
Jornal GGN – O poeta Ferreira Gullar morreu neste domingo (04), aos 86 anos. O escritor foi internado no Hospital Copa D’Or, na Zona Sul do Rio, por complicações pulmonares, neste sábado, com pneumonia, mas ainda não foi confirmada a causa de sua morte.
Poeta, ensaísta, crítico de arte, dramaturgo, biógrafo e tradutor, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 2014, na cadeira de número 37. Reconhecido por ser um dos fundadores do neoconcretismo, recebeu diversos prêmios.
Nascido em São Luiz, no Maranhão, mudou-se para o Rio de Janeiro nos anos de 1950, quando, junto a Lígia Clark e Hélio Oiticica, criaram o neoconcretismo, que valoriza a expressão e a subjetividade, em contradição ao concretismo ortodoxo. Em 1956, participou da exposição concretista que é reconhecida por ser o marco oficial do início do tipo literário.
Foi exilado na década de 1970, durante a ditadura do regime militar, por integrar o Partido Comunista. Viveu na União Soviética, Argentina e Chile. Com o passaporte cancelado em todas as páginas, exilado na Argentina, Gullar viveu seu apogeu, escrevendo compulsivamente sobre seu passado, suas condições e possibilidade de morte no “Poema Sujo”, em 1975.
De volta ao Brasil em 1977, foi preso durante três dias por agentes do Departamento de Polícia Política e Social do Rio de Janeiro, sendo liberado após a intervenção de amigos junto a autoridades do regime militar.

Gilberto Peressin
4 de dezembro de 2016 4:01 pmFerreira Goulart
Morre um homem que estuprou seu passado.
Sergio Saraiva
4 de dezembro de 2016 4:20 pmUma história de um amor ordinário
“Tornei-me inseguro e assustadiço. Desisti de cometer versos. Não ofenderia os deuses. Não me condenaria ao opróbrio público.
Já ia pelo estudo das primeiras fórmulas de um livro de termodinâmica quando eles apareceram – os preceptores. Sim, eles existem, tanto quanto as musas existem. E as bruxas, também.
O primeiro que chegou se a mim era um senhor extremamente magro, de cabelos todos brancos e grandes óculos. Apresentou-se: Ferreira Gullar. E passou-me um longo poema escrito de um só fôlego, “O poema sujo”.
– Dá uma lida nisso, garoto. O título já era um verso. Rima rica, rima heroica, na circunstância em que foi escrito.
Não podia acreditar: – Isso é o “Canto Geral”!
– É e também não é. É, se esse sentimento for despertado em você. São dois homens diferentes cantando suas mesmas épocas e seus mesmos lugares. Disse-me ele.
– Mas suas palavras são tão simples, comuns. Suas imagens tão cotidianas. São belíssimas e eu não havia ainda percebido sua beleza, apesar de já tê-las visto no meu dia-a-dia tantas vezes. Teu lindo simples é simples e é lindo, mas não é fácil. Conclui.
– Pois é. O simples é simples e você ainda o quer fácil?”.
Extrato de “Uma história de um amor ordinário”.
Quem morreu foi josé Ribamar Ferreira.
Rui Ribeiro
4 de dezembro de 2016 4:27 pmE por falar em Fidel Castro…
Cantada
(Ferreira Gullar)
Você é mais bonita que uma bola prateada
de papel de cigarro
Você é mais bonita que uma poça d’água
límpida
num lugar escondido
Você é mais bonita que uma zebra
que um filhote de onça
que um Boeing 707 em pleno ar
Você é mais bonita que um jardim florido
em frente ao mar em Ipanema
Você é mais bonita que uma refinaria da Petrobrás
de noite
mais bonita que Ursula Andress
que o Palácio da Alvorada
mais bonita que a alvorada
que o mar azul-safira
da República Dominicana
Olha,
você é tão bonita quanto o Rio de Janeiro
em maio
e quase tão bonita
quanto a Revolução Cubana
Antônio Uchoa Neto
4 de dezembro de 2016 4:28 pmQuando eu cursava o segundo
Quando eu cursava o segundo grau, hoje ensino médio, carregava sempre comigo um exemplar de “Dentro da Noite Veloz”, assim como Che Guevara tinha sempre consigo o “Canto Geral”, de Neruda.
Lamento que Gullar, em seus últimos anos, tenha renegado seu passado militante.
Grande poeta.
Genesio Mourag
4 de dezembro de 2016 4:38 pmReconhecido tambem pelo
Reconhecido tambem pelo neogolpismo.
Fernando J.
4 de dezembro de 2016 5:45 pmTrenzinho do caipira e os Irmãos Villas Boas
A última cerveja da semana, 22p0 horas, bar do Ceará, domingo retrasado. O que ainda poderia haver de novidade naquele dia? A melhor, certamente. Da mesa na calçada ouço na TV Ney Matogrosso cantando o Trenzinho do Caipira, do Heitor Villa-Lobos e letra do Ferreira Gullar, parece que é tema de uma novela. Daí vem o melhor, uma menina fala que adora a música, um conhecido aparteia e pagando de conhecedor, diz de boca cheia que a música é daqueles irmãos lá da amazônia. A menina arrisca “Villas Boas?”. Isso mesmo, diz ele, “Villas Boas, e aí o Ney Matogrosso botou a letra”. Não tive coragem de corrigir, respeitei o xaveco. Afinal, deixa de ser chato, Villas Boas e Villa Lobos é tudo Villas, não enche o saco.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=Nq0ZQqFzhx8%5D
GalileoGalilei
4 de dezembro de 2016 5:14 pmPoeta, Vila??
Morre o poeta?
O poeta que concebeu letra para música do Villa…
Eureka!!!
