4 de junho de 2026

Retrospectiva 2013: os melhores filmes

Enviado por Assis Ribeiro

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do Sul 21

Retrospectiva: os melhores filmes e livros de 2013

Milton Ribeiro

Ah, as listas de fim de ano… Como suportá-las? E como não lê-las, nem que seja para se irritar com a ausência do filme querido ou com a presença daquilo que se detestou visceralmente? Como resultado de ampla discussão no ambiente Sul21, chegamos a dez livros, mas, devido aos muitos e exaltados apartes, não obtivemos chegar ao mesmo número de filmes. Resultado: são dez livros e onze filmes. Os filmes foram comparados e colocados em ordem de preferência. É a cultura pública e comum de nosso tempo. Já os livros não foram lidos por todos, o que tornou a discussão menos drástica.

Aliás, na lista de livros, tivemos a colaboração de Lu Villela, da Bamboletras, que não apenas fez sua lista como repassou a lista dos livros mais vendidos de sua livraria, talvez a de público “mais literário” de Porto Alegre. E, nos filmes, algo de estranho: contrariamente aos últimos anos e em contrariedade à legenda da foto abaixo, temos onze filmes consistentemente bons.

Cena de abertura da obra-prima Holy Motors: todos dormem assistindo a pasmaceira do cinema atual…

Além de Lu Villela, colaboraram os jornalistas Iuri Müller e Débora Fogliatto, além do historiador Éder Silveira e diversos sites de editoras, dos quais utilizamos textos.

.oOo.

Os onze melhores filmes de 2013:

~ 1 ~
Tabu

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Tabu é grande cinema. E esta afirmativa vem carregada de significados. Pois são as imagens da segunda parte do filme, “O Paraíso Perdido” — trecho com som, mas sem diálogos –, que dão sentido a esta elogiadíssima obra do português Miguel Gomes. Aliás, a seção “O Paraíso Perdido” é uma arrebatadora reconstrução da memória de tempos idos. Tabu foi filmado em glorioso preto e branco e conta uma história de amor. Dele emana um charme passadista, mas sem ranço, devido a uma estrutura narrativa lotada de artifícios inteligentes e de bom gosto. Tudo em Tabu trabalha para a poesia e para a história. Um filme imperdível.

http://www.youtube.com/watch?v=-Zi3k0JpivY]

~ 2 ~
Holy Motors

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Leos Carax filma pouco, infelizmente. Seus Sangue Ruim (1986) e Os Amantes de Pont-Neuf (1991) são filmes de referência para os cinéfilos. Holy Motors (2012) não é uma obra destinada àqueles que desejam uma história linear e convencional. O Sr. Oscar — vivido por Denis Lavant, ator onipresente nos filmes de Carax — tem um estranho trabalho. Anda de limusine por Paris, recebendo ordens para atuar em diversos papéis que lhe são passados por uma estranha organização. E percorre a cidade cumprindo uma série de compromissos sem nexo entre si, onde humor e drama não estão ausentes. Há uma cena de dança, outra em esgotos e cemitérios, há outra em o Sr. Oscar morre de forma tocante (e subitamente acorda para o próximo compromisso), outra é um crime e assim vamos visitando diversos gêneros cinematográficos que deságuam numa intrigante cena final, onde várias limusines comentam que o mundo não quer mais emoção, no que parece uma crítica ao cinema atual. Quem é sua plateia? Onde estão as câmeras? Qual sua verdadeira identidade?

http://www.youtube.com/watch?v=BlTIc2F9diU]

~ 3 ~
A Bela que Dorme

bella-addormentata

A Bela que Dorme, o último filme de Marco Bellocchio, tem como eixo narrativo a história real de Eluana Englaro, italiana que passou vinte anos vivendo de maneira artificial e gerou enorme debate sobre a eutanásia no país. Assim, diversos personagens e situações convergem para o drama de Eluana – como o senador que se vê em crise com a política e se posiciona de forma contrária ao seu partido sobre a questão, a filha religiosa do político que se apaixona por um manifestante, e a suicida que busca as janelas de um hospital italiano para pôr fim à vida. Em A Bela que Dorme, estão contidos os temas pendentes da Itália de hoje e o direito à salvação – da ou pela morte – dos seus taciturnos personagens. (Por Iuri Müller.)

