Luis Nassif
Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
Motta Araujo
1 de julho de 2014 3:16 amhttp://media.glassdoor.com/m/
http://media.glassdoor.com/m/43/bd/37/a2/westerngeco-vessel.jpg
EMPRESAS HISTORICAS – SCHLUMBERGER – Em tempos de pre-sal é preciso conhecer a empresa-chave para localizar reservas petroliferas em terra e no mar. A Schulumberger, empresa com raizes francesas e hoje com sede em Houston no Texas foi fundada em 1926 por dois irmãos franceses, Comrad e Marcel Schlimberger, de raizes alsacianas, com formação de fisicos pela Ecole Polythnique e depois Ecole de Mines, duas tradicionais instituições de ensino no campo da fisica e da geologia. Os irmãos desenvolveram métodos de localização e medição de jazidas de petroleo e com isso tornaram-se a primeira empresa mundial nesse setor. Operando em todo o mundo, a Schlumberger tem 123 mil empregados, vale na bolsa US$154 bilhões, tem centros de pesquisas importantes tambem fora da França e EUA, um deles, o mais novo, está hoje no Rio de Janeiro, exatamente por causa dos campos petroliferos no litoral brasileiro.
A Schlumberger tem uma fundação que dá premios a cientistas do setor e patrocina estudantes de todos os paises,
é uma empresa eminentemente técnica e de técnicos, usa satelites, navios e uma aparelhagem unica para desenvolver seu trabalho altamente especializado, que nasceu quando começaram a ser descobertas jazidas em locais mais dificeis, a partir dos anos 20. Hoje a Schlumberger é uma das empresas mais ricas do setor de petroleo, exatamente porque seus metodos de prospecção não tem competidores, vive da sua única expertise em localizar petroleo onde quer que esteja.
Assis Ribeiro
1 de julho de 2014 9:11 amMais de 10.000
Mais de 10.000 compartilhamentos na internet.
Um exemplo de como o governo tem que enfrentar a má vontade da mídia.
Nassif, publique, por favor.
https://www.facebook.com/photo.php?v=10203367270356383
hugo1
1 de julho de 2014 9:23 am“Dois telefonemas disparados
“Dois telefonemas disparados de Brasília atingiram em cheio três pescadores que desafiaram a Petrobras na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.”
Assim começa a “reportagem” que aparentemente acusa a Petrobrás de envolvimento em assassinatos, Se já está assim agora, imagine duante as eleições.
Pescadores que denunciaram Petrobras se dizem exilados dentro do país.
POR EDSON SARDINHA
Dois telefonemas disparados de Brasília atingiram em cheio três pescadores que desafiaram a Petrobras na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. O primeiro acertou de uma só vez Alexandre Anderson de Souza e sua esposa, Daize Menezes de Souza, em novembro de 2012. O segundo chamado alcançou Maicon Alexandre Rodrigues, em setembro de 2013. Os três receberam ordens da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência para se retirarem de Magé (RJ), onde viviam e resistiam aos projetos doComplexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), o maior investimento da história da estatal. O recado era claro: se não saíssem, seriam mortos por grupos armados da região, dos quais já haviam sofrido ameaças e atentados.
Incluídos no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH), coordenado pela secretaria, abandonaram a cidade com a promessa até hoje não concretizada de que voltariam dois meses depois com segurança. Desde então, vivem como clandestinos. Não sabem se um dia voltarão a Magé, sede da Associação dos Homens do Mar (Ahomar), da qual são dirigentes. A entidade está com as portas fechadas desde agosto de 2012.
Os pescadores acusam a Secretaria de Direitos Humanos de atuar em parceria com a Petrobras para mantê-los longe da região onde a empresa toca o maior investimento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), avaliado em US$ 13,5 bilhões. O trio afirma que os telefonemas disparados pelo programa, ainda que eventualmente os tenham livrado da morte, mataram a resistência dos pescadores de sete municípios da Baía de Guanabara. De 2009 para cá, quatro dirigentes da Ahomar foram assassinados. Alexandre e Daize contam ter escapado de sete atentados.
Com manifestações no mar e ações na Justiça, a entidade virou obstáculo para a petroleira e seus fornecedores. Conseguiu paralisar trechos de obras por onde passariam dutos de gás. Desde que foi lançado, em 2006, o complexo petroquímico virou uma usina de problemas para o governo federal: o orçamento previsto dobrou e o início de sua operação está quatro anos atrasado.
“Para mim, quem mata não é só quem atira ou manda atirar. É também quem deixa atirar. Não tenho dúvida de que minha retirada foi determinada pela Petrobras. Houve um pedido político para eu deixar Magé”, acusa Alexandre, 43 anos, fundador e presidente da Ahomar. “Já são mais de 550 dias longe de casa. Tenho de voltar com escolta e ser protegido enquanto perdurarem as ameaças e os acusados não forem presos”, reivindica.E, para ele, as ameaças partem de empresas que prestam serviços à companhia.
Vice-presidente da associação, Maicon, 37 anos, relata viver os piores dias de sua vida. “O programa foi a pior coisa que me aconteceu. Se não nos matarem, vamos morrer de infarto ou depressão. Prefiro voltar para casa e morrer militando, como homem”, diz o pescador, também conhecido como Pelé.
Casada com Alexandre desde 2001, Daize, 47 anos, está arrependida de ter entrado para o programa. “A gente preferia ter morrido, levado um tiro na praia de Mauá, a sofrer o que fazem com a gente”, declara a diretora da Ahomar, pescadora desde os 14 anos.
O drama vivido pelos pescadores não expõe apenas a fragilidade do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, denunciada por outros militantes, mas também a prioridade dada pelo governo aos grandes empreendimentos que financia, avalia Renata Neder, assessora de Direitos Humanos da Anistia Internacional, ONG que monitora o caso. “A retirada é necessária em caso de risco extremo, mas em caráter temporário. Há quase dois anos, Alexandre e Daize não conseguem voltar para casa. O ingresso no programa não pode acabar com a luta do defensor, que precisa permanecer na sua comunidade”, adverte Renata.
O Ministério Público Federal (MPF) monitora a execução do programa. O caso está nas mãos da procuradora Gabriela Figueiredo. Por tramitar sob sigilo, os procuradores não quiseram dar entrevista sobre o assunto. Na última audiência mediada pelo MPF, em dezembro do ano passado, a coordenação do programa federal informou que estava trabalhando para que os pescadores voltassem a Magé com segurança e que pediria uma avaliação de risco para o retorno dos militantes. Os pescadores não receberam nenhum retorno do estudo até hoje. Na ocasião, a PM disse que não tinha policiais em número suficiente para garantir total proteção aos pescadores.
Questionada pela reportagem sobre a situação dos dirigentes da Ahomar, a Secretaria de Direitos Humanos não se manifestou. Em nota, a Petrobras negou qualquer envolvimento com o afastamento dos militantes e as ameaças. Disse que respeita os direitos humanos e dialoga com as comunidades do entorno do Comperj. “A Petrobras repudia quaisquer ameaças aos pescadores e entende que as investigações são de responsabilidade dos órgãos competentes”, afirma.
http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/pescadores-que-denunciaram-petrobras-se-dizem-exilados-dentro-do-pais/
Assis Ribeiro
1 de julho de 2014 10:07 amO Planalto, enfim, resolve
O Planalto, enfim, resolve contrapor a grande mídia de forma inteligente e acessível ao grande público:
Quebrando Mitos: Com ingressos de R$ 30, Copa no Brasil tem entradas mais baratas da história
Teve gente dizendo por aí que apenas ricos poderiam ir aos estádios para assistir à Copa do Mundo devido ao custo do ingresso, muito caro ao bolso da população brasileira. Mas o Mundial no Brasil tem as entradas mais baratas dos últimos tempos.
A categoria 4 conta com 400 mil ingressos vendidos exclusivamente para os cidadãos do país. É nela também em que estão os valores mais acessíveis, podendo chegar a R$ 30 a meia-entrada para estudantes, idosos e beneficiários do Bolsa Família. Em comparação, os bilhetes mais baratos vendidos durante a Copa na Alemanha (2006) custavam o equivalente a R$ 101,00, enquanto na Coreia e Japão (2002) não saía por menos de R$ 154,00.
“Nunca tivemos um preço como esse em todas as Copas do Mundo”, disse o diretor de Marketing da FIFA, Thierry Weil. Ele acrescentou que a prática de descontos só foi realizada duas vezes nos mundiais de futebol da FIFA. “É a segunda vez que temos ingressos com desconto. A primeira foi na Copa do Brasil em 1950 e a segunda é agora. Temos que dizer que o governo brasileiro é ótimo negociador”, acrescentou.
E não é só por isso que a Copa no Brasil é considerada a Copa da inclusão social. Pela primeira na história do torneio, um governo distribuiu 100 mil ingressos gratuitos à população. Metade deles foi destinada aos trabalhadores que participaram das obras nas arenas, a outra parte foi entregue a alunos de escolas públicas e aos povos indígenas.
Para completar, essa é também a Copa da sustentabilidade: 840 catadores de materiais recicláveis receberam capacitação para realizar a coleta seletiva nos estádios, aeroportos e área com grande concentração de pessoas. Além disso, o BNDES financiou R$ 5 milhões para projetos de gestão do lixo nas 12 cidades-sede.
http://blog.planalto.gov.br/quebrando-mitos-com-ingressos-de-r-30-copa-no-brasil-tem-entradas-mais-baratas-da-historia/
ROGERIO FARIA
1 de julho de 2014 10:30 amAlta Tensão
A seleção tá deixando os Brasinhas tensos!
Clique na imagem para mais tirinhas!
W K
1 de julho de 2014 11:06 amDificuldades rodoviárias
Dilminha inaugura hoje o tal “Arco Metropolitano” do Rio de Janeiro; aqui tem mais:
http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/07/rj-inaugura-arco-metropolitano-apos-40-anos-e-espera-pib-r-18-bi-maior.html
Sugiro mudar o nome desta estrada; podia ser a “Via Perereca”, leia o texto e saiba por quê!
(Nada a ver com a Dilma).
MiriamL
1 de julho de 2014 11:29 amO artigo mais estúpido sobre
O artigo mais estúpido sobre a Copa
Por Kiko Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:
Saiu o artigo mais estúpido sobre a Copa do Mundo e o futebol. E olha que a concorrência é duríssima (das previsões apocalípticas aos bestialógicos fazendo paralelos entre o torneio e o mundo animal, a morte, a vida etc).
Para chegar ao primeiro posto, a celebridade americana de extrema direita Ann Coulter – advogada, colunista, escritora, apresentadora de TV, loira, alta, uma espécie de Sheherazade alfabetizada -, caprichou na caricatura, na ignorância e na tentativa inútil de fazer graça. O artigo é tão absurdo que você se pergunta se não foi produzido no Coxinheitor, o gerador de textos que junta clichês direitosos.
Não é novidade que protoconservadores americanos odeiam o futebol, considerado uma aberração no chamado “excepcionalismo” dos EUA, coisa de imigrantes, pobres, liberais etc. Mas Coulter, num desespero para chamar a atenção no meio da histeria e do ódio (não é só aqui), se superou. Seria uma peça satírica, não fosse ela mesma uma piada.
“Qualquer interesse no futebol só pode ser um sinal de decadência moral de uma nação”, diz ela, se fingindo chocada com a popularidade da Copa nos EUA.
E então vem um apanhado de lixo pseudosociológico:
– A realização individual não é um grande fator no futebol.
– No futebol, a culpa é dispersa e quase ninguém pontua. Não há heróis, não há perdedores, não há responsabilidade e não se machuca a frágil auto-estima de nenhuma criança.
– Todo mundo corre para cima e para baixo do campo e, de vez em quando, uma bola acidentalmente cai dentro do gol. Eu já estou dormindo.
– O beisebol e o basquete apresentam uma ameaça constante de desgraça pessoal. No hóquei, há três ou quatro brigas por jogo. Depois de um jogo de futebol, cada jogador recebe uma fita e um suco.
– Você não pode usar as mãos no futebol. O que diferencia o homem dos animais menores, além de uma alma, é que temos polegares opositores. Nossas mãos podem segurar as coisas. Aqui está uma ótima ideia: vamos criar um jogo em que você não tem permissão para usá-las!
– O futebol é como o sistema métrico, que os liberais também adoram porque é europeu. Naturalmente, o sistema métrico surgiu a partir da Revolução Francesa, durante os breves intervalos quando não estavam cometendo assassinatos em massa na guilhotina.
P { margin-bottom: 0.21cm; }P.western { }
Graças a Ann Coulter, os artigos de Jabor psicografando Nelson Rodrigues tornaram-se clássicos imediatos.
http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/07/o-artigo-mais-estupido-sobre-copa.html#more
MiriamL
1 de julho de 2014 11:43 amApós nove meses de
Após nove meses de debate, Plano Diretor de São Paulo é aprovado pela Câmara Municipal
Projeto que vai reger o desenvolvimento urbano da cidade pelos próximos 16 anos foi votado sob forte pressão de movimentos sociais e do mercado imobiliário
por Rodrigo Gomes, da RBA publicado 30/06/2014 19:36, última modificação 30/06/2014 19:45
ernesto rodrigues/folhapress
Movimentos sociais, liderados pelo MTST comemoraram, em frente à Câmara Municipal, a aprovação
São Paulo –Serpentina e confete no plenário, além de fogos de artifício no entorno da Câmara Municipal de São Paulo, com direito até a churrasquinho. Assim os movimentos sociais, liderados pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), comemoraram na tarde de hoje (30) a aprovação do Plano Diretor Estratégico (PDE) da cidade, após nove meses de debates públicos e tramitação na Casa. Foram 44 votos favoráveis e oito contrários, puxados pela bancada do PSDB.
Além do texto-base de autoria do relator Nabil Bonduki (PT) – versão do projeto que contava com o apoio do prefeito Fernando Haddad (PT) e dos movimentos sociais –, foram acolhidas 42 das 117 emendas propostas na reta final da tramitação do plano, que não alteram profundamente os mecanismos do projeto.
O texto segue agora para sanção do prefeito, dando início a um novo processo: a revisão da Lei de Uso e Ocupação do Solo, que define o zoneamento territorial da capital e deve ser o novo foco de embate entre movimentos sociais, mercado imobiliário e sociedade civil. A legislação deve ser elaborada em até 180 dias após a aprovação do PDE.
Após a apreciação dos parlamentares, Bonduki afirmou que o projeto é o melhor para a cidade, e ressaltou que Haddad telefonou para comemorar a aprovação. “O prefeito não está exatamente preocupado com o que vai poder fazer na atual administração, mas sim com o benefício que isso vai trazer para a cidade nos próximos 16 anos. Ele entende que o planejamento urbano não é uma coisa para o curto prazo. A satisfação dele é saber do legado que ficará para a capital”, disse.
Em evento na manhã desta segunda-feira, o prefeito já havia comentado a importância do projeto por sua construção coletiva, em diversas audiências públicas. “Não teríamos a menor chance de aprovar esse plano se não fosse a participação social. Não haveria clima para submeter os especuladores a tamanha derrota como a que vão sofrer hoje, se não fosse o movimento social, a academia”, disse Haddad, pouco antes da aprovação do plano. Segundo ele, foi essencial a participação desses setores “engajados em construir uma São Paulo onde não haja muros separando centro e periferia”.
Bonduki disse ainda não entender a postura do PSDB de votar contra a aprovação do plano. “Só demonstra que o partido não quer pensar a cidade. Eles tiveram emendas acatadas desde o início do processo”, comentou.
Dois tucanos votaram a favor do projeto: Eduardo Tuma e Gilson Barreto. Os demais seguiram a orientação do líder da bancada, vereador Floriano Pesaro, que afirmou que o projeto “é ruim para a cidade”. “Diante da rejeição das emendas da bancada, o partido não tem como acompanhar a posição do relator”, justificou Pesaro. Apesar do protesto, o PSDB teve oito emendas acatadas.
