Luis Nassif
Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
Gunter Zibell - SP
23 de janeiro de 2014 2:05 amBrasileiros refugiados somam mais de mil
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/01/1399789-brasileiros-refugiados-somam-mais-de-mil.shtml
PATRÍCIA CAMPOS MELLO
FERNANDO DONASCI
Quando chegou ao centro de acolhida de refugiados em Milão, em 2008, o brasileiro Paulo Pavesi, 46, dividia sua “cela” com um nigeriano e dois paquistaneses.
O nigeriano, que era católico, fugira de seu país após muçulmanos fundamentalistas matarem sua mulher grávida. Foi para a ilha de Lampedusa de barco, com outros africanos. Os paquistaneses eram vítimas de perseguição da Al Qaeda.
Pavesi destoava –era analista de sistemas, de classe média, vindo de um país democrático e de grande tolerância religiosa.
Assim como Pavesi, outros 1.207 brasileiros vivem como refugiados no mundo. Segundo levantamento da Acnur (Agência da ONU para Refugiados), feito a pedido da Folha, os Estados Unidos são o país que abriga o maior número de refugiados brasileiros–679, e outros 110 aguardam a resposta a seu pedido. Em seguida vem o Canadá, com 175 (mais 73 à espera) e a Alemanha, com 163 (3).
A Itália, país escolhido por Pavesi, tem só 12 brasileiros.
O número de refugiados brasileiros é minúsculo se comparado aos de países que passam por graves crises humanitárias ou guerras civis, como Afeganistão (2,5 milhões) e Síria (1,9 milhão).
Mesmo assim, é surpreendente que mais de mil brasileiros vivam com status de refugiado. Segundo a Convenção de Genebra da ONU, enquadram-se nessa condição pessoas que temem, com fundamento, perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade ou opinião política, e que não possam voltar para casa. Parte-se do pressuposto de que o país de origem não tenha condições de proteger a pessoa.
O carioca Aluízio Ribeiro, 49, chegou ao Canadá em 2003. Veio de carro dos EUA. Assim que cruzou a fronteira, pediu refúgio.
Na papelada, Ribeiro contava que sua mulher havia testemunhado um crime cometido por um policial no Rio e que eles eram vítimas de perseguição. “Tínhamos medo de retaliação”, contou.
O tribunal canadense entendeu que seu pedido era legítimo e concedeu a Ribeiro, sua mulher e duas filhas o status de refugiados.
Eles ganhavam US$ 1.600 (R$ 3.700) mensais do governo canadense, casa mobiliada e advogado de graça. A única obrigação era estudar inglês. “Você pode chegar com US$ 1 que você não morre de fome”, conta Ribeiro.
EDitoria de Arte/Folhapress
Com o tempo, eles se estabeleceram na cidade de Niagara Falls, em Ontário.
Hoje Aluízio é cidadão canadense e tem uma empresa de limpeza que emprega 60 funcionários. Dirige uma BMW e vai para o Brasil três vezes por ano.”O sistema de saúde é bom e é grátis, e aqui não tem violência.”
Ele afirma que agora está bem mais difícil para os brasileiros conseguirem refúgio. “Todos os brasileiros que entraram como refugiados na minha época diziam que estavam fugindo de violência –em alguns casos, era verdade, mas alguns inventavam.”
Sérgio Santana, 47, foi um que inventou –mas sua história não colou.
“Estava mal de dinheiro, um amigo meu disse que era fácil conseguir refúgio. Inventei uma história de que tinha me envolvido em um acidente de carro em que uma pessoa morreu e que por isso estava sendo perseguido”, disse. “Mas eles descobriram que era mentira.”
Após ter o pedido negado, ele ainda ficou um tempo no Canadá estudando inglês. Depois voltou ao Brasil e hoje mora em Cabo Frio (RJ), onde trabalha numa barbearia.
Segundo Kristina Gasson, advogada especializada em refúgio nos EUA, os principais motivos apresentados pelos brasileiros são violência policial, ameaça de traficantes de drogas, discriminação racial (sofrida por negros) e ameaças a ativistas ambientais da Amazônia.
“Mas está cada vez mais difícil um brasileiro conseguir refúgio aqui; o Brasil está em ascensão, vai sediar a Copa, é duro provar que não consegue proteger seus cidadãos.”
Gunter Zibell - SP
23 de janeiro de 2014 2:06 amSocialite russa posa para foto sentada sobre manequim de mulher
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/33558/socialite+russa+posa+para+foto+sentada+sobre+manequim+de+mulher+negra.shtml
Socialite russa posa para foto sentada sobre manequim de mulher negra
Dasha Zhukova usou a “cadeira” durante entrevista; imagem foi criticada e a socialite, acusada de racismoA fotografia de uma socialite russa publicada em um site de moda do país despertou a ira de usuários de internet ao redor do mundo nas últimas horas. Para ilustrar o texto de uma entrevista concedida ao blog Buro 24/7, Dasha Zhukova, nome conhecido no meio artístico internacional, aparece tranquliamente sentada sobre o manequim de uma mulher negra, disposto e contorcido de forma a simular uma cadeira.
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Reprodução/FashionBombDaily

Fotografia original: Por conta do ensaio, a publicação russa recebeu uma enxurrada de críticas na internet denunciado o racismo
Internautas de diversas redes sociais protestaram contra a publicação da foto, recheada de elementos racistas. Na imagem, o manequim da mulher negra aparece nu, com as pernas contorcidas sobre o tronco para servir de assento; calçando longas botas de salto e cano alto para servir de encosto. Nesse cenário, Zhukova, que é dona de uma galeria de arte, posa para a fotografia: sentada sobre o manequim, apoiando seu corpo contra as botas do manequim da moça negra.
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Após a polêmica, o site Buro 24/7 disse ser “categoricamente” contra a noção de racismo, opressão e humilhação de pessoas em qualquer forma. “Vemos essa cadeira estritamente em um contexto artístico. Pedimos desculpas a todos os nosso leitores que ficaram ofendidos com a fotografia”, afirmou um representante do site russo.
Reprodução/Buro 24/7
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Após as críticas, o site Buro 24/7 cortou a imagem, omitindo da foto o manequim da mulher negra
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Contribuiu para aumentar o clamor contra a publicação o fato de que na última segunda-feira (20/01), os EUA celebravam o feriado anual em homenagem a Martin Luther King, símbolo da luta contra o racismo e pelos direitos civis no país.
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A fotografia foi amplamente condenada por blogueiros de moda e tuiteiros, fazendo com que o site “cortasse” a imagem, de forma a omitir da cena o manequim da mulher negra. A foto também foi removida da conta no Instagram de Miroslava Duma, jornalista de moda e dona da revista que publicou a foto.
A foto polêmica faz referência a um ensaio fotográfico famoso de 1969, no qual manequins — de mulheres brancas, diga-se de passagem — servem de suporte para cadeiras e mesas.
Reprodução/FashionBombDaily

Foto polêmica foi inspirada em ensaio artístico famoso de 1969 — detalhe, com mulheres brancas
Gunter Zibell - SP
23 de janeiro de 2014 2:08 amO preconceito vive
http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/walcyr-carrasco/noticia/2014/01/o-preconceito-bviveb.html
Um restaurante que discrimina uma pessoa negra e sozinha deveria perder o alvará para funcionar
WALCYR CARRASCO Em meio a tantas ONGs, grupos que vigiam cada frase da novela, tenho refletido sobre como o preconceito sobrevive, intenso, no cotidiano. Hoje mesmo fui surpreendido com um texto do escritor Aguinaldo Silva em seu blog. É público e notório que Aguinaldo e eu não somos os melhores amigos. Mas fiquei chocado com a situação que ele viveu. Aguinaldo foi a um restaurante em Petrópolis, da cervejaria Bohemia. Primeira situação de preconceito: não queriam arrumar mesa para alguém sozinho. É fato. Pessoas sozinhas sofrem preconceito em restaurante. Muitas vezes, nos japoneses, já me quiseram sentar no balcão. Como se o solitário não tivesse direito a ocupar uma mesa. Existe preconceito contra a solidão? Existe sim. Uma das primeiras perguntas sempre feitas a alguém que se separou é:
– Mas você está com alguém?
Há uma cobrança contínua de que a pessoa tenha alguém. Mesmo em novelas, atores que não terminam com um par romântico sofrem, como se o papel não tivesse valido a pena. Uma pessoa sozinha num restaurante é observada, encarada, como se tivesse algo errado. Aguinaldo conseguiu sua mesa, improvisada numa área que não era responsabilidade de nenhum garçom. Portanto, ninguém o atendia. Óbvio, não o tinham reconhecido como Aguinaldo Silva, o grande autor de novelas. Aguinaldo é negro. Os garçons o trataram como um cliente de terceira categoria. Reclamou. Quando conseguiu pedir, o garçom, ao trazer o picadinho, espirrou no prato, enquanto seus colegas riam. Segundo o próprio Aguinaldo, ele comeu o picadinho com espirro e tudo. Eu jamais teria feito isso. Talvez atirasse o prato na cara do garçom, e terminássemos na polícia. Mas eu sou branco, não estou acostumado a conviver continuamente com situações de preconceito. Deve ser muito mais difícil para alguém que ao longo de uma vida toda é massacrado por olhares, atitudes, desrespeitos. A não ser quando o reconhecem como o grande autor que ele é.
Eu já vivi situações de preconceito sim, pela pobreza, durante boa parte da minha vida. Às vezes economizava para comprar uma camisa bacana. Entrava na loja do shopping, a vendedora me olhava de alto a baixo, respondia com voz gélida e má vontade. Desprezo absoluto. Uma conhecida, diretora de uma faculdade, é gorda. Veste-se com calças apertadas, camisetas soltas. Ia para o aeroporto. A alça da bolsa arrebentou. Parou no shopping, entrou numa loja e apontou uma bolsa, perguntando o preço. A vendedora:
– Olha, a senhora não tem condições de comprar essa bolsa.
Minha amiga é rica. Chamou a gerente, fez um barulho. Mas existe preconceito contra gordo, contra quem não é elegante e, principalmente, contra negros e quem é ou parece pobre.
É tão internalizado que às vezes a pessoa nem percebe. Tenho um amigo cujo filho é negro. É apaixonado pelo menino e ótimo pai. Se dá bem com a ex, negra. Em conversa, ele não entendia por que eu acho que a existência de um elevador social e outro de serviço é preconceito.
– Se um médico vai dar consulta no apartamento de alguém, não pega o elevador de serviço. Ele é usado para discriminar os de aparência pobre ou negros. – Insisti. – O que impede a empregada do vizinho de subir no mesmo elevador que eu?
Meu amigo não havia pensado no assunto. Fui adiante.
– E o banheiro de empregada? Por que a empregada não pode usar o mesmo que o patrão?
O elevador de serviço e o banheiro de empregada estão tão banalizados no cotidiano que não se pensa no preconceito embutido em sua simples existência. É a discriminação, incorporada pelas imobiliárias.
Tenho um grande amigo, Júlio, filósofo, de meia-idade. É negro. Várias vezes, quando desce sua rua, próxima à Augusta, em São Paulo, nota que ela está deserta. Se há um casal mais adiante, ao vê-lo instintivamente a dupla atravessa para a outra calçada. O preconceito também funciona ao contrário: num recente assalto num prédio de luxo em São Paulo, um casal bem vestido apresentou-se na portaria. Imediatamente, abriram os portões. Foi a senha para depenarem o prédio todo. Em meu prédio, no Rio de Janeiro, várias pessoas entram sem ser anunciadas por estarem bem vestidas. É o preconceito na contramão.
Já fui contra a política de cotas para negros no trabalho. Hoje sou a favor. E também sou a favor de penalidades severas contra quem demonstra preconceito. Um restaurante que discrimina uma pessoa negra e sozinha simplesmente deveria perder o alvará para funcionar.
Gunter Zibell - SP
23 de janeiro de 2014 2:09 amPara ministra, violência só cairá com fim das megaprisões
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/01/140122_maria_do_rosario_entrevista_fim_megapresidios_mdb_lgb.shtml
Em entrevista à BBC Brasil, Maria do Rosário defendeu fim de megapresídios
Diante da divulgação de um relatório que acusa o Brasil de violações de direitos humanos, especialmente em matéria de segurança, a ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, reconheceu os maus tratos ocorridos no país e afirmou ser preciso acabar com os megapresídios, como o de Pedrinhas.
“Para lidar com a questão da segurança no Brasil é preciso trabalharmos em uma outra lógica, pois já ficou claro que o encarceramento massivo não tem provocado a diminuição dos crimes”, disse a ministra, em entrevista à BBC Brasil, horas após a ONG Human Rights Watch ter divulgado seu balanço anual sobre a situação dos direitos humanos em cada país.
PedrinhasNo relatório, a Human Rights Watch diz que a impunidade impede avanços do Brasil como uma democracia “influente”. Além disso, também critica duramente a ação da polícia e a situação das penitenciárias.
Segundo ela, casos como o do Complexo de Pedrinhas, no Maranhão – onde foram registradas mais de 60 mortes em 2013 – revelam a inviabilidade das grandes unidades prisionais.
“Esses complexos amplos não são aceitáveis. Reverter a existência [desses complexos] é uma meta importante do país. Já temos diretrizes para investir na descentralização e na construção de unidades menores, afirmou Maria do Rosário, dizendo que tais presídios podem fortalecer grupos criminosos, além de impedir a ressocialização.
“A lei prevê que os apenados cumpram suas penas próximos à família, o que é fundamental para a recuperação de alguém que cometeu um crime. Portanto, as grandes unidades afastam os apenados e penalizam suas próprias famílias.”
CliqueLeia mais: Impunidade impede avanços de Brasil como ‘democracia influente’, diz ONG
Presos provisórios
Caso Kaique
No dia 11 de janeiro, o adolescente Kaique Augusto Batista dos Santos, de 17 anos, foi encontrado morto sob um viaduto no Centro de São Paulo.
Familiares e amigos disseram, primeiramente, que ele havia sido morto porque era homossexual. Rapidamente, o caso gerou repercussão uma vez que a Polícia Civil de São Paulo, responsável pelas investigações, afirmou se tratar de suicídio.
Após a divulgação do boletim de ocorrência com a hipótese de suicídio, a Secretaria de Direitos Humanos soltou um comunicado em que demonstrava solidariedade à família da vítima e condenava o “assassinato brutal” de Kaique.
Na nota, o órgão também afirmou que havia designado um servidor para acompanhar pessoalmente o caso.
Na última terça-feira, no entanto, a mãe do adolescente reconheceu que o filho havia se suicidado.
Questionada pela reportagem da BBC Brasil sobre o posicionamento inicial da Secretaria, a ministra Maria do Rosário afirmou que “lançamos uma nota dura e firme porque é nossa missão enfrentar toda violência, mas especialmente os crimes de ódio e intolerância”.
“Agora, houve uma mudança…Nossa nota foi baseada no posicionamento da família, que pediu apoio à Secretaria. Mas hoje [terça-feira] a família mudou os aspectos da sua percepção. É uma família que também é vítima.”
“E a Secretaria pede às autoridades de São Paulo que esgotem todas as possibilidades sobre o caso”, finalizou.
Para lidar com a superlotação nos presídios como o de Pedrinhas, a ministra destacou a aprovação pelo governo de um regime diferenciado para a construção de novas prisões.
“Diante do rigor da legislação brasileira na contratação de serviços de construção, estamos constituindo procedimentos mais ágeis para que os Estados possam fazer as construções necessárias para lidar com a superpopulação”, afirmou ela à BBC Brasil.
No entanto, para Maria do Rosário, pouco adianta a criação de novos presídios se não for assegurado aos presos o cumprimento das regras de direito à defesa e a um julgamento justo.
“Mais de 200 mil presos no Brasil estão em situação provisória. Não bastam mutirões carcerários. É preciso rever o processo de encarceramento maciço sem que garantias processuais fossem fornecidas a esses presos.”
A ministra também cobrou posições mais efetivas do Judiciário e do Legislativo. “Esses órgãos lidam com leis que buscam endurecer a responsabilidade penal e que não buscam fazer cumprir as diretrizes de execução da pena baseado em direitos humanos.
No caso específico da situação carcerária do Maranhão, Maria do Rosário não quis comentar possíveis atritos entre a sua pasta e a governadora Roseana Sarney, ressaltando a importância da formação de um comitê conjunto – entre Ministério da Justiça e governo maranhense – para lidar com a crise no Estado.
Avanços
Maria do Rosário reconheceu violações de direitos humanos
O relatório destaca diversos avanços entre os temas de direitos humanos no Brasil. Um deles é indiciamento dos policiais envolvidos na morte do pedreiro Amarildo, no Rio de Janeiro.
Para a ministra, esse é um bom exemplo de como o Brasil está começando a reverter o quadro de impunidade entre as forças de segurança – um dos pontos mais criticados pela ONG.
“Há outros muitos indicativos positivos na política brasileira, como o enfrentamento ao trabalho escravo, à violência, inclusão social para a econômica.”
Maria do Rosário rebateu ainda a crítica feita pela ONG dizendo que seria contraditório o Brasil querer assumir um papel de liderança nos debates internacionais de direitos humanos, enquanto não consegue resolver problemas sistemáticos.
Além dos aspectos positivos que citados no documento, a ministra destacou um outro trunfo do Brasil: “Mesmo nos aspectos que ainda há violações dos direitos humanos, não vamos negá-los nem deixar de enfrentá-los.”
Gunter Zibell - SP
23 de janeiro de 2014 2:10 amA piada que não ofende
http://blogs.estadao.com.br/daniel-martins-de-barros/a-piada-que-nao-ofende/
Mês sim, mês não, alguém tenta processar um comediante por conta de piadas que considerouofensivas. Tenho visto várias manifestações sobre o tema, de gente que acha que tudo pode até gente favorável a censuras. Como escrevi antes, em grande parte das vezes o maior o problema não é o tema – o problema é que as piadas são sem graça. Do que tenho visto, a maior parte das contestações (quase todas) atingiu piadas fracas. Talvez isso aconteça porque quando a coisa é engraçada para valer fica chato entrar com um processo. Pega mal.
De qualquer modo, vale a pena conhecer alguns estudos sobre o humor e ofensa. Sim, a graça – ou falta dela – é tópico de estudos acadêmicos mundo afora, e uma das teorias mais influentes hoje em dia é que achamos divertido aquilo que representa uma “violação benigna”. O material tem que ser ofensivo em algum nível para ser fazer rir, mas numa intensidade equidistante entre a agressão e o bom mocismo. Encontrar esse distanciamento ideal – que pode ser geográfico (desgraças longe agridem menos), psicológico (se não nos toca diretamente é mais raro se ofender) ou temporal (se faz tempo que aconteceu, já dá para rir) – seria o real talento dos humoristas.
Um estudo recente que discutimos na Coluna Ideias no Ar, da Rádio Estadão, conseguiu desenhar o arco temporal de piadas feitas com o furacão Sandy, que atingiu os EUA e Caribe em 2012. Os pesquisadores pediram que pessoas avaliassem piadas feitas antes de o furacão chegar, assim que ele passou e ao longo dos meses seguintes. Na opinião dos voluntários as piadas foram sendo consideradas mais engraçadas à medida que o Sandy se aproximava, perderam a graça imediatamente após os estragos serem conhecidos, voltaram a fazer rir com o passar das semanas, atingindo as melhores avaliações 36 dias após a tragédia, perdendo de vez o apelo a partir daí até ficarem sem sentido cerca de 100 dias depois do incidente.
De acordo com a teoria das violações benignas, antes da tragédia havia clara ameaça, mas por ainda ser potencial era engraçado falar disso. Assim que as notícias mostraram as consequências do furacão a violação se tornava muito intensa, minando parte da graça. Com o passar do tempo a redução na sensação de violação primeiro fazia as piadas retomarem o apelo, para em seguida caírem no esquecimento, dada a grande distância temporal do evento.
