4 de junho de 2026

ENFF ganha campo de futebol, por Walnice Nogueira Galvão

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

ENFF ganha campo de futebol

por Walnice Nogueira Galvão

Foi inaugurado há poucos meses, com a presença de Lula, o campo de futebol da Escola Nacional de Formação Florestan Fernandes. Batizado com o nome do grande jogador e líder Sócrates Brasileiro, o campo homenageia o criador da Democracia Corinthiana, sustentáculo das causas populares, inclusive MST e reforma agrária.

O campo, menor do que os regulamentares, foi financiado por doações e concretizou projeto de uma equipe da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU – USP). Do mesmo modo que anteriormente a ENFF, foi construído em regime de mutirão; e  lá está já todo gramado, com a grama fechada, verdinha.

Abertas as adesões para entrada, inscreveram-se seiscentas pessoas, mas no dia apareceram 1.500. Lindo dia: auge do verão, sol brilhando, céu azul límpido sem nuvens, chuva nem sequer ameaçando, passarinhos cantando – perfeito, enfim.

A cerimônia ecumênica foi aberta por quatro sacerdotes, que abençoaram o campo em nome de quatro religiões, a católica, a evangélica, o candomblé e a muçulmana.

Ouviu-se a canção que Lirinha compôs especialmente para o evento. O irmão de Sócrates, Sóstenes Brasileiro, tomou a palavra em nome da família, agradecendo a homenagem. Chico Buarque também falou, ao receber o troféu conferido pela CUT  – troféu em Direitos Humanos. Lembrou seu pai, amigo de Florestan Fernandes que via em sua casa quando criança e que deu nome à escola, e a Faculdade em que estudou, a FAU, que contribuiu com o projeto para a realização.

No pequeno campo, com início no auge da canícula, à uma hora da tarde, defrontaram-se os times, também menores que o usual. Havia dois, o de Chico Buarque, cujo capitão era o próprio compositor e mais Lula, e o do MST, capitaneado por João Pedro Stédile. Distribuídos por ambos, apresentaram-se o cantor Carlinhos Vergueiro, o ator Chico Diaz, Eduardo Suplicy, Lindbergh Farias, Mano Brown, Fernando Haddad, os jogadores profissionais Reinaldo do Atlético e Afonsinho, entre outros. O juiz era Juca Kfouri.

Cada time incluía mulheres e ainda contava com um deficiente físico, apoiado em duas muletas, que investia a bola com sua única perna cheio de vigor e entusiasmo.

A certa altura, Lula foi designado para cobrar um pênalti. Errou da primeira vez, mesmo que a goleira se mantivesse imóvel e com os braços cruzados em escandaloso favorecimento, provocando o riso de  todo mundo. Mas acertou da segunda. Ficou tão exultante que tirou a camisa e saiu correndo pelo campo, sendo por isso expulso pelo juiz. O escarcéu que a torcida fez foi tão grande que, em sinal de protesto e numa reversão de expectativas, o juiz quase foi expulso. Caindo em si, permitiu a reintegração de Lula, contanto que vestisse a camisa. O que foi feito, para júbilo de todos, jogadores e espectadores.

Que perigo tantos idosos jogando futebol sob o sol a pino, que naquele dia estava de calcinar… Mas, como se diz, entre mortos e feridos escaparam todos.

A quantidade de torcedores era, evidentemente, enorme, e eles davam a impressão, talvez falsa e otimista, de que torciam para os dois times adversários ao mesmo tempo.

A empolgação da torcida era inigualável, nem em dia de campeonato no estádio. A qualquer incidente, escandia uníssona: “Fora, Temer!”. O fato de que o slogan nada tinha a ver com a situação do momento pouco importava. Por outro lado, a mais mínima atuação de Lula, chutando a bola ou falhando, era saudada pela cantiga de “Olê olê olê olá!Lula!Lula!”. Ninguém era imparcial, todos eram partidários, graças a Deus. E o jogo terminou por um feliz empate, de 5 a 5.

Ao jogo de estreia seguiram-se três outros. O segundo foi o dos juristas progressistas (sim, existem!), advogados e promotores, que resolveram dispensar juiz e chamaram seu jogo de “autogestionado”. O terceiro foi entre duas delegações do MST:  Rio Grande do Sul versus Itapeva SP. O quarto foi do time da ENFF contra o das torcidas organizadas de São Paulo, entre elas a Gaviões da Fiel.

Avisos ao altofalante convocaram os presentes para o forró na quadra da escola, onde os tambores já estavam esquentando.

E assim se passou um grande dia para as almas democráticas que ali se encontravam, em festa e em comunhão.

Walnice Nogueira Galvão é Professora Emérita da FFLCH-USP

 

Walnice Nogueira Galvão

Professora Emérita da FFLCH-USP

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

5 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. maria rodrigues

    26 de maio de 2018 12:52 pm

    Amei o post. Amo Lula, amo

    Amei o post. Amo Lula, amo Chico, e guardo as melhores impressões sobre Sócrates, médico e jogador dos mais respeitáveis neste Brasilzão.

     

  2. Casadei

    26 de maio de 2018 1:38 pm

    Foi LINDO Demais!

    AMEI!

  3. Casadei

    26 de maio de 2018 1:43 pm

    Juiz

    E o juiz chamou a atenção de nosso grupinho dizendo que a continuar nossas

    “reclamações” chamaria a polícia federa KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK.

  4. Rui Daher

    26 de maio de 2018 2:31 pm

    Walnice,

    você foi ótima em seu relato. Abração

  5. AMORAIZA

    26 de maio de 2018 9:06 pm

    Jogo sem juiz

    Autogestionado?

    Legal, nunca tinha visto.

    Esse foi, sem dúvida um legítimo jogo amistoso.

    Quem dera pudesse repetir-se às vezes.

Recomendados para você

Recomendados