4 de junho de 2026

Os instrumentos da concentração do uso do poder, por Mogisenio

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Por Mogisenio

Comentário ao post “Pinheiro Machado e as regras do Poder, por André Araújo

Bom dia senhores debatedores,

Caro Dr. André seu texto, bom texto por sinal,  merece um bom debate o qual tentarei iniciar agora. Vejamos.

Depreende-se do texto pelo menos dois pontos centrais:  o primeiro, diga-se,  prende-se ao  aspecto material da aquisição e do uso de um poder no bojo de um Estado democrático de direito.   O segundo está ligado à forma, isto é, ao instrumento, ou melhor, ao manejo dos instrumentos  igualmente democráticos que ratificam o primeiro. 

Vejamos o  fragmento de seu texto no qual pode-se extrair claramente esses dois pontos centrais:

“Pinheiro descobriu um formidável instrumento político que manejou com maestria: a Comissão de Verificação de Poderes do Senado, casa que presidiu. A Comissão tinha a prerrogativa de examinar a ficha dos deputados, senadores e governadores depois de eleitos. Não havia à época Justiça Eleitoral.”(…) 

Com base nessas duas premissas, isto é, nesses dois pontos, pode-se desenvolver diversas argumentações e por isso mesmo, extrair diversas conclusões, inclusive, falaciosas ( preferias do “mercado”,com ou sem Sócrates). Senão vejamos.

A primeira argumentação que vai de encontro ao seu texto e a de que o PODER é UNO e emana do povo. Nesse sentido, Senado e Câmara federais- poder legislativo federal-  representam  um órgão do poder, assim como o Supremo, esfera máxima do poder judiciário. E estes, como se sabe,  são harmônicos e independentes. Também o poder executivo, é mais um órgão do poder independente e harmônico entre aqueles.

Portanto, não há falar em poderes separados, mas sim, em órgãos do poder que é UNO e emana do povo.

O povo, no entanto, em sua maioria, parece não conhecer bem essa divisão do USO do poder. E nesse sentido, por ser ignorante, convive e aceita , pacificamente,  figuras como essa que V.Sa citou no texto. Pessoas naturais e individuais que manejam o poder ( o uso) como se fossem os próprios  “donos do poder”.

O problema é que, ao contrário do que foi dito, podemos também concluir que tais figuras são realmente as  “donos do poder”. Basta dar um passeio rápido  pela história brasileira para  averiguar a verdade dessa conclusão.

Mas ainda há outras situações. Situações  que nos levam a concluir que o manejo ,o uso de um dos órgãos do poder, a instrumentação, a forma, o caminho etc, podem  concentrar  o uso do poder e a partir daí, conduzí-lo em desarmonia. O caso do Pinheiro que V.Sa nos trouxe pode servir de exemplo dessa situação.

Como se não bastasse, há ainda outras formas, outros instrumentos que facilitam a concentração do USO do poder ( que é uno e emana do povo). Como exemplo podemos citar o próprio vernáculo usado aqui, ali e acolá.

A mídia, por exemplo, consegue cooptar várias mentes populares com o uso de seus textos escritos, falados, publicados de várias formas, inclusive com o uso e abuso de imagens.

Os senadores conseguem cooptar várias mentes populares com o uso de seus textos-discursos.

Igualmente o órgão do poder judiciário pode cooptar várias mentes populares, mas, nesse caso, não se preocupa com a aceitação ou  a cooptação de mentes. Nesse caso específico, isto é, no caso do USO do poder judiciário( que também emana do povo) a ideia , ao fim e ao cabo é: publique-se, registre-se e cumpra-se.

Goste ou não: cumpra-se!

Acontece que esse “cumpra-se” pode estar também carregado de discurso retórico e falacioso.  Não há matemática que nos ajuda nessas horas. Não há “pensamento técnico” que nos convença  nessas horas, vez que esse “cumpra-se”  transforma  um triângulo num quadrado e vice versa.

Sócrates, Aristóteles e outros bem que tentaram, porém  não conseguiram…

Não conseguiram vencer a lógica do silogismo falacioso, dos sofisma  que governa o mundo desde sempre.

Nesse sentido, a verdade é uma mentira.

Afinal, como já disse aqui no GGN: Vivemos num mundo de falácias!

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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