
Não se constrói um mito da noite para o dia
O mito Bolsonaro não se confunde com o candidato Bolsonaro
por Fernanda Almeida
Não esperava nem mais nem menos de Bolsonaro no programa Roda Viva. Nós o desafiamos quando ele se recusou o debate público. Ontem ele o fez… Grosso, insolente e psicótico. Sabíamos que ele não teria um desempenho diferente, afinal ele parece não temer o risco de queda de sua popularidade ao dizer o que realmente pensa: ódio, fascismo e conservadorismo. Ele tem certeza da fidelidade de seu público. E, isso sim, nos assusta! Isso sim, nos deve preocupar! O mito Bolsonaro não se confunde com o candidato Bolsonaro. Nós, democratas e de esquerda, sabemos combater o candidato, afinal ele não tem projeto para o país, ele é fraco e inexpressivo; o que nós não sabemos ainda é como combater o mito, porque ele é pura ideologia.
O mito é anterior ao candidato e vem sendo construído há anos. O mito é resultado do inconcluso processo democrático brasileiro, que engendrou uma ditadura sem tiranos e uma “anistia ampla, geral e irrestrita”, deixando de punir crimes de tortura e morte.
Lembram-se da frase “na ditadura era melhor, vivíamos muito bem, com segurança e disciplina”, repetida pelos senhores e senhoras “de bem”? Essa idéia nutriu e ainda alimenta o mito Bolsonaro.
Lembram-se das opiniões de algumas pessoas quando as tropas de Fleury assassinaram 111 presos no Carandiru em 1992? Eu me lembro… Muitos defenderam a matança e mantiveram vivo o postulado: “bandido bom é bandido morto”. Essa aberração civilizacional é vitamina para o mito.
O mito Bolsonaro parece reanimar aquela caricatura do taxista de São Paulo que votava em Paulo Maluf, nos finais de 80 e 90, e que gostava de explicar a suposta (ir)racionalidade da frase dita pelo político, hoje decrépito: “Estupra, mas não mata”. Eis o elixir para o mito Bolsonaro.
Vocês se recordam quando o programa do Ratinho foi criado, 1998? Mesmo período de seus “colegas” seguidores no telejornalismo sensacionalista, Datenas, Resendes e afins. Editores jornalísticos que constroem cotidianamente uma narrativa de punição e vingança com as próprias mãos. Isso é oxigênio para o mito Bolsonaro.
O mito Bolsonaro é resultado da “Elite do Atraso” que tem certeza que no Brasil não existe racismo. Alguém se recorda da publicação do diretor do jornalismo da Rede Globo Ali Kamel, “Não somos Racistas”, em 2006? O argumento justifica e fundamenta o discurso do mito Bolsonaro.
Enfim, nossa história recente é também construída por muita resistência e luta, por avanços democráticos e conquistas históricas, mas nunca eliminamos o germe que nutre aquilo que dá sustentação à ideologia que mantém Bolsonaro no lugar em que está. Evidentemente, a crise política aberta a partir de 2013 e outros tantos elementos políticos e históricos precisam ser considerados, mas acreditar que o Bolsonaro hoje, 2º colocado nas pesquisas eleitorais para Presidente da República, é produto do sujeito Jair Messias Bolsonaro, é um enorme equivoco.
Fazer a distinção entre o mito e o candidato, embora estejam representados pela mesma pessoa, nos ajuda a construir estratégias a curto, médio e longo prazo. Combater Bolsonaro nas urnas em outubro de 2018 (se é que haverá eleição) não é o mesmo que combater suas ideias, pois, mesmo derrotado o candidato, sobreviverá o mito. Se eleito ele será ainda pior, pois governará no esteio da coalisão entre fascismo ideológico e neoliberalismo em fase de profunda austeridade econômica.
Ele, o Bolsonaro Mito é uma espécie de parasita que depende de um hospedeiro, enquanto o hospedeiro estiver vivo o parasita será beneficiado. Ou seja, o parasita necessita do hospedeiro vivo e pulsante. Bolsonaro é o parasita e seus eleitores são os hospedeiros.
Se quisermos combater o Bolsonaro Candidato precisaremos também, e acima de tudo enfrentar o Mito, mas todo cuidado, pois não podemos eliminar o hospedeiro. Por isso mesmo temos que ser prudentes com a banalização recorrente nas redes sociais, ao expressar, “vota no Bolsonaro me exclui”. Temos que ter estômago para, “vota em Bolsonaro me explique as razões”, “me diga o por quê”, “vamos dialogar”. Principalmente para as pessoas que não tiveram acesso à formação política. É preciso ter paciência e organização política. Para eliminar o Bolsonaro Mito temos que dialogar com os hospedeiros. Essa não será uma tarefa fácil, tampouco individual.
Sem inocência, o diálogo não se faz a partir da disputa moral ou da consciência individual das pessoas, é preciso projeto político que incorpore os anseios, suas necessidades cotidianas, seus projetos de vida. Que acolham seus fantasmas e ajude a eliminá-los. E isso só se faz coletivamente, afinal a escala e amplitude do Bolsonaro Mito hoje é muito maior. Já o Bolsonaro Candidato esse não passa de um pulha.
