Sugerido por robson_lopes
Não é diminuindo o crescimento do Paraguai, o que é de suma importância para a economia do Brasil e toda a região, mas convenhamos, 6 bilhões de dólares a mais no PIB paraguaio já representam um aumento de 15%, quando você é menor, você consegue esses crescimentos gigantescos, a medida que o país vai virando gigante, 4% é um crescimento grandioso, 7% é surreal, e 2% não é algo tão ruim assim.
Num ano definido pelos especialistas como “atípico” para o Paraguai, em 2013, a economia do país se “descolou” da brasileira, à qual tradicionalmente é ligada, e registrou um crescimento muito maior do que o do Brasil.
Segundo relatório do Banco Mundial, o Paraguai teve, no ano passado, o terceiro maior crescimento econômico do mundo: 14,1%. O Brasil, no mesmo período, cresceu 2,2%.
A disparidade chama a atenção, já que o Brasil tem participação estimada entre 19% e 30% no PIB paraguaio, de cerca de US$ 30 bilhões. Gráficos das economias dos dois países mostram que elas costumam ter oscilações semelhantes.
Segundo apurou a BBC Brasil, o “descolamento” está ligado a uma série de fatores, entre os quais a recuperação da economia paraguaia, após um ano de dificuldades, a maior diversificação de suas exportações (tentando diminuir sua dependência do Brasil) e uma maior abertura econômica, que inclui uma legislação tributária definida como “simples” em relação a outros países –incluindo o Brasil.
Mudança de perfil
Com 7 milhões de habitantes, cuja maioria é jovem e fala guarani, além do espanhol e muitas vezes o português, o Paraguai é o sétimo maior exportador de carne e o quarto maior exportador de soja do planeta.
Em 2012, o país teve problemas ao enfrentar a seca, que afetou a produção de soja, e também a febre aftosa. No ano passado, porém, com a recuperação da produção do país, o desempenho foi bem melhor.
“O Paraguai tem uma economia infinitamente menor que a brasileira, e, por isso, os efeitos das commodities são maiores nos seus resultados”, disse um negociador brasileiro que acompanha a economia vizinha.
Mas, além disso, 2013 registrou também uma maior diversificação das exportações do país, que está dando um novo perfil ao vizinho brasileiro.
“Já são exportados produtos com valor agregado, como azeites, para diferentes mercados”, afirmou o economista paraguaio Fernando Masi, do Centro de Análise e Difusão da Energia Paraguaia (Cadep). “Falta muito, mas já temos hoje sinais evidentes de um novo perfil econômico.”
Além disso, o Paraguai tem conseguido exportar para países que, até alguns anos atrás, não tinham tanto destaque na balança comercial.
“Mesmo integrado ao Mercosul, o Paraguai fez a sua parte buscando outros mercados e hoje enviamos soja, carne e produtos industrializados, como plásticos, para a Rússia, o Oriente Médio e a Ásia”, disse o ministro da Fazenda paraguaio, Germán Rojas, falando em português.
Barreiras e legislação
O Paraguai também estaria sendo beneficiado por sua legislação, que permite, como destacou o ministro, a livre circulação de bens e de divisas –em um momento em que barreiras comerciais afetam a circulação de bens e a movimentação financeira em outros países da América Latina.
Além disso, a legislação tributária, apontada como “simples” (no sentido de descomplicada) para os investidores nacionais e estrangeiros, estaria contando a favor.
“O Paraguai tem, neste sentido, maior abertura econômica que os outros países da região. Mas essa maior abertura também significa que ele fica mais vulnerável ao que ocorre no mercado mundial”, diz um estudo do Cadep.
A BBC Brasil apurou que, nos últimos anos, entre setores empresariais e diplomáticos brasileiros e argentinos, existe um reconhecimento de que o Paraguai passou a ser um país mais atraente para investimentos.
“Estamos aplicando leis que atraem os investidores e eles percebem que aqui não há mudanças de regras, além de muita gente querendo emprego e de os salários e os custos de produção serem muito mais baixos que em outros países. E este ano entra em vigor a lei de aliança público-privada (concessão de estradas, portos, entre outros) para o setor privado”, disse Germán Rojas.
‘Dependência’ em queda
Apesar dessas mudanças, a economia paraguaia ainda é vista como bastante atrelada à brasileira.
“Aqui falamos que o Brasil é nosso irmão mais velho. E, claro que sim, que seguimos sendo dependentes da economia brasileira”, disse um assessor do governo paraguaio.
Essa dependência ocorre especialmente pelas chamadas “reexportações”: quando produtos, principalmente eletrônicos, que chegam de países asiáticos ao Paraguai são enviados, legalmente, como se fossem paraguaios, para Ciudad del Este e vendidos, sobretudo, para turistas brasileiros.
Recente estudo do Cadep aponta que as reexportações representam cerca de 40% do que o Paraguai importa e elas terminam se destinando, em grande parte, ao mercado brasileiro.
As reexportações representam quase o mesmo valor que as exportações globais do Paraguai, incluindo carne e soja e excluindo a energia gerada por Itaipu, segundo dados do Banco Central do Paraguai (BCP).
Mas de acordo com o Cadep, as reexportações estão em queda. “Nos anos 1990, as reexportações de produtos estrangeiros chegaram a representar três vezes mais o valor total das exportações de bens originais (soja e carne) do país”, disse Masi. “Hoje, essa proporção representa somente 40%.”
