
A enigmática divulgação que militares da reserva estão treinando traficantes
por Rogerio Maestri
Um general da reserva numa espécie de incontinência verbal, faz um pronunciamento que tem diversas leituras, ele divulga que elementos da reserva estão treinando traficantes em táticas militares de uso de armamentos e de estratégias de combate.
O mais surpreendente de tudo não é o fato perfeitamente previsível que existindo soldados, cabos, sargentos e oficiais de baixa patente que dado baixa e numa situação de desemprego se disponibilizem a dar treinamento militar com uma boa remuneração a quem tiver dinheiro para pagar. Sempre tomando como referência os nossos amiguinhos liberais, são as regras do mercado, alguém está disposto a pagar e outros vendem a sua mão de obra, nada além disto.
Agora o mais surpreendente é a fala do General a um grande órgão de imprensa que ele sabe que deverá repercutir em outros mais populares.
Dentro de uma lógica militar informações deste tipo deveriam ser consideradas estratégicas e sujeitas a sigilo, se algum profissional da imprensa descobrisse isto, o natural e comum seria a sua divulgação como um furo de reportagem.
Porém devido a um rito atual de vulgarizar a informação e procurar apoio através da grande imprensa, o general abre espontaneamente a informação, ou seja, o furo deixa de ser furo de reportagem e se transforma numa informação corrente.
Vamos só fazer considerações a quem servem estas informações e quais são os problemas resultantes dela.
Primeira coisa, uma informação desta simplesmente, ao contrário que talvez o general deseje serve mais para combater a ideia do uso de forças armadas na atividade policial, simplesmente porque mostra que facilitando a criação da interface forças-armadas-tráfico dá inclusive condições dos traficantes de não só assistir os métodos empregados pelas forças armadas como também avaliar quais dos quadros destas com melhor treinamento para serem contratados, podem olhar os movimentos de paraquedistas, de fuzileiros navais ou de outras tropas e escolher a mais bem adaptada ao cenário. Ou seja, tomando o jargão militar emprestado, seriam observadores de manobras!
Segundo problema, tal informação leva a todos os pequenos bandos dispersos, muitas vezes mal organizados e mal treinados a ideia de como os mesmos podem profissionalizar a sua ação, ou seja, não precisarão mais a proteção de elementos das polícias militares para a sua proteção.
Terceiro grande problema. Uma informação como esta abre a mente dos militares que após a baixa da ativa há um atrativo mercado para que eles continuem exercitando as suas habilidades. O mais interessante é que as brilhantes observações advindas do que com muita reserva pode-se chamar de “serviços de informações das forças armadas” que geralmente em qualquer país civilizado do mundo, são informações confidenciais! Dizem até os atrativos valores que estão sendo pagos pelos contratantes, pode ser que até foram inflacionados um pouco talvez por desejo de alguns informantes de obter melhores remunerações quando ficarem desempregados.
Porém o pior de tudo ainda não foi dito, havendo uma interface entre criminosos e ex componentes das forças armadas disponíveis para serem contratados são oficiais, subtenentes e sargentos, segundo as informações do general. E com uma remuneração de uma semana de trabalho de R$50.000,00, fica difícil que alguém que possa no momento esteja trabalhando num serviço de porteiro de boate, resista a tal possibilidade. Porém não fica por aí, o general fala de elementos que além do treinamento se engajaram ativamente na função, e imaginem um bando que era o legítimo crime desorganizado passar a ser comandado por um oficial treinado e mais alguns de seus antigos subordinados.
As brilhantes observações deste comandante militar, informando o número de quadros disponíveis para a contratação, a serventia dos mesmos quando devidamente contratados, o nível de remuneração e os setores das forças armadas que possuem os melhores quadros, só faltou as forças armadas abrir uma bolsa de empregos.