O presidente da Comissão de Política Urbana, vereador Andrea Matarazzo (PSDB), foi mais ameno e ponderou que a disputa agora será na revisão da Lei de Uso e Ocupação do Solo. “O plano aprovado é muito melhor que o apresentado inicialmente pelo governo. Mas não podemos admitir que não haja estudo de impacto no adensamento habitacional de determinadas regiões simplesmente por terem uma estação de Metrô, como é o caso da Vila Madalena (zona oeste da cidade)”, afirmou.
O líder do PMDB na Câmara, vereador Ricardo Nunes, desconversou ao ser questionado sobre como foi resolvida a tensão entre base governista no legislativo e prefeitura, que atrasou em quase uma semana a votação. Na semana passada, vereadores aliados do governo não compareceram a plenário e não permitiram quórum para que a matéria fosse votada antes. “O prefeito virou nosso amigo número um. Nunca tivemos problemas. Mas nós não abrimos mão de colocar aquilo que a gente acha bom para a cidade”, afirmou.
Confira abaixo as principais mudanças que o novo Plano Diretor de São Paulo promove para a organização urbanística da cidade.
Zeis
O novo plano ampliou em 117% a área demarcada como Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis) na cidade. Essas áreas são destinadas à construção de moradia popular ou à urbanização de núcleos de habitação precária existentes. Essa era uma das principais demandas dos movimentos de moradia da capital, que chegaram a acampar na Câmara Municipal para pressionar pela garantia desse item no plano.
Pelo novo texto, 40% das Zeis serão destinadas para famílias com renda até seis salários mínimos, e outros 40%, para famílias com renda de até 16 salários mínimos. Atendendo à reivindicação de movimentos de moradia, o texto também cria Zeis para uma nova faixa de renda, para famílias com renda de até 10 salários mínimos, e reserva outras quatro faixas para famílias com renda de até três salários mínimos. Atualmente, as duas faixas de renda disputam o mesmo espaço na cidade, o que prejudica os mais pobres.
Embora não tenha havido implementação de projetos habitacionais na maioria das áreas demarcadas anteriormente, as áreas permaneceram destinadas à moradia social. Com os novos instrumentos de desenvolvimento urbano criados pelo PDE, espera-se mudar esse quadro.
Cota de Solidariedade
Um desses instrumentos é a Cota de Solidariedade. A proposta é que os construtores de empreendimentos a partir de 20 mil metros quadrados tenham de destinar uma área correspondente a 10% da obra para construção de moradia popular, voltadas a atender famílias com renda até seis salários mínimos. Como alternativa, pode-se construir as habitações correspondentes ao valor em outra área na mesma macrozona ou repassar o valor correspondente em dinheiro ao Fundo Municipal de Desenvolvimento Urbano (Fundurb).
Fundurb
O Fundo Municipal de Desenvolvimento Urbano ganhou controle social, com a instituição de representação da sociedade civil no Conselho Gestor do fundo. Também se definiu que o percentual mínimo de 30% dos recursos deve ser aplicado em Habitação de Interesse Social e outros 30% devem ser aplicados no sistema de transporte público, cicloviário e de passageiros.
O Fundurb já existia, mas o volume de dinheiro destinado para essas políticas não era carimbado. Além disso, o conselho que gere o fundo não tinha participação da sociedade civil, o que foi alterado no texto do novo Plano Diretor. Esse recurso é considerado fundamental para tornar viáveis vários outros mecanismos criados no plano, entre eles, a efetivação das Zeis.
Serviço de Moradia Social
A lei define pela primeira vez em legislação municipal a construção de moradias como um serviço público, e cria mecanismos para garantir o atendimento de população mais vulnerável. A criação de um estoque imobiliário público voltado para a locação social, que consiste na transferência da posse de uma unidade habitacional por um período, embora não ofereça propriedade permanente, é apontada como um avanço que facilita a inclusão de idosos, pessoas que estavam em situação de rua e até imigrantes. Tudo isso feito com recursos do Fundurb. Esses mecanismos, no entanto, ainda precisarão ser regulamentados.
Potencial construtivo
Toda a cidade foi definida com potencial construtivo básico de uma vez o tamanho do terreno, com máximo de duas vezes. Algumas áreas, como os eixos de mobilidade – compostos pelos corredores de ônibus e grandes avenidas – e o entorno de estações de trem e metrô terão potencial diferenciado, nesse caso, até quatro vezes o tamanho dos terrenos. Na zona rural, o potencial construtivo é menor, variando de acordo com a região em que o terreno está localizado.
Os empreendedores poderão ampliar o potencial construtivo de suas áreas até o máximo permitido no local a partir do mecanismo da outorga onerosa. Essa “taxa” é um valor pago ao município pelo direito de ampliar o empreendimento e é revertida ao Fundo Municipal de Desenvolvimento Urbano. O método de cálculo da outorga foi revisado, o que deve elevar o custo da construção na cidade, porém, dentro da média de valorização imobiliária que capital teve nos últimos dez anos.
Outra inovação, nos eixos de mobilidade, é a limitação ao tamanho das unidades habitacionais por meio da Cota Parte. Esse instrumento determina o número mínimo de unidades habitacionais que deverão ser construídas, em cálculo relativo ao tamanho do terreno e ao potencial construtivo da área. Com isso, o plano pretende impedir a construção de empreendimentos pouco proveitosos, com um ou dois apartamentos por andar, por exemplo, ao longo dos eixos de mobilidade.
Junto a isso, as vagas de garagem para empreendimentos residenciais passam a ser limitadas a uma por unidade habitacional, sobretudo nos eixos de mobilidade, de forma a conter a expansão da frota de veículos. Nos usos comerciais e mistos, as vagas ficam limitadas a uma por unidade, mais uma para cada 100 metros quadrados de área construída.
Também foi instituída uma zona de transição entre os eixos de mobilidade e o interior dos bairros, de forma que os prédios irão decrescendo do primeiro para o segundo. Nas Zonas Exclusivamente Residenciais (ZER) as novas construções serão limitadas ao tamanho médio das construções já existentes, evitando a verticalização intensa.
Desenvolvimento
O Plano Diretor também definiu novas áreas de incentivo ao desenvolvimento econômico na capital, na região das avenidas Cupecê, na zona sul, Raimundo Pereira de Magalhães, na zona noroeste, e Jacú-Pêssego, na zona leste, e da rodovia Fernão Dias, na zona norte.
Essas zonas são regiões com predominância de uso industrial, que objetivam a manutenção, o incentivo e a modernização desses usos, às atividades produtivas de alta intensidade em conhecimento e tecnologia e aos centros de pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico. Nesses locais não será permitida a construção de moradias.
Polos de economia criativa
O plano cria incentivos fiscais para a implementação de atividades da economia criativa, entendida como o ciclo de criação, produção e distribuição de bens e serviços tangíveis ou intangíveis que utilizam a criatividade, a habilidade e o talento de indivíduos ou grupos. O único território já demarcado para esse fim fica no centro da cidade, e abrange ruas como Augusta, Mauá e a Avenida Amaral Gurgel. Outros polos podem ser demarcados futuramente.
Zona rural e meio ambiente
O plano aprovado restitui a zona rural na capital, que havia sido eliminada pelo texto anterior, de 2002. Compreende os distritos de Parelheiros e Marsilac, no extremo sul da cidade, uma porção da Serra da Cantareira e do distrito de Perus, no extremo norte, e outras porções de território das zonas leste e oeste, compreendendo 25% do território da capital. A proposta é garantir desenvolvimento adequado a essas regiões, mantendo a preservação das áreas verdes existentes, mas sem deixar a população sem alternativas.
Junto à restituição da zona rural, Haddad sancionou em janeiro deste ano a Lei 15.953, que cria o Polo de Ecoturismo nos distritos de Parelheiros e Marsilac. Com isso, espera-se garantir a preservação ambiental e ao mesmo tempo prover serviços urbanos e criar empregos na região.
A proposta de construir um aeroporto em Parelheiros, na região da Fazenda da Ilha, não foi vetada expressamente no plano. O Parque Municipal do Paiol, que compreenderia a área do aeroporto, ficou de fora do texto. Mas também não foi liberada, como queriam alguns vereadores. Ficou definido que será elaborado, no prazo de um ano, um plano aeroviário para a cidade de São Paulo, em que será definido onde e de que forma podem ser implementados aeroportos na capital.
O plano também criou um novo fundo para criação e manutenção de parques públicos e áreas verdes. Além disso, foram delimitadas novas áreas para parques na capital e estabelecidas diretrizes de cuidado com as áreas verdes, livres, rios e córregos. Foram definidas áreas para a criação de 164 novos parques.
Histórico
O processo de revisão do Plano Diretor Estratégico da capital paulista começou em 27 de abril do ano passado. Foram 12 audiências públicas, organizadas pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, com o objetivo de avaliar o que havia de bom, e deveria permanecer, o que precisava ser mudado, o tinha avançado, o que havia sido abandonado e quais as sugestões da sociedade para o novo texto.
Após o processo foi elaborada uma minuta do plano, que também passou por audiências públicas nas 33 subprefeituras da cidade. O plano final do executivo municipal, Projeto de Lei 688/2013, foi entregue à Câmara Municipal em 26 de setembro de 2013. Na Câmara, o texto passou por 61 audiências públicas, até culminar no substitutivo da Comissão de Política Urbana da casa, aprovado em 30 de abril deste ano. Depois disso, foram mais dez audiências, e muita pressão de movimentos sociais e de outros setores da sociedade, até a votação de hoje.
http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2014/06/plano-diretor-de-sao-paulo-e-aprovado-na-camara-municipal-apos-nove-meses-de-tramitacao-3905.html
Pedro Penido dos Anjos
1 de julho de 2014 11:47 amIstoé
COMPARAÇÕES
Istoé
COMPARAÇÕES DEFLACIONADAS
Paulo Moreira Leite
Números mostram real do Real: inflação no governo FHC foi pior que nos governos Lula e Dilma
Estamos assistindo aos primeiros sinais de que o 20o aniversário do Plano Real deverá ser comemorado em grande estilo.
Não é para menos. No caminho da sexta eleição presidencial desde que o Real foi anunciado, o plano é uma bandeira prioritária da oposição para reivindicar a chance de retornar ao Planalto, após três derrotas consecutivas.
Mas é um debate que os criadores do Real devem encarar com cautela. Se em duas décadas a inflação jamais retornou aos planos absurdos de 1993 (2477% ao ano) ou de 1994 (916%) a atuação do PSDB para proteger o bolso dos brasileiros, especialmente os mais humildes, aqueles que mais sofrem com a alta dos preços, foi o pior em 20 anos. Quando os dados são expurgados do prestígio e da preferência que a maioria dos analistas devota aos economistas ligados ao PSDB, verifica-se que a realidade é muito diferente. Coube a governo de FHC cravar as piores médias do período.
Aos números: no primeiro mandato do governo Fernando Henrique, eleito a bordo da nova moeda, o IPCA foi de 22,4 em 1995, 9,5 em 1996, 5,22 em 1997 e 1,6 em 1998. Média anual: 9,3%.
No segundo mandato, a inflação subiu 8,9 em 1999, 5,9 em 2000, 7,6 em 2001 e 12,5 em 2002. Média anual: 8,6%.
No primeiro mandato do governo Lula, as altas foram de 9,3 em 2003, 7,6 em 2004, 5,6 em 2005 e 3,1 em 2006. Média anual: 6.4%
No segundo mandato do governo Lula, as altas foram de 4,4, 5,9, 4,3 e 5,9. Média anual: 5,1%
No governo Dilma, as altas foram de 6,5 em 2011, 5,8 em 2012, 5,9 em 2013 e 6,4 na projeção em 2014. Média anual prevista: 6,1%.
Colocando a avaliação no plano puramente inflacionário, está claro que os melhores números foram obtidos nos dois mandatos de Lula. O governo Dilma fica em 3o lugar, enquanto o governo FHC ocupa as piores posições.
Alguma dúvida?
Há outros pontos que podem ser lembrados. A reconstituição da vida nos primeiros anos do Real descreve um país idílico, sem problemas, sob comando firme e resoluto.
Os economistas da época adoram lembrar a inflação de 1998, a menor daquele tempo, sem mencionar que o crescimento foi de 0,04% e em 1999, 0,25%. Imagine onde foi parar o emprego — ainda mais porque a prioridade não era proteger o mercado interno, nem reforçar a renda dos mais pobres, com essas políticas que na visão dos campeões da austeridade só aumentam o déficit público, certo?
Terceiro presidente do Banco Central pós-Real, Armínio Fraga anunciou juros a 45% quando tomou posse. Os juros ainda foram a 24,5% em 2002 e, nos primeiros meses de 2003, já no governo Lula, tiveram de ser levado um pouquinho a mais, tamanho o descontrole deixado pelo governo anterior. A credibilidade do país era tão baixa que os candidatos de oposição tiveram de avalizar acordo com FMI que, caso contrário, não faria o empréstimo pedido por FHC no fim do governo. As reservas do país não chegavam a 20% do nível de hoje. Na passagem do primeiro para o segundo mandato, foi preciso que Bill Clinton fizesse um pedido pessoal ao Tesouro norte-americano para que saisse um emprestímo bilionário que impediu a quebra do país.
Vamos compreender que o Real teve méritos. Mas não vamos fingir que foi uma glória que não volta mais, certo?
MiriamL
1 de julho de 2014 11:59 amPaíses da América Latina
Países da América Latina são solidários à Argentina contra especulação
A América Latina e o Caribe manifestaram nesta segunda-feira (30) apoio à Argentina diante dos ataques dos chamados fundos abutres e advertiram para as consequências nocivas que esses capitais especulativos acarretam para a região.
Durante uma reunião extraordinária da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, os países da região apoiaram a solicitação de Buenos Aires de convocar para a próxima quinta-feira (3) um encontro de chanceleres para discutir o tema.
Nesse encontro, os ministros argentinos das Relações Exteriores, Héctor Timerman, e da Economia, Axel Kicillof, defenderão a tese de Buenos Aires.
“Nosso mais absoluto apoio e solidariedade com a Argentina; o problema dos fundos abutres implica todos nós, é um atentado contra a segurança jurídica e contra os direitos humanos, sublinhou o embaixador uruguaio, Milton Romani.
Seu colega do Equador, Marco Albuja, denunciou que a sentença da Corte Suprema dos Estados Unidos em favor desses fundos põe em risco o sistema financeiro internacional e em especial a Argentina.
O equatoriano considerou muito grave o precedente dessa sentença judicial e recordou os ataques especulativos desses fundos contra as nações mais pobres da África nos últimos anos.
Todo país tem o direito de reestruturar suas dívidas, desconhecer esse poder é pôr em risco a economia do país, no caso a Argentina, isso é grave e perigoso para a região, afirmou o representante da Nicarágua, Denis Moncada.
Os embaixadores de Colômbia, Chile, Santa Lúcia, México, Guiana e Venezuela, entre outros, também se solidarizaram com a nação sul-americana.
Por sua parte, o secretário-geral da OEA, o chileno José Miguel Insulza, não levou em consideração a sugestão do representante do Panamá de adiar a reunião de chanceleres, ao assinalar a premência e a importância do tema.
Em janeiro de 2012, o juiz nova-iorquino Thomas Griesa determinou que o país sul-americano pague cerca de 1,3 bilhão de dólares aos fundos abutres, que se negaram a entrar na renegociação da dívida aceita por 92,4 por cento dos credores.
Essa decisão foi ratificada este mês pela Corte Suprema dos Estados Unidos, o que provocou duras críticas de Buenos Aires e de numerosos países da região.
Desde então, a Argentina lançou uma campanha para denunciar a sentença e os ataques dos fundos abutres, iniciativa respaldada pela América Latina.
