Os jornais, revistas e redes de TV, eles mesmos mergulhada numa crise econômica e simbólica que resultou na ascensão de comentaristas políticos tão ou mais caricatos que Kim Kataguiri (Folha de São Paulo), Reinaldo Azevedo (Veja) e Pondé (TV Cultura), encararam a vitória do Impedimento como uma solução para a crise de representatividade da esquerda. Segundo este modelo de análise, o ciclo da esquerda na América Latina estaria definitivamente encerrado em razão da incapacidade dos socialistas de atrair novos investimentos do mercado financeiro.
A falha essencial deste raciocínio é evidente. A esquerda tem legitimidade, pois continua vencendo eleições em diversos Estados sul-americanos. O fracasso da direita no Chile levou à retomada do poder por Bachelet. O desastroso governo de Macri na Argentina já começou a provocar fraturas na sua legitimidade eleitoral. O povo do mercado – composto pelos super-ricos norte-americanos e europeus e seus especuladores financeiros – pode ser até reverenciado pelos jornalistas, mas nunca terá legitimidade para eleger ou derrubar presidentes eleitos pelas populações dos Estados latino-americanos.
É evidente, portanto, a ilusão da direita brasileira. A vitória do Impedimento não assegurará a legitimidade do desejado governo Michel Temer. Tampouco conseguirá evitar sua rápida derrocada em razão da resistência popular ao golpe de estado. A batalha de comunicação em torno do Impedimento de fato foi vencida pela esquerda, pois a imprensa européia e norte-americana denuncia o golpe de estado no Brasil, retirando a legitimidade do discurso da imprensa golpista que insiste em tentar legitimar o Impedimento.
Outra falha neste modelo de análise é decorrente da relativa fragilidade do próprio mercado neste momento. As fraturas sociais e políticas provocadas pela globalização financeira já começaram a destruir a União Européia. O fim do Euro e o reinício da competição entre os Estados europeus certamente afetará o fluxo de capitais ao redor do mundo. Uma guerra no centro da Europa envolvendo Ucrânia e Rússia, com potencial para afetar os Estados vizinhos dos países em conflito, certamente levará os investidores a fugir de países antes considerados confiáveis.
A hegemonia da China, desafiada claramente pelos EUA e pelo Japão, também tem potencial para provocar terremotos financeiros. Afinal, os chineses são credores dos norte-americanos. Caso ocorra uma intensificação da guerra econômica, Pequim provocará um colapso econômico dos EUA liquidando todos seus ativos em dólar e congelando os bens de cidadãos norte-americanos na China. Neste caso a própria China deixará de atrair investimentos do povo do mercado, que também terá que procurar lucro fora dos EUA.
Estas são, muito resumidamente, as ilusões da direita brasileira, que deu um golpe de estado no momento errado, pelas razões erradas com base em projeções econômicas erradas. A única coisa que a entronização de Michel Temer conseguirá será provar veracidade das palavras de Wolfgang Streeck. A queda de Dilma Rousseff “…pode servir para lembrar que o futuro da sociedade está em aberto e que a história não é previsível…” (Tempo Comprado, editora Actual, Lisboa, 2013, p. 12).
Quais foram as ilusões da esquerda? A principal, creio, foi acreditar na possibilidade de coexistência civilizada e pacífica com uma direita golpista que abusa do seu poder dentro das redações dos jornais, revistas e redes de TV. A autodestruição financeira das empresas de comunicação foi adiada por Lula. Portanto, o sucesso do golpe de estado desferido pela Câmara dos Deputados contra Dilma Rousseff deve ser em parte creditado ao fracasso da política “Lulinha paz e amor”.
Janio Quadros dizia que era preciso enfiar a peixeira até o cabo na barriga do adversário. O PT foi incapaz de fazer isto, pois preferiu adotar o mantra “Lulinha paz e amor”. Apesar disto, a elite governamental petista pode ser salva porque Lula e Dilma Rousseff fizeram algo mais. Ambos alargaram e consolidaram a base social do PT com os programas sociais que Michel Temer pretende agora encerrar.
Uma forte reação popular à redução de direitos trabalhistas e ao corte de investimento em saúde, educação e moradia, pode impedir a posse Michel Temer ou destruir rapidamente o governo dele. Se não prejudicar o povo brasileiro, Temer perderá sua base de apoio parlamentar. Se fizer isto ele será esmagado nas ruas pelas manifestações colossais de estudantes, operários e sem-terras.
