
Mousonaro e Bolrão não se entendem sobre o Brasil
por Mário Lima Jr.
Sentados frente a frente à mesa da Sala dos Oficiais no Quartel-General do Exército, Mousonaro e Bolrão ficaram em silêncio por alguns instantes, remexendo papéis, antes de iniciar a conversa. Estavam em questão as propostas para mostrar ao Brasil o caminho do desenvolvimento social.
– Bolrão, não aguento mais viver com medo da violência. É tiroteio todo dia, assalto, assassinato, estupro. Não sei aonde vamos parar.
– É o que sempre digo, amigo. O cidadão de bem precisa ter garantido o direito de atirar e matar pra se defender. Que morra o marginal, antes de mim e da minha família.
– Talvez fosse melhor, mais civilizado, se ninguém morresse.
– O povo não acredita mais nisso não. Antes se falava em justiça social, saúde e educação. Nosso eleitor está ansioso pela limpa, ele quer o massacre, a chacina, tem que correr sangue. Vamos prometer qualquer coisa, inclusive o que não podemos cumprir. O porte de armas, a pena de morte, a tortura física e psicológica nas cadeias.
– Não consigo entender por que armar a população ao invés de apreender as armas nas mãos dos bandidos. Além do mais, o Estado tem obrigações. Pela segurança da sociedade, ele deve submeter o criminoso à ressocialização. Ladrão que sofre tortura na cadeia vai achar que está num país sem Lei, sem Justiça, que vive num reality show onde tudo é permitido.
– Mousonaro, seu problema é pensar demais. Política no momento é diferente. A gente tá surfando nessa onda que a imprensa, que gosta de classificar tudo, chama de ascensão da extrema-direita. Pode chamar do que quiser, a realidade exige medidas extremas. Quem gera violência merece violência, ainda que isso resulte em mais violência.
– Uma candidatura como essa agride a natureza brasileira. Herdamos a amabilidade tradicional indígena, aspecto reconhecido por qualquer estrangeiro. A doçura da cultura africana transformou entre nós a dureza da Língua Portuguesa e nosso jeito de gesticular. Podemos propor um Brasil diferente valorizando essa herança.
– Andou conversando com a Janaína? Que absurdo é esse? O que você chama de amabilidade indígena é pura indolência. Onde você vê doçura, não passa de malandragem. O brasileiro é escorregadio, gosta de faltar ao trabalho.
– Pega mal dizer isso.
– Só se eu dissesse em evento público ou entrevista, aqui estamos só nós dois. Eu sou indígena, eu sei. Índio quer ser integrado à sociedade.
– O Darcy Ribeiro dizia que o índio é irredutível na sua identificação étnica.
– Meu Deus, Mousonaro, quem foi Darcy Ribeiro? Devemos seguir o exemplo do Costa e Silva, abandonar os livros e ficar apenas com as palavras cruzadas. Disciplinas humanas, livros, estatística, tudo coisa da Esquerda. Eu desconfio de qualquer estudo científico. Quer entender o Brasil? Vamos às palavras cruzadas do Presidente Costa e Silva.
– Melhor não falarmos sobre a Ditadura, a gente precisa se entender, as Eleições estão aí.
– Ditadura nada, foi o auge da Democracia.
Juliano Santos
8 de agosto de 2018 3:29 pmMuito legal. Isso me fez
Muito legal. Isso me fez pensar que talvez o general e o capitão, que no caso aqui está com a hierarquia invertida, combinaram aquele negócio do tira bom e do tira ruim. O good cop and bad cop dos filmes americanos.
Tudo encenação, claro. Mas se exagerarem o eleitor do Bolsonaro vai querer o Bolrão no lugar do Moussonaro. Vão pedir que o general enquadre o capitão
AMORAIZA
8 de agosto de 2018 3:43 pmFarinhas
Bolsonaro e Mourão, farinhas do mesmo saco, iguais em tudo, nem peneira os poderá separar.
Edsonmarcon
8 de agosto de 2018 3:38 pmrecadinho…
Marcos Antônio
8 de agosto de 2018 4:31 pmFilhotes da globo…
A mesma mídia que deu sustentação a fraude do golpe – ela é um fake politico e que é capaz de induzir as pessoas criou o signo bolsonaro…
Durante meses a mídia colocou o PT na figura do diabo e criou a hipótese do Bolsonaro como oposição ao PT!
Os desavisados que ainda tem sonho dentro de sua realidade brasileira começaram a preencher seus desejos de realização na ideia que seriam possíveis de serem realizados com o bolsonaro, só um não corretamente politico daria um jeito na politica!