Prensa Latina
http://www.vermelho.org.br/noticia/245015-9
jns
1 de julho de 2014 12:00 pmDitadura e Futebol
50 Anos do Golpe Militar; 50 Histórias de Ditadura e Futebol
IMPEDIMENTO.org | Daniel Cassol e Leandro Stein | 04 abr 2014
O futebol não está isolado do restante da sociedade. Como parte dela, reflete as mesmas contradições, interesses e tensionamentos. Influencia e é influenciado. Usa e é usado. Joga e deixa jogar. Na noite que durou 21 anos, a bola não deixou de rolar no Brasil. O futebol se modernizou, fomos tricampeões mundiais, grandes estádios foram construídos, o campeonato nacional nasceu. Por outro lado, vozes aqui e ali tentaram dizer que alguma coisa não ia bem. Como em outros campos da sociedade, o futebol brasileiro durante a ditadura militar foi espaço de conivência e atrito, submissão e tensionamento, propaganda e resistência.
A 50 anos do golpe de 1964, selecionamos 50 histórias que refletem esta relação entre o futebol e a ditadura militar no Brasil. Não são todas as histórias do período, mas uma boa síntese: dos usos do futebol pela ditadura, das tensões entre personagens e o regime, dos espaços de resistência e das vezes em que futebol e ditadura apenas se cruzaram no caminho. A pesquisa é resultado de um trabalho conjunto entre Trivela e Impedimento, e encerra os especiais dos sites sobre o tema.
1. Para se tornar popular, o presidente se juntou à maior torcida
Médici foi um presidente imposto goela abaixo dos brasileiros. Mas não era a imagem de ditador que o regime queria passar à população. Por isso mesmo, se aproveitou da paixão do general pelo futebol para criar essa aproximação. Antes de entrar para a escola militar, o gaúcho foi jogador do Grêmio de Bagé. Torcedor do Grêmio, Médici também passou a dizer que apoiava o Flamengo, uma atitude vista como populista, para ganhar a afeição da maior torcida do país. Não à toa, era quase sempre visto nos estádios. (Leia mais)
2. Um torneio para Médici
Além de associar sua imagem a um clube popular, Médici também ganhou um torneio com seu próprio nome, um ano após a conquista do tricampeonato pela Seleção Brasileira. O “Torneio do Povo”, oficialmente Torneio General Emílio Garrastazu Médici, reunia as equipes consideradas mais populares em cada estado na época. A primeira edição contou com Flamengo, Atlético-MG, Corinthians e Internacional, sendo os paulistas os primeiros campeões. Flamengo e Coritiba conquistariam as outras duas edições.
3. O Brasileirão de 1971 teve um concorrente
Uma das razões da criação do Campeonato Brasileiro em 1971 foi atender os anseios por uma competição que realmente abrangesse o país. Entretanto, a primeira edição só contou com oito estados, um a mais do que no Robertão de 1970. O suficiente para gerar a revolta em algumas regiões esquecidas pela CBD. Para protestar contra as limitações, o governador de Goiás apoiou a realização do Torneio de Integração Nacional – clara referência à política de Médici no período. Participaram seis times goianos, além de dez de outros estados. E um Atlético também foi campeão: o Goianiense, batendo a Ponte Preta nas finais. (Leia mais)
4. A Seleção foi a embaixadora dos elefantes brancos da ditadura
A construção de estádios era uma prática corriqueira do governo. Os militares faziam obras faraônicas para marcar presença em diferentes rincões do país, assim como para passar a ideia de poderio econômico. E quase sempre a Seleção era usada nessa simbolização. O maior ícone do orgulho nacional, levando milhares às arquibancadas. Entre 1964 e 1985, a equipe jogou em 17 estádios recém-inaugurados, a maioria deles suportando multidões superiores a 30 mil pessoas. (Leia mais)
5. A participação dos cartolas paulistas em 1964
O golpe de 1964 foi organizado por militares, mas não seria possível sem o apoio de parte da sociedade civil. Neste contexto, os dirigentes de clubes paulistas foram protagonistas na conspiração contra João Goulart. Segundo René Armand Dreifuss, cartolas de Portuguesa, Palmeiras, São Paulo e Corinthians estiveram envolvidos nesse processo, como representantes da elite e comandantes de organizações populares. O presidente do São Paulo nesta época era Laudo Natel, também vice-governador do Estado e que se tornaria governador por dois mandatos entre o fim dos anos 1960 e o início dos 1970. (Leia mais)
6. Casa de Garrincha e Elza foi invadida em 64
Na madrugada de 20 de junho de 1964, dez homens que se diziam do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) invadiram a casa de Garrincha e Elza Soares na Ilha do Governador. A história é relatada no livro “Estrela Solitária”, biografia de Mané escrita por Ruy Castro. Não se sabe se os invasores eram agentes da ditadura. Elza e Garrincha eram alvos frequentes de hostilidades por parte de torcedores raivosos e moralistas em geral. Fato é que os homens renderam o segurança e fizeram os ocupantes da casa – Garrincha, Elza, a mãe e três filhos da cantora – ficarem nus contra parede. A casa foi completamente revirada. Antes de saírem, os homens ainda mataram um pássaro de estimação de Garrincha, presente do governador da Guanabara Carlos Lacerda. Rezava a lenda que a ave – um mainá – dava azar ao jogador. Nos dias seguintes, alguns jornais noticiaram que a casa de Garrincha e Elza havia sido invadida enquanto eles dormiam.
7. Madu na terra de Mao
O Madureira tomou gosto por desbravar o mundo durante a década de 1960. A primeira grande aventura aconteceu na Cuba castrista, ainda nos tempos de Jango presidente, quando chegaram a ser recebidos por Che Guevara na ilha. Já no ano seguinte, o Tricolor Suburbano saiu em turnê mundial. Passou por outros países comunistas, como a União Soviética. E dez dias depois do golpe militar se consumar no Brasil, os cariocas estavam na China de Mao Tsé-Tung, o que era proibido pela Fifa. Foram recepcionados pelo vice-primeiro-ministro Chen Yi e passaram por quatro cidades. Chefiado por um militar na delegação, o Madureira só teve problema ao sair do país asiático, depois que um grupo de chineses foi detido pela ditadura brasileira. Só depois de alguns dias de negociação é que os brasileiros foram liberados para a volta. (Leia mais)
8. Caio Martins foi usado como prisão política
O estádio de Caio Martins não servia apenas de casa ao Botafogo até alguns anos atrás. Durante a ditadura militar, foi palco de prisões e torturas, em um caso que – respeitadas as proporções – lembra o do Estádio Nacional do Chile. De acordo com estudo da Comissão da Verdade, pelo menos 38 pessoas ficaram presas em Caio Martins. (Leia mais)
9. Após o golpe, Brasil impede a participação da URSS na Taça das Nações
A CBD preparava uma grande festa em 1964. A entidade completava 50 anos e realizaria a Taça das Nações, torneio amistoso marcado para maio, com jogos no Maracanã e Pacaembu. Inglaterra, Argentina e União Soviética eram os convidados para a comemoração. Mas o início da ditadura fez com que a pressão para que a URSS fosse expulsa do torneio se tornasse enorme. Presidente da confederação, João Havelange cedeu e substituiu os soviéticos por Portugal. E, durante a preparação, mais problemas durante um reles treino, quando os jogadores utilizavam coletes vermelhos – depois, Havelange os substituiu por outros com as cores da bandeira. Mesmo com o elenco completo, o time de Vicente Feola foi vice-campeão, superado pela Argentina de Amadeo Carrizo, Antonio Rattín e Roberto Telch.
10. O Ministro que interferiu em um Gre-Nal
Alcindo se tornou célebre por suas grandes atuações nos clássicos. Dispensado do Inter, o ídolo do Grêmio tinha gana de jogar contra seu ex-clube. Mas não poderia fazê-lo em um Gre-Nal de 1967, tendo que cumprir suspensão após ser expulso no jogo anterior. Mesmo assim, o atacante entrou em campo. A carta branca foi dada pelo Ministro da Educação e Cultura, Tarso Dutra, que era gremista. Nas arquibancadas, os colorados ironizaram o pistolão com uma faixa dizendo “Obrigado, Ministro”. E mesmo com Alcindo em campo, o Inter venceu o clássico por 1 a 0, gol de Claudiomiro. (Leia mais)
11. Embaixador foi libertado após um jogo no Maracanã
A resistência à ditadura também se misturou ao futebol de uma maneira particular. A multidão de torcedores que saía do Maracanã numa tarde de 1969 não sabia que ali estava acontecendo um capítulo importante deste período. Foi o sequestro do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick em 1969. Mantido por 70 horas em uma casa no Rio Comprido, no Rio de Janeiro, por militantes da Dissidência Comunista da Guanabara e da Ação Libertadora Nacional (ALN), e após a libertação de 15 presos políticos, o embaixador foi solto numa tarde de domingo, 7 de setembro de 1969. “Havia uma partida de futebol no Maracanã e era preciso alcançar exatamente a saída”, narra Fernando Gabeira no livro “O que é isso, companheiro?”. No Maracanã, para um público de 30 mil pessoas, o Cruzeiro vencia o Fluminense de Telê Santana em jogo da Taça de Prata, com dois gols de Tostão e um de Dirceu Lopes. Na dispersão da torcida, os militantes envolvidos no sequestro libertaram o embaixador e escaparam entre a multidão. No filme inspirado no livro, a cena é reproduzida com um Flamengo e Vasco. (Leia mais)
12. Morte de Marighella foi anunciada num Corinthians x Santos
No dia 4 de novembro de 1969, o Corinthians recebia o Santos de Pelé no Pacaembu, em jogo válido pela Taça de Prata. A goleada de 4 a 1 viria em gols de Ivair, Suingue e Rivelino, duas vezes. No intervalo da partida, pelo sistema de som do estádio o locutor anunciava: “Foi morto pela polícia o terrorista Carlos Marighella”. A pouco mais de dois quilômetros do Pacaembu, na Alameda Casa Branca, Marighella, que em São Paulo havia adotado o Corinthians como time de sua preferência, havia sido morto numa emboscada preparada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury. No livro “Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo”, o jornalista Mário Margalhães relata que antes da bola rolar no Pacaembu a execução de Marighella já havia sido consumada. No entanto, Fleury só liberaria a área para os fotógrafos – muitos dos quais saíram do Pacaembu para registrar o caso – mais de 90 minutos depois, tempo necessário para preparar a cena e justificar os ferimentos de dois policiais e a morte de um homem que passava de automóvel, além da execução de um Marighella totalmente desarmado. (Leia mais)
13. O vexame na Copa de 1966 vira tema para a inteligência nacional
A campanha do Brasil na Copa do Mundo de 1966 não foi bem aceita pelos militares. A Seleção teve uma preparação tumultuada, que acabou refletindo em campo: eliminação na primeira fase,naquela que é ainda hoje a pior campanha da equipe nacional em Mundiais. Logo na volta ao Brasil, a delegação foi escoltada pelo Serviço Nacional de Informações (SNI). Meses depois, foi criada a Comissão Selecionadora Nacional, que passaria a analisar a organização da CBD. Além disso, o técnico Vicente Feola disse que sofreu pressões externas para escalar o time no jogo decisivo contra Portugal. (Leia mais)
14. Festa oficial para o milésimo gol de Pelé
Após marcar de pênalti o milésimo gol da carreira, no dia 19 de novembro de 1969, no Maracanã, Pelé foi recebido com honras de Estado em Brasília pelo presidente Médici. O jogador foi premiado com uma medalha de mérito nacional e recebeu o título de comendador, desfilou em carro aberto pelas ruas de Brasília e ainda virou selo comemorativo. (Leia mais)
15. A “militarização” da Seleção Brasileira em 70
Após o fracasso da Seleção Brasileira na Copa de 1966, na Inglaterra, o governo militar decidiu imprimir no escrete canarinho o modelo de organização e disciplina que deseja para o Brasil. Pressionado pelo governo e pela oposição na Confederação Brasileira de Desportos (CBD), o presidente João Havelange passou a nomear militares para postos-chave dentro da Seleção. Em 1968, a preparação física passou a ser comandada por Admildo Chirol, formado na Escola de Educação Física do Exército, auxiliado por Cláudio Coutinho e Carlos Alberto Parreira, que também tinham histórico na instituição militar. O tenente Raul Carlesso era encarregado de preparar os goleiros. Já o cargo de supervisor ficava por conta do capitão José Bonetti. Apesar disso, João Saldanha, conhecido por suas ligações com o Partido Comunista, assumiu o comando técnico no lugar de Vicente Feola, mas não duraria até a Copa de 1970. Para o Mundial no México, o major-brigadeiro Jerônimo Bastos foi nomeado chefe da delegação, enquanto o chefe da segurança era o major Roberto Ipiranga Guaranys, que integra a lista de torturadores do regime. Era um modo de controlar eventuais arroubos subersivos dos jogadores e também moldar o selecionado nacional à imagem e semelhança da ditadura militar. (Leia mais)
16. O sequestro que “abalou” a Seleção no México
A Copa de 1970 aconteceu em um momento de tensão política, com luta armada entre os militares e as guerrilhas de esquerda. Durante a competição, o embaixador alemão Ehenfried von Holleben foi sequestrado. E o regime tentou envolver a Seleção no entrave, dizendo que a ação dos esquerdistas causou preocupação nos jogadores, podendo até mesmo atrapalhar nos jogos. Era uma maneira de colocar a opinião pública contra os atos extremistas.
17. Médici “convocou” Dadá, mas também tirou Toninho
O pedido de convocação de Dadá Maravilha pelo presidente Médici é fato público. Entretanto, Toninho Guerreiro acusou tempos depois o militar de também ter sido responsável por seu corte às vésperas da Copa de 1970. “Os médicos da Seleção arrumaram uma sinusite para justificar minha exclusão”, disse em 1987. Inclusive João Saldanha acusava o Doutor Lídio Toledo, médico da CBD, de ter se omitido na ocasião do corte, deixando para o próprio treinador tomar a decisão sem nenhum embasamento clínico. Fora do Mundial, Toninho seguiu em boa fase no São Paulo, mas nunca aceitou a exclusão, tendo problemas com o álcool. (Leia mais)
18. Havelange foi convocado a depor
Presidente da CBD entre 1956 a 1974, João Havelange inicialmente não era um nome do agrado dos militares. Ele chegou a prestar depoimentos em Inquéritos Policiais Militares (IPM) instaurados para investigar supostas irregularidades na entidade. Segundo o historiador Carlos Eduardo Sarmento, autor de “A regra do jogo: uma história institucional da CBF”, em depoimento ao documentário “Memórias do Chumbo”, o que incomodava os militares era uma relação familiar de Havelange com o ex-presidente Juscelino Kubitschek. A maneira como Havelange evitou maiores problemas é sempre contada para explicar sua habilidade para se relacionar com o poder: em vez de levar um advogado, ele foi acompanhado de um amigo que era general.