Não sou a favor de censura – cada um que fale o que quer e responda por isso. Mas se o sujeito quer fazer piada com negros ou com homossexuais, por exemplo, que sofrem discriminação exatamente pela característica da qual se pretende zombar, o potencial ofensivo é grande, ficando mais difícil aliviar a “violação” com algum distanciamento para torná-la “benigna”. É muito fácil em certos temas escorregar para a ofensa pura. E só ofender, alguns comediantes precisariam perceber, não tem graça.
Gunter Zibell - SP
23 de janeiro de 2014 2:11 amAlemanha leva o islã à escola
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2014/01/1399469-alemanha-leva-o-isla-a-escola.shtml
ALISON SMALE
DO “NEW YORK TIMES”
FRANKFURT – Pela primeira vez, as escolas públicas da Alemanha estão oferecendo aulas sobre o islamismo para alunos do ensino primário, numa tentativa das autoridades de melhorar a integração da grande minoria muçulmana do país e conter a crescente influência do pensamento religioso radical.
As aulas oferecidas no Estado de Hesse são parte de um crescente consenso de que a Alemanha, após décadas de negligência, terá de fazer mais para atender à sua população muçulmana se quiser fomentar a harmonia social, superar o processo de envelhecimento populacional e afastar uma potencial ameaça à segurança interna.
A necessidade, dizem muitos aqui, é mais urgente do que nunca. De acordo com autoridades do setor de segurança e reportagens na imprensa alemã, pelo menos dois jovens alemães em Hesse foram mortos recentemente na Síria depois de atenderem ao chamado da jihad e terem sido aparentemente recrutados por pregadores radicais salafistas em Frankfurt.
Gordon Welters/The New York Times
Professores mostram ensinamentos de tolerância e aceitação do islamismo
Tais casos acionaram o alarme não só pelo fato de alguns jovens alemães serem vulneráveis ao recrutamento, mas também por eles poderem depois trazer a luta para seu país de origem. Outras partes da Europa com minorias muçulmanas em expansão estão enfrentando desafios similares de integração.
Uma resposta, esperam os funcionários de Hesse, está sendo posta em prática na escola. Ao oferecerem uma introdução básica ao islamismo para jovens muçulmanos logo na primeira etapa da escolarização, enfatizando seus ensinamentos sobre tolerância e aceitação, as autoridades esperam manter os jovens afastados do extremismo, ao mesmo tempo em que sinalizam a aceitação de sua fé pelo Estado.
Em uma sala de aula, Timur Kumlu pedia recentemente que cada um de seus 19 alunos de seis anos de idade pegasse o fio de um novelo de lã. Ele então orientou as crianças -cujos pais vieram de países muçulmanos tão diferentes como Afeganistão, Albânia, Marrocos e Turquia- a examinarem como, do mesmo modo que os fios, elas também estavam entrelaçadas.
“Agora estamos todos unidos -vocês vêm de diferentes países, e os seus pais também”, disse Kumlu, que lembrou às crianças que elas nasceram na Alemanha. “Nós precisamos educar de modo que elas desenvolvam uma personalidade com raízes comuns, na Alemanha e no islã”, disse ele.
Décadas de exclusão em relação àquilo que é considerado o padrão no país fizeram com que muitos muçulmanos da Alemanha aprendessem sua fé por meio do ensino mecânico nas escolas corânicas, de reflexões de tendência radical na internet ou no pátio de mesquitas em bairros de imigrantes nas grandes cidades, como Hamburgo e Berlim.
“Acho que está claro agora que, por muitos anos, nós cometemos o erro de alienar as pessoas”, disse Nicola Beer, que, como ministra da Educação de Hesse, pressionou pela instrução islâmica. Agora, disse ela, os alemães reconhecem que “nós estamos aqui juntos, nós trabalhamos juntos e nós educamos nossos filhos juntos”.
Fazil Altin, 34, advogado que preside a Federação Islâmica, disse que os muçulmanos e as autoridades de Berlim desperdiçaram 20 anos em batalhas judiciais sobre se o islamismo poderia ou não ser ensinado. Então, afirmou Altin, a federação aprovou uma aula semanal de 40 minutos, o que ele definiu como “irrisório”.
A seu ver, será preciso mais do que educação formal do Estado sobre o islamismo para superar as discrepâncias culturais. “É difícil ser muçulmano na Alemanha”, disse Altin. “O fato é que somos vistos como um perigo.”
Sabine Achour, educadora alemã em Berlim, casada com um advogado marroquino, expressou dúvidas sobre a disposição dos alemães em chegar a um meio-termo com os muçulmanos. “Os professores daqui têm a sensação de que o islã e a democracia não se encaixam. Mesmo nas situações em que a lei islâmica, a “sharia”, se enquadra nas práticas alemãs, ela não é aplicada.”
Kumlu, 31, disse ter sido motivado por sua ignorância sobre o islamismo quando, sendo mais novo, se deparava com o preconceito. Seus alunos agora são da terceira a quinta gerações de alemães, afirmou, “e eles deveriam estar em pé de igualdade com outras religiões”.
Gunter Zibell - SP
23 de janeiro de 2014 2:12 amEx-gerente de clube gay de Moscou pede asilo nos Estados Unidos
http://paroutudo.com/2014/01/12/gerente-de-boate-gay-de-moscou-pede-asilo-nos-estados-unidos/
Assustado com as manifestações homofóbicas em seu país, a Rússia, o ex-gerente de uma boate gay de Moscou decidiu pedir asilo nos Estados Unidos.
“Eu não vou voltar para a Rússia, porque eu sinto que minha segurança, até a minha vida, estão ameaçadas”, disse Arkady Gyngazov (foto abaixo) ao jornal “Washington Blade”.
O clube em que Gyngazov trabalhava, Central Station, passou por dois momentos críticos em novembro. Barrados pela segurança do local, dois homens que estavam aparentemente alterados começaram a atirar na porta do clube. Felizmente, ninguém ficou ferido.
Apenas uma semana depois, o local teve de ser evacuado após um gás venenoso ter sido espalhado pelo clube. Cerca de 500 pessoas estavam presentes e algumas foram mandadas ao hospital com sintomas de intoxicação.
Em seu Facebook, o ex-gerente publicou a cópia de uma carta enviada ao presidente do país, Vladimir Putin, acusando-o de aumentar a intolerância aos LGBT com a aprovação da lei que pune “propaganda gay” em frente a menores de idade em meados de 2013.
Gunter Zibell - SP
23 de janeiro de 2014 2:13 amGestão Dilma é a pior da história para o meio ambiente
http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/01/1399512-governo-dilma-e-o-pior-da-historia-para-o-meio-ambiente-diz-ambientalista.shtml
Gestão Dilma é a pior da história para o meio ambiente, diz ambientalista
RICARDO MENDONÇA
O geógrafo Mario Mantovani trabalha há cerca de dez anos como uma espécie de “lobista da natureza” no Congresso Nacional.
Diretor de políticas públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, ele tenta influenciar os projetos relacionados ao tema e coordena informalmente a chamada Frente Parlamentar Ambientalista, fórum com adesão de 187 dos atuais congressistas para debater assuntos da área em reuniões semanais.
Militante da causa desde 1973, conhecido como um dos mais ativos ambientalistas do país, Mantovani não parece medir palavras para expor suas opiniões.
Diz, por exemplo, que a presidente Dilma Rousseff faz o “pior governo da história” para o meio ambiente. Que a aliada Marina Silva não deveria ter ido para o PSB. Ou que o melhor parceiro dos ambientalistas em Brasília é o deputado Zequinha Sarney, filho do ex-presidente que ostenta alta rejeição fora do Maranhão.
Nesta entrevista ele discorre sobre alguns dos principais problemas ambientais do país e conta que, a exemplo do que já fizeram os fazendeiros, os ambientalistas também irão sentar com todos os candidatos à presidência para listar suas reivindicações. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi o primeiro deles.
Raquel Cunha/Folhapress
Mario Mantovani, diretor da Fundação SOS Mata Atlântica, é um dos mais ativos ambientalistas do país
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Folha – O ex-ministro Roberto Rodrigues (Agricultura) disse o assédio dos candidatos à turma do agronegócio nunca foi tão forte e antecipado. O que achou?
Mario Mantovani – É verdade. Acho que o Roberto tem toda a razão quando fala do volume econômico. A situação do Brasil não é boa, a indústria está ruim. Hoje, o que está bombando são as obras públicas, Copa do Mundo e esses eventos, e a indústria da construção. Mas é coisa que circula aqui dentro, o Brasil não faz caixa. E o que a gente viu agora foi que esse dinheiro do agronegócio realmente cresceu muito também. O Brasil está cada vez melhor no agronegócio. E é muito bom isso. Onde está o problema? É que isso é uma commodity. A decisão não é aqui. O valor da commodity é decidido na Bolsa de Chicago, em Nova York. Eles já ficam com o radar ligado, olhando o clima, tudo. E isso cria impacto para todo lugar.
Mas e a política?
Quem está fazendo política em Brasília, como eu faço, vê que não é assim. Esse setor [agrícola] é o que mais tem voto de cabresto ainda. É o que vive especificamente de seus currais eleitorais. É o político de Ribeirão Preto que mantém lá todo um grupo ligado a ele, as cooperativas, tudo isso. Esse pessoal sempre esteve ligado à política partidária. Mas antes era cada feudo para o seu lado. Dessa vez o governo está vendo [o agronegócio] como uma grande força. Vem da luta em torno das mudanças do Código Florestal. Eles [os fazendeiros] se mostraram muito mais eficientes para fazer política do que se mostravam antigamente.
Como foi essa virada?
Os ruralistas acharam um governo que aceitou a chantagem. Até então, essa chantagem se repetia: “Se vocês não fizerem tal coisa, não vai ter comida”, diziam. “Se não fizerem isso, o Brasil vai ficar nos rincões”. Mas o governo não entrava nisso. O governo dizia: “pare de encher o saco, quem está bancando vocês sou eu.”
Com crédito?
Com crédito agrícola. Que nunca foi tão alto como agora. R$ 150 bilhões hoje.
E quando mudou?
Quando o governo precisou refazer essa base eleitoral. Nós tivemos uma baita crise com a base, que foi o mensalão. Qual é o setor mais suscetível e que mais precisa do governo para funcionar? É o setor agrícola. Se não tiver o crédito, não vai para frente. Eles têm direito a isso [ao crédito]. Só que no Brasil não funciona assim, com direitos. Funciona com quem é mais próximo do poder, aí tem menos burocracia. Como o mensalão quebrou as pernas do governo –repare que na base do mensalão não tinha ninguém do meio agrícola, era tudo gente das regiões metropolitanas–, o governo, para refazer a base, buscou os ruralistas. Até então eles não tinham expressão nenhuma. A gente entrou com esses caras em muitas brigas, inclusive sobre o Código Florestal, e eles nunca levaram. Fizemos o Mais Ambiente (programa de cadastro rural), a Lei da Mata Atlântica, a Lei dos Crimes Ambientais, a Lei das Águas e outras. Com alguns deles votando com a gente, inclusive. Mas com a crise do mensalão, quando o governo buscou uma nova frente de apoio, aí começaram as negociações. E aí eles descobriram que poderiam ir avançando.
Dê um exemplo desse avanço. Como é na prática?
Ocorreu no Código Florestal. Eu participei de cada detalhe da tramitação. Então cada vez eles colocavam um bode na sala. “Nós queremos que acabe com a função social da terra”. Não dava, o PT não poderia trair assim. “Então exigimos meia função social da terra”, diziam. Aí o PT foi fazendo, fazendo, cedendo. E teve o papel do neocomunista Aldo Rebelo (deputado do PC do B-SP), que foi presidente da Câmara, sabia como funcionava a Casa. Eles já tinham conquistado uma coisa que o governo comeu a maior bola, que foi uma comissão especial para tratar do Código. Com isso, não passaria mais por outras comissões. A Força da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) era muito violenta também, a CNA estava bancando todos os eventos do governo. Então eles avançaram muito.
As disputas não ficaram só sobre o Código, certo?
Eles perceberam a força que tinham no episódio do Código. E aí continuaram as pressões: “queremos mais dinheiro para o crédito”, “queremos agora estrada para levar a produção”. Então, além de estarmos bancando R$ 150 bilhões de crédito agrícola, você tem dinheiro do governo hoje para fazer infraestrutura, para fazer mais cidades e até algumas insanidades. Exemplo é o caso dos motoristas de caminhão que tinham que descansar de duas em duas horas. Os caras derrubaram isso, porque agora o caminhão de soja tem de sair de Rondônia e bater em Paranaguá (PR) o mais rápido possível. E tem o dinheiro que começa a financiar caminhão, também fora do crédito agrícola. Uma estrutura nova do Brasil.
Mas muito disso é legítimo, não? Qual é o grande problema?
A grande sacanagem é ver tudo isso avançando em cima de área pública. E avançando numa frente na floresta. E conforme avança, uma área fica para trás, vazia. Essa área fica para especulação.
Como isso ocorre?
Vamos pegar na Mata Atlântica. Dos 90% que foram abetos, só 40% tem alguma atividade econômica em cima. O resto é especulação: região metropolitana, expansão das cidades. E muita área abandonada. Qual é o jeito de abandonar? Põe pasto.
Quem conduz isso hoje?
Não são as mesmas oligarquias de antes, as velhas oligarquias. Isso mudou. São as novas oligarquias do crédito. Tem os melhores, como o próprio Blairo [Maggi, produtor de soja e ex-governador do Mato Grosso], que se diz ambientalista. Ele já desafiou os caras: “eu cumpro a lei e faço mais”.
Mas é bravata ou é real?
É real. Ele está além da conta. Na reserva legal [parte preservada da mata que toda fazenda precisa ter], ele está acima. E muitas empresas acabaram fazendo isso. Também porque colocaram como ativo: “eu protejo”, “eu sou o cara que mais protege”. Isso funciona como marketing.
E isso não racha o setor?
Ainda não. Mas vai rachar. E não é uma questão de estar ou não estar do lado dos ambientalistas. É uma tendência, não tem jeito, não volta mais.
Quais são as contas que vocês fazem?
É assim: Dos 860 milhões de quilômetros quadrados que tem o Brasil, há 5,5 milhões de propriedades que dizem que são donas de 560 milhões de hectares. Só que em 60 milhões de hectares é onde está a agricultura. Dentro disso você tem uns 25 ou 30 milhões de soja, 10 de cana, 7 de celulose e vai indo até a abobrinha. E tem 200 milhões de hectares para pasto. Para 200 milhões de bois. Bom, então toda a atividade econômica da agricultura está concentrada aqui: 260 milhões de hectares, somando a plantação e o pasto. Já não é um bom negócio, pois nessa conta dá um boi por hectare. Hoje, para ser uma pecuária boa, você precisa de três bois por hectare. Mas a questão é outra. Se eles têm 560 milhões de hectares e usam 260 milhões, onde está o resto? Cadê os 300 milhões de hectares restantes?
Onde está?
Na mão de especulação. Terras devolutas, Unidades de Conservação, Terras Indígenas. E tem outras coisas que eles não falam. Você tem 30 milhões de hectares para a soja. Se o cara de Chicago descobre que agora vai ter dois bois por hectare e, portanto, vai sobrar 100 milhões de hectares, isso não quer dizer que vai dobrar a produção de soja. Porque se fizer isso, o preço cai. Esse número [30 milhões de hectares para a soja] é contadinho, não vai crescer. As próprias produtoras de semente param de vender. Não vão arriscar. Então, na realidade estamos fazendo a conta mais imbecil. O Brasil fica falando de “uma agricultura que vai produzir alimento para o mundo, nós queremos expandir…” Não vai expandir. Está no limite. Celulose está no limite, cana no limite, soja no limite. Só não está a abobrinha. E desses R$ 150 bilhões do crédito, não chegam R$ 15 bilhões para a agricultura familiar. E mais uma coisa: 80% dos proprietários têm menos de 20% das terras. E 20% têm 80% da terra. Então é essa desigualdade toda. E é essa a bancada que partiu para a chantagem com o governo. E o governo aceitou.
E o dinheiro?
Para ver como funciona eu fui agora lá no Agrishow comprar equipamento. Em 2012, fui com o balão “Veta Dilma” [sobre o Código Florestal] e fizemos um barulho (risos). Agora eu fui comprar. Apareci lá falando que estava precisando comprar colheitadeira de cana, todo o equipamento, caçamba, tudo aquilo. Aí falei: “Como é que assina esse financiamento aí? Minha propriedade tem todos os problemas ambientais, como eu faço?”. Sabe qual foi a resposta? “Seus problemas acabaram!” (risos). Disseram: “Você vai receber sua máquina em um ano, vai pagar tanto, esquece o problema [ambiental], Código Florestal… E se você precisar de uma [picape] Amarok aí, para ir quebrando o galho, pode pôr na mesma conta, vai receber na hora”. E assim era com Toyota Hilux, tudo. Era uma grande farra do dinheiro. Eu fui de agroboy lá, bota, aquele fivelão no cinto (risos). Os caras não perguntavam quem eu era, nem nada. Tem CPF, faz negócio.
Difícil imaginar que o Brasil deixará de ser fornecedor de produto básico. O que deveria ser feito?
Nós não vamos mudar, deixar de ser um país de commodity. Vai continuar assim, como já era desde 1500. O ciclo do ouro, o ciclo da borracha, o ciclo do café, depois o da cana. Agora tem o da soja. A nossa visão é que agregue nessa commodity a questão ambiental. Então se você comprar uma tonelada de soja do Brasil, você estará levando biodiversidade, porque tem corredor de biodiversidade formado pela APP (Área de Preservação Permanente), tem reserva legal de 20%, está protegendo floresta, tudo isso.
Mas o chinês está preocupado com isso? Vai pagar?
Você tem um mercado maior que o chinês. Para ele tanto faz comprar da Argentina ou o excedente dos Estados Unidos. E a tonelada de soja no Brasil pode custar a mesma coisa. A soja brasileira tem de ser conhecida no mundo. Como foi com o café. O café do Brasil era uma marca, todo mundo sabia que era o melhor por isso ou aquilo. O Brasil precisa pôr uma marca no mundo dizendo “somos produtores de alimento, o celeiro do mundo, mas o celeiro que protege a natureza”. O que tem hoje? O que há é uma diplomacia reativa. Como é que o Brasil não leva isso para uma conferência? Poderia dizer “olha o que temos de reserva indígena, olha o que temos de parque”.
O que o Brasil fala?
O que a diplomacia fica falando? Fica dizendo assim: “O Brasil não destrói índio”. É reativo, percebe? Poderia fazer assim: “Compre tudo o que é feito no Xingu que é para proteger o Xingu. Todos os proprietários lá fizeram a reserva legal e estão fazendo a proteção dos rios com mata, tudo legal”. É isso que o Brasil tem. Como eu achei que iria acontecer com o etanol, mas não aconteceu. A Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) fez um trabalho maravilhoso, projetou, foi com escritório lá fora e tudo. O que aconteceu? Murchou. Aqui dentro não teve suporte.
O ex-presidente Lula tratava como prioridade. Pelo menos no discurso, não?
O Lula dava suporte, mas esse governo não deu. Esse governo foi atrás do [petróleo da camada] pré-sal, fez uma aposta que até agora não aconteceu e está aí hoje a conta para ser paga. O que fez a celulose? Perguntaram: “O que é que tem no mundo aí que é bom? É o FSC (Forest Stweardship Council), a certificação florestal? Hoje todo mundo é FSC no Brasil. Falaram assim: “Tem alguma coisa mais para cima que FSC no mundo? Não? Então é isso, somos isso”.
As empresas mudaram?
