
ENFF ganha campo de futebol
por Walnice Nogueira Galvão
Foi inaugurado há poucos meses, com a presença de Lula, o campo de futebol da Escola Nacional de Formação Florestan Fernandes. Batizado com o nome do grande jogador e líder Sócrates Brasileiro, o campo homenageia o criador da Democracia Corinthiana, sustentáculo das causas populares, inclusive MST e reforma agrária.
O campo, menor do que os regulamentares, foi financiado por doações e concretizou projeto de uma equipe da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU – USP). Do mesmo modo que anteriormente a ENFF, foi construído em regime de mutirão; e lá está já todo gramado, com a grama fechada, verdinha.
Abertas as adesões para entrada, inscreveram-se seiscentas pessoas, mas no dia apareceram 1.500. Lindo dia: auge do verão, sol brilhando, céu azul límpido sem nuvens, chuva nem sequer ameaçando, passarinhos cantando – perfeito, enfim.
A cerimônia ecumênica foi aberta por quatro sacerdotes, que abençoaram o campo em nome de quatro religiões, a católica, a evangélica, o candomblé e a muçulmana.
Ouviu-se a canção que Lirinha compôs especialmente para o evento. O irmão de Sócrates, Sóstenes Brasileiro, tomou a palavra em nome da família, agradecendo a homenagem. Chico Buarque também falou, ao receber o troféu conferido pela CUT – troféu em Direitos Humanos. Lembrou seu pai, amigo de Florestan Fernandes que via em sua casa quando criança e que deu nome à escola, e a Faculdade em que estudou, a FAU, que contribuiu com o projeto para a realização.
No pequeno campo, com início no auge da canícula, à uma hora da tarde, defrontaram-se os times, também menores que o usual. Havia dois, o de Chico Buarque, cujo capitão era o próprio compositor e mais Lula, e o do MST, capitaneado por João Pedro Stédile. Distribuídos por ambos, apresentaram-se o cantor Carlinhos Vergueiro, o ator Chico Diaz, Eduardo Suplicy, Lindbergh Farias, Mano Brown, Fernando Haddad, os jogadores profissionais Reinaldo do Atlético e Afonsinho, entre outros. O juiz era Juca Kfouri.
Cada time incluía mulheres e ainda contava com um deficiente físico, apoiado em duas muletas, que investia a bola com sua única perna cheio de vigor e entusiasmo.
A certa altura, Lula foi designado para cobrar um pênalti. Errou da primeira vez, mesmo que a goleira se mantivesse imóvel e com os braços cruzados em escandaloso favorecimento, provocando o riso de todo mundo. Mas acertou da segunda. Ficou tão exultante que tirou a camisa e saiu correndo pelo campo, sendo por isso expulso pelo juiz. O escarcéu que a torcida fez foi tão grande que, em sinal de protesto e numa reversão de expectativas, o juiz quase foi expulso. Caindo em si, permitiu a reintegração de Lula, contanto que vestisse a camisa. O que foi feito, para júbilo de todos, jogadores e espectadores.
Que perigo tantos idosos jogando futebol sob o sol a pino, que naquele dia estava de calcinar… Mas, como se diz, entre mortos e feridos escaparam todos.
A quantidade de torcedores era, evidentemente, enorme, e eles davam a impressão, talvez falsa e otimista, de que torciam para os dois times adversários ao mesmo tempo.
A empolgação da torcida era inigualável, nem em dia de campeonato no estádio. A qualquer incidente, escandia uníssona: “Fora, Temer!”. O fato de que o slogan nada tinha a ver com a situação do momento pouco importava. Por outro lado, a mais mínima atuação de Lula, chutando a bola ou falhando, era saudada pela cantiga de “Olê olê olê olá!Lula!Lula!”. Ninguém era imparcial, todos eram partidários, graças a Deus. E o jogo terminou por um feliz empate, de 5 a 5.
Ao jogo de estreia seguiram-se três outros. O segundo foi o dos juristas progressistas (sim, existem!), advogados e promotores, que resolveram dispensar juiz e chamaram seu jogo de “autogestionado”. O terceiro foi entre duas delegações do MST: Rio Grande do Sul versus Itapeva SP. O quarto foi do time da ENFF contra o das torcidas organizadas de São Paulo, entre elas a Gaviões da Fiel.
Avisos ao altofalante convocaram os presentes para o forró na quadra da escola, onde os tambores já estavam esquentando.
E assim se passou um grande dia para as almas democráticas que ali se encontravam, em festa e em comunhão.
Walnice Nogueira Galvão é Professora Emérita da FFLCH-USP
maria rodrigues
26 de maio de 2018 12:52 pmAmei o post. Amo Lula, amo
Amei o post. Amo Lula, amo Chico, e guardo as melhores impressões sobre Sócrates, médico e jogador dos mais respeitáveis neste Brasilzão.
Casadei
26 de maio de 2018 1:38 pmFoi LINDO Demais!
AMEI!
Casadei
26 de maio de 2018 1:43 pmJuiz
E o juiz chamou a atenção de nosso grupinho dizendo que a continuar nossas
“reclamações” chamaria a polícia federa KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK.
Rui Daher
26 de maio de 2018 2:31 pmWalnice,
você foi ótima em seu relato. Abração
AMORAIZA
26 de maio de 2018 9:06 pmJogo sem juiz
Autogestionado?
Legal, nunca tinha visto.
Esse foi, sem dúvida um legítimo jogo amistoso.
Quem dera pudesse repetir-se às vezes.