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  1. Emanuel Cancella

    4 de julho de 2018 10:16 pm

    Golpe

    Que tal o Brasil virar uma Cuba onde, segundo a Globo, só 3 coisas funcionam: “Segurança, educação e saúde”?

    Veja o vídeo desta matéria em: https://www.youtube.com/watch?v=Ie7Sp2-QgjY

                                                                              Resultado de imagem para petroleiros na porta da Globo no jardim botanico?

    Eu era menino de 13 anos, no golpe militar de 1964. Depois fiz, em 1974, concurso e entrei para a Petrobrás. Sou testemunha da presença maciça na Petrobrás dos militares, principalmente do exército e marinha, com o claro intuito de ocupá-la contra um inimigo não revelado.

    Os militares Intervieram nos sindicatos e aí se percebe que, para os golpistas, os inimigos eram os trabalhadores principalmente os petroleiros comunistas e socialistas.

    Trabalhei por mais de 30 anos na sede da Petrobrás no Rio. E conheci de perto muitos desses militares, pois convivi com vários deles. Não posso me queixar, pessoalmente, e olha que, já na oposição sindical do Sindipetro-RJ, a partir de 1976, quando nos identificávamos como “Surgente”,  já dávamos trabalho à direção da Empresa.

    Surgente é o poço de petróleo que produz sem nenhum artifício.

    Recebemos, em 1979, com muito orgulho, os “anistiados petroleiros”, além de Brizola, Miguel Arraes e tantos outros brasileiros ilustres que retornavam ao Brasil de onde foram expulsos pelos militares.

    Só para mostrar a força do movimento “Surgente”, em 5 de maio de 1988, no governo Sarney, fizemos uma greve nacional e na sede da Petrobrás, que segundo editorial do JB, a paralisação atingiu mais de 80% dos trabalhadores (1,2).

    Em 1982, os petroleiros já haviam feito uma greve em Paulínia e Mataripe para barrar um pacote de maldade do Delfin Neto, quando cerca de 400 petroleiros foram demitidos.

    Em 1988, pela manhã, do início da greve na sede da Petrobrás, o chefe da então Divin (Divisão de investigação da Petrobrás), Coronel Dante, me deu ordem de prisão. Eu e outro companheiro fomos jogados por algumas horas dentro de um camburão da PM, onde um oficial da PM, de forma muito gentil, se justificava dizendo que estava cumprindo ordens.

    42 petroleiros foram demitidos na greve, 7 do Rio, eu era um deles. Seis meses depois, outra greve nacional da categoria nos trouxe de volta à Companhia.

    No golpe de 1964, com todas as críticas que fazemos aos militares, reafirmando que somos contra qualquer golpe, mas verdade seja dita, os militares pelo menos eram nacionalistas.

    Os milicos se submeteram ao governo de Washington, perseguiram, prenderam, torturaram e até mataram, brasileiros civis e  inclusive milhares de militares. Mas com certeza que os militares impuseram limites aos ianques.   Estatais como Petrobrás, Eletrobrás, banco do Brasil, Embratel Caixa, etc, se fortaleceram com os militares.

    Eles chegavam até a mentir, como todos os governos fazem, falando do “Milagre Econômico”, mas o Brasil crescia. Eram ditadores até nos slogan “ Brasil ame-o ou deixe-o”, mas eles defendiam a soberania nacional a seu modo.

    Hoje, os golpistas de 2016 chegaram até a usar o jargão: “Vai para Cuba”, e Cuba nunca recebeu tantos turistas, principalmente de brasileiros. Brasileiros, sem ninguém mandar estão mudando para Portugal, Miami, muitos de classe média, que bateram panela pela saída de Dilma e deixam para os que ficam um rabo de foguete.  

    Como todo brasileiro de bem, fico procurando entender o golpe e buscando saídas: já está claro que o golpe é jurídico, político e midiático e importado pelo golpista de sempre, os EUA.

     

    Mas não entendo o caráter de terra arrasada aplicado pelos golpistas de 2016. E busco concluir com outros irmãos, independente de partido ou  religião, a motivação pelo qual  os golpistas estão entregando e destruindo o país, terra de seus filhos, netos, etc.

