
Manipulação da Standard para privatizar a Previdência
por J. Carlos de Assis
Se alguém tinha dúvidas sobre o que é jornalismo objetivo e o que é manipulação da opinião pública pela mídia teve uma excelente oportunidade de fazer essa distinção tomando como referência a “cobertura” do rebaixamento pela Standard & Poor´s da sua nota de crédito para o Brasil. O fato, em si,da atribuição da nota é irrelevante. É que a Standard não tem crédito para dar crédito a empresas e países. Deu notas máximas aos bancos norte-americanos antes do colapso financeiro de 2008, que custou trilhões à sociedade e ao mundo.
O que aconteceu agora foi uma manobra de manipulação explícita. A agência está integrada à quadrilha do grande capital financeiro mundial que quer forçar por todos os meios a reforma previdenciária infame no Brasil. Se ela desse uma nota alta ao país teria reconhecido que a política econômica de Henrique Meirelles vai bem. Era preciso piorar a nota para dizer que, além da liquidação da CLT e do congelamento por vinte anos do orçamento, falta fazer a grande reforma da Previdência para que o Brasil volte a crescer.
Não é preciso um acordo às claras para imaginar que a Standard combinou com as duas outras agências, Moodys e Fitch, uma escala de rebaixamento que preservasse o moral de Henrique Meirelles mas que assim mesmo possibilitasse a pressão política sobre a Previdência. Por isso atacou primeiro enquanto as outras duas esperam melhor oportunidade. É claro que nada disso tem a ver com a real credibilidade de um país que tem quase 400 bilhões de dólares em reservas. O problema é expandir a todo o custo a privatização.
Juntando o noticiário de quinta-feira com o de sexta, a Globo deve ter dedicado uns bons 20 minutos do Jornal Nacional para bombardear seus telespectadores com a “notícia” do rebaixamento. Não foi tanto no Jornal da Globo,que é mais elitista. Foi no jornal destinado às massas. É claro que esse público não está muito interessado em agência de risco e classificação de crédito. A Globo insiste nesse noticiário porque sabe do efeito subliminar de uma cobertura de massa sobre as consciências. Fez isso muito bem com o mensalão e a Lava Jato.
O propósito, obviamente, é massificar junto à opinião pública o conceito de que, sem reforma previdenciária, o Brasil não sairá da crise. O que normalmente seria recebido como um fato negativo, o rebaixamento da nota, passa a ser um instrumento para mobilizar a opinião pública a fim de pressionar o Congresso ainda relutante a apoiar a reforma. E o que tem isso a ver com a retomada do crescimento? Absolutamente nada. O problema do crescimento, se tivesse de ser resolvido, teria de ser resolvido por outros caminhos.
Quanto à reforma previdenciária, seu objetivo é abrir espaço para a generalização da previdência privada, chamada de capitalização – que permitiria a manipulação pelo setor privado de bilhões de reais em fundos -, e não em bases correntes, onde a geração atual paga pela passada fora das negociatas privatistas. Para isso, é preciso piorar a Previdência pública pois poucos sairiam dela se, como acontece hoje, tivesse um nível de atendimento razoável. Não importa para o capital que tenha sido retumbante o fracasso da privatização da previdência feita pelo governo do ditador Pinochet no Chile. Ele atende à alta finança, e isso basta.
Suponhamos, porém, para efeito de raciocínio, que a Standard seja uma agência de risco de boa fé. Nesse caso ela rebaixaria, sim, o Brasil. Porém não por causa da Previdência. Mas por causa da depressão econômica por três anos seguidos (que o Governo nega mas só convence os trouxas), por causa do alto desemprego, da reprimarização da economia, da desindustrialização, do retalhamento da Petrobrás, da intenção estúpida de privatização do setor elétrico – tudo conspirando, sob a batuta de Meirelles, para um prolongado ciclo de contração da economia. Até que, pela graça de Deus e força dos homens, seja derrubado.
+almeida
15 de janeiro de 2018 11:01 amO governo usurpador golpista
O governo usurpador golpista e corrupto ressuscitou, em nosso território, o cadáver do imperialismo capitalista americano , escancarou as portas de entrada e eliminou todos os sistemas de segurança que poderiam evitar esses tipos de especulação e chantagem. Tudo sob as vistas abestadas dos três poderes.
Andre Araujo
15 de janeiro de 2018 11:30 amPura teoria da conspiração. O
Pura teoria da conspiração. O que a Standard & Poor´s ganha com uma manipulação e quem paga? E porque faria isso?
A Standard & Poor´s é uma divisão da Mc Graw Hill, empresa listada em bolsa e que vale 45 bilhões de dolares.
A Mc Graw Hill e a S & P vivem de seu capital de reputação, vão vender isso por causa do Brasil?
A S & P dá notas a 127 paises e 5.500 empresas, o Brasil é um cliente, eles já ganham muito dinheiro com o faturamento normal que recebem para dar notas, fazer manipulação de notas seria picaretagem, eles não precisam disso, é uma
empresa fundada em 1909, a questão não é que sejam puros, é que não precisam jogar por fora.
Quanto a erros, cometeram sim e irão cometer novos, não existe nada perfeito e medicos tambem erram em diagnosticos.
Roland Matt Rola
18 de janeiro de 2018 12:58 pmDê um tempo!!!
Então eles não sabiam das condições dos papéis aos quais atribuíram “AAA” e viraram poeira no dia seguinte?!!
Dê um tempo!!!
Allan Patrick
15 de janeiro de 2018 11:39 amA manipulação foi adiar a redução do rating
Desde o golpe que as contas públicas do Brasil vem deteriorando a uma imensa rapidez.
Houve manipulação, sim, das agências de rating.
A manipulação foi adiar por tanto tempo a redução do rating do Brasil diante desse quadro fiscal de descalabro que Meirelles/Temer/Mídia criaram.
A desculpa da reforma da previdência foi uma esmolinha que atiraram pro governo Temer pra fazer média na hora de finalmente reduzir a nota.
Caetano.
15 de janeiro de 2018 2:07 pmEsse Assis sonha à noite e
Esse Assis sonha à noite e depois vem aborrecer-nos com suas absurdas teorias de conspiração.