
Sugestão de Gilberto Cruvinel
do Brasil 247
É preciso repetir: sem provas, Moro condenou Lula com base em delação
por Tereza Cruvinel
Todos sabem por que o TRF-4 acelerou seu calendário e marcou para o dia 24 o julgamento do recurso do ex-presidente Lula contra a condenação do juiz Sérgio Moro. A coalizão do golpe, não tendo produzido um candidato conservador capaz de derrotar Lula, precisa tirá-lo da disputa presidencial. Seu retorno representaria não apenas o fracasso completo do golpe mas a interrupção de seu programa neoliberal anti-povo e anti-nacional. Parece também claro que não se pode esperar um julgamento justo e imparcial dos três togados de um tribunal cujo presidente já considerou “a priori” a sentença de Moro como irretocável, e em que a chefe de gabinete faz proselitismo contra o ex-presidente em rede social. Mas, para ampliar a compreensão popular sobre a perseguição orquestrada contra Lula, sobre o que seja o lawfare de que falam seus advogados, não basta proclamar que ele foi condenado sem provas, por um crime inexistente: a posse de um apartamento que não possui, nem de fato nem no papel. É preciso recordar que Moro, não tendo provas, condenou-o baseando-se unicamente na palavra de um delator. Em uma delação que foi arrancada a fórceps, numa prolongada tortura moral e psicológica contra o ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro.
Uma enxurrada de denúncias contra Lula foi atirada contra a população nos últimos anos, através de um noticiário caudaloso na televisão e em todas as mídias. As acusações foram sendo lançadas em série, de modo que ele fosse percebido como o grande malfeitor, embora o quadrilhão esteja no governo e o próprio presidente do golpe siga sendo investigado por ilícitos graves. Agora, por favorecimento a empresas de portos, depois de escapar de duas denúncias comprando votos. Neste torvelinho, muitos já não sabem de que trata a sentença que estará em discussão no dia 24, e mesmo assim, declaram a preferência por Lula nas pesquisas eleitorais. É preciso recordar que, para garantir sua condenação, a Lava Jato buscou caprichosamente a delação de Leo Pinheiro, numa sequência de fatos já esquecidos que não deixam dúvidas sobre o objetivo: sem provas, só a delação permitiria a condenação de Lula, e por decorrência, sua inelegibilidade.
Recordemos a sequência que levou Léo Pinheiro, até então amigo do ex-presidente, a se tornar um delator-traidor.
- Ele foi preso pela primeira vez em novembro de 2014 mas em abril de 2015 o STF determinou que fosse posto em prisão domiciliar. Condenado a 16 anos de prisão por Moro, começou a negociar um acordo de delação premiada que permitiria a redução de sua pena.
- Em junho de 2016 Pinheiro prestou depoimento a Moro e aos procuradores da Lava Jato, em que antecipou as linhas gerais da delação que faria, revelando pagamentos da empreiteira a muitos políticos. Mas como não haveria nenhuma referência a Lula, o acordo proposto foi recusado. Em agosto as negociações sobre delação foram encerradas. A defesa de Lula requereu esclarecimentos sobre notícias de que isso teria ocorrido porque o delator não se dispôs a incriminá-lo.
- Duas semanas depois, Leo Pinheiro foi novamente preso, segundo Moro em nome da “garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal e segurança da aplicação da lei penal”. Começava aí a pressão para que ele delatasse Lula e o apontasse como dono do apartamento do Guarujá.
- Em novembro, sua pena foi aumentada em 10 anos, subindo para 26 anos.
- Em abril de 2017, finalmente Leo Pinheiro se rende a Moro e atende à Lava Jato. Ele declara que, quando a OAS adquiriu o empreendimento, soube que o tríplex estava reservado ao ex-presidente e que só tratou do assunto com João Vacari, nunca com Lula. Que na OAS, só ele tratou deste assunto. Que foram feitas as reformas e abatidas da propina que o PT tinha a receber da OAS.
A defesa de Lula apresentou o documento pelo qual a OAS havia dado o apartamento como garantia a uma instituição bancária. Esta era uma prova viva de que a OAS continuava sendo a dona do imóvel mas não foi levada em conta. Mesmo dizendo que o apartamento era de Lula, Pinheiro diz que não o consultou a emitir do documento em que o dava como garantia.