    E os principais entreguistas são  MiShell Temer, STF, PGR, Congresso Nacional e a Lava Jato, aliados aos que controlam a mídia no país: as famílias Marinho da Globo; a família Saad da Band; Edir Macedo, da Record; a família Sirotsky, da RBS; família Frias da Folha; Mesquita do Estadão;

    O estrago que esses canalhas estão impondo ao país inclui a reforma trabalhista, que acabou com o direito dos trabalhadores contidos na CLT, e jogaram quase 14 milhões de brasileiros no desemprego. Estão preparando a reforma previdenciária, para acabar com a aposentadoria dos trabalhadores. 

    Além disso, estão entregando 70% do pré-sal, através do projeto entreguista do deputado, José Carlos de Aleluia Dem/Ba (7). Desfazem-se também a Embraer e estão preparando a entrega da Eletrobrás. Sem contar que a Lava Jato acabou com a engenharia nacional e a indústria naval (5,6). 

    E os milicos, ao que parece, estão do lado dos golpistas. Estão colaborando com o golpista mor, Mishell Temer, na ocupação militar do Rio de Janeiro. Nem uma palavra dos militares na entrega criminosa do pré-sal, Embraer e do anúncio da doação da Eletrobrás. Diz o ditado que quem cala consente! Lembrando que muitos generais participaram da Campanha “O Petróleo é Nosso!”

    E a mídia golpista tem a cara de pau de dizer que o Brasil está se recuperando, que o pior já passou.

    A Globo, além de ser a principal golpista, coloca em sua programação diária a falência do SUS, como se ela não fosse a principal culpada.

    Realmente os golpistas são muitos poderosos e cruéis. Mas vem na lembrança o povo vietnamita que, apesar de destruído pelos ianques, resistiram com guerra psicológica e armas artesanais, como bambu infectado com fezes, etc. Botaram os ianques, na época com armas de ultima geração, para correr, e hoje o Vietnam é um dos países com maior PIB, 6,2%, e um dos maiores, 11º lugar nas economias de mais rápido crescimento (3).

    Que tal seguirmos os conselhos dos golpistas que em vários momentos diziam:  “Vai para Cuba”. Não indo mas nos transformando numa Cuba que, segundo a Globo: “Em Cuba, só 3 coisas funcionam: “segurança, educação e saúde”, diz jornalista do Manhattan Conection” (4).

      

     

    Fonte: 1 – http://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/petroleiros-em-greve-ameacaram-explodir-refinaria-de-cubatao-em-maio-de-1995-17984539

    2http://memoria.bn.br/pdf/030015/per030015_1988_00228.pdf 

    3 – https://pt.wikipedia.org/wiki/Vietn%C3%A3

    4 – https://falandoverdades.com.br/em-cuba-so-3-coisas-funcionam-seguranca-educacao-e-saude-diz-jornalista-do-manhattan-conection/

    5 – https://www.ocafezinho.com/2017/04/03/lava-jato-destruiu-industria-naval-brasileira/

    6 – https://www.brasil247.com/pt/colunistas/esmaelmorais/317228/%E2%80%98Lava-jato-est%C3%A1-acabando-com-a-engenharia-brasileira%E2%80%99-denuncia-congresso-de-engenheiros.htm

    7 – http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2018/06/camara-aprova-projeto-que-tira-parte-do-pre-sal-da-petrobras

     

    Rio de Janeiro, 04 de julho de 2018.

     Autor: Emanuel Cancella, OAB/RJ 75.300, ex-presidente do Sindipetro-RJ, fundador e ex- diretor do Comando Nacional dos Petroleiros, da FUP e fundador e coordenador da FNP , ex-diretor Sindical e Nacional do Dieese, sendo também autor do livro “A Outra Face de Sérgio Moro” que pode ser adquirido em: http://emanuelcancella.blogspot.com.br/2017/07/a-outra-face-de-sergio-moro-pontos-de.html.

    OBS.: Artigo enviado para possível publicação para o Globo, JB, o Dia, Folha, Estadão, Veja, Época entre outros órgãos de comunicação.

    (Esse relato pode ser reproduzido livremente)

    Meus endereços eletrônicos:

    http://emanuelcancella.blogspot.com.

    Me siga no twitter.com/Ecancella

     

     

     

     

     

  2. Andre Araujo

    4 de julho de 2018 11:22 pm

    AS CAUSAS UNIVERSAIS CONTRA O ESTADO NACIONAL

    AS CAUSAS UNIVERSAIS CONTRA O ESTADO NACIONAL

    Foram os EUA que ao fim da Primeira Guerra Mundial inauguraram a Era das Causas universais contra a soberania dos Estados Nacionais, poupando desse combate seu próprio Estado .

