Por Diogo Costa
MATUSALÉM USANDO CALÇA CURTA – Existe no Brasil uma renhida disputa entre dois pólos que se pretendem hegemônicos, capitaneados por PT e PSDB, desde o ano de 1994. Não foram poucos os candidatos e partidos que tentaram quebrar esta polarização ao longo das últimas eleições, sem sucesso algum. Esta polarização não surge de sonhos e desejos d’alguns e de outros, mas sim dos acontecimentos concretos vivenciados pela população brasileira nos últimos 25 anos, em nível federal e estadual.
O PT conseguiu fincar estaca no campo da centro esquerda desde o processo eleitoral de 1989 e o PSDB afirmou-se na centro direita desde a eleição de 1994, onde o Plano Real de Itamar Franco serviu de escada para os partidários da ‘social-democracia’ verde amarela. Em todos os processos eleitorais, desde 1994, houveram candidaturas que se prestaram a acusar a “falsa” polarização existente entre os dois rivais que hoje comandam e disputam o cenário nacional.
Para além da vontade, estas candidaturas que se pretendiam enquanto “terceiras vias” pecavam por não haver conseguido fixar no imaginário popular um significado minimamente crível a respeito de seus projetos e programas. Para 2014 muito se fala em quebra da polarização. Pode até acontecer, mas o fato é que não há elementos que confirmem esta tese.
O PT tem a imensa vantagem de disputar em 2014 com uma candidata que está consolidada no imaginário social como a sucessora das bem sucedidas políticas públicas empreendidas por Lula. Ressalte-se que Dilma Rousseff ostenta hoje índices de aprovação popular (pessoal e de governo) superiores aos índices atingidos por FHC em 1998 e por Lula em 2006. Este é um feito absolutamente notável.
Se em 2010 Dilma era ampla, geral e irrestritamente desconhecida do povo brasileiro, afinal de contas jamais havia disputado uma única eleição sequer, agora em 2014 é justamente o contrário. Ela tem luz própria, afirmou-se no cenário nacional, terá um valiosíssimo recall e conservará integralmente o apoio de Luiz Inácio Lula da Silva. E lembrem também que José Serra era o governador do Estado mais poderoso do Brasil até abril de 2010 e possuía um grande recall de eleições passadas (2002, 2004 e 2006). Uma destas, inclusive, presidencial.
Os oposicionistas atuais, ao contrário, não possuem recall presidencial algum. Eles é que precisam se afirmar e mesmo assim já ostentam índices de rejeição similares aos de Dilma Rousseff. Ora, quem serão os cabos eleitorais privilegiados da oposição neste ano? Fernando Henrique Cardoso tira um ponto percentual de Aécio Neves a cada vez que aparece lhe prestando apoio. Marina Silva pensa erroneamente que possui um ‘imenso’ cabedal político, quando não o tem. Os votos que ela teve em 2010 se deveram muito mais a alta rejeição de Serra e ao desconhecimento, até mesmo certa desconfiança da população em relação ao novato nome de Dilma, principiante em disputas eleitorais.
O atual ocupante do Palácio das Princesas também não conseguiu até agora (e nada aponta que irá conseguir) atravessar a ponte entre Petrolina e Juazeiro. Ou seja, trata-se de uma típica candidatura regional (no sentido de estadual), que terá imensas dificuldades para entrar no eleitorado do Sul e do Sudeste além de não ter nenhum refresco no próprio Nordeste. Tirando Pernambuco, onde o postulante está praticamente empatado em votos com Dilma, nos outros estados do Nordeste Dilma vem aplicando uma impiedosa goleada.
Talvez ele tenha acreditado na piada que lhe contaram a respeito do voto dos nordestinos, como se um eleitor do Ceará fosse votar em alguém de Pernambuco, a priori, pelo simples fato dele ser um “representante” do Nordeste… Ora, acreditar nesta estultice é o mesmo que acreditar que um paulista votaria num candidato do Rio de Janeiro pelo simples fato deste candidato ser um “representante” do Sudeste! Seria como acreditar que um gaúcho votaria num catarinense, a priori, porque este candidato catarinense seria um “representante” da região Sul! Isto é simplesmente ridículo.
Não existem três ou quatro projetos alternativos hoje em Pindorama. O que há são dois projetos antagônicos e irreconciliáveis. O campo neoliberal se vê prejudicado pela letargia do PSDB e é justamente neste suposto vácuo que o rapaz de olhos verdes tenta entrar.