Com base unicamente na delação de Pinheiro, ignorando outros depoimentos de funcionários da OAS e as 87 testemunhas de defesa apresentadas por Lula, Moro o condenou por corrupção passiva e lavagem de dinheiro a 9,5 anos dee prisão. Somou o valor do apartamento com o das reformas para apontar o valor da suposta propina.
Leo Pinheiro fez ainda outra acusação a Lula. A de que, tendo perguntado se havia feito pagamentos ao PT, e diante da resposta afirmativa, mandou que destruísse as provas e registros que tivesse.
Seu depoimento ainda não tinha terminado quando os portais de notícias em tempo real começaram a publicar trechos de sua delação, especialmente o que se relacionava com o apartamento. Faltaram apenas os fogos.
Agora, falta a confirmação da sentença, baseada unicamente numa delação, pelo TRF-4, para que o jogo seja concluído e Lula esteja fora da disputa eleitoral. A fragilidade da sentença de Moro, assentada unicamente na delação de um homem desesperado para reduzir uma pena de 26 anos de prisão, precisa ser recordada e denunciada aos quatro cantos do mundo, ampliando a insurgência contra a injustiça e a perseguição, como fazem os juristas, intelectuais, políticos e artistas que assinaram o manifesto “Eleição sem Lula é fraude”.
O uso da delação premiada como prova única para condenar é criticado por juristas de renome mas vou pinçar apenas a citação do processualista Geraldo Prado:
“Não há, na delação premiada, nada que possa, sequer timidamente, associá-la ao modelo acusatório do processo penal. Pelo contrário, os antecedentes menos remotos deste instituto podem ser pesquisados no Manual dos Inquisidores. Jogar o peso da pesquisa dos fatos no ombro de suspeitos e cancelar, arbitrariamente, a condição que todas as pessoas têm, sem exceção, de serem titulares de direitos fundamentais, é trilhar o caminho de volta à Inquisição. Em tempos de neofeudalismo, isso não surpreende.”
Não surpreende, mas deve indignar os que não compactuam com a tirania, mesmo togada.
Roberto Sidnei
8 de janeiro de 2018 8:11 pmrelembrar é preciso
“com supremo, militares, tudo mais”
JB Costa
8 de janeiro de 2018 8:31 pmQueria, mas queria mesmo ser
Queria, mas queria mesmo ser otimista nesta hora. Queria acreditar que aqueles três jovens juízes irão honrar as togas que vestem e que lhes custaram tantas horas de dedicado estudo face a um processo seletivo rigoroso.
Infelizmente, o realismo é que se impõe. Nada leva a crer que outro não seja o resultado se não a confirmação da sentença, Há quem conjecture até um aumento na pena. As pressões, especialmente da mídia corporativa, são inversamente proporcionais à capacidade de resistência cívica desses magistrados. Num rasgo de condescendência, imagino até que no íntimo queiram(pelo menos dois deles) inocentar o réu. Há soberba e irrefutável base jurídica para tal.
Agora só resta esperar para ver.
peregrino
8 de janeiro de 2018 10:54 pmeu também queria…
que ao menos se dignassem a ler a sentença………………………..
porque há passagens que são realmente inaceitáveis, tais como, em resumo:
– não há provas porque ele ordenou que fossem destruídas
– também não há outras provas, porque ele, Lula, faltou com a verdade no seu depoimento
– mas é o real proprietário porque as reformas continuaram após ele e esposa terem desistido da compra
e por aí vai num jogo de adivinhação, como se estivesse a brincar com os seus coleguinhas
Lucio Vieira
8 de janeiro de 2018 8:49 pmTem uns políticos que criamos raiva e roubaram “apenas” cobre
O grave em certos agentes da injustiça brasileira é que muitos se tornaram uzeiro e vezeiro em nos roubar a verdade, a confiança, o senso de dignidade. Esta é a pior injustiça que pode haver, o roubo de ver as coisas poderem ser o que são e julgá-las a partir disto. Estas pobres mentes ainda vão se perturbar e culpar-se bastante pelo mal que fazem.