    Em artigo especifico sobre esse tema tratei do papel do Presidente Woodrow Wilson na propagação desse principio de “causas” contra “Estados”. Wilson foi o primeiro Presidente “politicamente correto” dos Estados Unidos e seu ativismo missionário foi um desastre completo de politica externa, podendo-se dizer que ele foi um dos que plantaram as sementes da Segunda Guerra através de seu idealismo tosco e tolo, sua visão fantasiosa da Historia e seu iluminismo mal colocado e mal aplicado. Wilson foi o grande maestro do Tratado de Versalhes,  o pior acordo diplomático da Historia contemporânea, tão ruim que sequer o Congresso do seu próprio Pais o ratificou. Compare-se o Tratado de Versalhes de 1919, que durou

     formalmente 20 anos mas  efetivamente deixou de ser efetivo após 1933,  portanto sua vigência real foi de 12 anos , após 1933 sua validade foi enfrentada pelo nazismo,

    enquanto  outro grande acordo histórico, a Paz de Viena de 1815, durou 99 anos, obra de magistrais realistas da verdadeira politica,  o Príncipe de Metternich e o Principe de Talleyrand, estadistas de berço e escol que sabiam operar a Historia e não viviam de ilusões moralistas.

     

    AS CAUSAS E OS ESTADOS NACIONAIS

     

    Uma “causa” moral é fundamentada na ética e seus ativistas a consideram acima da politica.

    Para eles a causa tem um valor superior a noção de Estado e assim deve ser entendida e aplicada. Wilson, por exemplo, entendia que os “protocolos secretos” nos tratados diplomáticos não deveriam existir e que todos os artigos e disposições de um tratado

    deveriam ser revelados aos cidadãos. É uma grande estupidez, há inúmeros temas em negociações diplomáticas que devem permanecer secretos para sua própria eficácia.

    Wilson criou imensos problemas nas suas desastrosas intervenções na Conferencia de Versalhes e a conta dessa fantasia explodiu em Setembro de 1939. A marca de ação de Wilson foi a prevalencia das “causas” sobre o realismo politico, que Wilson considerava

    corrupto e imoral, ele achava que os europeus praticavam uma politica de safadezas e engodos resultante da decadência moral que vinha de longe  enquanto que ele,  Woodrow

    Wilson, representava a pureza dos peregrinos que formaram os Estados Unidos.

    Porisso pode-se considerar Woodrow Wilson o pai da doutrina politica das causas universais que tem um valor superior às soberanias que, segundo Wilson, são a fonte do mal que levou

    à Grande Guerra de 1914. Conquanto a Doutrina Wilson possa ser considerada altruísta em

    termos filosóficos ela sempre foi desligada da realidade geopolitica e a tentativa de introdução

    de modelos não realistas produz resultados muito piores do que os pecados que

    visa extirpar, a luta pela causa produz mais males do que o mal primitivo.

     

     

    O ESTADO NACIONAL E SUAS RAZÕES NÃO MORAIS

    Desde a criação dos Estados Nacionais entre 1460 e 1610, esses entes aéticos usam de todos os instrumentos de poder à sua disposição, como usavam os nobres e senhores feudais antecessores dos Estados em suas intermináveis lutas por territórios e riquezas.

    Os Estados grandes usam a espionagem como instrumento de poder e essa na sua origem e pratica envolve largamente a corrupção de Estado, os espiões são subornados em beneficio de um Estado que geralmente não é o seu.  Os Imperios foram formados em grande medida por compras de lealdades nos territórios a conquistar, assim a Inglaterra  conquistou a India, o “Raj”, aliciando os marajás e rajás, foi mínima a ação militar no subcontinente, valia o aliciamento comprado e assim foi até a Independencia em 1947,  na China a influencia britanica no período entre a Guerra dos Boers e a fundação da Republica em 1911 era financiada com venda de opio aos chineses, territórios e concessões eram compradas.

