Jornal GGN – Em entrevista ao 247, Mercadante responde às críticas de que sua passagem pelo governo teria sido um dos principais motivos para o enfraquecimento da gestão petista. “Essa é mais uma dentre tantas outras teses, amplamente difundidas pelos golpistas, para enfraquecer o governo Dilma na época e justificar a articulação golpista”, argumentou.
Pontuando, em seguida, de que a nomeação de Cid Gomes para Educação, então ligado ao Pros, jamais fez parte de uma estratégia do governo Dilma para enfraquecer o PMDB. ” O Cid era um governador reeleito, que fez um excelente trabalho na educação no estado do Ceará, especialmente na alfabetização e na educação básica, com resultados expressivos”, completou.
O ex-ministro da Casa Civil, destacou que a “em grande parte” a crise econômica enfrentada no início do segundo mandato de Dilma foi fruto da crise política, somada a queda de preços das commodities, forte período de seca que o país enfrentava, desvalorização rápida e significativa do real frente ao dólar, e pressão sobre os preços de energia e inflação. Mercadante defendeu que todo o cenário do impeachment foi montado, em grande medida, pelo PMDB para frear a Lava Jato que se aproximava daquele partido.
Em entrevista exclusiva ao 247, o ex-ministro Aloizio Mercadante afirma que fica cada vez mais evidente que o golpe parlamentar de 2016 teve como objetivo central tentar frear a Lava Jato, que se aproxima do PMDB.
247 – Seus opositores atribuem a sua passagem pela Casa Civil como um dos principais motivos do desgaste da relação do governo Dilma com o PMDB, especialmente por uma suposta articulação com o PSD e com o Pros para enfraquecer o PMDB. O que houve de fato?
Mercadante – Essa é mais uma dentre tantas outras teses, amplamente difundidas pelos golpistas, para enfraquecer o governo Dilma na época e justificar a articulação golpista. Eles precisam criar essas teses absurdas para justificar a traição de Michel Temer e seus aliados. O golpe, como eles mesmo assumem, começou a ser articulado no parlamento já em março de 2015.
O PMDB sempre teve amplo espaço no governo. Ocupava a presidência da Câmara e do Senado, além da própria vice-presidência da República e cinco ministérios. Na última reforma ministerial foram, inclusive, contemplados pela presidenta Dilma com mais um ministério.
Agora, estamos falando de um partido extremamente fragmentado, com diversas divergências internas e entre Câmara e Senado. Um partido de difícil negociação e que teve importantes lideranças com atuação e participação direta e desde o início na articulação do golpe. A realidade é essa. Criam teses para tentar justificar o injustificável, a traição à presidenta e o golpe, que se materializou com um impeachment sem crime de responsabilidade. Um golpe na democracia e nos mais de 54 milhões de votos que ela recebeu.
247 – Se não houve uma tentativa de esvaziar a atuação do PMDB, ao que você atribui o processo de impeachment?
Mercadante – Hoje, os motivos são amplamente conhecidos. Em primeiro lugar, o golpe foi forjado na tentativa inconfessável ao público de estancar a Operação Lava Jato.
Temos também a tentativa de retomar a implementação de uma agenda neoliberal tardia, que foi derrotada nas urnas em quatro eleições presidenciais sucessivas. Eles prometeram um choque de retomada da confiança e estão entregando mais recessão e um retrocesso sem precedentes nas políticas de inclusão social e distribuição de renda. Plantaram traição e estão colhendo instabilidade.
É preciso entender que a crise econômica é, em grande parte, fruto da crise política. São indissociáveis. Eles fizeram o jogo do quanto pior melhor e aprofundaram o cenário da crise econômica. Tudo isso somado a um cenário já difícil de queda dos preços das commodities e da pior seca dos últimos 80 anos, que com a desvalorização forte e rápida do real e pressão sobre os preços de energia aceleram a inflação em 2015.
Acontece que não se restabelece confiança com um governo ilegítimo e sem credibilidade internacional. Ainda há muita luta pela frente. A história é implacável e o golpistas pagarão um preço muito alto pela traição e pelo golpe. Confiança se conquista com legitimidade e democracia.
247 – E quanto a articulação com PSD e Pros?
