4 de junho de 2026

Morre poeta Ferreira Gullar aos 86 anos

O poeta Ferreira Gullar morreu aos 86 anos (Crédito: Fernando Frazão/ Agência Brasil)
 
Jornal GGN – O poeta Ferreira Gullar morreu neste domingo (04), aos 86 anos. O escritor foi internado no Hospital Copa D’Or, na Zona Sul do Rio, por complicações pulmonares, neste sábado, com pneumonia, mas ainda não foi confirmada a causa de sua morte.
 
Poeta, ensaísta, crítico de arte, dramaturgo, biógrafo e tradutor, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 2014, na cadeira de número 37. Reconhecido por ser um dos fundadores do neoconcretismo, recebeu diversos prêmios.
 
Nascido em São Luiz, no Maranhão, mudou-se para o Rio de Janeiro nos anos de 1950, quando, junto a Lígia Clark e Hélio Oiticica, criaram o neoconcretismo, que valoriza a expressão e a subjetividade, em contradição ao concretismo ortodoxo. Em 1956, participou da exposição concretista que é reconhecida por ser o marco oficial do início do tipo literário. 
 
Foi exilado na década de 1970, durante a ditadura do regime militar, por integrar o Partido Comunista. Viveu na União Soviética, Argentina e Chile. Com o passaporte cancelado em todas as páginas, exilado na Argentina, Gullar viveu seu apogeu, escrevendo compulsivamente sobre seu passado, suas condições e possibilidade de morte no “Poema Sujo”, em 1975.
 
 
 
De volta ao Brasil em 1977, foi preso durante três dias por agentes do Departamento de Polícia Política e Social do Rio de Janeiro, sendo liberado após a intervenção de amigos junto a autoridades do regime militar.
 

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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22 Comentários
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  1. Gilberto Peressin

    4 de dezembro de 2016 4:01 pm

    Ferreira Goulart

    Morre um homem que estuprou seu passado.

  2. Sergio Saraiva

    4 de dezembro de 2016 4:20 pm

    Uma história de um amor ordinário

    “Tornei-me inseguro e assustadiço. Desisti de cometer versos. Não ofenderia os deuses. Não me condenaria ao opróbrio público.

    Já ia pelo estudo das primeiras fórmulas de um livro de termodinâmica quando eles apareceram – os preceptores. Sim, eles existem, tanto quanto as musas existem. E as bruxas, também.

    O primeiro que chegou se a mim era um senhor extremamente magro, de cabelos todos brancos e grandes óculos. Apresentou-se: Ferreira Gullar. E passou-me um longo poema escrito de um só fôlego, “O poema sujo”.

    – Dá uma lida nisso, garoto. O título já era um verso. Rima rica, rima heroica, na circunstância em que foi escrito.

    Não podia acreditar: – Isso é o “Canto Geral”!

    – É e também não é. É, se esse sentimento for despertado em você. São dois homens diferentes cantando suas mesmas épocas e seus mesmos lugares. Disse-me ele.

    – Mas suas palavras são tão simples, comuns. Suas imagens tão cotidianas. São belíssimas e eu não havia ainda percebido sua beleza, apesar de já tê-las visto no meu dia-a-dia tantas vezes. Teu lindo simples é simples e é lindo, mas não é fácil. Conclui.

    – Pois é. O simples é simples e você ainda o quer fácil?”.

    Extrato de “Uma história de um amor ordinário”.

     

    Quem morreu foi josé Ribamar Ferreira.

  3. Rui Ribeiro

    4 de dezembro de 2016 4:27 pm

    E por falar em Fidel Castro…

    Cantada

    (Ferreira Gullar)

    Você é mais bonita que uma bola prateada
    de papel de cigarro
    Você é mais bonita que uma poça d’água
    límpida
    num lugar escondido
    Você é mais bonita que uma zebra
    que um filhote de onça
    que um Boeing 707 em pleno ar
    Você é mais bonita que um jardim florido
    em frente ao mar em Ipanema
    Você é mais bonita que uma refinaria da Petrobrás
    de noite
    mais bonita que Ursula Andress
    que o Palácio da Alvorada
    mais bonita que a alvorada
    que o mar azul-safira
    da República Dominicana

    Olha,
    você é tão bonita quanto o Rio de Janeiro
    em maio
    e quase tão bonita
    quanto a Revolução Cubana

  4. Antônio Uchoa Neto

    4 de dezembro de 2016 4:28 pm

    Quando eu cursava o segundo
    Quando eu cursava o segundo grau, hoje ensino médio, carregava sempre comigo um exemplar de “Dentro da Noite Veloz”, assim como Che Guevara tinha sempre consigo o “Canto Geral”, de Neruda.
    Lamento que Gullar, em seus últimos anos, tenha renegado seu passado militante.
    Grande poeta.