Muitos nunca conseguiriam ouvir o bolsonaro por uma hora sem pensar que ele é louco!
A falta de tempo de TV do Bolsonaro, mais o ajuda que o prejudica…
Um álibi conjuntural que o favoreceu…
Um tempo maior não o ajudaria…
A culpa é do sistema de alianças podres e corruptos…
Basta que ele fale pequenos spots na direção que a grande mídia plantou, pode meter pau no Alckmin e assim ele estará lá no segundo turno…
E seu vice deve voltar a se comportar como membro de clube militar, que apenas emite notas…
Por que se continuar soltando pérolas não haverá candidatura que resista…
Atiraram no que viram e acertaram no que não viram…
Tomou globo…
Bernardo Speller Trajano
8 de agosto de 2018 4:32 pmcredo!!!
Fico me perguntando se esses militares não são puro coelho de corrida que só marca o ritmo na frente pra depois, na reta final, deixar o Alckmin vencer. Eles me soam tão artificiais… Nunca viajaram pra fora do Brasil ? Se eles falarem as asneiras de costume la fora, nego enquadra esses manés. Tem de ser muito recalcado, infeliz e, sobretudo trouxa pra acreditar nos discursos desses caras. Primeiro que, sem um legislativo do lado, nenhum presidente faz nada. Depois, ainda tem de combinar com o judiciátio e MP se eles vão deixar presidente algum governar. Sem contar na globo que quer governo de direita(neoliberal) com toerância de esquerda (direitos do LGBT, negros, emasncipação feminina, etc.). Acho que se esse fanfarrões tivessem alguma noção de história política brasileira, eles não iam querer ganhar. Vão ser fritados rapidinho(pela mídia nacional, internacional, congresso, moro ou cassete a 4). Pra mim são bois de piranha pro verdadeiro candidato do establishment: O chuchu paulistano
rdmaestri
8 de agosto de 2018 6:01 pmCaro Bernardo, na pergunta está a resposta.
Leia o que escrevi mais acima.
AMORAIZA
8 de agosto de 2018 10:19 pmComentário ***** (five stars)
Como dizem : lacrou!
principalmente nesse trecho:
“Se eles falarem as asneiras de costume la fora, nego enquadra esses manés.”
Almeida
9 de agosto de 2018 4:24 pmO Picolé de Chuchu Tá Derretendo
Um fantasma ronda o establishment golpista.
[video:https://youtu.be/qRczwjkQQS8%5D
rdmaestri
8 de agosto de 2018 6:05 pmPorque Bolsonaro e Mourão não são o plano de A até Z …..
Porque Bolsonaro e Mourão não são o plano de A até Z da direita brasileira.
Bolsonaro e Mourão são atualmente dois alvos a serem atingidos pela verdadeira direita fascista brasileira representada por candidatos apoiados pela “Opus Dei”.
Para quem não sabe, ou que conhece esta instituição religiosa-política somente pelo livro e o filme “O Código Da Vinci” e queira saber um pouco mais sobre esta instituição e suas ligações com o Brasil sugiro que leiam aqui.
Em resumo, durante a guerra civil espanhola, o clero conservador espanhol (não existia clero progressista espanhol) entrou em combate direto com as forças republicanas, este combate não foi no sentido figurado, foi no sentido real, e vários republicanos (principalmente os comunistas) quando capturados pelos conservadores religiosos eram simplesmente executados, assim como ocorreu no sentido inverso, ou seja, padres seus aliados não religiosos terem sofrido execuções por traição ao governo legalmente instituído.
Como as forças de direita fascista franquistas, com apoio da Alemanha nazista, triunfaram sobre os republicanos e o governo instituído após a guerra civil não interessava levar adiante os apoios que tinha amealhado para atingir o poder, procurou se manter isolado do resto do mundo colocando a Espanha mais para a época do feudalismo do que para o fascismo.
O isolamento que se colocou a Espanha durante e depois da segunda grande guerra causou uma defasagem na sua economia que de uma potência colonial de primeiro porte, já em parte saqueada pelos norte-americanos no passado recente, para um dos países mais atrasados da Europa.