Rodrigo Roal
8 de janeiro de 2018 9:19 pm2/3
A reporter poderia ter salientado que, com a delacao, a pena do Leo Pinheiro foi reduzida em dois tercos pelo juiz de preto.
CARRASCO
8 de janeiro de 2018 10:59 pmMESMO COM TANTOS SEGURANÇAS
Mesmo com tantos seguranças, será que o verme Moro não tem medo de lhe cortarem a garganta? Será que ele acredita mesmo que essa maldade ficará sempre impune? Fugindo para os Estados Unidos? Será que no inferno ele escapará? Afinal, sempre tem um doido… Da minha parte só posso ficar torcendo, mas torcendo muito, até orando pra que isso aconteça: que Moro e os malditos que confirmarem sua maldade ganhem em belo dum câncer na garganta de cada um, que os mate bem lentamente e com muita dor. Afinal, são vermes, e vermes precisam ser eliminados para não espalharem doenças. Ou seriam somente estrumes? Víboras malditas……..que ganharão o ódio de milhões de brasileiros.
Time pela Justiça
8 de janeiro de 2018 11:25 pmAos torcedores anti-Lula imbecilizados: não é por ele …
É pela JUSTIÇA!
Antes que ela acabe de desaparecer.
Antonio Carlos Silva - Brasil
8 de janeiro de 2018 11:45 pmSobre a fala do Bretas de que a justiça atual impõe medo…
A declaração deve ter sido inspirada pela fala de um general sanguinário que apoiou o golpe de 64 :
“…devemos fazer com que amem a revolução, ou que ao menos temam, pois nós saberemos impô-la…”
[video:https://youtu.be/oTeZQioFDh0%5D
JB Costa
9 de janeiro de 2018 12:08 amSorrateiramente; sem querer
Sorrateiramente; sem querer querendo, como diria o Chávez, se instala um ditadura do Judiciário.
Um juiz de piso simplesmente sustou um ato legítimo(se é imoral isso é outra história) do Presidente da República, chefe de governo e de Estado.
Não estou aqui a defender um presidente golpista que vem tomando medidas contra a população e que encabeça uma camarilha que tomou de assalto o Poder. Nada disso.
A questão é muito mais em cima. Diz respeito às prerrogativas dos poderes e a preservação da institucionalidade.
São os efeitos da Lava a Jato com seus “heróis” de fancaria,
Marcos Antônio
9 de janeiro de 2018 12:43 amFizeram pior com Jesus
Fizeram pior com Jesus Cristo!
E olha no que deu numa época em que não havia nem internet, nem informações ao vivo!
A justiça será condenada e estes juízes terão seus nomes proscritos e seus herdeiros herdarão a pena!
Não sou eu quem diz isso!
Vai ser a realidade!
Imagina ser filho de Hitler?
O pior não é condenarem o LULA!
O pior é permitir que ele concorra e ganhando, deixar que ele governe apenas para controlar seu eleitorado, por que o judiciário não será aposentado, nem os políticos enganadores sumirão como num passe de mágica!
A miséria dos golpistas não desaparecerá com uma possível vitória do LULA!
Miseráveis conhecem os miseráveis e vão se digladiar!
O melhor para o país seria sua retirada das eleições!
A frustração no Brasil vai queimar tudo que nasceu e viveu dentro do golpe!
O cristianismo só existiu por que cristo foi tremendamente injustiçado!
Mandela é outro exemplo…
A injustiça une quem ama o justo!
E é atemporal!
A vida se renova a cada dia por que a vida é verdadeira!
A vida não preserva o falso…
Acredito que o LULA será condenado e espero que antes ele faça um discurso tão magnifico como foi o que ele fez quando ganhou as eleições de 2003 no qual ele disse: Que a esperança venceu o medo e a obra dele seria dar 3 refeições diárias para o povo pobre do Brasil!
Que saiba nos inspirar a resistir…
JNA
9 de janeiro de 2018 12:49 amQUANDO A INJUSTIÇA SE TORNA LEI… A REBELIÃO TORNA-SE UM DEVER”.
QUANDO A INJUSTIÇA SE TORNA LEI… A REBELIÃO TORNA-SE UM DEVER”.
A HORA É : POVO NAS RUAS.
O ESTADO MODERNO É SIMPLESMENTE UMA INSTITUIÇÃO CRIMINOSA
“QUE DEU “CERTO”.
