Sax e piano, Daniela e Sheila. E um Jacob do Bandolim renovado, por Carlos Motta

Instrumentistas refinadas e experientes,  a dupla aproxima a brejeirice, a virtuose e a dolência do choro com a liberdade criativa do jazz e a acuidade da música de câmara

Sax e piano, Daniela e Sheila. E um Jacob do Bandolim renovado

por Carlos Motta

Amigas de longa data e parceiras musicais há 20 anos, a saxofonista Daniela Spielmann e a pianista Sheila Zagury debruçaram-se sobre a extensa obra de Jacob do Bandolim, juntas a um invejável time de músicos, imprimindo frescor e contemporaneidade a ela. 

O disco “Entre mil..Você!” (Kuarup) chega em formato de CD físico e digital com participações especiais de Almir Côrtes (bandolim), Soraya Ravenle (voz), Catherine Bent (violoncelo), Clarice Magalhães (pandeiro, caixa de fósforo), Roberta Valente (pandeiro), Rodrigo Villa (baixo acústico e elétrico) e Xande Figueiredo (bateria).

Instrumentistas refinadas e experientes,  a dupla aproxima a brejeirice, a virtuose e a dolência do choro com a liberdade criativa do jazz e a acuidade da música de câmara, além de prover uma delicada e sensível feminilidade que abraça por completo, inclusive, a própria trajetória do homenageado –  foi a mãe de Jacob do Bandolim, Raquel Pick, quem lhe deu o primeiro bandolim; sua esposa Adylia administrava seu arquivo e Elena, sua filha, foi a fundadora e 1ª presidente do Instituto que leva o seu nome, além do fato de, aos 18 anos, ter descoberto uma das maiores cantoras do Brasil, Elizete Cardoso.

Cavaquinista e diretor do Instituto Jacob do Bandolim, Sérgio Prata, que assina o texto  do encarte do CD, resume assim o repertório: “Entre mil…Você!, choro que dá nome ao disco, recebe aqui um elegante arranjo com ares bossanovísticos. “Receita de Samba” e “Ginga do Mané”, esse dedicado a Mané Garrincha, ganham um frescor com o bandolim de Almir Cortes, desaguando o primeiro em um criativo arranjo e o segundo, em um delicioso ragtime. Quem achava que depois de gravados centenas de vezes, “Vibrações”, “Migalhas de Amor” e “Doce de Coco” não teriam mais o que revelar, precisa ouvir esse comovente encontro entre os sopros de Dani, as teclas de Sheila e as cordas de Catherine Bent. Enquanto” Bole Bole” vai ‘bolindo’ com nossa alegria, o incansável “O Vôo da Mosca” dá asas ao virtuosismo dessa dupla genial, que ganha repouso nas lindas “Modinha” e “Naquela Mesa”, ambas de autoria de Sergio Bittencourt, filho de Jacob, aqui delicadamente apresentadas por Soraya Ravenle. Finalizando, a valsa “Santa Morena” surge em ambiente oriental, que vai transbordando em uma vibrante atmosfera flamenca, sem perder, porém, a sua característica original. De arrepiar.”

Daniela Spielmann

Saxofonista, flautista, compositora, arranjadora, pesquisadora e professora, tem como grandes trunfos a força interpretativa somada à criatividade de suas composições e arranjos. Em 2001, lançou seu primeiro CD solo – “Brazilian Breath”, indicado ao Grammy Latino em 2002. Fez parte da banda Altas Horas do programa homônimo, comandado pelo apresentador Serginho Groisman, do ano 2000 a 2014 na TV Globo, elaborando arranjos semanais. Já lançou 12 CDs em grupos como Rabo de Lagartixa, Mulheres em Pixinguinha e o último em 2018, “Afinidades”, inteiramente autoral. Em 2019,  foi convidada para tocar no primeiro Rio Montreux Festival.

Frequentemente convidada para dar oficinas, workshops e seminários no Brasil e no mundo, Daniela Spielmann desenvolve uma intensa carreira nacional e internacional, já se apresentando com artistas de porte do cenário da MPB, como Sivuca, Zé Menezes, Zé da Velha e Silvério Pontes, Anat Cohen, Aurea Martins, Moyseis Marques, Zélia Duncan, dentre outros. Em 2008, concluiu a dissertação de mestrado, na UNI-RIO, sobre Paulo Moura, obtendo o título de mestre em música. Concluiu seu doutorado em musicologia em 2017, sobre as gafieiras no Rio de Janeiro ,recebendo menção de louvor. Atualmente, é professora de Música do Cefet-RJ Maracanã e participa de pesquisas na area da musicologia. Recebeu moções honrosas da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro e São Paulo, prêmios e menções de destaque em diversas áreas em que atua.

Sheila Zagury

Pianista de formação eclética, com passagem na música erudita e no jazz, já atuou com vários artistas e grupos de renome, como Eduardo Dussek, Ângela Rorô, Rio Jazz Orchestra, UFRJazz, Neti Szpilman, Áurea Martins, Marianna Leporace e em numerosos espetáculos de teatro e shows em todo o Brasil e no exterior. Com a saxofonista Daniela Spielmann, lançou, em 2007, o CD intitulado “Brasileirinhas”. Mantém também um duo com José Staneck, há 20 anos, participando da gravação do CD do gaitista “A Poética de uma Harmônica Brasileira”, Em 2010, o duo se juntou ao violoncelista Ricardo Santoro, formando o Harmonitango, trio dedicado à obra de Astor Piazzolla, apresentando-se em várias cidades pelo Brasil, lançando seu primeiro CD em 2017. Além de participações em outros discos –  como o CD de Edu Kneip, “Da Boca prá Dentro” – a pianista é integrante de grupos como a Cyclophonica, Orquestra Lunar e Orquestra de Gafieira,  exclusivamente composta por mulheres, cujo CD de estreia, de 2007, foi indicado ao Premio Tim de Música em 2008.

É professora da Escola de Música da UFRJ. Ela também atua na área de pesquisa em música, participando de vários congressos de pesquisa em música no Brasil e no exterior, como a ANPPOM e a IASPM. Terminou em 2014 seu doutorado em música na Unicamp, defendendo tese sobre choro nos anos 1990 no Rio de Janeiro. (Informações da assessoria de imprensa das artistas)

Ouvir o CD online nas plataformas digitais – https://orcd.co/j22movj

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