http://www.youtube.com/watch?v=mdaI_gvAhyY]

~ 4 ~
O Cavalo de Turim

o cavalo de turim

O que Béla Tarr propõe é uma experiência sensorial e semântica inteiramente distinta do que é possível em qualquer outro gênero artístico. O jogo que o diretor estabelece com o tempo apenas é possível no cinema, talvez no teatro. O Cavalo de Turim mostra seis dias de dois personagens — pai e filha — que vivem numa casa de pedra na zona rural da Hungria entre a aridez, o vento e o frio constantes. Falta tudo, tudo é monotonia e tudo é vida, dor e trabalho. (Coincidência, não?) Eles só têm batatas para comer, têm também um poço minguante, um destilado que deve ser parecido com a vodka, creio, e um cavalo velho e doente. Seus dias são iguais, com poucas variações, sempre no aguardo de condições melhores. Talvez a melhor descrição de O Cavalo de Turim seja a de um filme de cenas quase iguais — mas sempre filmadas de forma diferente — sobre a pesada rotina de vidas sacrificadas. Tarr vai curiosamente acumulando tempo sobre tempo e sua insistência acaba por mostrar a força e o cansaço, equilibrando-se entre a tão somente sobrevivência e a provável aniquilação, numa compassiva melancolia da resistência. Duro, mas imperdível.

http://www.youtube.com/watch?v=ZNkN_xCXozw]

~ 5 ~
O Som ao Redor

kleber mendonca filho

Filmaço. A narrativa é um mosaico de histórias de moradores de uma rua de classe média do Recife. Nela, re­side o empresário que expandiu seus negócios na base da especulação imobiliária — e que antes era um senhor de engenho — , o filho temeroso da violência urbana, os dois netos — um que trabalha alugando os apartamentos da família e outro um estudante que arrom­ba carros –, outra família gerida por uma mãe estressa­da que não suporta os latidos de um cão de guarda. Ou seja, pessoas rotineiras, comuns. Então, o que faz de O Som ao Redor um filme tão significativo e bom? Ora, os excelentes diálogos, as boas atuações e a ousadia e inventividade do diretor Kleber Mendonça, que fez uma inteligente abordagem de alguns temas como o preconceito de classe, a especulação imobiliária, a violência, o racismo estilo Brasil, o consumismo. O Som ao Redor não é um filme experimental, ao contrário, ele abre portas para o diálogo com o público, ao estabelecer um corpo-a-corpo com seu tempo histórico. Filmaço.

http://www.youtube.com/watch?v=rj0eeHW7lXU]

~ 6 ~
Amor

Michael Haneke Emmanuelle Riva Jean-Louis Trintignant na rodagem de Amor

Justamente elogiado e premiadíssimo — a fim de dar chance a outras produções, Michael Haneke pediu para ficar de fora de algumas disputas após vencer Cannes e o Globo de Ouro — , Amor é um retrato realista e digno da velhice. É a história de Anne (Emmanuelle Riva, 85 anos, a mais velha indicada ao Oscar de melhor atriz) e Georges (Jean-Louis Trintignant, 82), dois professores de música aposentados que vivem tranquilamente em Paris. O casal faz compras, vai a concertos, cozinham, tomam café da manhã e convivem após décadas de amizade, cumplicidade e amor. É quando Anne tem um AVC, ficando com um lado do corpo paralisado e precisará de auxílio. O filme é extraordinário. Michael Haneke é um dos raros diretores contemporâneos que têm acumulado filmes relevantes, nada esquecíveis. Código DesconhecidoCachéViolência GratuitaA Professora de Piano e A Fita Branca são claras comprovações de que este austríaco veio para marcar deixar sua marca no cinema do início deste século.