Mercadante – Deixa eu te falar uma coisa, a escolha de ministros sempre foi uma atribuição única e exclusiva da presidenta. Nos governos Lula e Dilma, a educação foi uma prioridade estratégica e a escolha dos ministros da educação sempre foi exclusivamente técnica, jamais o MEC foi utilizado para loteamento dos partidos. A tese de que as nomeações de Cid Gomes, foi uma tentativa de enfraquecer o PMDB não têm qualquer procedência.
247 – Por que, então, a nomeação do Cid Gomes no início do segundo mandato?
Mercadante – Como eu te disse, a escolha para MEC sempre foi técnica, a educação era a prioridade das prioridades do governo. O Cid era um governador reeleito, que fez um excelente trabalho na educação no estado do Ceará, especialmente na alfabetização e na educação básica, com resultados expressivos. O Ceará teve um salto extraordinário em indicadores como o Ideb. Um exemplo claro era o município de Sobral, que está com a educação entre as melhores do país e o melhor desempenho entre todas as cidades do Nordeste. Foi fundamentalmente o Pacto pela Alfabetização na Idade Certa que estávamos implantando a nível nacional, que impulsionou Cid Gomes à condição de Ministro da Educação
Além disso, seu grupo político tinha rompido com o PSB, que lançou Eduardo Campos para presidência, para apoiar a Presidenta Dilma e manter a frente popular. Tivemos uma das mais importantes vitórias de todo o Brasil no Ceará, com a eleição, também, do governador Camilo pelo PT.
O Pros era um partido pequeno sem organicidade, não fazia o menor sentido imaginar que pudessem substituir o PMDB. Isto é uma completa bobagem. Depois do Cid, a presidenta nomeou o Renato Janine, um intelectual e professor, que sequer possuía filiação partidária.
O MEC sempre foi blindado e preservado de indicações partidárias, premissa que já foi totalmente abandonada pelos golpistas. Hoje, temos um ministro que tem como referência péssimos indicadores educacionais quando foi vice-governador e governador de Pernambuco e que sempre foi contra as políticas de inclusão, como as cotas, o Enem e o ProUni. O resultado é que em muito pouco tempo já promoveram retrocessos enormes na educação como o fim do Pronatec, do Ciência Sem Fronteiras e do novo sistema de avaliação da educação superior. Sem falar na autoritária reforma do ensino médio e na PEC que compromete o Plano Nacional de Educação e os investimentos em educação pelos próximos vinte anos.
247 – E o PSD?
Mercadante – O PSD se fortaleceu nas eleições de 2014 e, naquele momento, também decidiu apoiar a candidatura da Presidenta Dilma. Foram muito assediados pela candidatura de Aécio, inclusive com a possibilidade de indicar o candidato a vice, e não o fizeram. O Kassab, apesar de sempre ter sido meu adversário político em São Paulo e ter por muito tempo orbitado no entorno do Serra, era a principal liderança do partido e vinha da experiência de gestão da maior e mais importante cidade do país. Eles não tiveram nenhum ministério no primeiro governo Dilma, por estas duas condições a Presidenta o indicou para o Ministério das Cidades.
É importante relembrar também que o Affif era vice-governador do estado de São Paulo e rompeu com o Alckmin para nos apoiar, acompanhando o Kassab e o PSD. Foi colocado em um ministério responsável por uma pauta que ele sempre defendeu e apoiou, que é a questão da micro e pequena empresa.
Com uma eleição extremamente acirrada, como foi a de 2014, e com o PSDB não aceitando a quarta derrota seguida nas urnas, sem falar na interdição completa do parlamento liderado por Eduardo Cunha, além das seguidas pautas bombas no Congresso, precisávamos tentar compor uma base de deputados. Nós vencemos as eleições presidenciais, mas perdemos as eleições parlamentares, e tínhamos um Congresso mais conservador e com forte inclinação à direita.
Agora, eu queria falar de um outro assunto, seria possível?
247 – O espaço está aberto.
Mercadante – Parte da grande imprensa tem, sistematicamente, omitido informações sobre a minha recente aposentadoria. Comecei a trabalhar em 1973 e, como professor, em 1978. Minha aposentadoria inclui todo o tempo de professor da Unicamp. Sou economista, fui deputado federal por dois mandatos, senador da República e ministro de Estado por cinco anos e meio.
Tive uma vida dedicada ao trabalho e à militância política. Já tinha direito a solicitar aposentadoria há mais de dois anos, mas só formalizei quando deixei o governo, ao contrário do outros Ministros e presidentes da República que se aposentaram precocemente e acumularam as remunerações.
