4 de junho de 2026

Brasil – futuro ético sombrio, por Frederico Rochaferreira

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Brasil – futuro ético sombrio

por Frederico Rochaferreira

A questão em pauta no Brasil de hoje é a corrupção e pôr fim a esse caráter marginal inserido na sociedade, é a discussão maior, mas não podemos esquecer; da discriminação, outro mal de que sofre a sociedade.

A corrupção ou a crise ética e a discriminação que os brasileiros vivenciam hoje, vivenciaram, no passado recente e no passado distante e vivenciarão no futuro com a mesma intensidade.

Um rápido olhar na história nos faz ver que nos idos de 1893, no governo Floriano Peixoto, um grupo de altos oficiais da Marinha exigiu a imediata convocação dos eleitores para a escolha de um novo governo. O manifesto assinado pelo Contra-Almirante Custódio José de Melo, finalizava: “Sentinela do Tesouro Nacional como prometera, o chefe do Executivo (Floriano Peixoto) perjurou, iludiu a nação, abrindo com mão sacrílega as arcas do erário a uma política de suborno e corrupção1”.

Já no governo Campos Sales (1898 -1902), surge “A política dos governadores”, sistema idealizado por Sales, que consistia na troca de favores políticos entre o presidente da República e os governadores dos estados. Nesse acordo os governadores não faziam oposição ao governo federal e instruíam os congressistas de sua base a votarem os projetos de interesse do executivo. Os governadores mantinham estreita relação com grandes proprietários rurais (coronéis) e usavam o “voto de cabresto”, fraudes eleitorais e compra de votos para conseguir eleger seus representantes nas eleições2.

O pano de fundo da política de Campos Sales, passados 39 mandatários e 119 anos é a mesma dos dias atuais, quanto a discriminação, essa deve ser uma reflexão do presente e do futuro, posto que no passado, sequer era crime. Até a Lei Aurea ou Lei Imperial n.º 3.353 de 13 de maio de 1888 que extinguiu a escravidão no Brasil, era permitido o branco ser senhor do negro, oficialmente. Agora vamos ao futuro.

No final do primeiro semestre deste ano, (2017) o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial em parceria com o Datafolha, revelou que apenas 8% dos jovens brasileiros se consideram; éticos3, sinalizando um futuro sombrio para o país quando se pensa em Sistema Moral, mas nossa juventude é também discriminatória.

Em 1995, a mesma Datafolha4 fez uma ampla pesquisa de preconceito racial e constatou que entre 87% a 89% dos brasileiros sabem que há preconceito e demonstram ter preconceito.

Em 2009, outro estudo no campo da diversidade da educação realizado em 501 escolas públicas do país, pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas5, (FIPE) com mais de 18 mil alunos, pais, diretores, professores e funcionários, revelou que 96,5% dos entrevistados têm preconceito em relação a portadores de necessidades especiais, 94,2% têm preconceito étnico-racial, 93,5% de gênero, 87,5% preconceito socioeconômico, 87,3% e 75,95%  preconceito territorial.

Medidas

A pesquisa ETCO-Datafolha, que apontou 8% de jovens brasileiros como sendo éticos, revelou também que 87% dos jovens entrevistados acreditam que; conversar sobre o tema com amigos e familiares; traria resultados positivos; fazendo com que a sociedade se tornasse mais ética. Partindo desse resultado o Instituto de Ética Concorrencial em parceria a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, desenvolveu uma plataforma online para estimular professores a discutir o tema; ética, em sala de aula com os adolescentes, acreditando que a medida possa impulsionar uma transformação ética no entorno e na sociedade em um segundo momento.

Ocorre que no jovem (14 a 24 anos) o caráter já está formado, consolidado com os valores natos e os valores adquiridos na infância. Aos sete anos, o caráter ou a personalidade, já tem contornos finais6, portanto, discutir ética com o objetivo último de lapidar o caráter, é apenas um exercício teórico sem força de transformação, que não trará resultados e essa premissa está subtendida na própria pesquisa; quando mais de 90% dos jovens tem a percepção de que a sociedade, incluindo amigos e familiares não são éticos e mesmo que eles, os jovens, fossem; éticos em suas ações, isso não seria suficiente para mudar o quadro que aí está.

A discussão que deve haver em torno do sistema moral brasileiro para além das medidas legais, é o urgente investimento na educação infantil de qualidade, com vistas à construção de uma nova sociedade, que no futuro seja pautada por ações mais justas, mais éticas e menos discriminatórias, enquanto não houver ação nesse sentido, nada vai mudar; como nunca mudou e a crise ética que vivenciamos hoje, em praticamente todos os segmentos da sociedade brasileira e que foi vivenciada em todas as épocas do passado, será inexoravelmente, vivenciada no futuro.

 

Referencias:

  1. http://www.militar.com.br/modules.php?name=Historia&file=display&jid=234
  2. https://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/republica-velha-1889-1930-2-coronelismo-e-oligarquias.htm
  3. http://www.etco.org.br/etco-na-midia/90-dos-jovens-consideram-sociedade-brasileira-pouco-ou-nada-etica-aponta-datafolha-em-estudo-para-o-etco/
  4. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1995/6/25/caderno_especial/1.html
  5. http://www.usp.br/espacoaberto/?p=4461
  6. http://www.nydailynews.com/life-style/personality-set-life-grade-new-study-article-1.203576

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  1. ze sergio

    12 de fevereiro de 2018 12:31 pm

    O Brasil….

    No Governo Campos Salles, o Brasil era o país que mais crescia no Mundo. O planeta inteiro lotava navios na esperança de tornarem-se Cidadãos Brasileiros. Italianos, Suiçõs, Ucranianos, Russos, NorteAmericanos, Turcos, Judeus, Sirios, Japoneses, Espanhóis, Alemães, deixavam para trás a miséria de seus países destruídos, ditatoriais e atrasados. Recém instalado um Projeto Liberal e Republicano, por uma Governo Civil sob uma Constituição Democrática com Voto Livre e Facultativo. Algumas dificuldades pontuais de grandes extensões rurais e tais dificuldades de mais de 1 século atrás. Deixavamos para trás uma forma de Governo Medieval, baseado no Direito de hereditariedade de uma Família. Não à toa deste período Santos Dumont, Carlos Chagas, Emilio Ribas, os Modernistas, Vital Brasil, Oswaldo Cruz,…Período aúreo do Desenvolvimento cientifico nacional. Tudo destruído por um Ditador de Quartéis Militares, apoiado por forças reacionárias e ditatoriais esquerdopatas. Escória tão baixa, que mesmo sendo perseguida por tal Governo, o deu apoio e fez parte desta Ditadura como na figura de Carlos Prestes. Um dos seus maiores símbolos. Mesmo que o tal Caudilho, Ditador Sanguinário tenha assassinado Estudantes Paulistas desarmados que exigiam o cumprimento das Leis e de uma Constituição. O Brasil é de muito fácil explicação. E tem gente que diz não entender nossa História destes períodos de Golpes e Ditaduras. E não compreender 2018. É surreal !!  

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