~ 7 ~
A Caça

a caça vinterberg

Thomas Vinterberg é um grande cineasta. Talvez sua produção seja superior — qualitativamente — a de seu conterrâneo e ex-companheiro de Dogma 95 Lars von Trier. Penso até que Vinterberg seja o que von Trier pretende ser. O diretor tem duas obras-primas em seu currículo: Festa de Família (1998) e Submarino (2010). Neste A Caça, Lucas (Mads Mikkelsen) trabalha em uma creche. Boa praça e amigo de todos, ele tenta reconstruir a vida após um divórcio complicado, no qual perdeu a guarda do filho. Tudo corre bem até que, um dia, a pequena Klara (Annika Wedderkopp), de apenas cinco anos, diz à diretora da creche que Lucas lhe mostrou suas partes íntimas. Klara na verdade não tem noção do que está dizendo, apenas quer se vingar por se sentir rejeitada em uma paixão infantil que nutre por Lucas. A acusação logo faz com que ele seja afastado do trabalho e, mesmo sem que haja algum tipo de comprovação, seja perseguido pelos habitantes da cidade em que vive.

[video:http://www.youtube.com/watch?v=gwxYwb7NbDI

~ 8 ~
Um Toque de Pecado

um toque de pecado

Um filme extraordinário. Quatro histórias que dialogam entre si, todas elas tiradas da crônica policial, retratando a violência e a mudança de valores na China. Há a cena do funcionário que tenta denunciar a corrupção em sua vila — o resultado é que toma uma surra espetacular e acaba decidindo pegar em armas. Há a cena da moça que, confundida com uma prostituta, recusa os avanços de um “cliente” e é por ele esbofeteada com um maço de cédulas de dinheiro. Pois bem, o capitalismo toma conta do país e o simbolismo de confundir e esbofetear alguém com dinheiro é claro. Aqui, Jia Zhang-Ke faz seu filme mais universal, abordando a criminalidade de um país emergente, misturando gêneros — o policial, a ação taiwanesa, o filme de samurai — para construir uma crônica polifônica da China atual, que é, na verdade, um faroeste.

(Só encontramos o trailer do filme com legendas em inglês. Pedimos desculpas).

[video:http://www.youtube.com/watch?v=I3n4PifG22M

~ 9 ~
Azul é a Cor mais Quente

Adele Exarchopoulos Lea Seydoux

Primeiro filme baseado em quadrinhos a ganhar a Palma de Ouro em Cannes, Azul é a cor mais quente narra a história de amadurecimento, amor e sofrimento da jovem Adèle (chamada Clementine no livro). No início da trama, ela é uma adolescente insegura que encontra uma menina de cabelos azuis e, ao se aproximar dela, entra em conflito com sua própria ideia de sexualidade, com sua família e colegas. O relacionamento de Adèle e Emma, intenso e conturbado, é interpretado de forma realista e sensível pelas atrizes Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux, que também foram reconhecidas com o prêmio de Cannes. As cenas de sexo explícito entre as duas garotas causaram polêmica e geraram críticas da autora da história original ao diretor Abdellatif Kechiche, chegando a classificá-las como pornográficas e a dizer que foram claramente pensadas do ponto de vista de um homem heterossexual. Apesar das pesadas críticas, o coração da HQ de Julie Maroh está no filme: o retrato de uma garota apaixonada lidando com a sua sexualidade, suas angústias e a intolerância da sociedade. (PorDébora Fogliatto).

[video:http://www.youtube.com/watch?v=3qxWpl-_PQo

~ 10 ~
Tatuagem

tatuagem

Com Irandhir Santos em dia ainda mais brilhante do que em “A Febre do Rato” e “O Som ao Redor”, Tatuagem tem na desenvoltura dos seus atores o motivo para os maiores elogios. Ambientado em Recife, o filme de Hilton Lacerda narra a história de amor entre o líder do grupo de teatro “Chão de Estrelas” e um jovem soldado do Exército brasileiro – durante a ditadura militar. A nudez onipresente, a forma com que a dramaturgia toma conta do enredo e as cores do insólito relacionamento (entre cálido, inocente e impossível) fazem com que o encantamento permaneça firme durante os 110 minutos. (Por Iuri Müller).