Fernanda Almeida – Assistente Social, Pesquisadora do NEPEDH (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Ética e Direitos Humanos) PUC-SP, Coordenadora do Curso de Especialização em Saúde da FAPSS-SP
Paulo Dantas
31 de julho de 2018 11:00 pmA esquerda …
A esquerda alimentou o cara.
Um exemplo , ele fez uma palestra no clube que sou sócio , eu ca#$% , deve ter tido umas 100 pessoas , 20 que estavam na sauna ou na ginastica e foram ver o que ocorria.
Mas aí as entidades LGBT, sem terra , teto , fusca 67 fizeram uma passeata contra este evento irrelevante.
O troço saiu no Globo …
Humberto Pereira
31 de julho de 2018 11:07 pmFeitos de Ciro Gomes
FEITOS CIRO GOMES:[ não está na fonte de onde copio: C. Gomes não tem a mínima sugestão de ter tido, ou ter relações com a corrupção, de se ter corrompido pouquinho ou muito, de ser extremamente inteligente, mas sem usar de habilidades de ator de relativamente pequenas mentiras ]
COMO PREFEITO (1988-1990):
► Em apenas um ano, limpou as ruas, tapou buracos, reabriu postos de saúde, recuperou escolas e colocou em dia os salários dos 22 mil funcionários do município.
► No ano seguinte, obteve o melhor índice de aprovação entre os prefeitos das capitais, com 77% da avaliação de seu desempenho como ótimo/bom, segundo a Folha de S. Paulo.
COMO GOVERNADOR (1991-1994):
► incentivou a criação de micro e pequenas empresas pelo interior do estado ► deu continuidade ao enxugamento da máquina administrativa iniciado na gestão de Jereissati
► combateu a sonegação para aumentar a arrecadação ► investiu maciçamente em saúde e educação
► Sua gestão transformou-o em campeão de popularidade entre os governadores, com 64% de aprovação, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha em julho de 1992.
► Reduziu em 1/3 os índices de mortalidade infantil no estado, por meio do programa Viva Criança
► foi o primeiro governante latino-americano a receber, em 1993, o prêmio Maurice Paté, concedido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
► Para realizar esse trabalho, contou, além do engajamento da Igreja Católica e dos meios de comunicação, com um verdadeiro exército de agentes de saúde que levou assistência médica a 350 mil famílias, atingindo quase 1/3 da população cearense.
► construiu com a ajuda de pequenas empreiteiras, de um canal de 115 quilômetros para levar as águas do rio Jaguaribe até a capital, numa tentativa de enfrentar os problemas ocasionados pela grande seca sofrida pelo estado em 1993.
► trabalhou para o impeachment de Collor em 92 e deu apoio para o governo de Itamar Franco
► Deixou o governo do Ceará com o mais alto índice de aprovação – 74% – entre os governadores de 12 estados pesquisados pelo Instituto Datafolha naquele mês
► proporcionou ao estado do Ceará um crescimento de 8% em seu produto interno bruto
► assegurou 50% da arrecadação mensal do estado para investimentos ► zerou as dívidas interna e externa do Ceará. COMO MINISTRO DA FAZENDA (1994):
► bom comunicador, com estilo direto, contundente e impetuoso de criticar os adversários, passou a ser considerado um político que não ficava “em cima do muro”. Sua indicação para o Ministério da Fazenda reforçava a posição do seu partido no governo federal e garantia a continuidade do Plano Real.
► reduziu as alíquotas de importação de 445 produtos para evitar a inflação dos preços causado pela alta demanda e a baixa oferta de produtos brasileiros ► interferiu nas negociações da greve dos petroleiros, confrontando os sindicalistas, cancelando o acordo fechado pela Petrobras com os petroleiros que dava aumento salarial acima do IPA, o que causaria o repasse dos aumentos para os preços
► Para preservar a continuidade do plano de estabilização econômica, se manifestou contra a proposta de elevação do salário mínimo para cem reais.
► extinguiu a cobrança do PIS/Pasep e do Cofins sobre as exportações para dar mais competitividade à economia
► criou a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que deveria substituir a Taxa de Referência (TR) nos financiamentos à produção para para acabar com a indexação na economia
► Para implementar a TJLP, bateu de frente com o secretário-executivo de seu ministério, Clóvis Carvalho, que havia engavetado o projeto
► bateu de frente com a FIESP ao classificar como “terroristas” as reações do empresariado paulista às medidas tomadas para conter o consumo
► alertou os consumidores para não pagarem ágio na compra de carros populares
► chamou de “ladrões” e “canalhas” os empresários que o cobravam ágio da população
► viajou para Buenos Aires para discutir com o ministro da Economia argentino, Domingo Cavallo, uma ampla pauta de assuntos que incluía desde padrões de embalagens até a política automotriz, e acertar os termos finais do acordo sobre tarifas do Mercosul, que seria assinado no mês seguinte na cidade de Ouro Preto (MG).
► criticou duramente a escolha do senador José Serra (PSDB-SP) para ministro do Planejamento do novo governo de FHC, acusando-o de ter combatido a política cambial que sustentava o Plano Real.