A aposentadoria pelo Senado foi concedida contando todo este histórico de servidor público. Fiz a opção de me aposentar como parlamentar, proporcional ao tempo de contribuição, por dezesseis anos, perdendo o direito como professor doutor de universidade pública, a Unicamp.

Genesio Mourag
20 de novembro de 2016 5:38 pmPô! lembraram dêle! Não foi
Pô! lembraram dêle! Não foi pivô, foi ponte. (segundo avaliação do Dr Carlos, nosso dentista aqui da comunidade).
Nag
20 de novembro de 2016 6:10 pmO próprio ex Secretário de
O próprio ex Secretário de Imprensa (Rodrigo de Almeida) do Governo Dilma confirma no seu livro q partiu do Mercadante a “brilhante” idéia de livrar o Governo da influência do PMDB criando um novo bloco de apoio no Congresso!
Wbirajara
21 de novembro de 2016 6:01 pmMas tinha que ter enquadrado o PMDB
Pela analise da entrevista, não dá a entender esse plano, mas simplesmente aumentar as forças governistas com PSD e PROS no congresso. Mas si realmente esse era o plano, não era de todo o mal, a derrocada de Dilma começou com a eleção do Cunha, assim, quanto antes o governo tivesse enquadrado o PMDB golpista tinha sido melhor. Mas nao fizeram e deu no impeachmet. Porém todos sabemos que o que faltou ao governo Dilma foi apoio popular, com esse apoio nao ia ter sabotador, nem golpistas que fizessem golpes, então o grande culpado foram as medidas impopulares e austerias do segundo governo, e a falta de visão politica de Dilma.
Mario Latino
20 de novembro de 2016 6:26 pmPois é, a ficha de Mercadante
Pois é, a ficha de Mercadante ainda não caiu, talvez nunca caia. Óbvio que Dilma não foi apeada por ele ter sido pivô de coisa alguma, seria presunção demais achar que tinha estofo para tanto. Mas sua leitura do que aconteceu, de o golpe ter sido dado pelo pmdb porque as investigações estavam chegando perto deles é de rachar o bico.
Marcia Eloy
20 de novembro de 2016 9:23 pmMercadante
Mas quem disse em telefonema grampeado que precisava acabar com a Lava Jato foi o Jucá. Aliás ele não falou Lava jato , falou um palavrão e ele tem 7 processos no Supremo.E não lhe parece que a prisão do Cabral e do Garotinho é um indício que a LJ está se aproximando do PMDB?
ia2
20 de novembro de 2016 7:30 pmTão inútil e prejudicial ao
Tão inútil e prejudicial ao país quanto o Zé Cardoso o ex ministrinho da Justiça. Dois “brilhantes” funcionários públicos concursados que ajudaram a ferrar o Brasil.
Antônio - Minas Gerais
20 de novembro de 2016 8:03 pmO Mercadante
sabe perfeitamente a lambança que ele praticou em causa própria. Tentou ser esperto, achando que poderia pavimentar a sua candidatura à sucessão da dona Dilma. Acreditou na mídia tucana, dançou.
Jose de Almeida Bispo
20 de novembro de 2016 10:49 pmPerfeito!
Perfeito!
Perfeito!
Perfeito!
Sérgio Rodrigues
20 de novembro de 2016 8:46 pmContribuinte
A vaidade, ensina Espinosa, é uma tristeza, e eu, acrescento, é uma merda!,,,,,,
Pinheiro
20 de novembro de 2016 8:53 pmO “plano dos três” era ele
O “plano dos três” era ele candidato em 2018. Até o mundo mineral sabia disso.
nilo filho
20 de novembro de 2016 9:15 pmO maior pivô tem nome:
O maior pivô tem nome: Cardozo.
Assustado
20 de novembro de 2016 9:53 pmA LDB foi para o saco
O ex-ministro ficaria mais decepcionado ainda com o que saiu hoje: saiu as alterações na LDB.