Como atraso faz mal aos negócios um grupo de conservadores espanhóis juntaram o útil ao agradável (para eles, é claro) e aproveitando a ideologia religiosa de alguns grupos espanhóis fundaram a Opus Dei, uma organização “religiosa” que através de executivos espanhóis de multinacionais ligados ao Imperialismo criaram uma novidade dentro da igreja católica, um Think Tank que no início todos iam a missa no domingo, confessavam parte de seus pecados (não os coorporativos, é claro!) e comungavam. Com o tempo esta organização com uma estrutura semelhante a maçonaria, ou seja, copiaram a estrutura dos antigos inimigos históricos, foram se infiltrando nas forças também reacionárias, porém atrasadas, espanholas para chegar ao poder com uma cara mais moderna.
A Opus Dei se espraiou pelo mundo inteiro, e dizem as más línguas, que Alckmin é um de seus membros, como a Opus Dei guarda uma espécie de secretismo de seus membros, assim como faziam os maçons, não é possível se negar ou confirmar a ligação da Opus Dei com ele, entretanto tudo indica que isto é verdade.
Pois bem, temos uma organização religiosa, nascida durante o governo declaradamente fascista espanhol que aparentemente dá origem ao poder de Alckmin na política, por outro lado temos dois outsiders em termos internacionais da direita brasileira no Brasil.
Bolsonaro, é uma das crias da truculência do estado policial brasileiro, uma cria que começa na política para evitar a sua expulsão do exército, com discursos homofóbicos, violentos e pró soluções truculentas para a solução ao crime desorganizado brasileiro, ele consegue na inexistência de uma extrema direita mais ideologizada assumir o papel desta.
Porém, apesar de Bolsonaro ser um legítimo representante de uma extrema direita troglodita e violenta nacional, ele é um claro produto autóctone tupiniquim, e quando chega nas eleições todos os partidos golpistas de vulto dão-lhe as costas. O abandono da direita, extrema ou não, de Bolsonaro fica claro nos infrutíferos esforços que o mesmo tem para fazer alianças e conseguir um quadro conhecido para seu vice, logo “na falta de um cão se caça com gato”, e Bolsonaro se alia a um general da reserva, o general Beltrão, que consegue ser mais inábil nas suas declarações do que Bolsonaro falando mal de descendentes de portugueses, de negros e de índios, ou seja, de 90% da população brasileira em uma só tacada.
Bolsonaro e seu vice, General Beltrão, apesar da completa inabilidade política e a capacidade de dizer besteiras sem que alguém as pergunte, são produtos 100% nacional, sem ligações externas e sem apoio do Imperialismo. Porém, apesar do primarismo da dupla, eles que eram espantalhos para a esquerda passam a ser uma imensa dor de cabeça para o verdadeiro crime organizado nos partidos golpistas tradicionais.
Alguns confundem Bolsonaro com o papel de Trump, porém esquecem que o norte-americano faz parte de um dos bandos criminosos internacionais que ultrapassou o bando que apoiava Hillary Clinton. Ou seja, Trump tem apoio de grupos econômicos, não os hegemônicos, mas existentes.
Bolsonaro, consegue somente votos num grupo seleto e numeroso de pessoas totalmente despolitizadas que até acreditam que a guerra a tráfico é real, assim como outras falácias inventadas pelos organismos de segurança do Império. Este seleto grupo é composto de jovens imberbes, crime desorganizado chefiado por milícias policiais e um nada surpreendente e numeroso grupo de “empresários” que assistem o programa do Faustão todos os domingos.
Em resumo, um bando imenso dos que apoiam Bolsonaro, pessoas que nem sabem o que venha a ser o fascismo, são tratados como fascistas pela esquerda pequeno burguesa brasileira como o inimigo a ser batido, ou seja, a figura do espantalho perfeita.
Algo é certo na política brasileira, nem nos dias atuais ou num futuro próximo, os bolsominhos serão utilizados como uma solução fascista para um impasse da burguesia, pois como se sabe perfeitamente pela experiência internacional, a organização de partidos e hostes fascistas são organizadas para tomar o poder, e não ao contrário. Jamais o fascismo toma o poder pelo voto e posteriormente se organiza, o fascismo é montando antes da tomada do poder e posteriormente é varrido deste para que o grande capital possa utilizar de instituições antidemocráticas para subjugar as massas.
Esta ordem de agrupar os fascistas em instituições políticas para depois tomar o poder e serem destruídas em nome do líder (Duce ou Fuhrer), não pode ser invertida, pois se assim o for, o Imperialismo perde o controle e qualquer coisa pode ocorrer depois disto.
A solução deste falso enigma onde os elementos mais parecidos com o comportamento fascista não podem tomar conta do governo é respondida pela seguinte questão:
Quem confiaria num Bolsonaro e ou num General Mourão?