A prova inequivoca desse pensamento é o desfecho do golpe sofrido pelo nosso governo democrático, referendado pela justiça cega, parlamento corrupto e pela mídia aristocrática. Desrespeitou-se a opção de 54 milhões cidadãos brasileiros, que votaram em um projeto de governo e foram subestimados pela iniciativa de 360 deputados 61 senadores, majoritorialmente investigados e denunciados em atos generalizados de corrupção.
Equivocaram-se, acreditaram na ingênua possibilidade da renúncia da Presidente eleita Dilma. Historicamente mal acostumados, quebraram a cara. Esqueceram que a dona é que nem vara verde, inverga mas não quebra. Grande exemplo de liderança feminina a ser seguida, incondicionalmente, por todos nós.
Cabe aqui salientar, que aqui no nosso pais, golpe institucional é meramente uma trágica tradição. Com 500 anos de existência, 120 anos de independencia enquanto pais, nossa república da bananada, nossa adolescente democracia tem apenas 50 anos, sendo constantemente interrompida por sucessivos golpes institucional de estado. Tais fatos possivelmente nós ajude a compreender o motivo, pelo qual, sejamos de fato uma economia pujante, (9º maior PIB), ao passo de determos o vergonhoso Índice de desenvolvimento Humano (62o IDH), do nosso planeta. Ficando na américa Latina apenas em situação confortavel em relação à Venezuela.
Mas por que devemos nòs permitir ser governado por um governo ilegítimo, cujo vice- presidente rotineiramente se esconde do povo, se borra com poucas vaias ???. Por que acreditar na capacidade técnica e política de um governo usurpador, formado por um ministério com 13 nótaveis ministros denunciados em inquéritos da Lava Jato ???. Por que permitir que a conta da robalheira patrocinado por esses “notáveis” corruptos recaiam sobre o bolso do humilde trabalhador??.
Dificil entender como o cidadão brasileiro é capaz de matar par subtrair um simples aparelho celular do seu próximo, é capaz de se armar-se até os dentes para traficar drogras, mas é incapaz de armar-se politicamente par defender-se de um ESTADO CRIMINOSO DE DIREITO. Tomaram o Brasil de assalto e agora já não sabem exatemente o que fazer. A a economia se disolve, a sociedade se marginaliza. O jogo de improviso é a regra. A ordem por hora é o caus notavelmente estabelecido.
Em respeito e reconhecimento a todos aqueles que deram suas vidas pela DEMOCRACIA, à dor dos familiares, que não tiveram a oportunidade de enterrar os corpos dos seus filhos, vitimados pelo GOLPE MILITAR, mas sobretudo por um compromisso maior, por um futuro mais digno para os nossos filhos, devemos sim fechar esse trágico livro e escrever uma nova história. Os novos versos a serem escritos propõem ao povo ocuparem as ruas, em forma de manifestações, sem pedir licença e autorização a nenhuma instituição criminosa que representa o aparelho de segurança desse estado criminoso. Afinal de contas é um direito absolutamente constitucional e como tal, está a disposição para ser exercido por todo e quaisquer cidadão consciente.
Caso a segunda fase do golpe jurídico-parlamentar venha a se concretizar, tornando o Presedente Lula um preso político, esse seguramente será tratado como heroi. A partir desse momento o AI-5, sob uma nova configuração do golpe institucional estará instaurado. Sendo assim esgota-se toda possibilidade a discursão pela vias políticas, dando assim margens para que todo tipo de revolta e idginação oculpem os espaços públicos e privados. Novas formas de instrumentação e intervenção política, aconvencionais seguramente surgirão e serão aplicadas, seguindo a receita das medidas amplamente adotadas e aplicadas pela resistência ao golpe militar instaurado no nosso pais, em passado recente.
Quanto a repressão, não devemos nos preocupar, a história da humanidade resume-se aos conflitos de classes sociais. Fazer oposição política a um governo ilegítimo, como todos sabem, é uma tarefa bem mais fácil do que governar. As eventuais sequelas provocadas pela máquina estatal de repressão, a despeito das que já veem sendo utilizadas, ficarão mais uma vez registradas nos autos da história da Republica da Bananada e dessa forma deverão ser objeto de preocupação daqueles que as praticam. Que o Estado Criminoso recorra a todas elas. O tempo e a história lhes darão a avaliação e as credencias necessárias.