19. Saldanha diz que Médici é “gente do futebol”
Uma das teorias sobre a saída de João Saldanha da Seleção relaciona às pressões do presidente Médici, especialmente diante dos pedidos de convocação de Dario, aos quais o técnico respondeu: “Eu e o presidente temos muitas coisas em comum. Somos gaúchos, gremistas, gostamos de futebol, e nem eu escalo o ministério, nem o presidente escala o time”. Entretanto, na revista Placar de 27 de março de 1970, o ‘João Sem Medo’ escreveu uma carta aberta relacionando as razões de sua demissão. E não demonstra uma rusga tão grande assim com o presidente: “O senhor é um torcedor apaixonado pelo futebol. Isso é uma maravilha. O Brasil precisava há muito de um presidente que goste de futebol, verdadeiramente, como o senhor gosta. O senhor é homem de vestiário. Seu irmão foi um jogador muito bom. Então o senhor é gente do futebol”. (Leia mais)
20. As primeiras medidas após o tri
Para exaltar a “festa popular” depois da conquista do tricampeonato em 1970, o governo abriu o espaço do Palácio do Planalto para que o prédio público fosse ocupado pelo povo. Além disso, o primeiro a falar com os jogadores após a decisão contra a Itália foi o presidente Médici, que conversou com Pelé, Carlos Alberto, Rivellino, Gérson e outros jogadores. Segundo Pelé, a ligação não estava boa, havia muito barulho, a voz desaparecia e voltava: “Para nós, era uma grande honra falar com o presidente, sentíamos a sua emoção, que não era menor que a nossa”. (Leia mais)
21. As duas faces de Pelé em relação à ditadura
Pelé não estava mais atuando em alto nível em 1974. Mesmo assim, havia espaço para o camisa 10 no time que pouco empolgou no Mundial da Alemanha. O motivo da ausência? Segundo o craque, em entrevista dada ao UOL em 2013, boicote: “Pediram para eu voltar para seleção, eu não voltei. A filha do Geisel veio falar comigo, para eu voltar e jogar a Copa de 74. Por um único motivo não aceitei: estava infeliz com a situação da ditadura no país. Estava preocupado com o momento. Em apoio ao país, eu recusei, pois estava muito bem e poderia jogar em alto nível”. Uma posição bastante diferente da que tinha em 1972, quando falou ao jornal uruguaio La Opinión: “Não há ditadura no Brasil. O Brasil é um país liberal, uma terra de felicidade. Somos um povo livre. Nossos dirigentes sabem o que é melhor para nós e nos governam com tolerância e patriotismo”. (Leia mais)
22. Brasil: ame-o ou seque-o
Muitos militantes políticos que se entregaram à luta armada para combater a ditadura militar enfrentaram um dilema: torcer ou secar a Seleção Brasileira de Pelé, Tostão, Rivellino e companhia na Copa do Mundo do México? Não era fácil. Afinal da contas, um triunfo no futebol representaria um triunfo do regime militar. Mas era difícil segurar a paixão de torcedor. O escritor gaúcho Aldyr Garcia Schlee, criador do uniforme verde e amarelo da seleção, conta uma história saborosa. No Rio de Janeiro, foi convidado por um amigo jornalista a assistir pela TV a partida do Brasil contra a Inglaterra, ao lado de “três representantes da alta cúpula do PCB”. O combinado é que ninguém torceria pela seleção. “Quando Jair fez o gol, Osmar puxou o revólver e descarregou na rua. E gritou: ‘Puta merda, como é bom ser brasileiro’”, contou Schlee à Folha de São Paulo.
23. “Prá frente Brasil” e o ufanismo propagandeado com a seleção
A propaganda oficial do regime lançou mão de vários recursos para tentar legitimar a imposição unilateral de poder à população brasileira. Utilizou o cinema, o rádio, os jornais e também a censura a quem quisesse contrariar as mensagens positivas sobre o governo. E nenhum desses meios esteve tão colado ao futebol quanto as músicas nacionalistas. ‘Pra Frente Brasil’ se tornou um hino da Seleção na conquista da Copa de 1970. Autor da canção, Miguel Gustavo teria pedido à Assessoria Especial de Relações Públicas (Aerp), organismo responsável por elaborar a propaganda da ditadura, que divulgasse sua peça. E a instituição aproveitou bem a oportunidade, transformando a música em símbolo do ufanismo e do Milagre Econômico exaltado pelo governo de Médici. (Leia mais)
24. A ligação anônima que garantiu Tostão na Copa
Tostão era um dos destaques da seleção em 1970. Mas só se garantiu na Copa do Mundo após sofrer uma intimidação. Meses antes da convocação final, o atacante concedeu uma entrevista ao Pasquim com declarações mal vistas pelo regime, incluindo elogios a Dom Hélder Câmara, arcebispo de Recife e considerado um inimigo da ditadura. Depois disso, o craque recebeu uma ligação pedindo para que não tocasse mais no assunto se quisesse disputar o Mundial. Sua vontade prevaleceu, mas ele não se calou completamente após a conquista. (Leia mais)
25. Roberto Mendes: jogador, técnico e deputado da oposição em Alagoas
Roberto Mendes foi destaque do Centro Sportivo Alagoano no início dos anos 60. Na mesma década, teve de assumir a função de treinador/jogador por dois anos, até que contratassem outro profissional. Sob seu comando, o CSA foi bicampeão estadual em 65 e 66. Sua família foi perseguida pela ditadura e teve dois irmãos mortos em emboscada, com sua mãe escapando por pouco de um atentado. Em meio a toda a essa efervescência política, tornou-se deputado estadual pelo MDB, o partido de oposição à ARENA e, consequentemente, ao regime. Mandato cassado e direitos políticos suspensos, Roberto Mendes relembra que sua permanência no Estado tornou-se inviável. “Neste período, foram organizadas algumas tramas para acabar com minha vida”, revela. Exilou-se de Alagoas em 1969 e só retornou em 1982, com o enfraquecimento da ditadura e a anistia dos presos e perseguidos políticos. Foi vice-presidente de futebol do CSA no tetra alagoano de 96 a 99 e no vice da Conmebol, também em 99. Leia mais: “Se estou vivo, contando essa história”. (Leia mais)
26. Chefão do governo americano em jogo da Seleção
Henry Kissinger é um personagem bastante controverso. Ex-secretário de Estado americano, é considerado como um dos principais mentores da Guerra Fria, ao mesmo tempo em que ganhou o Nobel da Paz por negociar o fim da Guerra do Vietnã. Mas, independente de suas idas e vindas, o político é reconhecido por sua paixão pelo futebol. E esteve ao lado do presidente Geisel nas arquibancadas do Estádio Emilio Garrastazu Médici, em Brasília, para assistir a uma pouco empolgante vitória da seleção brasileira contra a seleção brasiliense. A visita do então Secretário de Relações Exteriores dos EUA à capital federal, no entanto, se dava por motivos diplomáticos, para avaliar a situação dos direitos humanos no país. (Leia mais)
27. Uma afronta bairrista à Seleção Brasileira
Após a conquista do tricampeonato mundial no México, a CBD decidiu organizar a Taça Independência, em comemoração aos 150 anos da independência brasileira. A não convocação do gaúcho Everaldo, lateral-esquerdo do Grêmio e titular da Seleção no México, provocou uma ira coletiva no Rio Grande do Sul e incendiou o bairrismo gaúcho contra o técnico Zagallo e a Seleção Brasileira. Num rompante, o presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), Rubens Hoffmeister, desafiou a Seleção Brasileira para um amistoso contra um selecionado de jogadores do Rio Grande do Sul – que, na verdade, era um combinado de Grêmio e Inter, com quatro jogadores de outros estados e também três estrangeiros. No dia 17 de junho de 1972, o Beira-Rio recebeu o maior público de sua história: mais de 110 mil pessoas que vaiaram o Brasil durante 90 minutos. O jogo, uma verdadeira guerra, terminou em 3 a 3. Os gaúchos moveram-se mais por bairrismo que por oposição à ditadura, mas aquele foi um momento raro de contestação da ordem nacional – tanto é que os gaúchos foram criticados por falta de patriotismo. “Num raro momento de união entre colorados e gremistas, fortalecia-se a identidade gaúcha justamente quando a ditadura tratava de moldar um Brasil de fantasia, unido, próspero e feliz, muito bem representado pela seleção”, escreve o historiador Cesar Guazzelli, professor da UFRGS. (Leia mais)
28. Saldanha denuncia ditadura na Europa
João Saldanha nunca fez questão de esconder suas ideologias. E, por isso mesmo, sempre se alimentaram suspeitas contra o técnico da Seleção. Ele era acusado de enviar informações sobre a repressão para o exterior e chegou a ser chamado para conversar por autoridades do governo. Tempos depois, em entrevista à TV Record, Saldanha admitiu os atos: “Porque eu já estava há um ano e pouco naquilo. Aí um amigo muito influente me deu uma lista de presos, desaparecidos, torturados e o diabo a quatro. Eu peguei a lista e corri a lista. Dei no Observer, no Le Monde, falei no rádio, em televisão na Europa, fiz o diabo com aquela lista”. (Leia mais)
29. O exilado que virou jogador de futebol na Bolívia
Um dos maiores especialistas em cultura africana no Brasil, o professor, historiador e escritor Joel Rufino dos Santos estudava História na USP e tinha 23 anos quando estourou o golpe militar. Procurou refúgio na embaixada bolivana e rumou para La Paz, em exílio forçado. Para se sustentar na capital boliviana, se apresentou no Municipal de La Paz e passou a jogar futebol por 100 dólares por semana. Já em 1981, durante a reabertura, publicou o livro “História política do futebol brasileiro”, relacionando diversos problemas do esporte a decisões da ditadura. (Leia mais)
30. Afonsinho participa do movimento estudantil e se liberta do passe
Afonsinho foi um grande símbolo de rebeldia na ditadura. Tanto por sua figura, cabelos compridos e barba espessa, quanto por suas atitudes. Brigou intensamente pela liberdade de seu passe, em um tempo no qual os jogadores eram submissos aos seus clubes, e por isso mesmo sofreu represálias no Botafogo. Mas, ainda mais notável do que isso, era o seu engajamento político. O meia conciliava o futebol com a faculdade de medicina e participou do movimento estudantil. Em fevereiro de 1968, chegou mesmo a estar na missa de Edson Luís de Lima Souto, estudante morto no Rio de Janeiro por policiais militares. Após o culto, as pessoas que saíam da Igreja da Candelária foram atacadas pela cavalaria da polícia. Uma série de protestos relacionados seguiu naqueles meses, culminando no auge da repressão com o decreto do Ato Institucional No 5. (Leia mais)
31. Irmão de Zico foi o único jogador anistiado
Irmão de Zico, Nando foi perseguido pela ditadura até durante sua passagem pelo futebol de Portugal – a polícia de Salazar foi atrás do ex-jogador no hotel em que ele morava. No Brasil, começou a ser visto como subversivo pelo regime ainda na época de jovem, quando participou do Plano Nacional de Alfabetização idealizado por Paulo Freire. Chegou a frequentar o DOPS junto de sua prima Cecília, uma militante do MR8. Em 2003, Fernando Antunes Coimbra entrou com um processo na comissão de anistia do Ministério da Justiça. Sete anos depois, foi considerado pelo órgão um perseguido político dos ditadores se tornando, portanto, o primeiro jogador de futebol a ser anistiado na história do Brasil. Leia mais: Nando, irmão de Zico, revela detalhes da perseguição que sofreu na ditadura. (Leia mais)
32. Fonte Nova, uma tragédia ocultada
Inaugurada em 1951, a Fonte Nova foi ampliada com a construção de um anel superior, sendo reinaugurada em 4 de março de 1971. Mais de 100 mil pessoas teriam comparecido ao estádio para assistir a Bahia x Flamengo e Vitória x Grêmio. No segundo tempo da partida de fundo, um refletor estourou e um pânico correu imediatamente pelas arquibancadas. Com medo de que o estádio viesse abaixo, pessoas chegaram a se jogar das arquibancadas e a invadir o campo. Oficialmente, fala-se em 2.086 feridos e dois mortos. No entanto, vivia-se o auge do regime militar e a construção de estádios era uma de suas armas. O trabalho da imprensa foi restringido, muitos atendimentos hospitalares não foram registrados e até hoje não se sabe ao certo o número exato de mortos e feridos. (Leia mais)
33. Os produtores de cacau colocam o Itabuna no Brasileirão
‘Onde a Arena vai mal, um time no nacional’. O lema tomou conta do Campeonato Brasileiro a partir de 1974, quando a derrota da Arena nas eleições fez com que o governo Geisel iniciasse uma prática clientelista através do futebol, integrando nacionalmente as cidades através da inclusão de clubes na competição nacional. De 42 times em 1975, o Brasileirão saltou para 94 participantes em 1979. Times como o Itabuna, convidado para o torneio de 1978 após um mutirão feito pelos produtores de cacau da região para arrecadar fundos, além do pedido do governador Roberto Santos, que pretendia tirar o prefeito do MDB da cidade baiana.
34. O futebol como segurança nacional no Vale do Paraíba
Além de governadores, o regime militar também determinava os prefeitos das cidades que bem entendesse. As chamadas ‘cidades de segurança nacional’ estavam nessa conta. E uma delas era Volta Redonda, da Companhia Siderúrgica Nacional, que ganhou um clube bancado pelos militares para distrair a população a partir de 1976. O ‘Voltaço’ era liderado por Isnaldo Gonçalves, presidente da Arena municipal e chefe de gabinete do prefeito. Já no Vale do Paraíba paulista, naquele mesmo ano, o prefeito biônico ajudou na refundação do São José Esporte Clube. O município comprou o estádio Martins Pereira, salvando a entidade que acumulava dívidas. A partir de então, o clube mudou de cores e de mascote.
35. Os fuscas de Maluf à seleção de 1970
Não foi apenas Médici que bajulou a Seleção tricampeã do mundo na volta ao Brasil. Prefeito biônico de São Paulo, Paulo Maluf deu 25 fuscas ao elenco que triunfara no México e tratou de propagandear a riqueza do povo paulistano ao premiar os jogadores. Entretanto, não eram todos os cidadãos que concordavam com o político. Em 1995, uma ação popular pediu que Maluf devolvesse o dinheiro gasto com os carros, embora o ex-prefeito tenha vencido a disputa judicial no Supremo Tribunal Federal. (Leia mais)
36. José Maria Marin e o assassinato de Herzog
Em 1975, José Maria Marin era deputado estadual pela ARENA. Jornalista, Vladimir Herzog retornara de Londres para assumir o comando do departamento de jornalismo da TV Cultura. Vlado fazia parte do Partido Comunista, o que não agradava nem um pouco ao governo. Por ser considerado subversivo, Herzog foi chamado ao DOI-CODI para interrogatório. De lá, não saiu vivo, com a versão dada pelos militares de que havia se suicidado. O filho de Vlado, Ivo, acusa Marin de ter endossado o discurso do deputado Wadih Helu, que pedia investigações no Jornalismo da Cultura por crer que praticavam um desserviço à população ao levar “desconforto não só aos círculos políticos, mas também aos lares paulistanos”. (Leia mais)
37. Um militar na presidência da CBF
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) chegou a ter um presidente militar, com forte ligação com a ditadura. O Almirante Heleno Nunes presidiu a antiga CBD entre 1975 e 1979, e continuou à frente da entidade após a mudança de nome para CBF até 1980. Heleno Nunes chegou a dar nome a um torneio amistoso realizado em 1984 e vencido pelo Internacional. Oficialmente, a Granja Comary, centro de treinamentos da Seleção, leva o nome do militar. No entanto, vereadores de Teresópolis criticaram a ausência de menções à figura de Heleno Nunes após a reformulação do local.