[video:http://www.youtube.com/watch?v=UwSX2SlHpEg

~ 11 ~
Depois de Maio

cena-do-filme-frances-depois-de-maio-dirigido-por-olivier-assayas

Em 1971, nos arredores de Paris, Gilles é um jovem estudante imerso na atmosfera criativa e política da época. Como os seus colegas, ele está dividido entre o investimento radical na luta política e a realização de desejos pessoais. Entre descobertas amorosas e artísticas, sua busca o leva à Itália e ao Reino Unido, onde ele deverá tomar decisões essenciais ao resto de sua vida. Antes de ser o painel de uma geração, Depois de Maio é um filme sobre escolhas. Na primeira cena, um professor diz que entre céu e inferno existe a vida. Na cena seguinte, Gilles já está panfleteando na frente da escola, lembrando que a manifestação foi proibida pela polícia. A manifestação e uma batalha campal acontecem. Os policiais batem a valer. Para onde ir? Belo filme de Olivier Assayas.

[video:http://www.youtube.com/watch?v=MoumsQyiJ2o

 

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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5 Comentários
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  1. Marco St.

    25 de dezembro de 2013 2:57 pm

    Lá vai…

    Lá vai…

    Não sei qual foi o critério usado mas The Act of Killing, (O Ato de Matar), melhor filme de 2013 em praticamente todas as listas de público e crítica ao redor do mundo,  não foi nem  lembrado nessa lista de melhores de 2013?

    Documentário-ensaio aterrador. Não admira que cineastas do calibre de Werner Herzog ou Errol Morris tenham ficado de queixos caídos. Oppenheimer entrevista membros dos esquadrões da morte indonésios que mataram um milhão de pessoas (“comunistas”), a mando do ditador Suharto e pede que eles reencenem, em forma de musical ou faroeste, as atrocidades que cometeram. Parece um delírio de David Lynch com personagens reais.

    Surreal e Real ao mesmo tempo:

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=tQhIRBxbchU%5D

  2. alfie

    25 de dezembro de 2013 6:58 pm

    Equívocos e ausências

    Alguns dos filmes eleitos tem equívocos na direção e na montagem. “Amor” tem ótimo argumento, um bom roteiro e uma dupla central de intérpretes extraordinária. Mas o preguiçoso diretor faz planos com ângulos equivocados que desvalorizam Trintignant e Emmanuelle; dessa maneira, eles aparecem um bom tempo de costas ou de longe. O excelente Bellochio se perdeu, se embananou nas várias situações quue expos, além de contar com alguns intérpretes ruins.  “O Som ao Redor” se alonga além do necessário, perde em clareza (por que aquela mulher apanha da vizinha?) e na montagem auto-contemplativa. Isso, além de uma intérprete fraca (a mocinha) e de situações que não se kincam (a cachoeira). Ressoa pretencioso. Na liista,estão ausentes o dinamarquês “O Amante da Rainha” e  o musical “Les Miserables”. Não podemos nos deixar pautar só pela crítica ou só por oba oba de marqueteiros junto a mídia. No cinema de consumo popular existem muitos grandes filmes. .  

  3. iron

    26 de dezembro de 2013 1:26 am

    Soh porcarias

    Soh porcarias intelectualoides. Sinonimos de cinemas vazios.

    1. oneide teixeira bloqueado pela patrulha

      26 de dezembro de 2013 12:16 pm

      Soh porcarias

      Soh porcarias intelectualoides. Sinonimos de cinemas vazios. 2

  4. Roberto Monteiro

    26 de dezembro de 2013 1:34 pm

    Listas, listas, lista.

    Eu também tenho a minha lista de melhores filmes, meilhores livros, melhores músicas. Mas é a minha lista, que expressa o meu gosto e mostra aquilo que me dá prazer. Não vou compartilhar, pois gosto e nádegas, cada um tem os seus.

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