    Em tempos modernos como encarar a soltura do maior chefe mafioso dos EUA, Lucky Luciano,

    ( Salvatore Lucania) muito mais importante que Al Capone, cumprindo pena de 50 anos na penitenciaria de Sing Sing, a pedido da Inteligencia Naval americana, para que o mafioso fosse  um  “batedor” na invasão da Sicilia, pelas suas rede de ligações na sua terra natal. Como guia  Luciano pouparia vidas de soldados ao ter informações  sobre localização de inimigos,

    servindo como “guia”  das tropas do General Patton. Soltar Luciano era absolutamente imoral mas RAZÕES DE ESTADO  prevaleceram sobre a moral do sistema judiciário,  um interesse maior de Estado se sobrepunha. Luciano prestou os serviços para os quais foi contratado pela Marinha  e foi pago com a comutação da pena em 1948,  assinada pelo Governador Dewey, de Nova York, com a condição de não mais voltar aos EUA. Luciano livre depois da Guerra teve

    tempo para montar a grande rede de casinos em Cuba que controlou até a Revolução

     Castrista,  morrendo de morte natural em Napoles em 1962. O arranjo do Estado americano com Luciano foi absolutamente imoral mas prevaleceram as razões de Estado.

     

    A CAMPANHA ANTI-CORRUPÇÃO NA AMERICA LATINA

     

    Um caso clássico do confronto entre “causas” e razões de Estado. Instala-se uma Associação Ibero Americana de Ministerios Publicos e abre campanha internacional anti-corrupção, com

    troca de informações entre Ministerios Publicos. É um confronto absoluto entre “causas” e razões de Estado. Vamos ao exemplo da “reapolitik”. O Governo Brasileiro tem em um pais vizinho um Chefe de Estado  alinhado com os interesses do Estado Brasileiro. Esse Presidente dá preferencia a empreiteiras brasileiras para seu grande programa de obras publicas.  O Estado brasileiro tem todo o interesse na permanência desse Presidente porque ele atende aos interesses do Brasil. Mas sai do Ministerio Publico brasileiro  documentação que pode criar condições para um impeachment desse Presidente de pais vizinho por ter recebido doação de campanha de empreiteira brasileira.  Para o Governo brasileiro a queda de um Presidente aliado vai contra os interesses do Estado brasileiro, essa “colaboração” do MP brasileiro com seus colegas do Pais vizinho vai contra as razões de Estado do Brasil, não pode acontecer porque o Brasil NADA GANHA com a queda desse Presidente, só perde e muito.

    Essa seria uma situação de “realpolitik” mas não está sendo operada pelo Brasil.

    O MP brasileiro colaborou para derrubada ou desgate de Presidentes e políticos de países vizinhos e da Africa alinhados com os interesses do Estado brasileiro, grave erro de geopolítica.

    O que o Brasil GANHOU em colaborar para a derrubada de políticos amigos? Absolutamente nada. Então porque fez? Porque o Estado brasileiro perdeu completamente o controle de sua

    projeção de poder geopolítico, permitindo o desgaste e portanto o enorme prejuízo de

    desmonte de posições politicas e econômicas em grande numero de paises, conquistadas por suas empreiteiras e marqueteiros políticos operando em aliança para apoiar eleição de

    presidentes alinhados ao Brasil, um modelo engenhoso que foi implodido em nome da “causa’

    universal anti-corrupção mas com enorme perda para os interesses estratégicos do Brasil.

    Os beneficiários dessa causa foram em larga medida os Estados Unidos, o enfraquecimento da PETROBRAS se deu por causa da escandalização dos desvios e não por causa da corrupção, essa sempre existiu na Petrobras como em quase todas as estatais petrolíferas do mundo mas essa falha moral já estava precificada pelos mercados. A super escandalização provocou ações de acionistas minoritários nos EUA e uma serie de multas e indenizações ainda não terminadas, esses processos custarão muito mais que as propinas, incluindo a colocação de monitores americanos do Departamento de Justiça dentro da Petrobras.

    O  pior resultado da campanha de “causas morais” foi a preparação de condições para duas grandes operações de desmonte do Estado e do sistema econômico brasileiro: a “privatização branca” da Petrobras pela venda de ativos sem licitação sem logica estratégica, provocando a DESINTEGRAÇÃO da petroleira, sendo a integração o padrão de todas as grandes petroleiras.

     e em  segundo lugar  venda de grandes blocos do PRE-SAL perdendo o Brasil a garantia de auto suficiência em petróleo, uma vez o petróleo extraído dos blocos vendidos pertencem a seus novos donos e poderão ser vendidas no mercado internacional, perdendo o Brasil sua garantia de abastecimento QUE ERA A RAZÃO  DO PROJETO PRE SAL, desenvolvido desde o inicio  pela técnica e esforço de pesquisa da Petrobras para suprir o Brasil de petróleo.

