14 de junho de 2026

A estreia do filme ‘Trem Noturno para Lisboa

Sugerido por Assis Ribeiro

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Do G1

 
Protagonista é professor que se entrega à ideia de viver o momento. Filme foi mal recebido pela crítica no Festival de Berlim deste ano.
 
Coproduções envolvendo profissionais de vários países não são novidade no cinema, vide “Orfeu do Carnaval” (1959), longa ítalo-franco-brasileiro de Marcel Camus que ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1960.
 
Com a globalização crescente, produções desse tipo se tornaram mais frequentes nos últimos anos, a exemplo de “Babel” (2004), do mexicano Alejandro González Iñárritu, e “Ensaio sobre a cegueira” (2008), do brasileiro Fernando Meirelles, ambos muito calcados em uma crítica social universal.
 
“Trem Noturno para Lisboa” (2013), do dinamarquês Bille August, é mais um desses filmes multinacionais.
 
Trata-se de uma adaptação do livro homônimo de Pascal Mercier, pseudônimo do professor suíço de filosofia Peter Bieri, que retrata a jornada de investigação e autoconhecimento de Raimund Gregorius (Jeremy Irons), também um professor que se entrega à ideia de viver o momento, o famoso carpe diem do poeta romano Horácio.

 
Depois de ler e se identificar com as palavras de Amadeu do Prado (Jack Huston), escritor português cuja obra conheceu ao ficar com um livro dele que pertencia a uma mulher que o professor impediu de se jogar de uma ponte, Raimund decide largar sua vida estabelecida em Berna e pegar o trem noturno que partia da capital suíça com destino para Lisboa.
 
A passagem, aliás, estava dentro do livro de Amadeu. Em terras portuguesas, o protagonista inicia uma busca pelo passado de Amadeu e descobre uma história de amor, amizade, paixão, conflitos familiares, traições, disputas e agitações políticas.
 
Filho de um juiz conservador (Burghart Klausner), Amadeu não compartilhava a opinião do pai, de quem nunca conseguiu respeito e atenção, muito menos da Igreja Católica, de quem recebia os ensinamentos durante o tempo de internato.
 
Foi lá que ele conheceu Jorge (August Diehl), que se tornaria seu melhor amigo e até um parceiro de profissão, pois este se formaria em Farmácia, enquanto Amadeu ficou com a Medicina.
 
Porém, quando a perseguição da ditadura fascista de Salazar amedronta a população, ao mesmo tempo em que a Resistência – que desembocaria na Revolução dos Cravos, em 1974 – cresce em Portugal, o médico e aprendiz de filósofo se vê envolvido com os rebeldes, mas de um modo especial com uma mulher entre eles: a linda Estefânia (Mélanie Laurent), namorada do seu amigo Jorge.
 
Competente no papel, Jeremy Irons é acompanhado no elenco por compatriotas – Jack Huston, Tom Courtenay, Christopher Lee e Charlotte Rampling -, além de colegas de vários lugares da Europa: a francesa Mélanie Laurent, os alemães Martina Gedeck, Burghart Klausner e August Diehl, o suíço Bruno Ganz, a sueca Lena Olin, o moçambicano Marco D’Almeida e alguns coadjuvantes e figurantes portugueses.
 
O filme, aliás, é todo falado em inglês. Seja em Berna, Lisboa ou Salamanca, na Espanha, cenário das cenas finais, a língua anglo-saxônica é a padrão. Isso, é claro, causa estranheza para o público brasileiro, tão próximo cultural e historicamente dos patrícios de além-mar.
 
O principal problema é que Bille August, com duas Palmas de Ouro em sua estante por “Pelle, O conquistador” (1987) e “As melhores intenções” (1992), teria tudo para fazer de “Trem noturno para Lisboa” um grande filme, com o triângulo amoroso, o olhar sobre a amizade, discussões filosóficas e o pano de fundo histórico que a trama oferece.
 
No entanto, o dinamarquês cai na tentação hollywoodiana e prefere fazer um romance dramático com um ar novelesco que, por vezes, se assemelha mais aos dramalhões mexicanos do que às produções televisivas brasileiras.
 
O resultado foi o massacre que a produção sofreu da crítica na última edição do Festival de Berlim, quando foi exibido fora de competição. Ainda assim, não deixa de ser uma obra interessante por apresentar, mesmo sem tanta profundidade, esse período da história de Portugal.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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5 Comentários
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  1. Assis Ribeiro

    8 de janeiro de 2014 11:15 am

    Ontem assisti este

    Ontem assisti este filme.

    Vale à pena.

  2. Daniel

    8 de janeiro de 2014 12:32 pm

    Tentei assistir

    Tentei assistir o filme anteontem mas não cheguei ao fim, achei fraco.

  3. Anarquista Lúcida

    8 de janeiro de 2014 7:14 pm

    Estréia? No Rio já saiu até de cartaz… Só se voltou

    E nao tem nada de dramalhao mexicano, é uma história interessante, o filme é ótimo. 

  4. maria de lourdes S.

    9 de janeiro de 2014 10:23 am

    Acho que o filme passa longe

    Acho que o filme passa longe de aprofundar os assuntos que toca: Amizade, amor, solidão, a busca por um sentido na vida ou mesmo a situação política de Portugal. Porém, é um filme agradável de se ver, com atuações magistrais, uma mensagem otimista e não podemos deixar de mencionar a belíssima Lisboa como cenário. 

  5. Flavio Martins e Nascimento

    9 de janeiro de 2014 3:39 pm

    O filme está em cartaz faz

    O filme está em cartaz faz umas semanas em São Paulo. Particularmente, pelo que li e vi, achei que o livro de Pascal Mercier/Peter Bieri podia render mais na tela. Ainda assim acho que tanto o livro, quanto o filme são muito bom entretenimento. Agora – e sou suspeitíssimo pra falar – Lisboa tá linda como pano de fundo da história, como sempre!

    Abraços

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