
Essa noite tive três sonhos estranhos.
“Estou na frente se uma antiga fábrica de fósforos que existia em Osasco, mas ela é a sede de uma revolucionária empresa de energia.
O imenso caminhão de distribuição de cabos elétricos está na frente dela sendo preparado para atender um novo cliente. O computador calcula distância, trajetória e velocidade usando tecnologia GPS. Três outras variáveis são levadas em conta: a tipografia da cidade l, o peso do cabo a ser lançado e o peso necessário para arremessa-lo até o local.
Feitos os cálculos, o empregado conecta o cabo a um peso e aciona o braço robótico do equipamento enquanto os pistões hidráulicos fixam o imenso caminhão no terreno. O braço levanta o peso e começa a girar até arremessa-lo em direção ao novo consumidor. O peso leva consigo o cabo de energia. Nenhum poste é necessário. Os cabos de energia cobrem a cidade como se fossem uma imensa teia de aranha.
Notando minha curiosidade o empregado se aproxima de mim e diz que geralmente o equipamento não erra. Mas quando isso acontece geralmente o cômodo de uma casa é destruído. Os operários no local da nova instalação geralmente ficam a uma distância segura da queda do peso e a prefeitura manda um caminhão para concertar o estrago na rua.
Um ex-amigo acena e se aproxima de mim. Não quero falar com ele. Resolvo voltar para casa.
Chamo um táxi. O veículo para eu entro. Dentro dele há seis crianças deitadas e amarradas. O taxista informa que precisa entregá-las antes de fazer minha corrida. Ok. Sendo assim, pagarei o preço do trajeto entre a casa delas e a minha.
O taxi sai em disparada. Algumas quadras depois o veículo para e as crianças são desamarradas e entregues à mãe delas. Depois disso o taxista me leva para minha casa. Quando chegamos ao local pago metade do preço exigido, desço do taxi e entro em casa.
Grande surpresa. As seis crianças e a mãe delas estão no local e isso me deixa intrigado. O que essas pessoas estão fazendo aqui? Essa casa é minha e eu moro sozinho. Quando eu retornar não quero mais vê-los aqui. Bato a porta e vou dar uma volta nas redondezas.
Cruzo com minha mãe e uma irmã. Elas estão 30 anos mais jovens. Ambas estão alegres e isso é bom. Ambas desaparecem na esquina. Noto que estou empurrando minha nova máquina portátil automática de fazer café. Ela tem 60 centímetros de largura, um 1,60 metros de altura e 1, 20 metros de comprimento. Montada sobre rodinhas, a máquina pode ser facilmente empurrada pelas ruas.
Todos olham admirados para mim, fico orgulhoso e descuidado. A rodinha dianteira direita enrosca numa fenda e a máquina tomba. Uma mulher jovem e bonita vem me ajudar a levantar a máquina de café. Sem graça digo que comprei o eletrodoméstico portátil há pouco tempo. A moça lava a lateral da máquina com a mangueira de água. Ele é realmente muito atraente.
Faço um café expresso para moça. Ela fica ecantada, diz que vai me apresentar ao marido dela. Contrariado, vou embora empurrando minha máquina de café portátil. Não quero treta com uma mulher casada. Na verdade não quero treta por causa dela. Não faço questão alguma de conhecer o esposo traído.”
Acordei cansado. Entrei no Twitter e mergulhei de cabeça num mundo real como representação onírica.
Atores dizem que os teatros fechados podem virar igrejas evangélicas. Pastores querem reabrir seus templos porque estão falidos. A União doou bilhões de reais aos Bancos sem fazer qualquer exigência. Mas a falência da economia não preocupa os banqueiros, eles aumentaram os juros.
O Lockdwon será a nova jabuticaba jornalística do Reich bananeiro. 73 mil mortos nos EUA, 30 mil cadáveres na Inglaterra. O uso da língua inglesa não foi capaz de salvar norte-americanos e britânicos. Por que ela nos salvaria? Além disso, as filas nas agências da CEF são uma garantia em sonoro Português castiço de que a pandemia vai matar dezenas de milhares de miseráveis antes e depois deles terem recebido o auxílio emergencial aprovado pela Câmara dos Deputados.
O dono de uma empresa financeira disse que a quarentena pode ser levantada porque a pandemia foi controlada entre os ricos. A luta de classes com estilo brasileiro é foda, mano… O abismo social deixou de ser um problema e passou a ser a solução. Os ricos importaram a doença e acreditam estar salvos porque não podem viajar e entrar em contato com os estrangeiros doentes. E os brasileiros pobres podem morrer como moscas, pois não existe qualquer proximidade entre eles e os ricos.
Jair Bolsonaro queria trocar o comando da PF carioca desde 2019, mas o Ministro da Justiça ficou em silêncio. Ao fazer a denuncia do crime que acobertou por mais de um ano, o cúmplice fez pose de herói e foi aplaudido pela grande imprensa. Sergio Moro será devidamente punido pelo STF?
Vocês notaram a ironia? A retórica dos pesadelos dominou totalmente nosso cenário político. O mito da transmutação transforma o medo em coragem, o medieval em moderno, a sujeição vil em virtude cívica, a credulidade em ciência, o vírus mortal em gripe comunista e os ricos me rebotalhos. Bolsonaro é um “coprólito filosofal genérico”.
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