O CONTO
Viagem aos seios de Duília
Aníbal Machado
Durante mais de trinta anos, o bondezinho das dez e quinze,
que descia do Silvestre, parava como um burro ensinado em
frente à casinha de José Maria, e ali encontrava, almoçado e
pontual, o velho funcionário.
Um dia, porém, José Maria faltou. O motorneiro batia a
sirene. Os passageiros se impacientavam. Floripes correu aflita a
avisar o patrão. Achou-o 1de pijama, estirado na poltrona,
querendo rir.
– Seu José Maria, o senhor hoje perdeu a hora! Há muito
tempo o motorneiro está a dar sinal.
– Diga-lhe que não preciso mais.
A velha portuguesa não compreendeu.
– Vá, diga que não vou… Que de hoje em diante não irei mais.
A criada chegou à janela, gritou o recado. E o bondezinho
desceu sem o seu mais antigo passageiro.
Floripes voltou ao patrão. Interroga-o com o olhar.
– Não sabes que estou aposentado?
-Uê!…
– Sim, Floripes. Aposentado.
– E que vai fazer agora, patrão?
– Sei lá, Floripes… Sei lá!
– Mas o almoço será sempre servido à mesma hora, pois não?
– Tanto faz. Pode ser às nove e meia, onze, meio-dia ou
quando você quiser. Minha vida de hoje em diante vai ser um
domingão sem fim…
Debruçado à janela, José Maria olhava para a cidade embaixo
e achava a vida triste. Saíra na véspera o decreto de
aposentadoria. Trinta e seis anos de Repartição.
Leia mais, no link
O FILME (completo)
http://www.youtube.com/watch?v=p_Rncl8KBX8
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Sinopse:
Funcionário público aposentado volta a sua cidade natal (Pouso Triste, Minas Gerais) em busca da mulher que amou aos 15 anos. Porém se depara com as marcas deixadas pelo passar dos anos.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Viagem_aos_Seios_de_Du%C3%ADlia
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