  5. Genesio Mourag

    4 de dezembro de 2016 4:38 pm

    Reconhecido tambem pelo

    Reconhecido tambem pelo neogolpismo.

  6. Fernando J.

    4 de dezembro de 2016 5:45 pm

    Trenzinho do caipira e os Irmãos Villas Boas

    A última cerveja da semana, 22p0 horas, bar do Ceará, domingo retrasado. O que ainda poderia haver de novidade naquele dia? A melhor, certamente. Da mesa na calçada ouço na TV Ney Matogrosso cantando o Trenzinho do Caipira, do Heitor Villa-Lobos e letra do Ferreira Gullar, parece que é tema de uma novela. Daí vem o melhor, uma menina fala que adora a música, um conhecido aparteia e pagando de conhecedor, diz de boca cheia que a música é daqueles irmãos lá da amazônia. A menina arrisca “Villas Boas?”. Isso mesmo, diz ele, “Villas Boas, e aí o Ney Matogrosso botou a letra”. Não tive coragem de corrigir, respeitei o xaveco. Afinal, deixa de ser chato, Villas Boas e Villa Lobos é tudo Villas, não enche o saco. 

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=Nq0ZQqFzhx8%5D

     

    1. GalileoGalilei

      4 de dezembro de 2016 5:14 pm

      Poeta, Vila??

      Morre o poeta?

      O poeta que concebeu letra para música do Villa…

      Eureka!!!

      O Poeta do Villa!!!

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=wWFFSbbBT28 align:center]

       

  7. jose emilio guedes lages

    4 de dezembro de 2016 6:15 pm

    Vai Ferreira

    Vai  Ferreira, ser  gauche elevado a menos um na eternidade

    Voce merece!

     

    José Emílio Guedes Lages-  Belo Horizonte

  8. Marcelo33

    4 de dezembro de 2016 6:16 pm

    Olavão para a cadeira do

    Olavão para a cadeira do Ferreira Gullar, para manter o nível !!!!

    Tenho asco de todo e qualquer golpista, não importa se é poeta, político, ou juiz !!!

    Pelo menos esse traste morreu antes dos Tucanos assummirem o poder, não morreu completamente feliz !!!

    Ferreira Gullar é só mais um traidor da pátria, como tantos antes dele, mas um porco pedante elitista !! A esquerda era linda antes de chegar ao poder, 

  9. Diógenes de Sinope

    4 de dezembro de 2016 7:03 pm

    Uma parte se vai…

    TRADUZIR-SE

    Uma parte de mim
    é todo mundo;
    outra parte é ninguém:
    fundo sem fundo.

    Uma parte de mim
    é multidão:
    outra parte estranheza
    e solidão.

    Uma parte de mim
    pesa, pondera;
    outra parte
    delira.

    Uma parte de mim
    almoça e janta;
    outra parte
    se espanta.

    Uma parte de mim
    é permanente;
    outra parte
    se sabe de repente.

    Uma parte de mim
    é só vertigem;
    outra parte,
    linguagem.

    Traduzir-se uma parte
    na outra parte
    — que é uma questão
    de vida ou morte —
    será arte?

     

  10. Diógenes de Sinope

    4 de dezembro de 2016 7:03 pm

    Uma parte se vai…

    TRADUZIR-SE

    Uma parte de mim
    é todo mundo;
    outra parte é ninguém:
    fundo sem fundo.

    Uma parte de mim
    é multidão:
    outra parte estranheza
    e solidão.

    Uma parte de mim
    pesa, pondera;
    outra parte
    delira.

    Uma parte de mim
    almoça e janta;
    outra parte
    se espanta.

    Uma parte de mim
    é permanente;
    outra parte
    se sabe de repente.

    Uma parte de mim
    é só vertigem;
    outra parte,
    linguagem.

    Traduzir-se uma parte
    na outra parte
    — que é uma questão
    de vida ou morte —
    será arte?

     

  11. jose emilio guedes lages

    4 de dezembro de 2016 7:23 pm

    vai poeta

    Vai poeta Ferreira ser um direitista na eternidade!