“Quando a injustiça se torna lei… a rebelião torna-se um dever”.
NÃO DEVER, NÃO TEMER!!!.
Abraços, a todos que se permitem indignar-se
edward chaddad
9 de janeiro de 2018 1:09 amO JULGAMENTO DO EX-PRESIDENTE LULA
O JULGAMENTO DO EX-PRESIDENTE LULA
É importante recordar a história, antes mesmo do julgamento do ex-presidente Lula.
Para isto, é melhor ler novamente, segundo o Isto É, a verdadeira carta testamento de Getúlio Vargas, antes de seu suicídio em 24 de agosto de 2014, máxime para aqueles que não conhecem a obra do pai dos Direitos Trabalhistas e Previdenciários:
A CARTA TESTAMENTO DE GETÚLIO
“Deixo à sanha dos meus inimigos o legado da minha morte. Levo o pesar de não haver podido fazer, por este bom e generoso povo brasileiro e principalmente pelos mais necessitados, todo o bem que pretendia. A mentira, a calúnia, as mais torpes invencionices foram geradas pela malignidade de rancorosos e gratuitos inimigos numa publicidade dirigida, sistemática e escandalosa. Acrescente-se a fraqueza de amigos que não me defenderam nas posições que ocupavam, a felonia de hipócritas e traidores a quem beneficiei com honras e mercês e a insensibilidade moral de sicários que entreguei à justiça, contribuindo todos para criar um falso ambiente na opinião pública do país, contra a minha pessoa. Se a simples renúncia ao posto a que fui elevado pelo sufrágio do povo me permitisse viver esquecido e tranqüilo no chão da pátria, de bom grado renunciaria. Mas tal renúncia daria ensejo para com fúria, perseguirem-me e humilharem. Querem destruir-me a qualquer preço. Tornei-me perigoso aos poderosos do dia e às castas privilegiadas. Velho e cansado, preferi ir prestar contas ao senhor, não de crimes que contrariei ora porque se opunham aos próprios interesses nacionais, ora porque exploravam, impiedosamente, aos pobres e aos humildes. Só Deus sabe das minhas amarguras e sofrimentos. Que o sangue de um inocente sirva para aplacar a ira dos fariseus. Agradeço aos que de perto ou de longe trouxeram-me o conforto de sua amizade. A resposta do povo virá mais tarde….”
Por aí se vê como tratam aquele que procura fazer o bem para o povo.
Como Getúlio, Lula, hoje, está sendo vítima de uma conluio de mentiras, que o levam a uma encruzilhada. Ou renuncia ao seu legítimo direito de se candidatar à presidente do Brasil ou irá ser condenado e, possivelmente, preso, evitando, assim, a continuada de sua cruzada em favor dos trabalhadores e do povo mais sacrificado pela ausência do Estado, aqueles que continuam abaixo da linha da pobreza.
Ele não irá tomar o caminho de Getúlio. Ele irá continuar e lutar.
O que irá acontecer?
Sabemos lá.
Porém, a história nos mostra que mesmo com o sacrifício da vida, Getúlio está perdendo, agora, o seu legado, os direitos trabalhistas e previdenciários, 65 anos após a sua morte. E novamente a burguesia está vencendo.
Queira Deus que o povo compreenda que a luta pela melhoria das condições de vida e desenvolvimento de nosso povo continue, incessantemente, sem tréguas, para que possamos ter um País que tanto está em nossos sonhos e ideais.
Aymoré
9 de janeiro de 2018 1:55 amPsicopatas podem ser juizes? Como nos salvar do terror?
Lenio Streck: A Justiça de Marcelo Bretas, que “toca terror”, e a violência simbólica contra o ex-presidente Lula
08 de janeiro de 2018 às 15p2
O juiz Marcelo Bretas tem razão: a Justiça nos dá medo! Mas fracassamos?
Por Lenio Luiz Streck, no Conjur
O título deste artigo também poderia ser “O juiz Bretas e o caminhão de apanhar crianças”, tudo em alusão aos medos que nos impunham quando crianças. Até hoje lembro disso quando vejo determinados caminhões que tem aquele focinho (e não a cabine reta).
