4 de junho de 2026

Os objetivos atingidos por Azevêdo em Bali

Do Estadão

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Em conversas fechadas, diretor-geral da OMC conseguiu contornar crise envolvendo Cuba, Índia e Estados Unidos
 
Jamil Chade
 
GENEBRA – Incansável e conhecendo cada vírgula que se negociava, Roberto Azevêdo saiu ontem de Bali como o principal responsável por salvar a OMC. Ele assumiu o comando da organização em seu pior momento e teve apenas três meses para preparar a conferência de Bali. Ontem, superou seu teste de fogo e quase não conteve as lágrimas ao bater o martelo. Foi aplaudido pelas delegações.

Sua meta era superar Bali e garantir que o governo de Barack Obama não abandonasse a OMC. A estratégia era clara: adiar para 2014 e 2015 qualquer debate substancial sobre os temas mais espinhosos do acordo e permitir que pelo menos a entidade sobrevivesse como o centro das negociações mundiais.

Azevêdo, segundo diplomatas latino-americanos, sai de Bali com os dois objetivos atingidos. Um acordo, ainda que mínimo, foi obtido e Obama não teria motivo para relegar a OMC a uma posição marginal. 
Os “grandes icebergs” das negociações, como ele chamou, foram contornados por enquanto e ele fez o que nenhum dos quatro antecessores conseguiram.

Dentro das salas de negociação, seu estilo também foi aprovado. Já em Genebra ele surpreendeu a muitos obrigando negociadores a permanecerem em diálogo por noites inteiras. Em Bali, a negociação exigiu que a conferência fosse estendida, enquanto ministros cancelavam os voos que haviam sido agendados.

Créditos. Alguns chegaram a colocar em questão sua capacidade de ser ouvido por ministros, já que ele jamais havia ocupado tal posição no Brasil e não havia sentado à mesa no mesmo nível que os chefes das pastas de Comércio de cada governo. Ontem, os créditos foram para ele.

“Achava que seria o efeito Bali que faria com que delegações chegassem a um acordo”, declarou Gita Wirjawan, ministro do Comércio da Indonésia e presidente da conferência. “Mas foi o Efeito Azevêdo. Ele nos deu confiança e, nos momentos mais difíceis, manteve o processo andando”, disse. “Azevêdo teve um papel crítico para nos trazer a esse ponto”, reconheceu Michael Froman, representante de Comércio dos EUA.

Ele ainda demonstrou na prática uma promessa de campanha: a de que trabalharia para atingir um consenso e não seria o candidato dos emergentes.

Foi ele quem desenhou o acordo final, depois que Índia e EUA deixaram de se falar. Paciente, ele convocou o ministro do Comércio da Índia, Anand Sharma, para uma reunião de quase duas horas a portas fechadas. Nova Délhi deixou o encontro acusando nos bastidores o brasileiro de estar atendendo aos interesses da Casa Branca. Azevêdo faria o mesmo com americanos e europeus – tudo para permitir o entendimento.

Quando tudo parecia perdido com o veto de Cuba, Azevêdo convocou Havana para outra reunião. Uma de suas vantagens foi o trabalho multilateral. “Colocamos o mundo de volta na Organização Mundial do Comércio”, disse. 

Redação

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3 Comentários
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  1. Assis Ribeiro

    9 de dezembro de 2013 11:04 am

    As decisões da OMC em Bali

    Foi uma cacetada naqueles que criticam a política externa brasileira nos governos do PT tão bem expressada por Magnoli; “Com o colapso da Rodada Doha, deflagrada há 12 anos, o multilateralismo globalista cede lugar aos acordos regionais, enquanto a OMC é reduzida à condição de ente vestigial: um tribunal de contenciosos comerciais. O fracasso atinge em cheio o Brasil, evidenciando uma sequência de erros de política externa causados pela subordinação do interesse nacional ao imperativo da ideologia”

    A direita, sobretudo o PSDB e a grande mídia, vinha criticando o PT por apostar suas fichas num acordo global de comércio, em lugar de tratados restritos com os países ricos. Mais uma vez perdedores.

     

    1. evandro condé de lima

      9 de dezembro de 2013 11:20 am

      Caro Assis, mas acredito que

      Caro Assis, mas acredito que não podemos negar que os acordos bilaterais estão pululando bem em termos Argentina e Venezuela puxando para baixo atrapalham.

  2. Rodrigo C Moreira

    9 de dezembro de 2013 12:51 pm

    Brilhante. Esse Azevedo

    Brilhante. Esse Azevedo merece uma estátua – só por ser um brasileiro serio, competente e trabalhador que nao se faz de coitadinho, já merece aplausos.

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