Home Editoria Cidadania Eleições 2018: segundas impressões sobre o primeiro debate, por Daniel Gorte-Dalmoro

Eleições 2018: segundas impressões sobre o primeiro debate, por Daniel Gorte-Dalmoro

Eleições 2018: segundas impressões sobre o primeiro debate, por Daniel Gorte-Dalmoro

Eleições 2018: segundas impressões sobre o primeiro debate

por Daniel Gorte-Dalmoro

Penso um pouco mais sobre o primeiro debate entre os presidenciáveis-menos-o-favorito, na Bandeirantes do golpe, dia 9. Talvez eu tenha me equivocado quanto à pretensa união do campo conservador: se as várias candidaturas serviriam para inflar o candidato do establishment mais bem posicionado ou decidido a sê-lo – Alckmin, por enquanto, até que mostre definitivamente que não consegue crescer -, a ausência de uma candidatura robusta nesse campo faz com que se torne um  salve-se quem puder num campo minado.

Bolsonaro, sem dúvida, foi o grande perdedor do debate, e isso ele sabia que seria desde o início, tanto que a princípio anunciara que não participaria de debate ou sabatinada alguma. Como fugir da luta queimaria parte do seu capital político, a construção do machão destemido, teve que ir para o sacrifício, correndo risco de definhar a cada vez que abre a boca, que não seja para falar de armas e porrada. Bolsonaro está onde está por completo acaso, não houve qualquer cálculo – diferentemente de Trump, que uniu seu estilo afim ao zeitgeist, o espírito do tempo, com uma equipe de marketing.

Cabo Daciolo foi, sem dúvida, uma surpresa. E para além da pecha de ridículo que ganhou entre a esquerda ilustrada – a URSAL é uma realidade entre grupos de whatsapp, ele pode ser visto como corajoso ao tratar em rede nacional o que a “mídia vendida e esquerdista” tenta esconder -, cabe ver que sua fala deve encontrar eco em parte do eleitorado: seu discurso firme, messiânico, de “eu sou diferente, e eu resolvo”, um Bolsonaro que fala em “nação brasileira” e “amor”, tende a tirar votos do destrambelhado do exército entre aqueles que o viam como voto de protesto ou candidato firme, ainda que um pouco exagerado – Daciolo encarna o pai severo e amoroso, Bolsonaro é apenas um sádico.

Outro ponto a ser percebido é como Boulos e Ciro confrontaram Bolsonaro: Boulos, ao enunciar as “qualidades” do candidato do PSL (sua base de apoio vê machismos e quetais como positivos ou como irrelevantes, não adianta repetir) e levantar a questão da funcionária fantasma, recebendo como resposta uma mentira e o desdém, não tirou um voto do fascista, e ainda pode ter feito ganhar votos como candidato antiesquerda, antibaderna.

Ciro, em compensação, foi simplesmente genial ao questioná-lo sobre inadimplentes e prometer tirar o nome dos brasileiros do SPC: além de aproveitar para se vender como uma possibilidade razoável para 60 milhões de brasileiros – 40% da população adulta do país -, num momento de descrédito com o coletivo e desespero individual, aliando questão individual e coletiva (Luis Nassif salienta que a proposta, além de factível, é necessária: a elevada inadimplência mostra que se trata de uma questão política, e que credores, devedores e o país sairiam ganhando [bit.ly/2nBRoBW]), fez o capitão do exército deixar claro que não tem proposta nenhuma para os problemas comuns das pessoas comuns, além de fazê-lo chamar parte desses 60 milhões de “bandidos” – o que não afetará o ânimo dos bolsonaristas, mas aqueles que não são fanáticos porém cogitavam voto nele certamente pensarão um pouco mais antes de se decidir. Repenso: talvez ao reafirmar a defesa da democracia, sem falar diretamente em Lula, tenha sido acertado para ganhar o eleitorado antipetista light. A ver como seguem as campanhas, eu não descartaria um segundo turno entre PT e Ciro – e defendo que o PT feche logo um acordo de apoio mútuo no primeiro turno: dois candidatos antigolpe seria o fim de toda narrativa Globo-golpista, a prova por A+B que o golpe foi golpe e antipopular, contra o pretenso  anseio “das ruas”.

A outra novidade que embaralhou o campo conservador foi o apoio do Inquisidor Moro ao candidato Álvaro Dias: ao dizer que não se manifestaria sobre a proposta de ser nomeado ministro da justiça [bit.ly/2OE24f1], pelo não-dito deixou dito que aprova o uso de seu nome como carro-chefe da campanha do paranaense – que se arrisca até a fazer conjecturas sobre futuros pensamentos e atitudes do juiz camicie nere. É bem provável que o movimento tenha sido combinado pela República de Curitiba, e seja utilizada como termômetro do fascismo lavajatista no país [bit.ly/2OBbpUM]. Sem dúvida poderiam ter escolhido alguém com um pouco mais de carisma, porém será interessante observar o resultado de Dias nas urnas, saber in loco onde a Lava-Jato reverbera forte, onde encontra resistência, talvez até para calibrar novas ações do avanço do estado de exceção no Brasil – e o candidato não poderá alegar que a Lava Jato que se utilizou dele, já que parte de um patamar baixo nas pesquisas e por si não iria além dos 3% que já tem. Será interessante observar também como o partido todo vai se utilizar do mote da Lava Jato para as eleições legislativas – e aqui novamente minha questão do quanto o campo progressista dormiu em berço esplêndido e ainda cochila gostosamente quando se trata do legislativo.

O segundo debate, já calibrado a partir do que se viu no primeiro, dará uma mostra melhor das estratégias (pensadas ou aleatórias) dos candidatos. Provavelmente Alckmin deve rever a sua, Boulos deve fazer pequenos ajustes – assim como Marina, se é que isso fará alguma diferença para ela -, e os demais seguirem pela toada do primeiro debate.

 

14 de agosto de 2018

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1 COMMENT

  1. Prá que serve mesmo, o debate ?

    Companheiro Dalmoro, fora aquele debate entre o Collor e o Lula, em 1989, editado criminosamente pela Central de Jornalismo da Globo,que efetivamente mudou as intenções de votos de milhões de eleitores, qual dos outros debates, mudou em alguma coisa, as inetenções de votos, já prescrutadas pelos Institutos de pesquisa ?

    Cabeças pensante, comentários sábios de analistas políticos, e declarações de marqueteiros, dificilmente chegam aos ouvidos dos eleitores, este “jujeito” da questão, e hoje, o que sentimos, é que indiferente dos vários debates programados para até a véspera desta eleição, em nada mudará, o pensamneto de 40% dos mais de 110 milhões de quem vai decidir, nas urnas, quem querem para presidir o Brasil.

    Todo o esfôrço dos golpistas que tiraram irregularmente do Poder, a Pres eleita Dilma, com esta jogada jurídica-midiática, e aprovada pela direita, não conseguirá, que mesmo não concorrendo(o que ainda é uma incógnita) que o Lula, eleja um “poste” pois o eleitor está cansado de promessas irrealizáveis e dos candidatos feita nos debates, e nem em milagres. Acreditam sim, que o que foi feito em 8 anos da adm. Lula, possa ser reeditado, e que o país, sia deste retrocesso econômico e que volte a criar empregos e renda. 

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