Li a entrevista do juiz Marcelo Bretas, 7ᵃ Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, dizendo que a Justiça tem de ser temida. Trata-se do mesmo juiz que já disse, em outra ocasião, que a Bíblia era o principal livro do fórum em que atuava.
Deve ser influência do velho testamento. Talvez o juiz se refira ao uso do Código Penal da Bíblia, o livro Deuteronômio. A ver.
Bem recentemente, depois de ter estado com o Papa (para avisar, o Papa é do Novo Testamento), o juiz fala da necessidade de a Justiça ser temida. Pois é.
Talvez por isso tenha aparecido de arma em punho há alguns dias.
Olhando a foto, fico pensando: é como se as palavras refletissem a essência das coisas… uma imagem diz mais que um milhão de palavras, pois não?
A questão é saber as razões pelas quais um juiz, agente político do Estado, pense dessa maneira. Qual é o papel da Justiça? Colocar medo nas pessoas? Já não há medo suficiente?
Quando eu era criança, tinha medo do caminhão que levava criancinhas. Dizia-se, lá pelo lugar onde eu morava, que de quando em vez passava um caminhão e levava as crianças que não se comportavam bem (e eu era uma delas), fazendo-as desaparecer, entregando-as às bruxas. Que faziam sabão das crianças malcomportadas.
Era o equivalente ao bicho papão e ao “homem do saco”, medos que se impunham e ainda se impõem às crianças.
Em vez de respeito, o medo. Eis a “fórmula”. Da tirania. Do Estado e dos pais. Isso é velho.
Maquiavel já disse, nos 1500, “que seria desejável ser ao mesmo tempo amado e temido, mas que, como tal combinação é difícil, é muito mais seguro ser temido, se for preciso optar”. Ora, podemos ir mais longe: lembremos de Calígula e a notória “odeiem-me, contato que me temam”.
Ainda não ficou clara a relação direta entre o medo e a tirania, a tirania e o medo? Basta recordar que a mãe de Thomas Hobbes deu à luz dois filhos: o próprio Hobbes e seu irmão gêmeo… o medo. (A frase é do próprio contratualista de Malmesbury, segundo o qual “minha mãe deu à luz gêmeos: eu e o medo.”)
Para o juiz Bretas e outros agentes políticos do Estado que assim pensam, o mundo se divide entre bons e maus. Justos e pecadores, simplesmente. E, a cada dia, trava-se o Armagedom, a batalha final.
Confesso que, quando vi a foto do juiz com um fuzil na mão, fiquei mesmo com medo. Mas deixei assim.
Quando li a entrevista sobre o “medo”, acreditei e comecei a estocar alimentos. Quando um juiz, vitalício, que jurou defender as leis e a Constituição Federal, diz que devemos ter medo da Justiça, é porque alguma coisa está fora de ordem.
Onde foi que erramos? (Antes que alguém reclame, lembro: quem diz o que quer em entrevista pública e posta fotos, pode ouvir o que não quer — ônus da democracia).
Sigo. Melhor dizendo, o juiz Bretas tem toda a razão. Estamos com medo. Eu estou com medo.
Mas vejam: eu tenho medo de bandido, medo da morte, medo de estelionatários, dos burros ativos (são muito perigosos), de cobras (humanas e desumanas)…
Mas da Justiça eu não deveria ter medo. É ela que deve me proteger. Devo respeitar… mas ter medo? Medo?
Por isso, refletindo mais profundamente, ouso dizer que, quando vejo o juiz de arma em punho, passo a me perguntar se, de fato, a construção de um imaginário de medo já não vingou. Assim, desarmem-se (ops, foi sem querer) e pensem comigo:
Não é de ter medo, mesmo, de uma Justiça que inverte o ônus da prova (fiz pesquisa em todos os tribunais da federação). Não tenho que ter medo de quem só investiga com métodos inquisitivos tipo “prendo para investigar”, “conduzo coercitivamente para o investigado contar tudo antes mesmo de o inquérito ser aberto”, “prendo para delatar”, ou “mesmo que a lei diga que só posso interceptar telefones se não houver outro modo de investigar, vou direto ao grampo”?
