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Guga Chacra viraliza chamando Elon Musk de “tremendo hipócrita”: “Morre de medo da China e Arábia Saudita”

A polêmica entre Elon Musk e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a respeito do bloqueio de contas acusadas de espalhar desinformação no X (ex-Twitter), trouxe à tona o debate sobre a regulamentação das redes sociais e os interesses geopolíticos do bilionário sul-africano e proprietário da plataforma de microblogs.

Agora foi a vez dos jornalistas Guga Chacra criticar o jogo político de Musk em um longo projeto de fortalecimento da ultradireita na América Latina, região detentora de minérios fundamentais para seus empreendimentos.

Em sua participação em programa da GloboNews, vídeo que se tornou viral nas redes sociais, Guga Chacra inicia sua análise relembrando que Musk já havia desautorizado a justiça uma vez, permitindo que o ex-presidente estadunidense, Donald Trump, retornasse a seu perfil na plataforma X.

Embora Trump não use mais a rede social, pois criou a sua própria (Truth Social), este seria um aceno do empresário sul-africano para garantir uma posição privilegiada em um possível novo mandato do líder ultradireitista.

Segundo Chacra, a defesa de Elon Musk sobre a liberdade de expressão no Brasil é pura hipocrisia, pois assim como em sua relação com Trump, além da “ditadura da China” e da Arábia Saudita, o bilionário coloca sempre seus interesses empresariais em primeiro lugar.

“Ele [Musk] não é nenhum defensor da liberdade de expressão. A gente não pode esquecer que ele fabrica a Tesla na China, que proíbe o Twitter. E jamais, jamais Elon Musk ousou fazer uma criticar à China. Qualquer crítica. Ele não faz. Ele morre de medo da ditadura do Xi JinPing. [Para Musk] Não tem problema nenhum a questão da liberdade de expressão na China, que tem 1 bilhão de habitantes”, ironizou Chacra.

Outra contradição apontada pelo comentarista é a de Musk receber investimentos da Arábia Saudita, até mesmo no próprio Twitter, apesar que a monarquia de Mohammed bin Salman tenha prendido civis por postagens na plataforma de Musk.

“A Arábia Saudita condena pessoas a décadas de prisão por posts críticos ao esquartejador Mohammed bin Salman. O Elon Musk jamais ousou questionar, criticar, citar de forma minimamente negativa o esquartejador. Ele é um tremendo de um hipócrita”, disparou Guga Chacra.

Guga Chacra fez referência à morte do o jornalista Jamal Khashoggi, em outubro de 2018, assassinado e esquartejado dentro do Consulado da Arábia Saudita em Istambul. O colunista do Washington Post era um crítico do herdeiro do trono de Riad. O relatório da ONU sobre o caso, escrito por Agnes Callamard, afirma que Khashoggi foi vítima de “um assassinato extrajudicial premeditado pelo qual o Estado da Arábia Saudita é responsável”.

Para Guga Chacra, Musk pode até ser um “grande empreendedor”, talvez o maior empreendedor do mundo hoje”. “Mas é um babaca, isso todo mundo tem muito claro, e é um tremendo de um hipócrita.”

O jornalista da GloboNews finalizou: “Ele querer falar qualquer coisa [do Brasil] sendo que morre de medo do Xi Jinping, morre de medo do Bin Salman, os dois patrões dele, aí não dá. (…) É um hipócrita. Seria bacana se ele defendesse a liberdade de expressão. Mas não é verdade. É um hipócrita que morre de medo da ditadura da China e da Arábia Saudita.”

Assista abaixo:

Os interesses de Elon Musk

O bilionário estaria mais interessado em fortalecer os movimentos de ultradireita na América Latina, agora que os Estados Unidos estão às vésperas das eleições presidenciais, e em outros países centrais em nosso continente.

Com isso, Elon Musk poderia garantir contratos interessantes, como aquele concedido durante o governo Bolsonaro que permitiu a Starlink fornecer internet para regiões indígenas na Amazônia.

Além disso, não precisaria tentar se envolver em tentativas de golpes de Estado, caso possuísse interesses minerais no país, como declarou sobre as grandes reservas de lítio na Bolívia. “Vamos derrubar quem quisermos. Lide com isso!”, tuitou Elon Musk, enquanto o país andino sofria um golpe.

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Dolores Guerra

Dolores Guerra é formada em Letras pela USP, foi professora de idiomas e tradutora-intérprete entre Brasil e México por 10 anos, e atualmente transita de carreira, estudando Jornalismo em São Paulo. Colabora com veículos especializados em geopolítica, e é estagiária do Jornal GGN desde março de 2014.

Dolores Guerra

Dolores Guerra é formada em Letras pela USP, foi professora de idiomas e tradutora-intérprete entre Brasil e México por 10 anos, e atualmente transita de carreira, estudando Jornalismo em São Paulo. Colabora com veículos especializados em geopolítica, e é estagiária do Jornal GGN desde março de 2014.

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