Se os militares acham, o que para mim é falso, que há uma guerra contra o trafico eles devem segui a máxima do primeiro ministro francês durante a primeira grande guerra, que levou os franceses a vitória após verdadeiras carnificinas impostas pelos generais franceses em embate frontais contra as tropas alemãs:
“La guerre ! C’est une chose trop grave pour la confier à des militaires.”
Este dito é atribuído impropriamente a Winston Churchill, mas a frase e o contexto que a justifica mostra que ela é de Georges Clemenceau.
P.S: Para nos tranquilizar o general cita no fim da entrevista que todos os bons quadros são mantidos no exército, o que além de colocar em supeição o Capitão Bolsonaro, que saiu antes do tempo e mais outros quadros que deram baixa por outro motivos, todos sabem que um soldado ou mesmo um sub-oficial ou oficial de baixa patente que for desaforado com seus superiores, a chance de ser desligado é grande, e uma insubmissão deste tipo não o desqualifica para treinar combatentes.
Alan Souza
5 de março de 2018 9:06 pmNotícia requentada (e velha)
Se as Forças Armadas só notaram isso agora são muito ruins de investigação ou então tem memória curta:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2504200827.htm
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0206200720.htm
Se não me falha a memória naquele livro Abusado, do Caco Barcellos (que é de 2003) também tem informação desse tipo.
rdmaestri
5 de março de 2018 10:54 pmToda a notícia tem um precedente, o que me levou ao artigo foi..
Toda a notícia tem um precedente, o que me levou ao artigo foi a importãncia dado ao fato e a divulgação do mesmo e o mais importante, quanto mais se intensificar a ocupação militar maior serão as ligações do trafego com as Forças Armadas.
Parece até uma charge que vi a muito tempo, uma moça para conseguir se livrar de homens inconvenientes entra numa academia de artes marciais, termina que o próprio professor que a molesta.
Rui Ribeiro
5 de março de 2018 10:40 pmA previsibilidade da bosta
O exército também entregou um traficante a uma facção rival
qui, 25/05/2017 – 09:48
O exército também entregou um traficante a uma facção rival a fim de que ele fosse torturado e morto. Também fizeram merda em Vitória, durante a greve dos Policiais Militares do mencionado estado. Exército nas ruas é bosta pura para os civis pobres.
Rui Ribeiro
5 de março de 2018 10:42 pmO Brasil é mais forte do que os criminosos
O Brasil não se curva aos crimes das suas forças armadas.
rdmaestri
5 de março de 2018 10:47 pmRealmente o fato não poderia ser algo que só ocorre nos …….
Realmente o fato não poderia ser algo que só ocorre nos dias atuais, o que vai acontecer é que vai se amplificar, principalmente pela bolsa de empregos que o general começou.
Fernando Oliveira
5 de março de 2018 10:51 pmTaí. Já eu acho o contrário:
Taí. Já eu acho o contrário: Um exército de amassa bosta, que não tem dinheiro pra armamento, treinamento, etc,etc… vão mesmo é aprender com os traficantes dos morros do RIO. A parte das tropas, porque a parte dos superiores já foi aprendida: Como fazer de conta que um helicóptero com quase 500 kg de coca não foi visto; Como deixar prá lá que um filho playboy de uma desembargadora trafica; Como abafar dentro da polícia a prisão(e liberação) de um filho de um candidato(atual) a presidente da república d”ESSA PORRA” que foi pego traficando cocaína, etc, etc, etc….
aureliojunior50
6 de março de 2018 4:34 amAngolanos
Este post me recordou anos atrás, quando um oficial PM/RJ cometeu a besteira de falar que angolanos com experiência nas guerras civis de seu país, estavam treinando traficantes nas comunidades cariocas – nenhum foi encontrado.
Paulo F.
6 de março de 2018 12:46 pmAté o mundo mineral
Sabia que ex-militares treinavam as forças do tráfico. Inclusive ex-pqds. Outro segredo de polichinelo é o número de mercenários brasileiros combatendo em conflitos regionais na África e na América Latina.