Pegue a Veracel [empresa de celulose], que foi minha inimiga mortal 20 anos atrás, lá no sul da Bahia. Eu fui em audiência lá em que o pessoal dizia “lincha”. Hoje a Veracel tem 120 mil hectares protegidos e 90 mil plantados. É muito mais que o necessário. Eles têm o FSC, que o melhor do mundo, e estão além da lei [na proteção]. Aí você pega Parque Nacional Monte Pascoal, Parque Nacional do Descobrimento e Parque Nacional do Pau Brasil. Esses três parques não somam 80 mil hectares. Estão abandonados, sem gente. Por que uma empresa mantém 120 mil hectares, não pega fogo, ninguém invade? São 120 mil de mata nativa, mata de primeiríssima qualidade. E os parques do governo, na mesma região, estão cheios de problemas. Por que o governo não consegue proteger? Aí está a prova. O Estado é a coisa mais fácil de detonar. Estão lá os políticos fazendo média, botando família para invadir, movimento de sem terra resolve brigar com o governo e invade, índio resolve brigar e invade o parque. E o governo não tem gente para cuidar.
Fale mais dessa história da Veracel.
Eles tinham fama de terem sido detonadores. Foram. Foi provado. A SOS [Mata Atlântica] pegou os caras lá, abrimos uma ação contra eles. Então o que eles fizeram? “Bom, vamos mudar a imagem”. E o governo também teve um papel nisso. Quem financiou? Quem é que falava para os caras que o licenciamento era picareta? O ACM (Antônio Carlos Magalhães, ex-senador e ex-governador da Bahia) dizia assim: “Pode meter o trabalho, vai, faz, aqui quem manda sou eu”. Os caras foram nessa, se ferraram. Hoje é da Votorantim. Fibria, como chamam. É nota dez. Eu prefiro trabalhar com a Fibria em qualquer circunstância. Tudo top. Na celulose, todos têm reserva legal, como exigem, todos têm APP. E ajudam nós nas brigas. Tanto que não entraram no debate do Código Florestal com os ruralistas. Claro que não. Se entrar nisso, não certifica. E quem dá o certificado não é o governo, é entidade internacional. Disseram o seguinte para os parceiros deles: “Por que vocês não querem fazer, se nós fizemos?” Aí o pessoal respondeu: “então vocês não entram na briga [pela mudança do Código], porque nós vamos brigar”.
Depois de vários anos em queda, o desmatamento voltou a crescer. Qual é a explicação?
É a prova da má gestão. Eu estou há 35 anos em ONG. Não estou em partido nenhum, nunca tive nenhum vínculo. O que eu vejo que aconteceu? Eu digo: para o meio ambiente, este é o pior governo da história. Porque o Lula pelo menos incorporou, colocou a Marina Silva [no ministério do Meio Ambiente], fez avanços. A lei da Mata Atlântica, por exemplo, foi com o Lula. A Dilma simplesmente passou o trator em cima de tudo. Não tinha o desmatamento na Amazônia porque tinha o controle muito maior, toda a fiscalização. Com o desmonte da Dilma nesses anos, mudou. E a projeção de desmatamento é muito maior daqui para a frente. Ela abriu todos os controles. O desastre que a Dilma causou vai ser uma coisa para os próximos 10, 20 anos.
Dê exemplos.
O orçamento do ministério. É o pior. Como é que você quer que o ministério que faz licenciamento trabalhe se você não tem um técnico para análise? Acabou com as Unidades de Conservação, não fez mais nenhuma. A PEC 215 (Proposta de Emenda à Constituição que transfere a competência da União na demarcação das terras indígenas para o Congresso), por exemplo, nasceu dentro do governo. É um baita desgaste. Belo Monte, do jeito que foi encaminhado, é uma bola dividida.
Mas era bom antes? Restrição orçamentária tem em todo lugar.
Sim, mas nunca chegou no nível que tem hoje. E nunca teve tanta demanda como tem hoje. Desde a criação o ministério vinha crescendo, vinha incorporando áreas, passa a cuidar de parques, cresce, faz o Instituto Chico Mendes. O que a Dilma fez foi o inverso. Ela acabou desmontando. Antes traziam recursos, fizeram o controle de satélite que não tinha. A Dilma realmente desmontou. O setor que mais teve contingenciamento foi esse.
E a ministra (Izabella Teixeira)?
É uma técnica. Muito competente como técnica, mas não tem influência política. O Zequinha [Sarney, ex-ministro] sabia negociar. Mesmo o [ex-ministro] José Carlos Carvalho tinha algum suporte. A Marina fazia uma baita representação. Ela peitava, ia para cima, tanto que peitou a própria Dilma. O que vimos é que essa ministra [Izabella] ajudou a fechar a porta, foi botando panos quentes.
Vocês estiveram recentemente com o Aécio, né? Como foi a conversa?
Estivemos. Vamos marcar com o [Eduardo] Campos e também com esse governo. A conversa foi muito boa. Falamos de todas essas dificuldades e outras coisas. O ativo que o PSDB tem é grande. A legislação ambiental brasileira foi quase toda feita pelo [ex-presidente] Fernando Henrique Cardoso, uns 90% foram feitos naquele governo. Dissemos. “Vocês vão rasgar tudo isso por causa desse momento?”
Como ele reagiu?
Reagiu com preocupação. E aí depois nós metralhamos. O governo de Minas Gerais é o campeão da devastação no caso da Mata Atlântica. E por quatro anos seguidos.
O que ocorre por lá?
Carvão, a pior coisa do mundo. E o que é pior: com famílias trabalhando nos fornos. No Jequitinhonha [norte do Estado], que é um dos lugares mais pobres, para uso na siderurgia. Eles usam a mata, transformam em carvão e colocam a família trabalhando sem nenhum registro. É a coisa mais medieval que tem. O cara fala que vai fazer um programa ambiental e vem de um Estado que está liderando na devastação? Aí ele ficou preocupado, disse que iria ver o que estava acontecendo. E não é só lá. O Pará também é do PSDB. Também é problemático, com desmatamento.
E no Congresso, como está o meio ambiente hoje?
Em geral, dá para dizer que o meio ambiente vem tendo cada vez mais adeptos. Esse ano que passou talvez não tanto na questão da biodiversidade, mas na questão dos animais. Pet, essas coisas. Se você pegar nas redes sociais, é um fenômeno. Tem mais pet shop no Brasil hoje do que farmácia. Então tem mais gente ligada à questão de animais. O pessoal do pet em Brasília foi o que mais cresceu. É uma coisa impressionante.
A bancada do cão? (risos)
(risos). É a bancada do pet, acho. No nosso café da manhã semanal da frente ambientalista é a turma que mais tem atividade. É o que mais tem atraído gente.
Como é essa frente ambientalista? Um levantamento recente do jornal “O Estado de S. Paulo” mostrou que muitos deputados aparecem na frente, mas também são da bancada ruralista.
São quase 300 pessoas que já assinaram na frente ambientalista. E não é uma frente ideológica. É uma frente de formação. Então se o parlamentar não está comigo hoje na questão do Código Florestal, ele está na discussão sobre resíduos sólidos. Se o outro não está num tema tal, pode estar na discussão sobre pagamento de serviços ambientais. A questão é saber com quem você pode contar em cada questão. Então temos os grupos de trabalho: o das águas, o dos serviços ambientais, o dos animais, que é hoje o mais animado. E tem muitos no do Código Florestal também, agora acompanhando a implementação.
Os ambientalistas fizeram campanha contra a mudança do Código Florestal e perderam. Se era ruim, por que agora querem a implementação rápida?
Mas tinha coisa boa nele. Nós queremos o CAR (Cadastro Ambiental Rural). Isso vai mostrar quem é quem. Foi a coisa que a CNA foi mais contra. Olha, acho que só teve um momento em que a concentração de terra foi mais desigual que hoje, só na época da capitania hereditária. O maior problema ambiental brasileiro é fundiário. Começa aqui mesmo, em São Paulo, na [represa de] Guarapiranga, em Santo André, na [represa] Billings. Se você pegar aqui, na zona sul [de São Paulo], eu te garanto: 80% das pessoas que moram lá não tem nem documento em cartório, o título. Uma insanidade. O Brasil é completamente irregular. E 90% dessas ocupações foram feitas por políticos. Você sabe, os políticos que fizeram a ocupação em Santo Amaro [bairro da zona sul] são os que mandam aqui em São Paulo hoje, junto com o [prefeito Fernando] Haddad. O maior problema é o fundiário. Então vamos fazer cumprir o Código naquilo que os ruralistas têm maior pavor, que é o controle.
Mas o que se sabe hoje?
Nada.
Como nada? Você sabe quem são os grandes. Você mesmo citou o Blairo Maggi, por exemplo.
Ah, você tem dois ou três. Mas não se sabe os grupos que estão atrás, não sabemos o quem é quem nessas propriedades. E tem um monte de laranja nisso. Então se você tiver o CAR de todas as propriedades, vai saber quem está aonde, como é que está a reserva legal, os limites exatos da propriedade, tudo georreferenciado. Aí você vai saber o tamanho desse Brasil. Como era antes? Tinha a lei que dizia que tinha que tinha que ter reserva legal, mas você não sabia onde nem como. Tinha a lei que dizia que tinha que ter APP, mas não se sabia onde nem como. Agora vamos saber. Quantos proprietários foram beneficiados com a anistia ampla, geral e irrestrita [para desmatamentos feitos antes de 2008] que colocaram no Código? Vamos saber. Quem são eles? Vamos saber. E esses desmatamentos anistiados estão aonde? Vamos saber. Então são elementos para você conhecer e depois entrar na Justiça.
Meio ambiente dá voto?
Nunca deu.
Não é um paradoxo? O tema nunca esteve tão na moda. O apelo está por toda parte, virou marketing das grandes corporações, mesmo as que poluem, está nos discursos de todos os partidos, na mídia, nas escolas…
É, mas ainda não dá voto. O que dá voto? Vai para o cara que faz asfalto, o que dá cesta básica. É o de sempre. A população ainda não tem essa visão sobre meio ambiente. São temas universais. É como a reciclagem: todo mundo é a favor, mas só 2% fazem. Ou saneamento. Todos sabem que cano enterrado não dá voto. Hoje o cara diz “eu fiz um posto de saúde, fiz o hospital regional”. Aí você pergunta quantos dos internados nesse novo hospital são por doenças de origem hídrica. Dá 70%. Agora, se fizer um metro de cano, tira sete internações. Mas aí ninguém vê. E é tudo muito recente. Muitos desses ruralistas têm razão quando falam. Eles dizem: “30 anos atrás foi o governo que mandou derrubar [a mata], mandou colonizar”. Na cidade também é recente. Trinta anos atrás você não tinha uma lei de uso de solo como tem hoje. Agora tem de ter recuo de frente, de lado, calçada, tudo. Não existia antes. Essas coisas serão cada vez mais exigidas, pois estamos vendo que a cidade fica inviável. Então é muito pouco tempo. Qual é a história do Brasil? Depreda, depreda, depreda. A natureza era uma coisa a ser conquistada, a ser incorporada, nunca teve custo. Esgotou a terra? Abre outra, vai abrindo.
No meio político todo mundo se surpreendeu com a filiação da Marina Silva no PSB após o fracasso da criação da Rede a tempo de disputar em 2014. Entre os ambientalistas também houve surpresa?
Também. Eu não esperava. Eu esperava que ela seguisse firme com a história da Rede e não se entusiasmasse com essa eleição de 2014, que é uma bola dividida. Agora, o que acho que deixou a Marina contrariada é que ocorreu uma baita sacanagem, né? Eles já tinham conseguido as assinaturas [para criar o partido]. Você acha que o Partido Ecológico Nacional conseguiu as assinaturas? O Paulinho [da Força, para criação do Solidariedade]? Então acho que foi uma resposta dela a esse tipo de agressão. No meio, tem gente que gostou [da filiação ao PSB] porque acha que tem de ocupar espaço político. Outros não, como eu. E eu não acho que tem de ter um partido só de meio ambiente. Muito melhor é ter o assunto permeado em todos, PMDB, PSDB, PV, PSOL. O PT tinha um grupo muito bom, mas esvaziou. Mas eu não sei se ela terá tanto ganho quanto teve quando concorreu sozinha.
Quem é melhor parlamentar para tratar de meio ambiente em Brasília hoje?
O Zequinha (Sarney Filho, PV). É o cara mais nota dez com quem eu já trabalhei. E vai se ferrar por causa disso, viu? Porque a base eleitoral dele no Maranhão é onde está o agronegócio hoje. E os caras estão jogando pesado contra ele lá. Pesado mesmo, detonando. Ele vai ter muito problema para se reeleger. O Zequinha… Fiz todas as campanhas contra o pai dele… E é uma coisa impressionante, ele é o meu melhor parceiro lá em Brasília. Desde ministro. Antes até. É o cara mais coerente de Brasília. Eu o conheci antes da Constituição. Na Constituição ele nos apoiou, participou daquele primeiro grupo pequeno, que diziam cabia numa Kombi (risos). E foi aquele grupo que escreveu o capítulo do meio ambiente na Constituição. O cara teve uma vida pautada nesse tema. É por isso que foi ministro, já tinha história.
E no Senado?
Tem gente boa. Você tem o senador de Brasília, o [Rodrigo] Rollemberg (PSB-DF), ele é muito bom. E tinha lá o [Jorge] Viana (PT-AC), né? Mas foi uma das maiores traições que a gente teve, um terror. [Viana foi um dos relatores das mudanças do Código Florestal e, na avaliação dos ambientalistas, atuou em desacordo com os interesses do meio ambiente]
Já acertaram as contas com ele?
Ah, não. Vai ser difícil. Foi terror. Eu mesmo nunca mais falei com ele. E olha que eu converso com todo mundo. Ele traiu. Traiu a Marina até.
E a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO, presidente da CNA), que aparece como porta-voz dos fazendeiros?
Ela é a amiga da presidente, né? Aparecem de mãos dadas. A Kátia é aquela coisa… É o problema pessoal dela. É tudo complicado. Essa mulher tem interesse particular, não é nem interesse corporativo. Eu acho que a bola lá está dividida por lá. Acho que o Roberto Rodrigues, por exemplo, tem uma visão totalmente diferente da dessa mulher. É possível conversar com o Roberto. Com ela, nem pensar, é impossível. E ela tem bala, tem 20 e tantos assessores parlamentares, os melhores jornalistas estão com ela agora, cada dia produzem uma nota. E ela está bem. Bancou o Brasil no Fórum Mundial de Água. Ela tentou colocar aquela tese de que se o Brasil tem APP então todos os países tinham que ter. Nós fomos lá e demos o “Troféu Copo Vazio” para ela (risos). Aí eles ficaram bravos, “quem banca esse estande somos nós”. É desse jeito, é ridículo. Então ela está fazendo confronto, não faz diálogo. Todos os posicionamentos dela são agredindo. Muito do que foi o Aldo Rebelo no fim. Aquela conversa “as ONG internacionais”, “os que querem impedir o Brasil”. Ora, eu não sou ONG internacional.
Pedro Penido dos Anjos
23 de janeiro de 2014 4:35 pm!!!!!!
!!!!!!
Gunter Zibell - SP
23 de janeiro de 2014 2:31 amA liberdade sexual no país é, em muitos casos, uma ilusão
http://brasil.elpais.com/brasil/2014/01/21/politica/1390327786_350370.html
Laerte diz que a homofobia no Brasil é semelhante ao racismo e que o governo deveria parar de ceder tanto a forças políticas fundamentalistas comprometidas com a discriminação
A rotina da homofobia no Brasil
A cartunista Laerte Coutinho. / RAFAEL RONCATO
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Laerte Coutinho, uma das mais importantes cartunistas do país, assumiu publicamente sua identidade feminina em setembro de 2010. Nascida em 1951, considera que ainda não completou seu processo de transformação de gênero que iniciou em 2004. “Acho que completar, mesmo, nunca vai acontecer”, disse.
Desde então virou uma referência tanto do coletivo gay, quanto dos travestis e transexuais. Em entrevista ao EL PAÍS, Laerte diz que a homofobia no Brasil é semelhante ao racismo e que o governo deveria parar de ceder tanto a forças políticas comprometidas ou coniventes com a discriminação e a violência, como as do fundamentalismo religioso.
Pergunta. Por que em um país onde cada um parece ter a liberdade de mostrar para todo o mundo sua orientação sexual, existe tanto ódio ao diferente? O Brasil é diferente de outros lugares?
Resposta. Essa liberdade é, em muitos casos, ilusão. O Brasil parece o paraíso dos costumes liberados – e acho que isso faz parte da nossa autoconsciência otimista. A verdade está mais nos números escandalosos de agressões e ataques de natureza homo e transfóbica.
Não tenho experiência de outros lugares, apenas acompanho relatos e reportagens. Claro que na Rússia – especialmente hoje – ou em Uganda, as coisas são mais pesadas, institucionais até. A homofobia, entre nós, se assemelha ao racismo – ninguém admite que existe (principalmente sobre si mesmo), mas é impossível negar sua presença.
P. Houve algum avanço nos últimos anos na luta contra os crimes e a discriminação homo/transfóbica?
R. Houve avanço – exatamente na visibilidade e mobilização das pessoas, com criação de entidades e utilização de meios como a internet. Aos poucos se está criando uma representação nas instâncias parlamentares, com a apresentação de projetos de lei, como o recém derrotado PL 122 (que torna crime a homofobia) e o ainda em discussão PL 5002, o chamado PL João W Nery, que trata da livre identidade de gênero. Isso representa avanço, a meu modo de ver.
O debate tem crescido e tenho motivos para acreditar que, socialmente, começa a mudar o modo de enxergar a população LGBT, por parte dela própria – falo da passagem da situação de marginalidade para a integração social.
Acho que é um processo que não começou agora nem está perto de se concluir. Ainda estamos longe de situações como as que vive a Argentina e o Uruguai.
É preciso dizer que, mesmo nesses países, vigora muita tensão homofóbica. A aprovação de uma legislação mais justa não “corrige” automaticamente a opressão e o ódio vividos na sociedade.
P. O que o Governo deveria fazer para contribuir na luta contra a discriminação e violência do coletivo LGBT? E o próprio coletivo?
R. Uma das boas coisas que o Governo poderia fazer seria parar de ceder tanto a forças políticas comprometidas ou coniventes com a discriminação e a violência – como as do fundamentalismo religioso. Acho que o movimento vem fazendo o necessário para crescer em mobilização e em capacidade de mobilizar a sociedade – de ser percebido como parte integrante da sociedade, portadores de direitos que devem ser universais.
P. Como se explica que o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara seja abertamente homofóbico?
R. Isso foi possível devido a mecanismos de funcionamento do Congresso Nacional. Acho que se deveu, em resumo bem resumido, à falta de sintonia entre a população e seus representantes, resultando num momento equívoco que permitiu esse tipo de golpe. Foi um golpe.
P. Quais foram as maiores barreiras que você teve que superar quando resolveu se aceitar como mulher? Você sofre preconceito?
R. No meu caso, a principal barreira foi a que eu mesma colocava. Quando entendi e aceitei o significado de algo que até ali eu julgava fantasia, o principal foi superado.
Minha família e amigos também me ajudaram muito, mantendo os laços de afeto durante todo o processo de questionamentos, estranhamentos e dúvidas, que são inevitáveis. Tenho sido socialmente muito bem recebida – talvez minha condição de artista e pessoa conhecida publicamente ajude, não sei.
Não é o que acontece com a maior parte das pessoas trans no Brasil.
