4 de junho de 2026

A refundação do PSDB

Coluna Econômica

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Nos próximos dias, o PSDB iniciará um duro trabalho de reflexão visando recolocar-se no cenário político nos próximos anos.

Nos últimos dias, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso colocou-se firmemente em relação à questão, ameaçando inclusive sair das discussões caso não houvesse uma redefinição programática do partido. Esta semana foi a vez do senador eleitor Aécio Neves falar em “refundação” do partido.

É uma necessidade que se espalha por todas as lideranças, com a notável exceção do candidato derrotado José Serra – o maior responsável pela total descaracterização do partido nos últimos anos que se transformou no maio obstáculo ao renascimento do partido.

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ParaPara essa “refundação”, há um conjunto de princípios que vêm sendo sistematicamente defendidos por Fernando Henrique Cardoso, ainda o grande ideólogo do partido. Passa pelo conceito de estado enxuto, de gestão moderna (embora ele jamais tenha sido adepto da gestão), liberdade para os mercados etc.

Essas bandeiras foram derrotadas nas últimas eleições, em função de um novo conjunto de valores que aparentemente veio para ficar.

Recentemente, tanto André Singer quanto Maria Inês Nassif trouxeram informações relevantes para definir o quadro político das próximas décadas.

André traçou um paralelo com a era Roosevelt nos Estados Unidos. Nos anos 30, Roosevelt definiu políticas sociais, um discurso de solidariedade nacional que marcou a vida do país pelas décadas seguintes – inclusive no interregno republicano com a eleição de Dwight Eisenhower, quando foram mantidas e ampliadas as conquistas sociais.

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De seu lado, Inês lembrou as novas demandas trazidas pelas massas incluídas no mercado de consumo e político. Á medida que cresce esse contingente, o país se desenvolve, amadurece, mas aumentam as exigências de cidadania. E aí não se vê nenhuma instituição preparada para atender a essa demanda, nem Justiça, nem Congresso, nem partidos políticos nem mídia de massa.

Esse será o desafio das próximas décadas, já endossado por Aécio.

O PT saiu na frente, graças à liderança de Lula. Mas não haverá como a oposição ignorar o campo social e batalhar por se inserir nele.

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Esse caminho de reconstruir o discurso passa por um princípio defendido pelo futuro governador paulista Geraldo Alckmin, de recuperar a militância acabando com o vício original do PSDB de decisões de cúpula empurradas goela abaixo dos diretórios, herança do período FHC-Serra.

Passa também por um trabalho sistematizado dos novos governadores e prefeitos, de definir políticas criativas para a área social e disseminar pelas demais instâncias do partido.

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Paralelamente, o partido terá que se livrar do legado de ódio deixado pela turbulenta era Serra. Nesse período, o partido contratou grupos profissionais na Internet para ataques difamadores contra adversários políticos. Esses grupos foram responsáveis pela disseminação de emails tratando a adversária Dilma Rousseff como assassina, como defensora do aborto.

Extirpar esse ódio do partido será o primeiro passo rumo à reconstrução da sigla. 

Por Cláudia Stefani

FHC não pensa em termos de ‘Estado enxuto’ ou de ‘liberdade para os mercados’, estas, na verdade, seriam consequências do seu pensamento primordial que é fazer avançar o capitalismo no Brasil como forma estruturante da sociedade. O capitalismo, portanto, não seria um fim em si, daí a gestão ser vista como uma questão menos relevante – a despeito do capitalismo não poder prescindir de métodos e regras bem definidos, menos ainda quando se trata de um capitalismo biônico como é o nosso aqui, defendido ardorosamente por FHC e pela parte que pensa do PSDB.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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