Os petistas se iludiram acreditando poder conviver pacificamente com a direita jornalística golpista. Não devem nutrir ilusões acerca do imenso poder de reação popular criado e consolidado ao longo dos governos Lula e Dilma. O grande problema do PT, contudo, será conseguir comandar o processo de destruição de Michel Temer e impedir que uma nova opção de esquerda atropele nas ruas as ambições pessoais de Lula.
Como disse Wolfgang Streeck “Tudo o que é social acontece no tempo, evolui com o tempo e torna-se mais semelhante a si próprio no tempo e com o tempo. Só podemos compreender o que vemos hoje se soubermos como era ontem e qual o seu rumo atual. Tudo quanto existe está sempre num processo de evolução.” (Tempo Comprado, editora Actual, Lisboa, 2013, p. 14). A queda de Michel Temer antes ou depois dele chegar ao poder é uma probabilidade. Uma nova ascensão de Lula ao poder em 2018, porém, é muito incerta. Assim como os bolsheviks chegaram ao poder atropelando a esquerda reformista russa, a extrema esquerda brasileira pode optar por destruir Lula no afã de chegar ao poder através de uma revolução.
Ana Torres
20 de abril de 2016 3:46 pmO autor do post usa o mesmo
O autor do post usa o mesmo argumento que os golpistas usam contra Dilma para falar a respeito do governo de Macri. Que contradição ! Ele afirma que: ” o desastroso governo de Macri já começou a provocar fraturas na sua legitimidade eleitoral. ” Macri pode perder a sua credibilidade pelo seu governo desastroso, mas não sua legitimidade eleitoral que foi obtida através de eleições livres e democráticas. Exatamente como aqui com Dilma. Ela pode ter perdido sua credibilidade pelo seu governo desastroso, mas não a sua legitimidade obtida através das urnas. Foi o que se viu no domingo na Câmara : deputados exigindo sua saída, nem mesmo pelas tais pelas pedaladas, mas pelo seu governo desastroso. O que, evidentemente, não é legal.
Fábio de Oliveira Ribeiro
20 de abril de 2016 4:22 pmMacri detonou a Argentina,
Macri detonou a Argentina, espalhou miséria e fome, mas não foi submetido a Impedimento sem crime como Dilma Rousseff.
Portanto, seu argumento é falacioso.
Tente novamente, idiota.
Mas apresente um argumento que não seja tão ridículo quando este que foi aqui desmantelado.
Ana Torres
20 de abril de 2016 6:11 pmPor mais desastroso que o
Por mais desastroso que o governo de Macri possa ser, em três meses de governo é um exagero afirmar que ele detonou a Argentina e espalhou miséria e fome. Seria o maior recorde de todos os tempo,s para um presidente! É evidente que não sofreu impedimento porque isso não está escrito na Constituição Argentina. Assim como na brasileira não está escrito que por um governo desastroso a presidente tem que ser impedida. É o que aconteceu com ela. É o que, há meses a oposição exigia, que Dilma teria que sair por ser responsável pela crise econômica e política. Mas isso não está escrito na Constituição, isso não é motivo para perder a legitimidade. E é exatamente essa crítica que eu fiz Sobre seu post. Você usa dois pesos e duas medidas : O governo desastroso de Macri não tira a sua legitimidade eleitoral, como você escreveu. Pode tirar a sua credibilidade. Será que você entendeu agora ou eu preciso repetir novamente? Seria bom você procurar psicólogo ou um psiquiatra por tanta agressividade transbordando de sua pele. Além disso o meu comentário é de nível e perfeitamente educado, não é ofensivo, contrastando com o seu. Qualquer pessoa que publica um texto está sujeito a críticas, isso é normal em qualquer país do mundo. Mas pelo visto você não admite críticas, mesmo sendo bem fundamentadas enão ofensivas. Se você não aceita críticas e não sabe responder educada mente é preferível não publicar nada pois, pelo visto, poucos se interessa por sezs psts.
arnaldo ribeiro ou israel
22 de abril de 2016 7:53 pmO QUE NOS
O QUE NOS ENSINA A CRISE?
Boa-noite! queridos irmãos.