Gunter Zibell - SP
23 de janeiro de 2014 3:44 amMaconha faz mal. Bem mesmo faz cerveja e calabresa frita
http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2014/01/22/maconha-faz-mal-bem-mesmo-faz-cerveja-e-calabresa-frita/?fb_action_types=og.recommends&fb_source=other_multiline
– Batata frita. Onion rings. X-Salada. X-Bacon. X-Egg-Bacon-Salada. Dogão com cheddar. Milkshake com caramelo. Refrigerante. Guaraná Jesus. Suco de caixinha. Coxinha. Risoles. Bolovo. Enroladinho de queijo e presunto. Salame. Copa. Costelinha de porco. Feijoada. Bife à parmegiana. Picanha com farofa. Porção de calabresa. Frango a passarinho. Torresmo. Ovos com bacon. Joelho de porco. Cupim casqueado. Leitão a pururuca. Virado a paulista. Dobradinha. Sarapatel. Barreado. Maniçoba. Vaca atolada. Moqueca baiana. Acarajé. Salada russa. Polpetone. Lasanha. Pizza de quatro queijos com borda de catupiry. Fogazza. Pastel especial com ovo. Rosca recheada de linguiça. Pudim. Bolo de chocolate. Brownie. Donut. Bomba. Sonho. Biscoito recheado. Waffle. Salgadinho. Ovinho de amendoim. Amendoim japonês. Paçoca. Doce de leite. Churros com doce de leite. Bombom de cupuaçu. Bombom recheado com licor de cassis. Cerveja. Cervejinha. Chope. Caracu com ovo. Cachaça. Tequila. Vodka. Uísque com gelo. Uísque sem gelo. Licor de jenipapo. St. Remy (o horror, o horror…). Campari. Martini. Bebida que Pixxxca. Caipirinha. Caipiroska. Cosmopolitan. Marguerita. Kir Royal. Bombeirinho. Cigarro. Cigarro de palha. Charuto. Cigarro de cravo…
– E maconha?
– Nunca! Meu corpo é um templo.
Gunter Zibell - SP
23 de janeiro de 2014 4:09 amRússia e a condenação da “propaganda do amor gay”
http://www.tsavkko.com.br/2014/01/russia-e-condenacao-da-propaganda-do.html
Estava aqui pensando sobre esse papo russo de ser contra a “propaganda do amor gay“…
É tosco em muitos sentidos, mas deixa eu ver se consigo analisar algo que me inquieta. Se a Rússia falasse que é contra a “propaganda gay” poderíamos até tentar interpretar as coisas.
Não que fosse aceitável, claro, mas poderíamos ao menos tentar entender (e entender é o primeiro passo para encontrar formas de combater) o que se passa na mente de gente que vê perversão no “comportamento gay”, que se incomoda com “atos” como beijos, carícias e mesmo o sexo entre gays.
O discurso de pastores homofóbicos e mesmo da Dilma vão nesse sentido, de não fazer “propaganda de opção sexual”, o que equivaleria a não fazer propaganda de comportamentos considerados gays – já se abre um debate sobre quais seriam.
Enfim, a “propaganda gay” abre espaço para muitas interpretações. Algumas delas dialogáveis, outras apenas combatíveis.
“Propaganda gay” pode ser qualquer coisa.
Pode ser o incentivo (ilusório, claro) à homossexualidade por parte de ativistas que alguns fanáticos enxergam. Pode ser veicular imagens que levem o público a pensar na homossexualidade como algo atrativo (devemos ter em conta que para o homofóbico médio ninguém nasce gay, mas “se torna” gay)…
No caso dos fanáticos mais radicais um beijo gay seria tão escandaloso quanto o sexo entre pessoas do mesmo sexo, mas aí já é outro assunto. Uma coisa é, dentro da tal “propaganda gay”, você reclamar que não quer ver pessoas afeminadas (gays) ou masculinizadas (lésbicas) na TV, ou não quer ver troca de afetos entre pessoas do mesmo sexo e etc….
É ridículo? Sim. Mas é dialogável/combatível porque podemos entender exatamente contra o que estão lutando.
Quando nos centramos em fatores objetivos, é possível não apenas buscar um diálogo, como também pensar em formas de combater. Quando falamos de fatores subjetivos entramos em um campo mais complicado. Este campo talvez se aproxime da ideia de “propaganda do amor gay”.
Quando falamos em “propaganda do AMOR gay” a coisa complica. Tomemos como uma derivação subjetiva (e perigosa) da “propaganda gay”.
Gente, os caras não tão “combatendo” algo mais ou menos palpável como imagens que incitem (sic), ou veiculação de discursos e etc, mas estão condenando algo abstrato, o AMOR!
E isso poderia levar a ações como temos em países africanos, onde SER gay é, em si, um crime. Não se fala de troca de afetos em público, mas da mera potencialidade do indivíduo sentir afeto por alguém do mesmo sexo.
Além do que, tem coisa mais tosca que você colocar em meio a frases e discursos de ódio que o que você odeia é o… amor?
O caso recente nos Camarões onde um homem morreu na cadeia por enviar um SMS a outro homem por quem estava apaixonado é um exemplo. Dentro da concepção de “propaganda gay” talvez tal ato não pudesse ser criminalizado, oras, estamos falando de uma troca privada de afeto. Mas dentro da concepção de “propaganda de AMOR gay”, temos uma questão. A Rússia chegará a esse ponto?
Não é dialogável, sequer é compreensível. Deve-se repudiar, combater com unhas e dentes e não sobra espaço para mais nada.
No fim demonstra um grau de estupidez e fanatismo insustentáveis por parte da Rússia e é um perigo, pois é um discurso ainda mais perigoso do que o meramente contra a “propaganda gay”, pois agrega um elemento abstrato com muito menos chances de se encontrar saídas.
É óbvio que a linha que separa ações e interpretações é tênue, no fim pode ser apenas um exercício teórico fútil tentar enxergar as diferenças, mas penso ser necessário quando estamos a beira da criminalização de abstrações e não de (supostas) atitudes. Quando mais um país, a Rússia, pode vir a seguir o caminho que diversos países africanos já vem tomando, o de criminalizar a mera existência dos gays baseado também em abstrações.
Gunter Zibell - SP
23 de janeiro de 2014 4:12 amKaique e os rolezinhos: o lugar de cada um
http://brasil.elpais.com/brasil/2014/01/20/opinion/1390219331_005511.html
ELIANE BRUM
A morte do adolescente Kaique Augusto Batista dos Santos e os rolezinhos não coincidem apenas no calendário. Dizem de um lugar: onde é “natural” encontrar um jovem negro e pobre, onde não é “natural” encontrá-lo. A lógica que determina a criminalização prévia dos rolezinhos e a não criminalização prévia da morte de Kaique – acontecimentos que moveram São Paulo e parte do país nos últimos dias – é a mesma. Ela indaga por territórios e revela leis não escritas.
Primeiro, quem é Kaique, já que sobre os rolezinhos estamos bem mais informados. O adolescente foi encontrado morto no sábado (11/1), próximo a um viaduto da Avenida Nove de Julho, na região central de São Paulo. Os dentes e os dedos estavam quebrados, havia um ferimento numa perna. Para a família, uma barra atravessada, que depois teria sido retirada. Para policiais, uma fratura exposta. Tinha 16 anos – e são os jovens os que mais morrem por assassinato no Brasil. Era homossexual – as mortes por homofobia cresceram 11% em 2012, comparado ao ano anterior. Era negro, como mais de 70% das vítimas de homicídio no país. É razoável esperar que suas circunstâncias, assim como as circunstâncias em que seu corpo foi encontrado, motivassem suspeitas de que pudesse ter sido assassinado. Não foi, porém, o que aconteceu. A polícia de São Paulo registrou no boletim de ocorrência: “suicídio”.
Não há, neste momento, como afirmar se Kaique foi assassinado ou se suicidou. Para afirmar, tanto um homicídio quanto um suicídio, é preciso uma investigação. E séria. Há suicídios que, pelas circunstâncias e pelas evidências, são facilmente comprováveis. Não parece ser o caso de Kaique. A questão que se impõe é: por que foi registrada como suicídio uma morte que até hoje, mais de uma semana depois, não foi esclarecida?
Na sexta-feira (17/1), centenas de pessoas fizeram um ato contra a homofobia, no centro de São Paulo, exigindo esclarecimentos sobre a morte de Kaique. Entre os cartazes, um referia-se à manutenção, sem qualquer alteração, do papel da polícia da ditadura civil-militar na atual democracia: “Desde 64 quem é torturado e assassinado foi suicidado”. A verdade – ou pelo menos parte dela – é que, não fosse a inconformidade da família, a divulgação pela imprensa e, principalmente, a revolta massiva nas redes sociais, a morte de Kaique jamais seria investigada. Ainda que a polícia possa negar que funcione assim, “suicídio”, no boletim de ocorrência, significa, na prática, caso resolvido. Encerrado, portanto, sem investigação.
Pressionada pela família de Kaique e por ativistas da luta contra a homofobia, a polícia paulista segue repetindo que não há indícios de assassinato, como repetia desde o momento em que policiais botaram os olhos no corpo do garoto e concluíram por suicídio. A Secretaria de Direitos Humanos, ligada à presidência da República, enviou para São Paulo o coordenador de Promoção dos Direitos dos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) para acompanhar o caso. Em nota, afirmou: Kaique foi “brutalmente assassinado” e há indicação de que “se trata de mais um crime de ódio e intolerância motivado pela homofobia”.
Pressionada pela família e por ativistas da luta contra a homofobia, a polícia paulista segue repetindo que não há indícios de assassinato
Neste momento, há uma ministra do PT (Maria do Rosário, dos Direitos Humanos) desmentindo a polícia do PSDB em ano de eleição. Nem assim, as provas irrefutáveis que poderiam respaldar o registro de suicídio apareceram. Ainda que, contra as aparências e a crença da maioria, a polícia paulista consiga provar que Kaique se suicidou, a questão crucial dessa história continua rigorosamente a mesma. Não se trata apenas de saber se a morte de Kaique foi assassinato ou suicídio, o que está perto de virar um FlaXFlu político-partidário, mas sim questionar aquilo que já está provado: não havia como saber a causa da morte de Kaique quando a polícia a registrou como “suicídio” no boletim de ocorrência.
E por que o fez?
Há várias hipóteses, inclusive a de reduzir as estatísticas da violência, uma preocupação constante das autoridades, que se acirra em períodos pré-eleitorais. Mas há uma explicação que pode nos ajudar a refletir sobre esse momento agudo que o Brasil vive e que é marcado pelos rolezinhos, o fenômeno mais interessante do momento, pela riqueza (inclusive contraditória) de seus significados.
Do crime, [os negros] não são vítimas, mas autores
É nesta esquina simbólica, na indagação sobre o território de cada um, que o caso Kaique e os rolezinhos se encontram. Ao se deparar com um jovem negro e homossexual morto, o corpo flagelado, perto de um viaduto, a polícia tem, sem qualquer investigação, a convicção de que não houve um crime. Ao encontrar um grupo de jovens da periferia, a maioria negros, bem vivos dentro de um shopping, a polícia tem a certeza de que, sim, é um crime. Se ainda não cometeram furtos, roubos e arrastões, certamente o farão. Do crime, não são vítimas, mas autores.
No primeiro caso, se Kaique foi de fato assassinado, o crime ficaria impune, não fosse a pressão das redes sociais. No segundo caso, puniu-se um crime que não aconteceu, ao se indiciar jovens que não fizeram nada além de zoar. Discriminou-se centenas de outros, que foram coagidos a se retirar de shoppings por conta de sua cor e de sua aparência, e barrou-se a entrada de outras centenas, também por causa de sua cor e de sua aparência. Sem esquecer daqueles que, como é mostrado em vários vídeos, levaram gravatas, chutes, socos e empurrões da polícia por ousar entrar num shopping.
Por quê?
As respostas são muitas e não tenho a menor chance de esgotá-las aqui. Mas há uma que vale a pena refletir com bastante atenção num momento em que o apartheid do Brasil é escancarado pelo fenômeno dos rolezinhos, independentemente do fato de esta ser ou não a intenção dos meninos que os promovem. O que une o caso Kaique e os rolezinhos é não só, mas principalmente, o lugar. A naturalização do lugar de cada um numa sociedade cindida, como continua a ser a brasileira.
Para os rolezeiros, o crime era estar dentro, quando se esperava que continuassem no lado de fora
Debaixo de um viaduto, um jovem negro morto não chama a atenção. Se for possível perceber pelas roupas, cabelo e acessórios que é gay, menos ainda. Não é estranho o suficiente para que a polícia acredite que precise estranhar. É, talvez, onde parte da polícia e parte da sociedade espera – e muitos até torcem, como provam os comentários homofóbicos e racistas que também proliferam na internet – que acabe um adolescente negro e homossexual que saiu de uma balada gay do centro de São Paulo. Para tanto, basta tascar no boletim de ocorrência, já que é preciso dizer alguma coisa: “suicídio”. E despachar o corpo para o Instituto Médico Legal como indigente, já que Kaique teria perdido os documentos e o celular. Vale registrar ainda que, devido à “superlotação do IML”, o corpo ficou “fora da geladeira” por dias, alcançando um estado de deformação que tornou impossível para a mãe dar um velório ao filho morto. Kaique, portanto, estava no lugar naturalizado para adolescentes com a aparência de Kaique.
Já dentro de um shopping, um grupo de jovens pobres e, em sua maioria negros, está fora de lugar para essa mesma polícia e a sociedade que a gesta, evoca e respalda. O deslocamento, por si só, passa a ser interpretado como um crime, na medida em que essa mobilidade é criminalizada por leis não escritas, mas profundamente introjetadas. Tão introjetadas que o aparato de segurança pública e o judiciário são acionados para mantê-los do lado “certo” – o lado de fora. Tão introjetadas que o fato de não existir crime tem sido espantosamente insuficiente para impedir a criminalização de um movimento de meninos e meninas que querem se divertir e dar uns beijos, mas que, ainda que estejam usando grifes, jamais são reconhecidos como “iguais”, como tendo a “aparência certa”, o cartão invisível que garante a entrada pela porta da frente.
Para os rolezeiros, o crime era estar dentro, quando se esperava que continuassem no lado de fora. Para Kaique, não havia suspeita de crime, porque, para uma parcela da polícia e da sociedade que a legitima, ele estava no lugar previsto (embaixo de um viaduto) e na condição prevista (morto). Para Kaique e para os rolezeiros há um lugar naturalizado para a morte, há um lugar naturalizado para a vida.
Vivemos tempos melhores porque, até bem poucos anos atrás (ou talvez meses), o registro da morte de Kaique como suicídio não seria questionado
Simbolicamente, é o mesmo policial que bota “suicídio” no boletim de ocorrência, diante do corpo flagelado de um menino negro, e aquele que,como contou a jornalista Vanessa Barbara na Folha de S. Paulo, repetia no ouvido dos garotos no Shopping de Itaquera: “Vou arrebentar vocês. Vou arrebentar vocês”, e logo desferiu um chute num menino. Ainda que, por estrato social, a maioria dos policiais esteja mais próxima dos rolezeiros do que dos frequentadores habituais dos shoppings, como mostra abrilhante charge de Angeli, na qual um dos garotos, encostados na parede pela polícia durante um rolezinho, olha para trás e diz ao PM: “Pai?!”. Ainda – ou talvez por causa disso.
Nossa polícia é muito doente. Porque nossa sociedade é muito doente. Apodrecemos em praça pública, a maioria, outros em seus bunkers privados. Mas acredito que vivemos tempos melhores porque, até bem poucos anos atrás (ou talvez meses), o registro da morte de Kaique como suicídio não seria questionado. E nunca saberíamos o que houve porque não existiria pressão suficiente para que a polícia fizesse, de fato, uma investigação. Até poucos anos atrás a decisão dos meninos e meninas da periferia de zoar em massa nos shoppings talvez produzisse só repressão, mas não questionamento e reflexão sobre o Brasil. Ainda que os mesmos de sempre tentem desqualificar e reduzir a importância do fenômeno, pelos motivos óbvios, o embate hoje conta com mais narradores e o nível se elevou. Por paradoxal que pareça, acho que melhoramos porque começamos a sentir o quanto cheiramos mal. Antes, o cheiro estava lá, mas não o reconhecíamos como nosso.
O ano de 2014 começou apressado, com ritmo de meio. Me aparece um bom augúrio. Se há alguma esperança, ainda frágil, delicada, de que alcancemos um estágio civilizatório minimamente aceitável, ela está na capacidade de nos espantarmos com o boletim de ocorrência de Kaique e com a reação violenta e discriminatória contra os rolezinhos. Com a não criminalização prévia da morte de um e a criminalização prévia da vida de outros. Há momentos – e este é um deles – que só o espanto salva.
Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista. Autora dos livros de não ficçãoA Vida Que Ninguém vê, O Olho da Rua e A Menina Quebrada e do romance Uma Duas. Email: [email protected]. Twitter: @brumelianebrum
Gunter Zibell - SP
23 de janeiro de 2014 4:18 amRecife cria Conselho Municipal de políticas LGBT
http://www.recife.pe.leg.br/noticias/projeto-de-lei-cria-conselho-municipal-de-politicas-para-publico-lgbt/
A violação de direitos humanos relacionada à orientação sexual e de identidade de gênero constitui um padrão em todo o mundo, envolvendo variadas espécies de abusos e discriminações. Preocupado com essa situação, o prefeito Geraldo Júlio apresentou projeto de lei à Câmara Municipal do Recife propondo a criação do Conselho Municipal de Políticas Públicas para população de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais que, entre outras atribuições, terá a responsabilidade de preparar, coordenar e realizar da Conferência Municipal de Políticas Públicas e Direitos Humanos LGBT.
O projeto de lei do Executivo número 60/2013 cumpre prazo regimental aguardando pareceres das comissões de Legislação e Justiça; de Defesa dos Direitos Humanos e de Finanças e Orçamento. Para embasar a matéria, o prefeito alegou que as violações aos direitos de cidadania incluem desde a negação de oportunidades de emprego e educação, discriminações relacionadas ao gozo de ampla gama de direitos humanos até estupros, agressões sexuais, tortura e homicídios, e tendem a ser agravadas por outras formas de violência, ódio e exclusão, baseadas em aspectos como idade, religião, raça, cor, deficiência e situação socioeconômica.
“São violências que estão presentes nas diversas esferas de convívio social. Suas ramificações se fazem notar no universo familiar, nas escolas, nos ambientes de trabalho, nas forças armadas, na justiça, na polícia, em diversas esferas do poder público”, observou o prefeito Geraldfo Júlio na justificativa do projeto de lei. O conselho, segundo a proposta, será composto por 10 membros titulares, mediante participação paritária de representantes do Governo Público Municipal e da sociedade civil organizada, que compõe o Movimento LGBT ou que atue na promoção dos direitos e garantias da população LGBT.
O mandato dos membros do conselho será de dois anos, permitida a recondução para um mandato subsequente, por uma única vez. As funções dos membros serão consideradas serviço público relevante e não serão remuneradas. “Os conselhos municipais são canais efetivos de participação, que permitem estabelecer uma sociedade, na qual a cidadania deixe de ser apenas um direito, mas uma realidade. A importância do conselho está no seu papel de fortalecimento da participação democrática da população LGBT na formulação e implementação de políticas públicas”, disse o prefeito na argumentação do projeto de lei.
O conselho funcionará como órgão consultivo, propositivo e deliberativo vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos. Entre as atribuições estão: propor, deliberar e monitorar a implementação de políticas públicas de interesse da população LGBT; receber denúncias de violação de direitos da população LGBT e encaminhar para os órgãos competentes no sentido de apurar e coibir tais atos, colaborando na promoção e defesa dos direitos violados; manifestar-se publicamente sobre assuntos referentes à população LGBT; propor às Secretarias do Município do Recife o desenvolvimento de ações intersetoriais que contribuam para a efetiva integração social, econômica, cultural e política da população LGBT, entre outras.