Não é a toa que ele e os seus empreendem um giro político de 180º, saindo da base de apoio do governo federal, onde ficaram alegremente durante 11 longos e largos anos (se beneficiando disto), e passando a compor casamentos de véu e grinalda com o PSDB (principal representante do neoliberalismo oposicionista no Brasil) nos estados. Além, evidentemente, de compor com outras figuras históricas do anti petismo mais radical que vicejou no país nos últimos 10 anos. Perderão o pouco de identidade popular que acumularam até aqui. Como confiar em quem vira a casaca com tamanha desenvoltura?
A direita quer voltar de forma travestida, envernizada, com ares modernosos e esverdeados, calcados numa suposta defesa de “valores” – existe algo mais conservador do que o debate a respeito de “valores”? – e calcados numa pseudo capacidade administrativa que inexiste na vida real. A verdade nua e crua é que as duas candidaturas oposicionistas montaram em seus estados natais amplas alianças políticas (que fazem as alianças do governo federal parecerem brincadeira de crianças), e ainda criticam o PT pelas alianças que ostenta no plano federal… Criticam no PT o que praticam a la larga, desde sempre.
A oposição não trás nenhuma ideia que seja importante para as classes laborais deste país. Ao contrário, PSDB e PSB conseguiram até agora única e exclusivamente fazer a defesa do fim da Política Nacional de Valorização do Salário Mínimo e do fim do Regime de Partilha para a exploração do pré-sal (querem tirar a Petrobrás desta exploração acabando com a participação percentual mínima da mesma).
Fizeram também a defesa do fim da PPSA (Petrosal), que definem como sendo um “excesso” intervencionista do governo atual. Dizem os neoliberais, onde já se viu uma empresa 100% estatal ser a operadora ÚNICA dos poços de petróleo do pré-sal, além de ter poder de VETO na comercialização dos barris e no ritmo da produção? Segundo eles, isto “afugenta” os investidores.
A direita tradicional (PSDB) e a nova direita, representada pelos esverdeados “socialistas”, não apresenta absolutamente nada de novo! São o que há de mais velho e atrasado na política brasileira desde sempre. Os “socialistas” chegaram já ao mais alto padrão de fisiologismo e de oportunismo político que se poderia imaginar. Marina é tão ‘nova’ quando o banco Itaú… Fugirão do debate econômico como o diabo foge da cruz, pois não podem dizer de verdade o que pretendem fazer, que é retornar com as pérfidas políticas de arrocho salarial e de concentração de renda. Para desviar as atenções dos inocentes úteis virão com o papo furado dos “valores”…
Ou seja, vote nos neoliberais e receba um cálice de “valores” dos homens bons da nação! Quem precisa de salário e de distribuição de renda? Quem precisa de políticas públicas como as cotas e o PROUNI, além da expansão das universidades federais? Dizem os neoliberais que isto é uma bobagem, que o que importa são os “valores”! Passe fome mas tenha “valores”! Perca o emprego mas tenha “valores”! Os pobres são pobres não por um problema estrutural da economia, mas sim porque se afastaram de bons “valores”!
Enfim, há dois projetos existentes no Brasil, como já foi dito. Um defende o pleno emprego, a distribuição de renda, a diminuição das desigualdades sociais e regionais, a inserção soberana do Brasil no conserto das nações, a unidade sulamericana e o multilateralismo. O outro projeto, antagônico, defende que a salvação para o Brasil é transformá-lo numa Grécia, mas recuperando os “valores”… É o projeto pronto e acabado do capital financeiro (esverdeado ou não).
Absolutamente nada de novo. Apenas o fato de que uns e outros tentarão se fantasiar de jovens com jovens e arejadas propostas… Não se enganem, é o velho Matusalém usando calça curta.
Motta Araujo
14 de janeiro de 2014 5:36 pmNão há DIREITA no Brasil. O
Não há DIREITA no Brasil. O espectro politico vai do centro esquerda à extrema esquerda. Ninguem se diz conservador, que é uma categoria politica que defende a Democracia liberal com respeito às instituições, regulação do mercado para que ele seja eficiente e produza os melhores resultados dentro de um sistema contratual.
Direita classica exige um pais razoavelmente educado, com pessoas instruidas e civilizadas.
Por favor não conundr direita com Odoricos norte-nordestinos, não tem nada a ver. Piratas e bandoleiros não tem ideologia, eles querem apenas pegar o que puderem em qualquer regime e proteger sua familia e agregados.