38. O minuto de silêncio por Jango no Beira-Rio
O Internacional tinha uma relação íntima com João Goulart. Afinal, os colorados podiam dizer que o presidente foi seu ‘prata da casa’, campeão juvenil quando passou pelas categorias de base do clube. Em 1976, Jango faleceu alegadamente de ataque cardíaco, em circunstâncias ainda hoje suspeitas. E o Inter resolveu homenagear o presidente deposto pelos militares antes de uma partida. O minuto de silêncio foi impedido por policiais responsáveis pela repressão do regime, mesmo sob vaias da torcida. Em dezembro do ano passado, o clube relembrou o momento ao respeitar o minuto antes do jogo contra a Ponte Preta pelo Brasileirão. (Leia mais)
39. O futebol foi peça-chave na descoberta da Operação Condor
O futebol contribuiu para que fosse revelada a Operação Condor, o consórcio entre países do Conesul para o sequestro e desaparecimento de militantes políticos. Numa tarde de novembro de 1978, o jornalista Luiz Cláudio Cunha, chefe da sucursal da revista Veja em Porto Alegre, recebeu uma denúncia de que um casal de uruguaios e seus dois filhos estavam sequestrados em um apartamento do bairro Menino Deus. Cunha foi averiguar a informação e levou junto JB Scalco, conhecido pelo trabalho como fotógrafo de futebol. Ao baterem na porta do apartamento, surpreenderam militares uruguaios e policiais civis gaúchos mantendo sequestrada Lilian Celiberti. O fotógrafo reconheceu um ex-jogador do Internacional, Didi Pedalada, a essa altura trabalhando como torturador do DOPS gaúcho. Foi o elo que permitiu a denúncia da Operação Condor – e a sobrevivência dos militantes sequestrados. (Leia mais)
40. Reinaldo: gols de protesto
Ídolo do Atlético Mineiro, Reinaldo foi um dos jogadores que mais deu demonstrações públicas contra a ditadura militar. Na estreia da Seleção Brasileira na Copa de 1978, na Argentina, comemorou seu gol contra a Suécia erguendo o punho cerrado, a exemplo do que faziam os Panteras Negras nos Estados Unidos. O jogador do Galo chegou a ser capa do jornal alternativo Movimento: “Reinaldo: bom de bola e bom de cuca”, estampava a publicação em 1977. Por causa das posições políticas do jogador, sua presença no Mundial foi motivo de controvérsia. E o jogador continuou sendo alvo de perseguições. (Leia mais)
41. Os estudantes protestaram pela convocação de Reinaldo
Reinaldo foi o melhor jogador do Campeonato Brasileiro de 1977 com certas sobras. Ainda assim, não era nome tão frequente na Seleção quanto sua fase sugeria. Motivo para gerar suspeitas quanto à motivação política de sua ausência, diante da postura combativa que o atacante tinha em relação a suas ideologias. Foi quando o movimento estudantil de Belo Horizonte adotou também a causa do craque. A frase “Por que Reinaldo não pode ter opinião política?” foi pintada no muro da Universidade Católica de Minas Gerais, enquanto manifestações foram realizadas na Praça Sete de Setembro. A comoção popular também ganhou volume com as declarações da imprensa e do próprio presidente do Atlético Mineiro, Valmir Pereira, que se reuniu com Heleno Nunes. O craque acabou convocado à Copa, embora em um encontro com o presidente Geisel tenha ouvido: “Você cuida de futebol. Deixa que a gente cuida da política”. (Leia mais)
42. Um Flamengo x Corinthians na posse do presidente
A posse de João Baptista Figueiredo, em março de 1979, foi um megaevento. O regime realizou um show da Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel; um banquete com mais de cinco mil convidados, com comidas finas que iam de faisões a camarões; e um jogo de futebol entre Flamengo e Corinthians, disputado com os portões abertos do Serejão, em Brasília. Os rubro-negros venceram por 2 a 0, gols de Cláudio Adão e Tita, e foram condecorados com o “Troféu João Baptista Figueiredo”.
43. Presidente Figueiredo busca auxílio para salvar o futebol
“Já não há craques como antes no Brasil” e “a violência nos estádios aumenta a cada dia”. Críticas contemporâneas? Nem tanto. Essas eram as queixas do presidente eleito, João Baptista Figueiredo, pouco antes de tomar posse, em outubro de 1978. O político fez o apelo de ajuda a jornalistas que visitaram Brasília, sob a promessa de formarem um grupo de trabalho de alto nível para realizar a pesquisa junto a dirigentes, jogadores e juízes. (Leia mais)
44. Mundialito de 81: a seleção como “válvula de escape”
O desgaste da ditadura militar e o esfacelamento do “Milagre Econômico” fizeram com que o Mundialito de 1981, disputado do Uruguai, representasse um outro momento na relação da Seleção Brasileira com o regime. No lugar do ufanismo do tri em 1970, entrava o futebol como válvula de escape para um cotidiano difícil. “Uma vitória naquele momento representaria não o alinhamento nacional a um projeto político e econômico vitorioso, mas um pequeno momento de alegria diante de um cenário futuro que se apresentava sombrio”, explica o historiador Gerson Wasen Fraga. Mesmo na imprensa, foram mais comuns as críticas à ditadura durante a campanha do Brasil no torneio disputado em Montevidéu. (Leia mais)
45. As Diretas Já abafam o hino na final do Brasileiro
A Emenda Dante de Oliveira já havia perdido o pleito no Congresso, mas o desejo pelas ‘Diretas Já’ continuava vivo na população. Mais de 128 mil torcedores lotaram as arquibancadas do Maracanã para a final do Campeonato Brasileiro de 1984, entre Fluminense e Vasco. E os acordes do hino nacional não puderam ser ouvidos diante do coro feito pelas duas torcidas pedindo as eleições diretas. (Leia mais)
46. Uma faixa pela anistia na torcida do Corinthians
Uma partida entre Santos e Corinthians, em 11 de fevereiro de 1979, registrou um dos maiores públicos da história do Morumbi. Mais de 103 mil pessoas viram o Corinthians vencer com gols de Sócrates e Palhinha. Mas a partida entrou para a história por outro motivo. No meio da torcida Gaviões da Fiel, brotou uma faixa com os dizeres: “Anistia ampla, geral e irrestrita”. “Isso mostrou o perigo da popularização do movimento de anistia e serviu para acelerar o processo. O governo militar fez a anistia antes que fossem obrigados”, afirmou o advogado e militante político Aton Fon Filho, idealizador da ação no Morumbi. (Leia mais)
47. O comunista campeão brasileiro em 1981
O centroavante Heber não é das figuras mais lembradas no Grêmio campeão brasileiro de 1981. Vindo do Goiás e reserva de Baltasar na maior parte da campanha, era conhecido por ser um jogador técnico. Mas também por sua ideologia. Nos anos 1980, período de distensão da ditadura militar, chegou a declarar em uma entrevista que simpatizava com o comunismo. Além disso, sua própria figura mostrava essa rebeldia, com barba e cabelos longos.
48. Militar vetou mensagens políticas na camisa do Corinthians
Presidente do Corinthians entre 1981 e 1985, Waldemar Pires foi chamado no Rio de Janeiro pelo brigadeiro Jerônimo Bastos, então presidente do Conselho Nacional de Desportos (CND). “Vocês não podem utilizar essse espaço para fins políticos”, disse Jerônimo, segundo depoimento de Pires ao livro “Democracia Corintiana – a utopia em jogo”, escrito por Sócrates e Ricardo Gozzi. Em uma ideia do publicitário Washington Olivetto para chamar atenção para possíveis anúncios, mensagens alusivas às Diretas eram estampadas na camisa do Corinthians. Até o veto do brigadeiro. “Ele pediu que tirássemos a mensagem e nós o fizemos”, contou Waldemir Pires.
49. Quando Tancredo x Maluf virou Fla x Flu
Flamengo e Fluminense fizeram a decisão da Taça Guanabara de 1984 sob forte influência política. Afinal, os adversários na decisão resolveram se posicionar diante da disputa entre Tancredo Neves e Paulo Maluf, candidatos nas eleições indiretas que determinariam o primeiro civil a presidir o Brasil em 21 anos. Em uma visita a Brasília, quatro jogadores tricolores deram uma passada no gabinete de Maluf. Deixa para o presidente rubro-negro, George Helal, se dizer tancredista. Os próprios candidatos começaram a palpitar sobre a decisão: para Tancredo, 3 a 1 Fla; para Maluf, 2 a 1 Flu. E, enquanto as torcidas rivais concordavam entre si nas arquibancadas, com faixas contra as “malufadas”, os flamenguistas anteciparam a vitória tancredista ao ficar com a taça. (Leia mais)
50. A derrota das Diretas culminou no adeus do Doutor
O engajamento de Sócrates na reabertura do Brasil é evidente. Líder da Democracia Corintiana e capitão da Seleção de 1982, o Doutor saiu às ruas para promover a campanha das ‘Diretas Já’. No último comício antes da votação da Emenda Dante de Oliveira, que decidiria se as eleições de 1985 seriam diretas ou não, o meio-campista prometeu permanecer no país se a democracia voltasse a ser lei no país. O Dia do Fico de Dom Pedro III, como passou a ser chamado pelos companheiros corintianos. Não pôde cumprir a promessa. “A emenda não passou e eu me senti, além de absolutamente frustrado e chocado, comprometido a ir embora”, afirmou. Acabou assinando com a Fiorentina, da Itália. (Leia mais)
Link: http://impedimento.org/nos-50-anos-do-golpe-50-historias-de-ditadura-e-futebol/
MiriamL
1 de julho de 2014 12:11 pmEspaços urbanos são para
Espaços urbanos são para atender o interesse coletivo, não o particular
Fernando Haddad elimina cerca de quarenta mil estacionamentos de automóveis nas vias para garantir espaço para ciclovias.
José Augusto Valente
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, toma a segunda medida importante para garantir a melhoria do trânsito – e da vida – na cidade. A primeira foi ampliar e fiscalizar o uso de corredores exclusivos de ônibus, medida iniciada por Marta Suplicy e descontinuada por Serra e Kassab. A segunda, eliminar cerca de quarenta mil estacionamentos de automóveis nas vias, para garantir espaço para ciclovias.
Sem precisar entrar em detalhes em relação ao problema, que é do conhecimento de todos, temos convicção em afirmar que a política a ser adotada, para melhorar o trânsito e a vida das pessoas em São Paulo, é a de restringir a circulação de automóveis particulares e – no curto, médio e longo prazo – investir em infraestrutura e legislação que priorize o transporte público. Essa restrição não é temporária, mas um caminho sem volta, em cidades como São Paulo. Fugir disso é querer aumentar o problema.
Os milhões de carros particulares que circulam diariamente em São Paulo se apropriam de grande parte dos espaços viários e urbanos, muitas vezes com apenas uma pessoa no seu interior. Enquanto isso, milhões de pessoas, nos transportes coletivos, são espremidas nos reduzidos espaços deixados por aqueles.
As tentativas de soluções, implantadas nos últimos quarenta anos, como viadutos, mergulhões, elevados e estacionamentos subterrâneos só fazem sentido se dentro de uma política de restrição ao automóvel e favorecimento dos ônibus, táxis, caminhões, motos, bicicletas e pedestres. Fora dessa política, é dinheiro jogado fora, já que a principal causa do problema não é atacada de frente. Quanto mais automóvel em circulação, mais congestionamento, mais obras para permitir a maior circulação de automóveis, mais automóveis em circulação. Esse é o ciclo vicioso que precisa ser quebrado, já que é finita e bastante limitada a capacidade de alocação de recursos pelo poder público.
Quais as principais ações, em nossa opinião e de muitos especialistas, a serem desenvolvidas pela Prefeitura e pelo Governo do Estado de São Paulo, tendo como referência o que foi realizado em grandes cidades, como Londres e Paris?
– Implantação do pedágio urbano, com a aplicação dessa receita na conclusão dos corredores de ônibus, ciclovias e melhoria das condições para o pedestre
– Completar a implantação de corredores exclusivos de ônibus
– Elevar as tarifas de estacionamento nas áreas centrais e redução das áreas disponíveis
– Ampliar a capacidade da malha física e as operações ferroviárias (trens e metrô)
– Implantar malhas de ciclovias e projetos semelhantes ao que existe no Rio e no DF, com a disponibilização de milhares de bicicletas para circulação nas áreas centrais
– Ampliar as restrições via rodízio, até a completa implantação do pedágio urbano
– Aumentar o rigor na fiscalização e retirar veículos irregulares de circulação
– Racionalizar a circulação e os horários de carga e descarga dos caminhões, lembrando sempre que eles são vitais para o funcionamento da cidade
– Concluir todo o anel rodoviário de São Paulo, já que uma grande quantidade de veículos tem origem e destino fora da cidade e que não há motivo para circular pelas suas ruas e avenidas
As medidas restritivas causarão algum incômodo inicial, especialmente naqueles que acabaram de ascender ao privilegiado círculo dos proprietários de automóveis. No entanto, como elas serão eficazes, não só melhorará muito o transporte público como essas pessoas poderão utilizar seu carro em inúmeras situações, regiões, dias e horários não atingidos pelas restrições e ter a sua mobilidade e conforto em grande parte atendida.
O principal: a vida melhorará para todos e a indústria automobilística poderá continuar seu atual nível de produção, sem levar a parcela de culpa que tentam, erroneamente, lhe imputar.
Há um entendimento – equivocado – de que primeiro os governos têm que providenciar transporte de massa para, só então, restringir a circulação de veículos particulares. É uma proposta bonita, mas inviável no médio prazo, por ser muito caro e demorado para viabilizar.
Em cidades como Londres, que têm extensa malha metroferroviária, muito pouca gente deixava o automóvel em casa para usar o transporte coletivo. Somente a restrição aos carros particulares poderia garantir mais espaço para o coletivo. O pedágio urbano e a restrição de estacionamento, em áreas de muito trânsito, foi o que resolveu.
______________
José Augusto Valente é especialista em Transportes e Logística.
Editoria/Cidades/Espacos-urbanos-sao-para-atender-o-interesse-coletivo-nao-o-particular/38/31260
Marco St.
1 de julho de 2014 12:20 pmEspecialista diz que Copa
Especialista diz que Copa no Brasil é mais bem organizada que Jogos de Londres
Para Ranc, o grande número de reportagens negativas e críticas feitas antes do início da Copa são fruto de racismo e preconceito contra países do Hemisfério Sul, e que não aparecem quando se trata de mega eventos organizados pelo Hemisfério Norte.
O pesquisador citou três exemplos de como os Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, tiveram fatos que mostram uma organização pior que a que o Brasil vem mostrando na Copa: o fato de que muitas cadeiras ficaram vazias em várias competições, ao ponto de os organizadores chamarem membros do exército para preenchê-las; a mobilização do exército britânico para cobrir as lacunas da empresa privada contratada para cuidar da segurança dos Jogos, já que ela acabou contratando menos seguranças do que o necessário; e um incidente no qual o governo britânico permitiu que o exército instalasse um lança-míssil em propriedade privada nos arredores dos locais de eventos esportivos.
Outras gafes, como quando a bandeira da Coreia do Sul foi confundida com a da Coreia do Norte, ofendendo os competidores.
No caso do Brasil, o alarde foi sobre estádios e obras de mobilidade que não ficariam prontos a tempo e atrapalhariam o andamento do evento, além das manifestações que se espalhariam pelas cidades-sede. “A não ser que eu esteja enganado, até agora nada disso aconteceu realmente.”
Sem querer criticar a Olimpíada de Londres, que ele disse que foi em geral bem organizada, o pesquisadores explica o motivo da comparação: mostrar o abismo entre realidade e percepção. “Sempre que um evento é organizado em um país do Sul, o discurso, e a memória, é de um fiasco em potencial, que em geral não se materializa. Sempre que um evento é organizado em um país nórdico, o discurso, e a memória, é de sucesso, mesmo quando houve fiascos de verdade”, diz Ranc.
MiriamL
1 de julho de 2014 12:24 pmSindicalista do PCdoB
Sindicalista do PCdoB será vice de Padilha
Agência Estado
Publicação: 30/06/2014 21:19 Atualização:
São Paulo, 30 – Depois de perder nesta segunda-feira, 30, o apoio do PP, partido presidido em São Paulo pelo ex-prefeito Paulo Maluf, o ex-ministro Alexandre Padilha, candidato do PT ao governo estadual, decidiu delegar ao PCdoB a escolha de seu vice na chapa.
O escolhido foi o sindicalista Nivaldo Santana, dirigente da CTB (Central dos Trabalhadores do Brasil). A decisão ocorreu depois que dirigentes do PC do B ameaçaram seguir o caminho do PP e apoiar a candidatura de Paulo Skaf (PMDB) caso não fossem contemplados com uma vaga na chapa majoritária. No último sábado, 27, o vereador Orlando Silva, presidente do PC do B paulista, e o presidente nacional do partido, Renato Rabelo, jantaram com Skaf em São Paulo no apartamento do vice-presidente Michel Temer e abriram uma negociação.
“Temos interesse em participar da chapa majoritária (de Padilha). O critério para fazer a aliança é esse”, afirmou Silva ao Estado. Antes de selar o acordo, os petistas pediram ao PCdoB que indicasse a deputada estadual e cantora Leci Brandão.