Em 17.01.2014 ás 11p9
Gunter Zibell - SP
23 de janeiro de 2014 4:25 amSubscrevo mensagem ao Governador Alckmin
[É um post curto mas relevante. Não só pelo caso Kaique, que quer seja suicídio ou homicídio foi consequência de homofobia, mas porque quase nenhum caso é apurado. E a indignação é geral, não importa o partido do governante ou o nível de governo.]
Do facebook de Eduardo Piza Mello
https://www.facebook.com/groups/hjeface/permalink/714469598593763/
Sr. Governador Alckmin responda por favor: QUEM MATOU KAIQUE AUGUSTO?
A comunidade LGBT quer saber.
Em 2012 foram assassinados 45 LGBT em São Paulo, quantos destes crimes foram apurados? quem está preso? o que a polícia está fazendo?
Curso de capacitação e palestras contra homofobia não são suficientes.
Precisamos de políticas de segurança pública que combatam a violência homofóbica, previnam e apurem crimes de ódio.
Ao menos em ano eleitoral mostre algum serviço
Gunter Zibell - SP
23 de janeiro de 2014 5:39 amSP criou um quarto dos empregos formais do País em 2013
http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,sp-criou-um-quarto-dos-empregos-formais-do-pais-em-2013,175935,0.htm
Estado foi responsável pela geração de 267.812 postos, 24% do total do ano passado e quase o triplo do Rio de Janeiro, o segundo colocado
BRASÍLIA – O Estado de São Paulo foi o que mais gerou postos de trabalho no ano passado, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Em 2013, foram criadas 267.812 vagas – praticamente um quarto de todos os postos gerados no País e quase o triplo do Rio de Janeiro, o segundo colocado, com 100.808 empregos.
Em 2013, o Brasil gerou 1.117.171 empregos com carteira assinada, o menor desempenho dos últimos dez anos.
No ranking dos Estados, o Paraná ficou com a terceira posição, com 90.349 vagas, seguido do Rio Grande do Sul, com 90.164. Minas Gerais, por sua vez, aparece quinto, com 88.484. Já os Estados que mais fecharam postos no ano passado foram Rondônia, com 3.221 vagas a menos, e Alagoas, com -1.484.
Por regiões, o Sudeste foi o local que mais abriu postos de trabalho, com 476.495 vagas; seguida pelo Sul, com 257.275 postos; Nordeste, com 193.316; Centro-Oeste, com 127.767; e Norte, com 62.318.
As áreas metropolitanas criaram 331.229 postos. São Paulo é a líder, com 129.401; seguida por Rio de Janeiro, com 72.827; Porto Alegre, com 33.274; Fortaleza, com 31.871; e Salvador, com 17.569.
O interior foi responsável pela criação de 465.542 vagas. Por esta ótica, São Paulo foi, novamente, o local que mais gerou postos: 138.411; seguido por Minas Gerais, com 81.979; Paraná, 71.845; e Rio Grande do Sul, 56.890.
Pedro Penido dos Anjos
23 de janeiro de 2014 4:29 pmSP tem 1/4 da população
SP tem 1/4 da população brasileira ( 41 em 190 milhões – censo 2010)!
RJ tem 15 em 190 milhões – quase 1/3 da pop SP!
Gunter Zibell - SP
23 de janeiro de 2014 5:44 amPronto: já temos a maior bolha imobiliária da história
http://super.abril.com.br/blogs/crash/pronto-ja-temos-a-maior-bolha-imobiliaria-da-historia/
A bolha mais violenta de todos os tempos foi a do Japão. Entre 1985 e 1991 os preços dos imóveis subiram 180%, em média, nas maiores cidades de lá. Quase uma triplicada em seis anos. Mas agora já era. Deixamos os japoneses para trás: em São Paulo, foram precisamente 181% de aumento, em seis anos também – de 2008 para cá. No Rio, 225%. Chupa, Japão.
Mas falando sério: tem quem ache que isso nem é uma bolha, só um ajuste natural. Faz sentido, até: nenhum país que viveu uma bolha para valer tinha acabado de sair de quase uma década de hiperinflação, estagnação e sarneyzação – um limbo econômico que manteve o valor dos nossos imóveis bem baixos em relação aos dos “países nobres”, só pra usar o termo que o mercado imobliário aplica a bairros, e que entrou para o léxico de todo mundo. Levando isso em conta, simplesmente comparar nosso aumento percentual de hoje com o do Japão dos anos 80 acaba passando uma ideia imprecisa do que é uma bolha de gente grande.
E uma bolha de gente grande é o seguinte: quando o preço dos imóveis no Japão estava só começando a inflar, em 1985, o metro quadrado em Tóquio já custava R$ 28 mil, em valores de hoje. Bem mais que o do Leblon (R$ 20 mil) ou o da Vila Nova Conceição, o mais caro de São Paulo hoje (R$ 14 mil). Isso porque o Japão já tinha tido seus anos de crescimento chinês, e o PIB continuava bombando na faixa de 4%, 5% ao ano. De quebra, o país via sua renda média por habitante superar a dos EUA, roçando no equivalente a R$ 5 mil por mês. Nisso, o yene começou a valorizar demais. Quando a moeda valoriza, os exportadores se trumbicam, já que os produtos que eles vendem acabam mais caros no exterior. O governo, então, passou a imprimir cada vez mais yenes para ver se o preço da moeda baixava. E forçou a entrada desse dinheiro novo na praça mantendo os juros reais em 0% – o juro nominal era de 2,5%, mas a inflação também. Então o juro para valer era zero mesmo. Com crédito sobrando, o mercado imobiliário pegou fogo.
E seis anos depois o metro quadrado de Tóquio estava batendo nos R$ 80 mil. R$ 4 milhões por qualquer biboca de 50 metros quadrados… Isso na média. Os picos eram bem mais surreais. No distrito de Ginza, a Oscar Freire deles, chegaram a negociar imóveis comerciais por R$ 2 milhões o metro quadrado. O metro quadrado. Foi nessa época que apareceu aquela lenda urbana, a de que o terreno do Palácio Imperial valia mais do que todos os imóveis da Califórnia (o que devia dar uns três Brasis daquela época…). Valia mesmo. Aí estava claro: os preços japoneses tinham violado de vez a realidade. Imobiliária Salvador Dalí.
Nossos preços de agora também têm flertado com o surrealismo. Quando a gente aqui na Super fez uma matéria de capa sobre a obesidade dos preços no Brasil, em abril de 2013, o apartamento mais caro do país era uma cobertura quadriplex nos Jardins – um daqueles palácios suspensos com 900 vagas na garagem, heliponto e o Chuck Norris de segurança. Custava R$ 35 milhões. Agora o buraco está mais em cima: Paula Lavigne colocou o apartamento em que ela morou com o Caetano, no fofo edifício JK, em Ipanema, por R$ 37 milhões. Como a apto tem 750 m2, dá R$ 49 mil o metro quadrado. E olha só: ainda assim é menos que o m2 da Tóquio dos anos 80. Também é bem menos que outro apartamento na orla de Ipanema, anunciado neste ano por R$ 66 milhões. Este, de 600 m2, acaba batendo a média do auge da bolha japonesa – já que custa quase R$ 100 mil o metro quadrado. Recorde histórico, mas ainda uma migalha perto dos preços mais altos do Japão de 30 anos atrás.
Quando saiu a notícia desse apartamento sendo vendido por R$ 66 milhões, aliás, uma comparação recorrente foi dizer que “por esse preço daria para comprar um apartamento perto do Hyde Park, em Londres”. Big shit: a orla Ipanema-Leblon é, arguably, a região urbana mais bonita do mundo – sem falar que o Rio tem um PIB bem razoável: US$ 130 bilhões, igual ao de Hamburgo, na Alemanha.
Então, sim, uma parte dos nossos preços surreais é só uma adequação à própria realidade. Mas isso não significa que a bolha não exista.
E a maior evidência dela não está nos Jardins ou no Leblon. Está no fato de o milhão de reais ter virado a unidade básica da economia imobiliária. Para entender o que isso tem de ridículo, não precisa levar em conta que a renda média no Brasil é de R$ 1.500. Todo mundo sabe que a gente vive num regime quase escravocrata. O que impressiona é que nem os senhores de escravos têm como lidar com esses preços. A renda média do 1% mais rico do país é de R$ 18 mil. Um contra-cheque confortável para os padrões nacionais, óbvio, mas mesmo assim longe do suficiente para comprar nossas bibocas de mais de um milhão de reais sem apertar o cinto. Aí não tem jeito: ou você é do 0,01% mais endinheirado ou está fora desse show do milhão. Pior: quem mais ajuda a inflar nossa bolha é justamente parte do 0,01%: investidores que compram imóveis de baciada para revender depois. Ok. É do jogo: o mercado tem de ser livre mesmo. Mas, num país em que o dinheiro grosso não está nem no topo da pirâmide, mas numa agulha fincada nesse topo, esse jogo é mais arriscado do que parece. Trata-se simplesmente de um mercado pequeno demais para sustentar a alta. E quem diz não sou eu, mas o Robert Shiller, que ganhou o Nobel de economia justamente por ter previsto a bolha imobiliária de 2006 nos EUA (uma mais suave que aquela do Japão, mas que levaria à crise sistêmica de 2008): “Os preços só sobem. Todo mês”, Shiller disse recentemente, sobre o nosso mercado imobiliário. “O que justifica isso, fora o puro entusiasmo? Era exatamente o que eu dizia nos Estados Unidos em 2005. Não quero criar pânico, mas não custa avisar.” Não, não custa.
Webster Franklin
23 de janeiro de 2014 7:20 amGlobo deve se desculpar por ter publicado farsa sobre morto…
Marcelo Zelic: Globo deve se desculpar por ter publicado farsa sobre morto pela ditadura em 1971; crime segue impune
publicado em 22 de janeiro de 2014 às 15:21

Foto “descoberta” pelo Globo em 2012 é a mesma que o jornal publicou em matéria de 1971. Naquela, o Globo usou foto divulgada pelos órgãos de repressão e apresentou a versão deles como se fosse a verdadeira sobre a prisão, tortura e assassinato de Raul Amaro por Conceição Lemes Raul Amaro Nin Ferreira, engenheiro, primogênito dos oito filhos do casal Joaquim Rodrigo Lisboa de Nin Ferreira e Mariana Lanari Ferreira.Na madrugada de 1º de agosto de 1971, ao voltar de uma festa, Raul Amaro foi preso por acaso numa batida de polícia na rua Ipiranga, em Laranjeiras, Rio de Janeiro. Juntos, no carro, Saididin Denne, colega de Raul no Ministério da Indústria e Comércio, e a esposa Yone.No porta-luvas, foram encontrados dois “croquis” de ruas de São Paulo e na bolsa de Yone, um “croqui” de ruas do então Estado da Guanabara.Nada mais eram do que mapas do percurso da casa de Coleta, irmã de Raul, na Vila Madalena, até a Via Dutra, para ele não se perder no bairro e na Marginal do Tietê. O croqui do Rio de Janeiro referia-se ao endereço de Raul na cidade.
Porém, na versão do Centro de Informação do Exército (CIE), os “croquis retratavam residências de generais e almirantes”, que seriam alvo de ação guerrilheira. Raul permaneceu preso. Saididin e Yone foram liberados.O relatório parcial da Comissão Nacional da Verdade, divulgado em 2012, concluiu: Raul Amaro Nin Ferreira, 27 anos, assassinado possivelmente em 12 de agosto de 1971 no Rio de Janeiro, após seguidas sessões de tortura.Fato sabido desde 1982 devido à ação movida por sua mãe, ainda sob a ditadura.Em 1979, dona Mariana entrou com ação na 9ª Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro: “Queria apenas que o Estado reconhecesse que errou, torturou e matou meu filho, para que isso jamais aconteça novamente no Brasil”.Em 31 de agosto de 1982, a União foi condenada em primeira instância.Em 1994, saiu a decisão final, fortalecendo a versão da família. Raul Amaro não teve morte natural, como dizia o laudo da autópsia oficial, nem sofreu um infarto, como militares disseram à dona Mariana. Raul Amaro foi assassinado nos porões da ditadura.O processo trazia ainda depoimentos importantes. Entre os quais, o de um ex-soldado do Exército, Marco Aurélio Magalhães. Á época, ele prestava serviço no DOI-Codi/RJ — o Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna, no Rio de Janeiro — e viu Raul Amaro ser torturado nas dependências daquele órgão.A tragédia destroçou a família. Tanto que o sentimento geral, principalmente depois da morte de dona Mariana, em 2006, era de não tocar no assunto.Até 17 de julho de 2012, quando saiu a reportagem Foto localizada pelo Globo revela: preso chegou ao Dops vivo, que mencionava documentos do Serviço Nacional de Informações (SNI) existentes no Arquivo Nacional.A matéria e o ambiente de Comissão Nacional da Verdade sacudiram Felipe e Raul Carvalho Nin Ferreira, sobrinhos de Raul Amaro, que decidiram ir além.“Aí, tivemos a certeza da existência de uma farta documentação, que a família jamais teve acesso”, contam. “Nossa primeira iniciativa foi contatar Marcelo Zelic, para que, com sua experiência, nos ajudasse a fazer a pesquisa nos arquivos públicos.”Marcelo Zelic é coordenador do Projeto Armazém Memória e vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais – SP. É também um dos responsáveis pela publicação do Brasil Nunca Mais Digital.“Felipe e Raul expuseram o desejo de continuar apurando o caso do tio, dando sequência ao trabalho da avó, dona Mariana”, relata Zelic. “Topei imediatamente.”O resultado é o Relatório Raul Amaro Nin Ferreira, que o Viomundo publica em primeira mão. De autoria de Felipe Carvalho Nin Ferreira, Raul Carvalho Nin Ferreira e Marcelo Zelic, ele tem 226 páginas e está integralmente no final desta reportagem.Baseado em documentos do Estado brasileiro, produzidos pelas forças de segurança e pelo Judiciário, e em entrevistas com pessoas participaram dos fatos, este relatório desmonta de vez a versão oficial, difundida num texto produzido pelo Centro de Informações do Exército (CIE). Além disso, traz novas informações em relação ao que já se conhecia sobre o caso.HÁ INDÍCIOS DE O ÓBITO TER SIDO NO DIA ANTERIOR AO CITADO NA AUTÓPSIAO Brasil vivia o auge da ditadura civil-militar, o general Emílio Garrastazu Médici (1969 a 1974) era o presidente.Raul Amaro não era um militante da luta armada, como os informes da ditadura diziam.Ao contrário, no início da sua juventude, até chegou a ver com bons olhos o Golpe de 1964. Mas, aos poucos, foi mudando. Participou das passeatas de 1968. Na época em que foi preso e assassinado pela ditadura, era simpatizante do MR-8 – o Movimento Revolucionário Oito de Outubro, uma dissidência do Partido Comunista Brasileiro (PCB) no Rio de Janeiro.Seu único contato era Eduardo Lessa, colega de PUC, este, sim, militante do MR-8. Às vezes deixava que Lessa imprimisse material político em sua casa. Outras, deixava que ficasse em sua casa.Raul Amaro foi preso no contexto da caça ao capitão Carlos Lamarca, que rompera com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e tinha ido para o MR-8. O raciocínio dos agentes da ditadura era que, via Raul Amaro, se chegaria a Eduardo Lessa e de Lessa a Lamarca.Por sinal, foi a partir de agosto de 1971 que as torturas no DOI-Codi/RJ ficaram mais sofisticadas, segundo o ex-soldado Marco Aurélio Magalhães, que viu Raul Amaro ser torturado no DOI-Codi. Em entrevista à Folha de S. Paulo, ele descreve as mudanças nas técnicas de tortura: A partir de agosto de 71 as torturas ficaram mais sofisticadas. Quando eu cheguei, as torturas, os métodos de obterem confissão, eram basicamente a força física. Muito pescoção, muito tapa, muito soco, muito chute, vez ou outra choque elétrico nos dedos e órgãos genitais. Às vezes introduziam objetos na vagina ou no ânus. Estes eram os métodos iniciais. Eu entrei em maio, tive um mês de preleção, comecei a dar guarda em junho e mais ou menos em, agosto começaram as obras na parte térrea do prédio do PIC para construção de celas mais sofisticadas. Eles construíram lá em baixo quatro celas. Construíram uma cela-geladeira, onde realmente se chegava a baixíssimas temperaturas, uma câmara toda forrada de isopor e amianto. Construíram também uma cela com vários botões do lado de fora com os quais você controlava e emitia ruídos e sons altíssimos para o preso ter sensações de desequilíbrio. Tinha uma cela totalmente negra, onde a pessoa não enxergava nada e não conseguia nunca acostumar a visão àquele grau de escuridão. Em compensação, tinha uma cela toda pintada de branco onde os presos perdiam a noção de hora, de tempo. Os presos lá em cima, do segundo andar, onde estavam as celas comuns, se guiavam pelos toques do corneteiro, para saber se estava amanhecendo, se o coronel estava saindo ou chegando, se era hora de almoço. Os presos que ficavam nas celas totalmente isoladas perdiam a noção de tempo e de espaço.Até agora, supunha-se que:Após ser preso na blitz em Laranjeiras, Raul Amaro foi para o Dops, na rua da Relação, 40, centro do Rio. Em seguida, depois de fichado, foi levado à casa de seus pais para pegar a chave da sua casa. Da sua casa, teria voltado para o Dops e depois ido para o DOI-Codi, que funcionava no Quartel do 1º Batalhão da Polícia do Exército, na rua Barão de Mesquita, 425, Tijuca.“Porém, os documentos revelam que, depois que saiu de sua casa e antes de retornar ao Dops, Raul Amaro foi interrogado não sabe onde por agentes do Dops e do DOI-CODI”, revela Zelic. “Raul ficou, pelo menos, quatro horas, em lugar ignorado antes de dar entrada como preso no Dops.”Supunha-se também que:No dia 4 de agosto de 1971, Raul Amaro foi transferido para o Hospital Central do Exército (HCE), tendo falecido em 12 de agosto às 15p0, segundo o atestado de óbito.Tudo indica, no entanto, que Raul Amaro faleceu antes.Para começar, a própria família foi avisada do falecimento antes do horário que consta oficialmente no atestado de óbito. O relato é da própria mãe:Por volta de 14,30 horas o Hospital Central do Exército procura pelo telefone os pais de Raul Amaro. Sua mãe, primeira localizada, chegou ao Hospital Central do Exército acompanhada de seu genro Dr. Raul Figueiredo Filho, por volta de 15,30 horas. Raul Amaro falecera antes das 14,00 horas.“Além disso, relatório do DOI-Codi de 11 de agosto aponta que ‘não houve tempo para inquirí-lo [Raul] sobre todo o material encontrado em seu poder’”, observa Zelic. “O que indica que Raul pode ter morrido um dia antes da data oficial, portanto em 11 de agosto, durante novo interrogatório no HCE.”O relatório a que se refere Zelic é um documento encaminhado, no dia 12 de agosto de 1971, pela direção do DOI-Codi ao investigador Eduardo Rodrigues. Lá consta a análise do interrogatório a que foi submetido Raul Amaro no dia 11 de agosto. Ele termina assim: “não houve tempo de inquiri-lo sobre todo o material encontrado em seu poder”. Os grifos em vermelho no documento abaixo são desta repórter.
