14 de junho de 2026

Fascismo: O cerco a Paulo Freire

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Sugestão de Antonio Ateu

no The Intercept

“Escola sem Partido” quer apagar Paulo Freire da Educação Brasileira

por Helena Borges

UM ABAIXO-ASSINADO ONLINE já tem as assinaturas necessárias para que o Senado Federal discuta a retirada do título de patrono da educação brasileira dado ao educador e filósofo Paulo Freire. Segundo o pedido, a filosofia de Freire “ja demonstrou em todas as avaliações internacionais que é um fracasso retumbante”[sic].
A meta inicial era atingir 20 mil assinaturas em quatro meses, número mínimo exigido para que a proposta se torne uma Sugestão Legislativa, a ser debatida pelos senadores membros da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH). Mas em apenas um mês, a ideia já conseguiu mais de 21 mil apoiadores.

Agora caberá aos senadores da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa debater e emitir um parecer sobre o assunto. Caso a comissão a aprove, a sugestão se torna proposição legislativa e é encaminhada à Mesa da Casa para tramitar como um projeto de lei.

Paulo Freire Patrono da Educação Brasileira “Pedagogia do Oprimido” é o único título brasileiro entre os mais requisitados nas listas de leituras de universidades de língua inglesa.

Foto: Divulgação/ Instituto Paulo Freire

A autora da proposta, Steffany Papaiano, é estudante de direito, coordenadora do movimento Direita São Paulo e apoiadora do projeto “Escola Sem Partido”, que endossa a proposta.

Em abril, a convite do deputado Eduardo Bolsonaro (PSC-RJ), Papaiano participou de audiência pública para defender o “Escola sem Partido” na Câmara dos Deputados. Também foi à Assembleia Legislativa de São Paulo no ano passado para fazer lobby pela aprovação do programa no estado — sem sucesso, já que o projeto foi rejeitado.

As contas de Facebook e Twitter de Papaiano foram desativadas. No entanto, graças a seus fãs, é possível verificar na coletânea de tweets, abaixo, o exemplar nível de argumentação usado em debates com figuras públicas: todas as frases terminam com variações da expressão “seu bosta”.

 

Stefanny, conheça Paulo Freire


Paulo Freire Patrono da Educação Brasileira Premiado pela UNESCO, Freire foi alçado a Patrono da Educação Brasileira em 2012. Foto: Divulgação/Instituto Paulo Freire

Premiado pela UNESCO por seu trabalho pela educação brasileira, Freire foi alçado a Patrono da Educação Brasileira em 2012, por meio de lei sancionada pela ex-presidente Dilma Rousseff. O título lhe foi concedido após votação unânime na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, um reflexo de seu reconhecimento tanto por organizações de esquerda quanto de direita.

É o terceiro pensador mais citado atualmente em trabalhos acadêmicos no mundo, segundo levantamento feito pela London School of Economics em 2016. “Pedagogia do Oprimido” é o único título brasileiro a aparecer na lista dos 100 livros mais requisitados nas listas de leituras exigidas pelas universidades de língua inglesa.

Para conhecer melhor a obra de Paulo Freire, clique aqui e tenha acesso ao seu acervo.

À frente de seu tempo

Em um cenário de desmonte da educação pública, de reforma do Ensino Médio e de debates sobre “Escola Sem Partido”, a filosofia de Freire nunca esteve tão atual. Perseguido durante a ditadura, o filósofo via a educação como uma ferramenta de desenvolvimento e não como uma simples transferência de conhecimento.

Os que defendem o projeto de “Escola Sem Partido” alegam que estão preocupados com a capacidade do aluno de desenvolver seu próprio ponto de vista. Se esse fosse de fato o verdadeiro mote do movimento, ninguém iria querer mexer no status de Paulo Freire de patrono da educação já que, para ele, o objetivo do ensino é justamente que cada aluno cresça como um sujeito crítico, construindo sua concepção de mundo compreendendo que não há verdades absolutas, mas sim visões que devem dialogar. O pedagogo defende o diálogo como caminho e o respeito a todas as visões de mundo.