A ideia era que Padilha tivesse uma mulher como vice. O partido aliado, porém, rechaçou a sugestão e impôs o nome de Santana, que é considerado um dirigente orgânico do PC do B. Padilha e o presidente estadual do PT, Emidio de Souza, se empenharam pessoalmente nas negociações com PP e PCdoB.
Segundo fontes do PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi consultado durante todo o processo. Lula não incentivou a migração rumo à campanha de Paulo Skaf (PMDB) mas também não agiu para impedir o desembarque do PP. De acordo com fontes petistas, o ex-presidente se deu por satisfeito com o apoio do PP à reeleição da presidente Dilma Rousseff.
http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2014/06/30/interna_politica,544131/sindicalista-do-pcdob-sera-vice-de-padilha.shtml
Paulo F.
1 de julho de 2014 12:34 pmO Ouro Negro e o EIIL.
Ontem aqui no Nassif estava estampada a queda de produção da OPEP , em decorrencia das ações separatistas no Iraque. Tio Sam vai torcer o nariz, mas se continuar o fluxo de óleo, tudo bem. E os moços da CIA tem seus empregos garantidos com mais clientes de seus bons “serviços”
Do Diário de Notícias de Lisboa
Jogos sem fronteiras
Notícias do califado
por BERNARDO PIRES DE LIMA Hoje
Washington nunca pautou a escolha de aliados no Médio Oriente com base em credenciais humanistas. Foi o pragmatismo das alianças com ditaduras confiáveis e previsíveis a pautar esse arco estratégico, fosse para proteger Israel, conter o Irão dos aiatolas, ou trocar segurança territorial por livre comércio e produção energética. Egito, Jordânia, Turquia, Iraque e Arábia Saudita têm sido estruturais a Washington, motivada quase sempre por uma estratégia pouco idealista e revolucionária. A exceção foi o momento neoconservador e os resultados são conhecidos. Hoje, Síria e Iraque põem em sentido a posição regional dos EUA e as opções da Administração Obama.A “narrativa” dos direitos humanos, defendida entre Tahrir, a ascensão da Irmandade Muçulmana no Egito e o acordo de entrega das armas químicas sírias, deu facilmente lugar à defesa do status quo ante (militares no Cairo) e à frente prioritária regional antiterrorista (contra o EIIL). Era importante assegurar alianças e prevenir surpresas, mas a verdade é que Obama ficou refém dos acontecimentos sem arte para os influenciar, acabando por alargar o palco à Rússia e ao Irão. Nesta guerra regional ao EIIL, Obama assistirá à conjugação de três fatores, dois necessários e um imprevisível, todos desfavoráveis aos EUA. Primeiro: vitórias dos exércitos sírio e iraquiano, o que implica um reforço político de Assad e Maliki. Segundo: esses sucessos só existirão com o apoio decisivo da Rússia e do Irão. Terceiro: o anúncio da instauração do califado antecipa uma cisão entre o EIIL e a cúpula da Al-Qaeda, o que dispersará ainda mais os jihadistas e abrirá novas guerras civis. O Médio Oriente está num acelerado processo de implosão e só o califa tem razões para celebrar.
Paulo F.
1 de julho de 2014 12:38 pmO ex-presidente francês Nicolas Sarkozy detido.
Da Deutsche Welle
Sarkozy é detido para interrogatório em suposto caso de tráfico de influência
Ex-presidente da França teria usado de sua posição para obter informações sobre uma investigação sobre financiamento ilegal de sua campanha de 2007.
O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy está sendo interrogado num suposto caso de tráfico de influência e violação do sigilo da investigação nesta terça-feira (01/07). Ele é mantido sob custódia da polícia francesa em Nanterre, nas proximidades de Paris.
Os investigadores podem manter o interrogatório por até 24 horas, com a possibilidade de extensão por mais um dia. O ex-presidente dirigiu-se ao local do interrogatório, em Paris, um dia depois de seu advogado ter respondido a perguntas.
Segundo uma fonte legal, Sarkozy é questionado sobre uma suposta rede de informantes – revelada por escutas telefônicas – que o teria mantido a par de uma investigação sobre irregularidade em sua campanha eleitoral de 2007.
A investigação, iniciada em fevereiro, pretende verificar se ele tentou usar sua influência para conseguir informações sobre um inquérito que apurava alegações de que o ex-ditador da Líbia Muammar Kadafi teria financiado a sua campanha eleitoral, em 2007. Também alega-se que a mulher mais rica da França – a herdeira da L’Oreal, Liliane Bettencourt – contribuiu para a campanha.
Segundo as denúncias, Sarkozy teria prometido uma promoção em Mônaco a um juiz em troca de informações.
É a primeira vez que um ex-chefe de Estado francês é interrogado na história moderna do país. O político conservador nega as irregularidades. O caso pode acabar com suas esperanças de voltar à presidência depois da derrota para o socialista François Hollande, em 2012.
Esta é uma das seis investigações envolvendo Sarkozy, incluindo a recente sobre irregularidade em sua campanha mal-sucedida para a presidência em 2012.
LPF/rtr/afp/dpa/lusa
Rui Daher
1 de julho de 2014 1:28 pmTerra Magazine/Rui Daher
Quando se entenderá o presente e o futuro da agricultura no Brasil?
http://terramagazine.terra.com.br/blogdoruidaher/blog/2014/07/01/quando-se-ente…tura-no-brasil/
Luciano Prado
1 de julho de 2014 1:40 pmAbandonando o complexo de vira-latas
FOLHA
BENJAMIN STEINBRUCH
Sim, nós podemos
O Brasil deveria aproveitar esse efeito Copa para abandonar de vez o complexo de inferioridade
Não sabemos se o Brasil vai ganhar a Copa do Mundo. Torcemos por isso, mas há outras excelentes seleções de vários países, e o futebol sempre pode apresentar surpresas. É importante, porém, observar que até agora –três batidinhas na madeira– a Copa é, de fato, um sucesso, com grande repercussão internacional pela qualidade do futebol e também pela organização da competição e amabilidade do povo anfitrião.
Os estádios, alguns muito caros e talvez fadados a se tornarem elefantes brancos, ficaram prontos e muito bonitos, passando uma imagem de modernidade do país. Não houve o temido caos nos aeroportos e os acessos aos locais de jogos funcionam razoavelmente, mesmo com inúmeros atrasos ou cancelamentos de obras de mobilidade urbana nas várias cidades-sede do evento.
O Brasil deveria aproveitar esse efeito Copa para abandonar de vez o complexo de inferioridade que nos persegue há décadas. Assim como consegue realizar com méritos uma emocionante Copa do Mundo, o maior evento do planeta, pode também ser uma economia competitiva e disputar de igual para igual um posto relevante no cenário mundial.
Abandonar o complexo de inferioridade implica admitir que o país, com todos os seus defeitos, pode adotar práticas semelhantes às de outros países, sem tentar reinventar a roda. Significa, por exemplo, deixar essa história de ser sempre o pior em matéria de juros extorsivos, sob o duvidoso argumento de que aqui as coisas são diferentes e precisamos impor taxas inacreditavelmente elevadas, que emperram a economia, desestimulam os investimentos produtivos e, na prática, nem sempre colaboram para frear a inflação.
Na semana passada, mais um país emergente, a Turquia, que tem sido parceira do Brasil em matéria de juros elevados, reduziu a sua taxa básica anual de 9,50% para 8,75%, seguindo a tendência internacional nessa matéria. Na Europa e nos Estados Unidos, os juros caíram seguidamente nos últimos anos e hoje estão próximos de zero. Aqui andamos na direção contrária com a taxa básica. O custo do crédito ao consumidor aumenta há 12 meses, sem interrupção de tendência.
Sim, nós podemos ser um país como outros, financeiramente civilizado, que controla os gastos públicos correntes, privilegia investimentos do governo e oferece crédito ao setor produtivo e às pessoas físicas sem cobrar taxas escorchantes de juros.
Abandonar o complexo de inferioridade significa acreditar que podemos ter um parque industrial tão eficiente e produtivo como o de outros países industrializados. Além de ambicionar ter um custo do dinheiro semelhante ao dos demais emergentes, temos de trabalhar para cortar custos de energia, insumo importantíssimo para a produção industrial competitiva, reduzir tributação, simplificar a arrecadação dos impostos e eliminar burocracias desnecessárias.
O objetivo de uma política econômica é, basicamente, promover crescimento para criar renda e empregos. Fizemos grandes avanços nessa matéria nos últimos anos e, a despeito do esfriamento econômico, ainda há um crescimento das vagas de trabalho, embora em índices cada vez menores. Em maio, por exemplo, foram criados 58,8 mil empregos no país, o pior desempenho desde 1992 para este mês. Na indústria, o saldo foi negativo: 28 mil vagas fechadas. Só a indústria paulista dispensou 12,5 mil empregados no mês passado.
Sim, nós podemos ter um sistema educacional de primeiro mundo, um atendimento público muito melhor na área da saúde e um combate mais eficaz à criminalidade e à corrupção que atinge os vários setores da sociedade. Não vale o argumento de que faltam recursos para isso. Falta um trabalho conjunto dos três níveis de governo, que não se deixe contaminar por viés político ou partidário e que paute a sua atuação tendo sempre em vista o que é melhor para a população.
Certamente não será possível atacar todos os problemas do país de uma só vez e a curtíssimo prazo, mas é preciso começar em algum momento. Quem sabe o ganho de autoestima proporcionado pela Copa do Mundo possa nos ajudar. O complexo de inferioridade é um veneno paralisante para qualquer país, cuja construção exige sempre uma certa dose de orgulho nacional.
robson_lopes
1 de julho de 2014 1:48 pmNovo plano diretor da cidade de São Paulo
Novo plano diretor da cidade de São Paulo, o plano é bom, mas não confiamos em quem fez, é meio por aí a reportagem.
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/07/1479053-analise-plano-desfaz-erros-cometidos-no-seculo-20-mas-nao-bastam-boas-intencoes-no-papel.shtml
P Pereira
1 de julho de 2014 1:59 pmNasceu, estudou, lecionou e, do nada, foi “exilado” ? !
“Nascido em 05 de abril de 1945, Aloysio Nunes Ferreira Filho cursou Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, onde também lecionou Instrução a Ciência do Direito por dois anos. Exilado pela ditadura militar, Aloysio tornou-se bacharel em Economia Política e mestre em Ciência Política pela Universidade de Paris.”( Turma do Chapéu) http://naofo.de/ido
Só um pequeno lapso, não é? É bem capaz de pedirem a reedição da Wikipédia. http://pt.wikipedia.org/wiki/Aloysio_Nunes
Jair Fonseca
1 de julho de 2014 2:16 pmSerá que Nunes foi
Será que Nunes foi “terrorista”, como muitos dos apoiadores do tucanato se referem a quem foi da luta armada contra a ditadura?
Pedro Penido dos Anjos
1 de julho de 2014 7:39 pmTrair e coçar é só começar.
Trair e coçar é só começar.
Pedro Penido dos Anjos
1 de julho de 2014 2:08 pmVirado a paulista:
PSDB
Virado a paulista:
PSDB decide que Serra disputará eleição para o Senado em São Paulo
Partido acredita ter solucionado último impasse que impedia o registro da candidatura da chapa de Alckmin
por Silvia Amorim
O Globo 01/07/2014 0:36
/ Atualizado
01/07/2014 0:53
PSDB oficializou a candidatura de José Serra no final da noite desta segunda-feira: tucanos acreditam ter solucionado último impasse que impedia o registro da candidatura da chapa de Alckmin – Michel Filho/24-06-2014 / Agência O Globo
SÃO PAULO — Um dia depois de ter inscrito o ex-governador José Serra na lista de candidatos a deputados federal, o PSDB de São Paulo decidiu, no final da noite desta segunda-feira, que o tucano disputará uma vaga ao Senado. O anúncio foi feito pelo presidente estadual do PSDB no estado, Duarte Nogueira, após reunião com a direção do partido, que começou faltando poucos minutos para a meia-noite.
Na suplência de Serra, foram acomodados o deputado tucano José Aníbal e o presidente do PRB, Marcus Pereira. Com isso, partido acredita ter solucionado o último impasse que impedia o registro de candidatura da chapa de Alckmin.
A novela para o preenchimento da vaga de candidato ao Senado se arrasta há uma semana no PSDB paulista. Lideranças tucanas passaram todo o dia desta segunda tentando debelar uma crise entre os partidos que apoiam a reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Alguns deles pressionavam para lançarem candidaturas ao Senado individuais, conforme permitido pelas novas regras eleitorais. Serra, entretanto, somente aceitava disputar o cargo se fosse o único concorrente da chapa de Alckmin.
Francisco A. de Sousa
1 de julho de 2014 3:01 pmIsso é liberdade de imprensa
Isso é liberdade de imprensa elevado ao quadrado.
Policial da Nigéria é filmado e estranha liberdade de imprensa do Brasil
55
Aiuri Rebello
Do UOL, em Brasília
01/07/201401p0Compartilhe79158 Imprimir Comunicar erroAmpliar
Policiais da Nigéria acompanham torcedores da seleção em Brasília10 fotos
5 / 10Policiais nigerianos do Centro de Cooperação Policial Internacional, da Copa, ajudam a resolver confusão com torcedores de seu país na entrada do estádio Mané Garrincha, em Brasília, antes do confronto contra a seleção francesa, que venceu por dois a zeroAiuri Rebello/UOL
VEJA TAMBÉM
Instantes do início da partida que acabaria com a vitória da seleção francesa sobre a da Nigéria por 2 a 0, no estádio Mané Garrincha, em Brasília, um “choque cultural” inusitado chamava a atenção próximo a um dos portões e acesso à arena: Irritado por ter sido filmado por um cinegrafista de televisão ajudando a resolver uma confusão entre torcedores por ali, um policial nigeriano fardado e trabalhando partiu para cima do profissional mandando desligar a câmera e apagar o vídeo, por que ele não havia dado autorização para ser filmado.
Aturdido o cinegrafista, da TV Globo, pediu desculpas e abaixou a câmera, mas o policial nigeriano não parecia disposto a deixar a questão para lá e continuava a avançar muito irritado em direção ao jornalista. Neste momento, ele foi puxado por um agente da Polícia Federal que o acompanhava. “Aqui no Brasil a imprensa é livre”, disse o agente, que preferiu não se identificar ao UOL Esporte, que acompanhava a cena. “Estamos no meio da rua e, em um local público, a imprensa registra o que quiser, inclusive nosso trabalho”, disse o brasileiro para o colega estrangeiro.
O policial da Nigéria ainda tentou argumentar. “Não tem problema se ele me pedir antes, mas não sei o que ele vai dizer usando minha imagem”, disse. “Não posso permitir ser filmado desse jeito sem permissão nem saber para que”, completou. “Aqui no Brasil é assim, não discute mais por que ele vai filmar o que quiser”, arrematou o policial federal, em inglês para o colega nigeriano.
O estrangeiro e mais três colegas policiais da Nigéria estavam ali para acompanhar um grupo de torcedores de seu país que havia causado confusão sem ingresso no portão do estádio e servir de interlocutores entre os africanos e a polícia brasileira. Eles fazem parte do Centro de Cooperação Policial Internacional do Centro de Comando e Controle da Copa.
A estrutura, vinculada ao Ministério da Justiça e ao Ministério da Defesa, centraliza todas as operações de segurança para o Mundial de futebol. Todas as seleções participantes da Copa enviaram equipes de policiais para acompanhar grandes grupos de torcedores de seus países nas cidades-sede dentro e fora dos estádios, conforme mostrou o UOL Esporte antes da Copa.
Falta de costume
De acordo com Gabriel Alobo, um dos policiais nigerianos que está no Brasil para a Copa e estava na confusão de segunda-feira na entrada do Mané Garrincha, é uma questão de costume. “Na Nigéria, a imprensa não pode colocar uma câmera na sua cara e te filmar sem explicar o que está fazendo”, diz. “Principalmente um policial a serviço na rua. Depois podem fazer uma reportagem falando o que quiser sobre nós e como é que fica? “, questiona ele, defendendo o colega que se irritou com o cinegrafista.