    Ao lado desses prejuízos notórios há muitos outros. A quebra ou inviabilização de grandes construtoras e estaleiros, a transferência para o exterior de todas as encomendas de equipamento da Petrobras, na linha “ preferencia pelo estrangeiro” em qualquer compra

    de qualquer natureza, toda uma visão esquizofrênica anti-brasileira e pro-estrangeiro DERIVADA DA IDEIA ANTI-CORRUPÇÃO cuja resultante foi a colocação de um notório

     privatista na sua presidência, como resposta à campanha de escandalização da empresa.

     

    OS ESTADOS NA LAVAGEM DE DINHEIRO

    Grandes Estados com interesse geopolítico global praticam lavagem de dinheiro para pagar operações especiais. A celebre operação IRÃ-CONTRAS no segundo Governo Reagan foi um complicado negocio envolvendo venda de armas ao Irã, que estava sob embargo resultante

    da invasão da Embaixada americana e o produto da venda destinado aos “contras”, milicianos

    que lutavam contra o domínio de Daniel Ortega na Nicaragua, operação organizada pelo NSC, o Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca, toda a operação clandestina do começo ao fim, sem passar pelo orçamento dos EUA, tudo caixa 2 mas sob controle da Casa Branca.

    A invasão da Baia dos Porcos em 1961 em Cuba foi financiada com dinheiro de origem mafiosa

    numa operação organizada pela CIA,  invasão que fracassou. Os mafiosos americanos controlavam o jogo e a prostituição em Cuba e se aliaram a CIA para uma tentativa de retomada de Cuba, o Estado americano aliado a grupos criminosos como na Sicilia em 1943.

    Mas a maior operação de lavagem de dinheiro praticada pelo Governo americano foi o financiamento do Vaticano no final da Segunda Guerra e nas três décadas seguintes.

    Com os conflitos na Italia entre 1943 e 1945, no quadro maior da Segunda Guerra,  o Estado do Vaticano perdeu sua renda imobiliária que mantinha sua estrutura, no final da guerra em maio de 1945 a Italia, especialmente no Norte, viu um grande crescimento do

    Partido Comunista Italiano, o maior do Ocidente. Os Estados Unidos se preocupavam

    com a hipótese da Italia cair sob domínio comunista e somente o prestigio da Igreja

    poderia enfrentar essa ameaça. Allen Dulles, então chefe do OSS, escritório antecessor da

    CIA, arquitetou com o Vaticano a criação do Partido Democrata Cristão, que se tornaria o maior da Italia e a barreira contra o crescimento do PCI. Para financiar esse projeto a CIA

    montou um esquema de financiamento do Vaticano e deste para o Partido Democrata Cristão que começava na Arquidiocese de Chicago destinando doações para o Vaticano, os recursos na realidade vinham de fundos da CIA. Para organizar o sistema foi criado o IOR-Instituto de Obras Religiosas, conhecido como o “Banco do Vaticano”, sob a direção do Arcebispo Marcinkus,  da Arquidiocese de Chicago e foi esse o canal financeiro que construiu o partido que governou a Italia por boa parte da segunda metade do Seculo XX.

    Outra operação com dinheiro de origem não oficial organizada pela CIA foi o financiamento da Organização Gehlen, um vasta rede de espionagem dentro da antiga URSS herdada do serviço de inteligência do Exercito alemão  e chefiada pelo general do Terceiro Reich  Reinhard Gehlen, com mais de 1.000 agentes operando na União Sovietica. O financiamento vinha de fundos secretos da CIA, sem registro e durou por boa parte do período da Guerra Fria.

    Operações com dinheiro lavado foram usadas em larga escala na invasão e ocupação do Iraque

    pelos serviços de inteligência americanos, conforme já relatei aqui em artigos específicos,

    quando foram usados intensamente bancos de Beiruth e tradings polonesas.

