Um homem que se descreve como um “ex-bolsonarista” relatou, em vídeo, sua experiência de cinco anos dentro da bolha da extrema-direita. Ele descreve o que chama de uma “estrutura de domínio de mente”, marcada pelo consumo restrito de informações de deputados aliados, filhos de Jair Bolsonaro e páginas ligadas ao movimento. A gravação ganhou repercussão após ser compartilhada pelo estudante de Letras Glauber Maia em suas redes sociais.

“Eu larguei o bolsonarismo de 2020 para 2021, e eu fiquei cinco anos dentro dessa ala bolsonarista. Quando estamos ali dentro, existe uma estrutura totalmente de domínio de mente“, afirmou.
Segundo o depoimento, o ecossistema bolsonarista só aceitava informações vindas de fontes indicadas pelo clã Bolsonaro e aliados. Havia o fomento permanente de hostilidade contra veículos de imprensa e universidades, consideradas inimigas. “A Rede Globo era minha inimiga, os universitários eram esquerdistas, e a esquerda era o pivô do problema do Brasil. Era um inimigo que eu precisava aniquilar”, contou.
O testemunho confirma processos já documentados por pesquisadores: circulação intensa de mensagens em grupos fechados, pouca exposição a fontes contraditórias e confiança em narrativas simplificadas atribuídas a supostos inimigos, como a mídia e a academia. Estudos sobre polarização e desinformação no Brasil mostram que esse tipo de isolamento reforça a resistência a checagens e facilita a viralização de falsidades.
A dificuldade de sair da bolha
O ex-bolsonarista relata que a mudança começou em 2021, ao buscar especialistas e confrontar dados reais. Um exemplo foi a revisão de sua crença sobre os empréstimos do governo Lula.
“Eu acreditava que Lula mandou dinheiro para Cuba, Venezuela e Moçambique. Eu não sabia que ele tinha mandado para 15 países e que a balança do programa estava com R$ 15 bilhões de superávit“, disse.
A transição, no entanto, foi marcada por sofrimento emocional: “Eu chorava na cama, dava soco, porque fiquei cinco anos dentro dessa bolha sendo enganado.”
Ele também admitiu o vínculo afetivo com Bolsonaro, o que tornava a ruptura mais complexa. “Se ele chutasse uma criança, eu ia falar que a culpa era da criança. Então eu tenho muita paciência com bolsonaristas.”
A desconstrução
Atualmente, o narrador afirma se dedicar a um trabalho de desconstrução do bolsonarismo. Para ele, compreender como funcionam as redes de desinformação e dialogar com paciência com quem ainda está preso nesse ciclo são passos essenciais.
“Hoje tô aí fazendo um trabalho para desconstruir o bolsonarismo“, concluiu.
Assista ao relato completo:

APFripp
27 de agosto de 2025 2:39 pmExiste um provérbio latino, “Repetitio est mater studiorum”. Significa: A repetição é a Mestra do aprendizado Quanto mais estamos expostos a algo, maior a probabilidade de aceitá-lo ou aprendê-lo. A repetição também é a mãe da propaganda, do controle da mente, da programação de culto, do pensamento de grupo, da programação preditiva e Formação de Psicose em Massa [‘LOUCURA’ Coletiva], todos os quais criam um estado hipnótico, de pessoas robóticas incapazes de discernir a verdade, usar o bom senso, pensar por si mesmas ou ver além de uma faixa estreita da realidade baseada na percepção, mesmo quando apresentados com fatos verificáveis e verdadeiros.
Fábio de Oliveira Ribeiro
27 de agosto de 2025 5:32 pmEsse é apenas um exemplo de como a alucinação coletiva pode capturar a atenção e produzir devoção até aprisionar uma pessoa levando-la a mergulhar no abismo. Isso ocorreu várias vezes no passado com resultados quase sempre funestos. A novidade é a rapidez como os algoritmos identificam as vulnerabilidades das pessoas para que elas possam ser exploradas de maneira assimétrica e com lucro para fins políticos nefastos. A democracia pode se proteger dos criminosos, mas precisa identifica-los e processa-los um a um para que cada qual receba a condenação que merece de acordo com provas colhidas mediante o respeito aos princípios do contraditório e ampla defesa. Mas apenas o dono da plataforma de Internet tem o poder de definir como o algoritmo dele vai analisar informações e refinar perfis individuais para semear ódio e desinformação, assoprando bolhas até elas explodirem nas ruas. A alucinação coletiva é agora programada. Portanto, o Estado deve ter condições de desprogramar tragédias monitorando em tempo real para responsalizar as plataformas de Internet e seus donos.
ERNESTO
28 de agosto de 2025 5:12 amO mais enigmático é ver nesse transe não apenas uma maioria com deficiência educacional e cognição precária, mas muitas vezes em gente com educação formal avançada. Não que isso seja garantia de humanização, mas para além da questão ideológica, os próceres dessa distopia são pessoas flagrantemente toscas em todos sentidos, como é o caso da figura central. É de se supor uma carga de frustrações arrasadora pra não despertar um lampejo de senso crítico em gente com alguma capacidade de discernimento. São zumbis.