Eduardo Rodrigues era do DOPS/RJ. Ele foi um dos policiais autorizados pelo general Sylvio Frota, comandante do I Exército, a entrar no HCE, no dia 11 de agosto, para interrogar Raul Amaro.Documento logo abaixo abaixo comprova isso. Eduardo Rodrigues consta como torturador no Relatório Brasil Nunca Mais.RAUL AMARO PODE TER SIDO TORTURADO NO HOSPITAL CENTRAL DO EXÉRCITONa época, o diretor do HCE era o general Ruben do Nascimento Paiva.Dona Mariana relata:O Diretor General Rubens nos disse que Raul Amaro deu entrada no HCE na quarta-feira, 4 de agosto, sem nome e sem informação alguma sobre o que lhe tinha acontecido.Até agora, supunha-se que:Raul Amaro teria ficado em tratamento no HCE ,de 4 a 12 de agosto de 1971, quando faleceu, segundo o atestado de óbito.“Acontece que Raul Amaro foi interrogado no dia 11 de agosto de 1971 no Hospital Central do Exército”, diz Zelic. “Há um ofício desse mesmo dia, encaminhado ao diretor do HCE, general Ruben do Nascimento Paiva, por ordem do general Sylvio Frota, para interrogar Raul Amaro.”No documento (imagem abaixo), o comandante do I Exército, Sylvio Frota, “apresenta o Comissário Eduardo Rodrigues e o Escrivão Jeovah Silva, ambos do DOPS, que vão a este hospital, a fim de interrogarem o preso Raul Amaro Nin Ferreira” (grifo dos autores do Relatório Raul Amaro).
“Não há qualquer registro de transferência de Raul Amaro do HCE para outro local para ser interrogado, porém há documento com informações dadas por ele em interrogatório no dia 11 de agosto”, chama a atenção Zelic. “Isso levanta a hipótese de que Raul Amaro foi interrogado sob tortura, até a morte, dentro do próprio hospital. Além dos dois agentes do Dops, devem ter participado dois do DOI-Codi/RJ”DO GENERAL SYLVIO FROTA E AUXILIARES DIRETOS AO PORÃO: 17 AGENTES ENVOLVIDOSAté agora, sabia-se que:Raul Amaro foi transferido do Dops para o DOI-Codi/RJ em 2 de agosto de 1971.No DOI-Codi, foi interrogado durante quase todo o dia 3, conforme depoimento do ex-soldado Marco Aurélio Magalhães na ação movida pela família de Raul Amaro.Magalhães viu Raul ser torturado e mencionou o envolvimento de três militares, mas não identificou os nomes.“Porém, cruzando documentos oficiais das forças de segurança e do Judiciário, conseguimos ampliar a lista de três pessoas sem identificação, até então apontadas no processo da família, para 17 nomes de agentes do Estado implicados diretamente na prisão ilegal e assassinato sob tortura de Raul Amaro”, afirma Zelic. “Houve participação direta do comandante do I Exército, general Sylvio Frota, e auxiliares imediatos com os agentes torturadores do Dops.”“Na verdade, o Ofício do I Exército ao Diretor do Hospital Central do Exército mostra o vínculo efetivo entre o comando e o porão, vinculação que sempre foi negada”, atenta Zelic. “ Sempre se atribuiu ao porão características de ação paralela e fora da estrutura do Estado, o que é falso.”Os 17 agentes do Estado denunciados no Relatório Raul Amaro são estes:1. Sylvio Frota – General do Exército – Comandante do I Exército11/08/1971 — Enviou ordem autorizando interrogatório de preso no hospital.28/08/1971 — Recebeu solicitação da OAB-GB para acesso aos documentos do Raul e negou.2. Francisco Demiurgo Santos Cardoso – Major do Exército – atuação QG I Exército11/08/1971 — Na ausência do General de Brigada Bento José Bandeira de Mello, chefe do Estado Maior do I Exército, assinou autorização para “interrogatório” no HCE.3. João Pinto Pacca – General – Chefe do DOI/IEx – BNM- Repressor02/08/1971 — Raul Amaro é encaminhado do DOPS ao DOI- CODI sob sua responsabilidade, conforme relatório de Mário Borges, Chefe do SBO.12/08/1971 — Envia cópia de toda documentação sobre Raul Amaro a Eduardo Rodrigues através de ofício, conforme entendimentos.4. Nome desconhecido – Capitão do Exército – DOI / I Exército02/08/1971 — Conduziu Raul Amaro ao DOI.03/08/1971 — Torturou Raul Amaro no DOI-CODI I Exército.5. Nome desconhecido – Sargento do Exército – PE – Atleta do batalhão em 197103/08/1971 — Torturou Raul Amaro no DOI-CODI I Exército.6. Nome desconhecido – Médico Exército – Amílcar Lobo ou Ricardo Agnese Fayad03/08/1971 — Acompanhou a tortura monitorando limite do preso.7. Gastão Barbosa Fernandes – Diretor do DOPS/GB01/08/1971 — Raul Amaro ficou sob sua responsabilidade direta ao chegar no DOPS.18/08/1971 — Participou da farsa do Relatório Final do CIE.8. Mário Borges – Chefe do Serviço de Buscas Ostensivas (SBO) – DOPS/GBNo Relatório Brasil Nunca Mais seu nome consta do Quadro 103 : elementos envolvidos em tortura.01/08/1971 — Comandou a prisão ilegal.01/08/1971 — Levou Raul a lugar ignorado ou clandestino.02/08/1971 — Produziu relatório sobre a prisão.04/08/1971 — Recebeu Registro Técnico via Diretor do DOI.18/08/1971 — Participou da farsa do Relatório Final do CIE.9. Ricardo Boueri – Agente do DOPS, chefe da equipe de busca01/08/1971 — Realizou a prisão ilegal.10. Wilson de Oliveira Souza – Delegado – Turma de Busca Ostensiva01/08/1971 — Realizou a prisão ilegal.05/08/1971 — Recebeu relatório sobre prisão.05/08/1971 — Despachou soltura de Saididin Denne e esposa.12/08/1971 — Solicitou atualização de dados sobre a morte de Raul Amaro no arquivo.11. Hugo Correa de Mattos – Agente da Turma de Busca Ostensiva01/08/1971 — Realizou a prisão ilegal.12. Milton Rezende de Almeida – Agente da Turma de Busca Ostensiva01/08/1971 — Realizou a prisão ilegal.13. Francisco Machado Avila Filho – Agente da Turma de Busca Ostensiva01/08/1971 — Realizou a prisão ilegal.14. Tenil Nunes – Agente da Turma de Busca Ostensiva01/08/1971 — Realizou a prisão ilegal.15. Eduardo Rodrigues – Comissário – DOPS/GBNo Relatório Brasil Nunca Mais seu nome consta do Quadro 103 : elementos envolvidos em tortura.06/08/1971 — Recebeu relatório sobre prisão.06/08/1971 — Abre inquérito nº 40/71 (encarregado).11/08/1971 — Realizou interrogatório no hospital.12/08/1971 — Recebe do general João Pinto Pacca cópia de toda documentação após morte de Raul Amaro.18/08/1971 — Produziu novo auto de apreensão e nova lista de material apreendido.15/09/1971 — Produziu relatório final do inquérito nº 40/71.16. Jeovah Silva – Escrivão – DOPS/GB11/08/1971 — Realizou interrogatório no hospital. 17. Macuco Janine – legista do HCE– Por que o general Ruben do Nascimento Paiva, diretor do Hospital Central do Exército, ficou de fora da lista dos envolvidos? – questionamos Zelic . – Considerando que Raul Amaro teria sido torturado até a morte no próprio HCE, o general não deixou a tortura correr solta?“Com base no documento que reunimos, nós não podemos dizer que o general Ruben participou, podemos dizer apenas que foi omisso”, pondera Zelic.“É razoável supor que, no dia 11 de agosto, ao ser avisado da chegada de agentes do Dops ao HCE para interrogar Raul Amaro, ele teria impedido ou, no mínimo, dificultado, mostrando que Raul não tinha condições e que interrogatório só com ordens superiores. Daí o ofício do dia 11 de agosto. É uma ordem direta do comandante do I Exército ao diretor do HCE, para que os agentes adentrassem na instituição para fazer o interrogatório.”“Além disso, no dia 12, o general Ruben tentou mostrar à dona Mariana que ele não tinha nada a ver com aquilo”, acrescenta Zelic. “Que ele recebeu ordens superiores.”FOTO DESCOBERTA PELO GLOBO EM 2012 É A MESMA DA FARSA PUBLICADA EM 1971Outra revelação do Relatório Raul Amaro. Ironicamente, a foto “descoberta” no Arquivo Nacional pelo Globo, em 2012, é a mesma publicada em 28 de agosto de 1971. Naquela data, o próprio Globo publicou, com a foto recebida dos órgãos de segurança da ditadura, a matéria EXPLICAÇÃO DA MORTE DO ENGENHEIRO. Reproduzia como se fosse verdadeira, a versão oficial dos órgãos da repressão, com explicações muito próximas àquelas contidas na Informação nº 2298/71-S/103.2, do Centro de Informações do Exército (CIE).Na ocasião, o Jornal do Brasil se negou a publicar a versão oficial, como observa em letra de próprio punho, na lateral, dona Mariana, mãe de Raul Amaro.
Como a cópia do recorte da matéria de 1971 dificulta a leitura, transcrevemos abaixo a notícia do Globo:Vítima de edema pulmonar, após oito dias de hospitalização, faleceu em 12 de agosto de 1971 o subversivo RAUL AMARO NIN FERREIRA, codinome “EULÁLIO”, que fôra preso a 1 de agosto, quando conduzia no interior de seu automóvel, documentos terroristas originários do MR-8.Com sua prisão foi possível chegar ao “aparelho” dessa organização terrorista situado à Rua Santa Cristina, 46 apto. C-01, Santa Teresa – GB, tido aparentemente como residência de RAUL AMARO, mas que atuava como célula do “Setor de Agitação e Propaganda” do MR-8.Segundo seu próprio depoimento, o citado “aparelho” fora organizado por ele sob a orientação do terrorista foragido EDUARDO LESSA PEIXOTO DE AZEVEDO, o “CAIO”.Recolhido, finalmente, à prisão, não conseguiu alimentar-se, passando a apresentar, após dois dias, sintomas de fraqueza e convergência de pressão arterial, fato que ocasionou a sua hospitalização.RAUL AMARO NIN FERREIRA (“EULÁLIO”) era brasileiro, nascido na Guanabara a 2 de Junho de 1944, filho de Joaquim R. Ferreira e Mariana L. Ferreira. Trabalhava como engenheiro contratado do Ministério da Indústria e Comércio, no Conselho de Desenvolvimento Industrial.Nas inquirições declarou-se “aliado do MR-8”, cumprindo para essa organização algumas tarefas que lhe eram transmitidas pelo terrorista EDUARDO LESSA (“CAIO”).Para o exercício dessa atividade, o “aparelho” possuia mimeógrafo, máquinas de escrever e duas estações de rádio, ambas com receptor e transmissor de alta potência, para os contatos da organização com os seus militantes em outros Estados.Encontram-se entre eles, um documento sobre reconhecimento de casas de generais e almirantes.Todo o material apreendido no “aparelho”, inclusive vasta literatura subversiva e documentos de instrução terrorista está sendo examinado.Ainda entre aqueles documentos, dois são da autoria de RAUL AMARO, intitulados “Contribuição à tribuna de debates” e “A Vanguarda Armada está isolada”, guardados ainda no “stencil”, e que apresentam referências e dados de acentuado valor, inclusive alguns restritos às esferas governamentais, além de realçar em estilo fluente e técnico aspectos econômicos.RAUL AMARO era também encarregado de redigir e difundir cartas às autoridades educacionais e aos universitários, concitando-os à revolta contra o Governo, tendo como fundamento a “pena de morte”.Colaborava Raul com o “CAIO” e outros elementos do MR-8, ainda não identificados, na transmissão de mensagens através das estações de rádio e no preparo de croquis para o levantamento de áreas previstas para a ação dessa organização. No ato da prisão foram apreendidos croquis de áreas das cidades do Rio de Janeiro e de São PauloRAUL AMARO NIN FERREIRA militava no MR-8, apesar da sua vida legal. Era considerado e gozava de bom conceito no círculo de suas amizades, que desconheciam suas atividades clandestinas e contra a Segurança Nacional.“O Globo foi tão enfático na sua adesão à versão dos militares, que chegou a inventar o codinome “Eulálio” para Raul Amaro”, ironiza Zelic. “ A foto que o jornal localizou no Fundo do SNI, no Arquivo Nacional, não teria sido achada nos seus próprios arquivos?”SOLICITAÇÕES À COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE E AO MINISTÉRIO PÚBLICODiante dessas descobertas e do que falta esclarecer, o Relatório Raul Amaro faz várias reivindicações à Comissão Nacional da Verdade e ao Ministério Público Federal, entre as quais estas:1. Convoquem os agentes do Estado envolvidos, ainda vivos, para prestar depoimentos e dar mais detalhes sobre os fatos aqui tratados.2. Identifiquem os três nomes desconhecidos apontados na lista de agentes envolvidos na tortura e assassinato de Raul Amaro. Uma forma de levantar tal informação é exigir a apresentação da lista das transferências ocorridas do I Exército para outras unidades da instituição, nos meses de agosto, setembro e outubro, e para onde foram.3. Convoquem o Sr. Saididin Denne e a Sra. Yone da Silva Denne para prestar depoimento e ajudar a esclarecer as circunstâncias ligadas ao momento da prisão de Raul Amaro.4. Identifiquem o local clandestino para onde Raul Amaro foi levado sob “responsabilidade do Exército brasileiro”, conforme dito por Mário Borges, entre o momento em que foi levado de sua casa até dar entrada no DOPS-GB, no dia 1º de agosto de 1971.5. Exijam das instituições, públicas e privadas, que ainda possuam documentos relativos à memória de Raul Amaro, e de outras pessoas que tenham sido vítimas da repressão, que os tornem públicos o mais rápido possível. Um bom exemplo é a Ordem dos Advogados do Brasil, seção Rio de Janeiro.“Além disso, como reparação da verdade, é necessário que o Globo se retrate publicamente com relação à matéria publicada em 28 de agosto de 1971″, afirma Zelic.“As informações ali divulgadas foram consideradas comprovadamente falsas, seja pelo que consta da sentença da ação declaratória nº 241.0087/99 da 9ª Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro, seja pelo que trazemos mais detalhadamente no relatório”, conclui.Relatório Raul Amaro Nin Ferreira by conceicaolemes
Webster Franklin
23 de janeiro de 2014 7:28 amFoi preciso que um jornalista com visão limpa viesse do exterior
Da Carta Maior
22/01/2014
Deu no The New York Times: Brasil tem resposta para desigualdade
Foi preciso que um jornalista com visão limpa viesse do exterior, exatamente dos Estados Unidos, para informar aos brasileiros o óbvio ululante.
José Carlos Peliano (*)
Colunista sênior do The New York Times, Joe Nocera, escreveu sobre o Brasil na segunda feira agora, dia 20, apontando a surpresa que lhe despertou a cidade do Rio de Janeiro. Muniu-se de mais informações após sua viagem de volta aos Estados Unidos, reunindo-se com alguns economistas para procurar entender o que se passava com o país em particular onde se apoiavam seus pilares econômicos.
Chamou-lhe a atenção, o que os brasileiros já sabiam, a variedade de boas lojas em bairros como Ipanema e igualmente a quantidade de pobreza nas favelas ao redor. Segundo ele, para os visitantes, saltava aos olhos o número de cidadãos de classe média pelas ruas em meio aos carros por todos os lados e o tráfico congestionado. Por não ser ilusão o que via, passou a acreditar que tudo aquilo era sinal de uma classe média emergente. As pessoas tinham dinheiro para comprar carros.
Foi preciso que um jornalista com visão limpa viesse do exterior, exatamente dos Estados Unidos, país cuja cultura nos é bem conhecida, para informar aos brasileiros o óbvio ululante, salve Nelson Rodrigues, já que os profissionais dos nossos jornalões e televisões de plantão não informam por não saberem ver ou não conseguirem enxergar.
Se tivesse dito só isto já era o suficiente para mostrar que as mídias sociais, baluartes modernos da resistência informativa, veem como ele o país. Mas suas observações foram mais carregadas ainda de tinta ao destacar a queda na desigualdade de renda na última década, os recordes atuais do baixo desemprego e a saída da pobreza de cerca de 40 milhões de pessoas. Por fim, ainda assinalou que, embora o crescimento do produto tenha reduzido, a renda per capita continua a subir.
Já os economistas reunidos com ele relativizaram as conquistas. Disseram que a boa forma da economia brasileira tem voo curto a despeito dos ganhos obtidos.
Estariam faltando ganhos em produtividade para sustentar a volta dos investimentos. O baixo desemprego dos que querem trabalhar seria porque, enquanto a economia cresce pouco e com eficiência contida, o Estado compensa incentivando o consumo com programas sociais. Para eles o país teve mais sorte do que sucesso.
Não é sorte, embora os santos possam ter ajudado! Com a retração dos investimentos, apesar do esforço e incentivo do governo, a estratégia de expansão do consumo foi estabelecida para segurar a economia, mesmo a crescimento baixo, exatamente nesses anos de vacas magras desde o início da crise financeira mundial com a quebra do Lehman Brothers. O Brasil foi um dos poucos países que suportaram o baque, outros entraram em recessão ou mais leves ou mais graves, todos eles fazendo o dever de casa imposto pelas autoridades financeiras mundiais de ajustar e pagar suas dívidas públicas e privadas, desviando os olhos dos impactos sociais. Pois então, enquanto o Brasil cresce devagar, a economia mundial não conseguiu ainda se levantar.
De fato, o viés de consumo da política econômica é opção do governo que deu certo interna e externamente. Aqui, liderado pelos programas sociais somam-se outras medidas complementares, entre elas, correções maiores que a inflação no salário mínimo, aposentadorias e pensões e repasses parciais à gasolina dos aumentos de custos. Lá fora, os economistas com ele reunidos não viram: o próprio governo dos Estados Unidos e a ONU se interessaram pelo Programa Bolsa Família e pretendem implementá-lo para reduzir o desemprego, melhorar a renda familiar e sustentar o consumo. Joe Nocera destaca o papel do programa e compara seu êxito com a recusa do Congresso americano em melhorar o seguro desemprego e outros programas sociais naquele país.
Do lado do investimento, os economistas se esqueceram de mencionar que há muitas fichas apostadas na expansão e modernização da infraestrutura e na exploração do pré-sal não só pelos efeitos produtivos diretos, mas também pelos efeitos indiretos. Um forte incentivo e impulso do complexo industrial são esperados, o que tem tudo para promover a volta de novos projetos e a expansão de muitas plantas industriais existentes. Seguras e concretas alternativas brasileiras mesmo diante da crise mundial que arrasta as economias dos países.
Ao contrário do Brasil, o jornalista afirma que a produtividade americana voltou a crescer, mas apesar disso o desemprego não desce dos 7% e a classe média aos poucos perde posição social (em parte por conta de não serem distribuídos melhor os ganhos de produtividade). Diz taxativamente que a desigualdade de renda é um fato na vida dos Estados Unidos e ninguém tem sido capaz de fazer alguma coisa a respeito. Será que no fundo querem seguir a receita desandada do Brasil de esperar o bolo crescer para distribuir algumas migalhas?
O objetivo do governo atual e dos dois anteriores no Brasil foi exatamente garantir o desenvolvimento com a melhoria das condições de vida da população, em especial dos mais pobres; os Estados Unidos querem o desenvolvimento a qualquer custo. Infelizmente só o jornalista americano consegue entender isto, parabéns!, os nossos da grande mídia não.
http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Economia/Deu-no-The-New-York-Times-Brasil-tem-resposta-para-desigualdade/7/30065
Sérgio T.
23 de janeiro de 2014 9:12 amMinistro Joaquim Barbosa diz que que diárias de R$ 14 mil são ‘b
Ministro Joaquim Barbosa diz que que diárias de R$ 14 mil são ‘besteira’
Em Paris, presidente do STF alega que vai receber extra nas férias porque suas palestras e entrevistas são de ‘interesse público’. E ainda critica colegas do Tribunal
O DIA
França – O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, disse ontem em Paris, onde está em viagem de férias, que considera “uma tremenda bobagem” a discussão em torno dos R$ 14 mil que receberá do Tribunal para fazer palestras na Europa. “Nós temos mais coisas a tratar”, afirmou.
