Cuidado com o progressismo, pode sair pior a emenda que o soneto, por Rogério Maestri

Para que os “novos cristãos” da oposição ao atual governo, ou os que querem colocar “racionalidade” nas políticas econômicas, mudando algo sem mudar nada, é necessária uma nova etiqueta de frente de luta.

Cuidado com o progressismo, pode sair pior a emenda que o soneto

por Rogério Maestri

A partir de algumas considerações, como:

que num governo ridículo, indefensável e totalmente idiotizado (governo Bolsonaro), fica extremamente simples aparecer com oposição a este governo, por exemplo, rebater as pautas conservadoras e patéticas da Ministra Damares,

que pelo o risco econômico ao grande capital, inclusive o mais conservador do agronegócio, que traz a completamente ideologizada e idiotizada política exterior do nosso chanceler aumenta cada dia mais a oposição do grande capital a influência deste ministro e de outros,

que assim como nos parágrafos anteriores as propostas ridículas do homem que ocupa a cadeira da presidência, querendo tirar assuntos de segurança do transporte rodoviário indo na contramão de toda a HUMANIDADE (independente de que região do mundo que seja) e

que além de todas estas observações fica difícil escolher no meio de outras centenas de absurdos do atual governo, os mais relevantes devido a sua abundância;

Se verifica que qualquer pessoa não sendo um imbecil mal informado de qualquer tendência ideológica, acha centenas de pontos para fazer oposição ao governo.

Mesmo liberais enrustidos, direitistas racionais (poucos, mas existem) e pessoas que tem mais de dois neurônios funcionando tem a obrigação de fazer frente as idiotices propostas pelo presidente e sua trupe (quer dizer, ministros e cargos de instância mais baixa).

Porém ao mesmo tempo que a oposição ao governo aumenta descobre-se um perigo mais forte do que a irracionalidade do atual governo, os PROGRESSISTAS, pois vamos lá explicar em detalhes qual é o risco.

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Quando um governo se supera em matéria de inconsistência, de desgoverno e de acirramento de lutas entre as sua próprias fracções, a obviedade da oposição ao mesmo se torna patente para qualquer pessoa bem informada e com o mínimo grau de discernimento, neste momento há um natural reposicionamento dos antigos grupos de apoio e também da oposição “light”, porém para fazer esta nova oposição é necessário maquiar o passado, ou mesmo esconder as pretensões ao futuro.

Luis Nassif, no seu blog levanta uma série de inconsistências na política econômica que perduram há algum tempo, ultrapassando os governos passados, e que numa situação de crise como a atual resultados das más políticas econômicas que vem se acumulando e acelerando a uma velocidade incrível no atual governo, tornam-se necessário para a recolocação do país numa trajetória não só de crescimento mas como também de civilidade.

Para que os “novos cristãos” da oposição ao atual governo, ou os que querem colocar “racionalidade” nas políticas econômicas, mudando algo sem mudar nada, é necessária uma nova etiqueta de frente de luta. Estes “racionalizadores” do absurdo, não podem aparecer como esquerda ou mesmo como centro esquerda, sendo a famosa turma do nem-nem, ou seja, nem direita, nem esquerda, que na realidade são direitistas nem chegando a social-democratas pois para tanto deveriam seguir uma pauta de identificação com a classes trabalhadoras que cada dia tendem mais a esquerda.

Logo, para conseguir este milagre, de se colocar na oposição, adotar uma nova etiqueta que esconda seu passado e/ou as pretensões para o futuro, nada melhor do que se identificar como PROGRESSISTAS.

As primeiras perguntas pertinentes a quem se identifica como progressista são:

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1) O que é na realidade um progressista?

2)  Se a resposta for quem deseja o progresso, a segunda pergunta necessária é, para quem será focado este progresso? Ou também, quem serão os verdadeiros beneficiários deste progresso? 

3) Se o setor bancário vem sendo o maior beneficiário de toda esta política dos últimos trinta anos, qual será as amarras que se imporá a este setor para pelo menos devolverem parte dos lucros exorbitantes conseguidos nos últimos trinta anos?

Em resumo, a questão básica na verificação desta etiqueta de progressista é saber como mexerão no poder real que manda e mandou no Brasil, mesmo nos governos “progressistas” do PT.

Estas perguntas são essenciais para definir quem é ou não progressista como tentam vender a imagem de alguém que quer contribuir para as classes menos desfavorecidas.

Este rótulo de setores progressistas tem sido utilizados nas últimas décadas na Europa, hora pela direita, hora pela esquerda pequeno burguesa, e isto está levando a um grau de abstenção nas eleições em torno de 50% do eleitorado ou mais, sendo que os partidos de extrema direita, bem mais organizados do que a atual base do governo, comecem a ganhar votos de um povo desiludido pelas manobras da burguesia.

Ou seja, para evitarmos que possamos retornar a uma proposta liberal, que poderá ser feita sem a escatologia do atual governo, poderá triunfar, se as máscaras dos PROGRESSISTAS não forem retiradas.