4 de junho de 2026

Internet e fortalecimento do radicalismo, por Hélio Schwartsman

“Se você juntar um punhado de indivíduos com opiniões semelhantes e deixá-los conversando por um tempo, o grupo sairá com convicções mais parecidas e mais radicais”
 
 
Jornal GGN – No artigo à seguir, publicado na Folha, Hélio Schwartsman, analisa o fenômeno que vem intrigando o mundo: o fortalecimento de minorias radicais, destacando a recente manifestação de um grupo pró-intervenção militar, que invadiu o plenário da Câmara dos Deputados. 
 
O filósofo pondera que as novas formas de comunicação estão por trás do processo que facilita a difusão e recrutamento de pessoas por ideais que são considerados incoerentes para a maioria. 
 
“Se você juntar um punhado de indivíduos com opiniões semelhantes e deixá-los conversando por um tempo, o grupo sairá com convicções mais parecidas e mais radicais”. Acrescentando: “A chamada tirania da maioria pode ser extremamente autoritária e liberticida, mas também serve para reprimir algumas más ideias antes de elas se popularizarem”. 
 
 
 
 
Pelo menos no plano das ideias, acabou-se a solidão. Hoje em dia, com a internet, é muito fácil encontrar quem pense como você, mesmo que suas ideias sejam para lá de estapafúrdias. Foi isso o que permitiu, por exemplo, que um bando de malucos que defende a instalação de uma ditadura militar no Brasil invadisse a Câmara dos Deputados na última quarta-feira para ali fazer um fuzuê.
 
De forma ainda mais dramática, é isso o que possibilita que alguns jovens desmiolados se alistem como soldados do Estado Islâmico e se prontifiquem a morrer pelo grupo. Aqui, a ideia em questão é tão extravagante que sobrepuja o próprio instinto de sobrevivência. Não é sempre que isso acontece, mas, num mundo em que praticamente a metade dos 7 bilhões de terráqueos usa a internet, é quase uma fatalidade estatística encontrar quem partilhe as mesmas doidices.
 
E não é só. Entre as muitas patologias do pensamento de grupo que a psicologia social já mapeou, destaca-se o fenômeno da polarização. Se você juntar um punhado de indivíduos com opiniões semelhantes e deixá-los conversando por um tempo, o grupo sairá com convicções mais parecidas e mais radicais.
 
É claro que, antes da rede de computadores, pessoas também tinham ideias estúpidas. Mas, como não tinham tanta chance de encontrar suas almas gêmeas, pensamentos exóticos que porventura pudessem eclodir tendiam a ser suprimidos pelos consensos sociais prevalentes. A chamada tirania da maioria pode ser extremamente autoritária e liberticida, mas também serve para reprimir algumas más ideias antes de elas se popularizarem.
 
Agora, vivemos uma era em que já não existe solidão intelectual. E, se isso é ótimo para produzir inovações, traz como contrapartida o ônus de dar asas à imaginação de doidos às vezes perigosos. Acho que isso é parte de nosso admirável mundo novo.

 

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

5 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. franciscopereira neto

    20 de novembro de 2016 1:28 pm

    É de lascar

    Incrível a ingenuidade (será?) do autor do artigo.

    Para as pessoas fazeremo que ele diz, só com gestos não é possível.

    Analisem o episódio e verão indicativos claros que aquela turma, que vieram de vários estados, não estavam ali só com a boa vontade deles.

    Viram a passividade dos seguranças do Legislativos?

    Só ficaram no plenario alguns deputados, todos da esquerda.

    Ainda não fechou o raciocínio?

    Viram a passividade do presidente da Câmara?

    Se fosse outras pessoas , ou movimentos, como por exemplo o MST, o comportamento da câmara seria o mesmo?

    Bem! É pedir demais para quem se sujeita a escrever na Folha.

    O artigo está no nível do jornal.

  2. José X.

    20 de novembro de 2016 1:46 pm

    não li, só sei que o

    não li, só sei que o “filósofo” acima é pena do otavinho desde longuíssima data (e imagina que antes tenha sido pena do pai do otavinho)

  3. Luís Henrique Donadio

    20 de novembro de 2016 1:46 pm

    Mas esse bando de imbecis que

    Mas esse bando de imbecis que invadiu o plenário da Câmara nada tem de “radical”. São extremistas, sim, mas o raciocínio deles é raso como um pires, não tem a menor radicalidade.

  4. Visitante - Humberto Nickname

    20 de novembro de 2016 2:07 pm

    Em quaisquer grupos isso pode acontecer

    (Pode). A unanimidade do pensamento. Na mídia grande ou alternativa, na blogsfera progressista ou não, agrupam-se pessoas que compartilham um mesmo pensamento (com nuances e variáveis). Sentem-se reforçados em seus pontos de vista, e os dissonantes e o contraditório teoricamente admitidos e propalados são inibidos (pode haver exceções ou ilusórias ou sei lá quais motivações). Isso traz o risco do autoengano com as melhores das intenções. Bom que haja a internet, mas mais ainda é necessária a reflexão sobre a uniformidade de opinião e pensamento.

  5. Reginaldo Moraes

    20 de novembro de 2016 3:17 pm

    “Se você juntar um punhado de

    “Se você juntar um punhado de indivíduos com opiniões semelhantes e deixá-los conversando por um tempo, o grupo sairá com convicções mais parecidas e mais radicais.”. Uai, ele está falando do fato da imprensa ser reduzida à conversa seleta da casa grande, o reino das 6 famílias. De fato, convicções muito parecidas e bem radicais. Alguns até, como o adorado patrão do “filósofo”, é mesmo um adepto dos grupos de sequestro, tortura e assassinado.

Recomendados para você

Recomendados