O MORALISMO NA POLITICA – A corrupção faz parte da politica desde tempos imemoriais. Nos Estados anteriores à Era Moderna não havia separação entre o dinheiro do Estado e o cofre do Soberano. Foi a partir da Revolução Francesa com a construção do Direito Administrativo que nasce na França o conceito de recursos publicos à serviço da população e não de quem governa. Na mesma França onde o Cardeal de Richelieu declarou ao seu confessor no leito de morte que era o homem mais rico do País, depois de governa-lo como Primeiro Ministro, “sou mais rico que o Rei” disse o Cardeal.
Foi com a lenta evolução do direito, dos costumes politicos e da consciencia social que a confusão entre o publico e o privado e a consequente corrupção foi sendo controlada mesmo nos pais mais civilizados. Nos EUA após a Guerra Civil e até o começo do Seculo XX a corrupção politica era avassaladora. No Brasil do Imperio os Embaixadores em Londres pediam comissão sobre os emprestimos contratados pelo Tesouro aos banqueiros.
Enquanto a corrupção vai sendo lentamente contolada com altos e baixos, no Brasil havia menos corrupção nos dois Governos Vargas do que há hoje e olhe que Vargas não era um fanatico combatente contra a corrupção, embora fosse pessoalmente honesto e obviamente a corrupção no Brasil vem crescendo ano a ano desde a Nova Republica.
Mas sendo a luta contra a corrupção uma exigencia da sociedade, o Moralismo como bandeira politica não faz parte dessa luta, apenas usa seus elementos como bandeira e ao fim tem objetivos bem menos nobres.
Dois nomes simbolos do Moralismo como bandeira, Janio Quadros e Carlos Lacerda, não melhoraram o Brasil numa avaliação historica ampla. Os arautos do Moralismo são espertos que usam essa bandeira para construir seus proprios objetivos raramente nobres e costumam gerar custos politicos muito mais caros do que os resultados que atingem com seus metodos e campanhas, porque corrupção não se combate com saltos e sim com evolução.
Um pequeno modelo de como o cambate a corrupção mesmo bem intencionado pode fazer o seu contrario: o Tribunal de Contas da União ao apontar irregularidades em uma obra costuma mandar parar a obra. É uma insensatez unica, abismal. A parada da obra custa MUITO MAIS, pode ser centenas de vezes mais do que o custo da irregularidade, não fazem calculo de custo/beneficio, é impressionante. Na obra do Corintians em Itaquera a mesma coisa, caiu um guindaste, mandaram parar os outros nove, sem se importar que a obra tem um prazo apertado para conclusão. No mensalão o processo custou muito mais, se consideramos todos os fatores, do que a eventual perda de dinheiro publico. O Moralismo agride a logica e não traz nenhum resultado.
Isso me lembrou o “Procurador Geral” do estado de SP, que semana passada explicou para a patuleia que ele era pago por esta mesma patuleia, para defender os interesses pessoais do governador, inclusive contra os interesses desta mesma patuleia que paga seu muito bom salario. Pelo visto o iluminismo e a revolução francesa são ignorados na formação da elite da magistratura paulista (sem falar dos outros estados).
BANCOS HISTORICOS – OS BANCOS SOVIETICOS NO EXTERIOR – Após a Revolução de Outubro de 1917, a Russia perdeu todos seus contatos bancarios com o exterior. Mesmo com a guerra civil em curso, o novo regime precisava desesperadamente de restabelecer seus laços comerciais com o ocidente, após o fim da Primeira Guerra.
O Governo sovietico abre negociações diplomaticas com o Imperio Britanico, para voltarem as relações comerciais. Dessas demarches sai o Tratado Anglo Sovietico de Comercio em 16 de maio de 1921. A Russia abre um grande escritorio de compras em Londres, a Arcos Trading Ltd., central de compras das cooperativas russas
e um banco, o Moscow Narodny Bank Ltd. com carta patente britanica, que se tornaria um grande banco historicamente importante nas relações financeiras da URSS com o mundo exterior.
A Arcos Trading comprava a partir de Londres alimentos (açucar, cacau, margarina, oleagenosos), texteis, produtos quimicos, maquinaria agricola e o MNB financiava as operações garantindo ops pagamentos.
Posteriormente um outro banco sovietico é aberto com sede em Paris, o Banque Commerciale por l´Europe du Nord,
se tornaria celebre por ter inventado o Eurodollar, moeda grafica que reciclava os dolares americanos fora dos EUA e que a partir da decada de 60 inundavam a Europa.
La Banque foi o grande financiador da Republica Espanhola na Guerra Civil conra o General Franco, era o BCEN quem abria as cartas de credito para a Republica comprar materiais, alimentos, combustivel, quando nenhum outro banco europeu financiava esse regime que embora o legal da Espanha estava bloqueado pelas demais potencias.
O Moscow Narodny se expandiu com agencias em Beirut e Singapura, corriam estorias sobre o papel desses bancos no pagamento de movimentos de esquerda por todo o mundo, como banqueiros do “”Ouro de Moscou” mas os russos foram cuidadosos com a contabilidade e a governança. La Banque tinha como presidente um deputado comunista famoso, Guy de Boysson, milionario descendente de um rica ramilia de financistas e depois presidente do Partido Comunista francês.
Na Inglaterra o Moscow Narodny ganhou respeitabilidade quando pagou os bonus do finado Governo Imperial
cujos portadores julgavam perdidos para sempre, seus ativos foram crescendo consideravelmente a medida que a URSS aumentava suas exportações de petroleo e minerios nos anos 60 e 70.
Em resumo, os dois bancos eram o “”Caixa” da URSS em moeda forte, tornaram-se solidas instituições cujas cartas de credito era plenamente aceitas pelos demais bancos e fornecedores em grande escala da URSS, cujo crédito internacional a partir dos anos 50 passou a ser excelente em todos os mercados.
Com o fim da URSS os bancos foram absorvidos pelo VTB Bank, controlado pelo Ministerio da Fazenda da Russia mas com ações na Bolsa de Londres, sendo o maior acionista privado o Norges Bank da Noruega.
Já a Arcos Trading foi pivô de um famoso incidente diplomatico em 1927, quando a Policia de Londres invadiu seus escritorios e fez um grande busca e apreensão de documentos sob acusação de lá ser uma central de espionagem, o que realmente era, havia quartos secretos com transmissores potentes mas depois do escandalo o incidente foi abafado, os ingleses não se importam com nada quando há dinheiro bom para ganhar e a URSS era uma boa parceira, deram um susto na Arcos mas a companhia continuou operando em Londres.
Esses antecedentes explicam alguma coisa sobre a preferencia dos oligarcas russos por morarem em Londres, praticamente todos os que não estão presos moram na Inglaterra, onde estão sediados seus negocios.
Foi publicado recentemente um livro sobre a historia do Mascow Narodny Bank.
OPOSIÇÃO EM MAUS LENÇÓIS – Ontem houve mais um passo no rumo das definições para o pleito de 2014. Eliminada a possibilidade de prévias entre as pré candidaturas de Luciana Genro e de Randolfe Rodrigues, o PSOL decidiu por aclamação que o candidato do partido em 2014 será o atual senador do Amapá.
Ou seja, na disputa interna desta agremiação as tendências mais à esquerda foram derrotadas e agora já se tem mais um ator consolidado para o ano que vem.
As perspectivas atuais continuam amplamente favoráveis para a Presidenta Dilma Rousseff. Vejamos. Em todo o ano de 2013 a oposição ao governo federal tratou de tentar construir o maior número de candidaturas possíveis para 2014, como tática para forçar de qualquer modo um hipotético segundo turno. Ao que parece, essa tática não foi bem sucedida.
No fim do prazo para as filiações e trocas de partidos com vistas à 2014 (05 de outubro) o que surgiu de fato foram apenas duas candidaturas oposicionistas com densidade eleitoral. Estas duas candidaturas são a tradicional, de Aécio Neves, e a ‘nova’, de Eduardo Campos, saída diretamente da costela do campo de sustentação do governo federal.
Lembrem-se que a certa altura dos acontecimentos chegou-se a ventilar a possibilidade de 05 consideráveis candidaturas do campo oposicionista. Eram elas a de José Serra pelo PPS, de Aécio Neves pelo PSDB, de Eduardo Campos pelo PSB, de Marina Silva pela Rede, de Joaquim Barbosa por algum outro partido e mais as candidaturas nanicas.
Este cenário com 05 candidaturas oposicionistas levaria a disputa para o segundo turno, sem dúvidas algumas. E teria potencial para causar grandes dores de cabeça em Dilma, em Lula e no Partido dos Trabalhadores. Nada disso ocorreu e isto pode ser considerado como uma vitória política de Dilma Rousseff.
A candidatura claudicante de Aécio Neves padece de um mal de origem, pois foi lançada por Fernando Henrique Cardoso em dezembro de 2012. Qualquer candidato que se pretenda viável hoje no Brasil deve se manter a léguas de distância de FHC e do seu “legado”.
Ocorre que Aécio Neves faz questão de avalizar o período fernandino e de se colocar como o representante oficial de um período do qual o povo brasileiro quer absoluta distância. Ir para uma disputa abraçado a FHC é quase um suicídio político.
Eduardo Campos passou todo o ano de 2013 tentando se viabilizar eleitoralmente e trabalhando para ampliar o arco de alianças políticas para uma eventual candidatura. Se viabilizou como candidato, mas eleitoralmente está estagnado e no campo de alianças não agregou absolutamente ninguém ao seu projeto personalista de poder. Aliás, agregou apenas a Rede, que nem partido político ainda é.
Campos aparece na disputa do ano que vem como uma típica candidatura com viés marcadamente estadual, com dificuldades para sair das fronteiras de Pernambuco. Esse fenômeno não é novo. Aconteceu com Brizola no primeiro turno de 1989 (vitórias apenas no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul), com Ciro Gomes em 1998 e no primeiro turno de 2002 (vitórias apenas no Ceará) e com Anthony Garotinho também no primeiro turno de 2002 (vitória apenas no Rio de Janeiro).
O governador pernambucano superestimou a vinda de Marina Silva para o campo dos “socialistas”, talvez desconhecendo o fato de que vice não trás voto algum, no máximo serve para afiançar alianças políticas. E nem para isso a vinda de Marina Silva está servindo…
Dependendo do cenário, o PSB pode sofrer um grande revés em suas candidaturas estaduais e terminar a eleição menor do que quando entrou, além de firmar-se no imaginário popular como uma espécie de PSDB do B (já são aliados históricos – o PSB e o PSDB – em vários estados).
Randolfe Rodrigues terá o desafio de levantar a candidatura do PSOL e fazer com que o partido saia do vexatório e patético papel que fez em 2010, quando o povo brasileiro conferiu irrisórios e ridículos 0,87% dos votos para a candidatura do ex democrata cristão Plínio de Arruda Sampaio.
Resta no tabuleiro das candidaturas a resolução da última possibilidade ainda em aberto, que seria a eventual candidatura presidencial de Joaquim Barbosa. Os magistrados tem prazo até o dia 05 de abril de 2014 para se filiarem n’algum partido e disputarem o pleito vindouro. A candidatura de Barbosa representaria um duplo problema para a oposição.
O primeiro problema seria o de expor ainda mais nítida e cristalinamente o fato de que a AP 470 foi um julgamento eminentemente político e persecutório contra o PT. O segundo seria o fato de que a candidatura de Barbosa tiraria poucos votos da chapa encabeçada por Dilma Rousseff, mas operaria um estrago considerável nas candidaturas de Aécio Neves, de Eduardo Campos e do nano esquerdismo.
Notem que a análise conjuntural sequer tangenciou a questão das alianças político-partidárias, dos tempos de rádio e TV, da aprovação de Dilma e de seu governo, do pleno emprego, da inflação controlada, dos aumentos reais no salário mínimo e nos dissídios da classe trabalhadora, da distribuição de renda, da diminuição das desigualdades sociais e regionais, da afirmação do Brasil enquanto ator político no cenário internacional, etc.
Tudo isso confirma o favoritismo da candidatura do Partido dos Trabalhadores. E sempre é bom lembrar que Luiz Inácio Lula da Silva ainda está se aquecendo no vestiário, sequer entrou em campo.
Os Tucanos e o B. Família: de esmola a ponto de partida.
A leitura deste editorial do site do PSDB, publicado em 13 de setembro de 2004, e da entrevista de Aécio Neves ao El Pais mostra que a interpretação tucana do Bolsa Família não evoluiu muito.
Bolsa Esmola – Editorial | PSDB – Partido da Social Democracia Brasileira http://www.psdb.org.br Para um governo comandado por um partido que historicamente se fortaleceu sob a bandeira da redenção dos pobres de todo o país, o balanço das políticas federais de inclusão social tem sido profundamente desapontador.
O programa Fome Zero, eixo central do discurso de campanha do então candidato petista, Luiz Inácio Lula da Silva, sofre de inanição desde a sua festejada criação e atabalhoada execução. Para superar as deficiências congênitas, o governo, sensatamente, uniu-o ao Bolsa Escola, formando o Bolsa Família – em resumo, a unificação de vários programas assistenciais, a maioria já existente na gestão de Fernando Henrique Cardoso, como o Bolsa Alimentação, o Cartão Alimentação e o Auxílio Gás. O que parecia uma saudável correção de rota tem sido enxovalhado pela evidência de que o governo deixou de fiscalizar, por exemplo, a freqüência em sala de aula dos alunos beneficiados pelo Bolsa Família.
O principal programa social petista reduziu-se, enfim, a um projeto assistencialista. Resignou-se a um populismo rasteiro. Limitou-se a uma simples distribuição de dinheiro, sem a contrapartida do comparecimento à escola, condição fundamental para que populações excluídas tenham maiores possibilidades de emprego no futuro, com elevação da renda de maneira produtiva. A ausência de controle também deixa o programa vulnerável a desvios e pouco propício à avaliação de resultados e correção de rumos. Uma expressão do senador Cristovam Buarque (PT-DF) resume o problema: “O Bolsa Escola virou Bolsa Esmola“.
Exposta a crise, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou, no fim da semana passada, que o chefe da Casa Civil, José Dirceu, assumirá o comando das discussões internas para resolver as falhas na execução do programa. Presidente da Câmara de Política Social, da Câmara de Desenvolvimento Econômico e de outros 19 grupos coletivos dedicados a reuniões na Esplanada dos Ministérios, Dirceu convocará os ministros Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), Humberto Costa (Saúde) e Tarso Genro (Educação) com o objetivo de encontrar uma solução conjunta para a falta de controle. Deseja-se que novos rumos não sejam turvados pelo hábito palaciano de perder-se em extensos e contraproducentes debates internos.
Três exigências seriam originalmente necessárias para as famílias que recebem o benefício do Bolsa Escola: freqüência escolar, vacinação e acompanhamento de gestantes. A última checagem, admitiu o governo, é de 10 meses atrás. (Tais falhas, convém lembrar, vêm desde a gestão de FHC). Enquanto isso, os três ministérios envolvidos com o programa seguem batendo cabeça sobre as atribuições de cada um no controle das contrapartidas.
Trata-se de um símbolo tristonho da negligência governamental para aquela que seria prioridade absoluta da atual gestão. Os entraves dos programas sociais do governo federal são a evidência clara de uma política embotada pelo apego a números que podem render dividendos políticos musculosos, porém com eficácia social bastante questionável. São 4,5 milhões de famílias beneficiadas, orgulha-se o Palácio do Planalto. O risco é que, ao fim do mandato petista, boa parte delas continue à espera da esmola presidencial.
“Para o PT, o Bolsa Família é o ponto de chegada. Para nós, é o ponto de partida” By Ediciones El País • elpais.com • December 01, 2013
O candidato do PSDB Aécio Neves. / George Gianni
O senador do PSDB Aécio Neves pediu mil desculpas pelos poucos minutos de atraso para a entrevista ao EL PAÍS, na sede do partido em Brasília. De sorriso generoso, o neto de Tancredo Neves, personagem símbolo da redemocratização brasileira, respira política desde que nasceu. Talvez por isso fale com naturalidade quando questionado sobre seus índices ainda baixos nas pesquisas eleitorais para a presidência da República. Pelo mais recente levantamento do instituto de pesquisa Datafolha, ele tem 19% das intenções de voto, enquanto a presidenta Dilma Rousseff, 47%.
Eduardo Campos, do PSB, que tem a ambientalista Marina Silva como vice, teria 11% das preferências. “Mais de 60% da população quer mudar tudo. Quando um de nós, e espero que seja o candidato do PSDB, mostrar como combateremos a inflação, como vamos cuidar da educação etc., haverá o casamento entre a expectativa de mudança com o candidato”, avalia o senador. A calma, entretanto, só fica suspensa quando o assunto é o pingue-pongue que se estabeleceu com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sobre as investigações do esquema de subornos nas licitações do metro em São Paulo, administrado pelo tucano Geraldo Alckmin. O PSDB entrou com uma representação na Comissão de Ética contra Cardozo. “Esse processo foi mal conduzido. O que fizemos foi dizer: “Alto lá”.
Pergunta: Os eleitores de menor poder aquisitivo só enxergam que a renda melhorou. Como o PSDB vai convencer esse grupo de que é preciso mudar e votar no seu partido?
Resposta: Nos últimos seis meses, fui a mais de seis Estados e conversei com as pessoas. Há uma percepção crescente, de que as expectativas que temos do futuro não são as mesmas lá de trás. Nas últimas eleições municipais, no ano passado, isso ficou claro. Nas principais capitais mais pobres do Norte e do Nordeste, nós ganhamos do governo: Salvador, Aracaju, Teresina, Maceió, Belém e Manaus. Onde há, inclusive, o Bolsa Família, que foi o grande instrumento eleitoral do governo, iniciado por nós. Há a percepção de que a população espera mais do governo, coisas que ele não entrega. Do ponto de vista educacional, temos média de escolaridade pior que o Paraguai. Não avançamos nas questões essenciais. Resumindo: não é algo fácil. Mas quando tivermos a oportunidade de falar, num debate, mostrar que as principais conquistas dos últimos dez anos, como o controle de inflação, a credibilidade do Brasil, tudo isso começa a se perder, a percepção vai chegar às pessoas.
P. As pesquisas captam esse desejo de mudança. Mas, não parece que a oposição capitalize esse sentimento. O senhor teve dois mandatos em Minas Gerais reconhecidos. Mas, como senador, não se projeta em nível nacional.
Os próximos quatro anos serão muito duros para o Brasil. Precisamos de um governo rígido
R. Concordo que o sentimento é real, e não há, ainda, a apropriação desse sentimento por nenhum candidato de oposição. Em Minas Gerais temos uma margem de aprovação muito grande, em comparação à presidenta da República, onde conhecem nosso trabalho. Em 2009, véspera do ano eleitoral de 2010, o sentimento do Brasil era de continuidade. Economia crescendo, emprego crescendo, etc. José Serra tinha 38%, Dilma tinha 17%, e Marina, 6%. A então candidata Dilma só foi encostar e ultrapassar Serra no final de julho do ano de eleição, porque aí ela teve visibilidade, encarnou o sentimento da continuidade. Eu não tenho a menor expectativa que haja espaço para crescimento (da intenção das pesquisas), antes de haver o espaço para debater. O que é sólido, hoje: mais de 60% da população quer mudar tudo. Quando um de nós, e espero que seja o candidato do PSDB, mostrar como combateremos a inflação, como vamos cuidar da educação, como faremos os serviços públicos funcionarem, como vamos tratar o setor privado – como parceiro e não como adversário – haverá, com alguma naturalidade, o casamento entre a expectativa de mudança com o candidato. Mas isso vai acontecer a partir da metade do ano que vem.
P. O senhor não acha que a mesma pessoa que deseja mudança tem a sensação que a única coisa que une a oposição hoje no Brasil é a rejeição a Lula? Que a oposição não tem um programa, e faz uma oposição elitista?
R. Esse estereótipo existe em relação ao PSDB. Mas, temos uma história extraordinária. Talvez, tenhamos errado muito na nossa comunicação nas últimas eleições. Um dos meus maiores esforços, desde que assumi a presidência do partido, foi resgatar o nosso legado, pois boa parte do que tivemos em termos de avanço no país foi em função do que ocorreu durante os governos de Fernando Henrique Cardoso (FHC). Estabilidade da moeda, privatizações, a Lei de Responsabilidade Fiscal, o início de programas de transferência de renda. Mas, nós não nos apropriamos eleitoralmente disso. Talvez por equívoco, ou por opção, não importa. FHC deixou entre Bolsa Alimentação, Bolsa Escola, Vale Gás, e outros, 6,9 milhões de beneficiados. Hoje temos cerca de 13,5 milhões de beneficiados do Bolsa Família. O presidente Lula foi beneficiado pela herança bendita do FHC, mas ela se exauriu. Lula teve duas virtudes. Uma foi manter, por um bom período, os pilares macroeconômicos fundamentais, flexibilizados no final de seu governo, e também durante o governo Dilma. O outro, foi a unificação e aprofundamento de programas de renda. A face negra disso é o uso eleitoral, de forma leviana. Chegam perto das regiões mais pobres e dizem que o PSDB vai acabar com o Bolsa Família (BF). Até o ex presidente Lula disse recentemente: os adversários do BF estão de volta.
Talvez, tenhamos errado muito na nossa comunicação nas últimas eleições
P. E o Bolsa Família torna-se política de Estado com o senhor?
R. O Bolsa Família está enraizado. Mas, há uma diferença entre o PT e a gente. Para eles, o BF é o ponto de chegada. Para nós, é o ponto de partida. O Brasil não pode viver exclusivamente desse benefício. Um pai de família não pode querer deixar de herança para o seu filho um cartão do BF. O PT se contenta com a administração diária da pobreza. E nós queremos a superação da pobreza. E aí é educação, educação, educação. Eu propus que todo trabalhador que assinar a carteira, receba o benefício por mais seis meses. A lógica do governo é inversa à racionalidade. Ele quer comemorar um milhão de famílias a mais no BF. Eu quero comemorar um milhão de famílias a menos porque se incorporaram ao mercado de trabalho.
P. Como o PSDB vai passar essa mensagem para a população, quando se mostra dividido, com José Serra, fazendo a guerra por sua conta, e a gestão de São Paulo, muito chamuscada por escândalos e possível corrupção?
R. A unidade do PSDB é o principal combustível que temos para mais adiante termos chances eleitorais. Vamos chegar lá. É legítimo que o companheiro Serra tenha suas pretensões, ele tem uma história política respeitável. Mas, as últimas conversas que temos tido apontam na direção da unidade, pois acima de qualquer diferença que tenhamos, há um projeto em comum, que é terminar com o ciclo do PT e iniciar outro, ético, eficiente, meritocrático. O PSDB também passa por uma mudança geracional. Temos 25 anos de partido, e é natural que haja uma mudança. O PSDB governa hoje 52% da população, e 54% do PIB brasileiro. Não esperem do PSDB nas próximas eleições a mesma postura defensiva que tivemos nas últimas três. Estamos resgatando nosso legado, até pra mostrar que parte dos avanços, sem negar o papel do presidente Lula, mas olhando par ao futuro.
P. Educação foi frustrante tanto com o PSDB, que adotou a política de aprovação automática dos alunos, quanto com o PT. Como fica o projeto que está no Congresso, de dobrar o investimento de 5% para 10% do PIB? E como melhorar a gestão do dinheiro?
R. Discordo da primeira parte. Num momento do Brasil saindo de uma inflação de quatro dígitos, o governo FHC teve o grande mérito da universalização do acesso. Quando ele saiu do governo, 97% das crianças estavam na escola. Com o PT, era hora de ganhar na qualificação. Nós queremos chegar, gradualmente, a 10% do PIB em educação. Mas, não adianta apenas investir, tem de qualificar. E Minas Gerais é referência para o Banco Mundial, inclusive com os contratos de metas de médias escolares para cada município mineiro. Daí se assinava um documento, com a superintendência de educação, e o governador também assinava. Pois se essa nota chegasse ao estipulado, os envolvidos ganhavam o décimo quarto salário. Todo mundo ficava envolvido naquilo. As professoras e pais de alunos, etc, se reuniam no final de semana, e davam reforço para os alunos. É o melhor? Não sei, mas é o caminho que achamos para otimizar o caminho.