“Na Nigéria também há liberdade de imprensa, não temos nada a esconder, não é esse o problema”, diz o também policial na Nigéria Ohikorede Okunowo. “É uma questão de respeito, se eu não quero ser filmado é meu direito, simples”, disse ele. “Não temos problemas em dar entrevistas, é só falar com a gente e conversamos normalmente, sobre qualquer assunto, mas não sem falar com a gente né”, diz.
“Mas muito bem, estamos aqui como convidados, é um costume diferente e temos que nos adaptar, no final não é nada demais”, encerrou a discussão Alobo. Após ajudar a conter os torcedores nigerianos que estavam sem ingresso e queriam entrar para o jogo em Brasília. “Gostamos do trabalho da imprensa, foi um mal entendido”. Todos atenderam a reportagem solicitamente e, após um pedido de permissão, posaram para fotos sorrindo antes de entrar no estádio para ficar próximo à torcida nigeriana.
De acordo com um ranking internacional de liberdade de imprensa elaborado pela organização Repórteres Sem Fronteiras, em 2014 a Nigéria ocupa a 112ª posição, apenas uma atrás do Brasil, que está na 111ª entre 179 países. A Nigéria possui uma das imprensas livres mais fortes da África, segundo a organização.
Nos últimos anos, há relatos crescentes de pressão política sobre os veículos de imprensa e intimidação policial a repórteres na realização do trabalho em cidades grandes. Outro problema para os jornalistas na Nigéria surgiu com a criação do grupo islâmico radical Boko Haram, em 2002. Desde então e principalmente nos últimos anos, o grupo tem promovido atentados terroristas contra empresas e profissionais de mídia.
Alessandro
1 de julho de 2014 3:34 pmA Copa mais espetacular
Estamos vivendo realmente a Copa mais espetacular de todas.
Me desculpem se sou leviano, se talvez a Copa de 70 ou de 82 foi melhor sob a ótica da seleção ou do futebol arte. Mas esta Copa é poesia no sentido mais amplo. Parece uma epifania.
==
BASTIDORES
Bola na trave no Mineirão que poderia eliminar o Brasil da Copa do Mundo é tatuada por Pinilla
Atacante ainda acrescentou uma descrição à imagem: “Um centímetro da glória”
Redação /Superesportes
O atacante chileno Mauricio Pinilla eternizou seu chute no travessão contra o Brasil em uma tatuagem. O lance que eliminaria o time de Felipão ocorreu aos 15 minutos do segundo tempo da prorrogação, em jogo válido pelas oitavas de final da Copa do Mundo, no Mineirão, no último sábado.
Pinilla fez a tatuagem nas costas e colocou, em inglês, a descrição: “Um centímetro da glória”. Ele ainda fez outros dois ‘desenhos’ no corpo: “Blessed” (abençoado) e “For life” (para a vida).
O curioso é que o momento que poderia ser visto como um fracasso, pelo erro na finalização e pela eliminação do Chile, foi encarado com muito orgulho pelo atacante do Cagliari, que ainda errou um pênalti na disputa alternada ao fim da partida.
Polêmica
Pinilla ainda protagonizou uma polêmica no Mineirão. Ele acusa o assessor de comunicação da CBF, Rodrigo Paiva, de agredi-lo com um soco. A Fifa suspendeu o diretor de comunicação brasileiro por um jogo.
http://www.df.superesportes.com.br/app/1,1195/2014/07/01/interna-noticia,287718/bola-na-trave-no-mineirao-que-poderia-eliminar-o-brasil-da-copa-do-mundo-e-tatuada-por-pinilla.shtml
Sérgio T.
1 de julho de 2014 3:35 pmEx-comandante da Rota, coronel lança revista em quadrinhos “para
Ex-comandante da Rota, coronel lança revista em quadrinhos “para fãs da PM”
A carreira policial de Paulo Telhada, vereador e coronel da reserva da PM, virou história em quadrinhos. A HQ “Coronel Telhada em Quadrinhos” começou a chegar na última sexta-feira nas bancas de São Paulo e do Rio para, segundo o policial, “atender os fãs da Polícia Militar”.
Telhada ganhou notoriedade por seu trabalho à frente da Rota (tropa de elite da PM) e por emitir opiniões como “bandido, para mim, é para a cadeia ou para o saco mesmo. Ele escolhe o caminho” – o que lhe rendeu críticas de movimentos de defesa dos direitos humanos. A publicação, com 32 páginas, custa R$ 5. Segundo Telhada, foram impressos 10 mil exemplares.
De acordo com a assessoria do coronel, parlamentar pelo PSDB que e almeja uma vaga na Assembleia, a ideia é mostrar a vida de um “herói nacional que combate o crime nos rigores da lei”. A história foi revisada por policiais e vai mostrar situações que enfrentam diariamente os PMs nas ruas. Todos os casos são situações reais “estreladas pelo Coronel Telhada, o mais famoso comandante que a Rota já teve”, diz nota enviada pela assessoria do parlamentar.
Telhada diz que a ideia surgiu entre amigos e funcionários dele que insistiam para que o coronel escrevesse uma biografia. Sem tempo para escrever, ele achou a ideia da revista uma alternativa para mostrar o trabalho dos policiais nas ruas. “Minha ideia nunca foi me valorizar. O que está na revista é o que todos os policiais fazem diariamente para defender a sociedade, não sou melhor que nenhum deles”, diz.
Segundo o coronel, o material desmitifica a atuação da PM. “Infelizmente existe um mito de que ninguém gosta da polícia, mas eu não acredito nisso. Criança gosta de história policial e os adultos também. Prova disso foi a aceitação nos cinemas com o personagem capitão Nascimento com os filmes ‘Tropa de Elite’’, afirma.
http://jornalestacao.com.br/portal/ex-comandante-da-rota-coronel-lanca-revista-em-quadrinhos-para-fas-da-pm/
Leo V
1 de julho de 2014 4:49 pmPara trabalhador falta
Para trabalhador falta ônibus, para turista soba em Belo Horizonte. Para quem é feita a admistração do transporte coletivo?
“De 12 de junho ao último domingo, 424 pessoas embarcaram na Linha Turismo Centro-Sul, passando por locais como Praça da Liberdade e Parque Municipal. Considerando as 18 viagens em dias úteis e 12 aos fins de semana, a média foi de 0,6 passageiro por viagem. Há casos em que os veículos percorrem o trajeto de 12 quilômetros sem levar ninguém.”
01/07/2014 08:03 – Atualizado em 01/07/2014 08:03
Ônibus turísticos vazios: cadê os passageiros?
Sara Lira – Hoje Em Dia
Dezenove dias após a inauguração da linha turística de Belo Horizonte, ainda é baixa a adesão dos usuários. Criado como atrativo para os 390 mil turistas esperados na cidade para o Mundial, sendo 160 mil estrangeiros, o ônibus especial, que passa pelos principais pontos da região Centro-Sul, tem lotação média menor do que um passageiro por veículo. Dentre as falhas apontadas pelos poucos viajantes, a falta de um guia que mostre as belezas da capital e dê informações sobre a rota. De 12 de junho ao último domingo, 424 pessoas embarcaram na Linha Turismo Centro-Sul, passando por locais como Praça da Liberdade e Parque Municipal. Considerando as 18 viagens em dias úteis e 12 aos fins de semana, a média foi de 0,6 passageiro por viagem. Há casos em que os veículos percorrem o trajeto de 12 quilômetros sem levar ninguém. Usuários têm explicações para a baixa popularidade. Não há guias turísticos nos ônibus e pontos tradicionais ficaram de fora do itinerário. A dentista Elisabete Bockmann, de 48 anos, veio de Porto Alegre (RS) com os dois filhos para conhecer BH. Ela reclamou da dificuldade de encontrar o ponto de embarque do ônibus turístico, já que não conseguiu informações nem no aeroporto de Confins nem na rodoviária. A maioria dos turistas pergunta se o ônibus passa pelo complexo da Pampulha, diz um dos motoristas da linha, Joaquim Antônio Apolinário, mas, infelizmente, ver o espelho d’água e as obras de Niemeyer, só por outros meios. Segundo ele, todos fazem questão de ir à Praça do Papa, mesmo durante a semana, período em que o local fica fora do roteiro. Como a atração turística fica bem próxima do itinerário oficial, o motorista dá um jeitinho. “Às vezes, desvio por conta própria. Outros motoristas também fazem o mesmo”, afirma. Apolinário também assume, em determinadas ocasiões, o papel de guia turístico. Para o estudante Lucas Bockmann, de 21 anos, o trajeto é muito rápido, com duração de uma hora. “Não dá para conhecer muito e é a mesma coisa que pegar um ônibus comum”, diz. O irmão dele, o dentista Fernando Bockmann, 23, comparou o serviço com o de Porto Alegre, onde os ônibus são de dois andares, com vista panorâmica e com guias que falam inglês e espanhol. “Eles explicam as atrações e fazem uma parada rápida em cada uma, onde os turistas podem tirar fotos, com calma. O mesmo não ocorreu aqui”. Início De acordo com o superintendente de regulação da BHTrans, Sérgio Carvalho, a linha ainda é recente e é necessário tempo para ser consolidada junto ao público. Não há pretensão de contratar guias turísticos, informa ele, e as informações sobre horários, itinerário e pontos de embarque e desembarque estão disponíveis no site da BHTrans. Sobre a não inclusão de alguns pontos turísticos no trajeto, Carvalho afirma que, no futuro, o serviço poderá ser ampliado, desde que viável. A tarifa é R$ 4,35, sem direito a reembarque, a não ser que o turista pague nova passagem. Características de executivo A linha ST01 Circuito Turístico Centro-Sul tem as mesmas características de um ônibus executivo, com bancos estofados, ar-condicionado, internet e TV. Um maleiro permite guardar pequenas bagagens. A capacidade dos ônibus é de 43 passageiros assentados. Como funciona em Londres Uma das cidades mais visitadas do mundo, Londres tem várias empresas que operaram o serviço de ônibus turístico. São oferecidos passes que permitem ao visitante embarcar ou desembarcar durante um período de 24 horas, a um custo de 25 libras (R$ 95). Os ônibus têm dois andares, vista panorâmica, guias bilíngues e tradução simultânea à disposição dos passageiros. http://www.hojeemdia.com.br/minas/onibus-turisticos-vazios-cade-os-passageiros-1.251570
Pedro Penido dos Anjos
1 de julho de 2014 7:01 pmQUERIDA OI
Mandei a seguinte
QUERIDA OI
Mandei a seguinte cartinha com AR para a Oi como primeira medida:
Oi
Caixa Postal711
CEP 50050480
Recife – PE
São Paulo, 02/06/1952
Senhores funcionários responsáveis,
Aderi à PROMOÇÃO “OFERTA COPA DO MUNDO – FEV/14” na loja Oi do Shopping West Plaza, São Paulo – SP, em fevereiro de 2014, como já está na titulação do plano.
A primeira fatura, já paga em abril, estava correta em seu valor de R$55,99.
Já a segunda e a terceira faturas, a serem pagas em maio e junho de 2014, vieram com cobranças de serviços indevidas, conforme reclamação processada pelo gerente da própria loja onde aderi ao plano e que recebeu o protocolo 2014001043003874.
Acresce que estando eu fora do país sem usar o telemóvel durante o mês de maio e o princípio de junho, só tomei ciência desses fatos na minha volta a São Paulo, sendo que a fatura de junho é no mínimo absurda, por cobrar o que está pactuado no contrato como incluído na taxa mínima e que não foi por mim usado por motivos óbvios.
O número telefônico que me foi dado para acompanhar o processo de minha reclamação – 1057 – resulta absolutamente inútil, pois depois de indesculpáveis esperas e absurdos atendimentos eletrônicos acabo sendo atendido por senhoras muito mal preparadas que invariavelmente me dizem que não podem fazer nada por mim porque “o sistema” está fora de operação – o que, diga-se, uma eventual perícia judicial poderia comprovar se é fato verdadeiro ou não.
Saibam que me tornei colecionador dos protocolos desses atendimentos imprestáveis e que para minha segurança foram gravados.
Se não bastasse esse verdadeiro escárnio com que sou tratado pela companhia e seus funcionários invisíveis, passei a ser assediado, de maneira inteiramente ilegal pelo serviço de telemarketing da Oi por senhoras piores preparadas ainda, que querem me obrigar a efetuar o pagamento dessas cobranças abusivas, por um serviço telefônico que, inclusive, me foi bloqueado. o que contraria frontalmente o Código Nacional do Consumidor, que só permitiria que assim fosse feito depois de 90 dias da interrupção dos pagamentos, que, aliás, não foram interrompidos – suas cobranças é que estão sendo contestadas.
Não aceito ser tratado com essa inteira falta de respeito.
Exijo uma resposta cabal para as minhas reclamações perante à Oi, os devidos pedidos de desculpas e compensações pelo incômodo moral e prático a que venho sendo submetido pela companhia e seus funcionários.
Atenciosamente,
Pedro Carlos Penido Veloso dos Anjos
Fone Oi n° .
Luciano Prado
1 de julho de 2014 8:05 pmQuando ser desonesto dá lucro
É exatamente esse o tratamento e a esperteza da Oi que, aliás, não é a única a praticar esse crime.
O que a Oi faz com as faturas mensais é de estarrecer. Cobra muito além do contratado e sem nenhuma preocupação com eventuais punições. A essas cobranças indevidas dá-se o nome de apropriação indébita mediante confiança. Quem paga sem saber está sendo ludibriado.
A Oi enche os boletos com penduricalhos que você não entende, nem tem explicação razoável.
Sugiro ao Pedro que repasse essa reclamação formal junto à ANATEL. Antes faça um cadastro onde será aberta uma página para todas as suas reclamações relacionadas aos serviços fiscalizados e regulamentados pela Agência.
Maria Carvalho
2 de julho de 2014 1:43 amPedro Penido e Luciano Porto
Nada adianta contra a OI. Chego a imaginar que deve existir um conluio para favorecer essa operadora.
Antes de ingressar em juízo (JEC), perdi a conta das ligações que fiz para a OI, com respectivos protocolos, e e-mail’s que enviei, requerendo a instalação de uma linha telefônica que possuo há mais de 30 anos (daquele tempo das ações), em meu novo endereço, em fevereiro de 2012.
Na ação judicial que “rola” há dois anos, além de requerer a instalação da linha, requeri, também, danos morais, em face da cobrança indevida de faturas por serviços não prestados.
Antes da primeira audiência a OI instalou a linha, o que foi noticiado durante a audiência, dando por resolvida essa questão ficando pendente apenas o valor da indenização.
Ocorreu que, 18 dias após haver sido feita a instalação, a operadora OI cortou o serviço e daí em diante passou a cobrar o valor das faturas antigas (as quais estavam sendo discutidas em juízo) e uma pelo tempo que o telefone ficou ligado.
Isso foi um tremendo jogo da operadora, pois, nesse ínterim, o Juízo prolatou sentença dizendo estar resolvida a questão da instalaçao do telefone e fixando um valor irrisório de indenização.
Foram opostos Embargos e até hoje nenhuma resposta obtive da justiça.
Justiça, que justiça?
Na Anatel é um protocolo enorme para se registrar uma reclamação, e, mesmo tendo feito todo o procedimento, até hoje também, não obtive qualquer resposta.
Reclamar, mais, para quem, além desses órgãos?
lucascosta
1 de julho de 2014 10:40 pmO time é de guerreiros. Mas quem é o inimigo?