Pobreza
Além disso, apesar dos indícios do surgimento de um novo ambiente empresarial, que tem atraído empresas brasileiras e multinacionais ao Paraguai, a expansão da economia não amenizou problemas que o país enfrenta há anos, como a pobreza e a corrupção.
De acordo com o Índice de Percepção de Corrupção 2013 da Transparência Internacional, o Paraguai é visto como um dos mais corruptos do continente.
No caso da pobreza, o ministro paraguaio reconheceu que é uma luta difícil.
“Ela se mantém igual há anos e queremos intensificar planos de inclusão social e gerar mais empregos a partir da lei de aliança público-privada porque a informalidade é altíssima”, disse.
Em 2011, segundo dados da ONU, 49% da população paraguaia vivia em situação de pobreza.
azzisem
24 de janeiro de 2014 10:05 amQual o impacto disso nos
Qual o impacto disso nos indicadores sociais?
robson_lopes
24 de janeiro de 2014 3:01 pmEvidente que alterações nos
Evidente que alterações nos indicadores sociais não são imediatos, até porque a aplicação da verba de um crescimento de um ano, se dá no seguinte. E você tem planejamento, projetos, obras ou serviços que terão de ser implementados para apresentar alguma alteração nos indicadores sociais.
No entanto, acredito que isso acontecerá, como disse antes, acredito que, se o crescimento for sustentável, o crescimento dos nossos vizinhos será benéfico à economia do Brasil.
Franklin Caetano de Freitas
24 de janeiro de 2014 10:47 amParaguai.
Grande parte dessa soja Paraguaia é produzida por brasileiros. Do ponto de vista social a coisa ainda é muito feia no vizinho, muitos Paraguaios estudão e procuram postos de saúde no Brasil. No MS a muitos Paraguaios morando e hoje a muitos brasileiros morando também no Paraguai, esses possuem lojas e fazendas no vizinho. É possivel perceber uma grande melhora na estrutura hoteleira e comercial do Paraguai. Enfim, é muito bom nosso vizinho estar melhorando.
Evandro Trigueiro Tavares
24 de janeiro de 2014 2:57 pmSeria também interessantes
Seria também interessantes pesquisar quanto desse dinheiro é remetido para o Brasil nas tranferências dos chamados brasiguaios.
Que nossos sócios do Mercosul cresçam, é ótimo. É mais um exemplo de notícia boa transformada em ruim.
Uma dúvida, se alguém puder me responder eu agradeço. O comércio no Paraguai aceita real.
Dudu Cartucho
24 de janeiro de 2014 4:47 pmEm Salto del Guayrá e Ciudad
Em Salto del Guayrá e Ciudad del Este aceitam.
alexis
24 de janeiro de 2014 11:16 amNúmeros flexíveis demais
Pela escala daquela economia e, ainda, pela dependência de poucas atividades significativas, como a energia elétrica de Itaipu (que sobra para eles), a soja e a pecuária, fica difícil estabilizar indicadores corretos de crescimento. Até porque, como um colega fala aqui sobre os indicadores sociais, o PIB extra provavelmente foi dividido entre meia dúzia de pessoas.
Eu tenho um amigo que aumentou 100% o seu PIB. Antes vendia 40 marmitas por dia e hoje vende 80. Fala sério!
Celio Mendes
24 de janeiro de 2014 12:03 pmDescolamento?
Descolamento? Fala sério …
Alexandre Weber - Santos -SP
24 de janeiro de 2014 12:46 pmAcredita nos empresários
Aqui no Brasil empresário bom é os do forum de Davos, todos estrangeiros e sem nenhum comprometimento com o Brasil, assim, largam o Estado para ser rapinado pelos vocacionados ao fracasso e a economia é totalmente desnacionalizada, afinal, brasileiro não presta para ser empresário, pelo menos no Brasil, assim, vamos para o Paraguay.
Acorda, Dilma!
Seu governo começou tudo errado, com o Lula dando uma de malandro otário e achando que ia passar a perna no sistema financeiro.
Deu com os burros n’água e o seu governo continua como começou no primeiro dia, sem norte, sem rumo e sem estrela.
Renuncia e pense nos brasileiros e no Brasil.
janes salete
24 de janeiro de 2014 3:02 pmSem que a população usufrua
Sem que a população usufrua um centavo. Lá, o capitalismo se mostra nu e cru! Horrível.
Obelix
24 de janeiro de 2014 3:51 pmIslândia Guarany?
Prezados e prezadas,
O texto é, como sempre será, um banho de desinformação e cinismo.
Esconde o fator mais relevante: Uma boa parte da “alavancagem” paraguaia teve início quando Lula alterou as condições draconianas do acordo bilateral de Itaipu, reforçando o caixa daquele país.
A visão estratégica de Lula foi achincalhada (como foi na possição com a Bolívia e seu gás natural).
Hoje o resultado é festejado pelos que apedrejaram uma das causas.
De relevante mesmo, só a informação que apesar do salto, a pobreza continua intacta.
O resto são os chavões de sempre: carga tributária, “ambiente” propício, etc, etc, e etc.
Do tipo de informação que não altera em nada as nossas vidas.
Dudu Cartucho
24 de janeiro de 2014 4:51 pmO Paraguai e a Bolívia
O Paraguai e a Bolívia precisam crescer muito acima das demais economias sul americanas, para equiparar o rendimento per capita.