P. O governo atrela aumento de gasto a royaltie de petróleo.
R. Votamos a favor dessa proposta, mas isso ainda é um terreno na Lua. É coisa do governo marketeiro. Eu, pessoalmente, preferia que se constituísse um fundo, e que o rendimento do fundo financiasse a educação. Até que esses recursos possam vir, é preciso, pois eles só farão diferença daqui a dez anos. E para fiscalizar o uso de recursos de educação, é preciso uma Lei de Responsabilidade Educacional, onde haja metas estabelecidas. Não vejo o Governo do PT encarar isso. Com crescimento de renda e pleno emprego, a sensação é positiva. Mas esse é o momento de enfrentar contenciosos. Eu não quero que o Brasil seja o país do pleno emprego de dois salários mínimos. Eu me pergunto: Para que o PT quer um novo mandato? De 2008 para cá deveríamos ter criado um ambiente estável, para tonar-nos mais competitivos. Nós assustamos os investidores. Os próximos quatro anos serão muito duros para o Brasil, e por isso mesmo precisamos de um governo rígido.
FHC tirou esqueletos dos armários. O governo do PT encheu de novo
P. Quando o senhor diz que os próximos quatro anos serão muito duros, passa a sensação de que a recessão está logo ali, virando a esquina. Há quem diga que o Brasil está como a Espanha em 2008, com o governo negando a crise e a crise chegando? O senhor acredita nisso?
R. Acho que em parte, sim. Tenho receio que a marolinha de 2008 vire um tsunami lá na frente. Tenho conversado com muitos agentes econômicos. A situação será dura, não dá para enfrentá-la com paliativos, mas acredito que a chegada do PSDB ao governo permitirá uma reversão de expectativas. O PT veio flexibilizando os pilares da economia e usando instrumentos microeconômicos, como a desoneração tributária, para resolver questões macroeconômicas. Capitalização do BNDES, por exemplo, é via Tesouro. O governo FHC tirou esqueletos dos armários. O governo do PT os enche com novos esqueletos. Aportes no Tesouro passaram de 14 bilhões de reais, há seis anos, para 400 bilhões de reais. Hoje, 400 prefeitos em Minas quase não têm dinheiro para pagar salário. O Governo federal entrava com 56% dos conjunto de investimentos em saúde. Passados dez anos, só entra com 45%. Quem complementa essa conta? Os municípios. O mesmo em segurança pública. A situação é grave, mas o país felizmente tem instituições sólidas. Os últimos fatos (com a prisão dos réus do mensalão) trouxeram um sentimento de que a impunidade não vai prevalecer. Temos imprensa livre, que no que depender de nós, será permanentemente livre. Apesar dos ataques do governo atual, à liberdade de imprensa. Num viés que devemos acompanhar com atenção, pois aproxima setores do PT ao que já assistimos, infelizmente, na Venezuela, e na Argentina. Mas temos democracia sólida, que passou por percalços, afastou um presidente por corrupção, e que prende hoje pessoas que cometeram crimes.
R. A presidência atua para minar credibilidade de instituições de estado. Constrange o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – responsável pela divulgação do PIB – ao antecipar um resultado que não deveria sequer ter ainda. Nós todos comemoramos a revisão do PIB para cima, mas é uma demonstração que o Governo não tem limites de estruturas de estado. São informações de Estado, e não de Governo. Isso tem efeito na economia.
P. O PSDB capitaliza imagem de um partido mais austero, mas, vocês também têm esqueletos no armário da corrupção, com o mensalão mineiro e os escândalos de suborno no metrô em São Paulo. Como vão lidar com isso?
R. O PSDB não tem, em campo algum, medo do debate com o governo. Nem no econômico, nem no social, nem no ético. Por mim, o chamado mensalão mineiro deveria ter sido julgado há muito tempo. Até porque de mensalão não tem nada e o processo vai demonstrar isso. Ali houve financiamento de campanha. E se houve deslize ou crime, (as pessoas) têm de ser punidas exemplarmente e ponto final. Não faço julgamento prévio. Sobre o caso de São Paulo, eu tenho respeito enorme pela conduta ética dos ex-governadores Mário Covas, do José Serra e do (atual) Geraldo Alckmin. Há uma acusação, de um cartel, e se demonstrarem que algum agente político está envolvido, que seja punido. E se tem alguém ligado ao PSDB, que não apareceu até agora, que seja punido também. Diferentemente da reação do PT no caso mensalão, não vamos considerar um crime político quem usou dinheiro público indevidamente.
A situação será dura, não dá para enfrentá-la com paliativos, mas acredito que o PSDB permitirá uma reversão de expectativas
R. A meu ver, não cabe encaminhar um documento adulterado para a Polícia Federal. Queremos que a investigação aconteça, mas algo com uma grosseira falsificação, ser vazado, por quem detinha o documento… Sem que houvesse qualquer operação da polícia. Delegados dizem que receberam informações do Conselho de Administração do Direito Econômico (Cade), e depois de um silêncio de dois dias, o ministro diz que foi ele quem mandou o documento, não acho que seja comportamento adequado. Faltou cautela.
P. Eu vi os documentos (publicados na imprensa). Onde entra a falsificação?
R. Então você deve saber melhor do que eu. Queremos só que a investigação ocorra com isenção. O papel do partido é cobrar que a investigação seja feita. Mas os instrumentos de Estado não podem ser utilizados em defesa de um projeto partidário. Esse processo foi mal conduzido. O que fizemos é dizer: “Alto lá”.
P. A Suíça, semanas atrás, arquivou uma investigação que corria sobre propinas pagas pela Alstom a funcionários de São Paulo, porque o procurador da República, que deveria ter encaminhado os documentos, não os enviou como deveria.
O poeta e cantor Cazuza (1958-1990). Foto: Flavio Colker
Em uma de suas canções mais conhecidas, Ideologia (1988), o cantor Cazuza dizia que seus heróis tinham morrido de overdose. Referia-se a ídolos como Jimi Hendrix, Janis Joplin ou Jim Morrison, todos mortos precocemente pelo uso excessivo de drogas. “Meus heróis morreram de overdose” é uma frase muito forte e verdadeira, mas não para mim. Muitos dos meus “heróis”, pessoas que admirei na vida, que foram modelos de rebeldia, coragem e inteligência, não morreram de overdose. Morreram de Aids. E Cazuza foi um deles.
A Aids entrou na minha vida aos 17 anos, no primeiro ano da faculdade de jornalismo. Era uma época livre, aquela, na Salvador dos anos 1980. Meninos e meninas provavam beijar-se, muitos garotos experimentavam pintar os olhos, a boca. Era proibido proibir. De repente veio a Aids e parou tudo. O Brasil e o mundo retrocederam cem anos em termos sexuais e morais, porque a Aids não era como o câncer, era uma doença que trazia consigo o preconceito; quando surgiu, era anunciada pelos conservadores como um verdadeiro castigo que os céus haviam mandado aos “pecadores”.
Sempre tive muitos amigos homossexuais. Posso dizer, inclusive, que as pessoas que exerceram maior influência intelectual e artística sobre mim são gays. Eu os adoro. E logo a Aids contaminaria um destes amigos queridos, pintor, que morreu, infelizmente, um ou dois anos antes de surgir o coquetel de remédios que mantém o vírus sob controle. Havia tanto desconhecimento sobre a doença neste primeiro momento, que as pessoas tinham medo até de compartilhar talheres e pratos com os infectados. Imaginem que crueldade.
Com o tempo, se foi vendo e informando as pessoas que a Aids não se contagia no vento, tampouco pelo beijo ou pelo abraço, mas sim por relações sexuais sem proteção; pela transfusão de sangue contaminado; pelo compartilhamento de seringas e agulhas; e durante a gravidez e a amamentação (o que já é possível reverter). Nada a ver, portanto, com “pecado”, isso é ignorância pura.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, a Aids ainda é um dos problemas de saúde mais graves em todo o mundo, sobretudo nos países mais pobres. Existem hoje cerca de 35,3 milhões de pessoas infectadas com o vírus –3,34 milhões delas, crianças. O HIV continua a ser o agente infeccioso mais mortífero do planeta: desde que a doença apareceu, calcula-se que 36 milhões de pessoas tenham morrido em decorrência da Aids. No ano passado foram 1,6 milhão.
Neste 1º de dezembro, Dia Mundial de Combate à Aids, quero homenagear todas as vítimas desta doença nas figuras destas pessoas especiais. Alguns dos que aparecem aqui não são homossexuais e foram contaminados de outras formas que não a sexual. O cartunista Henfil e seu irmão Betinho, por exemplo, eram hemofílicos e contraíram o HIV em transfusões. Mas isso não importa. O que importa é que todos eles eram seres humanos incríveis, gênios que foram levados desta vida, a maioria absurdamente cedo, por uma doença brutal. Saúdo todos eles e digo que sinto saudades.
P.S.: Não deixe que a Aids atrapalhe sua liberdade sexual: use camisinha.
(Clicando nos nomes dos meus heróis, você pode ler entrevistas e reportagens que selecionei sobre cada um deles, em texto e em vídeo.)
O filósofo francês Michel Foucault (1926-1984), autor da “História da Sexualidade”. Foto: Bruce Jackson
Entrei no ônibus e eles estavam lá, hipnotizando metade dos passageiros. Pouco depois desci, peguei o metrô e a cena se repetiu: homens e mulheres de todas as idades e jeitos quase todos de corpos curvados, olhando para baixo a passear com seus dedos por espertofones e tablets.de última e não tão última geração. Tem sido assim no mundo todo e a tendência é aumentar e se multiplicar em inúmeras plataformas. Talvez daqui a alguns anos essa gente ganhe corcundas e seus descendentes já nasçam assim, ou talvez voltem a ficar eretas. Vai saber o que pode acontecer.
Mas contrariando as lamentações dos saudosistas essas pessoas curvadas continuam interagindo, talvez até mais, só que com pessoas que não estão ali fisicamente, olho no olho. Isso é bom por alguns lados, afinal as informações navegam mais rapidamente e com menos interferências e, efetivamente, é possível conhecer mais pessoas e posteriormente trazê-las para a vida real. O lado ruim, pelo menos um deles, é que essa virtualidade transforma tudo em imagem, desmaterializa. Imagem não grita, não chora, não revida. Dá pra torcer e retorcer uma imagem.
Um recado direto dos muros do Rio de Janeiro
Essa desumanização, que já acontece no universo muito real do nosso cotidiano – pensem nos invisíveis moradores de rua, por exemplo, ou em minorias que tem negados direitos essenciais -, ganhou novas e absurdas fronteiras no vasto mundo da internet. Agora, acrescente nessa receita pitadas industriais de machismo e o resultado são suicídios, traumas, famílias em pedaços.
Nesta semana, um garoto menor de idade de Manaus publicou no Facebook um vídeo curto de uma singela orgia de três caras e uma garota. Nada errado no ato em si. Sexo é divertido, é saudável, é massa. Sendo consentido por ambas as partes, claro. Mas aí no final do vídeo a garota percebe o celular e pergunta: “Você não tá tirando fotos, né?”. Não, ele estava filmando mesmo e depois publicou na rede social. Antes ser tirado do ar, o vídeo já possuía mais de 2000 compartilhamentos e a maioria dos comentários reprovava o comportamento da garota. Poucos falavam da atitude cretina do garoto de postar o vídeo.
Até onde sei, a garota de Manaus tirou de letra os insultos machistas de homens e mulheres. Não aconteceu o mesmo com Giana Laura Fabi (16 anos, Veranópolis, RS) e Julia Rebeca (17 anos, Parnaíba, PI). Ambas foram vítimas de vídeos compartilhados em espertofones pelo programa Whatsapp e não aguentaram os julgamentos, os insultos, a vergonha. No Twitter, Giana escreveu “Hoje de tarde dou um jeito nisso. Não vou ser mais estorvo pra ninguém”, enquanto Júlia disse que “É daqui a pouco que tudo acaba. Eu te amo. Desculpe não ser a filha perfeita, mas eu tentei… desculpa, desculpa, eu te amo muito. Eu tô com medo mas acho que é tchau pra sempre”. As duas suicidaram. Outra vítima no Whatsapp, a goiana Fran, não se matou, mas “morreu em vida”.
Para esses machinhos exibicionistas que jogaram os vídeos na rede – e para todos e todas que compartilharam – essas garotas não passam de carne, de imagem de carne. E a intimidade tem que ser compartilhada para risos, escárnios e ofensas. Se algo sair do controle sempre é possível apelar para um “fui mal interpretado(a)”, “era só uma piada” ou “não achei que fosse acabar desse jeito”, como qualquer Danilo Gentili ou Rafinha Bastos da vida boçal.
Claro que machismo, intolerância, ignorância e espírito de linchamento não são invenções da internet. São coisas que andam dentro da gente desde que tivemos a brilhante ideia de descer das árvores. Mas essa geração escoliose e seus espertofones conectados deram velocidade a um certo vazio ético. Quem está errado é quem compartilha intimidades sem consentimento. Não quem faz ou gosta de sexo. E muito menos meninas tão jovens que só estão descobrindo e experimentando do mesmo modo que os meninos. “Nossa sociedade costuma julgar as mulheres. É como se o sexo denegrisse a honra delas”, disse o deputado federal Romário, que apresentou no fim de outubro ao Congresso um projeto de lei que transforma em crime a divulgação indevida de material íntimo.
Enquanto isso, enquanto essa geração de tortos afetivos não levantar os olhos de seus espertofones para ver o quanto de sentimentos, sonhos e desejos estão ao seu redor e lá também, dentro de seus aparelhinhos, todos serão culpados por histórias tristes como as de Giana, Júlia e Fran. Porque uma imagem é sempre mais que imagem, sexo é ótimo e respeito é pra quem tem. Simples assim.
Como uma espécie de “Highlander” da política, a prefeita de Mossoró (RN), Cláudia Regina (DEM), teve o mandato cassado dez vezes pela Justiça Eleitoral somente neste ano, mas vem se mantendo no cargo.
A última decisão contra a prefeita apontou prática de caixa dois na campanha de 2012. A exemplo do que ocorre nos demais processos, ela recorre da decisão –sem deixar o posto. As outras cassações se deram por abuso de poder econômico e político.
As acusações incluem o uso de servidores da prefeitura na campanha e o suposto benefício obtido com as 85 visitas a Mossoró da governadora Rosalba Ciarlini (DEM) durante o período eleitoral, feitas em avião do governo.
Cláudia Regina e seu vice, Wellington de Carvalho (PMDB), chegaram a ser afastados dos cargos por três vezes, mas conseguiram recuperar os respectivos mandatos por meio de liminares (decisões provisórias).
Hoje, respondem a sete ações no Tribunal Regional Eleitoral do RN.
O Ministério Público já deu parecer sobre todas as ações que estão no TRE. “Em apenas um dos casos a Procuradoria foi contra a cassação”, disse o procurador regional eleitoral, Paulo Duarte.
A maior parte das acusações contra a prefeita partiu da coligação que enfrentou Cláudia Regina em 2012, que reúne siglas como PSB e PT.
Mossoró é a segunda maior cidade do Rio Grande do Norte. Localizada a 277 km de Natal, é também base de vários líderes políticos do Estado –como a própria governadora, Rosalba, que administrou a cidade por três mandatos.
OUTRO LADO
Segundo o advogado de Cláudia Regina, Sanderson Mafra, várias ações contra ela partem de acusações semelhantes; por isso, tantas condenações. Mafra diz que a prefeita é inocente de todas elas.
Sobre o uso do avião pela governadora, disse que Rosalba Ciarlini cumpriu agenda oficial. Com relação à participação de servidores na campanha da prefeita, afirmou que todos estavam de folga quando participaram de atividades eleitorais.
Por Cristiano Aguiar Lopes em 26/11/2013 na edição 774
Observatório da Imprensa:
Da mídia alternativa, ou progressista, ou independente, ou não alinhada, ou seja lá o que for, esperamos algo diferente da mídia tradicional. Que seja mais crítica, inteligente, independente, ousada. Mas na recente cobertura de um fato central do escândalo batizado pela grande mídia como “mensalão” – a participação do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, no desvio de verbas do Fundo Visanet – o que observamos foi o mais do mesmo. Em matéria de 18 de novembro de 2013 (“Pizzolato revela na Itália dossiê que embaraça julgamento de Barbosa“) publicada pelo Correio do Brasil e reproduzida no Viomundo (ver aqui), o que vemos são os velhos instrumentos da grande mídia em toda a sua plenitude: sensacionalismo, tendenciosidade, desleixo na apuração de fatos, entre outros pecados mortais.
A matéria do Correio do Brasil, assinada pelo famoso “Da Redação”, manda uma bomba logo no seu início: “O pior pesadelo do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa (…) começa a se transformar em realidade”. O tal pesadelo seria um relatório de aproximadamente mil páginas que apresentaria provas de que o dinheiro que deu origem à Ação Penal 470 no STF era de uma empresa privada, e não de um ente público, como supostamente afirmaria o voto de Joaquim Barbosa. Logo de cara, um desleixo inacreditável: o ex-diretor do Banco do Brasil é apresentado na matéria como “Francisco Pizzolato”.
Seriam, portanto, mil páginas para tentar colocar de pé novamente um argumento que já havia sido derrubado ao longo da tramitação da Ação Penal 470. A defesa de Henrique Pizzolato alegou exatamente que os R$ 73,8 milhões retirados do fundo Visanet e transferidos para a DNA Propaganda de Marcos Valério teriam natureza privada. Foi por mero dever de ofício. Um simples telefonema para um estudante de Direito minimamente informado e os jornalistas responsáveis pela matéria descobririam que o tipo penal “peculato” – pelo qual, entre outros, Pizzolato foi condenado – incide quando verbas públicas ou privadas de que tem posse o autor são desviadas ou apropriadas. O que define o crime é se essa transferência indevida ocorreu “em razão do cargo”. O mesmo estudante de Direito iria enfatizar que o artigo 312 do Código Penal define como crime de peculato “apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio”.
Sem compromisso
Depois de errar o nome do principal personagem da história e de se esquecer de consultar a lei, o Correio do Brasil sapeca outra impropriedade: para enfatizar o caráter privado do fundo Visanet, afirma que o seu maior acionista é o Bradesco, sem apresentar qualquer dado concreto que comprove tal afirmação. O mais importante para o leitor seria receber informações sobre como era constituído exatamente este fundo e qual era participação do Banco do Brasil no seu capital. Como não o fizeram os atores da matéria, faço eu.
O Fundo de Incentivo Visanet foi constituído por três grupos distintos no Brasil: o Banco do Brasil, o Bradesco e um conglomerado de diversos outros titulares minoritários que, juntos, detêm a maior fatia do bolo. Os recursos desse fundo deveriam ser utilizados nas atividades de seus acionistas na promoção de cartões de crédito da bandeira Visa. No período em que houve as retiradas de recursos pelas quais Henrique Pizzolato foi condenado, o Banco do Brasil detinha 32,03% de participação sobre o capital do Fundo Visanet. Individualmente, portanto, era o BB, e não o Bradesco, seu maior acionista.
A matéria também ressalta a existência de uma carta, que teria sido escrita pelo supostamente “tucano” Antonio Luiz Rios, ex-presidente da Visanet, dirigida aos peritos da Polícia Federal e que haveria, teoricamente, influenciado as perícias, a denúncia da Procuradoria Geral de República (PGR) e até mesmo a opinião dos ministros do STF. Aí, bastaria ao jornalista apelar para o bom senso. Uma carta? Como assim? Escrita espontaneamente, e com poder tal de persuasão que influenciaria perícia, PGR e a maioria dos ministros do STF?
Mais uma vez, não foi exatamente o que aconteceu. Na verdade, o Instituto de Criminalística solicitou à Visanet informações sobre a natureza de suas operações e sobre seu relacionamento com a DNA Propaganda. Em resposta, a entidade enviou um ofício ao Instituto de Criminalística no qual detalhava os seus mecanismos de atuação nas ações de marketing dos cartões da bandeira Visa. Foi esta informação prestada em caráter oficial, na qual se explicitava que cabia a cada banco acionista planejar e executar suas próprias ações de propaganda de seus cartões Visa, que guiou os trabalhos da perícia e que ajudou a embasar a opinião dos ministros do STF.
Matérias desse tipo, com tamanha desonestidade intelectual, atrapalham enormemente a atividade da mídia independente. Contribuem para ferir de morte a credibilidade da mídia não tradicional. Vestem-se de um chapa-branquismo caricato e de uma ingenuidade que beira o conspiracionismo. Esse sim é o pior pesadelo, não do presidente do STF, mas de todos os que defendem a pluralidade de informação: que mídia tradicional e mídia independente terminem por se igualar na falta de compromisso com a verdade.
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Cristiano Aguiar Lopes é jornalista, mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília e consultor legislativo da Câmara dos Deputados.
No outro extremo, para as situações mais corriqueiras, a melhor solução parece ser juntar tudo o que se conhece hoje em termos de veículos voadores e construir um híbrido que pouse em qualquer lugar, inclusive na água.
Tornar as viagens aéreas mais eficientes, mais baratas e mais sustentáveis é oobjetivo que está sendo perseguido pelo projeto ESTOLAS (Extremely Short Take Off and Landing on Any Surface – pouso e decolagem extremamente curtos em qualquer superfície).
Segundo os idealizadores do projeto, esta será uma das reviravoltas mais radicais na história da aviação.
O projeto ESTOLAS pretende desenvolver um veículo voador híbrido que combine as melhores características de um avião, um hidroavião, um helicóptero, um aerodeslizador (hovercraft) e um dirigível.
O resultado é um desenho mais curto do que o tradicional tubo com asas dos aviões atuais e mais achatado dos que os helicópteros. Na verdade, sua seção central é um disco – eventualmente, um “disco voador”.
Os aviões híbridos poderão simplesmente dispensar a construção de aeroportos. [Imagem: ESTOLAS Project]
Avião sem aeroporto
Além das turbinas ou turbo-hélices, o ESTOLAS terá um rotor como um helicóptero, embutido em sua fuselagem.
Dos dirigíveis, ele herdará os depósitos de hélio, usados para obter uma sustentação extra.
A aeronave terá ainda um sistema gerador de um colchão de ar, como os aerodeslizadores, para pousar em pistas não pavimentadas, esquis para pousar na neve e um desenho adequado para pousar na água, como os hidroaviões.
“A nova aeronave terá inúmeras vantagens,” garante o coordenador do projeto, Alexander Gamaleyev, da Universidade Técnica Riga, na Letônia.
O pouso e a decolagem exigirão pistas de apenas 175 metros para a versão superpesada do projeto ESTOLAS, e meros 75 metros para a versão menor – serão quatro versões, denominadas pequena, média, pesada e superpesada.
Segundo Gamaleyev, qualquer modelo poderá pousar e decolar em pistas asfaltadas, campo, pântano, mar, rio, lago ou neve.
Isso significa que os aviões híbridos poderão simplesmente dispensar a construção de aeroportos, atendendo virtualmente qualquer localidade que possua alguma superfície plana.
Os índices de carga serão de 1,5 a 2 vezes maiores que os aviões a jato ou hélices convencionais, o que significa que o custo do transporte aéreo poderá rivalizar com o transporte ferroviário, segundo Gamaleyev.
Até Abril de 2014 os pesquisadores planejam ter pronto um modelo, também em escala reduzida, mas funcional, que possa voar por controle remoto. [Imagem: ESTOLAS Project]
Da prancheta para a prática
Agora que o projeto está pronto, está em andamento a construção de um modelo em escala que possa ser testado em túnel de vento.
Até Abril de 2014, os pesquisadores planejam ter pronto um modelo, também em escala reduzida, mas funcional, que possa voar por controle remoto.
As etapas finais do projeto, segundo o Dr. Gamaleyev, vão incluir o desenvolvimento de um plano de negócios para ajudar a mover o projeto ESTOLAS da prancheta e dos testes de laboratório para a viabilidade comercial.
Como isso será feito ainda não está claro, mas as opções consideradas incluem o estabelecimento de joint-ventures com parceiros industriais, o licenciamento do projeto ou a atração de capital de risco para a construção dos primeiros
Apenas o nome do projeto – ESTOLAS – não soa muito promissor, ao menos em português: estolar é a perda da sustentação de uma aeronave por velocidade insuficiente para mantê-la no ar.