     

    O DESASTRE BRASILEIRO NO ACORDO DE COOPERAÇÃO JUDICIARIA COM OS EUA

    https://jornalggn.com.br/noticia/os-estados-unidos-e-as-causas-internacionais-por-andre-araujo

    Um dos atos governamentais mais desastrosos da Historia brasileira foi a assinatura pelo governo FHC de um “acordo” judiciário com os EUA, em 2001.  Pode-se dizer sem chance de erro que esse acordo é o ninho da cruzada moralista e por tabela a semente da liquidação da PETROBRAS e da alienação do pre-sal. O enfraquecimento da PETROBRAS, submetida a extorsões sob pretextos de prejuízo a acionistas americanos, infringência a leis americanas anti-corrupção e outras sangrias sem fim já na casa dos bilhões de dólares, mais a colocação de “monitores” americanos, indicados pelo Departamento de Justiça em Washington,  DENTRO da Petrobras para controlar suas operações, tudo isso ocorreu com base nesse fatídico Acordo de 2001, guarda chuva da cruzada moralista anti-corrupção, na realidade uma operação de grande porte disfarçada de “causa” para submeter o Estado brasileiro sob o manto do moralismo aplicado à politica, um instrumento tóxico pelos danos que causa à força do Estado.

    Ao levar documentos e provas contra a PETROBRAS ao Departamento de Justiça para que este processasse a PETROBRAS, ao permitir que promotores americanos viessem ao Brasil interrogar delatores brasileiros, INOMINAVEIS AGRESSÕES foram cometidas contra o Estado brasileiro, seus interesses estratégicos, seu patrimônio e seu projeto geopolítico.

    O  Brasil e sua população pagam hoje com desemprego e pagarão no futuro com imensa perda de riquezas e patrimônio nacional a leviandade com que o Poder Executivo e o Congresso brasileiro sem qualquer escrutínio de interesse nacional aprovaram esse absurdo “Acordo” sem nenhuma logica em torno algum objetivo estrategico para o Estado brasileiro,

    Acordo onde só o Brasil gera benefícios aos EUA e de lá não vem beneficio algum ao Brasil

    Servindo  de cobertura para intromissão de Washington em assuntos brasileiros sem que reciprocamente o Brasil possa fazer o mesmo, como se viu no caso dos pilotos do Legacy, onde o tal Acordo não serviu para nada porque ele não atua onde há interesse dos EUA.

    O Acordo de 2001, assinado por Fernando Henrique Cardoso e Celso Lafer é na realidade uma operação de projeção de poder dos EUA, como foi a operação de salvamento financeiro do Vaticano ou o conjunto de operações que levaram à invasão do Iraque em 2003.

    Seus frutos finais atingem a PETROBRAS e o pre-sal, entre muitos outros resultados.

     

    A PRESENÇA GEOPOLITICA DO BRASIL NA AFRICA

     

    De todos os grandes paises com potencial de ação internacional o Brasil é o mais natural parceiro da Africa, pela sua diversidade cultural, étnica, religiosa, pela facilidade de convívio de seu povo com outras culturas,  o Brasil é especialmente bem recebido nos paises africanos,

    O que de forma alguma acontece com nossos concorrentes na área, os chineses, indianos,

    malaios, povos étnicos, com culturas fechadas, que não convivem bem com outras culturas e povos, não estão acostumados como os brasileiros à mescla de culturas e hábitos.

    Os chineses são recebidos hoje na Africa por falta de opção mas o Brasil tem vantagens únicas para atuar no campo de obras publicas e grandes projetos no continente africano.

    Enquanto no canteiro de obras de empreiteiras brasileiras há jogos de futebol com os locais, todos participam e se confraternizam, nos canteiros chineses, turcos, indianos  isso é praticamente impossível, não se misturam, tem hábitos e costumes fixos, não mudam,

    são guetos fechados, a comida tem que ser importada, não há LIGA com a população local.

    Pela mesma razão forças armadas brasileiras são as preferida para as missões de paz da ONU,

    sãos as mais bem recebidas em qualquer lugar e por sua vez se sentem bem em todo lugar.

