4 de junho de 2026

Os praticantes, os votantes, os participantes, os diletantes…, por Reginaldo Moraes

Ilustração: Arquivo/ Google 

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Os praticantes, os votantes, os participantes, os diletantes…

por Reginaldo Moraes

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Desde criança conheço a expressão: católico praticante. Usava-se para distinguir dos católicos apenas batizados. Praticante era o que, pelo menos, ia semanalmente à igreja, comungava de vez em quando, etc. Nunca ouvi alguém falar em evangélico praticante. Por que? Protestante “passivo” há e sempre houve. Principalmente entre as correntes tradicionais do protestantismo (metodistas, anglicanos, luteranos, etc). O general Eisenhower, por exemplo, era desses – virou outra coisa quando foi ‘rebatizado” na própria Casa Branca, pelo pastor Billy Graham. Nos Estados Unidos é usual usar essa expressão: reborn christian. Cristão ‘renascido” – ou seja reincorporado á rotina praticante. As chamadas correntes evangélicas pentecostais não parecem ter “não praticantes”. 

Evangélicos são usualmente praticantes – vão ao culto toda semana. Muitos vão mais vezes à igreja, enviam os filhos para atividades de jovens, crianças, etc. Participam de círculos bíblicos, grupos de jovens e mulheres. Muitas igrejas oferecem cursos, grupos de teatro, creches, orientação para emprego, moradia, legalização de documentos, acesso a serviços públicos e assim por diante. E para ajudar, nos intervalos o fiel ouve seus pastores e cantores no rádio. Quando organizam uma “marcha de Jesus” aquela multidão não é surpresa – é resultado de um intenso “trabalho de base”.

Você já ouviu falar de esquerda praticante? Acho que não. Talvez “militante” – mas isso se aplica a grupos minúsculos, quase profissionais. Faça um levantamento de seus amigos que votam à esquerda: quantos deles participam de algum “culto” mensal, não precisa ser semanal – reunião, debate, atividade cultural, manifestação, passeata? Pode contar. Eu contei. Alguns, digamos, participam de “círculos” virtuais, os da internet. Uma tosca, incompleta e insuficiente substituta daquela outra atividade “praticante”. 

Por isso ouvimos tanto, de tantas pessoas, observações assim: a esquerda isto ou a esquerda aquilo… Sempre na terceira pessoa. Nunca ou quase nunca “nós, da esquerda” não fizemos isto ou não fizemos aquilo. Esse distanciamento na palavra é consequência do distanciamento “físico”.

Por que o crescimento da esquerda política nos anos 70 (com enorme resultado nos 80) foi tão centrado em militantes e ativistas que vinham de sindicatos e igrejas? Era daí que saia o grosso da militância e dos filiados do PT, por exemplo. Porque esses eram os “lugares” daquela atividade regular, constante, de formação de identidades e afinidades, de hábitos de pensamento e de comportamento. De encontro – igreja vem de Eclésia, assembleia, encontro, e não é por acaso. Quando a base social da esquerda política se fragmenta, desintegra, amolece, a dificuldade para promover grandes enfrentamentos é terrível. Até mesmo grandes enfrentamentos eleitorais, os menos arriscados para as pessoas. Os outros, mais ainda.
Começar a pensar nisso, coisa que demanda tempo. Ainda que os tempos sejam corridos e precisemos trocar o pneu sem parar de pedalar. Pensar e fazer.

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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