Jornal GGN – O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) optou por aumentar novamente a taxa básica de juros em 0,50%, elevando-a para 10,50% ao ano, em decisão unânime. Entretanto, a decisão não chega a ser uma surpresa.
Em relatório, os economistas da LCA Consultores explicam que o desfecho contrariou as projeções de desaceleração do ritmo de elevação para 25 pontos-base inicialmente estimadas, embora o anúncio não tenha surpreendido. “Os desconfortáveis resultados recentes da inflação corrente – em particular a salgada leitura do IPCA de dezembro – sugeriam ser relevante a chance de que o Banco Central optasse por uma decisão mais agressiva do que prevíamos (…)”, dizem. “O comunicado da decisão tornou a afirmar que a autoridade está “dando prosseguimento ao processo de ajuste da taxa básica de juros” – o que pode ser interpretado como um sinal de que o ciclo de aperto monetário ainda não se encerrou”.
Por outro lado, os agentes explicam que o comunicado voltou a sinalizar o fato de que o processo de ajuste da taxa básica de juros foi iniciado em abril – desta forma, os agentes acreditam que o colegiado pareceu indicar que o atual ciclo de alta já é longo, e que os efeitos sobre a atividade e a inflação são defasados e cumulativos.
Ademais, o comunicado introduziu os termos “neste momento” para contextualizar a decisão pela elevação da Selic em mais 0,5 ponto percentual. A última vez que esses termos foram utilizados foi no comunicado da reunião do Copom de 20 de julho de 2011, em antecipação ao encerramento de um longo ciclo de ajuste da taxa básica de juros.
“Vale registrar que a utilização dos termos “neste momento” no comunicado de política monetária de 20 de julho de 2011 veio acompanhada da supressão de uma frase-chave, utilizada para coordenar as expectativas dos mercados, que afirmava que o ajuste das condições monetárias seria estendido por tempo “suficientemente prolongado (…) para garantir a convergência da inflação para a meta” – o que foi interpretado, à época, como um sinal de que o ciclo estaria se encerrando”, dizem os economistas. Entretanto, na reunião seguinte, em 31 de agosto de 2011, o Copom surpreendeu os mercados ao reduzir a Selic em resposta à deterioração do cenário externo (contexto de dificulta a avaliação sobre o significado da introdução dos termos “neste momento” como sinalização prospectiva para a política monetária).
Assim, os analistas da LCA Consultores acreditam que o comunicado da decisão do Copom não chega a fechar a possibilidade de a autoridade monetária encerrar o ciclo de ajuste em sua próxima reunião; embora pareça bastante relevante a possibilidade de que o Banco Central julgue conveniente dar prosseguimento ao aperto monetário no curto prazo (sobretudo se a inflação continuar a apresentar surpresas desconfortáveis). Embora a consultoria aguarde a publicação da ata da reunião, em 23 de janeiro, para avaliar a conveniência de elevar o orçamento total do ajuste monetário em curso, ela continua a considerar 10,5% a 11% ao ano “o intervalo mais provável para a Selic encerrar 2014”.
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