Globonews e seus “especialistas” debocham de trabalho científico
Globonews
Emissora debocha de trabalho científico
Por Marco Antonio Leonel Caetano
Observatório da Imprensa
Histórico
Sou professor, com doutoramento em Engenharia Aeronáutica pelo ITA-São José dos Campos, e tenho minhas pesquisas pautadas no modelamento de vários fenômenos da natureza. Já trabalhei e publiquei em revistas internacionais especializadas na área aeroespacial, em medicina com modelos de tratamentos contra o HIV, com modelos da dengue, com modelos sobre aquecimento global e, nos últimos 15 anos, com modelo para estudo de crash financeiro. Esse estudo de 15 anos sobre como acontecem os crashes partiu de um modelo do professor Didier Sornette que, com suas pesquisas, publicou o livro Why Stock Markets Crash.
A seriedade do estudo de Sornette lhe valeu grandes referências, sendo coordenador de um centro para estudo de crises no ETH-Zurich, o mesmo instituto de Einstein. Sornette também já foi diretor da Sociedade Suíça de Finanças. O modelo de Sornette se norteia na utilização e adaptação de modelos para previsão de terremotos, tentando enxergar um crash financeiro como um terremoto. Mas o equacionamento do professor Sornette tem alguns problemas técnicos do ponto de vista matemático.
Com base nesse estudo eu, juntamente com o professor doutor Takashi Yoneyama, do ITA, adaptamos o estudo de Sornette e enxergamos que, ao invés de usar um modelo próprio de terremoto, poderíamos usar espectro de frequências para tentar visualizar como era o comportamento do mercado durante uma crise. Funciona como um celular à procura de uma antena para seu sinal. Quanto mais próximo da fonte, mais o alerta vai ficando forte, sempre com valores oscilando entre zero e um.
Publicamos esse estudo diversas vezes pela Elsevier, na revista internacional Physica-A, com inúmeros testes estatísticos solicitados pelos revisores. Não se publica um artigo científico sem que os pares de revisores estejam satisfeitos em suas exigências, principalmente estatísticas. O artigo original e seminal de nosso estudo foi o seguinte:
Muitas publicações se seguiram em outras revistas e congressos internacionais, até elaborarmos um índice que pudesse computar entre zero e um, um alerta que leigos no assunto pudessem entender. O segundo artigo foi esse:
E foi desse artigo que nasceu o IMA – Índice de Mudanças Abruptas, para fazer alertas de fortes crashes e de possíveis bons momentos de compras para os investidores.
Previsões sobre o mercado
Em 2007, quando a economia estava bastante favorável aos negócios, começamos a alertar, através de entrevistas, sobre uma possível virada forte no mercado usando o IMA. Em dezembro de 2007, o Valor Econômico publicou com destaque nosso alerta no “EU & Investimentos”, numa excelente matéria sobre o IMA, assinada pela jornalista Adriana Cotias.
Em fevereiro de 2008, o jornal publicou outro alerta, indicando que a crise estava se aproximando, quando ninguém ainda cogitava de falências como as do Leman & Brothers nos EUA. Já se comentavam as hipotecas, mas ninguém falava em datas ou quando isso ocorreria.
Desde então, em 2009, em 2010 e em 2011, tanto o Valor quanto outros jornais, começaram a nos entrevistar sobre as mudanças no mercado. Foi então que decidimos criar um site, o “Mudanças Abruptas“.
O site Mudanças Abruptas
O site “Mudanças Abruptas” tem o intuito de divulgar ciência, educação, exercícios, trabalhos de alunos e ex-alunos e colunas com professores. Não somente o mercado é abordado, mas tudo que está relacionado com matemática e computação é abordado no site. Todos os materiais são próprios e não existe cópia de outros sites, pois todos os estudos e programas foram desenvolvidos por mim, que sou professor de computação há quase 25 anos.
Sempre preocupado em fazer as pessoas acreditarem em ciência, disponibilizo links para livros, sites interessantes, planilhas de outros estudantes e estudos de outros professores para motivar o uso da computação e matemática.
A partir deste ano, começamos a cobrar pelo acesso de assinantes ao IMA, com intervalo de 15 minutos ao sinal da Bovespa. Além do Ibovespa, o assinante tem acesso ao IMA relacionado a outras 10 ações. A cada 15 minutos alertas são emitidos (ou não, dependendo do mercado) sobre crashes ou oportunidades de investimentos. Essa é a única área cobrada, pois diversos fundos de investimentos usam o IMA para fazer lucro grande com o dinheiro dos clientes.
O livro
Com citações em artigos pelo mundo afora, chineses começaram a replicar e reproduzir meu trabalho para a bolsa de valores Hang Seng. Decidi então escrever um livro, dividido em cinco partes, para que o leitor leigo no mercado fosse crescendo no interesse à medida que lia os capítulos.
A parte 1 conta as crises desde a “crise das tulipas” na Holanda, de 1907, a crise de 1929 e assim por diante até o flash crash de 2010. Depois, na segunda parte, mostro onde os modelos atuais falham. Na parte 3, como usar estatística no mercado. Na parte 4, como a matemática e novos algoritmos de computação poderiam ser melhores utilizados. E, por fim, como funciona meu método e como é o IMA onde acerta e onde erra.
O livro foi lançado pela editora Érica-Saraiva com o nome Mudanças Abruptas no Mercado Financeiro e pode ser conferido aqui. O livro é acadêmico, científico e de mercado, visto que dados reais são apresentados nos exemplos em todos os capítulos. A revisão do livro foi feita por quatro reconhecidos revisores que eu e a editora selecionamos, com PhD no exterior nas áreas de Engenharia, Economia, Finanças e Física. Depois de suas correções e crivo, publicamos o texto.
O problema com a Globo News
Nossa assessora de imprensa distribuiu em seus links uma pauta para quem tivesse interesse em saber detalhes de como o IMA funciona no mercado. A Globo News manteve contato, com interesse na matéria, a ser apresentada no programa Conta Corrente, com o âncora Dony de Nuccio e o professor Samy Dana, da FGV. A matéria levou duas horas de filmagens e praticamente uma aula particular com a repórter Carla Lopes, que não era muito íntima na área de mercados. Ela compilou tudo em três minutos e conseguiu, por fim, fazer uma boa matéria, incluindo assinante do site, algumas palavras comigo explicando o procedimento e algumas imagens.
Então, os outros três minutos, o âncora e o professor da FGV desfizeram da matéria logo de início, com sorrisos de deboche. Ilustraram contra exemplos, todos errados, a respeito de dados passados, destratando o que eu tinha dito na matéria. Fizeram analogia com gato jogando bolinhas aleatórias e que tinha mais chance de acertar do que os investidores. Fizeram analogias sobre o polvo da Copa do Mundo de futebol. O professor da FGV disse que ninguém venderia ou compraria algo tão bom se esse algo não fosse bom de verdade. Não disse explicitamente sobre o IMA, mas somos todos bem adultos para perceber esse jargão do mercado. Sim, no mercado, quando os analistas querem desfazer o trabalho dos outros fazem duas perguntas: 1- Quanto você já ganhou?; 2- Se é tão bom, por que está vendendo?
Esse tipo de hipocrisia é clássico de analista de mercado. Quem é da área conhece essa abordagem. E foi isso que Samy fez e que, para quem não é do mercado parece não dizer nada, mas para quem é, é um deboche autêntico. Eu sou do mercado e da ciência, por isso entendi o recado dele.
Mas para terminar, não contente em desfazer todo meu trabalho e do professor doutor Takashi Yoneyama, o professor Samy da FGV ainda termina dizendo: “É uma anedota, … é ainda anedótico…”
Contatos não respondidos
Escrevi para o professor Samy Dana perguntando por que, antes de falar mal, não tinha lido algo sobre mim, sobre meu trabalho e do professor Takashi Yoneyama nos últimos 15 anos. Perguntei a ele por que desfazer de um trabalho que ele não conhecia e que ele não tinha chance de entender? A matemática existente lá no meu método é pesada e baseada em teoremas.
A resposta foi: silêncio.
Escrevi para o editor do programa Conta Corrente, com os mesmos argumentos, com as mesmas questões levantadas. Resposta: silêncio.
Percebi nas redes sociais que o editor é recém-formado e logo concluí que nunca ele teria coragem de confrontar o professor Samy para desfazer a covardia que fizeram sobre a matéria.
Escrevi para um ex-integrante do antigo programa Conta Corrente, o comentarista George Vidor. Uma pessoa muito gentil que transferiu meu e-mail para um editor da Globo News. Resposta: silêncio.
Por último, escrevi para o editor-chefe da Globo News, João Carvalho Neto, que respondeu que estava aberto a reclamações. Quando escrevi sobre os problemas na matéria a resposta foi: silêncio.
Insisti uma semana depois, se ele tinha recebido e o que ele tinha a respeito do ocorrido. A resposta foi essa:
Em suas próprias palavras, o editor diz: “Não podemos responder pelos comentários … de nossos comentaristas, que são independentes…”
Questões ao Observatório da Imprensa
Eu não solicitei a reportagem, não pedi a entrevista. Lançamos a ideia e eles se interessaram pelo assunto. Se não quisessem, não precisavam vir, perder meu tempo fazendo uma matéria que para eles seria “anedota”. Não preciso disso em minha carreira.
Seriam os revisores da Elsevier anedóticos? Eles publicariam algo que não tivesse um fundo de verdade? A editora Érica-Saraiva, reconhecida por suas produções no meio acadêmico, publicaria algo “anedótico”? Ou será que MEC, CNPq e Fapesp, dos quais sou assessor ad hoc, seriam “anedóticos” ao solicitar meus serviços de revisão de projetos? E os 5 mil alunos que já passaram por meu quadro negro? Eles assistiram a aulas de alguém que gosta de anedota?
(1) Por que a Globo News fez a matéria, se aparentemente o editor selecionou pontos “alvos” para o âncora e comentarista criticarem de forma “vulgar”? A gravação tinha muitas explicações, simulações do computador que expliquei para a repórter, mas tudo foi para o lixo.
(2) Está correto sobre a independência do comentarista. Mas até onde vai a liberdade sobre atingir pessoas que não podem rebater em “tempo real”?
(3) Como um programa não tem responsabilidades, se o comentarista não é um convidado, e sim, um colaborador semanal? Se o programa foi gravado por toda equipe, incluindo o editor, dentro das quatro paredes da emissora, quem tem responsabilidades? Qual é o limite?
(4) Por que não dar o direito de resposta imediato, ou então, chamar para um bate-papo junto com o comentarista, logo depois da matéria ter ido ao ar? É justo os personagens da reportagem ficarem de fora do debate ao vivo?
(5) Por que se eximir das responsabilidades de atingir quem não consegue nem mesmo contato?
(6) Não seria mais honesto a emissora ter um canal aberto ao público para trocar informações de como andam as reclamações? Por exemplo, para qualquer comentário no Conta Corrente é necessário preencher um cadastro e enviar uma mensagem – que não se sabe para quem ou para onde, que decide ou se vai para a lixeira ou não. Já escrevi algumas vezes sem resposta.
Posso estar errado em meu entendimento e pronto para aceitar a recusa de qualquer comentário a respeito deste caso. Mas na minha índole e formação acadêmica, bem como pai e filho que sempre viveu dentro dos direitos e da ética do respeito para com os outros, creio que o âncora, o comentarista, os editores e o canal Globo News como um todo passaram dos limites do profissionalismo.
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Marco Antonio Leonel Caetano é professor de Engenharia Aeronáutica do ITA (São José dos Campos, SP
Petroleiros promovem um “Black Friday” de protesto
Nesta sexta-feira (29/11), o Sindipetro-RJ e ativistas dos movimentos sociais, realizaram um escracho em praça pública no Rio de Janeiro contra discriminações aos aposentados e contra o leilão de petróleo
O protesto foi em defesa dos petroleiros aposentados, pensionistas e anistiados da Petrobrás, que, segundo denúncia dos dirigentes do Sindipetro-RJ, estão sendo discriminados pela empresa nos sucessivos Acordos Coletivos de Trabalhos (ACT).
O ato, que foi na esquina da rua São José com a Avenida Rio Branco, Centro do Rio, ganhou um tempero a mais, pois se realizou nesta sexta-feira (ou na “Black Friday”, segundo o mercado no Brasil – uma cópia do que é realizado nos Estados Unidos). Os diversos discursos destacaram que o Governo Dilma realizou um Black Friday (ou liquidação) com as nossas áreas exploratórias no 12º Leilão da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que foi concluído nesta sexta-feira com a concessão de áreas exploratórias de gás de xisto, de alto potencial de contaminação ao meio ambiente, à saúde humana e animal.
Os ativistas distribuíram um manifesto com várias denúncias contra a presidente da Petrobrás, Maria das Graças Foster; da diretora da ANP, Magda Chambriard; e incisivas críticas à presidente Dilma Rousseff, que foi acusada de ser uma fraude eleitoral, uma vez que fez o 1º Leilão do Pré-sal, quando em plena eleições de 2010 dizia que leiloar o pré-sal “é crime” contra o país. Agora, Dilma fez o 12º Leilão de Petróleo, muito criticado pelos riscos ao meio ambiente com a utilização da técnica de fracking (fratura de rochas).
O diretor do Sindipetro-RJ, Emanuel Cancella, em seu discurso informou ao público que vários escrachos serão realizados todas sexta-feira, em diversas praças públicas, no Rio de Janeiro. Os escrachos têm como objetivo denunciar as discriminações praticadas pela Petrobrás contra os aposentados, pensionistas e anistiados. Tal prática da empresa perdura por 17 anos, sublinhou Cancella. Os escrachos têm ainda em pauta denúncias contra o processo de privatização do Governo Dilma.
O petroleiro anistiado político e diretor do Sindipetro-RJ, Francisco Soriano, leu para o público o manifesto, e que foi distribuído para a população. Ele disse que “o leilão de Libra foi um crime contra o Brasil. Entregamos no leilão da ANP um campo que tem capacidade de produzir cerca de 15 bilhões de barris de petróleo, e que vale cerca de US$ 15 trilhões. No leilão da ANP, Libra foi vendido ao correspondente a um dólar por barril”.
O diretor do Sindipetro-RJ, Edison Munhoz, destacou que esses leilões de petróleo, as privatizações, entre outras medidas, são práticas que visam atender à máquina do capitalismo contemporâneo, que espalha miséria e sofrimento pelo mundo. Lembrou de lideranças, como Leonel Brizola, que destacavam que o Brasil, infelizmente, tem tido uma política do “toma lá dá cá” com o nosso patrimônio público. Ele disse que o leilão de xisto, concluído nesta sexta-feira, é um crime contra a vida humana e o meio ambiente.
Para a diretora do Sindipetro-RJ, Fabíola Mônica, o leilão do gás de xisto “é contra a vida e meio ambiente”, pois as reservas desse tipo de gás estão abaixo dos aquíferos, e destacou o Guarani.
Médicos fazem exames e surpreendem pacientes e profissionais
O Dia/Christina Nascimento
Rio – É quase impossível não estranhar quando se ouve de Julio Cesar Nunez Naranjo, 46 anos, o valor que recebe por mês em Cuba. “Cerca de 30 dólares (quase R$ 70). É uma boa remuneração”, diz o médico, em um compreensível ‘portunhol’, após atender uma mãe e um bebê no Centro Municipal de Saúde de Vila do Céu, em Campo Grande. Mas a relação com o dinheiro não é a única diferença na comparação com os médicos brasileiros.
A chegada dele à unidade já provocou mudança no comportamento de outros profissionais. E a explicação está na formação acadêmica: a medicina cubana incentiva laços mais estreitos com os pacientes. “Os médicos que vêm de fora colhem material para preventivo. Alguns não faziam isso. Mandavam sempre a enfermeira. Já ouvi muitos dizendo que agora vão fazer o procedimento”, conta uma funcionária da unidade.
A sensação térmica em Vila do Céu era de 40 graus na quinta-feira, quando Julio recebeu O DIA no consultório. Do bolso, ele tira um lenço para enxugar o suor no rosto. Apesar do ar condicionado, o calor é quase insuportável. Uma realidade que não assusta quem tem no currículo experiências no Haiti, onde o atendimento era feito em postos sem ventilação ou qualquer iluminação.
Julio Cesar Naranjo, 46 anos, deixou para trás dois filhos e tem pela frente o desafio de atender 4 mil pessoasFoto: Divulgação
“Achei que iria encontrar um cenário no Rio muito pior do que realmente é. Vi que tem estrutura e a equipe é dedicada. É possível fazer um bom trabalho”, avalia ele, que deixou dois filhos na ilha de Fidel. “Um deles será médico”, diz, orgulhoso. Por aqui, o trabalho na comunidade de 29 mil habitantes será exaustivo. No hospital onde atuava em Cuba, ele tinha sob sua atenção 1,2 mil pessoas. Em Vila do Céu, serão 4 mil. Pacientes como a pequena Mariana Cadena, de 6 meses, estão na lista de atendimento. Enquanto mama, sua mãe, a camelô Raquel Cadena, 38, diz estar esperançosa.
Pacientes aprovam atendimentoFoto: Divulgação
“Ficamos quase dois meses sem o médico de família. A ajuda vinha da enfermeira, que acompanhava o peso da neném. Estava preocupada com o desenvolvimento dela”, avalia Raquel. A mãe disse não se importar com a consulta auxiliada por uma enfermeira tradutora. “Quero alguém para me atender. Não importa de onde venha”.
Dos R$ 10 mil que o governo brasileiro vai passar para a Organização Pan-Americana de Saúde, referentes ao trabalho dos cubanos, Julio e sua família vão ficar com cerca de R$ 2,3 mil. O restante é retido por Cuba, que durante os três anos que os médicos vão ficar aqui continuará depositando o salário deles. “O que vai para lá será reinvestido na área de saúde. Não é para mim. É para todo mundo”, explica Julio, sem se mostrar incomodado.
Cidade que mais avançou
A chegada de 70 médicos estrangeiros, sendo 65 vindos de Cuba, vai elevar o Rio ao patamar de cidade que mais avançou a curto prazo em cobertura de saúde da família. A partir de amanhã, o cadastro de controle da Secretaria Municipal de Saúde passa a registrar mais 300 mil cariocas com atendimento monitorado pelo programa. Com isso, serão, no total, 2,83 milhões de pessoas monitoradas pelos postos de saúde e Clínicas da Família. Com o reforço vindo de outros países, esse percentual vai saltar dos atuais 41% para 45%.
Até o momento, a prefeitura não tem registro de problemas com médicos estrangeiros. Pelo contrário. A aceitação tem superado as expectativas. Acostumada a atender em localidades de extrema miséria, em países como Honduras e Bolívia, Leonor Maria Pérez, 48, acha que a profissão é uma atividade humanitária. “Todo médico deveria trabalhar em regiões carentes. A gente estuda é para isso, para ajudar as pessoas”.
Medo da violência noticiada
A rotina no Rio é parecida com a de Cuba. São 40 horas por semana, mas lá os médicos trabalham quatro horas todos os sábados. Assim como o colega que atua em Vila do Céu, José Manuel Anaya, 45, que trabalha no Centro de Saúde de Inhoaíba, passou pela Venezuela. Também esteve em Gana antes de vir para o Brasil.
No Rio, admite ter medo da violência: “Vejo nos jornais que aqui tem três, quatro mortos por dia. Por isso, estou sempre atento”, afirma o cubano, que ainda não teve tempo para conhecer pontos turísticos da cidade.
Tal como a palavra “terrorista” teve sua função de massacrar, humilhar, perseguir e até matar na ditadura militar, hoje se usa a palavra “mensaleiro”,sendo que os interesses americanos são os mesmos, a elite é a mesma, parte do povo desinformado é o mesmo e os presos politicos são os mesmos:
Bullying é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva por pessoa ou grupo contra outra pessoa ou grupo.
Não é o que a imprensa está fazendo com Dirceu, Genoíno & Cia, mas especialmente os dois primeiros?
Não basta que estejam presos. Eles são humilhados. Doença, menosprezada. Anúncio do emprego de Dirceu, ridicularizado. Direitos, tratados como mordomia. Sofrimento, recebido com alegria, satisfação e zombaria. Isso todos os dias as 24 horas do dia.
A todo instante a incitação ao linchamento moral, que, no caso da Papuda, pode se transformar em linchamento físico (já se anuncia aqui e ali uma “insatisfação dos demais presos” com supostas “regalias” ao grupo). Parece ser o que desejam. A pena de morte.
O protesto nas universidades por um no ensino da economia
A forma como se ensina economia nas universidades é anacrônica e está “presa numa cápsula do tempo”. Por Helena Oliveira, Jornal de Negócios (Portugal)
Por Helena Oliveira, Jornal de Negócios (Portugal)
Até aqui, poderia ser chamada como uma “revolução silenciosa”. Um pouco por todo o mundo, grupos de estudantes de economia estão a organizar-se e a erguer a sua voz exigindo uma reforma nos programas curriculares da disciplina. Questionando a hegemonia da teoria neoclássica, a excessiva utilização dos modelos matemáticos e a desconexão entre “economia” e questões econômicas reais, os estudantes em causa, apoiados por um número crescente de acadêmicos e economistas de referência, divisaram estratégias variadas de ação e estão a começar a atingir sucessos reais. Depois de manifestos, movimentos e conferências, os media começaram a cobrir este grito de reforma e já há muita gente que o escuta, regista as suas frustrações e se prepara para agir. O VER conta a história de uma nova “Nova Economia” que, finalmente, parece estar a dar os primeiros passos em muitas instituições de ensino de referência.
“Se desejam enforcar alguém por causa da crise, enforquem-me a mim, e aos meus colegas economistas”. A frase, indubitavelmente surpreendente, foi proferida por uma economista e acadêmica de Cambridge, Victoria Bateman, e deixou profundamente incomodados os demais acadêmicos e economistas reunidos, no final do mês de Outubro, numa conferência que teve lugar em Downing College, Cambridge, a propósito da crise econômica.
No seu novo livro, Never Let a Serious Crisis Go to Waste, o economista norte-americano Philip Mirowsky conta a história de um colega seu, professor na Universidade de Notre Dame, ao qual foi pedido, pelos seus alunos, que fizesse um debate sobre a crise financeira. Dado que corria o ano de 2009 e o mundo financeiro estava a colapsar aos olhos de todos, os alunos pensaram que este seria um excelente tema para ser debatido na aula de macroeconomia. A resposta do professor: “Os estudantes foram laconicamente informados que o tema não constava do conteúdo programático da disciplina, nem era mencionado na bibliografia afixada e que, por isso, o professor não pretendia divergir da lição que estava planeada. E foi o que fez”.
Num artigo publicado no The New York Times, e também em 2009, o laureado com o Nobel da Economia e também professor em Princeton, Paul Krugman, escrevia: “tal como eu a vejo, a profissão de economista sofreu um profundo desaire porque os economistas, enquanto grupo, confundiram a beleza e a sofisticação da matemática com a verdade”.
O que têm estas três histórias em comum? À primeira vista, uma recusa em acreditar que o mundo mudou, que as lições decorrentes da crise financeira não foram debatidas, ou estudadas, e que a economia continua a ser uma disciplina que ignora as evidências empíricas que contradizem as teorias mainstream que, até agora, fazem parte dos seus conteúdos pragmáticos.
E é contra esta recusa cega e teimosamente persistente que muitos estudantes de economia, de diversas universidades e de vários cantos do mundo, se estão a organizar em movimentos estudantis, a angariar apoio acadêmico no geral, e de muitos economistas de renome em particular, e a publicar manifestos nos quais exigem que o estudo da economia reflita o mundo pós-Grande Recessão e que os modelos que sustentam a disciplina sejam mais pluralistas e menos dogmáticos.
Contra o autismo econômico A 6 de Abril último, um grupo de estudantes da École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS), uma das mais reconhecidas instituição de ensino de ciências sociais em França, realizou uma assembleia geral para discutir alternativas à ortodoxia corrente que caracteriza o ensino da economia no século XXI. Em Setembro do ano passado, mais de 400 estudantes alemães participaram num “evento de alternativa pluralista” organizado pela Associação Econômica Alemã, com o objetivo de debaterem, num fórum organizado para o efeito, ideias econômicas fora do âmbito mainstream. Em finais de Junho do corrente ano, estudantes, acadêmicos, profissionais e cidadãos juntaram-se em Londres para repensar a economia e o seu ensino enquanto disciplina na denominada Rethinking Economics Conference.