Ele argumenta que receberá o pagamento de 11 diárias, mesmo estando de férias, porque seus compromissos são de interesse público. E porque, ao fazer palestras e conceder entrevistas a jornalistas, estará representando o Poder Judiciário brasileiro no exterior.
Além dos que condenaram o pagamento de diárias a ele por atividades nas férias, Joaquim Barbosa atacou seus colegas de Supremo Carmem Lúcia e Ricardo Lewandowski, que o substituíram no período. Segundo o presidente do Supremo, ambos poderiam assinar o mandado de prisão contra o deputado João Paulo Cunha, condenado por participação no mensalão. Barbosa, que rejeitou os recursos do parlamentar e determinou sua prisão, mas não assinou o mandato, alegou que não teve tempo antes das férias.
O argumento de Barbosa foi contestado pelo advogado de João Paulo, Alberto Toron, para quem caberia ao presidente do STF assinar o mandado. “Ele deixou de cumprir o dever dele e está confortavelmente dando seu rolezinho pela Europa.”
http://riodejaneiro.ig.com.br/?url_layer=http://odia.ig.com.br/noticia/brasil/2014-01-23/ministro-joaquim-barbosa-diz-que-que-diarias-de-r-14-mil-sao-besteira.html
Marly
23 de janeiro de 2014 9:56 amAh! se fossse para alguém do PT!
Quanta desfaçatez!
Sérgio T.
23 de janeiro de 2014 9:17 amNova oposição afina discurso contra Eduardo Campos
Nova oposição afina discurso contra Eduardo Campos
Parlamentares do PT e do PTB voltam a dizer que discurso do PSB é contraditório
A nova oposição do governo de Pernambuco começa a afinar o discurso contra Eduardo Campos (PSB). Em reunião que definiu o deputado Sérgio Leite (PT) como o líder da bancada oposicionista, nesta quarta-feira (22), os parlamentares do PT e PTB disseram que ainda continuam com a mesma posição política, ao contrário do Presidente do PSB que rompeu com o Governo Federal.
Segundo a nova vice-líder da oposição, a deputada Teresa Leitão, o discurso do PSB é “extremamente contraditório”. “Depois que entregou os cargos (o PSB) disse que iria ficar independente, mas ficou na oposição, e hoje não há nada que o PT faça que o PSB ache bom. É extremamente contraditório, sobretudo pela contribuição que deram. Entregar a Secretaria de Integração (Nacional) ao PSB, com todo aporte de obras, muitas delas localizadas em Pernambuco, é ou não é potencializar a liderança de Fernando Bezerra Coelho (PSB)? E agora nada mais presta, seis meses depois nada mais presta?”, questionou a petista.
“Agora temos que ter o cuidado de não seguir sozinho, o que foi feito com o nosso voto na Assembleia, não vamos jogar pedras”, completou.
A parlamentar também disse que falta coerência ao PSB. “Isso é o básico da relação política (coerência). O que Dilma (Rousseff-PT) fez para o PSB se afastar da forma radical que se afastou? Qual a rota do governo que foi mudada? A rota do governo mudou porque nos excluiu. Hoje estão no governo os maiores opositores ao governo Dilma”, criticou a deputada.
Para Sílvio Costa Filho (PTB), o PT e o PTB não vão construir um diálogo diferente na bancada oposicionista porque mantém a posição de dar sustentabilidade política a presidente Dilma Rousseff. Ele aproveitou para relevar o papel do Governo Federal no crescimento da economia do Estado. “O sucesso que Pernambuco tem na economia, nos investimentos, nas políticas públicas, no Litoral ao Sertão, é por conta do Governo Federal. Nós já temos dados que apontam que 70% dos investimentos nos últimos oito anos (em Pernambuco) foram recursos oriundos do Governo Federal. Então não temos duvida que o intuito da oposição é fazer uma oposição construtiva. Temos que apontar para os pernambucanos o que de fato o PT fez para Pernambuco”, explicou.
http://www.leiaja.com/politica/2014/01/22/nova-oposicao-afina-discurso-contra-eduardo-campos/
Webster Franklin
23 de janeiro de 2014 9:17 amNós estamos vivendo aqui, em Minas, uma ditadura civil,…
Do Vi o Mundo
Rogério Correia: Prisão em MG é para proteger Azeredo, Pimenta e Aécio
publicado em 21 de janeiro de 2014 às 21:25
Rogério Correia: “Nós estamos vivendo aqui, em Minas, uma ditadura civil, um estado de execção”
por Conceição Lemes
O deputado estadual Rogério Correia (PT-MG) conversou mais cedo com Hernandes de Alecrim e Bruno Moreira Silva, advogados do jornalista Marco Aurélio Carone, do Novo Jornal, preso em Belo Horizonte desde as seis da manhã dessa segunda-feira 20.
Ambos disseram-lhe que estão sendo impedidos de ter acesso ao processo do seu cliente na Segunda Vara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.
Correia conversou também com Priscila Carone, filha do jornalista.
“Ela chora muito, a família está chocada com a prisão preventiva”, conta-nos. “A família está buscando a ABI [Associação brasileira de Imprensa], Sindicato dos Jornalistas e Fenaj [Federação Nacional dos Jornalistas Profissionais], porque a imprensa aecista está tratando a prisão de Carone como caso de quadrilha.”
Viomundo – O que acha da versão da mídia pró-Aécio?
Rogério Correia – No meu entender, inteiramente fantasiosa. A versão apresentada não tem a menor credibilidade.
Viomundo – O que há, de fato, por trás dessa prisão?
Rogério Correia – Censura! O promotor que pediu a prisão preventiva do Carone diz que o site do jornalista, só por citar determinadas pessoas, estaria ameaçando-as. Por isso pediu a preventiva dele.
Viomundo – Ameaçando em que sentido?
Rogério Correia – Não sei, pois os advogados ainda não tiveram acesso à peça do promotor.
Viomundo – O que se quer com essa prisão?
Rogério Correia – Na verdade, tentar transformar em falsas as denúncias feitas contra os tucanos – o mensalão tucano e a lista de Furnas – , que até o mundo mineral sabe que são verdadeiras. E, aí, transformar em réu todo mundo que denuncia o caixa 2 dos tucanos, o esquema de propinas…
Viomundo – Todo mundo que os denuncia corre o risco de virar réu?
Rogério Correia – Acho que sim. Assim como os tucanos tentaram cassar o meu mandato e o do deputado estadual Sávio Souza Cruz (PMDB-MG). Eles ameaçam as pessoas, retaliam, asfixiam economicamente ou tentam cassar mandatos. Todo mundo que denuncia os tucanos em Minas vira réu, não presta. É o mal dos tucanos em Minas Gerais. É o estilo Aecinho Malvadeza.
Viomundo – Então quem não concorda com o senador Aécio Neves , candidato do PSDB à presidência da República, corre risco de alguma forma?
Rogério Correia – Sim. Quem é amigo de Aécio, pode absolutamente tudo, com helicóptero ou sem helicóptero. Aos outros, cadeia, cassação de mandato… É importante o que está ocorrendo com o Carone para mostrar ao Brasil inteiro o estado de exceção que Minas vive.
Viomundo – Acredita que isso possa acontecer com o senhor, com o deputado Sávio, com o Minas Sem Censura?
Rogério Correia – Não duvido de que daqui a pouco os tucanos do Minas vão inventar alguma coisa sobre a gente também. Nós estamos vivendo aqui uma ditadura civil. É um estado de terror que os tucanos querem implantar aqui.
Viomundo – Com que objetivo?
Rogério Correia – Tudo para proteger Eduardo Azeredo, Pimenta da Veiga, Aécio Neves, que são mencionados na lista de Furnas e no mensalão tucano. Até o mundo mineral sabe que eles levaram propina e fizeram caixa 2. Isso está comprovado em inquérito da Polícia Federal, conduzido pelo delegado Luís Flávio Zampronha, e em denúncia feita pela procuradora Andréia Bayão, do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, como eu e Sávio já dissemos em matérias publicadas pelo Viomundo.
O Azeredo é o pai do mensalão tucano, o Pimenta da Veiga, o avô, e o Aécio é quem recebeu recursos. Fernando Henrique Cardoso também foi beneficiado pelo mensalão tucano. Todo mundo sabe, mas não pode dizer.
Viomundo – Pimenta da Veiga é o candidato de Aécio ao governo de Minas?
Rogério Correia – Sim. Por isso, também, o desespero deles de colocar gente na cadeia.
Viomundo – A prisão do Carone serviria então de lição? Seria uma tentativa de para calar a boca de quem discorda de Aécio?
Rogério Correia – Exatamente. Na mosca. Não tenho a menor dúvida disso.
Viomundo — E agora o que o senhor, o deputado Sávio e o Minas Sem Censura (MSC) pretendem fazer?
Rogério Correia — Para começar, discutir a prisão do Carone na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O deputado Pompilio Canavez (PT-MG), líder do Bloco Minas Sem Censura, já apresentou requerimento à Comissão de Direitos Humanos da ALMG, reivindicando esse debate.
http://www.viomundo.com.br/denuncias/rogerio-correia.html?fb_action_ids=607768825943275&fb_action_types=og.likes&fb_source=other_multiline&action_object_map=%5B1374864616111415%5D&action_type_map=%5B%22og.likes%22%5D&action_ref_map=%5B%5D
Marly
23 de janeiro de 2014 9:54 amAcorda queridos Mineiros!
O que está acontecendo em Minas Gerais é sério e muito preocupante! ACORDA POVO MINEIRO!!!!
Sérgio T.
23 de janeiro de 2014 9:33 amAperto da classe média de países ricos ameaça crescimento global
Aperto da classe média de países ricos ameaça crescimento global
Stephen Fidler | The Wall Street Journal
A globalização tornou o mundo um lugar mais igualitário, melhorando a situação econômica de milhões de pessoas pobres ao longo dos últimos 25 anos. Mas há um problema: Ela também aumentou a desigualdade dentro dos países mais ricos – comprimindo a renda da população pobre e da classe média.
Durante algum tempo, a crise financeira pareceu ter invertido a tendência de maior desigualdade nos países industrializados. Mas dados mais recentes indicam que foi apenas uma breve interrupção.
Por volta de 2010, as tendências pré-crise voltaram a ganhar força, à medida que estímulos governamentais davam lugar à austeridade, programas especiais de seguro-desemprego expiravam e – mais importante – as medidas de estímulo dos bancos centrais impulsionavam os retornos de ativos financeiros, ajudando a melhorar o cenário econômico.
Os bancos centrais injetaram somas sem precedentes nas economias ocidentais, o que levou os superricos a ficarem ainda mais ricos, em meio à escalada de preços de imóveis de luxo em cidades como Londres e Nova York e a disparada dos mercados de capitais.
Os números compilados por Emmanuel Saez, da Universidade da Califórnia em Berkeley, e Thomas Piketty, da Escola de Economia de Paris, mostram que, em 2012, os 10% mais ricos da população ficaram com metade de toda a renda produzida nos Estados Unidos. Esse é o percentual mais alto desde 1917, quando os dados começaram a ser compilados com mais precisão.
“Acho que temos um problema político. Pode chegar a hora em que as classes médias nos países ricos se rebelem contra a globalização”, diz Piketty, autor de “Le Capital au XXIe Siècle” (O Capital no século XXI, em tradução livre), livro disponível em francês sem data de publicação no Brasil. Uma ordem mundial na qual a maioria das pessoas se beneficia – mas uma minoria influente não – pode não ser sustentável por muito tempo.
Alguns especialistas acreditam que essas disparidades estejam se tornando cada vez mais enraizadas nas economias mais ricas – com a divisão entre os muito ricos e o restante da população marcada pela capacidade ou não de ter acesso ao capital. Se eles estiverem corretos, as sociedades desenvolvidas retornarão, em alguns aspectos, ao mundo dos séculos XVIII e XIX. Naquele mundo, riqueza de verdade era adquirida através do casamento ou da herança de propriedades. A ideia nascida no século XX de que construir um patrimônio depende em grande parte de uma carreira de trabalho duro e bem remunerado vai desaparecer.
O “Relatório de Riscos Globais do Fórum Econômico Mundial”, publicado antes da reunião anual do fórum esta semana, em Davos, na Suíça, e baseado numa pesquisa com especialistas de todo o mundo, identifica a grave disparidade de renda como o risco para a economia mundial que mais tem possibilidade de se manifestar durante os próximos dez anos. Os membros da “classe média comprimida” nos países desenvolvidos já estão se fazendo ouvir, com alguns aderindo a movimentos que contestam a ordem estabelecida e organizações políticas nacionalistas que se opõem à globalização.
A maior parte desse grupo ainda é privilegiada se comparada com a maioria da humanidade. Mas comparada com as pessoas mais ricas de suas próprias sociedades – o 1% tão bem representado em Davos esta semana -, a classe média está ficando para trás.
Branko Milanovic, ex-economista do Banco Mundial e professor visitante da Universidade da Cidade de Nova York, diz que dados de pesquisas com famílias americanas mostram que, de 1988 a 2008, a renda real dos 50% mais pobres nos EUA cresceu apenas 23%. As famílias da mesma faixa na Alemanha e no Japão tiveram um desempenho ainda pior. A renda real dos 50% mais pobres no Japão caiu 2% em termos reais. Enquanto isso, a renda do 1% dos americanos no topo da pirâmide cresceu 113%, um percentual que outros estudos consideram subestimado.
“As desigualdades nacionais em quase todos os lugares, exceto na América Latina, aumentaram”, diz Milanovic.
Globalmente, porém, as novas classes média e baixa de economias emergentes, como a China, Índia e Brasil, obtiveram grandes benefícios nos últimos vinte anos. Quem mais perdeu foi a população 5% mais pobre do mundo, que vive em grande parte na África. Instituições internacionais, como a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, argumentam que o aumento da desigualdade na distribuição de renda e de patrimônio dentro de uma única economia corrói a coesão social e aumenta o risco de conflito interno.
As razões para o crescimento da desigualdade são muitas. A globalização atinge financeiramente os trabalhadores não qualificados, cujas atividades entram em concorrência direta com os trabalhadores de baixa renda de economias em desenvolvimento. O trabalho altamente qualificado tende a tirar mais proveito de avanços tecnológicos. A ascensão do setor financeiro, onde os melhores profissionais de bancos podem obter remunerações vultosas, parece ser outro fator. Mas talvez o fator mais determinante seja a importância crescente do acesso ao capital.
Em seu novo livro, Piketty, o da Escola de Economia de Paris, argumenta que, historicamente, o retorno sobre o capital ultrapassou o crescimento econômico. Ele acrescenta que as pessoas que têm acesso a capital verão sua renda subir a um ritmo mais rápido que as pessoas cuja renda depende do crescimento da economia, ou seja, a média da classe trabalhadora. A renda e a riqueza, portanto, tornam-se mais concentradas ao longo do tempo.
Isso talvez ainda não esteja acontecendo nas economias emergentes, presumindo que elas continuam crescendo. À medida que elas acompanham o mundo em desenvolvimento, há uma boa chance de que o crescimento seja superior aos retornos sobre o capital. Em algum momento, no entanto, à medida que elas amadurecem e o crescimento desacelera, a mesma dinâmica será aplicada. O capital será o rei.
Para o futuro, a questão é se a economia globalizada poderá se sustentar enquanto um número significativo de pessoas se vê em desvantagem. Se puder, outras pessoas na China, Índia e Indonésia – e em economias periféricas, como Bangladesh, Paquistão e países da África – poderiam se beneficiar.
Se a globalização não puder ser sustentada, um maior número de barreiras nacionalistas, restringindo o comércio e a circulação de capital e criando novos obstáculos à mobilidade do trabalho, poderia substituí-la. Isso poderia fechar a porta do progresso para muitos pobres do mundo.
Os pobres continuarão tentando melhorar de vida, mas se não conseguirem mobilidade social em casa, é provável que a busquem no exterior. “Ou os países pobres se tornam mais ricos, ou a população pobre vai se mudar para países ricos”, diz Milanovic.
“É provável que a migração se torne um dos principais problemas – ou solução, dependendo do ponto de vista – do século XXI”, diz ele.
compilado do Valor Economico
Antonio Carlos Silva - RJ
23 de janeiro de 2014 10:59 amAonde foi parar o judiciário brasileiro (O Rolê do Rei Sol) !
“O INTERESSE PÚBLICO É ESTE QUE VOCÊS ESTÃO VENDO, EU SOU O PRESIDENTE DE UM DOS PODERES DA REPÚBLICA” – Joaquim Barbosa
“A imagem de Barbosa em Paris: o diabo veste Prada
De férias na França, com diárias pagas pela União, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, aproveitou para fazer compras numa galeria de luxo em Paris, onde desfilam grifes como Prada, Fendi e Bottega Veneta; o fato de ser pago pelos contribuintes para desfrutar “la vie en rose” é, segundo Barbosa, uma “tremenda bobagem”; indagado sobre o interesse público das diárias, ele respondeu: “O interesse público é esse que vocês estão vendo, eu sou o presidente de um dos poderes da República”
22 de Janeiro de 2014 às 22:15
247 – Deve-se ao fotógrafo Luiz Azevedo, da Folha de S. Paulo, o registro de uma cena à qual se aplica o clichê: uma imagem vale por mil palavras.
A cena em questão é do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, numa galeria de luxo em Paris, onde desfilam grifes como Fendi, Prada e Bottega Veneta.
Com seu elegante chapéu e um terno bem cortado, risca de giz, Barbosa passa pelo caixa. A vendedora parece espantada com a compra. E Barbosa a olha com um certo ar de superioridade.
Como se sabe, o chefe do Poder Judiciário está de férias em Paris. Lá, recebe diárias de R$ 14 mil, só justificadas pelo Supremo Tribunal Federal depois que o repórter Felipe Recondo, do Estado de S. Paulo, a quem Barbosa mandou “chafurdar no lixo”, revelou a mordomia.
Indagado sobre o interesse público das diárias, Barbosa afirmou que o caso não passa de uma “tremenda bobagem”. Disse mais: “O interesse público é esse que vocês estão vendo, eu sou o presidente de um dos poderes da República”.
Barbosa se vê como uma espécie de rei do Brasil, ou, quem sabe, como uma versão moderna do monarca Luís XIV, a quem se atribui a frase “L’état c’est moi”, “o estado sou eu”.
Ele pode tudo. E talvez ele tenha razão: “o interesse público é esse que vocês estão vendo”.
marlon
23 de janeiro de 2014 11:31 amDemóstenes responderá ação
Demóstenes responderá ação
TJ-GO aceitou denúncia do Ministério Público contra ex-senador, Cachoeira e Cláudio Abreu
Carla Borges23 de janeiro de 2014 (quinta-feira)
Demóstenes
Corte Especial do TJ acata denúncia do MP contra Demóstenes Torres
Sebastião Nogueira
Desembargador Leandro Crispim com as dezenas de volumes que compõem o processo contra Demóstenes Torres
A Corte Especial do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) recebeu ontem a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) contra o procurador de Justiça e ex-senador Demóstenes Torres, o empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e o ex-representante da Delta Construções em Goiás, Cláudio Abreu. Com isso, será instaurada ação penal contra os três. Demóstenes é acusado de corrupção passiva (oito vezes) e exercício de advocacia administrativa. Os outros dois – Cachoeira já foi condenado a 38 anos pela Justiça Federal –, por corrupção ativa.
Esse será o primeiro processo criminal a que Demóstenes responderá desde que veio à tona seu envolvimento com Cachoeira, que lhe custou o mandato de senador da República. Por enquanto, todas as medidas contra ele, inclusive o afastamento do caro, foram administrativas (veja quadro). A ação penal será instaurada pelo TJ-GO porque, como procurador de Justiça, ele tem foro por prerrogativa. Cachoeira e Abreu, que não têm esse direito, pediram o desmembramento do processo, para que pudessem responder perante juiz singular, mas o pedido foi negado.