Papaiano pode não saber, mas ao defender que seus pontos de vista — de direita conservadora, como ela deixa claro neste vídeo — sejam respeitados dentro de uma sala de aula, ela está defendendo valores muito presentes na obra de Freire. Independentemente da orientação política de cada um, o que Freire postula é o respeito ao desenvolvimento do sujeito e à construção da sua opinião individual.
 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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15 Comentários
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  1. Maria Luisa

    11 de outubro de 2017 5:23 pm

    O cerco à qualquer mudança

    Infelizmente nesses casos em que envolvem fascistas eles não conhecem e não querem abrir a cabeça para conhecer a obra de um Paulo Freire, por exemplo. Falei com conservadores duros sobre o filme do excelente escritor e realizador hatiano Raoul Peck “O Jovem Karl Marx” e em bloco as respostas foram Marx era um fanatico, não merece atenção, tudo o que produziu ja caiu por terra… Não lêem, não ouvem, não vêem, mas repetem aos brados “seus bostas” e coisas do gênero quando são confrontados com suas [falta] de visão de mundo. 

    Raoul Peck lançou um livro e fez um documentario sobre o poeta, escritor e ativista americano que viveu parte de sua vida na França, James Baldwin, chamado “I am not your Negro”. Esse documentario também deveria ser mais discutido no Brasil. Praticamente não vi nada sobre ele e é muito importante levar a historia dos proprios negros se auto-afirmando e se defedendo de uma cultura dominante, fascista e racista.

    1. Marcos Videira

      12 de outubro de 2017 1:20 am

      Fascismo é violência

      Maria Luisa

      É da essência do fascista não aceitar o diálogo. O fascista nega a alteridade e tenta impor sua concepção pela violência. Veja um item do Manifesto Futurista, elaborado por artistas italianos fascistas:

      Nós queremos glorificar a guerra – única higiene do mundo – o militarismo, o patriotismo, o gesto destruidor dos libertários, as belas idéias pelas quais se morre e o desprezo pela mulher.

      Nós queremos destruir os museus, as bibliotecas, as academia de toda natureza, e combater o moralismo, o feminismo e toda vileza oportunista e utilitária.

  2. Joaocomentarista

    11 de outubro de 2017 6:20 pm

    Qual seria o nome que vão
    Qual seria o nome que vão propor pra substituí-lo? Alex Frot? Gil Mend?

  3. Antonio C.

    11 de outubro de 2017 6:23 pm

    Comentário.

    Ela é limpa, o resto é sujo (“bosta”). Só ler as postagens da cidadã.

    Teve problemas com o peniquinho quando criança.

    Freud explica.

  4. Francisco Vieira

    11 de outubro de 2017 8:03 pm

    A leitura de Pedagogia do

    A leitura de Pedagogia do Oprimido ou de Educação como Prática da Liberdade poderia fazer com que os postulantes da retirada do título à Paulo Freire recuassem de sua intenção. Mas o caso é outro, na verdade estamos diante de uma Novilíngua do establishment, atitude que é comum aos fundamentalistas de todos os matizes. E, hoje, no Brasil, é essa novilíngua que busca a hegemonia da cultura brasileira. A própria expressão “Escola sem partido” é exemplo típico dessa novilíngua, pois não luta contra a doutrinação, faz exatamente o contrário: quer proibir um tipo de expressão de pensamento. Escola sem partido, é o seu contrário: Escola com partido. Assim como a lei do ensino religioso também não quer que as pessoas tenham religião, ao contrário querem pessoas sem subjetividade, de religião sem Deus, descrentes, idiossincráticas, formalistas, adeptas do espírito de seita.