Estes são apenas alguns dos exemplos que, através de iniciativas aparentemente separadas, se estão a transformar num movimento global de estudantes – e também de professores – cujo objetivo principal é alterar a forma como se olha para a economia enquanto disciplina e enquanto ciência, não exata, mas antes plural e “humana”.
O início deste movimento teve lugar em França, no já longínquo ano 2000, quando ainda não se sonhava com o escândalo da Enron e, muito menos, com o pesadelo de Wall Street e as sequelas que se lhe seguiram e que afetaram o mundo financeiro e econômico global como o conhecíamos. Na altura, um grupo de estudantes franceses publicou um manifesto no qual exigiam o fim “do autismo no ensino da economia” enquanto disciplina. Em particular, os estudantes criticavam a utilização “descontrolada” da matemática no ensino da economia, como se a primeira fosse “um fim em si mesma”, o fracasso do seu envolvimento com a economia real, o dogmatismo reinante e a inexistência de um pluralismo intelectual no ensino da disciplina em causa, o qual não deixava espaço algum para o pensamento crítico em geral e para abordagens alternativas à economia em particular. Na altura, o manifesto estudantil deu rapidamente origem a uma petição por parte dos professores de economia franceses, que apoiavam o conteúdo do mesmo, o que acabou por ter um eco substancial não só na imprensa como também ao nível político, tendo sido instituído, pelo então ministro da Cultura francês, um comité para investigar as “queixas” levadas a cabo por estudantes e professores.
Treze anos passados e as questões colocadas por este grupo de estudantes continuam por resolver. Mas e apesar do rótulo da necessidade de uma “economia pós-autismo” ter desaparecido, os movimentos de estudantes estão em crescendo, multiplicando-se as iniciativas, bem como as vozes concordantes que clamam por uma nova abordagem da economia. Como se pode ler na página do movimento Rethinking Economy, os estudantes alemães que participaram no evento acima referido vêem agora a sua “alternativa” a ser replicada em várias universidades alemãs, numa rede intitulada Rede Alemã para uma Economia Plural, o mesmo acontecendo com estudantes no Canadá ou no Chile.
O reputado Institute of New Economic Thinking , sedeado em Nova Iorque, lançou a Young Scholars Initiative que “apoia a nova geração de pensadores da nova economia” e, na mesma linha, a World Economics Association – que reúne mais de 12 mil economistas de todo o mundo – fundou também a Young Economists Network.
Mais recentemente, a Universidade de Manchester lançou a The Post-Crash Economics Society, colocando online uma petição para alterar os conteúdos programáticos com base num manifesto que, entre outras coisas, sublinha a ideia que a economia é muito mais que crescimento e PIB e que a expansão do pensamento econômico é vital para os líderes do futuro. Numa carta aberta publicada pelo jornal britânico The Guardian, os membros desta “sociedade” têm vindo a ganhar uma visibilidade crescente ao longo deste mês de Novembro – com uma excelente ajuda por parte do próprio jornal – depois de um conjunto de acadêmicos ter enviado também uma carta ao mesmo na qual “afirmam compreender a frustração dos jovens com a forma como a economia é ensinada na maioria das instituições no Reino Unido”. Para este conjunto de professores, que fazem parte do Post Keynesian Economics Study Group, a economia contemporânea continua a ser moldada pela abordagem neoclássica [em que a ciência econômica é vista como “pura”, identificando-se com o mercado, ou concorrência, em particular sobre a forma de concorrência perfeita, em que os sujeitos econômicos agem racionalmente em termos de maximizadores ou minimizadores de qualquer coisa, sejam utilidades, lucros, custos, etc. e são dotados de idêntico poder]. Para estes acadêmicos, esta abordagem tem apenas em consideração os “microfundamentos” que se baseiam nos indivíduos racionais e egoístas em detrimento de uma qualquer plausibilidade empírica. “Este compromisso dogmático contrasta significativamente com a abertura do ensino em outras ciências sociais as quais, de forma rotineira, apresentam paradigmas concorrentes”, escrevem, acrescentando que “os estudantes podem hoje terminar a sua licenciatura em economia sem nunca terem sido expostos às teorias de Keynes, Marx ou Minsky e sem nunca terem ouvido falar da Grande Depressão”.
Ou, em suma, e regressando às questões pioneiras levantadas pelos estudantes franceses em 2000, o cenário parece não ter mudado: o ensino da economia continua a ser dogmático e “estreito”, os modelos matemáticos continuam a estar no seu centro, os humanos são tratados como se de máquinas calculadoras se tratassem e a maioria dos acadêmicos continua a ter muito pouco a dizer sobre os acontecimentos que vão caracterizando a economia real. Mais importante ainda é o facto de a crise financeira e econômica de 2008 ter demonstrado, de forma dolorosa, que os modelos macroeconômicos ortodoxos são manifestamente inadequados e que a economia mainstream não ajudou os economistas a prever a crise nem permite, tal como está, que se evitem recessões intermináveis.
Debates, enfoque na história do pensamento econômico e sustentabilidade
Mas e afinal, o que pretendem os estudantes e os professores e demais economistas que os apoiam?
Os estudantes da Universidade de Manchester que formaram a já mencionada Post-Crash Economics Society encontraram inspiração para a criação da sua “sociedade” depois de terem assistido, em Fevereiro de 2012, a uma conferência organizada pelo Banco de Inglaterra e pela Royal Economic Society. Intitulada “Are economics graduates fit for purpose?”, o evento contou com a presença de um conjunto de diversos especialistas que analisavam, exactamente, uma das consequências da crise financeira e econômica de 2008: a reavaliação da própria economia por parte daqueles que a praticavam, o que implicaria, naturalmente, a forma como esta era ensinada nas universidades. Como afirmou então Diane Cole, directora da consultora Enlightenment Economics, uma das oradoras, “a crise foi um enorme fracasso intelectual, pois todos a percebemos de forma errada”. E, na verdade, a questão da necessidade de existir uma reforma no ensino da economia está estreitamente relacionada com o “status” intelectual da própria economia, no pós-crise. Mas não só.
Como se pode ler na carta aberta enviada ao The Guardian, os estudantes de Manchester têm uma ideia bastante precisa da desadequação do ensino da economia relativamente ao mundo em que vivemos. Quando abordam a questão das teorias econômicas, escrevem: “esta [a teoria neoclássica] gira em torno da ideia do agente individual. Um agente pode ser uma pessoa ou uma empresa, por exemplo, a interagir com uma outra através de preços, num mercado. E o carácter de um agente ou os desejos claros de uma empresa ou de um consumidor no mercado são-nos apresentados como modelos matemáticos. É esta simplificação da natureza humana, apresentada numa sucessão de equações que, muitas vezes, sufoca a economia neoclássica e lhe nega a fluidez necessária para descrever, de forma precisa, a mudança patente no mundo em que vivemos”.
E acrescentam: “indivíduos que compram e vendem bens para gerar lucro, sem qualquer ideia de que forma estes bens podem afetar o planeta ou afetar a vida das pessoas, é uma questão ignorada [no ensino da economia] mas que deve ser uma preocupação para todos nós. O sistema financeiro corre ao ritmo desenfreado da imediaticidade, sendo que o colapso financeiro de 2008 lançou alguma luz em como uma ausência de conhecimento dos fracassos do mercado pode ser desastrosa para a sociedade”.
Afirmando ainda que não pretendem afirmar que o modelo neoclássico é perfeitamente inútil, os estudantes concentram-se, ao invés, num conhecimento mais alargado de outro tipos de teorias – privilegiar o ensino da história do pensamento econômico é um “pedido” comum nos vários manifestos estudantis – em conjunto com outras ferramentas que lhes permitam perceber o que é melhor para uma economia, “não sendo esta limitada apenas por questões de crescimento e lucro, mas incluindo o estudo de mecanismos que permitam a sustentabilidade, a equidade e a consciência social”.
Na petição que consta no site da “sociedade de estudantes”, os promotores da iniciativa relembram ainda a variedade de escolas de pensamento existentes na disciplina e que a integridade acadêmica exige que teorias econômicas alternativas sejam ensinadas aos alunos. A forma como a economia é ensinada, defendem, dá origem a consequências importantíssimas pois as nossas sociedades são moldadas por políticas e acontecimentos econômicos.
Adicionalmente, a desadequação entre os conteúdos programáticos e as necessidades do mundo real constitui um desafio enfrentado pelos departamentos de economia de universidades de todo o mundo. Afirmando acreditar que a educação em economia deveria incluir uma pluralidade significativa e uma ainda maior avaliação crítica, as propostas dos estudantes são claras:
Sublinhar, em cada módulo, as teorias econômicas a serem ensinadas, para que a economia não seja encarada como uma disciplina monolítica e sem debate.
Porque as teorias econômicas não podem ser devidamente compreendidas sem o conhecimento dos contextos sociopolíticos e tecnológicos nos quais são formuladas, o relacionamento com a história econÇomica deverá ser feito sempre que possível.
Disponibilizar cadeiras com perspectivas econômicas alternativas nos três primeiros anos do curso, deixando claro que a ideia não é a de se ignorar o ensino da economia mainstream, mas sim compreender que a pluralidade de perspectivas é estritamente necessária.
Sempre que possível, os docentes deverão relacionar a matéria em causa com o mundo real para que os estudantes aprendam a aplicar a teoria e compreendam onde falha a teoria para explicar a realidade.
Os módulos devem encorajar também o desenvolvimento de competências críticas e os tutoriais deverão estimular a discussão e o pensamento reflexivo.
Já a Rethinking Economy,a comunidade que tem como objetivo desmistificar, diversificar e revigorar o estudo da economia, numa rede abrangente de cidadãos, estudantes acadêmicos e profissionais, com o objetivo de formar uma rede colaborativa de “re-pensadores”, apresenta três linhas por excelência para a reformulação do ensino da disciplina.
Uma linha acadêmica, que privilegie pontes com disciplinas direta e indiretamente relacionadas com a economia, que faça progressos no ensino de outras perspectivas e metodologias até agora negligenciadas e que promova a colaboração, a humildade e a prática ética na academia;
Uma linha educacional, que desmistifique a economia enquanto ciência técnica, construindo comunidades abertas e colaborativas de pensadores econômicos; que expanda a criatividade e a consciencialização social dos economistas e cidadãos do futuro, ao mesmo tempo em que encoraje a utilização de ferramentas de análise econômica por parte de todos os que participam numa sociedade que é significativamente moldada por forças econômicas;
E uma linha política que potencie a capacidade de organização efetiva por parte dos estudantes e professores de economia, que reconheça os seus papéis e as responsabilidades, enquanto agentes políticos, no interior das várias instituições e na vida pública alargada.
Um último consenso que une todos estes movimentos: se nada for feito para se alterar a forma como a economia é ensinada nas universidades, os futuros líderes, empresariais e financeiros, continuarão a não perceber as consequências diretas das suas ações face à sociedade em que vivemos e, obviamente, relativamente ao planeta que habitamos. Estender a economia para além da ortodoxia, abordando teorias alternativas que não se limitam a alocar recursos através da simples equação da procura e da oferta, mas sim privilegiando um pensamento reflexivo de longo prazo será imprescindível para que a questão da sustentabilidade ganhe momentum e para assegurar que as decisões das pessoas têm origem na responsabilidade social.
Créditos da foto: Jornal de Negócioshttp://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Economia/O-protesto-nas-universidades-por-um-no-ensino-da-economia/7/29693
Quando me acusam de “cismar” com o Lula, minha vontade é dizer: “e você queria que eu cismasse com quem, no que se refere ao Brasil?”.
Lula é, sem dúvida alguma, a personalidade mais forte, mais marcante de todas que vi passar por nossa vida política.
Quando Getúlio morreu, eu tinha 16 anos; Lacerda e Brizola vi e ouvi durante muitos anos; Juscelino era uma figura encantadora, além de ter sido um chefe de governo que, gostemos ou não, reviravoltou o Brasil ao fazer Brasília e desfazer o Rio. Mas o peso maior, desde que sou eleitora, foi de Lula. Na vida do Brasil e em nossa vida pessoal, pois não se vive uma vida impunemente em um país.
Só que Lula cometeu, em minha opinião, dois crimes inafiançáveis: a divisão do país em duas tribos e a paixão pelo poder de tal modo entranhada em sua alma que teve a audácia de criar um terceiro mandato e agora quer partir para o quarto.
E há outro em suspense: versões conflitantes sobre o momento em que Lula soube do mensalão não nos garantem se foi antes, se foi durante, se foi depois.
Nunca se soube também o que Lula realmente sente em relação a esse episódio que enodoou seu governo. Listo aqui palavras dele e as datas em que foram ditas:
* (…) Eu não tenho nenhuma vergonha de dizer ao povo brasileiro que nós temos que pedir desculpas. O PT tem que pedir desculpas. O governo, onde errou, tem que pedir desculpas, porque o povo brasileiro (…) não pode, em momento algum, estar satisfeito com a situação que nosso país está vivendo. (12/08/05, pronunciado em reunião ministerial transmitida ao vivo por todas as redes de televisão)
* E por que a CPI não vai provar o mensalão? Porque é humanamente impossível você imaginar que, qualquer que seja um Governo e sobretudo no meu Governo, você tenha que chamar um deputado para dizer: “olha, você tem que votar porque eu te dou tanto”. (18/11/05, em entrevista coletiva a emissoras de rádio)
Agora, oito anos depois, ficou provado, no Supremo Tribunal Federal, que houve o mensalão. Ficou provado o percurso inacreditável da dinheirama saída do próprio governo para os bolsos dos congressistas que aceitaram votar ‘sim’ com o governo “porque eu te dou tanto”.
O STF provou também que Lula não mentiu quando disse:
* E também quero aproveitar aqui para dizer a vocês e, obviamente, ao companheiro José Dirceu, que eu não sei se nós teríamos conseguido fazer o que fizemos na nossa relação com o Congresso Nacional se a gente não tivesse a coordenação de um companheiro como o José Dirceu. (18/12/03, durante o ato de prestação de contas do ano de 2003)
Alfredo Sábat
Mas, cadê o Lula? Cadê suas desculpas? E as do PT? Cadê?
Essas servem?
“Estamos juntos”, o já célebre ato falho.
“Parece que a lei só vale para o PT”, disse Lula num palanque em Santo André, em 21/11/13.
Nota oficial do atual presidente do PT conclama “a militância a mobilizar-se contra as tentativas de criminalização do PT.”
Vocês acham que servem?
Ou, já que ele não conseguiu “desmontar a farsa do mensalão”, não seria melhor ele ver o quanto cresceria como homem e como político se desmontasse a farsa que estão tentando armar contra a Imprensa, o STF, o Povo, em suma, contra o Brasil?
Cadê o Lula?
*Fonte: Dicionário Lula: Um presidente exposto por suas próprias palavras, Ali Kamel, Nova Fronteira, 2009
Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa escreve semanalmente para o Blog do Noblat desde agosto de 2005. Ela também tem uma fanpage e um blog –Maria Helena RR de Sousa.
Por que o sr. Walker, que não tem coragem de se identificar, e que deve ser cuidador desta senhora de 75 anos, não a encaminha para defecar lá na fossa do Noblat?
“Por que o sr. Walker, que não tem coragem de se identificar”. Pelas mesmas razões que vários comentadores do blog usam nicks. Afinal, nem vc se identifica, Franciscos de Assis exitem aos milhões no Brasil.
Voltando ao ponto: para firmar tua posição, vc não precisaria ofender dessa forma gratuita e grosseira (ofendeu a todos os idosos inclusive) uma senhorinha amável, linda e culta como a Maria Helena só porque ela pensa diferente do que tu acha certo.
Sábado, 30 de novembro, fim de tarde. Várias viaturas da Polícia Militar, Rotam e Batalhão de Missões Especiais cercaram o Shopping Vitória, na Enseada do Suá, no Espírito Santo. Missão: proteger lojistas e consumidores ameaçados por uma gente preta, pobre e funkeira que, “soube-se depois”, não ocuparam o shopping para consumir ou saquear, mas para se proteger da violência da tropa da PM que acabara de encerrar a força o baile Funk que acontecia no Pier ao lado.
Amedrontados, lojistas e consumidores chamaram a polícia e o que se viu foram cenas clássicas de racismo: Nenhum registro de violência, depredação ou qualquer tipo de crime. Absolutamente nada além da presença física. Nada além do corpo negro, em quantidade e forma inaceitável para aquele lugar, território de gente branca, de fala contida, de roupa adequada.
E a fila indiana; e as mãos na cabeça; e o corpo sem roupa, como que a explicitar cicatrizes nas costas ou marcas de ferro-em-brasa, para que assim não se questione a captura.
A narrativa de Mirts Sants, ativista do movimento negro do Espírito Santos nos leva até a cena:
“Em Vitória, a Polícia Militar invadiu um pier onde estava sendo realizado um baile funk, alegando que estaria havendo briga entre grupos. Umas dezenas de jovens fugiram, amedrontados, e se refugiaram num shopping próximo.
Foi a vez, entretanto, de os frequentadores do shopping entrarem em pânico, vendo seu ‘fetiche de segurança’ ameaçado por “indesejáveis, vestidos como num baile funk, de tez escura e fragilizando o limite das vitrines que separam os consumidores de seus desejos”. Resultado: chamaram a PM, acusando os jovens de quererem fazer um arrastão.
A Polícia chegou rapidamente e saiu prendendo todo e qualquer jovem que se enquadrasse no ‘padrão funk’. Fez com que descessem em fila indiana e depois os expôs à execração pública, sentados no chão com as mãos na cabeça. E isso tudo apesar de negar que tenha havido qualquer arrastão, “exceto na versão alarmista dos frequentadores”.
Se chegou a haver algo parecido com uma tentativa de ‘arrastão’ ao que parece é impossível saber. Para alguns dentre os presentes, a negativa da PM teve como motivo “preservar a reputação do shopping como templo de segurança”. Se assim foi, a foto acima, com os jovens sentados no chão sob vigilância, e o vídeo abaixo, mostrando-os sendo forçados a descer em fila indiana sob a mira da Polícia, se tornam ainda mais graves como exemplos de arbítrio, violência e desrespeito aos direitos humanos. E isso só se torna pior quando acontece ainda sob os aplausos dos ‘consumidores’…”
O suposto disparo, a dita “confusão” e o inevitável corre-corre só houve após a chegada da polícia no baile Funk;
O secretário de Segurança Pública do Estado, André Garcia, mente. Afirma não ter havido abuso. “Havia um tumulto e algumas pessoas relataram furtos na praça de alimentação. A polícia agiu corretamente. A intenção era identificar quem invadiu o shopping”, diz ele.
Invasão? Muitos relatos afirmam que os jovens se “abrigaram” no shopping para se proteger! Testemunhas disseram que as pessoas se assustaram foi com a presença e a forma de atuação da polícia dentro do shopping.
E mente ao dizer que “a polícia entrou no shopping após receber informações de que pessoas armadas estariam no local”, algo que não foi constatado pelas revistas feitas no interior do estabelecimento. Os únicos armados, caro secretário, eram seus homens.
Lojistas e consumidores relataram agressões aos ‘suspeitos’: ” Vi um policial dando um soco, de baixo para cima, em um garoto”; “o clima ficou mais tenso ao serem vistos policiais entrando armados no shopping”; “Parte dos que estavam sendo revistados era menores de idade. Vi um garoto sendo jogado no chão por um policial”.
A própria assessoria de comunicação do Shopping Vitória descartou a ocorrência de um arrastão no interior do estabelecimento e afirmou que nenhuma loja foi roubada ou danificada;
Mas ao final, o Secretário assume sua tarefa racista: “Quando se encontra uma atitude suspeita, a abordagem é uma ação normal. A polícia está autorizada a fazer isso. A população tem que entender”, disse ele a um jornal, afirmando que o critério para uma abordagem depende das circunstâncias, perfil das pessoas e quais queixas são apresentadas.
Sim, e é verdade, “Sr. Secretário”: circunstâncias, perfis e queixas, que sempre tem como principal objeto de provocação o corpo negro. Alguma novidade?
REAÇÃO
Lula Rocha, importante militante do movimento negro do Espírito Santo, em conjunto com diversos outros ativistas e organizações do movimento negro e movimentos sociais da capital prometem reagir e organizar um mega baile funk ao ar livre em frente o Shopping Vitória.
Criminalizado como um dia fora a capoeira, o futebol, o samba a MPB e o RAP, o funk moderno é tão contraditório em seu conteúdo quanto o é resistência em sua forma e estética. E se está servindo também para fazer aflorar o racismo enraizado na alma das elites hipócritas – muito mais vinculadas aos valores da luxuria e ostentação que a turma do funk, declaro pra geral: Sou funkeiro também!
Um evento muito bacana que ocorrerá em SP no próximo sábado.
A Sociedade da Internet no Brasil – ISOC Brasil – promove seu primeiro encontro nacional para debater o futuro da Internet, incluindo temas como o Marco Civil, a espionagem na rede, o compartilhamento das conexões, a computação em nuvem e os custos para o acesso à banda larga
Motta Araujo
2 de dezembro de 2013 2:31 amO MORALISMO NA POLITICA – A
O MORALISMO NA POLITICA – A corrupção faz parte da politica desde tempos imemoriais. Nos Estados anteriores à Era Moderna não havia separação entre o dinheiro do Estado e o cofre do Soberano. Foi a partir da Revolução Francesa com a construção do Direito Administrativo que nasce na França o conceito de recursos publicos à serviço da população e não de quem governa. Na mesma França onde o Cardeal de Richelieu declarou ao seu confessor no leito de morte que era o homem mais rico do País, depois de governa-lo como Primeiro Ministro, “sou mais rico que o Rei” disse o Cardeal.
Foi com a lenta evolução do direito, dos costumes politicos e da consciencia social que a confusão entre o publico e o privado e a consequente corrupção foi sendo controlada mesmo nos pais mais civilizados. Nos EUA após a Guerra Civil e até o começo do Seculo XX a corrupção politica era avassaladora. No Brasil do Imperio os Embaixadores em Londres pediam comissão sobre os emprestimos contratados pelo Tesouro aos banqueiros.
Enquanto a corrupção vai sendo lentamente contolada com altos e baixos, no Brasil havia menos corrupção nos dois Governos Vargas do que há hoje e olhe que Vargas não era um fanatico combatente contra a corrupção, embora fosse pessoalmente honesto e obviamente a corrupção no Brasil vem crescendo ano a ano desde a Nova Republica.
Mas sendo a luta contra a corrupção uma exigencia da sociedade, o Moralismo como bandeira politica não faz parte dessa luta, apenas usa seus elementos como bandeira e ao fim tem objetivos bem menos nobres.
Dois nomes simbolos do Moralismo como bandeira, Janio Quadros e Carlos Lacerda, não melhoraram o Brasil numa avaliação historica ampla. Os arautos do Moralismo são espertos que usam essa bandeira para construir seus proprios objetivos raramente nobres e costumam gerar custos politicos muito mais caros do que os resultados que atingem com seus metodos e campanhas, porque corrupção não se combate com saltos e sim com evolução.
Um pequeno modelo de como o cambate a corrupção mesmo bem intencionado pode fazer o seu contrario: o Tribunal de Contas da União ao apontar irregularidades em uma obra costuma mandar parar a obra. É uma insensatez unica, abismal. A parada da obra custa MUITO MAIS, pode ser centenas de vezes mais do que o custo da irregularidade, não fazem calculo de custo/beneficio, é impressionante. Na obra do Corintians em Itaquera a mesma coisa, caiu um guindaste, mandaram parar os outros nove, sem se importar que a obra tem um prazo apertado para conclusão. No mensalão o processo custou muito mais, se consideramos todos os fatores, do que a eventual perda de dinheiro publico. O Moralismo agride a logica e não traz nenhum resultado.
Lionel Rupaud
2 de dezembro de 2013 10:45 amTexto primoroso!
Como sempre… Muito obrigado.
Isso me lembrou o “Procurador Geral” do estado de SP, que semana passada explicou para a patuleia que ele era pago por esta mesma patuleia, para defender os interesses pessoais do governador, inclusive contra os interesses desta mesma patuleia que paga seu muito bom salario. Pelo visto o iluminismo e a revolução francesa são ignorados na formação da elite da magistratura paulista (sem falar dos outros estados).
