4 de junho de 2026

União Europeia suspende compra de pesca brasileira em 2018

Setor movimenta mais de R$ 4 bilhões por ano e gera emprego para cerca de 1 milhão de pessoas no Brasil
 
 
Da Anffa Sindical 
 
Ao suspender compra de pescados brasileiros, UE evidencia fragilidades do sistema de inspeção
 
A União Europeia (UE) anunciou ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) que, a partir de 3 de janeiro, suspenderá a importação de pescados e produtos de pesca de origem brasileira.
 
Em setembro, uma missão veterinária da UE concluiu que mudanças solicitadas em visitas anteriores ainda não tinham sido realizadas. Então, a Comissão do bloco econômico comunicou, nesta semana, que o sistema de controle da produção de pescado brasileiro tem graves falhas e deficiências, especialmente no que se refere à qualidade dos barcos pesqueiros. A suspensão vai atingir em cheio pelo menos 67 empresas e 2 barcos-fábrica que atualmente exportam pescados para a UE.
 
Tais missões são realizadas geralmente a cada cinco anos, e as autoridades brasileiras já tinham sido notificadas das exigências outras vezes, ou seja, não houve nenhuma surpresa. O problema é que as ações corretivas não foram possíveis por causa de uma conjuntura que se mostra grave e é denunciada há tempos pelo Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical): falta pessoal e capacitação na área de inspeção e fiscalização agropecuária no Brasil.
 
De acordo com o presidente da entidade, Maurício Porto, a suspensão por parte da União Europeia deixa claro um problema latente, que pode piorar em breve, caso seja aprovada a terceirização da inspeção de produtos de origem animal. “O que está acontecendo agora com os pescados mostra que a política do governo brasileiro necessita de um rumo diferente do que vem sendo tomado. É preciso valorizar o auditor fiscal federal agropecuário (AFFA), promover novos concursos e dar melhores condições de trabalho”, defende Porto.
 
Ainda de acordo com o Anffa, a situação está agravada com o descaso da Secretaria de Pesca, que já teve status de ministério, pertenceu ao Mapa, ao Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) e agora está para ser transferida para a Presidência da República. “São mudanças que enfraquecem as políticas voltadas para a atividade pesqueira. Vemos tal movimentação com preocupação”, diz o presidente da entidade.
 
Impactos econômicos
 
O continente europeu é um dos principais mercados desse setor e, em 2015, comprou 9 mil toneladas de pescado brasileiro. Em 2016, foram 7 mil toneladas, e a principal espécie é o atum. Em nota, a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) afirmou que o setor movimenta mais de R$ 4 bilhões por ano e gera emprego para cerca de 1 milhão de pessoas.
 
 
 
 

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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4 Comentários
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  1. ze sergio

    26 de dezembro de 2017 7:20 pm

    União….

    Quem sabota Empresas e Economia Brasileiras? Sabemos, a culpa é do Trump !! Mas Empresários Brasileiros, que gastam esforço, competência e milhões produzindo para tentar entrar num mercado tão competitivo, também sabemos, são todos covardes e oportunistas. Não é assim que dita nosso Manual Ideológico anti-capitalista? Empregos jogados no lixo, sabotados pelo seu próprio governo. Uma extensão de ‘Carne Fraca’. Damos a bola, pingando. Mas nossos Comandantes de Brasília, dizem que estamos quase fechando excelentes acordos com União Europeia. Fata apenas um detalhe: ‘Abaixar as calças’. O Brasil é de muito fácil explicação. 

  2. J J Lopez

    26 de dezembro de 2017 9:05 pm

    Uma vez quadrilheiros sempre quadrilheiros

    Essa é uma das características de uma quadrilha. Não se preocupam com coisa séria com os compromissos assumidos. Passam o tempo todo forjando novos planos de roubo ou  tratando de esconder os crimes já cometidos. Para esses caras não há tempo para coisas sérias.

  3. Jofran Oliva

    26 de dezembro de 2017 11:15 pm

    O problema está na mentalidade. . .

    O problema está na mentalidade de alguns empresários do setor de alimentos do Brasil, de carnes e de pescados, que pensam que o consumidor europeu, americano e asiático é do mesmo nível dos brasileiros que nunca reclamam de nada e que a fiscalização desses países é igual à do Brasil, do tipo “faz de conta que estamos fiscalizando”.

  4. alexis

    27 de dezembro de 2017 11:23 am

    Peixe do “Brazil”

    O Brasileiro consume em média 14,4 Kg de peixe por ano, abaixo da media mundial (que é acima de 20 Kg). Ainda, daqueles 14,4 Kg, apenas 2,5 são de peixe nacional (ultima produção anual registrada em 2015: 493.000 t/ peixe no Brasil). Ou seja, quase 12 Kg/ano, equivalente a mais de 2 milhões de toneladas de peixe são importados, principalmente do sudeste asiático e o tal de bacalhau (bicho sem cabeça) que chega dos mares frios do Norte. Assim, este drama da EU deixar de comprar parte da nossa fraca produção não é tão relevante como a equivocada construção do nosso consumo com base em peixe importado.

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