A denúncia contra os três foi recebida por unanimidade pela Corte Especial. O relator do processo, desembargador Leandro Crispim, também votou pela quebra do sigilo fiscal do ex-senador nos últimos dez anos, desde 21 de maio de 2003. Crispim também determinou o afastamento de Demóstenes das funções – seria o afastamento judicial, já que ele está afastado administrativamente, mas pode voltar se o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) entender que sim – até o fim da ação penal contra ele. Crispim justificou a decisão devido às provas de materialidade (de que os crimes foram cometidos) e os indícios de autoria, “sobretudo pela natureza do cargo que ele exerce e pelo princípio da moralidade”.
Segundo a votar, o desembargador Itaney Francisco Campos seguiu o relator no recebimento da denúncia, mas não o acompanhou na quebra do sigilo fiscal e no afastamento. Campos apresentou o voto com essa ressalva, destacando que entende que essas medidas devem ser tomadas pelo relator, se ele entender assim, no decorrer do processo e não com o recebimento da denúncia. Os demais membros da Corte Especial seguiram o voto de Campos, pelo recebimento da denúncia, mas com a ressalva de não fazer a quebra do sigilo fiscal e o afastamento.
Foi um julgamento tenso e demorado. Só a leitura do voto pelo relator (descontada a leitura do relatório) durou 1 hora e 1 minuto. Quinto a votar, o desembargador Nicomedes Borges alegou ter dúvida em relação à licitude das provas e pediu vista do processo. No final, ele refluiu do pedido, alegando estar convencido, e votou pelo recebimento da denúncia ontem mesmo.
Os advogados de Demóstenes, Pedro Paulo de Medeiros, e de Cachoeira, Cléber Lopes, tentaram medidas ainda na sessão de ontem. Medeiros pediu que o julgamento fosse fracionado entre preliminar e mérito, mas o pedido foi indeferido. Lopes queria levantar uma questão de fato, mas o relator indeferiu, alegando que os advogados de defesa dos réus tiveram a oportunidade de apresentar suas teses e seus argumentos durante a sustentação oral, momento em que não foram interrompidos.
ENVELOPE
Essa foi a terceira vez que a matéria entrou na pauta da Corte Especial. Na primeira, quando foram feitas as sustentações orais pelos advogados de defesa e pelo procurador-geral de Justiça, Lauro Machado Nogueira, Leandro Crispim não apresentou o voto, que, segundo o rito da Corte, provavelmente estaria pronto. Ele pediu mais prazo para avaliar o processo, devido à sua complexidade e ao teor das sustentações orais apresentadas. Na segunda, há duas semanas, explicou que estava de férias e não teve tempo para fazer o julgamento. Ontem, no entanto, ele apresentou um voto contundente.
Às vésperas da sessão do dia 8 deste mês, foi intensa a movimentação de defensores dos réus no TJ-GO, tentando contato com os desembargadores membros da Corte Especial – ela é composta por 17 dos 34 desembargadores. Ontem, o desembargador Alan Sebastião de Sena fez uma revelação: ele disse que em virtude de seu nome ter figurado em uma das gravações feitas pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo, chegou a pensar em se afastar do processo. Dias atrás, ele contou que, ao chegar em casa, recebeu um envelope com documentos relacionados com a Operação Monte Carlo.
“Quem encaminhou o documento faltou com a verdade em relação ao meu voto em um processo por improbidade administrativa”, disse Sena, sem especificar que processo foi esse. “Quem mandou o envelope agiu como se eu tivesse votado pela improcedência da ação, mas eu votei pela procedência”, continuou. Sena deixou claro que votaria de forma imparcial.
Relator rebateu argumentos
23 de janeiro de 2014 (quinta-feira)
O relator da denúncia contra o ex-senador Demóstenes Torres, Carlinhos Cachoeira e Cláudio Abreu, desembargador Leandro Crispim, rebateu cada um dos pontos apresentados pelos advogados de defesa dos três réus no processo e durante a sustentação oral. Ele concordou com os argumentos do procurador-geral de Justiça, Lauro Machado Nogueira, e com os pedidos de quebra de sigilo fiscal e afastamento do cargo.
Crispim não acatou o argumento de incompetência do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) para julgar Cláudio Abreu e Cachoeira porque a peça é dirigida a eles, mas também a Demóstenes, que tem foro privilegiado por ser procurador de Justiça. O relator refutou o argumento de incompetência do Ministério Público para comandar investigações criminais. Sempre apresentando farta jurisprudência e fundamentos na doutrina, o relator também descartou a ausência de justa causa para instauração de ação penal, com a premissa de que as escutas são lícitas e autorizadas pela Justiça.
Crispim entendeu que não há de se falar em nulidade de provas nem em excesso de prazo da interceptação telefônica, como alegaram as defesas dos três, tampouco em cerceamento ao direito de defesa. “Os denunciados tiveram acesso a todo o material das operações da polícia”, disse.
Depois do julgamento, o advogado Pedro Paulo de Medeiros disse que os próximos passos serão definidos depois que eles tiveram acesso ao inteiro teor da denúncia. “Parece muito claro que demonstrado não haver prova contra o ex-senador”, afirmou. Cléber Lopes, advogado de Cachoeira, disse que vai esperar a publicação do acórdão. “Discordamos em relação à legalidade das provas”, ponderou. A defesa cogita impetrar habeas-corpus no Superior Tribunal de Justiça.
1.462203 1.462201
http://www.opopular.com.br/editorias/cidades/dem%C3%B3stenes-responder%C3%A1-a%C3%A7%C3%A3o-1.462201
dapenna
23 de janeiro de 2014 1:34 pmDemóstenes e Cachoeira viram
Demóstenes e Cachoeira viram réus em açãoEx-senador é acusado de corrupção passiva e utilização indevida de facilidades do cargo O Estado de S.Paulo | 23 de janeiro de 2014 | 2h 06 O Tribunal de Justiça de Goiás recebeu ontem, por unanimidade, a denúncia contra o ex-senador Demóstenes Torres (sem partido), o contraventor Carlinhos Cachoeira e o ex-diretor da construtora Delta em Goiás Cláudio Abreu. Com a decisão, eles passam a ser réus em ação criminal no TJ. Demóstenes é acusado pelo Ministério Público pelos crimes de corrupção passiva e advocacia administrativa – utilização indevida de facilidades do cargo. É o primeiro processo criminal contra o ex-senador. Cachoeira e Cláudio Abreu respondem pelo crime de corrupção passiva. Demóstenes é acusado de receber R$ 5 milhões de Cachoeira, além de eletrodomésticos de luxo e bebidas de alto custo. Ele também é acusado de receber vantagens indevidas, como viagens em aeronaves particulares. A decisão de receber a denúncia se deu por unanimidade na Corte Especial do tribunal. Embora o caso tenha sido investigado pelo Ministério Público Federal, o TJ-GO ficou a cargo da denúncia porque Demóstenes, mesmo não tendo mais foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal por ter tido o mandato de senador cassado, ainda é Procurador de Justiça, e membros do Ministério Público têm foro na Corte Especial. O Estado tentou entrar em contato na noite de ontem com os advogados de Demóstenes e de Cachoeira, mas eles não foram encontrados.
Gão
23 de janeiro de 2014 6:15 pmExército dos EUA quer substituir 25% de seus soldados por robôs
Exército dos EUA quer substituir 25% de seus soldados por robôs
Forças armadas querem reduzir o número de pessoas em uma brigada e pretendem expandir o uso de aparelhos não tripulados
Por Felipe Gugelmin em 22 de Janeiro de 2014
Até pouco tempo atrás sinônimo de grandes orçamentos, o exército dos Estados Unidos passa por uma fase no qual pretende investir em forças mais econômicas, compactas e, especialmente, mais mortais. Para isso, as forças armadas do país norte-americano pretendem substituir pelo menos 25% de seus soldados por robôs inteligentes nos próximos anos.
Segundo o general Robert Cone, responsável pelo Treinamento do Exército e Controle de Doutrina da instituição, afirmou que há a intenção de que cortar o tamanho máximo de uma brigada para 3 mil (atualmente o limite é de 4 mil soldados). Os combatentes eliminados seriam substituídos por robôs e sistemas não tripulados, como os drones já utilizados em algumas operações.
“Quando você vê o sucesso que a Marinha teve na redução de pessoas em navios, percebe-se que há funções de uma brigada que podemos automatizar — robôs ou máquinas tripuladas ou não tripuladas —, limitando o número de pessoas envolvidas levando em consideração primeiramente o fato que pessoas correspondem pela maior parte de nossos custos”, afirmou Cone durante uma apresentação ocorrida na semana passada.
Aumentando a letalidade das forças armadas
Cone também defende que a mudança tem o objetivo de aumentar o grau de letalidade das forças armadas do país. Segundo ele, nos últimos 12 anos os Estados Unidos tiveram que perder muito nesse quesito devido à sua filosofia de operar como uma força de proteção, “e o Exército essa manobrabilidade, posicionabilidade e poder de fogo de volta”.
A expectativa é a de que, até o final de 2015, o país tenha reduzido de 540 mil para 490 mil a quantidade de soldados que emprega a seu serviço. A previsão é que esse número continue diminuindo com o passar dos anos, chegando a 420 mil integrantes a partir de 2019.
Fonte: Defense News
http://www.tecmundo.com.br/robotica/49454-exercito-dos-eua-quer-substituir-25-de-seus-soldados-por-robos.htm
Osvaldo Ferreira
23 de janeiro de 2014 7:11 pmVILLA DIZ QUE DITADURA NO
VILLA DIZ QUE DITADURA NO BRASIL DUROU SÓ 11 ANOS
“Historiador” afirma que apenas metade do período que é considerado pela História como sendo governado por uma ditadura militar – de 1964 a 1985 – pode ser tratado como tal; no livro “Ditadura à Brasileira”, Marco Antonio Villa defende que até sob o AI-5, o mais duro golpe dos militares, o País não vivia, efetivamente, sob um regime ditatorial
23 DE JANEIRO DE 2014 ÀS 15:24
247 – O historiador Marco Antonio Villa defende que o Brasil viveu apenas 11 anos de ditadura militar, apenas metade do período escrito nos livros de história – de 1964 a 1985. A defesa é feita por Villa no livro “Ditadura à brasileira”, uma extensão do texto com mesmo nome publicado em 2009.
Segundo Villa, mesmo sob o AI-5, baixado em 1968 e que definiu o momento mais duro do regime militar, com uma série de ações arbitrárias e de efeitos duradouros, o País não era governador por uma ditadura. Para ele, o Brasil deixa de ser uma ditadura em 1979, com a Lei da Anistia.
O militante tucano ressalta ainda, em seu livro, o que seriam, em sua visão, os benefícios desse governo, como a abertura de instituições de ensino superior, a industrialização do país e a modernização da infraestrutura. A venda da publicação está sendo anunciada nesta quinta-feira 23 pela Folha de S.Paulo (veja aqui).
Osvaldo Ferreira
23 de janeiro de 2014 7:14 pmO “históriador” Villa é
O “históriador” Villa é figurinha fácil na Globo News e tucano de carteirinha. Até na negação da ditadura os ideólogos do PSDB se engajaram agora. Valhamedeusnossasenhora!
Joca
23 de janeiro de 2014 7:42 pmAliado dos tucanos ensaia volta à chefia do Ministério Público d
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,aliado-dos-tucanos-ensaia-volta-a-chefia-do-ministerio-publico-de-sp-,1121679,0.htm
Aliado dos tucanos ensaia volta à chefia do Ministério Público de SP
O procurador Luiz Marrey, que foi secretário de Serra na Prefeitura e no governo do Estado, diz que é independente
23 de janeiro de 2014 | 2h 04
O procurador Luiz Antonio Guimarães Marrey, de 58 anos, aliado do ex-governador José Serra (PSDB) e próximo do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), diz que “ainda não decidiu”, mas já tem o discurso pronto para entrar na corrida pelo cargo de procurador-geral de Justiça de São Paulo. “Estou refletindo, não decidi”, afirma Marrey, três vezes chefe do Ministério Público Estadual, entre 1996 e 2004. Hoje, em reunião com seu grupo, Marrey deverá tomar decisão.
A notícia da candidatura Marrey, antecipada pela coluna Direto da Fonte, agita as promotorias. No Ministério Público há 34 anos, Marrey diz que são intermináveis os apelos de colegas que desejam seu retorno ao comando. A possibilidade de ele concorrer altera o xadrez político da instituição.
Nos bastidores das promotorias, comenta-se que serristas o procuraram com o propósito de incentivá-lo a concorrer ao cargo de número 1 do Ministério Público. Ele afirma que só promotores e procuradores o têm assediado. “Eles querem um Ministério Público vibrante, com uma clara agenda para a sociedade, baseada no combate à violência e à corrupção.”
Marrey foi fiel escudeiro de Serra na Prefeitura, como secretário dos Negócios Jurídicos, e no governo do Estado, como titular da pasta de Justiça. Depois, assumiu a Casa Civil de Alberto Goldman (PSDB), que era vice de Serra e o sucedeu no governo estadual em 2010.
Até recentemente, Marrey dizia que não tinha mais pretensões de tentar reassumir a cadeira de mandatário da instituição. “Meu tempo já passou, agora só quero dar meus pareceres”, comentava, em alusão à tarefa que ora exerce em processos perante o Tribunal de Justiça.
As eleições para procurador-geral estão marcadas para 5 de abril. O atual chefe do Ministério Público, Márcio Elias Rosa, é candidato à reeleição.
Investigações. Se alcançar novamente a cadeira de procurador-geral, Marrey vai deparar-se com um cenário delicado: estão em curso investigações importantes contra antigos aliados seus, abertas na gestão Elias Rosa – por exemplo, inquéritos em que é citado Kassab, que era vice de Serra quando Marrey foi secretário de Negócios Jurídicos. O ex-prefeito é alvo de denúncias sobre suposto esquema de corrupção.
Também cairá na mesa de Marrey o cartel dos trens do setor metroferroviário – esquema que teria operado entre 1998 e 2008 nas administrações Mário Covas, que o nomeou duas vezes procurador-geral, José Serra e Geraldo Alckmin, que o nomeou em 2002, em sua terceira passagem como chefe do Ministério Público Estadual.
“Meu único compromisso é com a sociedade paulista e com os promotores que integram a instituição”, diz Marrey. “Eu tenho recebido apelos de dezenas de colegas do Estado inteiro.”
O procurador afirma que o fato de ter ocupado cargos estratégicos em gestões tucanas não o inibe. “De maneira nenhuma. Não sou filiado a partido político e tenho histórico de exercício independente de minha atividade, sempre atuei honradamente. Denunciei secretária de Estado do governo Covas por peculato em pleno exercício do cargo. Minhas gestões foram reconhecidas.”
Osvaldo Ferreira
23 de janeiro de 2014 9:30 pmPoliciais civis entram em
Policiais civis entram em confronto com usuários de drogas na cracolândia
DE SÃO PAULO
23/01/2014 17p4
Uma operação da Polícia Civil terminou com confronto entre policiais e usuários de drogas na região da cracolândia, no centro de São Paulo, na tarde desta quinta-feira. Ao menos três pessoas foram feridas por balas de borracha, entre elas uma criança.
Segundo a Folha apurou, policiais civis chegaram ao local por volta das 15h, em carros e com roupas civis, e fizeram a prisão de um rapaz. Um grupo protestou contra a prisão e atirou pedras e pedaços de pau contra os policiais, quebrando os vidros do veículo usado pelos policiais.
Cerca de 30 minutos depois, aproximadamente dez carros da Polícia Civil cercaram o local. Foram fechados dois quarteirões da alameda Barão de Piracicaba e os policias usaram bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Informações preliminares apontam ao menos quatro pessoas foram detidas.
PróximaO confronto durou cerca de 20 minutos. Após a saída dos policiais civis, o clima permanecia tenso entre os usuários de droga e moradores da região.
Tanto a prefeitura quanto a Polícia Militar afirmaram que não sabiam da operação da Polícia Civil.
A cracolândia tem sido alvo de uma operação da prefeitura de ressocialização de usuários de drogas. A gestão Fernando Haddad (PT) está pagando R$ 15 por dia a cerca de 400 usuários da região em troca de trabalho em serviços de zeladoria, como varrição de parques da cidade.
O pagamento é feito com base no dia trabalhado, não por valor fechado no final do mês. Assim, caso a carga horária do dia não for cumprida, ele não recebe. Hotéis da região também estão sendo cadastrados pela prefeitura para abrigar usuários de droga.
Na semana passada, Haddad disse que a região estava ocupada pela GCM (Guarda Civil Metropolitana) e pela Polícia Militar, e que todos estão orientados a não promover uma “política higienista” no local
Frederico69
24 de janeiro de 2014 1:39 amresultado do choque de gestão no paraná
resumindo essa é a forma de governar dos tucanos. tristes os paranaenses terão de escolher entre o filhote da ditadura e a greice lora burra para o o governo, que decisão complicada.
http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/01/1402005-governo-do-parana-sacou-dinheiro-de-contas-judiciais-diz-oab-pr.shtml
Governo do Paraná sacou dinheiro de contas judiciais, diz OAB-PR
ESTELITA HASS CARAZZAI
DE CURITIBA
23/01/2014 19p3
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Em dificuldades financeiras, o governo de Beto Richa (PSDB) no Paraná sacou dinheiro irregularmente de contas judiciais para abastecer o caixa estadual, segundo a OAB do Paraná.
Ainda não se sabe, porém, qual o montante e quantas contas foram atingidas.
Essas contas abrigam valores depositados em juízo, que ficam parados até que haja decisão final da Justiça.
Advogados relataram à OAB que clientes que venceram ações neste mês tentaram sacar o dinheiro, mas se depararam com saldo zero.
Uma lei federal permite que os Estados saquem até 70% dos depósitos judiciais de natureza tributária, que envolvem litígios sobre o pagamento de impostos estaduais, para quitar precatórios (dívidas do Executivo com ordem judicial de pagamento).
Parte deste dinheiro fica como fundo de reserva, para que as partes tenham como retirar os valores quando findarem seus processos.
É proibido, porém, mexer nas contas não-tributárias, de causas privadas –alvo das denúncias da OAB.
“Todo mundo já sabe que isso aconteceu. Ninguém sabe a extensão, os valores, mas aconteceu”, diz o presidente da OAB-PR, Juliano Breda. “A parte fica anos esperando o Judiciário decidir sua causa e quer ver seu direito reconhecido. Não pode, agora, ficar esperando.”
No Paraná, a transferência de valores de contas tributárias ao Estado foi liberada por um convênio com o Tribunal de Justiça e com a Caixa Econômica, que gerencia as contas, em dezembro.
O governo de Beto Richa (PSDB) diz que está checando os dados das contas e irá devolver todo o dinheiro sacado indevidamente. Foram 2.049 contas movimentadas, e R$ 153 milhões transferidos em favor do governo –foi a primeira vez em que o governo estadual fez esse tipo de transferência. Ainda não se sabe quanto do total veio de contas não-tributárias, que não podem ser movimentadas.
A gestão Richa vem enfrentando uma crise financeira: no final do ano passado, atrasou pagamento a fornecedores e paralisou obras por falta de dinheiro. Metas de governo foram suspensas, e um mutirão de arrecadação tem sido promovido para reforçar o caixa.
“Não houve má-fé nem intenção de meter a mão num dinheiro que não é do governo”, declarou Richa. “Houve autorização do Tribunal de Justiça. Se houve equívoco, há um fundo de reserva que repara imediatamente essa situação.”
No ano passado, Richa já tentou aprovar lei para ter acesso às contas não-tributárias, sem sucesso. A tentativa foi barrada pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça).