Do Estadão
Sua meta era superar Bali e garantir que o governo de Barack Obama não abandonasse a OMC. A estratégia era clara: adiar para 2014 e 2015 qualquer debate substancial sobre os temas mais espinhosos do acordo e permitir que pelo menos a entidade sobrevivesse como o centro das negociações mundiais.
Azevêdo, segundo diplomatas latino-americanos, sai de Bali com os dois objetivos atingidos. Um acordo, ainda que mínimo, foi obtido e Obama não teria motivo para relegar a OMC a uma posição marginal.
Os “grandes icebergs” das negociações, como ele chamou, foram contornados por enquanto e ele fez o que nenhum dos quatro antecessores conseguiram.
Dentro das salas de negociação, seu estilo também foi aprovado. Já em Genebra ele surpreendeu a muitos obrigando negociadores a permanecerem em diálogo por noites inteiras. Em Bali, a negociação exigiu que a conferência fosse estendida, enquanto ministros cancelavam os voos que haviam sido agendados.
Créditos. Alguns chegaram a colocar em questão sua capacidade de ser ouvido por ministros, já que ele jamais havia ocupado tal posição no Brasil e não havia sentado à mesa no mesmo nível que os chefes das pastas de Comércio de cada governo. Ontem, os créditos foram para ele.
“Achava que seria o efeito Bali que faria com que delegações chegassem a um acordo”, declarou Gita Wirjawan, ministro do Comércio da Indonésia e presidente da conferência. “Mas foi o Efeito Azevêdo. Ele nos deu confiança e, nos momentos mais difíceis, manteve o processo andando”, disse. “Azevêdo teve um papel crítico para nos trazer a esse ponto”, reconheceu Michael Froman, representante de Comércio dos EUA.
Ele ainda demonstrou na prática uma promessa de campanha: a de que trabalharia para atingir um consenso e não seria o candidato dos emergentes.
Foi ele quem desenhou o acordo final, depois que Índia e EUA deixaram de se falar. Paciente, ele convocou o ministro do Comércio da Índia, Anand Sharma, para uma reunião de quase duas horas a portas fechadas. Nova Délhi deixou o encontro acusando nos bastidores o brasileiro de estar atendendo aos interesses da Casa Branca. Azevêdo faria o mesmo com americanos e europeus – tudo para permitir o entendimento.
Quando tudo parecia perdido com o veto de Cuba, Azevêdo convocou Havana para outra reunião. Uma de suas vantagens foi o trabalho multilateral. “Colocamos o mundo de volta na Organização Mundial do Comércio”, disse.
Assis Ribeiro
9 de dezembro de 2013 11:04 amAs decisões da OMC em Bali
Foi uma cacetada naqueles que criticam a política externa brasileira nos governos do PT tão bem expressada por Magnoli; “Com o colapso da Rodada Doha, deflagrada há 12 anos, o multilateralismo globalista cede lugar aos acordos regionais, enquanto a OMC é reduzida à condição de ente vestigial: um tribunal de contenciosos comerciais. O fracasso atinge em cheio o Brasil, evidenciando uma sequência de erros de política externa causados pela subordinação do interesse nacional ao imperativo da ideologia”
A direita, sobretudo o PSDB e a grande mídia, vinha criticando o PT por apostar suas fichas num acordo global de comércio, em lugar de tratados restritos com os países ricos. Mais uma vez perdedores.
evandro condé de lima
9 de dezembro de 2013 11:20 amCaro Assis, mas acredito que
Caro Assis, mas acredito que não podemos negar que os acordos bilaterais estão pululando bem em termos Argentina e Venezuela puxando para baixo atrapalham.
Rodrigo C Moreira
9 de dezembro de 2013 12:51 pmBrilhante. Esse Azevedo
Brilhante. Esse Azevedo merece uma estátua – só por ser um brasileiro serio, competente e trabalhador que nao se faz de coitadinho, já merece aplausos.