Link 1:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm
Link 2:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Mpv/mpv746.htm#art1
Pelo que entendi, acaba-se com a obrigatoriedade dos ensinos fundamental e médio gratuitos. Interessante esta “lógica”…
joel lima
20 de novembro de 2016 10:52 pmQue coisa importante saber
Que coisa importante saber que Mercadante foi o pivô que lançou o país nesse caos.! Se somarem Dilma, Mercadante e zé cardoso não dá o calo do Lula. Agora a pergunta que eu gostaria de um dia ter uma resposta =por que o Lula não foi o candidato de 2014, quando estava claro que Dilma não teria condições de desarmar a bomba que ela armou contra si na parte econômica? Lula não quis ou Dilma bateu o pé e insistiu que seria ela? E se for essa segunda opção a verdadeira, perguntaria como uma figura como Dilma, nula em termos políticos, conseguiu se impor ao político brasileiro mais conhecido e admirado de todos os tempos? Eis minha sugestão de pauta pro site Brasil 247.
Jose de Almeida Bispo
20 de novembro de 2016 10:57 pmPra não haver briga entre os
Pra não haver briga entre os dois: Cardozo e Mercadante foram os coveiros do governo do PT. Ambos de olho no espólio pós-Lula. Hélios Bicudo tardios. E, claro, com o clássico paulicentrismo, essa doença terrível que atinge dez em cada dez políticos paulistas da cepa; essa cegueira de não conseguir enxergar o Brasil além dos rios Paranapenama, Paraná e principalmente do Grande. Os grandes políticos nacionais EM São Paulo são todos importados: de Washington Luiz a FHC, Jânio ou Lula.
Ivan de Union
21 de novembro de 2016 12:20 amPelo menos comigo, que nunca
Pelo menos comigo, que nunca tinha ouvido falar de Mercadante e que DETESTO bigodes, Dilma ja estava queimada em menos de 6 meses de Dilma 1.
Literalmente eu nao tinha e nao tenho ate hoje a mais infima ideia do que ela estava pensando que estava fazendo com sua propria base de suporte.
Richard Claus
21 de novembro de 2016 1:03 amMercadante, desde os tempos
Mercadante, desde os tempos em que se jactava afirmando que o real iria fazer água em menos de 1 ano, não passa de um bobo da corte. Estranho ter sido peça forte da articulação política de Dilma. Deu no que deu.
Lisbeth Salander
21 de novembro de 2016 5:45 amMediocre, ambicioso e pouco confiavel.
Vamos por partes. E. Cardoso, um professor, muito bom por sinal, pecou por inépcia e inoperância e tem a sua parcela de culpa no desgaste do governo. Seja como for, eu não vejo E. Cardoso promovendo complôs e conspirando para desgastar Dilma. Ele deveria estar desde o inicio na advocacia geral. Advogado vaidoso, mas competente, poderia desempenhar ali um papel mais relevante. E. Aragão deveria ser o Ministro da Justiça desde o inicio.
Falemos então de A. Mercadante. Tenho dito que este sujeito ‘e o produto tipico do subdesenvolvimento intelectual e politico brasileiro. Não que sejamos todos subdesenvolvidos, mas A. Mercadante sem duvida representa a pior parcela.
Este elemento, desde os primórdios, sempre careceu qualquer talento. Puxa sacos e conspirador, sempre ascendeu conquistando a confiança dos superiores promovendo a cizania e delatando os colegas. Sempre atuou para desinformar os dirigentes e separa-los da base do partido. Sempre assessorou mal seus chefes, buscando sempre manipula-los com informações imprecisas com o intuito de se auto-promover. Onde quer que tenha ocupado cargos, se comportou como um burocrata dogmático e como um entrave a ascensão dos talentosos. Trata-se do tipo de chefe que inveja e prejudica o subordinado talentoso. Adora ser autoridade. Foi responsável pelo desgaste de José Viegas quando este foi ministro da defesa. Mercadante sabotava o trabalho de Viegas promovendo desconfiança e inquietação entre os militares. Lula não gosta dele por essas e outras. Mercadante alimentava a discórdia entre Lula e Dilma.
Nunca entendi porque Dilma o mantinha no governo. Não o vejo desempenhando qualquer tarefa com competência. Não sabe nada, não contribui em nada. Trata-se apenas um pavão no jardim.
ze sergio
21 de novembro de 2016 11:19 ammediocre…
Mais democrática, menos soberba e mais auto critica seria um exelente caminho para a esquerda. “Aloprados” não foi critica de opositores politicos. É a opinião do próprio Lula. Por que será que chegaram até a siuação atual? ´
Marcelo33
21 de novembro de 2016 12:27 pm“eu não vejo E. Cardoso
“eu não vejo E. Cardoso promovendo complôs e conspirando para desgastar Dilma.”
Precisa de óculos então…