O objetivo do Imperialismo não é mais produzir nas colônias mas sim o decrescimento dessas, por Rogério Maestri

Achar que Paulo Guedes é tão burro que não entende o que ele está fazendo com o país é simplesmente ignorar o porquê dessa política de destruição.

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O objetivo do Imperialismo não é mais produzir nas colônias mas sim o decrescimento dessas, por Rogério Maestri

Todos aqueles que não professam o credo do ministro Guedes ficam barbarizados com o que está sendo feito na economia brasileira, entretanto isso não é uma insanidade dele ou uma opção de uma surrada cartilha neoliberal que todos já sabem que está errada. Porém, a imensa maioria das cabeças pensantes, quando analisam a política econômica de Guedes, ficam horrorizados pensando que há uma espécie de surto de ignorância dele e ficam tentando de todas as formas demonstrar o que todos já sabem, inclusive o próprio, que tem a noção exata que conduzirá o país a miséria e ao decrescimento.

Achar que Paulo Guedes é tão burro que não entende o que ele está fazendo com o país é simplesmente ignorar o porquê dessa uma política de destruição. Se começamos a analisar os efeitos que começam com a Lava Jato, passam pela fixação dos tetos de gasto e continuam com a destruição da Petrobrás e outras grandes empresas, veremos que há uma sucessão de ações para tornar o país cada dia mais ineficiente e mais pobre.

Todo este caminho de lágrimas não é uma mera opção ideológica equivocada é simplesmente um programa de decrescimento que além do Brasil foi tentado com êxito ou fracasso em países como a Líbia, o Iraque, a Rússia, a Iugoslávia e a Ucrânia. Todos esses países tinham condições de se tornarem desenvolvidos com condições de alguma independência econômica, e devido a isso foram de diversas formas destruídos ou tentada a sua destruição.

Quando os Estados Unidos levaram uma política militar de destruição do Iraque e da Líbia todos pensaram que suas empresas de petróleo sairiam beneficiadas com a retirada de líderes que tinham uma política de desenvolvimento para o seu país. O mesmo tipo de política de destruição econômica foi tentado sem êxito na ex-União Soviética, e com êxito na Iugoslávia e na Ucrânia, na Rússia o projeto de destruição caminhava a passos largos, levando uma parte do povo russo a miséria, porém com Putin o projeto foi abortado. Enquanto isso a Iugoslávia e Ucrânia foram reduzidos países destruídos, o primeiro através da fragmentação e o segundo a um país comandado por milícias fascistas.

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Se as forças dos Impérios ocidentais tivessem a mesma política do início do século XX, todos os golpes nesses países seriam rapidamente estabilizados e colocados no lugar dos antigos governantes títeres locais. Porém há um impedimento desse tipo de comportamento usual no início do século passado, o fator de esgotamento dos recursos naturais. Dentro da uma lógica predatória do capitalismo, sem a mínima preocupação com a sustentabilidade, por mais explorados que sejam os países colonizados, esses criariam uma classe intermediária consumidora que competiria com o consumo nas capitais do Império.

A palavra chave de todo esse processo é o decrescimento involuntário das colônias.

Em resumo, para que se leve adiante o sistema de produção capitalista, é necessário que o consumo reduza de forma involuntária em regiões fora das capitais do Império, poupando para essas uma pequena percentagem da população possam manter uma vida com um mínimo de conforto e possam treinar-se para reproduzir no futuro suas classes intermediárias que trabalharão para as oligarquias imperiais.

Todo esse desenvolvimento já tenho expressado há quase cinco anos em diversos artigos, porém na época as evidências ainda pareciam anedóticas, entretanto quanto mais evolui o quadro elas se mostram perfeitamente materiais e reais. Continuarei a expor esse ponto de vista enquanto puder, até que fique tarde demais para todos reagirem.

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