    Peca ao Fagner para traduzir a sua partida

     

    José Emílio Guedes Lages- Belo Horizonte

  12. José Vicente de Magalhães

    4 de dezembro de 2016 7:43 pm

    Não lembro em que lugar Dante

    Não lembro em que lugar Dante colocou os traidores, nem vou agora pesquisar, mas sei que não pretendo ir visitar este senhor. A minha camisa só tem uma cor dos dois lados.

  13. João de Paiva

    4 de dezembro de 2016 8:43 pm

    Ele envelheceu ma;l será lembrado pelo reacionarismo crepuscular

    Prezados,

    Apesar do poeta e intelectual talentoso e do militante político do lado certo e da causa certa durante a juventude e meia idade, Ferreira Gullar envelheceu mal, como tantos outros. Ele será lembrado mais pelo reacionarismo do final da vida do que pela obra da juventude. Pelo reacionarismo e golpismo  das duas últimas décadas, não deixará saudades. O mesmo se dará com Hélio Bicudo, hoje com 94 anos de idade. Tão difícil e improvável como ter uma vida longa, lúcida e ativa é manter a coerência e a razão ao longo dela. Imfelizmente é mais  fácil encontrar Ferreiras Gullares, Hélios Bicudos e FHCs do que Oscares Niemayer, Barbosas Lima Sobrinhos, Antônios Cândidos e Sobrais Pinto.

    1. sergio nogueira

      5 de dezembro de 2016 1:31 pm

      ferreira gullar

      junte-se a ele o Fernando Gabeira,  cooperador da Globo News, quem diria!

  14. keppel

    4 de dezembro de 2016 9:31 pm

    FERREIRA GULLAR

    Agora, seguiu para o exílio celestial, certamente, um exílio mais feliz!

    Entretanto, deixa conosco a sua obra e seus versos.

    Vá em paz!

     

  15. Afonso Sá

    4 de dezembro de 2016 9:40 pm

    Cretinice

    Se não e tornar um descomunal cretino não entra na ABL. A globo não deixa. 

    Falar nisso: quem banca este feudo reacionário da globo????? Ela mesma, o poder público???!!!

  16. Gilson AS

    4 de dezembro de 2016 9:55 pm

    Esse, coitado, morreu com uma

    Esse, coitado, morreu com uma raiva ferrenda do Lula. Isso deve ter feito muito mal a ele.

    Talvez se fosse menos raivoso, quem sabe que não poderia viver um pouco mais.

  17. Gustavo José Conde

    4 de dezembro de 2016 11:08 pm

    Minha homenagem paródica a

    Minha homenagem paródica a Ferreira Gullar. Do trecho inicial do Poema Sujo, fiz o Poema Limpo.
    .
    Poema Limpo *
    .
    curvo curvo
    a curva
    não do escopo
    contra tudo
    conjuro
    mesmo mesmo
    mesmo duro
    mesmo que enrole e tudo mesmo que fosse duro: mesmo que impuro
    Não duro
    mais que o duro:
    clave
    como mágoa? como gruta? clave mais que clave clave: coisa astuta
    e muda
    (ou quase)
    um nicho que o pluriverso futrica e tem sambado desde as artimanhas
    o sul
    era o mato
    o sul
    era o falo
    o sul
    o chamado
    o sul
    teu pus
    .
    * Intervenções fonéticas em esculturas lexicais.

  18. Pedro Augusto

    5 de dezembro de 2016 2:09 pm

    Há muitas noites na

    Há muitas noites na noite

     

    http://mundovelhomundonovo.blogspot.com.br/2016/12/ha-muitas-noites-na-noite.html

     

     

      

     

  19. Paulo P Ribeiro

    5 de dezembro de 2016 3:32 pm

    Não entendo nada de poesia

    Não entendo nada de poesia para medir o trabalho do poeta mas como articulista político foi um fascista da pior espécie, que não merece nehum respeito da parte dos brasileiros. Talvez estivesse esclerosados, o que atenua a gravidade de suas opiniões, mas no geral revelou-e um ser desprezível, que logo será esquecido pelos brasileiros.

  20. Paulo P Ribeiro

    5 de dezembro de 2016 3:32 pm

    Não entendo nada de poesia

    Não entendo nada de poesia para medir o trabalho do poeta mas como articulista político foi um fascista da pior espécie, que não merece nehum respeito da parte dos brasileiros. Talvez estivesse esclerosados, o que atenua a gravidade de suas opiniões, mas no geral revelou-e um ser desprezível, que logo será esquecido pelos brasileiros.

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