Bolsonaro e a Fake Freedom of the Press, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Tudo o que está ocorrendo e o que eventualmente ocorrer pode ser creditado ao mal uso da liberdade de imprensa

Bolsonaro e a Fake Freedom of the Press

por Fábio de Oliveira Ribeiro

A ferocidade do ataque presidencial à jornalista do Estadão que o criticou produziu uma avalanche de reprovação. A liberdade de imprensa está ameaçada. Uma nova ditadura está sendo construída. Se a máquina de linchamento de Bolsonaro não for interrompida tragédias ocorrerão. A Justiça precisa fazer alguma coisa antes que seja tarde. O presidente não pode censurar o trabalho dos jornalistas. Estes foram alguns dos bordões repetidos à exaustão nas redes sociais pelos principais protagonistas da mídia.

Além de espalhar Fake News pelo Twitter, Bolsonaro acusa os jornalistas de fazerem isso. Vetor de uma ideologia totalitária adquirida quando ele era cadete do Exército durante a ditadura militar, o novo presidente brasileiro não entende e não faz questão alguma de respeitar o trabalho da imprensa. Todavia, ele não está sozinho.

Desde o linchamento jornalístico diário de Dilma Rousseff, que começou com a derrota eleitoral de Aécio Neves e culminou no golpe “com o Supremo com tudo”, é difícil dizer se os próprios jornalistas entendem e respeitam seu trabalho. Tudo o que está ocorrendo e o que eventualmente ocorrer pode ser creditado ao mal uso da liberdade de imprensa.

A difusão permanente do ódio irracional ao PT, a construção metódica e deliberada da onda anti-petista que amplificou o potencial eleitoral de Jair Bolsonaro, o apoio incondicional à perseguição implacável e ilegal dos principais líderes petistas são apenas alguns dos principais desvios da atividade jornalística no Brasil. O nascimento da Fake Freedom of the Press pode, portanto, ser creditado à campanha de Fake News elaborada e distribuída pela imprensa para derrubar Dilma Rousseff por causa das famosas pedaladas fiscais.

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O Impeachment mediante fraude (todos os ex-presidentes vivos deram pedaladas fiscais e isso nunca foi considerado crime de responsabilidade), que fragilizou o sistema constitucional brasileiro, ficou ainda mais evidente depois da posse de Michel Temer. O usurpador foi autorizado pelo Congresso Nacional a fazer exatamente aquilo que havia fundamentado a deposição da presidenta Dilma Rousseff.

A Justiça absolveu a presidenta deposta, confirmando assim que ela não havia cometido qualquer crime, mas o STF não foi capaz de interromper o golpe de estado. Reféns desta mácula, os ministros do Tribunal não estão em condições de garantir a liberdade de imprensa. As Fake News ajudaram a criar a Fake Freedom of the Press porque nós temos um Fake Supremo Tribunal Federal.

Se tudo é Fake, inclusive a justiça distribuída pelo Poder Judiciário (Lula é um exemplo encarcerado desse fenômeno), a única coisa real no Brasil é o exercício ilimitado do poder. A ambição da imprensa de exercer o poder de impor a agenda neoliberal ao país à revelia da maioria eleitoral que elegeu Dilma Rousseff resultou na censura e na perseguição de jornalistas. As tragédias que certamente ocorrerão nos próximos meses deveriam levar a imprensa a fazer um mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa.

Todavia, não creio que isso seja possível. A imprensa brasileira nunca desejou existir como um fenômeno histórico capaz de se vincular à sua própria história. No mais, espero sinceramente que os inimigos de Dilma Rousseff na imprensa apreciem a Fake Freedom of the Press que eles ajudaram a criar. Bolsonaro é a serpente que saiu do ovo que eles mesmos chocaram. Portanto, os jornais não devem ficar chocados quando os jornalistas começarem a desaparecer das redações e a reaparecer despedaçados num aterro sanitário qualquer com marcas das sevícias que Bolsonaro faz questão de defender em público.

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