Não devo ter medo e dar razão ao juiz Bretas quando se sabe que escritórios de advocacia são grampeados?
Ou quando procuradores ameaçam abrir investigação por obstrução da Justiça de advogados que sustentavam que uma prova era ilícita?
Não é de tremer de medo quando um colega liga para o outro dizendo: “queriam abrir inquérito por obstrução da Justiça porque a tese não lhes agradava”?
Não tenho que ter medo dos órgãos da Justiça quando dizem que prova é uma questão de fé?
E não tenho de me borrar (na verdade, queria dizer outra palavra que começa com “c”) de medo se o MP diz que posso ser condenado por probabilidade (o probabilismo)?
Não tenho que ter medo do Estado quando um de seus agentes (o procurador Pastana) escreve e diz, em parecer, para justificar uma prisão cautelar, que passarinho na gaiola canta melhor ? E depois vem falar mal da instituição dele?
Digam-me se Bretas não está certo em dizer que temos que ter medo a Justiça quando lemos coisas como o manifesto contra a bandidolatria?
Digam-me se não tenho que ter medo quando alguém da Justiça me diz que “não precisa ouvir o que tenho a dizer porque já firmou a convicção”? Hein? Sim, sim, Bretas tem razão.
Não tenho que dar razão a Bretas e ter medo da Justiça quando seus órgãos julgam contra o claro texto da lei?
Não tenho que ter medo quando o Direito é substituído pela moral?
Por outro lado, não tenho que ter medo da própria doutrina jurídica quando processualistas defendem que os tribunais superiores devem fazer ato de vontade e “por” (no melhor sentido positivista da expressão “eu ponho”) precedentes vinculantes?
Alguém dirá: mas, professor, se cumprirmos a Constituição e respeitar as garantias processuais, não conseguiremos “combater o crime”… Temos que relativizar nulidades e permitir provas ilícitas obtidas de “boa-fé”… Respondo: Ah, é isso, então?
Mas, se querem assim, por que não desmanchamos a democracia e partimos para a barbárie?
Mas, não esqueçamos que foi exatamente Hobbes, cujo motor da história era o medo, quem disse que entre civilização e barbárie temos que optar pela civilização e o custo é a lei (a interdição)?
Aliás, antes de Hobbes, quem dizia que devemos temer o soberano e não o amar foi justamente alguém que cunhou a frase que mais medo causa: os fins justificam os meios.
Tenho medo. Bretas tem razão. Conseguiu me convencer.
Bretas é o meu homem do saco preferido. É o caminheiro que me causava tanto medo quando criança.
Se eu fosse réu, teria muito medo, sim. Não da lei e da Constituição. Mas de quem pensa que a Justiça deve provocar medo nos réus.
A propósito: não tenho medo de um Habeas Corpus concedido indevidamente; tenho medo é de um Habeas Corpus negado por motivos morais e políticos.
Ou seja: não tenho medo de uma absolvição se o Estado não conseguiu provas; tenho medo é da condenação de alguém com base no Teorema de Baies ou com base na tese de que “condeno e depois busco o fundamento”.
Enfim: não deveríamos ter medo da Justiça; ele deve(ria) nos proteger do medo.
Se Bretas tem razão — e há fortes elementos que, infelizmente, demonstram que sim — então fracassamos.
Vou estocar comida, então. Antes que o caminhão chegue.
Post scriptum: Em uma palavra final, quero dizer que a entrevista de Bretas não passa daquilo Pierre Bourdieu chamou de violência simbólica. Que por vezes é mais dolorida e malfazeja que a violência física; vai criando um imaginário em que o emissor não age mediante força física; o receptor se engaja e reproduz; é algo como um bullying moral; é uma forma de coerção que se baseia em acordos não conscientes entre as estruturas objetivas e as estruturas mentais.
Nesse sentido, veja-se a violência simbólica exsurgente do artigo do ex-desembargador Aluísio Tadeu Cesar, que, sem ler os autos e tampouco os embargos de declaração respondidos pelo juiz Moro, decreta “verdades” já no primeiro parágrafo de seu artigo que são reproduzidas e que causam danos simbólicos. E reais. Também é violência simbólica o que fez o presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que, sem examinar os autos, disse que a sentença de Moro (caso Lula) era irrepreensível.
