4 de junho de 2026

“Minha aldeia , minha vida” ou “relatos que o Magnoli nunca procurou para divulgar”

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MINHA ALDEIA, MINHA VIDA

Fernando Tenharim, em frente a sua casa incendiada durante a onda de violência organizada por madeireiros e fazendeiros na Transamazônica (BR 230) no dia 26 de dezembro, próximo a cidade de Humaitá, Sul do Amazonas. Fernando morava no local com sua esposa e três filhos pequenos.

O indígena conta que havia uma cama, alguns colchonetes, um álbum de família, com fotos dos avós e tios, além das recentes roupas que ele havia ganhado de algumas pessoas. Tudo foi queimado, ele só ficou com a roupa do corpo e a camisa do Vasco. A moto de Fernando também foi incendiada, assim como os brinquedos dos seus filhos. “Eu não acreditei no que estava vendo, corri com meus filhos antes que eles começassem a atirar. Eu vi um deles atirando na minha direção enquanto corria para a floresta.” Conta Fernando. E completa, “Eu construí essa casa com meus parentes, e agora ela está assim. Agora é recomeçar tudo outra vez.” 

Numa outra aldeia, perto dali, a história do ataque se repete. Luzianeide e Antonio Tenharim, pais de 9 crianças, revelam que estão tendo muitas dificuldades para continuar tranquilos: “Quando eles chegaram na minha aldeia, eu ouvi o barulho dos carros e eles gritando:”Agora vocês [índios] vão ver, vamos acabar com vocês.” Eram muitos homens brancos, também vi crianças e mulheres.” Antonio continua dizendo: “Eu corri então para minha casa e peguei minhas crianças pequenas nas costas, levei até mais dentro da floresta e voltei para pegar meu filho que não pode andar, eu vi ele se rastejando para ir até mim, coloquei ele nos ombros e fui até onde estavam minha esposa e meus outros filhos.” completa Antonio.

FALTA DE ALIMENTOS 
Luzianeide esposa de Antonio Tenharim, está apreensiva quanto à alimentação na aldeia. “Desde quando corremos com medo para o mato, não levamos mantimentos, passamos dois dias escondidos na floresta e ao voltar à aldeia novamente, vimos que não tinha mais comida. Eles saquearam nossa aldeia.” Afirma Luzianeide. 

Índios responsáveis por fazer compra de alimentação na cidade de Humaitá foram impedidos de atravessar a balsa no dia 26, eles então levaram alguns alimentos para o barco da FUNAI que estava ancorado no porto da cidade. O barco foi incendiado junto com os alimentos. Desde então, os indígenas estão com sérios problemas para se alimentar na região. 

Saiba mais sobre os recentes conflitos em Humaitá, AM. http://bit.ly/humaitaNINJA

Foto: Gabriel Ivan/Mídia NINJA
Texto: Cley Medeiros, enviado especial da Mídia NINJA à Terra índigena Tenharim

 

 

 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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  1. JOSÉ PESSOA1010

    6 de janeiro de 2014 8:03 pm

    PELO DIREITO CONSTITUCIONAL DE IR E VIR

    Matéria totalmente tendenciosa! A revolta é popular, a revolta é do sitiante, do ribeirinho, do branco, do negro, do madeireiro, do fazendeiro, a revolta é geral!!! O que acontece é que já existia a BR 230 (Transamazônica) desde a década de 1970, daí o Governo inventou de colocar uma “Reserva indígena” exatamente no seu trecho e os tais índios, mais civilizados do que eu e você, resolveram oportunamente colocar um pedágio para cobrança pelo trânsito em uma rodovia Federal. Os tais tenharins, estão mais do que civilizados, comumente se vê meninos da moda, usando brincos, colorindo o cabelo, tatuagens, celular de última geração, roupa da moda, se hospedam nos melhores hotéis de Humaitá, tem preferência de atendimento nos hospitais, abusam de bebidas alcóolicas, dispunham de caminhonetes importadas, equipamentos de última geração, e certamente armas de fogo. O pedágio é ABUSIVO, EXORBITANTE e IMORAL fazem que eu cidadão amazonense sinta vergonha de ser brasileiro. O senhor sabe quanto custa? Penso que se trata de algo simbólico, não é! Pelo contrário, entre ida e volta, um caminhão carregado custa quase R$ 400,00, uma caminhonete R$ 60,00, um carro pequeno R$ 40,00 até BICICLETA PAGA R$ 10,00…Já imaginaram o faturamento semanal, mensal, anual? Pergunto: isso é justo? Existe justiça? Em Apuí são mais de 30.000 habitantes (idiotas pagantes) dependentes desta rodovia. No Dist.Santo.Antônio do Matupi (km 180) são quase 10.000 habitantes (idiotas pagantes), sem contar os “idiotas” de Humaitá, assim como eu, que pagam esse pedágio sentindo seu direito constitucional de ir e vir totalmente ignorado, um verdadeiro estupro da moral do cidadão de bem!

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