A crise econômica em nosso Brasil, assunto que a todos os instantes consta na pauta da imprensa, e do qual não se pode furtar, porquanto influencia diretamente em nossa vida, não é tema novo.
O Século XX, por exemplo, foi pródigo em crises econômicas. Na chamada Grande Depressão, no ano de 1929, muitos bancos e empresas estadunidenses foram à falência. Ocorre que na época da Primeira Guerra Mundial os Estados Unidos exportavam muitos produtos à Europa. Contudo, conforme a reabilitação dos países europeus, as exportações foram cessando, o que causou forte impacto na economia do país. Essa crise produziu um grande número de suicídios. Aliás, as crises econômicas de forma geral trazem o desespero ao homem imediatista, e este vê no suicídio a porta de saída para seus problemas.
Ledo engano!
O Brasil, que na ocasião exportava em grande quantidade café aos EUA, também foi afetado pela crise, porque seu parceiro comercial diminuiu drasticamente suas importações, o que fez o preço do café brasileiro cair um bocado.
Entretanto, esta crise no setor do café teve seu ponto positivo, pois os cafeicultores brasileiros tiveram que, a partir desta situação, investir no setor industrial, gerando bons reflexos na indústria brasileira.
Não faz muito tempo, na década de 1980, vivíamos em um Brasil imerso em crise. Inflação galopante que corroía o já pequeno salário do trabalhador. Os preços eram alterados numa velocidade vertiginosa, instabilidade total.
Tivemos, também, a crise de 2008 que se iniciou nos EUA e contaminou o Brasil, além de outros países.
Poderíamos ficar aqui por páginas a fio, passeando pelo mundo e suas crises, causas, protagonistas e consequências. Entretanto, urge abordarmos um pouco a crise que no ano de 2015 tomou conta de nosso país e, pelo caminhar dos fatos, estender-se-á pelos anos vindouros, exigindo de nós, brasileiros, reflexão e atitude.
Uma das consequências da crise é o desemprego. Com a retração da economia as empresas tendem a inibir contratações e agilizar demissões. É sabido que muitas (óbvio que não todas) empresas vão no embalo da crise e suas especulações para diminuir o quadro de funcionários. Como só se fala em crise, a empresa que demite nesta época não fica mal perante o público. Não precisam demitir, mas o fazem. A conta é simples: menos funcionários, mais lucro.
Naturalmente que não está nesse rol a empresa que passa verdadeiramente pela crise; para essa as demissões são, infelizmente, um caminho para a recuperação.
A caridade como ferramenta para superação da crise – Em O Evangelho segundo o Espiritismo há uma mensagem do Espírito Pascal, no ano de 1862, em que aborda o tema egoísmo. Recomenda o benfeitor que o homem se liberte do sentimento de indiferença e seja mais sensível ao sofrimento alheio, pois é a indiferença que aniquila os bons sentimentos.
Se colocarmos a ideia de sermos mais sensíveis ao sofrimento alheio no mundo corporativo não desempregaremos alguém sem necessidade. Não demitiremos por especulação, não deixaremos um pai de família sem a honra de poder levar para sua casa o pão de cada dia santificado pelo suor de seu rosto.
Repetindo para que não haja ruído na comunicação: Refiro-me aqui às empresas que demitem apenas porque vão no embalo da crise, ou seja, demitem sem necessidade, tão somente com o objetivo de lucrar mais, mesmo que esse preço seja o das demissões.
Recentemente estive proferindo palestras pelo interior de São Paulo, e em conversa com um confrade sobre o tema crise ele, que também é empresário, disse-me: – Não demitirei meus funcionários. Tenho 60 pessoas em minha empresa e, não obstante a queda no faturamento, estamos operando no azul, as contas estão sendo pagas, portanto aguardarei esta fase passar. O que não farei no momento é abrir postos de trabalho, pois não se justifica, mas não demitirei. Tenho fé no futuro, as coisas melhorarão.
Fiquei muito feliz com a visão desse amigo empresário. Não está se aproveitando da crise para promover um desmonte em sua equipe, antes, porém, sendo sensível à situação de seus colaboradores.
Eis, na prática, a caridade como ferramenta de superação da crise, pois quando eu me coloco no lugar do outro aumento as chances de ser mais sensível à sua situação.