E a violência simbólica tem até coadjuvante, como a funcionária do TRF-4 — nada mais, nada menos que a chefe de gabinete da Presidência do TRF, que, em sua página pessoal, pede a prisão de Lula e busca assinaturas de apoio.
Inacreditável? Pois veja abaixo. Sim, não nego o direito de a servidora expressar sua vontade e opinião pessoal. Mas ao assumir esse cargo, alguns ônus se lhe impõe.
Vejam no post que ela “invoca” o TRF-4 no “nome da petição”.
Imaginem nos Estados Unidos alguém do gabinete do presidente de um tribunal torcer (vibrar) e colher assinaturas de apoio à condenação de um réu. E de sua prisão.
Mormente se o réu for ex-presidente da República. Imaginem na Alemanha. Ou na Espanha. Tenho contatos em Burkina Faso — liguei para lá e perguntei: nem lá isso seria admitido. Então:
Isso é que é clima de violência simbólica. Dura e violenta violência simbólica.
Estudei muito isso no mestrado em 1983-4 (fui recepcionado pela Constituição Federal de 1988).
Conceito antigo, práticas atuais.
Assisti a uma aula de Cornelius Castoriadis em 1985. Ele dizia: o gesto do carrasco é real por excelência… e simbólico na sua essência.
O que mais vale (a não ser para quem está perdendo a cabeça no real) é o simbólico que o gesto da cabeça no cesto representa. Bingo.
Por tudo isso tudo, no lugar de Lula, estaria com muito medo. Bretas tem razão.
E o que dizem os juristas brasileiros sobre isso? Também acham que a Justiça deve ser temida?
PS do Viomundo: Isso no dia em que se anuncia que o recurso do ex-presidente Lula “passou na frente” de outros sete da Lava Jato que haviam chegado antes ao TRF-4. Qual a justificativa? “O julgamento dos processos pela ordem cronológica de distribuição no tribunal não é regra absoluta”, explicou o presidente do TRF-4, Carlos Eduardo Thompson Flores, o mesmo que condenou Lula
Aymoré
9 de janeiro de 2018 3:14 amSó no Brasil um imbecil consegue ser desembargador
Antigamente, quando não tinhamos argumentos para criticarmos a qualidade do texto de um escritor, nós dizíamos “não li e não gostei”. Essa frase era considerada a marca registrada da imbecilidade ampla, geral e irrestrita de quem a pronunciava.
No Brasil atual, temos que admitir uma coisa: o desembargador Thompsom Flores inovou com relação à esta frase no contexto do processo de Moro contra Lula ao dizer “NÃO LI, MAS GOSTEI”. Esta frase representa o máximo em termos de destruição da justiça pelo populismo judicial.
NÃO LI, MAS GOSTEI é tão imbecil e ridícula quanto “não li e não gostei”. A diferença é que primeira frase adquire um sentido aterrorizante quando pronunciada por um desembargador. Ou será que NÃO LI , MAS GOSTEI é uma gozação com aqueles contribuintes brasileiro que pagam os salários de vossas excelências e questionam a parcialidade vergonhosa da “justissa” brasileira?
Mas Thompom Flores não está sozinho. A justiça do juiz Marcelo Bretas é tão aterrorizante quanto. Ambos são perigosíssimos!
http://www.viomundo.com.br/denuncias/lenio-streck-a-justica-de-marcelo-bretas-que-toca-terror-e-a-violencia-simbolica-contra-o-ex-presidente-lula.html
alexis
9 de janeiro de 2018 8:21 amNão apenas
Não apenas não há provas, mas também não há crime algum. Lula é acusado de assassinato de um sujeito que está vivo e que nunca saiu do lado do Leo Pinheiro, o delator do assassinato.
Ocorre que, seguindo o conceito do Power point, o Lula é condenado por ter sido Presidente, apenas isso. Tudo “ônus” recai nele, como Supremo mandante do país e líder popular. O que ilustra melhor o preconceito está em imaginar um Power point inverso, em favor do FHC, que possui apartamento em Paris e muitas outras falcatruas, mas que apenas os “bônus” do seu período são imputados a ele. O instituto FHC é cheiroso enquanto o Instituto Lula é corrupto.