Direita e esquerda são odeologias, conjunto de ideias cuja operação exige inteligencia e cultura.
PT e PSD nasceram no mesmo ninho, só se diferenciam pela classe social dos fundadores.
André LB
14 de janeiro de 2014 6:49 pmNessa eu concordo com
Nessa eu concordo com você.
No Brasil não há direita, há quadrilhas nas quais a direita se apoia para fazer valer seu inconfessável “ideal” de tudo pra mim, se sobrar alguma coisa fica metade pra mim e metade pra vocês.
ruyacquaviva
14 de janeiro de 2014 9:04 pmÉ a mesma coisa. A direita e
É a mesma coisa. A direita e o crime organizado sempre estiveram intrinsecamente ligados. A direita é uma ideologia que defende a liberdade do dinheiro e a escravidão do ser humano. Seus métodos e seus representantes são os mesmos do crime organizado, porque é tudo a mesma coisa.
aliancaliberal
14 de janeiro de 2014 8:32 pm“Não há DIREITA no
“Não há DIREITA no Brasil.”
Araujo, este é um erro comum afirmar que não existe direita no Brasil, este é um dos maiores mitos da nossa sociedade, pelo uso do “circulo do silêncio” a esquerda conseguiu colar esta idéia.
“Direita classica exige um pais razoavelmente educado, com pessoas instruidas e civilizadas.”
Isso é elitismo seu, os conceitos de direita estão presentes na maioria do nosso povo especialmente nos mais pobres, pensamento esquerdista é encontrado nas elites intelectuais, pobre é cético quanto as transformações abruptas da sociedade.
Se vc fizer uma pesquisa vai ver que a maioria tem um pensamento de direita.
O que falta é representatividade politica ai vc esta correta.
Daytona
14 de janeiro de 2014 9:23 pmIdeias de direita como
Ideias de direita como aquelas difundidas pelo Inst. Mises, que prega a inferioridade de certas “raças”(Mises), que os “negros são geneticamente menos inteligentes que os brancos”(Block, professor do Inst. Mises), que “democratas, ambientalistas e homosexuais devem ser fisicamente removidos da sociedade”(Hoppe, prof. do Inst. Mises)estão enraizadas no povo!
Gilson Raslan
14 de janeiro de 2014 9:13 pm??????
Dizer que “PT e PSD nascerm no mesmo ninho” é um equivoco sem medida. Ou você quis se referir ao PSB?
Daytona
14 de janeiro de 2014 9:21 pmÓbvio, não existem
Óbvio, não existem conservadores no Brasil, só revolucionários, ninguém defende o status quo.
Brilhante comentário!
Gilson Raslan
14 de janeiro de 2014 9:43 pmCONCEITO ULTRAPASSADO
Motta Araújo, penso que esse conceito DIREITA/ESQUERDA está ultrapassado, porque adotado pela posição geográfica de parlamentares no Parlamento Francês do século XVIII: do lado direito, os GIRONDINOS representavam a alta burguesia e queriam evitar uma participação maior dos trabalhadores urbanos e rurais na política; do lado esquerdo, os JACOBINOS representavam a baixa burguesia e defendiam uma maior participação popular no governo.
Hoje, o que existe na verdade são governos PRÓ POVO, sem descuidar do MERCADO; e governos PRÓ MERCADO, esquecendo-se do POVO.
Se quisermos dar nome aos bois, podemos tachar os primeiros de SOCIALISTAS, e os segundos de CONSERVADORES.
Essa história de direita e esquerda só serve para xingamento, para desqualificação.
xatoux
14 de janeiro de 2014 6:45 pmEh, nao existe direita no
Eh, nao existe direita no Brasil…
Deve ser algum ensinamento de Sun Tzu, do tipo “o mais poderoso inimigo é aquele que se passa despercebido, inexistente até”
Alexandre Weber - Santos -SP
14 de janeiro de 2014 6:58 pmPMDB + PROS
Significa um governo autônomo, sem se preocupar com maiorias.
Requião + Ciro Gomes são uma chapa imbatível nesta próxima eleição.
Mas a banca quer plebiscito, dois candidatos, nada de terceira via sem anuência do sistema financeiro, que não por acaso, deita e rola no governo do PT e do PSDB.
Quanto a ideologia de Esquerda e Direita, é coisa ultrapassada, que serve de biombo para esconder os verdadeiros interesses do maniqueismo eleitoral.