Motta Araujo
2 de dezembro de 2013 3:27 amBANCOS HISTORICOS – OS BANCOS
BANCOS HISTORICOS – OS BANCOS SOVIETICOS NO EXTERIOR – Após a Revolução de Outubro de 1917, a Russia perdeu todos seus contatos bancarios com o exterior. Mesmo com a guerra civil em curso, o novo regime precisava desesperadamente de restabelecer seus laços comerciais com o ocidente, após o fim da Primeira Guerra.
O Governo sovietico abre negociações diplomaticas com o Imperio Britanico, para voltarem as relações comerciais. Dessas demarches sai o Tratado Anglo Sovietico de Comercio em 16 de maio de 1921. A Russia abre um grande escritorio de compras em Londres, a Arcos Trading Ltd., central de compras das cooperativas russas
e um banco, o Moscow Narodny Bank Ltd. com carta patente britanica, que se tornaria um grande banco historicamente importante nas relações financeiras da URSS com o mundo exterior.
A Arcos Trading comprava a partir de Londres alimentos (açucar, cacau, margarina, oleagenosos), texteis, produtos quimicos, maquinaria agricola e o MNB financiava as operações garantindo ops pagamentos.
Posteriormente um outro banco sovietico é aberto com sede em Paris, o Banque Commerciale por l´Europe du Nord,
se tornaria celebre por ter inventado o Eurodollar, moeda grafica que reciclava os dolares americanos fora dos EUA e que a partir da decada de 60 inundavam a Europa.
La Banque foi o grande financiador da Republica Espanhola na Guerra Civil conra o General Franco, era o BCEN quem abria as cartas de credito para a Republica comprar materiais, alimentos, combustivel, quando nenhum outro banco europeu financiava esse regime que embora o legal da Espanha estava bloqueado pelas demais potencias.
O Moscow Narodny se expandiu com agencias em Beirut e Singapura, corriam estorias sobre o papel desses bancos no pagamento de movimentos de esquerda por todo o mundo, como banqueiros do “”Ouro de Moscou” mas os russos foram cuidadosos com a contabilidade e a governança. La Banque tinha como presidente um deputado comunista famoso, Guy de Boysson, milionario descendente de um rica ramilia de financistas e depois presidente do Partido Comunista francês.
Na Inglaterra o Moscow Narodny ganhou respeitabilidade quando pagou os bonus do finado Governo Imperial
cujos portadores julgavam perdidos para sempre, seus ativos foram crescendo consideravelmente a medida que a URSS aumentava suas exportações de petroleo e minerios nos anos 60 e 70.
Em resumo, os dois bancos eram o “”Caixa” da URSS em moeda forte, tornaram-se solidas instituições cujas cartas de credito era plenamente aceitas pelos demais bancos e fornecedores em grande escala da URSS, cujo crédito internacional a partir dos anos 50 passou a ser excelente em todos os mercados.
Com o fim da URSS os bancos foram absorvidos pelo VTB Bank, controlado pelo Ministerio da Fazenda da Russia mas com ações na Bolsa de Londres, sendo o maior acionista privado o Norges Bank da Noruega.
Já a Arcos Trading foi pivô de um famoso incidente diplomatico em 1927, quando a Policia de Londres invadiu seus escritorios e fez um grande busca e apreensão de documentos sob acusação de lá ser uma central de espionagem, o que realmente era, havia quartos secretos com transmissores potentes mas depois do escandalo o incidente foi abafado, os ingleses não se importam com nada quando há dinheiro bom para ganhar e a URSS era uma boa parceira, deram um susto na Arcos mas a companhia continuou operando em Londres.
Esses antecedentes explicam alguma coisa sobre a preferencia dos oligarcas russos por morarem em Londres, praticamente todos os que não estão presos moram na Inglaterra, onde estão sediados seus negocios.
Foi publicado recentemente um livro sobre a historia do Mascow Narodny Bank.
http://en.wikipedia.org/wiki/File:MNBL_-_Moorgate_Ext.jpg
Diogo Costa
2 de dezembro de 2013 3:49 amOposição em maus lençóis
OPOSIÇÃO EM MAUS LENÇÓIS – Ontem houve mais um passo no rumo das definições para o pleito de 2014. Eliminada a possibilidade de prévias entre as pré candidaturas de Luciana Genro e de Randolfe Rodrigues, o PSOL decidiu por aclamação que o candidato do partido em 2014 será o atual senador do Amapá.
Ou seja, na disputa interna desta agremiação as tendências mais à esquerda foram derrotadas e agora já se tem mais um ator consolidado para o ano que vem.
As perspectivas atuais continuam amplamente favoráveis para a Presidenta Dilma Rousseff. Vejamos. Em todo o ano de 2013 a oposição ao governo federal tratou de tentar construir o maior número de candidaturas possíveis para 2014, como tática para forçar de qualquer modo um hipotético segundo turno. Ao que parece, essa tática não foi bem sucedida.
No fim do prazo para as filiações e trocas de partidos com vistas à 2014 (05 de outubro) o que surgiu de fato foram apenas duas candidaturas oposicionistas com densidade eleitoral. Estas duas candidaturas são a tradicional, de Aécio Neves, e a ‘nova’, de Eduardo Campos, saída diretamente da costela do campo de sustentação do governo federal.
Lembrem-se que a certa altura dos acontecimentos chegou-se a ventilar a possibilidade de 05 consideráveis candidaturas do campo oposicionista. Eram elas a de José Serra pelo PPS, de Aécio Neves pelo PSDB, de Eduardo Campos pelo PSB, de Marina Silva pela Rede, de Joaquim Barbosa por algum outro partido e mais as candidaturas nanicas.
Este cenário com 05 candidaturas oposicionistas levaria a disputa para o segundo turno, sem dúvidas algumas. E teria potencial para causar grandes dores de cabeça em Dilma, em Lula e no Partido dos Trabalhadores. Nada disso ocorreu e isto pode ser considerado como uma vitória política de Dilma Rousseff.
A candidatura claudicante de Aécio Neves padece de um mal de origem, pois foi lançada por Fernando Henrique Cardoso em dezembro de 2012. Qualquer candidato que se pretenda viável hoje no Brasil deve se manter a léguas de distância de FHC e do seu “legado”.
Ocorre que Aécio Neves faz questão de avalizar o período fernandino e de se colocar como o representante oficial de um período do qual o povo brasileiro quer absoluta distância. Ir para uma disputa abraçado a FHC é quase um suicídio político.
Eduardo Campos passou todo o ano de 2013 tentando se viabilizar eleitoralmente e trabalhando para ampliar o arco de alianças políticas para uma eventual candidatura. Se viabilizou como candidato, mas eleitoralmente está estagnado e no campo de alianças não agregou absolutamente ninguém ao seu projeto personalista de poder. Aliás, agregou apenas a Rede, que nem partido político ainda é.
Campos aparece na disputa do ano que vem como uma típica candidatura com viés marcadamente estadual, com dificuldades para sair das fronteiras de Pernambuco. Esse fenômeno não é novo. Aconteceu com Brizola no primeiro turno de 1989 (vitórias apenas no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul), com Ciro Gomes em 1998 e no primeiro turno de 2002 (vitórias apenas no Ceará) e com Anthony Garotinho também no primeiro turno de 2002 (vitória apenas no Rio de Janeiro).
O governador pernambucano superestimou a vinda de Marina Silva para o campo dos “socialistas”, talvez desconhecendo o fato de que vice não trás voto algum, no máximo serve para afiançar alianças políticas. E nem para isso a vinda de Marina Silva está servindo…
Dependendo do cenário, o PSB pode sofrer um grande revés em suas candidaturas estaduais e terminar a eleição menor do que quando entrou, além de firmar-se no imaginário popular como uma espécie de PSDB do B (já são aliados históricos – o PSB e o PSDB – em vários estados).
Randolfe Rodrigues terá o desafio de levantar a candidatura do PSOL e fazer com que o partido saia do vexatório e patético papel que fez em 2010, quando o povo brasileiro conferiu irrisórios e ridículos 0,87% dos votos para a candidatura do ex democrata cristão Plínio de Arruda Sampaio.
Resta no tabuleiro das candidaturas a resolução da última possibilidade ainda em aberto, que seria a eventual candidatura presidencial de Joaquim Barbosa. Os magistrados tem prazo até o dia 05 de abril de 2014 para se filiarem n’algum partido e disputarem o pleito vindouro. A candidatura de Barbosa representaria um duplo problema para a oposição.
O primeiro problema seria o de expor ainda mais nítida e cristalinamente o fato de que a AP 470 foi um julgamento eminentemente político e persecutório contra o PT. O segundo seria o fato de que a candidatura de Barbosa tiraria poucos votos da chapa encabeçada por Dilma Rousseff, mas operaria um estrago considerável nas candidaturas de Aécio Neves, de Eduardo Campos e do nano esquerdismo.
Notem que a análise conjuntural sequer tangenciou a questão das alianças político-partidárias, dos tempos de rádio e TV, da aprovação de Dilma e de seu governo, do pleno emprego, da inflação controlada, dos aumentos reais no salário mínimo e nos dissídios da classe trabalhadora, da distribuição de renda, da diminuição das desigualdades sociais e regionais, da afirmação do Brasil enquanto ator político no cenário internacional, etc.
Tudo isso confirma o favoritismo da candidatura do Partido dos Trabalhadores. E sempre é bom lembrar que Luiz Inácio Lula da Silva ainda está se aquecendo no vestiário, sequer entrou em campo.
Fiódor Andrade
2 de dezembro de 2013 5:13 amOs Tucanos e o B. Família: de esmola a ponto de partida.
A leitura deste editorial do site do PSDB, publicado em 13 de setembro de 2004, e da entrevista de Aécio Neves ao El Pais mostra que a interpretação tucana do Bolsa Família não evoluiu muito.
Bolsa Esmola – Editorial | PSDB – Partido da Social Democracia Brasileira
http://www.psdb.org.br
Para um governo comandado por um partido que historicamente se fortaleceu sob a bandeira da redenção dos pobres de todo o país, o balanço das políticas federais de inclusão social tem sido profundamente desapontador.
O programa Fome Zero, eixo central do discurso de campanha do então candidato petista, Luiz Inácio Lula da Silva, sofre de inanição desde a sua festejada criação e atabalhoada execução. Para superar as deficiências congênitas, o governo, sensatamente, uniu-o ao Bolsa Escola, formando o Bolsa Família – em resumo, a unificação de vários programas assistenciais, a maioria já existente na gestão de Fernando Henrique Cardoso, como o Bolsa Alimentação, o Cartão Alimentação e o Auxílio Gás. O que parecia uma saudável correção de rota tem sido enxovalhado pela evidência de que o governo deixou de fiscalizar, por exemplo, a freqüência em sala de aula dos alunos beneficiados pelo Bolsa Família.
O principal programa social petista reduziu-se, enfim, a um projeto assistencialista. Resignou-se a um populismo rasteiro. Limitou-se a uma simples distribuição de dinheiro, sem a contrapartida do comparecimento à escola, condição fundamental para que populações excluídas tenham maiores possibilidades de emprego no futuro, com elevação da renda de maneira produtiva. A ausência de controle também deixa o programa vulnerável a desvios e pouco propício à avaliação de resultados e correção de rumos. Uma expressão do senador Cristovam Buarque (PT-DF) resume o problema: “O Bolsa Escola virou Bolsa Esmola“.
Exposta a crise, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou, no fim da semana passada, que o chefe da Casa Civil, José Dirceu, assumirá o comando das discussões internas para resolver as falhas na execução do programa. Presidente da Câmara de Política Social, da Câmara de Desenvolvimento Econômico e de outros 19 grupos coletivos dedicados a reuniões na Esplanada dos Ministérios, Dirceu convocará os ministros Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), Humberto Costa (Saúde) e Tarso Genro (Educação) com o objetivo de encontrar uma solução conjunta para a falta de controle. Deseja-se que novos rumos não sejam turvados pelo hábito palaciano de perder-se em extensos e contraproducentes debates internos.
Três exigências seriam originalmente necessárias para as famílias que recebem o benefício do Bolsa Escola: freqüência escolar, vacinação e acompanhamento de gestantes. A última checagem, admitiu o governo, é de 10 meses atrás. (Tais falhas, convém lembrar, vêm desde a gestão de FHC). Enquanto isso, os três ministérios envolvidos com o programa seguem batendo cabeça sobre as atribuições de cada um no controle das contrapartidas.
Trata-se de um símbolo tristonho da negligência governamental para aquela que seria prioridade absoluta da atual gestão. Os entraves dos programas sociais do governo federal são a evidência clara de uma política embotada pelo apego a números que podem render dividendos políticos musculosos, porém com eficácia social bastante questionável. São 4,5 milhões de famílias beneficiadas, orgulha-se o Palácio do Planalto. O risco é que, ao fim do mandato petista, boa parte delas continue à espera da esmola presidencial.
Source: http://www.psdb.org.br/bolsa-esmola-editorial/
“Para o PT, o Bolsa Família é o ponto de chegada. Para nós, é o ponto de partida” By Ediciones El País • elpais.com • December 01, 2013
O candidato do PSDB Aécio Neves. / George Gianni
O senador do PSDB Aécio Neves pediu mil desculpas pelos poucos minutos de atraso para a entrevista ao EL PAÍS, na sede do partido em Brasília. De sorriso generoso, o neto de Tancredo Neves, personagem símbolo da redemocratização brasileira, respira política desde que nasceu. Talvez por isso fale com naturalidade quando questionado sobre seus índices ainda baixos nas pesquisas eleitorais para a presidência da República. Pelo mais recente levantamento do instituto de pesquisa Datafolha, ele tem 19% das intenções de voto, enquanto a presidenta Dilma Rousseff, 47%.
Eduardo Campos, do PSB, que tem a ambientalista Marina Silva como vice, teria 11% das preferências. “Mais de 60% da população quer mudar tudo. Quando um de nós, e espero que seja o candidato do PSDB, mostrar como combateremos a inflação, como vamos cuidar da educação etc., haverá o casamento entre a expectativa de mudança com o candidato”, avalia o senador. A calma, entretanto, só fica suspensa quando o assunto é o pingue-pongue que se estabeleceu com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sobre as investigações do esquema de subornos nas licitações do metro em São Paulo, administrado pelo tucano Geraldo Alckmin. O PSDB entrou com uma representação na Comissão de Ética contra Cardozo. “Esse processo foi mal conduzido. O que fizemos foi dizer: “Alto lá”.
Pergunta: Os eleitores de menor poder aquisitivo só enxergam que a renda melhorou. Como o PSDB vai convencer esse grupo de que é preciso mudar e votar no seu partido?
Resposta: Nos últimos seis meses, fui a mais de seis Estados e conversei com as pessoas. Há uma percepção crescente, de que as expectativas que temos do futuro não são as mesmas lá de trás. Nas últimas eleições municipais, no ano passado, isso ficou claro. Nas principais capitais mais pobres do Norte e do Nordeste, nós ganhamos do governo: Salvador, Aracaju, Teresina, Maceió, Belém e Manaus. Onde há, inclusive, o Bolsa Família, que foi o grande instrumento eleitoral do governo, iniciado por nós. Há a percepção de que a população espera mais do governo, coisas que ele não entrega. Do ponto de vista educacional, temos média de escolaridade pior que o Paraguai. Não avançamos nas questões essenciais. Resumindo: não é algo fácil. Mas quando tivermos a oportunidade de falar, num debate, mostrar que as principais conquistas dos últimos dez anos, como o controle de inflação, a credibilidade do Brasil, tudo isso começa a se perder, a percepção vai chegar às pessoas.
P. As pesquisas captam esse desejo de mudança. Mas, não parece que a oposição capitalize esse sentimento. O senhor teve dois mandatos em Minas Gerais reconhecidos. Mas, como senador, não se projeta em nível nacional.
Os próximos quatro anos serão muito duros para o Brasil. Precisamos de um governo rígido
R. Concordo que o sentimento é real, e não há, ainda, a apropriação desse sentimento por nenhum candidato de oposição. Em Minas Gerais temos uma margem de aprovação muito grande, em comparação à presidenta da República, onde conhecem nosso trabalho. Em 2009, véspera do ano eleitoral de 2010, o sentimento do Brasil era de continuidade. Economia crescendo, emprego crescendo, etc. José Serra tinha 38%, Dilma tinha 17%, e Marina, 6%. A então candidata Dilma só foi encostar e ultrapassar Serra no final de julho do ano de eleição, porque aí ela teve visibilidade, encarnou o sentimento da continuidade. Eu não tenho a menor expectativa que haja espaço para crescimento (da intenção das pesquisas), antes de haver o espaço para debater. O que é sólido, hoje: mais de 60% da população quer mudar tudo. Quando um de nós, e espero que seja o candidato do PSDB, mostrar como combateremos a inflação, como vamos cuidar da educação, como faremos os serviços públicos funcionarem, como vamos tratar o setor privado – como parceiro e não como adversário – haverá, com alguma naturalidade, o casamento entre a expectativa de mudança com o candidato. Mas isso vai acontecer a partir da metade do ano que vem.
P. O senhor não acha que a mesma pessoa que deseja mudança tem a sensação que a única coisa que une a oposição hoje no Brasil é a rejeição a Lula? Que a oposição não tem um programa, e faz uma oposição elitista?
R. Esse estereótipo existe em relação ao PSDB. Mas, temos uma história extraordinária. Talvez, tenhamos errado muito na nossa comunicação nas últimas eleições. Um dos meus maiores esforços, desde que assumi a presidência do partido, foi resgatar o nosso legado, pois boa parte do que tivemos em termos de avanço no país foi em função do que ocorreu durante os governos de Fernando Henrique Cardoso (FHC). Estabilidade da moeda, privatizações, a Lei de Responsabilidade Fiscal, o início de programas de transferência de renda. Mas, nós não nos apropriamos eleitoralmente disso. Talvez por equívoco, ou por opção, não importa. FHC deixou entre Bolsa Alimentação, Bolsa Escola, Vale Gás, e outros, 6,9 milhões de beneficiados. Hoje temos cerca de 13,5 milhões de beneficiados do Bolsa Família. O presidente Lula foi beneficiado pela herança bendita do FHC, mas ela se exauriu. Lula teve duas virtudes. Uma foi manter, por um bom período, os pilares macroeconômicos fundamentais, flexibilizados no final de seu governo, e também durante o governo Dilma. O outro, foi a unificação e aprofundamento de programas de renda. A face negra disso é o uso eleitoral, de forma leviana. Chegam perto das regiões mais pobres e dizem que o PSDB vai acabar com o Bolsa Família (BF). Até o ex presidente Lula disse recentemente: os adversários do BF estão de volta.
Talvez, tenhamos errado muito na nossa comunicação nas últimas eleições
P. E o Bolsa Família torna-se política de Estado com o senhor?
R. O Bolsa Família está enraizado. Mas, há uma diferença entre o PT e a gente. Para eles, o BF é o ponto de chegada. Para nós, é o ponto de partida. O Brasil não pode viver exclusivamente desse benefício. Um pai de família não pode querer deixar de herança para o seu filho um cartão do BF. O PT se contenta com a administração diária da pobreza. E nós queremos a superação da pobreza. E aí é educação, educação, educação. Eu propus que todo trabalhador que assinar a carteira, receba o benefício por mais seis meses. A lógica do governo é inversa à racionalidade. Ele quer comemorar um milhão de famílias a mais no BF. Eu quero comemorar um milhão de famílias a menos porque se incorporaram ao mercado de trabalho.
P. Como o PSDB vai passar essa mensagem para a população, quando se mostra dividido, com José Serra, fazendo a guerra por sua conta, e a gestão de São Paulo, muito chamuscada por escândalos e possível corrupção?
R. A unidade do PSDB é o principal combustível que temos para mais adiante termos chances eleitorais. Vamos chegar lá. É legítimo que o companheiro Serra tenha suas pretensões, ele tem uma história política respeitável. Mas, as últimas conversas que temos tido apontam na direção da unidade, pois acima de qualquer diferença que tenhamos, há um projeto em comum, que é terminar com o ciclo do PT e iniciar outro, ético, eficiente, meritocrático. O PSDB também passa por uma mudança geracional. Temos 25 anos de partido, e é natural que haja uma mudança. O PSDB governa hoje 52% da população, e 54% do PIB brasileiro. Não esperem do PSDB nas próximas eleições a mesma postura defensiva que tivemos nas últimas três. Estamos resgatando nosso legado, até pra mostrar que parte dos avanços, sem negar o papel do presidente Lula, mas olhando par ao futuro.
P. Educação foi frustrante tanto com o PSDB, que adotou a política de aprovação automática dos alunos, quanto com o PT. Como fica o projeto que está no Congresso, de dobrar o investimento de 5% para 10% do PIB? E como melhorar a gestão do dinheiro?
R. Discordo da primeira parte. Num momento do Brasil saindo de uma inflação de quatro dígitos, o governo FHC teve o grande mérito da universalização do acesso. Quando ele saiu do governo, 97% das crianças estavam na escola. Com o PT, era hora de ganhar na qualificação. Nós queremos chegar, gradualmente, a 10% do PIB em educação. Mas, não adianta apenas investir, tem de qualificar. E Minas Gerais é referência para o Banco Mundial, inclusive com os contratos de metas de médias escolares para cada município mineiro. Daí se assinava um documento, com a superintendência de educação, e o governador também assinava. Pois se essa nota chegasse ao estipulado, os envolvidos ganhavam o décimo quarto salário. Todo mundo ficava envolvido naquilo. As professoras e pais de alunos, etc, se reuniam no final de semana, e davam reforço para os alunos. É o melhor? Não sei, mas é o caminho que achamos para otimizar o caminho.
P. O governo atrela aumento de gasto a royaltie de petróleo.
R. Votamos a favor dessa proposta, mas isso ainda é um terreno na Lua. É coisa do governo marketeiro. Eu, pessoalmente, preferia que se constituísse um fundo, e que o rendimento do fundo financiasse a educação. Até que esses recursos possam vir, é preciso, pois eles só farão diferença daqui a dez anos. E para fiscalizar o uso de recursos de educação, é preciso uma Lei de Responsabilidade Educacional, onde haja metas estabelecidas. Não vejo o Governo do PT encarar isso. Com crescimento de renda e pleno emprego, a sensação é positiva. Mas esse é o momento de enfrentar contenciosos. Eu não quero que o Brasil seja o país do pleno emprego de dois salários mínimos. Eu me pergunto: Para que o PT quer um novo mandato? De 2008 para cá deveríamos ter criado um ambiente estável, para tonar-nos mais competitivos. Nós assustamos os investidores. Os próximos quatro anos serão muito duros para o Brasil, e por isso mesmo precisamos de um governo rígido.
FHC tirou esqueletos dos armários. O governo do PT encheu de novo
P. Quando o senhor diz que os próximos quatro anos serão muito duros, passa a sensação de que a recessão está logo ali, virando a esquina. Há quem diga que o Brasil está como a Espanha em 2008, com o governo negando a crise e a crise chegando? O senhor acredita nisso?
R. Acho que em parte, sim. Tenho receio que a marolinha de 2008 vire um tsunami lá na frente. Tenho conversado com muitos agentes econômicos. A situação será dura, não dá para enfrentá-la com paliativos, mas acredito que a chegada do PSDB ao governo permitirá uma reversão de expectativas. O PT veio flexibilizando os pilares da economia e usando instrumentos microeconômicos, como a desoneração tributária, para resolver questões macroeconômicas. Capitalização do BNDES, por exemplo, é via Tesouro. O governo FHC tirou esqueletos dos armários. O governo do PT os enche com novos esqueletos. Aportes no Tesouro passaram de 14 bilhões de reais, há seis anos, para 400 bilhões de reais. Hoje, 400 prefeitos em Minas quase não têm dinheiro para pagar salário. O Governo federal entrava com 56% dos conjunto de investimentos em saúde. Passados dez anos, só entra com 45%. Quem complementa essa conta? Os municípios. O mesmo em segurança pública. A situação é grave, mas o país felizmente tem instituições sólidas. Os últimos fatos (com a prisão dos réus do mensalão) trouxeram um sentimento de que a impunidade não vai prevalecer. Temos imprensa livre, que no que depender de nós, será permanentemente livre. Apesar dos ataques do governo atual, à liberdade de imprensa. Num viés que devemos acompanhar com atenção, pois aproxima setores do PT ao que já assistimos, infelizmente, na Venezuela, e na Argentina. Mas temos democracia sólida, que passou por percalços, afastou um presidente por corrupção, e que prende hoje pessoas que cometeram crimes.
