28 de agosto de 2026

Neoliberalismo do governo Temer trouxe a nova segregação social, por Marcio Pochmann

Governo Temer trouxe o crescimento da pobreza e terminou expondo à vulnerabilidade da segregação social (EBC)

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da Rede Brasil Atual

Neoliberalismo do governo Temer trouxe a nova segregação social

Estratos sociais mais vulneráveis concentravam-se na população não branca, crianças e mulheres, e brasileiros de menor escolaridade

por Marcio Pochmann

Com o governo Temer, a volta do receituário neoliberal – somente possível sem o respeito à vontade popular – trouxe consigo uma nova forma de manifestação da segregação social no Brasil. Isso porque no ano de 2017, por exemplo, a pobreza enquanto medida de distanciamento de um padrão digno de vida, terminou por crescer mais acentuadamente nos segmentos que até pouco tempo pareciam estar protegidos, como brancos, homens, mais escolarizados e adultos.

Até então, os estratos sociais mais vulneráveis concentravam-se na população não branca, crianças e mulheres, e brasileiros de menor escolaridade. Mesmo com a estabilidade monetária alcançada no Plano Real no governo Itamar Franco (1992-1994), o comportamento da pobreza não refluiu, uma vez que no governo de FHC (1995-2002), por exemplo, a taxa de pobreza se manteve estável, representando 33,2% da população, em 1995, e 33,2%, em 2002.

Somente com a interrupção do receituário neoliberal a partir de 2003 que a taxa de pobreza passou a decair sistemática e continuamente. No governo Lula (2003-2010), a taxa de pobreza caiu 50,3%, uma vez que foi reduzida de 33,2% do conjunto da população, em 2002, para 16,5%, em 2010.

No governo Dilma (2011-2016), a taxa de pobreza seguiu a trajetória de queda em 39,4% acumuladamente entre os anos de 2010 (16,5% da população) e de 2015 (10% da população). Mesmo com esse significativo sentido de queda na taxa de pobreza, a população mais vulnerável seguiu, ainda, focada, nos brasileiros não brancos, mulheres e crianças, bem como as pessoas de menor escolaridade.

Com o governo Temer, todavia, o crescimento da pobreza terminou expondo à vulnerabilidade da segregação social, justamente os estratos de brasileiros brancos, homens, adultos e com maior escolaridade. Entre os anos de 2016 e 2017, por exemplo, a pobreza subiu 5% no conjunto dos brasileiros (adicional de 3 milhões de pessoas).

Mas para a população branca, por exemplo, a pobreza aumentou 6,8%,enquanto para a não branca cresceu 4,3%. Em função disso, a população branca na condição de pobreza subiu 58,1% mais rápida do que para a não branca pobre.

No caso do segmento masculino, a pobreza aumentou 5,4% em 2017, ao passo que para as mulheres pobres houve o crescimento de 4,6%. Ou seja, a pobreza entre os homens subiu 17,4% mais acelerada do que na pobreza feminina.

Também para a população com até 21 anos de idade, a pobreza aumentou 3,2% no ano passado. Mas para a população de 22 a 50 anos de idade cresceu 5,7% e para o segmento etário de mais de 50 anos, o crescimento na quantidade de pobres foi de 8,8%.

Quando tomada como referência a escolaridade no conjunto da população considerada pobre, percebe-se a elevação mais acelerada entre aqueles com mais anos de ensino. No ano de 2017, o segmento com Ensino Fundamental registrou aumento na quantidade de pobres em 2,9%, enquanto para os pobres com Ensino Médio, o crescimento da pobreza foi de 10,6%.

Para os pobres com Ensino Superior, a elevação foi de 25%. Dessa forma, constata-se que para cada aumento de 1 ponto percentual na quantidade de pobres com Ensino Fundamental, a pobreza dos brasileiros com Ensino Superior subiu 8,6 vezes mais.

Da mesma forma, nota-se que para cada elevação de um ponto percentual no número de pobres com Ensino Fundamental, a pobreza entre os brasileiros com o Ensino Médio aumentou 3,7 vezes mais. Se considerar ainda o aumento na quantidade de pobres em um ponto percentual para os brasileiros com Ensino Médio, conclui-se que a pobreza para o segmento de Ensino Superior aumentou 2,6 vezes mais.

Marcio Pochmann é professor do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho, ambos da Universidade Estadual de Campinas.

 

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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5 Comentários
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  1. LuisaL

    7 de maio de 2018 8:02 pm

    Os meus irmãos miseráveis do Pátio do Colégio

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=SPe_Imcv8YY%5D

  2. Cristiane N Vieira

    7 de maio de 2018 8:56 pm

    Debate ao vivo

    ACONTECENDO AGORA

     

    FRANKLIN MARTINS FALANDO SOBRE COMUNICAÇÃO NA REDE TVT

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=X3Qoqapa2ns%5D

    https://www.youtube.com/watch?v=X3Qoqapa2ns

     

    Sampa/SP, 07/05/2018 – 17:53

  3. jruiz

    7 de maio de 2018 9:25 pm

    classe média no buraco..

    “isso” é a classe média virando suco.. principalmente a chamada “nova classe média”..

    Me faz lembrar um perfil: dono de depósito de materiais de construção em áreas periféricas..

    Esse cara se deu super bem nos governos do PT.. toda a cadeia de produção, inclusive o setor de vendas, recompos o lucro perdido no governo FHC..

    Aí ampliaram a loja, abriram filiais, diversificaram produtos, enfim, uma festa..

    .. a maioria desses caras é evangélica, e praticamente 100% embarcaram no “fora Dilma, fora PT”..

    Teve loja que participou da campanha pelo “impeachment”, deu dinheiro para as manifestações.. rs..

    .. o setor, sempre tomado por conservadores, reclamava do Lula (analfabeto) da Dilma (sapatão) e do PT (corrupto) mesmo quando estavam enchendo os bolsos.. diziam que o sucesso é exclusivamente fruto do trabalho deles, não deviam nada para a “corja do PT”..

    .. eu conheço gente que o Lula levou para a China, naquelas caravanas para ampliar os negócios, pro cara ganhar mais dinheiro, e mesmo assim o cara vivia fazendo campanha para derrubar o PT..

    Pois bem..

    .. eis aí um setor da sociedade que deve estar pensando, “puta merda, como eu sou burro”..

    Agora, estão vendendo o almoço prá comprar a janta..

    .. burros e egoístas, comemoraram o ataque aos direitos trabalhistas, porque supostamente pagariam menos impostos, mas o efeito foi que o cliente sumiu.

    O chão sumiu.

     

  4. gonzales

    8 de maio de 2018 1:25 am

    leitura
    O que a pesquisa demonstra é a desindustrialização, fechamento de vagas de emprego qualificado, emprego daqueles que tanto falavam em mérito, estar desempregado deve ser o mérito deles nesse momento.

  5. Gilberto Marcondes

    8 de maio de 2018 12:51 pm

    Não acredito!
    “No governo

    Não acredito!

    “No governo Dilma (2011-2016), a taxa de pobreza seguiu a trajetória de queda em 39,4% acumuladamente entre os anos de 2010 (16,5% da população) e de 2015 (10% da população).”

    Isso não pode ser verdade! Estão me dizendo que o governo do PT, diminui, em pouco mais de uma década, a pobreza do Brasil de 1/3 para 1/10!?

    E FOI ESSE MESMO POVO QUE PERMITIU O IMPEACHMENT!? Por todos os demônios do inferno, qual o problema do brasileiro??? Nós merecemos esse futuro sombrio, e muito mais.

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