Guedes, o canto de cisne do ultraliberalismo tupiniquim, por Luis Nassif

Caiu mais um assessor do Ministro da Economia Paulo Guedes, Walderi Rodrigues Júnior, Secretário Especial da Fazenda. Waldery é funcionário do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) e se notabilizou por ter invadido o Congresso em manifestação agressiva, sendo detido pela polícia da casa.

No cargo, cometeu algumas das maiores heresias já desenvolvidas por qualquer economista brasileiro. Com o PIB andando de lado, separou a produção entre pública e pribvada e tentou demonstrar que enquanto a pública caía, a privada subia. Em nenhuma parte do mundo há essa divisão epla relevante razão de que gastos do Estado signficam receita do setor público.

Mesmo assim, Guedes pegou o tema e tentou demonstrar que os dados comprovaram que o país caminhava para a redenção, com o setor privado substituindo o público.

A crise explodiu depois que Guedes cometeu o maior desastre de um Ministro da Economia, fora dos grandes cataclismas cambiais: entregar um orçamento inviável com notável atraso.

Mas no Brasil – já dizia Noel Rosa – tudo se compra, tudo se vende. Bastou Bolsonaro acenar com medidas de estímulo aos negócios da privatização para pipocarem manchetes afirmando que a demissão do principal assessor de Guedes significava o seu fortalecimento. Ainda no domingo, a revista Veja – controlada pelo grupo BTG Pactual – tentou levantar a imagem de Guedes, apresentando um conjunto de leis votadas recentemente.

Será inútil. Guedes significou a radicalização do ultraliberalismo que, no fundo, ocultou sua enorme incompetência para tratar de temas de responsabilidade de um Ministro da Economia – ainda mais controlando um superministério, que juntou à Fazenda os Ministérios do Planejamento e do Desenvolvimento.

É incapaz de enfrentar os problemas de quebras de diversas cadeias de suprimento; ou de impedir os efeitos da desvalorização cambial e do boom das commodities sobre a inflação interna; demorou para tomar medidas anticíclicas – no ano passado foi salvo pelo Congresso, ao impor um auxílio de 600 reais. Perdeu totalmente a interlocução com o Congresso aplicando na política seu estilo de mercado – o do esperto que não perde uma oportunidade para tirar vantagens.

Ontem coroou o desastre ao criticar a China, com o óbvio propósito de agradar seu chefe maior.

Sua passagem desastrosa pelo Ministério terá o único mérito de acelerar a perda de hegemonia do mercado sobre a política econômica. Guedes conseguiu a unanimidade, de ser condenado pela esquerda, pela direita mercadista racional, por desenvolvimentistas e pelo próprio mercado. Os elogios que eventualmente recebem significam apenas a esperança de que consiga dar uma última tacada nas privatizações, antes de soçobrar.

O IPCA

O Índice de Preços ao Consumidor Ampliado 15 (IPCA-15), que antecipa o IPCA, registrou alta de 0,60%. A Tabela 1 mostra as variações dos diversos grupos de preços. A maior alta foi de Transportes (1,76%).

A Tabela 2 revela o peso de cada variação no resultado final do IPCA-15. Ali se constata que dos 0,60% de alta, 0,36% foi reflexo direto da alta de combustíveis. Os demais grupos aumentaram em menos de 0,10%.

A Tabela 3 mostra o acumulado de 12 meses. O IPCA-15 ficou em 6,17%. As maiores altas foram Alimentação e Bebidas (+12,18%), Artigos de Residência (+11,83%) e Transportes (+9,66%).

Já a Tabela 4 mostra o impacto dessas altas no índice final. 

Dos 6,17% de alta, 2,56% foram efeito direto do grupo de Alimentação e Bebidas. Outros 1,98% vieram de Transportes. 

Tabela 1

Tabela 2

Tabela 3

Tabela 4

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