Mentirosos, maníacos, milicianos e monarquistas na piroga dos lunáticos, por Fábio de O. Ribeiro

A especialidade de Bolsonaro é matar e causar mortes. Ele fará qualquer coisa para não ser responsabilizado pelo genocídio que colocou em marcha. Mas isso não significa que ele conseguirá fazer o Exército marchar ao seu comando.

Mentirosos, maníacos, milicianos e monarquistas na piroga dos lunáticos

por Fábio de Oliveira Ribeiro

Ontem os bolsonaristas retornaram às ruas para dar uma evidente demonstração de fraqueza. Um deles disse que os crentes verdadeiros não temem a morte. Mentira, sem dúvida. Todos os seres vivos têm medo de morrer.

Apenas os maníacos suicidas são incapazes de mentir. Quando eles dizem que preferem a morte à vida, porém, isso não é uma demonstração de coragem e sim de perturbação mental.

Os milicianos sonham com uma intervenção militar que possibilite a absorção das milícias pelas Forças Armadas. É evidente que eles sequer imaginam que seriam os primeiros na lista dos grupos destroçados por um regime militar. O militarismo politizado não gosta de competição armada nas ruas. Qualquer coisa que coloque em risco seu projeto de poder é considerado perigoso e deve, portanto, ser exterminado impiedosamente.

No Rio de Janeiro os herdeiros do trono brasileiro foram às ruas encenar a versão tapuia de “The Prince and the Pauper”. O problema desses mendigos bem-nascidos é que eles não voltarão a ser tratados como príncipes. A família real brasileira aderiu à mediocridade bolsonarista, mas a verdade é que ela está tão distante de reinar no Brasil quanto o cacique Raoni Metuktire de ser deposto pelos seus caiapós.

Raoni, aliás, foi recebido com honras de chefe de estado pelo presidente da França.Emmanuel Macron é umadversário declarado do desmatamento da Amazônia facilitado por Jair Bolsonaro e concretizado por seus esbirros bastardos e supostamente coroados. Dificilmente o presidente francês receberá um Orleans e Bragança candidato a rei da devastação ambiental e do extermínio dos índios brasileiros.

O führer bananeiro já desperdiçou as vidas de centenas de seus apoiadores. Alguns deles morreram em silêncio, outros demonstraram arrependimento. Um deles (policial e deputado) implorou inutilmente para ficar vivo. A especialidade de Bolsonaro é matar e causar mortes. Ele fará qualquer coisa para não ser responsabilizado pelo genocídio que colocou em marcha. Mas isso não significa que ele conseguirá fazer o Exército marchar ao seu comando.

Os generais aderiram à vacinação em massa. Aqueles que estão mais próximos do presidente brasileiro estão sendo vacinados escondidos. Eles querem viver e não estão dispostos a desperdiçar suas vidas por causa do capitão amalucado.

Abro um livro ao acaso e voilà. Encontro uma perfeita descrição do presidente brasileiro num poema do século XIII (Roman de la rose, Guilherme de Lorris e Jean de Meung) citado pelo advogado Marc Lescarbot no século XVII:

Um grande vilão entre eles elegeram

O mais encorpado de quantos houveram

O mais ossudo e grunhidor

E o fizeram Príncipe e Senhor.”

Marc Lescarbot usou esse poema para descrever Cunhambebe, que era “… segundo Thevet, o mais ‘encorpado’ dos tamoios, aquele cujos ‘oito pés’ de altura asseguram uma incontestável superioridade sobre os membros do grupo. O gigantismo aparece nesse sentido como o signo da dignidade suprema, ao mesmo tempo que é o atributo do monarca nu.” (A oficina do cosmógrafo, Frank Lestringant, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2009, p. 167/168)

Bolsonaro também é um gigante… uma encarnação do Gigante Piaimã talvez. Ele prometeu matar 30 mil pessoas e já causou mais de 400 mil mortes. Não há na história do Brasil outro exemplo de genocida grunhidor feito príncipe e senhor pelos herdeiros de D. Pedro I e D. Pedro II. A associação entre a família real e esse bárbaro expulso do Exército não é apenas vergonhosa. Ela é o indício claro de que inexiste qualquer possibilidade real do Brasil voltar a ser uma monarquia, regime cuja principal característica é a superioridade moral do monarca.

As manifestações evocam menos um cortejo real do que a nau dos insensatos. Em sua obra Das Narrenschiff, o poeta Sebastian Brant (1457-1521) coloca os loucos de todo tipo para apresentar um desfile das fraquezas humanas.

No cortejo dos néscios que seguem o encantador de cadáveres pelas ruas do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília estão os mentirosos, maníacos, milicianos e monarquistas.Mas não podemos também deixar de citar os banqueiros, empresários, juízes, procuradores, médicos, jornalistas… O ódio de classe cegou aqueles que acreditam fazer parte da fina-flor da sociedade brasileira. Sebastian Brant teria muito trabalho se estivesse vivo e decidisse escrever sobre a nossa piroga de lunáticos.

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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