Reflexão: o que as crises querem me ensinar? – Diz o ditado que mar calmo não faz bom marinheiro. O progresso vem, quase sempre, quando estamos pressionados e necessitamos criar uma solução para este ou aquele caso. Aí mobilizamos as forças da alma, refletimos e agimos para ficarmos liberados da questão que nos aflige.
É nas agitações do dia a dia, é nas crises, sejam de um país, de uma família ou segmento, que saímos da zona de conforto e modificamos nosso comportamento.
No estágio evolutivo em que nos encontramos as crises têm, dentre algumas funções, a de trazer para nós algumas indagações.
Por que isto está ocorrendo?
O que esta crise quer me ensinar?
O que eu posso fazer para sair desta situação?
As crises não são, portanto, punições de Deus a um país, mas uma ferramenta de educação para um povo.
Em nosso caso, por exemplo, está nítido que a crise econômica e política é apenas o reflexo de uma crise bem mais profunda e séria: a moral.
Pouco afeitos a respeitar regras, criamos o famoso “jeitinho brasileiro”, em que sem nenhum pudor desrespeitamos regulamentos e normas para atender nossas conveniências.
Natural que, sendo parte do povo e envolvidos em sua cultura e costumes, os políticos repetirão no poder as tendências da população.
Em O Evangelho segundo o Espiritismo, numa mensagem regada a beleza e grandiosidade, denominada: O dever, Lázaro – Espírito – ensina que o dever reflete todas as virtudes morais… O dever é severo e dócil e está sempre pronto a submeter-se as situações permanecendo firme diante das tentações.
Qual o dever de um homem público?
Qual o dever de um cidadão?
Ora, todos sabemos quais são nossos deveres. Mas, por que mesmo sabendo de nossos deveres não os cumprimos? Por qual razão, mesmo conscientes, tombamos ante as tentações?
Cumprir com o dever, portanto, é trabalhar em nossa autoiluminação que, por sua vez, resultará num total e irrestrito respeito pelas regras, pela valorização do que é bom para o coletivo, enfim, pela busca constante para superar as nossas más inclinações, pois quando nossas más inclinações vencem, o dever não se cumpre e todos perdem, nós e a sociedade.
Tempo de analisar nosso estilo de vida – Um outro ponto a abordar no assunto crise é nosso estilo de vida. Como estamos levando nossa existência? Somos consumistas contumazes? Criamos necessidades a todo tempo? Nossos desejos são insaciáveis? Ficamos infelizes quando não conseguimos comprar?
Junto com estas questões proponho outra: Será que esta crise veio para mostrar-me como pode ser interessante e possível viver de uma outra forma, mais simples?
Há, em O Livro dos Espíritos, na resposta à questão 926, uma afirmação de impacto dos Espíritos: aquele que sabe limitar seus desejos e vê sem inveja o que está acima de si poupa-se de muitos dissabores.
Uma convocação para uma vida mais simples, mais calma e tranquila, baseada na conquista dos valores do espírito imortal e não apenas no desejo desenfreado, que alimenta o consumismo irracional e faz, com frequência, os estardalhaços econômicos.
Há alguns anos ouvi do economista Reinaldo Caffeo que um dos motivos para o alto endividamento das famílias brasileiras é a inveja. Mas, como assim? Como a inveja pode endividar alguém?
Simples: a inveja faz-nos cometer loucuras e extrapolar o orçamento doméstico. Aquele tênis que o vizinho comprou, eu quero também, mas não tenho condições financeiras para adquirir, porém passo ao largo do bom senso e, ainda assim, compro o bem, mas… endivido-me…
Eis a inveja como elemento de endividamento.
E ensinam os Espíritos: limitar os desejos e ver sem inveja os que estão acima de nós poupa-nos de dissabores. Assim somos poupados de cobranças, nome negativado, dores de cabeça, e nesses tempos de crise o que não precisamos é de dor de cabeça.
Mas, como diz Allan Kardec: Quase sempre é o homem o construtor de sua infelicidade…
Por lógica, se o homem constrói a infelicidade, poderá construir a felicidade. Basta refletir e aproveitar a crise para repensar sua conduta, seu comportamento, seu estilo de vida.
Tudo passa, e a crise passará, porém, que fique para nós a experiência.
Pensemos nisto.
Wellington Balbo
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