  5. joel lima

    11 de outubro de 2017 8:31 pm

    É trágico. Mas estou na

    É trágico. Mas estou na torcida de que esses malucos consigam isso e tirem o título de Paulo Freire. Assim ficará mais nítido pro mundo o grau de bestialisação que tomou conta dos setores da sociedade que tem alguma voz na mídia ( o povo, infelizmente, esse não tem nem ideia do que realmente está acontecendo ). E continuando nessa toada, não estranharei que num tempo curta se proiba, ainda que informalmente, toda a obra de Freire, enquanto ela é uma das raras obras escritas em português que é bastante lida no meio universitário anglo-saxônico. Você ficará bem na fita se usar obras de um puxa-saco como Chalita, mas será mal visto se usar as obras de Paulo Freire. O fundo do poço não para de ser cavada e estou sentindo um cheiro de gás. E tem um monte de gente louca pra acender o fósfofo 

  6. thewhuela

    12 de outubro de 2017 12:12 am

    De tanta bosta que o c* caiu da b*nda

    Realmente, Paulo Freire não merece ser o patrono e estar associado  a isso que se tornou a educação reaça do Brasil.

  7. Eduardo Pereira

    12 de outubro de 2017 1:19 am

    Miseravel
    Essa Papaiano muito provavelmente é uma infeliz , mal resolvida , essencialmente mal amada , enfim , uma miseravel espiritual !
    Miito provavelmente , se passar por exame serio psiquiatrico , deve até ser portadora de alguma patologia !
    Deve precisar muito desse tipo de agressividade para se sentir viva ou na sua busca desesperada por alguma autoestima !
    Merece a indiferença e a insignificancia dos anões espirituais !
    Releguemos esta aberração da natureza à sua merecida obscuridade , e elevemos nossos mais nobres pensamentos para que essa alma penada e atormentada encontre ” a verdadeira origem da Paz e da Felicidade ” de que tanto necessita !

  8. Nickname.

    12 de outubro de 2017 2:33 am

    há pelo menos 1 incorreção no texto que induz a erro

    https://blogdodijaci.blogspot.com.br/2016/05/pesquisa-inglesa-aponta-o-educador.html

    Há uma mística em torno de Paulo Freire. Há especialistas que divergem de sua contribuição. Vejam-se links que remetem a outros no Wikipedia (a internacional, de preferência, porque a brasileira já encontrei alguns erros de contraponto que se encontram na internacional, mais bem controlada pelos internautas do mundo inteiro). Isto não é negar a importância do autor. Se não for bem compreendido, paciência. Disponho de links de textos de alguns daqueles autores, mas tenho preguiça. Acho que não vale a pena, mesmo. Mas há uma participante que poderia dar ótima contribuição. Não a encontro.

  9. rdmaestri

    12 de outubro de 2017 2:55 am

    Bem são os mesmos que são contra os princípios de Darwin!

    Se querem que o criacionismo seja ensinado na escola ao mesmo nível do que a Evolução, Paulo Freire é uma barbada.

    1. ze sergio

      12 de outubro de 2017 12:59 pm

      bem….

      Parabéns à Democracia. Que Brasileiros ainda não compreendem. Parabéns a esta moça pela iniciativa. “Toda unanimidade é burra”. Tem todo direito de contestar o que quiser. Nossa Ditadura Esquerdopata do Politicamente Correto nos trouxe até esta aberração em 2017. Muito por influência deste Pensador e Ideologia, que se mostraram ao longo das décadas, uma mediocridade fantasiosa. Que levou os países que a adotaram em Ditaduras Criminosas. Democraticamente, esta pessoa tem o direito de contestar o que quiser. E democraticamente, que não concorda, tem o direito de protestar e contestar.  

  10. Fabio !

    12 de outubro de 2017 10:45 am

    E o busto do Alexandre Frota nas escolas ?

    Quando vão começar a inaugurar ?