Diogo Costa
14 de janeiro de 2014 7:26 pmOs citados apoiarão Dilma Rousseff e o Partido dos Trabalhadores
Ciro Gomes e Roberto Requião vão de Dilma Rousseff em 2014, como já fizeram em 2010.
Todas as pessoas do planeta Terra que insistem nesta cantilena de que já não mais existe Esquerda e Direita é porque escolheram o seu lado. O lado da própria direita…
Marco Antonio Osório da Costa
14 de janeiro de 2014 8:02 pmSem se preocupar com maiorias?
Dá para explicar como é que aconteceria essa mágica de um “governo autônomo” que não precisaria se preocupar com maiorias”?
Como então aprovar seus projetos? Com varinha de condão?
Daytona
14 de janeiro de 2014 9:20 pmOras, Marco, muito
Oras, Marco, muito simples!Basta fechar o Congresso e suspender os direitos e garantias fundamentais dos brasileiros, e, em uns 20 anos, tudo se arruma!
Acho que o Weber tá meio acanhado em admitir qual é o projeto político que ele defende, é um cara acanhado!
Alexandre Weber - Santos -SP
14 de janeiro de 2014 10:09 pmVideo interessante sobre o mundo
https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=lMBt_yfGKpU
[video:https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=lMBt_yfGKpU%5D
Adjutor Alvim
14 de janeiro de 2014 11:21 pmPMDB + PROS
Oi Alexandre,
interessante essa proposta sua de chapa Requião + Ciro Gomes.
Vc podia entrar mais em detalhes de pq a considera imbatível?
E desculpe a inconfidência, mas vc não era filiado ao PSB? Mas não apoia Eduardo Campos?
aliancaliberal
14 de janeiro de 2014 7:35 pm“A oposição não trás nenhuma
“A oposição não trás nenhuma ideia que seja importante para as classes laborais deste país.”
A ídeia principal da direita é não mais acontecer isso.
[video:http://www.youtube.com/watch?v=Em2D7fKNy10%5D
ruyacquaviva
14 de janeiro de 2014 9:01 pmOs direitistas são justamente
Os direitistas são justamente aqueles que não estão nem aí para a violência quando ela atinge o povão. Só falam dela para fazer proselitismo político.
Em São paulo estão sendo incendiados ônibus, crianças estão morrendo em ações criminosas e em tiroteios entre a polícia e os bandidos e os presídios não diferem em nada do presídio de Pedrinhas no Maranhão. A direita não falava antes, quando as memsas coisas aconteceram e não fala agora, quando elas continuam acontecendo. Parece que só tem problema no Maranhão, mas só porque agora isso está interessando para fazer proselitismo, daqui a pouco o interesse passa e eles param de falar do assunto, mesmo com o problema continuando.
http://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/brasil/2014/01/13/cinco-onibus-sao-incendiados-em-sao-paulo-em-pouco-mais-de-24h.htm#fotoNav=3
Daytona
14 de janeiro de 2014 9:17 pmA ideia da direita(pelo menos
A ideia da direita(pelo menos da direita seguida pelo Aliança)é que “os negros são geneticamente menos inteligentes que os brancos”(Walter Block, do Inst. Mises), “democratas, ambientalistas e homosexuais devem ser fisicamente removidos da sociedade”(Hans-Hermann Hoppe, o nazista-liberal do Inst. Mises), e outras ideias racistas e preconceituosas disseminadas por esses institutos liberais.
Aliança nunca comenta as ideias de seus gurus, deve ter vergonha de assumir que concorda com elas.
Pedro Pereira
14 de janeiro de 2014 8:01 pmO mais triste será isso:
“Fugirão do debate econômico como o diabo foge da cruz, pois não podem dizer de verdade o que pretendem fazer, que é retornar com as pérfidas políticas de arrocho salarial e de concentração de renda. Para desviar as atenções dos inocentes úteis virão com o papo furado dos “valores”…
Precisamos realizar mais debates econômicos para se aprasentar novas propostas, aprofundarmos o desenvolvimento, impedir o aumento da desindustrilização, mas como faremos isso se Marina Silva é o principal expoente da oposição?
Teremos um repeteco da campanha horrorosa de 2010, no qual a oposição na podia ser sincera, e fugia da discussão séria.
A desonestidade intelectual e o cinismo da oposição é a prova que do “lado de lá” não há projeto nacional, só projeto pessoal de poder.