O Poeta do Villa!!!
[video:https://www.youtube.com/watch?v=wWFFSbbBT28 align:center]
jose emilio guedes lages
4 de dezembro de 2016 6:15 pmVai Ferreira
Vai Ferreira, ser gauche elevado a menos um na eternidade
Voce merece!
José Emílio Guedes Lages- Belo Horizonte
Marcelo33
4 de dezembro de 2016 6:16 pmOlavão para a cadeira do
Olavão para a cadeira do Ferreira Gullar, para manter o nível !!!!
Tenho asco de todo e qualquer golpista, não importa se é poeta, político, ou juiz !!!
Pelo menos esse traste morreu antes dos Tucanos assummirem o poder, não morreu completamente feliz !!!
Ferreira Gullar é só mais um traidor da pátria, como tantos antes dele, mas um porco pedante elitista !! A esquerda era linda antes de chegar ao poder,
Diógenes de Sinope
4 de dezembro de 2016 7:03 pmUma parte se vai…
TRADUZIR-SE
Uma parte de mim
é todo mundo;
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera;
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta;
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente;
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem;
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?
Diógenes de Sinope
4 de dezembro de 2016 7:03 pmUma parte se vai…
TRADUZIR-SE
Uma parte de mim
é todo mundo;
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera;
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta;
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente;
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem;
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?
jose emilio guedes lages
4 de dezembro de 2016 7:23 pmvai poeta
Vai poeta Ferreira ser um direitista na eternidade!
Peca ao Fagner para traduzir a sua partida
José Emílio Guedes Lages- Belo Horizonte
José Vicente de Magalhães
4 de dezembro de 2016 7:43 pmNão lembro em que lugar Dante
Não lembro em que lugar Dante colocou os traidores, nem vou agora pesquisar, mas sei que não pretendo ir visitar este senhor. A minha camisa só tem uma cor dos dois lados.
João de Paiva
4 de dezembro de 2016 8:43 pmEle envelheceu ma;l será lembrado pelo reacionarismo crepuscular
Prezados,
Apesar do poeta e intelectual talentoso e do militante político do lado certo e da causa certa durante a juventude e meia idade, Ferreira Gullar envelheceu mal, como tantos outros. Ele será lembrado mais pelo reacionarismo do final da vida do que pela obra da juventude. Pelo reacionarismo e golpismo das duas últimas décadas, não deixará saudades. O mesmo se dará com Hélio Bicudo, hoje com 94 anos de idade. Tão difícil e improvável como ter uma vida longa, lúcida e ativa é manter a coerência e a razão ao longo dela. Imfelizmente é mais fácil encontrar Ferreiras Gullares, Hélios Bicudos e FHCs do que Oscares Niemayer, Barbosas Lima Sobrinhos, Antônios Cândidos e Sobrais Pinto.
sergio nogueira
5 de dezembro de 2016 1:31 pmferreira gullar
junte-se a ele o Fernando Gabeira, cooperador da Globo News, quem diria!
keppel
4 de dezembro de 2016 9:31 pmFERREIRA GULLAR
Agora, seguiu para o exílio celestial, certamente, um exílio mais feliz!
Entretanto, deixa conosco a sua obra e seus versos.
Vá em paz!
Afonso Sá
4 de dezembro de 2016 9:40 pmCretinice
Se não e tornar um descomunal cretino não entra na ABL. A globo não deixa.
Falar nisso: quem banca este feudo reacionário da globo????? Ela mesma, o poder público???!!!
Gilson AS
4 de dezembro de 2016 9:55 pmEsse, coitado, morreu com uma
Esse, coitado, morreu com uma raiva ferrenda do Lula. Isso deve ter feito muito mal a ele.
Talvez se fosse menos raivoso, quem sabe que não poderia viver um pouco mais.
Gustavo José Conde
4 de dezembro de 2016 11:08 pmMinha homenagem paródica a
Minha homenagem paródica a Ferreira Gullar. Do trecho inicial do Poema Sujo, fiz o Poema Limpo.
.
Poema Limpo *
.
curvo curvo
a curva
não do escopo
contra tudo
conjuro
mesmo mesmo
mesmo duro
mesmo que enrole e tudo mesmo que fosse duro: mesmo que impuro
Não duro
mais que o duro:
clave
como mágoa? como gruta? clave mais que clave clave: coisa astuta
e muda
(ou quase)
um nicho que o pluriverso futrica e tem sambado desde as artimanhas
o sul
era o mato
o sul
era o falo
o sul
o chamado
o sul
teu pus
.
* Intervenções fonéticas em esculturas lexicais.
Pedro Augusto
5 de dezembro de 2016 2:09 pmHá muitas noites na
Há muitas noites na noite
http://mundovelhomundonovo.blogspot.com.br/2016/12/ha-muitas-noites-na-noite.html
Paulo P Ribeiro
5 de dezembro de 2016 3:32 pmNão entendo nada de poesia
Não entendo nada de poesia para medir o trabalho do poeta mas como articulista político foi um fascista da pior espécie, que não merece nehum respeito da parte dos brasileiros. Talvez estivesse esclerosados, o que atenua a gravidade de suas opiniões, mas no geral revelou-e um ser desprezível, que logo será esquecido pelos brasileiros.
Paulo P Ribeiro
5 de dezembro de 2016 3:32 pmNão entendo nada de poesia
Não entendo nada de poesia para medir o trabalho do poeta mas como articulista político foi um fascista da pior espécie, que não merece nehum respeito da parte dos brasileiros. Talvez estivesse esclerosados, o que atenua a gravidade de suas opiniões, mas no geral revelou-e um ser desprezível, que logo será esquecido pelos brasileiros.