P. A presidenta Dilma Rousseff deu uma entrevista ao El PAÍS que gerou bastante polêmica por ter antecipado a revisão do PIB de 2013.
R. A presidência atua para minar credibilidade de instituições de estado. Constrange o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – responsável pela divulgação do PIB – ao antecipar um resultado que não deveria sequer ter ainda. Nós todos comemoramos a revisão do PIB para cima, mas é uma demonstração que o Governo não tem limites de estruturas de estado. São informações de Estado, e não de Governo. Isso tem efeito na economia.
P. O PSDB capitaliza imagem de um partido mais austero, mas, vocês também têm esqueletos no armário da corrupção, com o mensalão mineiro e os escândalos de suborno no metrô em São Paulo. Como vão lidar com isso?
R. O PSDB não tem, em campo algum, medo do debate com o governo. Nem no econômico, nem no social, nem no ético. Por mim, o chamado mensalão mineiro deveria ter sido julgado há muito tempo. Até porque de mensalão não tem nada e o processo vai demonstrar isso. Ali houve financiamento de campanha. E se houve deslize ou crime, (as pessoas) têm de ser punidas exemplarmente e ponto final. Não faço julgamento prévio. Sobre o caso de São Paulo, eu tenho respeito enorme pela conduta ética dos ex-governadores Mário Covas, do José Serra e do (atual) Geraldo Alckmin. Há uma acusação, de um cartel, e se demonstrarem que algum agente político está envolvido, que seja punido. E se tem alguém ligado ao PSDB, que não apareceu até agora, que seja punido também. Diferentemente da reação do PT no caso mensalão, não vamos considerar um crime político quem usou dinheiro público indevidamente.
A situação será dura, não dá para enfrentá-la com paliativos, mas acredito que o PSDB permitirá uma reversão de expectativas
P. O PSDB em São Paulo vai processar o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, por ele ter encaminhado o relatório sobre o esquema da corrupção no metro à Polícia Federal. Mas não seria esse o papel dele?
R. A meu ver, não cabe encaminhar um documento adulterado para a Polícia Federal. Queremos que a investigação aconteça, mas algo com uma grosseira falsificação, ser vazado, por quem detinha o documento… Sem que houvesse qualquer operação da polícia. Delegados dizem que receberam informações do Conselho de Administração do Direito Econômico (Cade), e depois de um silêncio de dois dias, o ministro diz que foi ele quem mandou o documento, não acho que seja comportamento adequado. Faltou cautela.
P. Eu vi os documentos (publicados na imprensa). Onde entra a falsificação?
R. Então você deve saber melhor do que eu. Queremos só que a investigação ocorra com isenção. O papel do partido é cobrar que a investigação seja feita. Mas os instrumentos de Estado não podem ser utilizados em defesa de um projeto partidário. Esse processo foi mal conduzido. O que fizemos é dizer: “Alto lá”.
P. A Suíça, semanas atrás, arquivou uma investigação que corria sobre propinas pagas pela Alstom a funcionários de São Paulo, porque o procurador da República, que deveria ter encaminhado os documentos, não os enviou como deveria.
R. Não conheço esse processo.
Source: http://brasil.elpais.com/brasil/2013/12/01/politica/1385933576_985455.html
Assis Ribeiro
2 de dezembro de 2013 8:21 amPouco mudou em 50 anos
Eu buscava por esta imagem faz tempo. O Fernando Andrade enviou, por e-mail.
http://www.viomundo.com.br/humor/pouco-mudou-em-50-anos.html
alexis
2 de dezembro de 2013 9:00 amThe Game of Thrones
O PT ganha pelo voto popular, mas não leva.
O PMDB ganha, leva e neutraliza o PT
A direita finge que perde, mas continua mandando
Os poderes sem voto mandam, prendem e arrebentam
O poder econômico, através do PIG, dá as cartas.
Tamára Baranov
2 de dezembro de 2013 9:46 amMeus heróis morreram de Aids

O poeta e cantor Cazuza (1958-1990). Foto: Flavio Colker
Em uma de suas canções mais conhecidas, Ideologia (1988), o cantor Cazuza dizia que seus heróis tinham morrido de overdose. Referia-se a ídolos como Jimi Hendrix, Janis Joplin ou Jim Morrison, todos mortos precocemente pelo uso excessivo de drogas. “Meus heróis morreram de overdose” é uma frase muito forte e verdadeira, mas não para mim. Muitos dos meus “heróis”, pessoas que admirei na vida, que foram modelos de rebeldia, coragem e inteligência, não morreram de overdose. Morreram de Aids. E Cazuza foi um deles.
A Aids entrou na minha vida aos 17 anos, no primeiro ano da faculdade de jornalismo. Era uma época livre, aquela, na Salvador dos anos 1980. Meninos e meninas provavam beijar-se, muitos garotos experimentavam pintar os olhos, a boca. Era proibido proibir. De repente veio a Aids e parou tudo. O Brasil e o mundo retrocederam cem anos em termos sexuais e morais, porque a Aids não era como o câncer, era uma doença que trazia consigo o preconceito; quando surgiu, era anunciada pelos conservadores como um verdadeiro castigo que os céus haviam mandado aos “pecadores”.
Sempre tive muitos amigos homossexuais. Posso dizer, inclusive, que as pessoas que exerceram maior influência intelectual e artística sobre mim são gays. Eu os adoro. E logo a Aids contaminaria um destes amigos queridos, pintor, que morreu, infelizmente, um ou dois anos antes de surgir o coquetel de remédios que mantém o vírus sob controle. Havia tanto desconhecimento sobre a doença neste primeiro momento, que as pessoas tinham medo até de compartilhar talheres e pratos com os infectados. Imaginem que crueldade.
Com o tempo, se foi vendo e informando as pessoas que a Aids não se contagia no vento, tampouco pelo beijo ou pelo abraço, mas sim por relações sexuais sem proteção; pela transfusão de sangue contaminado; pelo compartilhamento de seringas e agulhas; e durante a gravidez e a amamentação (o que já é possível reverter). Nada a ver, portanto, com “pecado”, isso é ignorância pura.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, a Aids ainda é um dos problemas de saúde mais graves em todo o mundo, sobretudo nos países mais pobres. Existem hoje cerca de 35,3 milhões de pessoas infectadas com o vírus –3,34 milhões delas, crianças. O HIV continua a ser o agente infeccioso mais mortífero do planeta: desde que a doença apareceu, calcula-se que 36 milhões de pessoas tenham morrido em decorrência da Aids. No ano passado foram 1,6 milhão.
Neste 1º de dezembro, Dia Mundial de Combate à Aids, quero homenagear todas as vítimas desta doença nas figuras destas pessoas especiais. Alguns dos que aparecem aqui não são homossexuais e foram contaminados de outras formas que não a sexual. O cartunista Henfil e seu irmão Betinho, por exemplo, eram hemofílicos e contraíram o HIV em transfusões. Mas isso não importa. O que importa é que todos eles eram seres humanos incríveis, gênios que foram levados desta vida, a maioria absurdamente cedo, por uma doença brutal. Saúdo todos eles e digo que sinto saudades.
P.S.: Não deixe que a Aids atrapalhe sua liberdade sexual: use camisinha.
(Clicando nos nomes dos meus heróis, você pode ler entrevistas e reportagens que selecionei sobre cada um deles, em texto e em vídeo.)
O filósofo francês Michel Foucault (1926-1984), autor da “História da Sexualidade”. Foto: Bruce Jackson
O cantor e compositor Renato Russo (1960-1996)
O cartunista Henfil (1944-1988), que lutou pela volta da democracia no Brasil. Foto: Aguinaldo Ramos/JB
O sociólogo Betinho (1935-1997), que denunciou a fome em nosso país, era irmão de Henfil. Foto: Dadá Cardoso/Ibase
O músico, escritor e ativista norte-americano Gil Scott-Heron (1949-2011), autor da inspiradora frase: “A revolução não será televisionada”
A linda atriz Sandra Bréa (1952-2000), ídola de infância de muitas meninas no Brasil nos anos 1970
O artista plástico e ativista norte-americano Keith Haring(1958-1990). Foto: Tseng Kwong Chi
O escritor de ficção científica russo radicado nos EUA Isaac Asimov, autor de “Eu, Robô”. Pintura de Rowena Morrill
O músico e ativista nigeriano Fela Kuti (1938-1997)
O cantor Freddie Mercury (1946-1991). Foto: Steve Wood
http://socialistamorena.cartacapital.com.br/meus-herois-morreram-de-aids/
Tamára Baranov
2 de dezembro de 2013 9:47 amA geração escoliose e seus temíveis espertofones
Por Dafne Sampaio | Mexidão | Yahoo
Entrei no ônibus e eles estavam lá, hipnotizando metade dos passageiros. Pouco depois desci, peguei o metrô e a cena se repetiu: homens e mulheres de todas as idades e jeitos quase todos de corpos curvados, olhando para baixo a passear com seus dedos por espertofones e tablets.de última e não tão última geração. Tem sido assim no mundo todo e a tendência é aumentar e se multiplicar em inúmeras plataformas. Talvez daqui a alguns anos essa gente ganhe corcundas e seus descendentes já nasçam assim, ou talvez voltem a ficar eretas. Vai saber o que pode acontecer.
Mas contrariando as lamentações dos saudosistas essas pessoas curvadas continuam interagindo, talvez até mais, só que com pessoas que não estão ali fisicamente, olho no olho. Isso é bom por alguns lados, afinal as informações navegam mais rapidamente e com menos interferências e, efetivamente, é possível conhecer mais pessoas e posteriormente trazê-las para a vida real. O lado ruim, pelo menos um deles, é que essa virtualidade transforma tudo em imagem, desmaterializa. Imagem não grita, não chora, não revida. Dá pra torcer e retorcer uma imagem.
Um recado direto dos muros do Rio de Janeiro
Essa desumanização, que já acontece no universo muito real do nosso cotidiano – pensem nos invisíveis moradores de rua, por exemplo, ou em minorias que tem negados direitos essenciais -, ganhou novas e absurdas fronteiras no vasto mundo da internet. Agora, acrescente nessa receita pitadas industriais de machismo e o resultado são suicídios, traumas, famílias em pedaços.
Nesta semana, um garoto menor de idade de Manaus publicou no Facebook um vídeo curto de uma singela orgia de três caras e uma garota. Nada errado no ato em si. Sexo é divertido, é saudável, é massa. Sendo consentido por ambas as partes, claro. Mas aí no final do vídeo a garota percebe o celular e pergunta: “Você não tá tirando fotos, né?”. Não, ele estava filmando mesmo e depois publicou na rede social. Antes ser tirado do ar, o vídeo já possuía mais de 2000 compartilhamentos e a maioria dos comentários reprovava o comportamento da garota. Poucos falavam da atitude cretina do garoto de postar o vídeo.
Até onde sei, a garota de Manaus tirou de letra os insultos machistas de homens e mulheres. Não aconteceu o mesmo com Giana Laura Fabi (16 anos, Veranópolis, RS) e Julia Rebeca (17 anos, Parnaíba, PI). Ambas foram vítimas de vídeos compartilhados em espertofones pelo programa Whatsapp e não aguentaram os julgamentos, os insultos, a vergonha. No Twitter, Giana escreveu “Hoje de tarde dou um jeito nisso. Não vou ser mais estorvo pra ninguém”, enquanto Júlia disse que “É daqui a pouco que tudo acaba. Eu te amo. Desculpe não ser a filha perfeita, mas eu tentei… desculpa, desculpa, eu te amo muito. Eu tô com medo mas acho que é tchau pra sempre”. As duas suicidaram. Outra vítima no Whatsapp, a goiana Fran, não se matou, mas “morreu em vida”.
Para esses machinhos exibicionistas que jogaram os vídeos na rede – e para todos e todas que compartilharam – essas garotas não passam de carne, de imagem de carne. E a intimidade tem que ser compartilhada para risos, escárnios e ofensas. Se algo sair do controle sempre é possível apelar para um “fui mal interpretado(a)”, “era só uma piada” ou “não achei que fosse acabar desse jeito”, como qualquer Danilo Gentili ou Rafinha Bastos da vida boçal.
Claro que machismo, intolerância, ignorância e espírito de linchamento não são invenções da internet. São coisas que andam dentro da gente desde que tivemos a brilhante ideia de descer das árvores. Mas essa geração escoliose e seus espertofones conectados deram velocidade a um certo vazio ético. Quem está errado é quem compartilha intimidades sem consentimento. Não quem faz ou gosta de sexo. E muito menos meninas tão jovens que só estão descobrindo e experimentando do mesmo modo que os meninos. “Nossa sociedade costuma julgar as mulheres. É como se o sexo denegrisse a honra delas”, disse o deputado federal Romário, que apresentou no fim de outubro ao Congresso um projeto de lei que transforma em crime a divulgação indevida de material íntimo.
Enquanto isso, enquanto essa geração de tortos afetivos não levantar os olhos de seus espertofones para ver o quanto de sentimentos, sonhos e desejos estão ao seu redor e lá também, dentro de seus aparelhinhos, todos serão culpados por histórias tristes como as de Giana, Júlia e Fran. Porque uma imagem é sempre mais que imagem, sexo é ótimo e respeito é pra quem tem. Simples assim.
http://br.noticias.yahoo.com/blogs/mexidao/gera%C3%A7%C3%A3o-escoliose-e-seus-tem%C3%ADveis-espertofones-133842561.html
Marco St.
2 de dezembro de 2013 11:21 amNão é do PT.
Prefeita é cassada pela décima vez em um ano
Como uma espécie de “Highlander” da política, a prefeita de Mossoró (RN), Cláudia Regina (DEM), teve o mandato cassado dez vezes pela Justiça Eleitoral somente neste ano, mas vem se mantendo no cargo.
A última decisão contra a prefeita apontou prática de caixa dois na campanha de 2012. A exemplo do que ocorre nos demais processos, ela recorre da decisão –sem deixar o posto.
As outras cassações se deram por abuso de poder econômico e político.
As acusações incluem o uso de servidores da prefeitura na campanha e o suposto benefício obtido com as 85 visitas a Mossoró da governadora Rosalba Ciarlini (DEM) durante o período eleitoral, feitas em avião do governo.
Cláudia Regina e seu vice, Wellington de Carvalho (PMDB), chegaram a ser afastados dos cargos por três vezes, mas conseguiram recuperar os respectivos mandatos por meio de liminares (decisões provisórias).
Hoje, respondem a sete ações no Tribunal Regional Eleitoral do RN.
O Ministério Público já deu parecer sobre todas as ações que estão no TRE. “Em apenas um dos casos a Procuradoria foi contra a cassação”, disse o procurador regional eleitoral, Paulo Duarte.
A maior parte das acusações contra a prefeita partiu da coligação que enfrentou Cláudia Regina em 2012, que reúne siglas como PSB e PT.
Mossoró é a segunda maior cidade do Rio Grande do Norte. Localizada a 277 km de Natal, é também base de vários líderes políticos do Estado –como a própria governadora, Rosalba, que administrou a cidade por três mandatos.
OUTRO LADO
Segundo o advogado de Cláudia Regina, Sanderson Mafra, várias ações contra ela partem de acusações semelhantes; por isso, tantas condenações. Mafra diz que a prefeita é inocente de todas elas.
Sobre o uso do avião pela governadora, disse que Rosalba Ciarlini cumpriu agenda oficial. Com relação à participação de servidores na campanha da prefeita, afirmou que todos estavam de folga quando participaram de atividades eleitorais.
Marco St.
2 de dezembro de 2013 11:27 amA irresponsável cobertura do caso Pizzolato
A irresponsável cobertura do caso Pizzolato
Por Cristiano Aguiar Lopes em 26/11/2013 na edição 774
Observatório da Imprensa:
Da mídia alternativa, ou progressista, ou independente, ou não alinhada, ou seja lá o que for, esperamos algo diferente da mídia tradicional. Que seja mais crítica, inteligente, independente, ousada. Mas na recente cobertura de um fato central do escândalo batizado pela grande mídia como “mensalão” – a participação do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, no desvio de verbas do Fundo Visanet – o que observamos foi o mais do mesmo. Em matéria de 18 de novembro de 2013 (“Pizzolato revela na Itália dossiê que embaraça julgamento de Barbosa“) publicada pelo Correio do Brasil e reproduzida no Viomundo (ver aqui), o que vemos são os velhos instrumentos da grande mídia em toda a sua plenitude: sensacionalismo, tendenciosidade, desleixo na apuração de fatos, entre outros pecados mortais.
A matéria do Correio do Brasil, assinada pelo famoso “Da Redação”, manda uma bomba logo no seu início: “O pior pesadelo do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa (…) começa a se transformar em realidade”. O tal pesadelo seria um relatório de aproximadamente mil páginas que apresentaria provas de que o dinheiro que deu origem à Ação Penal 470 no STF era de uma empresa privada, e não de um ente público, como supostamente afirmaria o voto de Joaquim Barbosa. Logo de cara, um desleixo inacreditável: o ex-diretor do Banco do Brasil é apresentado na matéria como “Francisco Pizzolato”.
Seriam, portanto, mil páginas para tentar colocar de pé novamente um argumento que já havia sido derrubado ao longo da tramitação da Ação Penal 470. A defesa de Henrique Pizzolato alegou exatamente que os R$ 73,8 milhões retirados do fundo Visanet e transferidos para a DNA Propaganda de Marcos Valério teriam natureza privada. Foi por mero dever de ofício. Um simples telefonema para um estudante de Direito minimamente informado e os jornalistas responsáveis pela matéria descobririam que o tipo penal “peculato” – pelo qual, entre outros, Pizzolato foi condenado – incide quando verbas públicas ou privadas de que tem posse o autor são desviadas ou apropriadas. O que define o crime é se essa transferência indevida ocorreu “em razão do cargo”. O mesmo estudante de Direito iria enfatizar que o artigo 312 do Código Penal define como crime de peculato “apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio”.
Sem compromisso
Depois de errar o nome do principal personagem da história e de se esquecer de consultar a lei, o Correio do Brasil sapeca outra impropriedade: para enfatizar o caráter privado do fundo Visanet, afirma que o seu maior acionista é o Bradesco, sem apresentar qualquer dado concreto que comprove tal afirmação. O mais importante para o leitor seria receber informações sobre como era constituído exatamente este fundo e qual era participação do Banco do Brasil no seu capital. Como não o fizeram os atores da matéria, faço eu.
O Fundo de Incentivo Visanet foi constituído por três grupos distintos no Brasil: o Banco do Brasil, o Bradesco e um conglomerado de diversos outros titulares minoritários que, juntos, detêm a maior fatia do bolo. Os recursos desse fundo deveriam ser utilizados nas atividades de seus acionistas na promoção de cartões de crédito da bandeira Visa. No período em que houve as retiradas de recursos pelas quais Henrique Pizzolato foi condenado, o Banco do Brasil detinha 32,03% de participação sobre o capital do Fundo Visanet. Individualmente, portanto, era o BB, e não o Bradesco, seu maior acionista.
A matéria também ressalta a existência de uma carta, que teria sido escrita pelo supostamente “tucano” Antonio Luiz Rios, ex-presidente da Visanet, dirigida aos peritos da Polícia Federal e que haveria, teoricamente, influenciado as perícias, a denúncia da Procuradoria Geral de República (PGR) e até mesmo a opinião dos ministros do STF. Aí, bastaria ao jornalista apelar para o bom senso. Uma carta? Como assim? Escrita espontaneamente, e com poder tal de persuasão que influenciaria perícia, PGR e a maioria dos ministros do STF?
Mais uma vez, não foi exatamente o que aconteceu. Na verdade, o Instituto de Criminalística solicitou à Visanet informações sobre a natureza de suas operações e sobre seu relacionamento com a DNA Propaganda. Em resposta, a entidade enviou um ofício ao Instituto de Criminalística no qual detalhava os seus mecanismos de atuação nas ações de marketing dos cartões da bandeira Visa. Foi esta informação prestada em caráter oficial, na qual se explicitava que cabia a cada banco acionista planejar e executar suas próprias ações de propaganda de seus cartões Visa, que guiou os trabalhos da perícia e que ajudou a embasar a opinião dos ministros do STF.
Matérias desse tipo, com tamanha desonestidade intelectual, atrapalham enormemente a atividade da mídia independente. Contribuem para ferir de morte a credibilidade da mídia não tradicional. Vestem-se de um chapa-branquismo caricato e de uma ingenuidade que beira o conspiracionismo. Esse sim é o pior pesadelo, não do presidente do STF, mas de todos os que defendem a pluralidade de informação: que mídia tradicional e mídia independente terminem por se igualar na falta de compromisso com a verdade.
***
Cristiano Aguiar Lopes é jornalista, mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília e consultor legislativo da Câmara dos Deputados.
pedro cavalcante
2 de dezembro de 2013 11:32 amAvião sem aeroporto
Aeronave híbrida é misto de tudo o que voa
Redação do Site Inovação Tecnológica – 30/10/2013
O projeto combina as melhores características de um avião, um hidroavião, um helicóptero, um aerodeslizador e um dirigível. [Imagem: ESTOLAS Project]
Disco voador?
A União Europeia parece realmente decidida a mudar o futuro da aviação.
Quando o problema for velocidade, a solução que está sendo trabalhada é o SpaceLiner, um avião hipersônico.
No outro extremo, para as situações mais corriqueiras, a melhor solução parece ser juntar tudo o que se conhece hoje em termos de veículos voadores e construir um híbrido que pouse em qualquer lugar, inclusive na água.
Tornar as viagens aéreas mais eficientes, mais baratas e mais sustentáveis é oobjetivo que está sendo perseguido pelo projeto ESTOLAS (Extremely Short Take Off and Landing on Any Surface – pouso e decolagem extremamente curtos em qualquer superfície).
Segundo os idealizadores do projeto, esta será uma das reviravoltas mais radicais na história da aviação.
O projeto ESTOLAS pretende desenvolver um veículo voador híbrido que combine as melhores características de um avião, um hidroavião, um helicóptero, um aerodeslizador (hovercraft) e um dirigível.
O resultado é um desenho mais curto do que o tradicional tubo com asas dos aviões atuais e mais achatado dos que os helicópteros. Na verdade, sua seção central é um disco – eventualmente, um “disco voador”.
Os aviões híbridos poderão simplesmente dispensar a construção de aeroportos. [Imagem: ESTOLAS Project]
Avião sem aeroporto
Além das turbinas ou turbo-hélices, o ESTOLAS terá um rotor como um helicóptero, embutido em sua fuselagem.
Dos dirigíveis, ele herdará os depósitos de hélio, usados para obter uma sustentação extra.
A aeronave terá ainda um sistema gerador de um colchão de ar, como os aerodeslizadores, para pousar em pistas não pavimentadas, esquis para pousar na neve e um desenho adequado para pousar na água, como os hidroaviões.
“A nova aeronave terá inúmeras vantagens,” garante o coordenador do projeto, Alexander Gamaleyev, da Universidade Técnica Riga, na Letônia.
O pouso e a decolagem exigirão pistas de apenas 175 metros para a versão superpesada do projeto ESTOLAS, e meros 75 metros para a versão menor – serão quatro versões, denominadas pequena, média, pesada e superpesada.
Segundo Gamaleyev, qualquer modelo poderá pousar e decolar em pistas asfaltadas, campo, pântano, mar, rio, lago ou neve.
Isso significa que os aviões híbridos poderão simplesmente dispensar a construção de aeroportos, atendendo virtualmente qualquer localidade que possua alguma superfície plana.
Os índices de carga serão de 1,5 a 2 vezes maiores que os aviões a jato ou hélices convencionais, o que significa que o custo do transporte aéreo poderá rivalizar com o transporte ferroviário, segundo Gamaleyev.
Até Abril de 2014 os pesquisadores planejam ter pronto um modelo, também em escala reduzida, mas funcional, que possa voar por controle remoto. [Imagem: ESTOLAS Project]
Da prancheta para a prática
Agora que o projeto está pronto, está em andamento a construção de um modelo em escala que possa ser testado em túnel de vento.