Por Matheus Pichonelli, na revista CARTA CAPITAL
Não foi porque o Paulinho saiu. Nem porque o Fernandinho entrou. Ou porque o Felipão mexeu mal. Porque Jô e Fred não acertaram o pé. Porque o Neymar foi anulado. Porque o meio-campo evaporou. Ou porque faltou raça, vontade, aplicação. Os motivos que levaram a seleção brasileira a entrar em pânico na partida contra o Chile, no sábado 28, passaram longe das explicações mágicas para referendar ou desmontar análises táticas ao fim do duelo. O pânico, que travou pernas e mentes, tomou a proporção que tomou durante 120 minutos do jogo porque todo mundo, da comissão técnica aos torcedores, pareceu se esquecer de que aquela era uma partida de futebol, e não uma guerra. Uma guerra construída desde a preleção, com a evocação da honra, da nação, do orgulho, do amor, da justiça divina e das lágrimas. O arsenal levou a equipe a entrar em campo com o peso de um país rendido pelo inimigo.
Mas quem era o inimigo?
A depender das reações ao fim da partida, eram todos: o rival que entrou na maldade, o juiz que errou no gol do Hulk, a desconfiança de quem apostou no fiasco, a imprensa que martelou todos os erros de uma equipe que não pode, não deve nem ouse pensar em perder o Mundial da redenção, o único capaz de expurgar nossas chagas expostas desde a Copa de 50.
A construção do inimigo incorporou nas quatro linhas de campo mais que uma linguagem: incorporou na equipe o espírito de uma sociedade violenta em sua base. “Vencer”, afinal, é imperativo aos filhos chamados pelos pais de “campões” antes mesmo de sair da fralda. A eles é dito o tempo todo: sejam homens, sejam dignos, passem no vestibular, atropelem os concorrentes, subam no emprego, queimem os rivais, aliem-se aos poderosos, mantenham a guarda, protejam os seus, espalhem alarmes e cercas elétricas, tenham cuidado com o vizinho, com o prefeito, com o padre, com todo mundo que tentar tomar seu dinheiro, sua honra, seu passado, e condenem à morte, pelas leis ou pela pistolagem, todos os que morderem seus calcanhares, a começar pelos vagabundos que vagam pelas ruas.
Assim vivemos em estado permanente de guerra, declarada ou não, que pode ser vencida ou não, mas que não permite o sabor de uma trégua. E morremos um pouco a cada dia, sufocados, pressionados, equilibrando pratos, somatizando chutes na boca e lambendo botas para não chegar em casa com a vergonha de dizer: “fracassei”.
Esse espírito do funcionário-padrão que se acredita guerreiro vitorioso está espalhado por todos os setores da equipe de Luiz Felipe Scolari. Dá para ver no olho dos jogadores perfilados para cantar o hino à capela: as lágrimas, anteriores à partida, parecem o transbordamento não de uma alegria, mas de um ódio contra tudo e contra todos que mal cabe no corpo.
Ódio de quê?
Da projeção de uma ideia de que a seleção não é a manifestação, mas a própria identidade de nação. Antes e depois dos jogos, a confirmação de que o nacionalismo é de fato o último reduto dos idiotas parece claro quando nós (este escriba, inclusive) reproduzimos um discurso segundo o qual “aqui é Brasil, somos os donos dessa Copa e ninguém vai vir aqui pisar em cima da nossa bandeira sem passar em cima dos nossos cadáveres”.
Por isso vemos jogadores como David Luiz, ótimo zagueiro da seleção, correr para a torcida com os olhos cheios de lágrimas e o antebraço quase esfolado de tanto bater com a palma da mão para mostrar que ali corria sangue. Porque nada menos do que a salvaguarda dessa ideia esperamos dos guerreiros, digo, jogadores da seleção.
Sobrou para os chilenos, adversários dignos e vizinhos respeitáveis que durante 120 minutos foram nomeados inimigos maior da pátria e sofreram a descortesia de ouvir as vaias dos anfitriões durante a execução de seu hino. Naquele momento estava claro que o Brasil havia levado a sério demais a ideia de que nós (nós: eu, você, a seleção, o vizinho, o dono da padaria e até o dono do jornal que você detesta) somos um time de guerreiros, que não desiste nunca, que não se dobra jamais e blábláblá. Por isso foi insuportável assistir à partida. Porque vimos em campo soldados, e não jogadores de futebol, os artistas capazes de arrancar a graça em um jogo calculado por meio do drible, do improviso, da surpresa, da leveza e da amplitude. É quando o futebol deixa de ser uma concessão pra sorrir para se tornar uma batalha, triste como a mais ordinária das rotinas, em que só vence quem mata mais e morre menos.
Ao fim do jogo, ainda confuso entre alívio, alegria e certa tristeza, assisti à exaustão a entrevista do goleiro Júlio César, heroi da partida com dois pênaltis defendidos. Fosse uma guerra, seria laureado com medalhas de honra, palmas e aplausos, sem perceber que na próxima sexta-feira será empurrado novamente para o front, de novo na linha de frente, e que condecoração alguma o salvará da saraivada de tiros em caso de fracasso. Por isso, ao ouvi-lo falar de orgulho, honra e reconquista, senti apenas pena. Pena pelos quatro anos em que viveu como um apátrida por ter falhado nos gols contra a Holanda, na já distante Copa de 2010. Aquelas lágrimas não pareciam ser de alegria, como afirmou, mas de um ódio por tudo o que ouviu e pensou em ouvir em caso de novo fracasso: de todos os que colocariam às suas costas o projeto do que poderíamos ter sido e não fomos. Senti pena como sinto pena dos soldados, condecorados ou não, vitoriosos ou não, que colocam a valentia em teste e perdem sua vida por uma causa: a honra, o orgulho, a bandeira, a glória, a nação. É em nome desses termos, tão abstratos como o vento, que os homens vão à luta não para espalhar a liberdade, como prometeram a eles, mas para morrer.
Assim começam e terminam todas as guerras, concluí ao fim da entrevista do goleiro. Nenhum general motiva o soldado a morrer falando em barbárie, em terror, em destruição. Convence o sujeito a morrer falando sobre valores: a maldita honra, o maldito orgulho, a maldita bandeira, a maldita glória e a maldita nação (e a maldita evocação a Deus, claro, pai de todos sem distinção mas que escolhe quem mata e quem morre conforme a amplitude da reza).
Se em uma guerra não há vencedores, o Brasil não venceu a partida contra o Chile nem contra Camarões nem contra a Croácia e nem contra o México na Copa das Confederações, quando descobrimos um novo grito de guerra ao cantar o hino à capela. Perdemos todos. Perdemos no instante em que transformamos a partida em uma questão de honra e absorvemos no campo a linguagem de uma sociedade já suficientemente violenta e injusta e, em vez de alegrias e amplitudes, falamos em honra, orgulho, bandeira, glória e nação. Em nome de tudo isso matamos Júlio César por mais de quatro anos, e só agora damos a ele o direito de falar com a cabeça erguida diante da câmera – um direito negado a Barbosa, que não teve outra chance em 54.
Ao fim da entrevista, pensei em telefonar ao goleiro da seleção brasileira, de quem não tenho o telefone, e dizer: meu amigo, só Deus (e meus pacientes vizinhos) sabe o quanto vibrei ao ver suas muitas defesas contra o Chile. Mas de minha parte pode ficar tranquilo: você não me devia nada. Você, ao que tudo leva a crer, é um grande sujeito, com ou sem milagres redentores em campo, e não merece ser sacrificado em meu nome nem em nome de ninguém (as falhas em 2010 nem foram tão falhas assim). Essa guerra da Copa, como todas as guerras, é só uma velha ficção: por ela inventa-se um inimigo para unir uma nação em nome de muito pouco ou quase nada. Ficaremos felizes e guardaremos para sempre a lembranças da Copa se tudo der certo. Mas ainda assim será só futebol, e só terá graça se for só futebol. Quando vira guerra vira outra coisa. Vira trauma, vira pânico, vira tristeza. Mesmo quando levamos a taça, somos apenas a expressão daquela gente honesta, boa e comovida da música de Belchior. Aquela gente que caminha para a morte pensando em vencer no campo e na vida.
Gustavo A. Medeiros
2 de julho de 2014 12:03 amHouve, sim, vexames na copa
Caro Nassif,
Houve, sim, vexames na copa:
1 – Quando a festa de abertura da copa no Brasil foi feita por estrangeiros, apesar de o Brasil produzir todo ano a maior e mais bela festa do mundo: o carnaval, e apesar de termos coreógrafos de fama internacional.
2 – Quando falta comida nos estádios ou a qualidade da comida posta a venda neles é ruim, apesar de os estrangeiros ficarem admirados com o sabor da culinária brasileira fora dos estádios.
3 – Quando não foi conferido o devido destaque ao paraplégico no esoesqueleto dando o chute inicial no centro do campo.
4 – Quando somos obrigados a cantar à capela o hino nacional, já que a FIFA manda interromper o hino no meio de sua execução, o mesmo ocorrendo com todas as nações que também tem seu hino interrompido.
Observação importante: podemos atribuir os vexames dos itens 1, 2, 3 e 4 a FIFA e não ao Estado brasileiro.
5– Quando a torcida brasileira xinga à presidenta no estádio, mesmo sabendo que ela possibilitou que esta mesma torcida estivesse no estádio, mesmo sabendo que era o dever dela estar lá naquele dia, mesmo sabendo que lá não estava a candidata de um determinado partido , mas a chefe de Estado da Nação. É vexatório para nós saber que a primeira ministra alemã Angela Merkel veio ao Brasil e ao estádio, foi bem recebida pelos alemães e ninguém achou que sua vinda fosse uma demagogia política.
6 – Quando vaiamos o hino dos chilenos. Se queremos ter nosso belo hino respeitado lá fora, devemos respeitar o hino dos outros.
7 – Quando acontecem quebra-quebras.
Observação importante: podemos responsabilizar por estes vexames 5, 6 e 7 o cidadão comum, muitos deles preocupados com o fato de o Brasil não dar vexame na copa. Eis uma profecia que se autocumpre. No item 7 podemos até dar alguma dose de culpa ao Estado, mas os principais culpados são os vândalos.
Podemos dizer que a qualidade do futebol da seleção brasileira seria vexatória também. Raramente vimos uma seleção brasileira com um futebol tão sofrível, mas prefiro crer que não haja vexame neste caso, porque mesmo desorganizada e perdida em campo, a seleção lutou sob o sol quente, enfrentando prorrogação e pênaltis.
Nenhum dos vexames citados foi devido à propalada incompetência do Estado brasileiro. Ao contrário, os aeroportos estão funcionando, os estádios estão prontos e são bonitos, a segurança é tão ostensiva que peca pelo excesso, os policiais estão sendo chamados de Robocops mundo a fora. Até mesmo a exigência da justiça do trabalho de haver parada técnica quando a temperatura sobe acima de 32 graus é um exemplo para o mundo, mostrando que o ser humano está acima das regras da FIFA.
Há outras coisas positivas. O carinho, a cordialidade e presteza com que o povo brasileiro tem tratado os estrangeiros têm sido exemplar. A comida brasileira também tem sido alvo de elogios como falei no item 2. Não preciso nem dizer que o sol brilhante, a beleza natural e a cultural do Brasil são coisas das quais deveríamos nos orgulhar. Os estrangeiros vêm para cá e se sentem felizes e nem sabem direito o motivo, mas é a sensação que eu tenho ao conversar com eles.
Quem conhece megaeventos (e este é o maior do mundo) sabe que sempre há falhas. O importante é que as pessoas consigam chegar aos estádios em segurança. Nós sabemos fazer festa, fazemos todo o ano no carnaval e o réveillon, Querer que uma festa seja totalmente organizada é desconhecer o próprio espírito da festa. Toda a festa muito organizada acaba perdendo sua alma, pode ficar “chata” e um pouco de “bagunça” faz parte da festa em si.
Ainda é cedo para dizer que esta é a copa das copas, mas certamente será uma das melhores e mais inesquecíveis. Temos que parar de transformar o Estado em demônio. O Estado brasileiro e seus governantes fizeram o melhor que puderam. O Estado democrático é um dos maiores avanços que a humanidade produziu: sem ele não haveria hospitais, mesmo sendo ruins, mas que ainda assim salvam vidas, e escolas públicas, que mesmo sendo ruins garantem que uma pessoa como eu (com todas as suas deficiências educacionais) que só estudou em ensino público esteja escrevendo aqui. Se o Estado brasileiro é deficiente e corrupto é porque a sociedade como um todo também o é e. Em vez de demonizar o Estado, devemos participar mais dele, mesmo fora da época de eleição.
Leo V
2 de julho de 2014 2:56 amRelato do professor da USP
Relato do professor da USP Pablo Ortellado sobre o debate ontem na Praça Roosevelt pela Liberdade de Fabio Hideki e a ação da polícia sobre os presentes.
“A sensação de todos nós é que a comparação com a ditadura não é mais metafórica. Simplesmente a liberdade de reunião e a liberdade de manifestação estão suspensas. Também como nos anos de chumbo, quem está dentro da ordem, apenas acompanhando e torcendo pelos jogos, nem percebe as graves violações pelas quais o país está passando.”
https://www.facebook.com/ortelladopablo/posts/747218032010439
“Participei hoje a noite do debate público pela liberação dos presos políticos que aconteceu na Praça Roosevelt. O debate não era uma manifestação — havia uma mesa e oradores simplesmente falariam para um grupo cerca de mil pessoas sentadas no chão. Apesar de ser apenas um debate, no meio da praça, a Polícia Militar enviou centenas de policiais da Choque e cavalaria, prendeu arbitrariamente e provocou o tempo todo os presentes. A sensação de todos nós é que a comparação com a ditadura não é mais metafórica. Simplesmente a liberdade de reunião e a liberdade de manifestação estão suspensas. Também como nos anos de chumbo, quem está dentro da ordem, apenas acompanhando e torcendo pelos jogos, nem percebe as graves violações pelas quais o país está passando.
Fui convidado para fazer uma breve fala pelos organizadores do ato-debate. Chequei com minha companheira Beatriiz Seigner e logo encontrei amigos e conhecidos como o escritor Ricardo Lisias, o padre Julio Lancelotti, os professores da Unifesp Edson Telles e Esther Solano, além de muitos outros. Assim que cheguei, o advogado Daniel Biral, do grupo advogados ativistas me cumprimentou e relatou que o coronel que comandava a operação o tinha abordado e perguntado em tom ameaçador quem ele estava representando — ao que respondeu, “estou representando a democracia”.
Enquanto as pessoas aguardavam o começo do debate, dois policiais com capacetes e filmadoras passavam pelas pessoas e filmavam muito de perto o rosto de cada uma, em tom provocativo — sem qualquer motivo. Certamente esperavam alguma reação indignada para que pudessem revidar com bombas e agressões. No entanto, as pessoas apenas gritaram palavras de ordem contra a ditadura. Quatro policiais da Choque fizeram então um cordão de proteção em torno deles e durante todo o debate, esses policiais filmaram o rosto de todos os oradores a menos de três metros de distância da mesa.
Assim que as primeiras pessoas começaram a discursar, as prisões começaram a ocorrer. O advogado Daniel Biral, que já havia sido ameaçado pelo coronel, foi preso após protestar contra a falta de identificação dos policiais. Aliás, ele não foi simplesmente preso, foi também agredido e com tanta brutalidade que ficou desacordado na viatura. Com ele, foi também presa a advogada Silvia Dascal.
Os organizadores conseguiram acalmar a indignação dos presentes e retomar os discursos. Menos de dez minutos depois, policiais revistaram de maneira completamente desnecessária e gratuita um rapaz negro que andava pela rua, bem ao lado do debate, numa atitude novamente provocativa. A imprensa foi toda para lá, o público pediu pela soltura do rapaz e a PM jogou bombas, atirou balas de borracha e gás lacrimongêneo e terminou prendendo outras duas pessoas.
Novamente os organizadores conseguiram acalmar os ânimos e retomar o debate. A Tropa de Choque fechou todos os acessos da praça e ficou por mais de uma hora em formação, pronta para atacar. A presença policial muito numerosa e ostensiva era apenas para intimidar e tentar uma provocação para um ataque massivo que seria um verdadeiro massacre. Amigos e amigas que ainda não tinham participado das manifestações dos últimos dias estavam chocados. Todos só falavam da volta da ditadura.” (Pablo Ortellado)