COMO MILITANTE POLÍTICO (1995-2002):
► estudou Economia Política na Universidade de Harvard (EUA) por 1 ano e meio e pesquisou sobre as premissas para desenvolvimento econômico das nações
► criticou política do Estado mínimo” praticada por FHC
► defendia um Estado forte, planejador e dirigista, capaz de fixar metas para a sociedade e de definir políticas sociais e de desenvolvimento para o país
► denunciou a cultura política da conciliação e da transação que sempre marcou o pensamento conservador brasileiro e tem surpreendentemente encontrado em nosso governo uma prática absolutamente inquietante
► criticou FHC por estabelecer um modelo de interlocução política desgastante por ser personalista, não institucional, simplificador de complexidades sofisticadas, tudo perdoado em começo de governo, mas de preço caríssimo se levado assim por muito tempo
► articulou com o economista e professor de Harvard Roberto Mangabeira Unger, a formação de um grupo voltado para a busca de novas opções políticas, que incluía cientistas políticos como o mexicano Jorge Castañeda e políticos como o ex-presidente Itamar Franco, o ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro (PT-RS), e o senador Pedro Simon (PMDB-RS) ]
► criticou a política econômica de Fernando Henrique em relação à venda do patrimônio público, à explosão das dívidas interna e externa, e à valorização artificial do real
► sugeriu a centralização do câmbio e o controle sobre a fuga de capitais como medidas emergenciais para a crise
► defendeu que o governo procurasse os credores para negociar um alongamento do perfil da dívida. Segundo ele, as dificuldades enfrentadas pela economia brasileira residiam na política econômica “conservadora” adotada pelo governo, e apenas exigir mais sacrifícios da população para cumprir as metas de ajuste fiscal não resolveria o problema.
COMO MINISTRO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL (2002-2006):
► coordenou os projetos de revitalização da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), que haviam sido extintas durante o governo FHC
► coordenou o projeto de transposição das águas do rio São Francisco, que beneficiaria 12 milhões de pessoas distribuídas em quatro estados: Paraíba, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte.
Fonte:
http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-biografico/ciro-ferreira-gomes
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Manoel Marques
1 de agosto de 2018 12:53 amExcelente reflexão. Vamos
Excelente reflexão. Vamos dialogar pra salvar o hospedeiro.
Faltou incluir o “Aqui e agora” do Celso Russomanno em SAMPA e Vagner Gomes no Rio.
Esplêndida menção ao diretor kamel (minúsculas mesmo) global.
peregrino
1 de agosto de 2018 2:12 amBolsonaro é encanto superficial que se autodestrói com o tempo
porque não há nada de fidelidade nesta parada, apenas uma adoração que ele mesmo vai mostrar no decorrer da campanha que a quer como obediência cega, sem questionamentos
muito fácil revelar o desastre na adoração durante os debates, com as perguntas diretas
quer desmascarar tipos assim para o público em geral? faça-o adentrar seus próprios abismos
peregrino
1 de agosto de 2018 2:21 amjá dizia não lembro quem…
o abismo é a moradia de todos os defeitos humanos
Marcos K
1 de agosto de 2018 9:44 amPois eu compartilho a opinião
Pois eu compartilho a opinião do Paulo Henrique Amorim: se tudo falhar os mentores e apoiadores do golpe não terão a menor vergonha em apoiar o Bolsonaro.
2016 deixou bastante claro com que tipo de gente que estamos lidando: sem nenhuma moral, piedade ou compromisso com qualquer coisa.
Tamos f****.
Cesario
1 de agosto de 2018 10:40 amMitos
Também não se destrói um mito da noite pro dia. Lula ainda está na mente e no coração do povo, apesar dos ataques da midia e do judiciário.
Eduardo Janser
1 de agosto de 2018 12:18 pm“uma ditadura sem tiranos”
O ponto fundamental, e origem do mito Bolsonaro, é o que o autor coloca de forma inequívoca: “uma ditadura sem tiranos”. Sob esse manto, toda violência (simbólica ou física) é naturalizada. É como ocorreu com o Golpe de 2016, quando rasgaram a Constituição, e daí tudo fica permitido.
Desconstruir o mito Bolsonaro não é tarefa só para agora. É construirmos um novo sistema de comunicações, mais democrático e portanto mais plural, com menor concentração econômica, com menos notícias sobre violência e mais debate e esclarecimento sobre a violência. Se não for assim, não interrompemos essa seiva do fascismo e não desidratamos o mito.
Sabemos o que fazer, mas não sabemos como fazer. O controle (não o remoto) não está conosco.
Antonio Rodrigues do Nascimento
2 de agosto de 2018 2:09 pmO mito é a síntese do pensamento da elite tupiniquim
Bolsonaro mitou para apreciadores porque tem a coragem ou a insensatez de dizer sem meias palavras aquilo que a elite econômica professa desde sempre. Trata-se de um pensamento social racista e avesso ao valor do trabalho. O discurso do candidato bem serve aos fascistas odiosos, desarvorados pateticos e ressentidos uteis.