis Juanico Sebastien jumel, Mansour Kamardine, Manuela Kéclard-Mondésir Bastien Lachaud François Michel Lambert, Jérôme Lambert, Michel LARIVE, Jean-Paul Lecoq, Jean-Luc Mélenchon Danièle Obono Mathilde PANOT, Stéphane POUCO Loïc PRUD’HOMME Adrien QUATENNENS, Jean-Hugues RATENON Muriel RESSIGUIER Fabien Roussel, Sabine RUBIN François RUFFIN, Bénédicte taurina, Hubert WULFRANC
 
 
Leia o documento da Assembleia Nacional Francesa, na íntegra, abaixo:
 

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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11 Comentários
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  1. Edsonmarcon

    12 de setembro de 2018 9:33 pm

    Audácia

    Que audácia desses franceses!!

    Só porque fizeram uma revoluçãozinha se acham os tais?

    OUSAM afrontar os DEUSES DO JUDICIÁRIO ?

    Que metidos…

    1. Lucinei

      12 de setembro de 2018 9:51 pm

      Sao “petistas”.
      Sao “petistas”.

  2. Anarquista Lúcida

    12 de setembro de 2018 9:51 pm

    Isso é tolice, seria intervençao nos assuntos do Brasil

    Por mais que eu queira Lula candidato, isso nao posso aprovar. Uma coisa é o Conselho de Direitos Humanos da ONU, que tem legitimidade para isso, garantida por um acordo sancionado pelo Congresso Brasileiro. Outra muito diferente é presidentes de uns países pretendendo interferir nas eleiçoes de outros.

    1. El-Dani

      12 de setembro de 2018 10:43 pm

      Outro ponto de vista

      Concordaria com sua visão SEM uma decisão da ONU sendo descumprida.

      COM a decisão proferida sendo sumariamente desrespeitada, é até natural que os Estados comecem a se pronunciar. Talvez em princípio não seja pela chancelaria ou através de seus chefes-de Estado, mas com o tempo, certamente isso acontecerá. E não dá para chamar de interferência externa, porque eles têm a chancela do comitê da ONU que foi formado exatamente para observar o cumprimento deste Tratado. Os outros Estados-membros do Tratado têm todo o direito, e até a obrigação, de nos exigir o cumprimento do Direito Internacional.

      Assim penso.

      1. Anarquista Lúcida

        13 de setembro de 2018 6:45 pm

        Respeito sua opiniao, mas acho 1 precedente perigoso

        Hoje é a França, amanhã sao os EUA… Muito perigoso.

  3. Tomás Rosa Bueno

    12 de setembro de 2018 11:09 pm

    Estilo Brasil247

    Ora, por favor, tu quoque? Trinta e sete de 577 deputados não são o parlamento francês, são 6,4% do total.

  4. Maria Dirce

    12 de setembro de 2018 11:17 pm

    ONU  não reconhecerá a

    ONU  não reconhecerá a eleiçâo no Brasil, e nenhum parlamento  que seja  signatário  da ONU!!!!

  5. Luciano Lira

    13 de setembro de 2018 12:06 am

    O Nosso país chora as mágoas

    O Nosso país chora as mágoas pela falta de brilho de nossa justiça. É muito triste vermos o mundo lá fora falando mal de nossas eleições pela maldade da prisão do nosso maior líder estar preso sem crime e sem provas…

  6. Edy

    13 de setembro de 2018 5:44 am

    É pra rir ou pra chorar??Sem
    É pra rir ou pra chorar??Sem comentários

  7. Francisco Vieira

    13 de setembro de 2018 10:57 am

    Marchons, marchons qu’ un

    Marchons, marchons qu’ un sang impor abreuve nos sillons…..

  8. Roberto Sidnei

    13 de setembro de 2018 1:10 pm

    Vixi
    A POLÊMICA POSTA NA MESA !

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