Novo livro contará assassinatos econômicos, políticos e sociais cometidos por agentes da agropecuária

(Foto ABr)
Por Rui Daher
Se menos tenho comparecido com textos no GGN, para alívio de editores, o fato tem mais a ver com minha falta de tempo em andanças capitais, mais certo seria dizê-las sertanejas, e por estar trabalhando no projeto de um segundo livro.
Ao contrário dos folguedos do “Dominó de Botequim”, ele contará os assassinatos econômicos, políticos e sociais daqueles que tentaram fazer da agropecuária e do agronegócio um ambiente sadio, distributivo, se isso fosse possível no atual ciclo do capitalismo, ainda mais quando mal-entendido, como o praticado numa Federação de Corporações.
Talvez, nem venha a ter a prefácio ou contracapa escritos, como o “Dominó” teve a honra de receber de Luís Nassif e Márcio Alemão. Se, mantiverem a gentileza, para capa e revisão, sei que poderei contar com a equipe de CartaCapital, amigos de sempre. Certeza: independente, sem edditora, não publico mais. Se ninguém aceitar, retiro-me do ofício.
Hoje em dia, é pouca a coragem de atestar alguém que escreve sobre o rural, reconhecendo vitórias, mas também usando a lupa que nos faz enxergar misérias e injustiças com maiorias e minorias que vivem da lida no campo.
Sabem vocês, eles ganharam, e não temos planos para derrubá-los.
Como amiúde, não será um livro pesado. Na levada de crônicas, algumas serão bem-humoradas, como o brasileiro pensa ser. Encadeadas, narrarão os últimos 70 anos da atividade campesina no Brasil, passando por alguns fatos importantes de seus primórdios, como quando Cabral, vendo Pero Vaz de Caminha, sentado numa pedra da praia a escrever, rodeado de curiosas índias nuas, berrou: “Caminha, largue imediatamente a pena e traga-as a bordo, caralho!” Registre-se ocorrência semelhante verificada, séculos mais tarde, na Itália.
O Gordo Fuinha
Será personagem do livro.
Em uma das melhores casas de repasto de São Paulo, centenária, há prováveis 5 ou 6 anos, eu e minha amiga e sócia, Viviane, (mais sucesso do que eu, pois bonita e comunicativa), lá almoçamos. Sentimos e recebemos carinho de todos. Proprietários (salve Nicola e Toninho), garçons, roda de amigos, senhores ao mesmo tempo bens de vida e humor, e do feroz manobrista, Arturzinho, que nos faz exceção e vira um doce sempre que nos vê. Divertimo-nos todos, como um bom repasto exige.
Na quinta-feira, pré-Carnaval, escolhemos o imbatível pão italiano, alguns antepastos e eu (ela que dirige), uma taça de razoável tinto chileno. Rachamos um gnocchi, que a bariátrica pouco me permite.
Logo ao entrar, notei SUV preta, dimensões de limusine, e pelo menos três funcionários atendendo uma horda de senhoras, moças e crianças, a carregar farnéis e acepipes ao porta-malas-armazém do carro.
Já no ambiente, vejo ocupando uma pequena mesinha redonda, tomando um café, o Gordinho Fuinha. Fez que não me viu. Embora de costas, sua nuca demonstrava sinais aflitos, pedindo pressa à horda familiar para partirem.
Na saída, triunfal, eu de frente, ele não teve como não me ver e confirmar a curiosidade. Viu, claro, mas fez que não. Trocou pernas na virada quando avisado que a horda não tinha pagado a conta. Cabia-lhe voltar.
Eu e minha acompanhante ainda não havíamos terminado a refeição, mesmo assim, maldosamente, naquele momento fiz menção de levantar-me e seguir ao caixa. Já viram uma fuinha em pânico. Vale a pena. Disfarcei e segui ao balcão.
Restou-lhe sair e passar pomposo por nós com sua limusine-armazém.
No livro, saberão por que o detesto e não querer nos cumprimentar.
https://www.youtube.com/watch?v=t4IjJav7xbg]
[video:https://www.youtube.com/watch?v=QHncyiWLAos
ze sergio
12 de fevereiro de 2018 7:48 pmO….
Conheceis a Verdade (da agropecuária) E a Verdade Vos Libertará (de academicismos e ilusões)