  11. Marcel Sérgio

    12 de outubro de 2017 12:46 pm

    Olha o vulto que representa a

    Olha o vulto que representa a opinião de uma insignificante. Paulo Freire fez a parte dele e nós educadores precisamos fazer a nossa… temos professores mal formado, mal pagos e sem tempo para preparação de uma simples sequência didática… trabalham com um plano de aula mediocre e com teoria pedagógica, mas a prática…   Os exames de concurso público é decorativo e boa parte das vezes quem tem tempo para estudar passa, mas um professor que nem hora atividade tem, como poderá concorrer

    Ai vem uma idiotinha totalitarista que se aproveita do momento aonde muitos não tem conhecimento da história para saber o que é imposição politica e se diz vanguarda para acabar com os problemas do Brasil… como se fosse fácil!

     

    80& dos professores não estão preparados para uma sala de aula e os melhores estão ficando cansados!

  12. Marco Aurélio Ávila

    13 de outubro de 2017 3:38 am

    Pessoinha infeliz
    Lendo brevemente os comentários dessa menina me parece que a cabeça dela está cheio do que ela escreve… bosta.
    Mas oque há de se esperar num país onde Alexandre Frota opina sobre educação e moral e bons costumes?

  13. Nickname.

    14 de outubro de 2017 3:57 pm

    Quem leu e estudou e debateu Paulo Freire em ambiente adequado?

    Quem leu e estudou e debateu Paulo Freire em ambiente adequado, uma boa universidade, bom professor, colegas interessados e cheios de dúvidas, loucos por certezas?

    Trago a boa e instigante contribuição de uma pessoa participante.

    Está na parte de comentários e é imperdível o diálogo com outros participantes: diálogo.
    https://jornalggn.com.br/noticia/a-importancia-de-paulo-freire-por-lisete-arelaro

    Talvez se aprecie melhor nesses comentários  não se guiando por quem ganhou mais estrelinhas do que o outro. E tem uns gracejos que fazem parte.
    Em seguida, trago 3 links de críticos.

    Obs: Nem crítica é algo absoluta, nem adesão não é, ou não deveriam ser.
    Logo no início disse que acho boa contribuição. Boa não quer dizer que eu concorde totalmente. Se trago é porque gostei e serviu pra minha ignorância, desconhecimento (sou vacinado contra o eficiente “argumento de autoridade”, isto é, um recurso de convencer interlocutor ou público citando alguma obra e/ou autor e/ou personalidade de fama, de prêmios, de admiradores aqui e mundo afora. Os hábeis na arte do convencimento sabem, percebem, intuem que aquele público ou interlocutor ou não conhece, mesmo, ou conhece de ouviu falar, ou conhece superficialmente. Isto é muito mais comum do que podemos detectar.

    Acho o mais importante o primeiro link a seguir.

    http://www.bmartin.cc/dissent/documents/Facundo/Ohliger1.html

    https://www.researchgate.net/publication/264424158_CRITICISM_AND_MEANING_OF_THE_CRITICISM_IN_PAULO_FREIRE_ENGLISH_VERSION

    http://www.newworldencyclopedia.org/entry/Paulo_Freire#Criticism

    Uma observação

    1 -sobre a gratuita, colaborativa Wikipedia. Como já observei noutros assuntos, a versão brasileira às vezes é muito incompleta, ou omissa, ou se alguém colabora com uma nota (que há noutra versão estrangeiria), ooutra pessoa depois logo apaga. Então, é comum só se verem aspectos positivos e até louvações acerca de um tema, de uma personalidade, etc.

    2 -Porém, a nota sumida existia na versão internacional da Wikipedia, honestamente citando, ainda que poucos, críticos a um tema X.

    3 -Infelizmente, a internacional não é tão confiável, mesmo com milhões,,de pessoas mundo todo acessando, pondo correções, acréscimos, mas… também deletando o que contiver algo de crítica (a amostra mais clara é uma determinada corrente filosófica que, na Wikipedia gratuita colaborativa a gente termina de ler concluindo que é a única, sem vírgulas de questionamentos sequer na seção que remete a links externos.

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