A esquerda precisa se unir em torno da candidatura de Jilmar Tatto enquanto é tempo.

O quadro político na principal capital do país impõe séria reflexão à esquerda e principalmente aos petistas.

É preciso ter um pouco de humildade e fazer a leitura política correta do cenário atual. Jilmar Tatto é a candidatura mais competitiva que a esquerda possui na cidade e caso isso não seja observado agora, a direita terá conseguido a sua maior façanha nessas eleições, a partir de uma estratégia colegial.

A chapa encabeçada por Boulos agrada parte importante da esquerda e sem dúvida alguma é um dos grandes nomes no campo progressista. Porém, a única candidatura que possui capilaridade para ampliar na capital paulista e levar a esquerda para a disputa do segundo turno é a candidatura de Lula e do PT.

Mesmo o mais displicente analista político nesse momento não pode ignorar o que representa Lula e o Partido dos Trabalhadores no eleitorado paulistano.

Seguir por esse caminho é trilhar exatamente o que os setores mais conservadores têm nos indicado no último período, não para atacar unicamente o PT e o Lula e seguir com o isolamento midiático e político que esses setores têm tentado impor ao maior partido e liderança da esquerda no país, mas, para atingir ao conjunto das forças progressistas, que queiram ou não é liderada em termos de organização e capilaridade eleitoral, não só no estado de São Paulo, mas, no plano nacional pelo PT, contudo, com grande força do PSOL, PCdoB, PCO e os demais partidos, lideranças e forças políticas do respectivo campo progressista.

Isso se chama indução! A esquerda está sendo induzida, a partir de “pesquisas” e da utilização da grande mídia, a abandonar a candidatura de Jilmar Tatto e mergulhar definitivamente na bolha que irá limitar a nossa possibilidade de crescimento garantindo com isso o isolamento das forças progressistas, as quais podem, de fato, salvar a cidade de São Paulo de mais quatro anos de grande retrocesso, em um cenário de fome, miséria, desemprego e do mais repleto abandono.

Nesse sentido é preciso olhar na lente da história, para não cometermos o mesmo erro. Quem não se recorda, quando nas prévias do PT, José Genoino foi escolhido candidato do partido para disputar as eleições para governador de São Paulo. A chapa trouxe como candidato a vice, o atual presidente do PT Paulista Luiz Marinho.

Genoino começou a campanha apoiado apenas pelo PCdoB e, depois, por setores pequenos e isolados do PMDB, PDT e PSB.

As pesquisas apontavam apenas 7% das intenções de voto e colocavam Paulo Maluf com 33% e Geraldo Alckmin com 29%, no mês de junho do respectivo ano do pleito. Em três meses de campanha, o quadro mudou completamente. Paulo Maluf desabou e Geraldo Alckmin começou a pontuar indo para o primeiro lugar.

Porém, o fato a ser observado naquelas eleições é que a chapa Genoino e Marinho começou a subir de forma expressiva e passou para o segundo turno com um percentual maior do que o previsto por todos, inclusive, por boa parte da esquerda que não acreditava na possibilidade real de irmos ao segundo turno.

O dado concreto é que no resultado oficial, alcançamos 32,45% dos votos válidos e ao derrotar Paulo Maluf, quando o PT e o campo progressista entraram pela primeira vez em um segundo turno na sucessão paulista.

O momento é de reflexão e unidade no Partido dos Trabalhadores. Todas as lideranças petistas e de esquerda devem seguir o exemplo de Lula e do Presidente do PT Paulista Luiz Marinho e não titubear em apoiar de forma vigorosa à candidatura de Jilmar Tatto.

Isso não implica em disputar e/ou atacar à candidatura encabeçada por Boulos. Longe disso, Boulos é representa bem esse mesmo campo progressista e cumpre relevante papel nas eleições ao ajudar a desmascarar o que está por trás dos nomes apresentados pela direita. Todavia, a candidatura de Jilmar Tatto, com apoio irrestrito de nossas lideranças levará ao conjunto das forças progressistas, inclusive, as que apoiam a candidatura de Boulos, ao segundo turno das eleições na capital e certamente ao fazermos isso iremos derrotar o projeto da elite na principal cidade do país, ponderando que o inverso é verdadeiro.

Cleiton Leite Coutinho. Advogado. Membro da ABJD, Dirigente do SASP (Sindicato dos Advogados do Estado de São Paulo) e Presidente do PT de São Bernardo do Campo.

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