Até Abril de 2014, os pesquisadores planejam ter pronto um modelo, também em escala reduzida, mas funcional, que possa voar por controle remoto.
As etapas finais do projeto, segundo o Dr. Gamaleyev, vão incluir o desenvolvimento de um plano de negócios para ajudar a mover o projeto ESTOLAS da prancheta e dos testes de laboratório para a viabilidade comercial.
Como isso será feito ainda não está claro, mas as opções consideradas incluem o estabelecimento de joint-ventures com parceiros industriais, o licenciamento do projeto ou a atração de capital de risco para a construção dos primeiros
Apenas o nome do projeto – ESTOLAS – não soa muito promissor, ao menos em português: estolar é a perda da sustentação de uma aeronave por velocidade insuficiente para mantê-la no ar.
[video:http://www.youtube.com/watch?v=36i1K2-Zzlg%5D
avião, helicóptero, hovercraft e dirigível
Marco St.
2 de dezembro de 2013 11:32 amGlobonews e seus “especialistas” debocham de trabalho científico
Globonews
Emissora debocha de trabalho científico
Por Marco Antonio Leonel Caetano
Observatório da Imprensa
Histórico
Sou professor, com doutoramento em Engenharia Aeronáutica pelo ITA-São José dos Campos, e tenho minhas pesquisas pautadas no modelamento de vários fenômenos da natureza. Já trabalhei e publiquei em revistas internacionais especializadas na área aeroespacial, em medicina com modelos de tratamentos contra o HIV, com modelos da dengue, com modelos sobre aquecimento global e, nos últimos 15 anos, com modelo para estudo de crash financeiro. Esse estudo de 15 anos sobre como acontecem os crashes partiu de um modelo do professor Didier Sornette que, com suas pesquisas, publicou o livro Why Stock Markets Crash.
A seriedade do estudo de Sornette lhe valeu grandes referências, sendo coordenador de um centro para estudo de crises no ETH-Zurich, o mesmo instituto de Einstein. Sornette também já foi diretor da Sociedade Suíça de Finanças. O modelo de Sornette se norteia na utilização e adaptação de modelos para previsão de terremotos, tentando enxergar um crash financeiro como um terremoto. Mas o equacionamento do professor Sornette tem alguns problemas técnicos do ponto de vista matemático.
Com base nesse estudo eu, juntamente com o professor doutor Takashi Yoneyama, do ITA, adaptamos o estudo de Sornette e enxergamos que, ao invés de usar um modelo próprio de terremoto, poderíamos usar espectro de frequências para tentar visualizar como era o comportamento do mercado durante uma crise. Funciona como um celular à procura de uma antena para seu sinal. Quanto mais próximo da fonte, mais o alerta vai ficando forte, sempre com valores oscilando entre zero e um.
Publicamos esse estudo diversas vezes pela Elsevier, na revista internacional Physica-A, com inúmeros testes estatísticos solicitados pelos revisores. Não se publica um artigo científico sem que os pares de revisores estejam satisfeitos em suas exigências, principalmente estatísticas. O artigo original e seminal de nosso estudo foi o seguinte:
Muitas publicações se seguiram em outras revistas e congressos internacionais, até elaborarmos um índice que pudesse computar entre zero e um, um alerta que leigos no assunto pudessem entender. O segundo artigo foi esse:
E foi desse artigo que nasceu o IMA – Índice de Mudanças Abruptas, para fazer alertas de fortes crashes e de possíveis bons momentos de compras para os investidores.
Previsões sobre o mercado
Em 2007, quando a economia estava bastante favorável aos negócios, começamos a alertar, através de entrevistas, sobre uma possível virada forte no mercado usando o IMA. Em dezembro de 2007, o Valor Econômico publicou com destaque nosso alerta no “EU & Investimentos”, numa excelente matéria sobre o IMA, assinada pela jornalista Adriana Cotias.
Em fevereiro de 2008, o jornal publicou outro alerta, indicando que a crise estava se aproximando, quando ninguém ainda cogitava de falências como as do Leman & Brothers nos EUA. Já se comentavam as hipotecas, mas ninguém falava em datas ou quando isso ocorreria.
Desde então, em 2009, em 2010 e em 2011, tanto o Valor quanto outros jornais, começaram a nos entrevistar sobre as mudanças no mercado. Foi então que decidimos criar um site, o “Mudanças Abruptas“.
O site Mudanças Abruptas
O site “Mudanças Abruptas” tem o intuito de divulgar ciência, educação, exercícios, trabalhos de alunos e ex-alunos e colunas com professores. Não somente o mercado é abordado, mas tudo que está relacionado com matemática e computação é abordado no site. Todos os materiais são próprios e não existe cópia de outros sites, pois todos os estudos e programas foram desenvolvidos por mim, que sou professor de computação há quase 25 anos.
Sempre preocupado em fazer as pessoas acreditarem em ciência, disponibilizo links para livros, sites interessantes, planilhas de outros estudantes e estudos de outros professores para motivar o uso da computação e matemática.
A partir deste ano, começamos a cobrar pelo acesso de assinantes ao IMA, com intervalo de 15 minutos ao sinal da Bovespa. Além do Ibovespa, o assinante tem acesso ao IMA relacionado a outras 10 ações. A cada 15 minutos alertas são emitidos (ou não, dependendo do mercado) sobre crashes ou oportunidades de investimentos. Essa é a única área cobrada, pois diversos fundos de investimentos usam o IMA para fazer lucro grande com o dinheiro dos clientes.
O livro
Com citações em artigos pelo mundo afora, chineses começaram a replicar e reproduzir meu trabalho para a bolsa de valores Hang Seng. Decidi então escrever um livro, dividido em cinco partes, para que o leitor leigo no mercado fosse crescendo no interesse à medida que lia os capítulos.
A parte 1 conta as crises desde a “crise das tulipas” na Holanda, de 1907, a crise de 1929 e assim por diante até o flash crash de 2010. Depois, na segunda parte, mostro onde os modelos atuais falham. Na parte 3, como usar estatística no mercado. Na parte 4, como a matemática e novos algoritmos de computação poderiam ser melhores utilizados. E, por fim, como funciona meu método e como é o IMA onde acerta e onde erra.
O livro foi lançado pela editora Érica-Saraiva com o nome Mudanças Abruptas no Mercado Financeiro e pode ser conferido aqui. O livro é acadêmico, científico e de mercado, visto que dados reais são apresentados nos exemplos em todos os capítulos. A revisão do livro foi feita por quatro reconhecidos revisores que eu e a editora selecionamos, com PhD no exterior nas áreas de Engenharia, Economia, Finanças e Física. Depois de suas correções e crivo, publicamos o texto.
O problema com a Globo News
Nossa assessora de imprensa distribuiu em seus links uma pauta para quem tivesse interesse em saber detalhes de como o IMA funciona no mercado. A Globo News manteve contato, com interesse na matéria, a ser apresentada no programa Conta Corrente, com o âncora Dony de Nuccio e o professor Samy Dana, da FGV. A matéria levou duas horas de filmagens e praticamente uma aula particular com a repórter Carla Lopes, que não era muito íntima na área de mercados. Ela compilou tudo em três minutos e conseguiu, por fim, fazer uma boa matéria, incluindo assinante do site, algumas palavras comigo explicando o procedimento e algumas imagens.
Então, os outros três minutos, o âncora e o professor da FGV desfizeram da matéria logo de início, com sorrisos de deboche. Ilustraram contra exemplos, todos errados, a respeito de dados passados, destratando o que eu tinha dito na matéria. Fizeram analogia com gato jogando bolinhas aleatórias e que tinha mais chance de acertar do que os investidores. Fizeram analogias sobre o polvo da Copa do Mundo de futebol. O professor da FGV disse que ninguém venderia ou compraria algo tão bom se esse algo não fosse bom de verdade. Não disse explicitamente sobre o IMA, mas somos todos bem adultos para perceber esse jargão do mercado. Sim, no mercado, quando os analistas querem desfazer o trabalho dos outros fazem duas perguntas: 1- Quanto você já ganhou?; 2- Se é tão bom, por que está vendendo?
Esse tipo de hipocrisia é clássico de analista de mercado. Quem é da área conhece essa abordagem. E foi isso que Samy fez e que, para quem não é do mercado parece não dizer nada, mas para quem é, é um deboche autêntico. Eu sou do mercado e da ciência, por isso entendi o recado dele.
Mas para terminar, não contente em desfazer todo meu trabalho e do professor doutor Takashi Yoneyama, o professor Samy da FGV ainda termina dizendo: “É uma anedota, … é ainda anedótico…”
Contatos não respondidos
Escrevi para o professor Samy Dana perguntando por que, antes de falar mal, não tinha lido algo sobre mim, sobre meu trabalho e do professor Takashi Yoneyama nos últimos 15 anos. Perguntei a ele por que desfazer de um trabalho que ele não conhecia e que ele não tinha chance de entender? A matemática existente lá no meu método é pesada e baseada em teoremas.
A resposta foi: silêncio.
Escrevi para o editor do programa Conta Corrente, com os mesmos argumentos, com as mesmas questões levantadas. Resposta: silêncio.
Percebi nas redes sociais que o editor é recém-formado e logo concluí que nunca ele teria coragem de confrontar o professor Samy para desfazer a covardia que fizeram sobre a matéria.
Escrevi para um ex-integrante do antigo programa Conta Corrente, o comentarista George Vidor. Uma pessoa muito gentil que transferiu meu e-mail para um editor da Globo News. Resposta: silêncio.
Por último, escrevi para o editor-chefe da Globo News, João Carvalho Neto, que respondeu que estava aberto a reclamações. Quando escrevi sobre os problemas na matéria a resposta foi: silêncio.
Insisti uma semana depois, se ele tinha recebido e o que ele tinha a respeito do ocorrido. A resposta foi essa:
Em suas próprias palavras, o editor diz: “Não podemos responder pelos comentários … de nossos comentaristas, que são independentes…”
Questões ao Observatório da Imprensa
Eu não solicitei a reportagem, não pedi a entrevista. Lançamos a ideia e eles se interessaram pelo assunto. Se não quisessem, não precisavam vir, perder meu tempo fazendo uma matéria que para eles seria “anedota”. Não preciso disso em minha carreira.
Seriam os revisores da Elsevier anedóticos? Eles publicariam algo que não tivesse um fundo de verdade? A editora Érica-Saraiva, reconhecida por suas produções no meio acadêmico, publicaria algo “anedótico”? Ou será que MEC, CNPq e Fapesp, dos quais sou assessor ad hoc, seriam “anedóticos” ao solicitar meus serviços de revisão de projetos? E os 5 mil alunos que já passaram por meu quadro negro? Eles assistiram a aulas de alguém que gosta de anedota?
(1) Por que a Globo News fez a matéria, se aparentemente o editor selecionou pontos “alvos” para o âncora e comentarista criticarem de forma “vulgar”? A gravação tinha muitas explicações, simulações do computador que expliquei para a repórter, mas tudo foi para o lixo.
(2) Está correto sobre a independência do comentarista. Mas até onde vai a liberdade sobre atingir pessoas que não podem rebater em “tempo real”?
(3) Como um programa não tem responsabilidades, se o comentarista não é um convidado, e sim, um colaborador semanal? Se o programa foi gravado por toda equipe, incluindo o editor, dentro das quatro paredes da emissora, quem tem responsabilidades? Qual é o limite?
(4) Por que não dar o direito de resposta imediato, ou então, chamar para um bate-papo junto com o comentarista, logo depois da matéria ter ido ao ar? É justo os personagens da reportagem ficarem de fora do debate ao vivo?
(5) Por que se eximir das responsabilidades de atingir quem não consegue nem mesmo contato?
(6) Não seria mais honesto a emissora ter um canal aberto ao público para trocar informações de como andam as reclamações? Por exemplo, para qualquer comentário no Conta Corrente é necessário preencher um cadastro e enviar uma mensagem – que não se sabe para quem ou para onde, que decide ou se vai para a lixeira ou não. Já escrevi algumas vezes sem resposta.
Posso estar errado em meu entendimento e pronto para aceitar a recusa de qualquer comentário a respeito deste caso. Mas na minha índole e formação acadêmica, bem como pai e filho que sempre viveu dentro dos direitos e da ética do respeito para com os outros, creio que o âncora, o comentarista, os editores e o canal Globo News como um todo passaram dos limites do profissionalismo.
***
Marco Antonio Leonel Caetano é professor de Engenharia Aeronáutica do ITA (São José dos Campos, SP
Emanuel Cancella
2 de dezembro de 2013 11:46 amPetroleiros promovem um
Petroleiros promovem um “Black Friday” de protesto
Nesta sexta-feira (29/11), o Sindipetro-RJ e ativistas dos movimentos sociais, realizaram um escracho em praça pública no Rio de Janeiro contra discriminações aos aposentados e contra o leilão de petróleo
O protesto foi em defesa dos petroleiros aposentados, pensionistas e anistiados da Petrobrás, que, segundo denúncia dos dirigentes do Sindipetro-RJ, estão sendo discriminados pela empresa nos sucessivos Acordos Coletivos de Trabalhos (ACT).
O ato, que foi na esquina da rua São José com a Avenida Rio Branco, Centro do Rio, ganhou um tempero a mais, pois se realizou nesta sexta-feira (ou na “Black Friday”, segundo o mercado no Brasil – uma cópia do que é realizado nos Estados Unidos). Os diversos discursos destacaram que o Governo Dilma realizou um Black Friday (ou liquidação) com as nossas áreas exploratórias no 12º Leilão da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que foi concluído nesta sexta-feira com a concessão de áreas exploratórias de gás de xisto, de alto potencial de contaminação ao meio ambiente, à saúde humana e animal.
Os ativistas distribuíram um manifesto com várias denúncias contra a presidente da Petrobrás, Maria das Graças Foster; da diretora da ANP, Magda Chambriard; e incisivas críticas à presidente Dilma Rousseff, que foi acusada de ser uma fraude eleitoral, uma vez que fez o 1º Leilão do Pré-sal, quando em plena eleições de 2010 dizia que leiloar o pré-sal “é crime” contra o país. Agora, Dilma fez o 12º Leilão de Petróleo, muito criticado pelos riscos ao meio ambiente com a utilização da técnica de fracking (fratura de rochas).
O diretor do Sindipetro-RJ, Emanuel Cancella, em seu discurso informou ao público que vários escrachos serão realizados todas sexta-feira, em diversas praças públicas, no Rio de Janeiro. Os escrachos têm como objetivo denunciar as discriminações praticadas pela Petrobrás contra os aposentados, pensionistas e anistiados. Tal prática da empresa perdura por 17 anos, sublinhou Cancella. Os escrachos têm ainda em pauta denúncias contra o processo de privatização do Governo Dilma.
O petroleiro anistiado político e diretor do Sindipetro-RJ, Francisco Soriano, leu para o público o manifesto, e que foi distribuído para a população. Ele disse que “o leilão de Libra foi um crime contra o Brasil. Entregamos no leilão da ANP um campo que tem capacidade de produzir cerca de 15 bilhões de barris de petróleo, e que vale cerca de US$ 15 trilhões. No leilão da ANP, Libra foi vendido ao correspondente a um dólar por barril”.
O diretor do Sindipetro-RJ, Edison Munhoz, destacou que esses leilões de petróleo, as privatizações, entre outras medidas, são práticas que visam atender à máquina do capitalismo contemporâneo, que espalha miséria e sofrimento pelo mundo. Lembrou de lideranças, como Leonel Brizola, que destacavam que o Brasil, infelizmente, tem tido uma política do “toma lá dá cá” com o nosso patrimônio público. Ele disse que o leilão de xisto, concluído nesta sexta-feira, é um crime contra a vida humana e o meio ambiente.
Para a diretora do Sindipetro-RJ, Fabíola Mônica, o leilão do gás de xisto “é contra a vida e meio ambiente”, pois as reservas desse tipo de gás estão abaixo dos aquíferos, e destacou o Guarani.
Clique para ler a íntegra do manifesto: http://www.apn.org.br/w3/images/2013/11/escracho%20dilma-graa-chambriard.pdf
Marco St.
2 de dezembro de 2013 1:02 pmCubanos trazem uma nova forma
Cubanos trazem uma nova forma de fazer Medicina
Médicos fazem exames e surpreendem pacientes e profissionais
O Dia/Christina Nascimento
Rio – É quase impossível não estranhar quando se ouve de Julio Cesar Nunez Naranjo, 46 anos, o valor que recebe por mês em Cuba. “Cerca de 30 dólares (quase R$ 70). É uma boa remuneração”, diz o médico, em um compreensível ‘portunhol’, após atender uma mãe e um bebê no Centro Municipal de Saúde de Vila do Céu, em Campo Grande. Mas a relação com o dinheiro não é a única diferença na comparação com os médicos brasileiros.
A chegada dele à unidade já provocou mudança no comportamento de outros profissionais. E a explicação está na formação acadêmica: a medicina cubana incentiva laços mais estreitos com os pacientes. “Os médicos que vêm de fora colhem material para preventivo. Alguns não faziam isso. Mandavam sempre a enfermeira. Já ouvi muitos dizendo que agora vão fazer o procedimento”, conta uma funcionária da unidade.
A sensação térmica em Vila do Céu era de 40 graus na quinta-feira, quando Julio recebeu O DIA no consultório. Do bolso, ele tira um lenço para enxugar o suor no rosto. Apesar do ar condicionado, o calor é quase insuportável. Uma realidade que não assusta quem tem no currículo experiências no Haiti, onde o atendimento era feito em postos sem ventilação ou qualquer iluminação.
“Achei que iria encontrar um cenário no Rio muito pior do que realmente é. Vi que tem estrutura e a equipe é dedicada. É possível fazer um bom trabalho”, avalia ele, que deixou dois filhos na ilha de Fidel. “Um deles será médico”, diz, orgulhoso. Por aqui, o trabalho na comunidade de 29 mil habitantes será exaustivo. No hospital onde atuava em Cuba, ele tinha sob sua atenção 1,2 mil pessoas. Em Vila do Céu, serão 4 mil. Pacientes como a pequena Mariana Cadena, de 6 meses, estão na lista de atendimento. Enquanto mama, sua mãe, a camelô Raquel Cadena, 38, diz estar esperançosa.
“Ficamos quase dois meses sem o médico de família. A ajuda vinha da enfermeira, que acompanhava o peso da neném. Estava preocupada com o desenvolvimento dela”, avalia Raquel. A mãe disse não se importar com a consulta auxiliada por uma enfermeira tradutora. “Quero alguém para me atender. Não importa de onde venha”.
Dos R$ 10 mil que o governo brasileiro vai passar para a Organização Pan-Americana de Saúde, referentes ao trabalho dos cubanos, Julio e sua família vão ficar com cerca de R$ 2,3 mil. O restante é retido por Cuba, que durante os três anos que os médicos vão ficar aqui continuará depositando o salário deles. “O que vai para lá será reinvestido na área de saúde. Não é para mim. É para todo mundo”, explica Julio, sem se mostrar incomodado.
Cidade que mais avançou
A chegada de 70 médicos estrangeiros, sendo 65 vindos de Cuba, vai elevar o Rio ao patamar de cidade que mais avançou a curto prazo em cobertura de saúde da família. A partir de amanhã, o cadastro de controle da Secretaria Municipal de Saúde passa a registrar mais 300 mil cariocas com atendimento monitorado pelo programa. Com isso, serão, no total, 2,83 milhões de pessoas monitoradas pelos postos de saúde e Clínicas da Família. Com o reforço vindo de outros países, esse percentual vai saltar dos atuais 41% para 45%.
Até o momento, a prefeitura não tem registro de problemas com médicos estrangeiros. Pelo contrário. A aceitação tem superado as expectativas. Acostumada a atender em localidades de extrema miséria, em países como Honduras e Bolívia, Leonor Maria Pérez, 48, acha que a profissão é uma atividade humanitária. “Todo médico deveria trabalhar em regiões carentes. A gente estuda é para isso, para ajudar as pessoas”.
Medo da violência noticiada
A rotina no Rio é parecida com a de Cuba. São 40 horas por semana, mas lá os médicos trabalham quatro horas todos os sábados. Assim como o colega que atua em Vila do Céu, José Manuel Anaya, 45, que trabalha no Centro de Saúde de Inhoaíba, passou pela Venezuela. Também esteve em Gana antes de vir para o Brasil.
No Rio, admite ter medo da violência: “Vejo nos jornais que aqui tem três, quatro mortos por dia. Por isso, estou sempre atento”, afirma o cubano, que ainda não teve tempo para conhecer pontos turísticos da cidade.
IV AVATAR
2 de dezembro de 2013 2:32 pmBullying da mídia contra réus
Tal como a palavra “terrorista” teve sua função de massacrar, humilhar, perseguir e até matar na ditadura militar, hoje se usa a palavra “mensaleiro”,sendo que os interesses americanos são os mesmos, a elite é a mesma, parte do povo desinformado é o mesmo e os presos politicos são os mesmos:
Não satisfeita com condenação e prisão de Genoíno, Dirceu & Cia a mídia corporativa faz bullying que pode levá-los à pena de morte, por Antônio Mello, em seu blog
Bullying é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva por pessoa ou grupo contra outra pessoa ou grupo.
Não é o que a imprensa está fazendo com Dirceu, Genoíno & Cia, mas especialmente os dois primeiros?
Não basta que estejam presos. Eles são humilhados. Doença, menosprezada. Anúncio do emprego de Dirceu, ridicularizado. Direitos, tratados como mordomia. Sofrimento, recebido com alegria, satisfação e zombaria. Isso todos os dias as 24 horas do dia.
A todo instante a incitação ao linchamento moral, que, no caso da Papuda, pode se transformar em linchamento físico (já se anuncia aqui e ali uma “insatisfação dos demais presos” com supostas “regalias” ao grupo). Parece ser o que desejam. A pena de morte.
magsoa
2 de dezembro de 2013 5:31 pm30/11/2013 – Copyleft
O
30/11/2013 – Copyleft
O protesto nas universidades por um no ensino da economia
A forma como se ensina economia nas universidades é anacrônica e está “presa numa cápsula do tempo”. Por Helena Oliveira, Jornal de Negócios (Portugal)
Por Helena Oliveira, Jornal de Negócios (Portugal)
Até aqui, poderia ser chamada como uma “revolução silenciosa”. Um pouco por todo o mundo, grupos de estudantes de economia estão a organizar-se e a erguer a sua voz exigindo uma reforma nos programas curriculares da disciplina. Questionando a hegemonia da teoria neoclássica, a excessiva utilização dos modelos matemáticos e a desconexão entre “economia” e questões econômicas reais, os estudantes em causa, apoiados por um número crescente de acadêmicos e economistas de referência, divisaram estratégias variadas de ação e estão a começar a atingir sucessos reais. Depois de manifestos, movimentos e conferências, os media começaram a cobrir este grito de reforma e já há muita gente que o escuta, regista as suas frustrações e se prepara para agir. O VER conta a história de uma nova “Nova Economia” que, finalmente, parece estar a dar os primeiros passos em muitas instituições de ensino de referência.
“Se desejam enforcar alguém por causa da crise, enforquem-me a mim, e aos meus colegas economistas”. A frase, indubitavelmente surpreendente, foi proferida por uma economista e acadêmica de Cambridge, Victoria Bateman, e deixou profundamente incomodados os demais acadêmicos e economistas reunidos, no final do mês de Outubro, numa conferência que teve lugar em Downing College, Cambridge, a propósito da crise econômica.
No seu novo livro, Never Let a Serious Crisis Go to Waste, o economista norte-americano Philip Mirowsky conta a história de um colega seu, professor na Universidade de Notre Dame, ao qual foi pedido, pelos seus alunos, que fizesse um debate sobre a crise financeira. Dado que corria o ano de 2009 e o mundo financeiro estava a colapsar aos olhos de todos, os alunos pensaram que este seria um excelente tema para ser debatido na aula de macroeconomia. A resposta do professor: “Os estudantes foram laconicamente informados que o tema não constava do conteúdo programático da disciplina, nem era mencionado na bibliografia afixada e que, por isso, o professor não pretendia divergir da lição que estava planeada. E foi o que fez”.