    AS EMPRESAS ‘BRAÇO LONGO”

    Os grandes paises usam empresas como braços de projeção de poder, o mundo se acostumou a ver a Standard Oil, a Texaco, o City Bank, a Pan América, a IBM e a ITT como braços do governo dos EUA, funcionavam não só como empresas comerciais mas tinham também papel diplomático, de espionagem, de penetração estratégica, a Inglaterra tinha essa relação com a Shell e a Unilever, a Alemanha com a Siemens,  a França com a Schneider, a Rhodia e a Cegelec, a empresa estratégica do Brasil seria a Odebrecht, liquidada pela cruzada moralista, empresa que chegou a ter 10% do PIB de Angola e operações em 30 países, em alguns, como no Peru, era a maior construtora, o mesmo no Equador, Republica Dominicana, etc.

    Os grandes paises expansionistas USAM essas empresas “LONG ARM”, braço longo do Estado,  para pagar espiões, operações especiais, proteger aliados dentro dos paises, financiar campanhas, providencia empregos e  exílios, TODOS os grandes paises operaram suas relações internacionais usando empresas “braços longos” como INSTRUMENTOS de sua politica externa para tarefas onde o próprio Estado não deve aparecer.

    O que fez o Brasil? Liquidou com essas empresas “ponta de lança” em nome da moral, pelo caminho liquidando os políticos que ajudaram as empresas e o Brasil em projetos brasileiros em seus paises, que abriram as portas ao Brasil e seus negócios e interesses. Nenhum Pais faz isso, perseguir suas próprias empresas no exterior, é o mesmo time, todos vestem a mesma camisa, se alguém quiser investiga-las que sejam os países prejudicados e não o pais sede da empresa, é algo tão absolutamente obvio que custa a crer tenha ocorrido com o Brasil,, onde empresas brasileiras são DENUNCIADAS por procuradores brasileiros aos seus colegas do pais anfitrião, mas com que interesse do Brasil  ? Não é possível descobrir. Não consta que o governo do EUA faça o mesmo com suas multinacionais no Brasil, ele as protege em qualquer circunstancia, aliás e uma das principais funções da diplomacia americana em todo o mundo.

     

    Será historicamente incalculável o prejuízo do Brasil ao cortar a ação de suas empresas de engenharia no exterior em nome do moralismo, assim como foi uma tragédia para a diplomacia brasileira a queda de um Presidente do Peru, pais vizinho, estratégico e importantíssimo para o Brasil, por denuncias vindas do Brasil. O que ganhou o Brasil com a queda de Pedro Pablo Kuczinsky? Nada, mas perdeu projeção de poder no Peu pelos próximos 30 anos. Como é possível o Estado brasileiro ter permitido isso?  Não há resposta.

    AS ‘CAUSAS’ COMO ARMAS DA POLITICA

    As causas morais de todos os tipos, humanitárias, ecológicas, anti-corrupção, de direitos humanos,  religiosas, servem como ARMA POLITICA sob a capa da virtude.

    Uma histórica grande “causa” usada como arma politica foi a das CRUZADAS, verdadeiras

    operações  de saque e tomada de território sob a capa de “reconquista dos lugares santos”.

    A partir da Era dos Descobrimentos e depois na Era das Colonizações a pregação religiosa foi usada largamente como aríete de conquista de terras e riquezas. A bandeira era a “conversão dos infiéis” , o alvo real era a pura e simples busca do ouro em todas suas formas.

    Parece incrível que ainda hoje não se entenda o uso claro e a luz do dia de “causas”

    como peças do jogo politico e não da  propagação da virtude e da pureza moral.

    Através dos tempos o resultado final das lutas por ‘CAUSAS” tem tido um saldo desastroso.

    O rescaldo dos destroços deixados por esses lutas custa muito caro na Historia. A LEI SECA

    Americana,  ASSINADA PELO Presidente Woodrow Wilson em 1919, o primeiro Presidente

    “politicamente correto” dos EUA,  não reduziu o alcoolismo e ao criar o espaço para o contrabando de bebidas fez a fortuna e o poder da MAFIA no Pais, o saldo da CAUSA

    moral foi o pior possível, como costuma acontecer por toda Historia.

    “Causas morais” não podem reger a politica de um grande Estado, é a lição da Historia.

    Ao se intrometerem na POLITICA causam imensos estragos, outra lição da Historia.

    O ambiente da politica nacional e internacional NÃO é puro e nunca foi por toda a Historia conhecida, ao tentar purifica-lo matam-se os germes ruins e os bons juntos, no ambiente asséptico nasce um germe novo muito mais agressivo, a terceira lição da Historia.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

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