4 de junho de 2026

Recordar e viver – um ou dois capítulos escritos aos quase 30, por Mariana Nassif

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Recordar e viver – um ou dois capítulos escritos aos quase 30

por Mariana Nassif

Capítulo 1

– Me desculpa?

– Pelo quê?

A pergunta em cima da pergunta faz parte do meu amor, que quase nunca responde clara e diretamente ao que lhe é questionado. Curiosidade, tempo pra pensar, característica pessoal e intransferível – já pensei muitas vezes sobre o que faz com que ele faça isso, e me contento em dizer que não cheguei a lugar algum e voltei a pensar em mim.

– Hum… me desculpa por você estar se sentindo assim.

Wrong. So wrong.
Recorro às origens: desculpa a gente pede quando faz algo errado, certo? Sim, certo. Faço coisas erradas, claro, muitas, diga-se de passagem. Mas, repita comigo, em frente ao espelho, repita com veemência: (as vezes) a culpa não é minha!!!

– Sinto muito por você estar se sentindo assim.

Melhor, bem melhor. Mais sincero, coerente. Coerência começa a fazer parte de forma presente, intensa, mas nada sutil. E quero o mesmo.

Capítulo 2

A mudança. Mania, sim. Mania de jogar fora e querer ser eu. Opa! Pra que jogar fora se posso adaptar, transformar, ou continuar a fazer por acreditar e achar bom?

O passado me pertence tanto quanto meu presente, e também é o que quero ser quando crescer. Reviro fotos. revivo fatos, mesmo que de outras maneiras. Visito, em pensamento, lugares aos quais pertenci e onde senti. Passeio por entre as dores e alegrias das escolhas, e revejo que excluí algumas pelo simples fato de querer mudar. Joguei fora este momento? Ups… I did it again! Não quero mais.

Resgato esta e aquela história e me sinto tão mais perto do que sou. As marcas na pele servem pra lembrar. As da alma servem pra aprender. Não jogo mais nada fora, aprendo a neutralizar, guardar em gavetinhas seguras, devidamente trancadas – mas não jogo mais as chaves no mar. Iemanjá há de ter seus próprios problemas insolúveis.

Equilibrar e escolher um melhor final, ou dar continuidade direcionada pra onde vou chegar. Só assim pra conseguir…

Grávida aos dezoito. Minha barriga chama tanta atenção quanto o biquíni cor de rosa tie die(nossa, já gostei disso?), o olhar questiona o mundo ao redor, e encontro abrigo nos braços muito maiores que os meus. Sensação dúbia, mas extremamente prazerosa. Grávida e sozinha. Hum… grávida e acompanhada de outras pessoas que não o pai do bebê. Melhor, bem melhor.

Casei, separei e fui em busca da minha felicidade. Ah, mas ele não… ele não… ele não… Hum… eu não. Eu não queria mais aquela relação. Eu não me queria mais daquele jeito, naquela forma. Eu não acertei, ainda bem que o convencional nunca fez parte e pude partir sem explicar muito pra quem quer que seja. Mas eu… eu sei. Ah, eu sei o real motivo de me permitir partir, e me sinto segura ao sorrir e dizer que estou feliz – e que continuo querendo me casar, ter uma família pra chamar de minha, outro(s) filho(s), ficar velhinha junto, aprender e discutir, viver a vida ao lado, acompanhada, de conchinha, de mãos dadas e trocando beijos e declarações de amor.

E não é que eu já fui a rainha do baile? Já dancei muito, por horas a fio, me deleitando de prazer com a música. Mode rebolator = ON, muito ON, e me fazia feliz. Onde é que eu deixei a deliciosa prática da dança na vida? Por que, santo, deixei de dançar? Buscando… buscando… acha logo essa parte, oras…

Ovelha negra. É bonitinha, diferentinha, mas faz e quer de tudo tal e qual as outras ovelhas da manada. Não deixa de pertencer ao rebanho, mas se torna negra quando questiona o que as outras aceitam pura e friamente, se torna escura quando opta em desacordo com o grupo porque a faz feliz. Hum… tá bem, então.

 

 

Mariana A. Nassif

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1 Comentário
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  1. Odonir Oliveira

    10 de julho de 2018 4:07 pm

    Acompanhando

    Há muitas e muitas idas que levam ao eterno retorno.

    Lugar comum, mas é bom de se repetir: é preciso ir, ir, ir; o retorno entre aspas nunca é um retorno, estará apenas entre aspas. Quem põe as aspas somos nós. Apenas e tão somente nós.

    Felicidades

    Abraço da Odonir

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