Num artigo publicado no The New York Times, e também em 2009, o laureado com o Nobel da Economia e também professor em Princeton, Paul Krugman, escrevia: “tal como eu a vejo, a profissão de economista sofreu um profundo desaire porque os economistas, enquanto grupo, confundiram a beleza e a sofisticação da matemática com a verdade”.
O que têm estas três histórias em comum? À primeira vista, uma recusa em acreditar que o mundo mudou, que as lições decorrentes da crise financeira não foram debatidas, ou estudadas, e que a economia continua a ser uma disciplina que ignora as evidências empíricas que contradizem as teorias mainstream que, até agora, fazem parte dos seus conteúdos pragmáticos.
E é contra esta recusa cega e teimosamente persistente que muitos estudantes de economia, de diversas universidades e de vários cantos do mundo, se estão a organizar em movimentos estudantis, a angariar apoio acadêmico no geral, e de muitos economistas de renome em particular, e a publicar manifestos nos quais exigem que o estudo da economia reflita o mundo pós-Grande Recessão e que os modelos que sustentam a disciplina sejam mais pluralistas e menos dogmáticos.
Contra o autismo econômico
A 6 de Abril último, um grupo de estudantes da École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS), uma das mais reconhecidas instituição de ensino de ciências sociais em França, realizou uma assembleia geral para discutir alternativas à ortodoxia corrente que caracteriza o ensino da economia no século XXI. Em Setembro do ano passado, mais de 400 estudantes alemães participaram num “evento de alternativa pluralista” organizado pela Associação Econômica Alemã, com o objetivo de debaterem, num fórum organizado para o efeito, ideias econômicas fora do âmbito mainstream. Em finais de Junho do corrente ano, estudantes, acadêmicos, profissionais e cidadãos juntaram-se em Londres para repensar a economia e o seu ensino enquanto disciplina na denominada Rethinking Economics Conference.
Estes são apenas alguns dos exemplos que, através de iniciativas aparentemente separadas, se estão a transformar num movimento global de estudantes – e também de professores – cujo objetivo principal é alterar a forma como se olha para a economia enquanto disciplina e enquanto ciência, não exata, mas antes plural e “humana”.
O início deste movimento teve lugar em França, no já longínquo ano 2000, quando ainda não se sonhava com o escândalo da Enron e, muito menos, com o pesadelo de Wall Street e as sequelas que se lhe seguiram e que afetaram o mundo financeiro e econômico global como o conhecíamos. Na altura, um grupo de estudantes franceses publicou um manifesto no qual exigiam o fim “do autismo no ensino da economia” enquanto disciplina. Em particular, os estudantes criticavam a utilização “descontrolada” da matemática no ensino da economia, como se a primeira fosse “um fim em si mesma”, o fracasso do seu envolvimento com a economia real, o dogmatismo reinante e a inexistência de um pluralismo intelectual no ensino da disciplina em causa, o qual não deixava espaço algum para o pensamento crítico em geral e para abordagens alternativas à economia em particular. Na altura, o manifesto estudantil deu rapidamente origem a uma petição por parte dos professores de economia franceses, que apoiavam o conteúdo do mesmo, o que acabou por ter um eco substancial não só na imprensa como também ao nível político, tendo sido instituído, pelo então ministro da Cultura francês, um comité para investigar as “queixas” levadas a cabo por estudantes e professores.
Treze anos passados e as questões colocadas por este grupo de estudantes continuam por resolver. Mas e apesar do rótulo da necessidade de uma “economia pós-autismo” ter desaparecido, os movimentos de estudantes estão em crescendo, multiplicando-se as iniciativas, bem como as vozes concordantes que clamam por uma nova abordagem da economia. Como se pode ler na página do movimento Rethinking Economy, os estudantes alemães que participaram no evento acima referido vêem agora a sua “alternativa” a ser replicada em várias universidades alemãs, numa rede intitulada Rede Alemã para uma Economia Plural, o mesmo acontecendo com estudantes no Canadá ou no Chile.
O reputado Institute of New Economic Thinking , sedeado em Nova Iorque, lançou a Young Scholars Initiative que “apoia a nova geração de pensadores da nova economia” e, na mesma linha, a World Economics Association – que reúne mais de 12 mil economistas de todo o mundo – fundou também a Young Economists Network.
Mais recentemente, a Universidade de Manchester lançou a The Post-Crash Economics Society, colocando online uma petição para alterar os conteúdos programáticos com base num manifesto que, entre outras coisas, sublinha a ideia que a economia é muito mais que crescimento e PIB e que a expansão do pensamento econômico é vital para os líderes do futuro. Numa carta aberta publicada pelo jornal britânico The Guardian, os membros desta “sociedade” têm vindo a ganhar uma visibilidade crescente ao longo deste mês de Novembro – com uma excelente ajuda por parte do próprio jornal – depois de um conjunto de acadêmicos ter enviado também uma carta ao mesmo na qual “afirmam compreender a frustração dos jovens com a forma como a economia é ensinada na maioria das instituições no Reino Unido”. Para este conjunto de professores, que fazem parte do Post Keynesian Economics Study Group, a economia contemporânea continua a ser moldada pela abordagem neoclássica [em que a ciência econômica é vista como “pura”, identificando-se com o mercado, ou concorrência, em particular sobre a forma de concorrência perfeita, em que os sujeitos econômicos agem racionalmente em termos de maximizadores ou minimizadores de qualquer coisa, sejam utilidades, lucros, custos, etc. e são dotados de idêntico poder]. Para estes acadêmicos, esta abordagem tem apenas em consideração os “microfundamentos” que se baseiam nos indivíduos racionais e egoístas em detrimento de uma qualquer plausibilidade empírica. “Este compromisso dogmático contrasta significativamente com a abertura do ensino em outras ciências sociais as quais, de forma rotineira, apresentam paradigmas concorrentes”, escrevem, acrescentando que “os estudantes podem hoje terminar a sua licenciatura em economia sem nunca terem sido expostos às teorias de Keynes, Marx ou Minsky e sem nunca terem ouvido falar da Grande Depressão”.
Ou, em suma, e regressando às questões pioneiras levantadas pelos estudantes franceses em 2000, o cenário parece não ter mudado: o ensino da economia continua a ser dogmático e “estreito”, os modelos matemáticos continuam a estar no seu centro, os humanos são tratados como se de máquinas calculadoras se tratassem e a maioria dos acadêmicos continua a ter muito pouco a dizer sobre os acontecimentos que vão caracterizando a economia real. Mais importante ainda é o facto de a crise financeira e econômica de 2008 ter demonstrado, de forma dolorosa, que os modelos macroeconômicos ortodoxos são manifestamente inadequados e que a economia mainstream não ajudou os economistas a prever a crise nem permite, tal como está, que se evitem recessões intermináveis.
Debates, enfoque na história do pensamento econômico e sustentabilidade
Mas e afinal, o que pretendem os estudantes e os professores e demais economistas que os apoiam?
Os estudantes da Universidade de Manchester que formaram a já mencionada Post-Crash Economics Society encontraram inspiração para a criação da sua “sociedade” depois de terem assistido, em Fevereiro de 2012, a uma conferência organizada pelo Banco de Inglaterra e pela Royal Economic Society. Intitulada “Are economics graduates fit for purpose?”, o evento contou com a presença de um conjunto de diversos especialistas que analisavam, exactamente, uma das consequências da crise financeira e econômica de 2008: a reavaliação da própria economia por parte daqueles que a praticavam, o que implicaria, naturalmente, a forma como esta era ensinada nas universidades. Como afirmou então Diane Cole, directora da consultora Enlightenment Economics, uma das oradoras, “a crise foi um enorme fracasso intelectual, pois todos a percebemos de forma errada”. E, na verdade, a questão da necessidade de existir uma reforma no ensino da economia está estreitamente relacionada com o “status” intelectual da própria economia, no pós-crise. Mas não só.
Como se pode ler na carta aberta enviada ao The Guardian, os estudantes de Manchester têm uma ideia bastante precisa da desadequação do ensino da economia relativamente ao mundo em que vivemos. Quando abordam a questão das teorias econômicas, escrevem: “esta [a teoria neoclássica] gira em torno da ideia do agente individual. Um agente pode ser uma pessoa ou uma empresa, por exemplo, a interagir com uma outra através de preços, num mercado. E o carácter de um agente ou os desejos claros de uma empresa ou de um consumidor no mercado são-nos apresentados como modelos matemáticos. É esta simplificação da natureza humana, apresentada numa sucessão de equações que, muitas vezes, sufoca a economia neoclássica e lhe nega a fluidez necessária para descrever, de forma precisa, a mudança patente no mundo em que vivemos”.
E acrescentam: “indivíduos que compram e vendem bens para gerar lucro, sem qualquer ideia de que forma estes bens podem afetar o planeta ou afetar a vida das pessoas, é uma questão ignorada [no ensino da economia] mas que deve ser uma preocupação para todos nós. O sistema financeiro corre ao ritmo desenfreado da imediaticidade, sendo que o colapso financeiro de 2008 lançou alguma luz em como uma ausência de conhecimento dos fracassos do mercado pode ser desastrosa para a sociedade”.
Afirmando ainda que não pretendem afirmar que o modelo neoclássico é perfeitamente inútil, os estudantes concentram-se, ao invés, num conhecimento mais alargado de outro tipos de teorias – privilegiar o ensino da história do pensamento econômico é um “pedido” comum nos vários manifestos estudantis – em conjunto com outras ferramentas que lhes permitam perceber o que é melhor para uma economia, “não sendo esta limitada apenas por questões de crescimento e lucro, mas incluindo o estudo de mecanismos que permitam a sustentabilidade, a equidade e a consciência social”.
Na petição que consta no site da “sociedade de estudantes”, os promotores da iniciativa relembram ainda a variedade de escolas de pensamento existentes na disciplina e que a integridade acadêmica exige que teorias econômicas alternativas sejam ensinadas aos alunos. A forma como a economia é ensinada, defendem, dá origem a consequências importantíssimas pois as nossas sociedades são moldadas por políticas e acontecimentos econômicos.
Adicionalmente, a desadequação entre os conteúdos programáticos e as necessidades do mundo real constitui um desafio enfrentado pelos departamentos de economia de universidades de todo o mundo. Afirmando acreditar que a educação em economia deveria incluir uma pluralidade significativa e uma ainda maior avaliação crítica, as propostas dos estudantes são claras:
Sublinhar, em cada módulo, as teorias econômicas a serem ensinadas, para que a economia não seja encarada como uma disciplina monolítica e sem debate.
Porque as teorias econômicas não podem ser devidamente compreendidas sem o conhecimento dos contextos sociopolíticos e tecnológicos nos quais são formuladas, o relacionamento com a história econÇomica deverá ser feito sempre que possível.
Disponibilizar cadeiras com perspectivas econômicas alternativas nos três primeiros anos do curso, deixando claro que a ideia não é a de se ignorar o ensino da economia mainstream, mas sim compreender que a pluralidade de perspectivas é estritamente necessária.
Sempre que possível, os docentes deverão relacionar a matéria em causa com o mundo real para que os estudantes aprendam a aplicar a teoria e compreendam onde falha a teoria para explicar a realidade.
Os módulos devem encorajar também o desenvolvimento de competências críticas e os tutoriais deverão estimular a discussão e o pensamento reflexivo.
Já a Rethinking Economy,a comunidade que tem como objetivo desmistificar, diversificar e revigorar o estudo da economia, numa rede abrangente de cidadãos, estudantes acadêmicos e profissionais, com o objetivo de formar uma rede colaborativa de “re-pensadores”, apresenta três linhas por excelência para a reformulação do ensino da disciplina.
Uma linha acadêmica, que privilegie pontes com disciplinas direta e indiretamente relacionadas com a economia, que faça progressos no ensino de outras perspectivas e metodologias até agora negligenciadas e que promova a colaboração, a humildade e a prática ética na academia;
Uma linha educacional, que desmistifique a economia enquanto ciência técnica, construindo comunidades abertas e colaborativas de pensadores econômicos; que expanda a criatividade e a consciencialização social dos economistas e cidadãos do futuro, ao mesmo tempo em que encoraje a utilização de ferramentas de análise econômica por parte de todos os que participam numa sociedade que é significativamente moldada por forças econômicas;
E uma linha política que potencie a capacidade de organização efetiva por parte dos estudantes e professores de economia, que reconheça os seus papéis e as responsabilidades, enquanto agentes políticos, no interior das várias instituições e na vida pública alargada.
Um último consenso que une todos estes movimentos: se nada for feito para se alterar a forma como a economia é ensinada nas universidades, os futuros líderes, empresariais e financeiros, continuarão a não perceber as consequências diretas das suas ações face à sociedade em que vivemos e, obviamente, relativamente ao planeta que habitamos. Estender a economia para além da ortodoxia, abordando teorias alternativas que não se limitam a alocar recursos através da simples equação da procura e da oferta, mas sim privilegiando um pensamento reflexivo de longo prazo será imprescindível para que a questão da sustentabilidade ganhe momentum e para assegurar que as decisões das pessoas têm origem na responsabilidade social.
Créditos da foto: Jornal de Negócioshttp://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Economia/O-protesto-nas-universidades-por-um-no-ensino-da-economia/7/29693
Walker
2 de dezembro de 2013 6:18 pmDo G1, um texto primoroso da
Do G1, um texto primoroso da Condesa Maria Helena Rubinato.
POLÍTICA
Cadê o Lula?, por Maria Helena RR de Sousa
Lula é, sem dúvida alguma, a personalidade mais forte, mais marcante de todas que vi passar por nossa vida política.
Quando Getúlio morreu, eu tinha 16 anos; Lacerda e Brizola vi e ouvi durante muitos anos; Juscelino era uma figura encantadora, além de ter sido um chefe de governo que, gostemos ou não, reviravoltou o Brasil ao fazer Brasília e desfazer o Rio. Mas o peso maior, desde que sou eleitora, foi de Lula. Na vida do Brasil e em nossa vida pessoal, pois não se vive uma vida impunemente em um país.
Só que Lula cometeu, em minha opinião, dois crimes inafiançáveis: a divisão do país em duas tribos e a paixão pelo poder de tal modo entranhada em sua alma que teve a audácia de criar um terceiro mandato e agora quer partir para o quarto.
E há outro em suspense: versões conflitantes sobre o momento em que Lula soube do mensalão não nos garantem se foi antes, se foi durante, se foi depois.
Nunca se soube também o que Lula realmente sente em relação a esse episódio que enodoou seu governo. Listo aqui palavras dele e as datas em que foram ditas:
* (…) Eu não tenho nenhuma vergonha de dizer ao povo brasileiro que nós temos que pedir desculpas. O PT tem que pedir desculpas. O governo, onde errou, tem que pedir desculpas, porque o povo brasileiro (…) não pode, em momento algum, estar satisfeito com a situação que nosso país está vivendo. (12/08/05, pronunciado em reunião ministerial transmitida ao vivo por todas as redes de televisão)
* E por que a CPI não vai provar o mensalão? Porque é humanamente impossível você imaginar que, qualquer que seja um Governo e sobretudo no meu Governo, você tenha que chamar um deputado para dizer: “olha, você tem que votar porque eu te dou tanto”. (18/11/05, em entrevista coletiva a emissoras de rádio)
Agora, oito anos depois, ficou provado, no Supremo Tribunal Federal, que houve o mensalão. Ficou provado o percurso inacreditável da dinheirama saída do próprio governo para os bolsos dos congressistas que aceitaram votar ‘sim’ com o governo “porque eu te dou tanto”.
O STF provou também que Lula não mentiu quando disse:
* E também quero aproveitar aqui para dizer a vocês e, obviamente, ao companheiro José Dirceu, que eu não sei se nós teríamos conseguido fazer o que fizemos na nossa relação com o Congresso Nacional se a gente não tivesse a coordenação de um companheiro como o José Dirceu. (18/12/03, durante o ato de prestação de contas do ano de 2003)
Alfredo Sábat
Mas, cadê o Lula? Cadê suas desculpas? E as do PT? Cadê?
Essas servem?
“Estamos juntos”, o já célebre ato falho.
“Parece que a lei só vale para o PT”, disse Lula num palanque em Santo André, em 21/11/13.
Nota oficial do atual presidente do PT conclama “a militância a mobilizar-se contra as tentativas de criminalização do PT.”
Vocês acham que servem?
Ou, já que ele não conseguiu “desmontar a farsa do mensalão”, não seria melhor ele ver o quanto cresceria como homem e como político se desmontasse a farsa que estão tentando armar contra a Imprensa, o STF, o Povo, em suma, contra o Brasil?
Cadê o Lula?
*Fonte: Dicionário Lula: Um presidente exposto por suas próprias palavras, Ali Kamel, Nova Fronteira, 2009
Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa escreve semanalmente para o Blog do Noblat desde agosto de 2005. Ela também tem uma fanpage e um blog –Maria Helena RR de Sousa.
MarFig
2 de dezembro de 2013 8:24 pmLi a primeira linha e última.
Li a primeira linha e última. Fontes: goebbels1 e alikamel. Disso aí não pode sair nada que presta. Pulei pro próximo tópico.
Walker
3 de dezembro de 2013 12:58 amPor que vc tem medo de ler
Por que vc tem medo de ler todo o texto da Maria Helena?
Francisco de Assis
2 de dezembro de 2013 10:23 pmVolte para seu esgoto, minha senhora
Por que o sr. Walker, que não tem coragem de se identificar, e que deve ser cuidador desta senhora de 75 anos, não a encaminha para defecar lá na fossa do Noblat?
Walker
3 de dezembro de 2013 1:05 amPor essa ofensa grosseira que
Por essa ofensa grosseira que vc fez contra a sua filha, Adoniran, deve estar se revirando no túmulo…..
Walker
3 de dezembro de 2013 1:23 am“Por que o sr. Walker, que
“Por que o sr. Walker, que não tem coragem de se identificar”. Pelas mesmas razões que vários comentadores do blog usam nicks. Afinal, nem vc se identifica, Franciscos de Assis exitem aos milhões no Brasil.
Voltando ao ponto: para firmar tua posição, vc não precisaria ofender dessa forma gratuita e grosseira (ofendeu a todos os idosos inclusive) uma senhorinha amável, linda e culta como a Maria Helena só porque ela pensa diferente do que tu acha certo.
CELSO ORRICO
2 de dezembro de 2013 11:26 pm.Shopping Vitória: corpos negros no lugar errado
Hildegard Angel tem razão o Brasil está trilhando um caminho sem volta da intolerância, ódio, racismo e etc..no link tem os vídeos do ocorrido;;
http://negrobelchior.cartacapital.com.br/2013/12/02/shopping-vitoria-corpos-negros-no-lugar-errado/
Shopping Vitória: corpos negros no lugar errado
negrobelchior / 9 horas atrás
Por Douglas Belchior
Sábado, 30 de novembro, fim de tarde. Várias viaturas da Polícia Militar, Rotam e Batalhão de Missões Especiais cercaram o Shopping Vitória, na Enseada do Suá, no Espírito Santo. Missão: proteger lojistas e consumidores ameaçados por uma gente preta, pobre e funkeira que, “soube-se depois”, não ocuparam o shopping para consumir ou saquear, mas para se proteger da violência da tropa da PM que acabara de encerrar a força o baile Funk que acontecia no Pier ao lado.
Amedrontados, lojistas e consumidores chamaram a polícia e o que se viu foram cenas clássicas de racismo: Nenhum registro de violência, depredação ou qualquer tipo de crime. Absolutamente nada além da presença física. Nada além do corpo negro, em quantidade e forma inaceitável para aquele lugar, território de gente branca, de fala contida, de roupa adequada.
E a fila indiana; e as mãos na cabeça; e o corpo sem roupa, como que a explicitar cicatrizes nas costas ou marcas de ferro-em-brasa, para que assim não se questione a captura.
A narrativa de Mirts Sants, ativista do movimento negro do Espírito Santos nos leva até a cena:
“Em Vitória, a Polícia Militar invadiu um pier onde estava sendo realizado um baile funk, alegando que estaria havendo briga entre grupos. Umas dezenas de jovens fugiram, amedrontados, e se refugiaram num shopping próximo.
Foi a vez, entretanto, de os frequentadores do shopping entrarem em pânico, vendo seu ‘fetiche de segurança’ ameaçado por “indesejáveis, vestidos como num baile funk, de tez escura e fragilizando o limite das vitrines que separam os consumidores de seus desejos”. Resultado: chamaram a PM, acusando os jovens de quererem fazer um arrastão.
A Polícia chegou rapidamente e saiu prendendo todo e qualquer jovem que se enquadrasse no ‘padrão funk’. Fez com que descessem em fila indiana e depois os expôs à execração pública, sentados no chão com as mãos na cabeça. E isso tudo apesar de negar que tenha havido qualquer arrastão, “exceto na versão alarmista dos frequentadores”.
Se chegou a haver algo parecido com uma tentativa de ‘arrastão’ ao que parece é impossível saber. Para alguns dentre os presentes, a negativa da PM teve como motivo “preservar a reputação do shopping como templo de segurança”. Se assim foi, a foto acima, com os jovens sentados no chão sob vigilância, e o vídeo abaixo, mostrando-os sendo forçados a descer em fila indiana sob a mira da Polícia, se tornam ainda mais graves como exemplos de arbítrio, violência e desrespeito aos direitos humanos. E isso só se torna pior quando acontece ainda sob os aplausos dos ‘consumidores’…”
Envie seu repúdio ao Governador do ES.
O suposto disparo, a dita “confusão” e o inevitável corre-corre só houve após a chegada da polícia no baile Funk;
O secretário de Segurança Pública do Estado, André Garcia, mente. Afirma não ter havido abuso. “Havia um tumulto e algumas pessoas relataram furtos na praça de alimentação. A polícia agiu corretamente. A intenção era identificar quem invadiu o shopping”, diz ele.
Invasão? Muitos relatos afirmam que os jovens se “abrigaram” no shopping para se proteger! Testemunhas disseram que as pessoas se assustaram foi com a presença e a forma de atuação da polícia dentro do shopping.
E mente ao dizer que “a polícia entrou no shopping após receber informações de que pessoas armadas estariam no local”, algo que não foi constatado pelas revistas feitas no interior do estabelecimento. Os únicos armados, caro secretário, eram seus homens.
Lojistas e consumidores relataram agressões aos ‘suspeitos’: ” Vi um policial dando um soco, de baixo para cima, em um garoto”; “o clima ficou mais tenso ao serem vistos policiais entrando armados no shopping”; “Parte dos que estavam sendo revistados era menores de idade. Vi um garoto sendo jogado no chão por um policial”.
A própria assessoria de comunicação do Shopping Vitória descartou a ocorrência de um arrastão no interior do estabelecimento e afirmou que nenhuma loja foi roubada ou danificada;
Mas ao final, o Secretário assume sua tarefa racista: “Quando se encontra uma atitude suspeita, a abordagem é uma ação normal. A polícia está autorizada a fazer isso. A população tem que entender”, disse ele a um jornal, afirmando que o critério para uma abordagem depende das circunstâncias, perfil das pessoas e quais queixas são apresentadas.
Sim, e é verdade, “Sr. Secretário”: circunstâncias, perfis e queixas, que sempre tem como principal objeto de provocação o corpo negro. Alguma novidade?
REAÇÃO
Lula Rocha, importante militante do movimento negro do Espírito Santo, em conjunto com diversos outros ativistas e organizações do movimento negro e movimentos sociais da capital prometem reagir e organizar um mega baile funk ao ar livre em frente o Shopping Vitória.
Criminalizado como um dia fora a capoeira, o futebol, o samba a MPB e o RAP, o funk moderno é tão contraditório em seu conteúdo quanto o é resistência em sua forma e estética. E se está servindo também para fazer aflorar o racismo enraizado na alma das elites hipócritas – muito mais vinculadas aos valores da luxuria e ostentação que a turma do funk, declaro pra geral: Sou funkeiro também!
Jose Lito
3 de dezembro de 2013 1:40 am1°. Encontro Nacional da ISOC Brasil
1°. Encontro Nacional da ISOC Brasil
Um evento muito bacana que ocorrerá em SP no próximo sábado.
A Sociedade da Internet no Brasil – ISOC Brasil – promove seu primeiro encontro nacional para debater o futuro da Internet, incluindo temas como o Marco Civil, a espionagem na rede, o compartilhamento das conexões, a computação em nuvem e os custos para o acesso à banda larga
http://isoc.org.br/ibrasil/1/index.html